Assunção da Virgem Santa Maria

 

Missa do Dia

15 de Agosto de 2009

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ó Mãe da Igreja, F. da Silva, NRMS 101

Ap 12, 1

Antífona de entrada: Um sinal grandioso apareceu no céu: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de estrelas na cabeça.

 

Ou

 

Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar este dia de festa em honra da Virgem Maria. Na sua Assunção alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Nossa Senhora foi elevada em corpo e alma para o Céu. Aclamemo-la hoje com os anjos e os santos e com toda a Igreja espalhada pelo mundo.

Maria é a mais bela de todas as criaturas e é para todos nós sinal de vitória e fonte de esperança.

 

O pecado trouxe a morte e corrupção. Vamos limpar a nossa alma para nos parecermos com a Virgem elevada ao céu e podermos acolher a Jesus, que, hoje, aqui nos reuniu.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que elevastes à glória do Céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, concedei-nos a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos participar da sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Maria é sinal de salvação para o Povo de Deus. Apoiados nEla venceremos os ataques de Satanás e chegaremos ao Céu.

 

Apocalipse 11, 19a 12, 1-6a.10ab

19aO templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança foi vista no seu templo. 12, 1Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. 3E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. 4A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse. 5Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono 6ae a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. 10abE ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido».

 

Sob a imagem da Arca (v. 19) e da mulher (vv. 1-17) é-nos apresentada, na intenção da liturgia, a Virgem Maria. Entretanto os exegetas continuam a discutir, sem chegar a acordo, se estas imagens se referem à Igreja ou a Maria. Sem nos metermos numa questão tão discutida, podemos pensar com alguns estudiosos que a Mulher simboliza, num primeiro plano, a Igreja, mas, tendo em conta as relações tão estreitas entre a Igreja e Maria - «membro eminente e único da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade... sua Mãe amorosíssima» (Vaticano II, LG 53) – podemos englobar a Virgem Maria nesta imagem da mulher do Apocalipse. Tendo isto em conta, citamos o comentário de Santo Agostinho ao Apocalipse (Homilia IX):

4-5 «O Dragão colocou-se diante da mulher...»: «A Igreja dá à luz sempre no meio de sofrimentos, e o Dragão está sempre de vigia a ver se devora Cristo, quando nascem os seus membros. Disse-se que deu à luz um filho varão, vencedor do diabo».

6 «E a mulher fugiu para o deserto»: «O mundo é um deserto, onde Cristo governa e alimenta a Igreja até ao fim, e nele a Igreja calca e esmaga, com o auxílio de Cristo, os soberbos e os ímpios, como escorpiões e víboras, e todo o poder de Satanás».

 

Salmo Responsorial Sl 44 (45), 10.11.12.16 (R. cf. 10b)

 

Monição: O Salmo convida-nos a louvar a Rainha do Céu, a mais bela de todas as criaturas.

 

Refrão:         À vossa direita, Senhor, a Rainha do Céu,

                      ornada do ouro mais fino.

Ou:                À vossa direita, Senhor, está a Rainha do Céu.

 

Ao vosso encontro vêm filhas de reis,

à vossa direita está a rainha, ornada com ouro de Ofir.

 

Ouve, minha filha, vê e presta atenção,

esquece o teu povo e a casa de teu pai.

 

Da tua beleza se enamora o Rei

Ele é o teu Senhor, presta-Lhe homenagem.

 

Cheias de entusiasmo e alegria,

entram no palácio do Rei.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A vitória de Jesus manifesta-se na Sua ressurreição gloriosa. E também na Assunção de Sua Mãe ao Céu. Atingirá a sua plenitude com a nossa ressurreição, no final dos tempos.

 

1 Coríntios 15, 20-27

Irmãos: 20Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. 21Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos 22porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. 23Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder. 25É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. 26E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés. 27Mas quando se diz que tudo Lhe está submetido é claro que se exceptua Aquele que Lhe submeteu todas as coisas.

