Natividade da Virgem Santa Maria

8 de Setembro de 2009

 

Festividade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nasceu a Virgem Maria, F. da Silva, NCT 630

 

Antífona de entrada: Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar o nascimento da Virgem Santa Maria, da qual nasceu o sol da justiça, Cristo nosso Deus.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos a festa do nascimento de Nossa Senhora, a mais bela de todas as mães. É a oportunidade de A enchermos de alegrias. E a maior alegria é que nos disponhamos a amar mais a Jesus que está aqui connosco nesta missa.

 

Vamos dispor o nosso coração, pedindo perdão dos nossos pecados.

 

Oração colecta: Dai, Senhor, aos vossos servos o dom da graça celeste e fazei que a festa do nascimento da bem-aventurada Virgem Maria, cuja maternidade divina foi o princípio da nossa salvação, aumente em nós a unidade e a paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Miqueias anuncia que o Salvador nascerá em Belém e fala daquela que vai ser a Sua Mãe. Maria é como a aurora que anuncia a chegada do sol.

 

Miqueias 5, 1-4a

Eis o que diz o Senhor: 1«De ti, Belém-Efratá, pequena entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel. As suas origens remontam aos tempos de outrora, aos dias mais antigos. 2Por isso Deus os abandonará até à altura em que der à luz aquela que há-de ser mãe. Então voltará para os filhos de Israel o resto dos seus irmãos. 3Ele se levantará para apascentar o seu rebanho pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus. Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. 4aEle será a paz».

 

Em face da situação grave que pesava sobre o povo com as invasões assírias, no século VIII a. C., o Profeta tem palavras de esperança: após a ruína virá a restauração, que se fará por meio de um descendente de David. A profecia projecta-nos para um futuro de segurança e de paz, para os tempos messiânicos.

1 «De ti sairá aquele…» Tanto a tradição judaica como a cristã (cf. Rut 4, 11; 1 Sam 16, 1-13; 17, 12; Mt 2, 4-6; Jo 7, 42) entenderam esta profecia como referida ao lugar do nascimento de Cristo em Belém. «Beth-léhem» significa «casa do pão»; «Efratá» (fecunda) distingue-a duma outra Belém, na Galileia.

«Pequena entre as cidades…», à letra: «pequena para as que estão entre as milhares (ou famílias) de Judá». S. Mateus (Mt 2, 6) cita este texto fazendo dele uma leitura actualizada para mostrar que em Jesus se cumpre a profecia. Para isso serviu-se de dois recursos próprios da hermenêutica judaica. Por um lado, transforma a afirmação de Miqueias numa interrogação – «porventura és pequena…? –, o que lhe permite dizer que de modo nenhum é a mais pequena; por outro lado, com a técnica deráxica chamada al-tiqrey («não leias»), lê a palavra hebraica alfey («milhares») com outras vogais, a saber, al-lufey («as principais [príncipes] de»), tendo em conta que em hebraico não se escreviam as vogais, mas só as consoantes. É assim que Mateus pode dizer, não falseando o texto, mas interpretando-o: «não és de modo nenhum