 

É a partir deste texto e do de Romanos 5 que os Padres da Igreja estabelecem a tipologia baseada num paralelismo antiético, entre Eva e Maria: Eva, associada a Adão no pecado e na morte; Maria, associada a Cristo na obra de reparação do pecado e na ressurreição.

20-23 S. Paulo, começando por se apoiar no facto real da Ressurreição de Cristo, procura demonstrar a verdade da ressurreição (vv. 1-19). Nestes versículos, diz que «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (v. 20). As primícias eram os primeiros frutos do campo que se deviam oferecer a Deus e só depois se podia comer deles (cf. Ex 28; Lv 23, 10-14; Nm 15, 20-21). De igual modo, Cristo nos precede na ressurreição. Nós (exceptuando pelo menos a Virgem Maria) havemos de ressuscitar «por ocasião da sua vinda» (v. 23). Não se pode confundir esta ressurreição sobrenatural e misteriosa de que aqui se fala com a imortalidade da alma. O Credo do Povo de Deus de Paulo VI, no nº 28, diz: «Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - tanto as que ainda devem ser purificadas com o fogo do Purgatório, como as que são recebidas por Jesus no Paraíso logo que se separem do corpo, como o Bom Ladrão - constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída por completo no dia da Ressurreição, em que as almas se unirão com os seus corpos». Por seu turno, a S. Congregação para a Doutrina da Fé, na carta de 17-5-79, declara: «A Igreja, ao expor a sua doutrina sobre a sorte do homem depois da morte, exclui qualquer explicação com que se tirasse o seu sentido à Assunção de Nossa Senhora, naquilo que esta tem de único, ou seja, o facto de ser a glorificação que está destinada a todos os outros eleitos».

 

Aclamação ao Evangelho

 

Monição: Maria é para nós modelo de todas as virtudes, de fé, de obediência à vontade de Deus, de caridade para com os outros. Aprendamos com Ela a viver o que Jesus nos diz em cada missa.

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

Maria foi elevada ao Céu:

alegra-se a multidão dos Anjos.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 39-56

39Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo 42e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? 44Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. 45Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor». 46Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. 49O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. 50A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. 51Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. 52Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. 53Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. 54Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre». 56Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.

 

Os estudiosos descobrem neste relato uma série de ressonâncias vetero-testementárias, o que corresponde não apenas ao estilo do hagiógrafo, mas sobretudo à sua intenção teológica de mostrar como na Mãe de Jesus se cumprem as figuras do A.T.: Maria é a verdadeira e nova Arca da Aliança (comparar Lc 1, 43 com 2 Sam 6, 9 e Lc 1, 56 com 2 Sam 6, 11) e a verdadeira salvadora do povo, qual nova Judite (comparar Lc 1, 42 com Jdt 13, 18-19) e qual nova Ester (Lc 1, 52 e Est 1 – 2).

39 «Uma cidade de Judá». A tradição diz que é Ain Karem, uma povoação a 6 Km a Oeste da cidade nova de Jerusalém. De qualquer modo, ficaria a uns quatro dias de viagem de Nazaré. Maria empreende a viagem movida pela caridade e espírito de serviço. A «Mãe do meu Senhor» (v. 43) não fica em casa à espera de que os Anjos e os homens venham servir a sua rainha; e Ela mesma, que se chama «escrava do Senhor» (v. 38), «a sua humilde serva» (v. 48), apressa-se em se fazer a criada da sua prima e de acudir em sua ajuda. Ali permanece, provavelmente, até depois do nascimento de João, uma vez que S. Lucas nos diz que «ficou junto de Isabel cerca de três meses».

42 «Bendita és Tu entre as mulheres». Superlativo hebraico: a mais bendita de todas as mulheres.

43-44 «A Mãe do meu Senhor». As palavras de Isabel são proféticas: o mexer-se do menino no seu seio (v. 41) não era casual, mas «exultou de alegria» para também ele saudar o Messias e sua Mãe.

46-55 O cântico de Nossa Senhora, o Magnificat, é um poema de extraordinária beleza poética e elevação religiosa. Dificilmente poderiam ficar melhor expressos os sentimentos do coração da Virgem Maria – «a mais humilde e a mais sublime das criaturas» (Dante, Paraíso, 33, 2) –, em resposta à saudação mais elogiosa (vv. 42-45) que jamais se viu em toda a Escritura. É como se Maria dissesse que não havia motivo para uma tal felicitação; tudo se deve à benevolência, à misericórdia e à omnipotência de Deus. Sem qualquer referência ao Messias, refulge aqui a alegria messiânica da sua Mãe e a sua humildade num extraordinário hino de louvor e de agradecimento. O cântico está todo entretecido de reminiscências bíblicas, sobretudo do cântico de Ana (1 Sam 2, 1-10) e dos Salmos (35,9; 31, 8; 111, 9; 103, 17; 118, 15; 89, 11; 107, 9; 98, 3); cf. também Hab 3, 18; Gn 29, 32; 30, 13; Ez 21, 31; Si 10, 14; Mi 7, 20. Ao longo dos tempos, muitos e belos comentários se fizeram ao Magnificat; mas também é conhecida a abordagem libertacionista, abundando leituras materialistas utópicas, falsificadoras do genuíno sentido bíblico, com base no princípio marxista da luta de classes. Com efeito, a transformação social que é urgente realizar, não se consegue com o inverter a ordem social, o «derrubar os poderosos dos seus tronos» e o «despedir os ricos de mãos vazias». Eis o comentário da Encíclica Redemptoris Mater, nº 36: «Nestas sublimes palavras… vislumbra-se a experiência pessoal de Maria, o êxtase do seu coração; nelas resplandece um raio do mistério de Deus, a glória da sua santidade inefável, o amor eterno que, como um dom irrevogável, entra na história do homem».

 

Sugestões para a homilia

 

Apareceu no céu um grande sinal

Em Cristo restituídos à vida

Fez em Mim maravilhas

Apareceu no céu um grande sinal

Nós cristãos temos de ser contra a guerra. E temos de lutar para que reine a paz neste mundo. Para isso temos de travar uma guerra dentro de nós, contra os nossos defeitos, contra as nossas más inclinações.

O demónio procura perder-nos, afastando-nos de Deus e serve-se dessas más inclinações para nos enganar e vencer, ao celebrar a festa da Assunção de Nossa Senhora a Igreja põe-nos diante dos olhos o sinal de vitória que Deus deu à Humanidade desde o princípio. «Porei inimizades entre ti e a mulher – disse o Senhor à serpente – entre a tua descendência e descendência dela. E esta te esmagará a cabeça» (Gen 3, 15)

«Um grande sinal surgiu no Céu: uma mulher vestida de sol» (1ª leit). Contra Ela nada pode o dragão enganador. Com Ela poderemos vencer. Porque é nossa mãe e está revestida da omnipotência divina.

Temos de procurar sempre a protecção desta mulher revestida da graça e do poder de Deus. Olhar para a Virgem Santíssima, elevada ao Céu em corpo e alma, é avivar em nós a certeza da vitória. Vamos rezar-Lhe mais. O Rosário é como que uma corda que nos prende a Nossa Senhora e, por Ela, a Jesus. Assim subiremos seguros como os alpinistas que escalam as altas montanhas.

Vamos olhar para Nossa Senhora, aprender com Ela a viver a nossa vida cá na terra. Ela é para nós modelo de vida e modelo sempre actual em todas as épocas.

A Assunção de Maria em corpo e alma ao céu fala-nos do respeito que merece o nosso corpo, também ele chamado a participar da glória do Céu.

Como em outras épocas passadas, vivemos um tempo de decadência da civilização, ligada com a abundância de bens materiais. Como na antiga Roma, no tempo de Jesus, difunde-se a corrupção e a imoralidade. É como que uma onda de lama que vai invadindo o mundo e tudo destrói na sua frente. Entra-nos pela casa dentro através da televisão ou da internet. Querem convencer-nos que o corpo humano é um objecto de prazer, que a sexualidade não tem regras, que é vivendo como animais que somos felizes. Que tudo o que apetece se pode fazer, que não existe pecado original.

Temos de reagir. O sexto e o nono mandamentos continuam actuais e são o caminho seguro para nos respeitarmos e respeitar os outros.

São pecado grave as acções feias sozinhos ou com outras pessoas. A sexualidade é para usar apenas dentro do matrimónio e está orientada para a transmissão da vida. Não é nenhum tabú, mas é algo de sagrado, ligado com o poder de comunicar a vida, que só a Deus pertence.

E quando os homens não respeitam as regras ensinadas por quem construiu a máquina maravilhosa do nosso corpo acabam por destrui-la. Como acontece com as sofisticadas máquinas modernas. Podemos comprová-lo, em nosso tempo, com a epidemia da sida, que ameaça destruir países inteiros. É o que acontecia, desde há séculos, com a sífilis e outras doenças venéreas.

Temos de saber guardar os nossos olhos. Eles são a janela da alma e por eles entram muitas das tentações. Temos de saber dizer não a modas desonestas, em especial agora no verão. Roupas decotadas ou transparentes nunca foram próprias de mulheres e jovens que sabem respeitar-se.

Em Cristo restituídos à vida

O nosso corpo é templo de Deus e há -de ressuscitar um dia, como nos lembra a segunda leitura. S Paulo escrevia esta carta aos cristãos de Corinto, que viviam num mundo de imoralidade tão grande como o de hoje. E lembra-lhes a certa altura: «Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei eu, pois, os membros de Cristo e fá-los-ei membros duma prostituta?… O que comete imoralidade peca contra o próprio corpo. Porventura não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que habita em vós, que vos foi dado por Deus e que não vos pertenceis a vós mesmos? Porque fostes comprados por grande preço! Glorificai pois a Deus no vosso corpo» (1 Cor. 6, 15-20).

A santa pureza leva-nos a manter limpo o nosso coração, para podermos amar a Deus e poder contemplá -Lo pela fé, aqui na terra e, depois, na glória do céu. «Bem aventurados os puros de coração porque verão a Deus» (Mt 5, 8). Permite-nos amar os outros de verdade. A todos os que precisam de nós. Mas também aquele ou aquela que vai ser companheiro de toda a vida no matrimónio.

A melhor preparação para o casamento continua a ser uma vida limpa. O coração tem de dar-se por inteiro. E é apenas diante do altar de Deus que os noivos se dão um ao outro para sempre.

Os pais têm obrigação grave de preparar os seus filhos para a vida, de lhes falar a tempo e horas dos mistérios da vida. Essa é a educação sexual correcta e necessária. E têm de os prevenir para os perigos e ajudá-los a defender-se dos maus exemplos que reinam à sua volta.

Devem educar os filhos na castidade desde pequenos, ensinando-os a chamar os bois pelo nome, a chamar mal ao que é mal e bem ao bem. A empregar os meios para vencer as tentações: a oração, a fuga das ocasiões, a confissão frequente e sincera, a ocupação dos tempos livres.

«Oh! Como é bela uma geração casta! (Sab 4, 1)» – diz a Sagrada Escritura.

Todos temos de lutar pela vida fora neste campo, em que Satanás tão facilmente nos pode enganar. «Com o espírito de Deus, a castidade, longe de ser um peso incómodo e humilhante, torna-se uma afirmação gozosa – dizia um sacerdote santo – porque o querer, o domínio e a vitória não são dados pela carne nem vêm do instinto, mas procedem da vontade, sobretudo se está unida à do Senhor…

Comparo esta virtude a umas asas que nos permitem levar os mandamentos, a doutrina de Deus por todos os ambientes da terra, sem receio de ficar enlameados. Essas asas, tal como as das aves majestosas que sobem mais alto que as nuvens, pesam e pesam muito, mas se faltassem não seria possível voar. Gravai isto na vossa mente, decididos a não ceder quando sentirdes a garra da tentação, que se insinua apresentando a pureza como uma carga insuportável. Ânimo! Subi até ao sol, em busca do amor» (S. JOSEMARIA, Amigos de Deus, 177)

Muitas vezes teremos de pôr a luta na guarda dos sentidos, na fuga das ocasiões de pecado, como são, hoje, tantos dos divertimentos. E também na guarda do coração, evitando familiaridades com pessoas de outro sexo, hoje tão em moda.

O nono mandamento diz-nos que a luta começa nos pensamentos, nos desejos e na imaginação.

Vale a pena lutar mesmo quando somos derrotados. Com a graça de Deus podemos vencer. O grande S. Bernardo, que a Igreja recorda a 20 de Agosto, andava um dia a cavalgar com outros amigos pelos montes. Perderam-se e tiveram de pedir dormida numa casa daquela região. A dona pô-lo em quarto separado e, a meio da noite, apareceu-lhe no quarto com intenções desonestas. Bernardo dando conta do perigo, começou a gritar: ladrões, ladrões! A mulher pôs-se em fuga. No regresso os amigos galhofavam com ele, que lhes respondeu: – Não se tratava de roubar-me o dinheiro mas algo muito mais importante do que ele.

Fez em Mim maravilhas

Maria é a mulher maravilhosa. «O Senhor fez em Mim maravilhas» (Ev.).

É o modelo que nos anima na luta. Ao meditar os mistérios do Rosário vamos aprendendo com Ela a viver uma vida de santidade em nosso dia a dia. Aprendamos de cor os mistérios. Procuremos meditá-los melhor. É a vida de Jesus que passa diante dos nossos olhos, os mistérios da Sua vida que precisamos de conhecer e meditar e que dão sentido à nossa vida.

Pela mão de Maria vamos contemplando o rosto de Jesus. Com Ela vamos copiando a Sua Vida. Vamo-nos animando a chegar ao céu, onde seremos glorificados um dia, como Ela.

João Paulo II é para nós exemplo deste amor a Maria. O seu lema era Totus tuus, todo de Maria. Que neste dia saibamos tornar-nos mais de Maria para ser mais de Jesus, para nos deixarmos guiar em tudo pelo Seu Espírito, para vivermos essa vida de santidade a que somos chamados. Num mundo em que tantas coisas querem obrigar-nos a pensar e viver doutra maneira e em que Satanás continua a trabalhar, talvez mais que em outras épocas. Com a Virgem Imaculada, que do céu nos anima e apoia, venceremos nesta luta.

 

Fala o Santo Padre

 

«Maria recorda-nos que o essencial consiste em buscar às

«coisas do alto, e não às coisas da terra».»

A tradição cristã colocou no meio do Verão uma das festas marianas mais antigas e sugestivas, a solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria. Assim como Jesus ressuscitou dos mortos e subiu à direita do Pai, também Maria, depois de concluir o percurso da sua existência na terra, foi levada ao céu. A liturgia de hoje recorda-nos esta consoladora verdade de fé, enquanto canta os louvores daquela que foi coroada de glória incomparável. Lemos no trecho do Apocalipse, hoje proposto à nossa meditação «Apareceu no céu um grande sinal: uma Mulher vestida de sol, com a Lua debaixo dos pés e com uma coroa de doze estrelas na cabeça» (12, 1).

Nesta mulher resplandecente de luz, os Padres da Igreja reconheceram Maria. No seu triunfo, o povo cristão peregrino na história entrevê o cumprimento das próprias expectativas e o sinal seguro da sua esperança.

Maria é exemplo e sustento para todos os crentes:  encoraja-nos a não desanimar diante das dificuldades e dos problemas inevitáveis de todos os dias. Garante-nos a sua ajuda e recorda-nos que o essencial consiste em buscar e aspirar às «coisas do alto, e não às coisas da terra» (cf. Cl 3, 2). Com efeito, arrebatados pelas preocupações diárias, corremos o risco de considerar que se encontra aqui, neste mundo onde só estamos de passagem, a derradeira finalidade da existência humana. Ao contrário, o Paraíso é a verdadeira meta da nossa peregrinação terrena. Como seriam diferentes os nossos dias, se fossem animados por esta perspectiva! Assim foi para os santos. As suas existências testemunham que quando se vive com o coração constantemente orientado para o céu, as realidades terrenas são vividas no seu justo valor porque são iluminadas pela verdade eterna do amor divino. (...)

 

Papa Bento XVI, Castel Gandolfo, 15 de Agosto de 2006

 

Oração Universal

 

Irmãos, como a Virgem em Caná da Galileia,

vamos apresentar a Jesus os nossos pedidos,

para que Ele os faça chegar ao Pai:

 

1.  Pela Santa Igreja de Deus,

para que continue a espalhar no mundo generosamente a mensagem de Jesus,

que a todos chama à santidade, oremos irmãos.

 

2.  Pelo Santo Padre,

para que o Senhor encha de frutos os seus trabalhos e sacrifícios

e para que todos escutem com atenção os seus ensinamentos, oremos irmãos.

 

3.  Pelos bispos, sacerdotes e diáconos,

para que sejam modelos e arautos do amor à Virgem toda santa,

que é caminho que leva a Jesus, oremos irmãos.

 

4.  Pelos nossos emigrantes, espalhados pelos quatro cantos da terra,

para que Deus abençoe os seus trabalhos

e faça deles testemunhas da fé e do amor a Nossa Senhora, oremos irmãos.

 

5.  Por todos os cristãos,

para que vivam intensamente este Ano Sacerdotal

e todas as paróquias se tornem, com Maria , escolas de oração, oremos irmãos.

 

6.  Pelos jovens, para que saibam dizer sim corajosamente

a uma vida de pureza e heroísmo no seguimento de Cristo,

apoiados numa forte devoção à Virgem Imaculada, oremos irmãos.

 

Senhor, que nos reunistes numa só família, a Santa Igreja, para vivermos como Vossos filhos cá na terra, fazei saibamos amar-Vos cada vez mais, animados pela Virgem elevada ao Céu em corpo e alma. Por N.S.J.C. Vosso Filho, que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Ditosa Virgem cheia de graça, J. Santos, NRMS 75

 

Oração sobre as oblatas: Suba até Vós, Senhor, a nossa humilde oferta e, pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, elevada ao Céu, fazei que os nossos corações, inflamados na caridade, se dirijam continuamente para Vós. Por Nosso Senhor.

 

 

Prefácio

 

A glória da Assunção de Maria

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos na Assunção da Virgem Santa Maria.

Hoje a Virgem Mãe de Deus foi elevada à glória do Céu. Ela é a aurora e a imagem da Igreja triunfante, ela é sinal de consolação e esperança para o vosso povo peregrino. Vós não quisestes que sofresse a corrupção do túmulo aquela que gerou e deu à luz o Autor da vida, vosso Filho feito homem.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando com alegria:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Para acolher a Jesus, procuremos parecer-nos com a Virgem na Sua fé e na Sua pureza imaculada.

 

Cântico da Comunhão: Salvé estrela do mar, A. Cartageno, NCT 618

 

Antífona da comunhão: Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque o Senhor fez em mim maravilhas.

 

Cântico de acção de graças: Glória da humanidade, A. Cartageno, NRMS 101

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da vida eterna, concedei-nos, por intercessão da Virgem Santa Maria, elevada ao Céu, a graça de chegarmos à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos olhar para a Virgem, aprender com Ela. E caminhar, como os pequenitos, bem agarrados à Sua mão.

 

Cântico final: Foi um sono de luz, H. Faria, NRMS 103-104

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Celestino C. Ferreira

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial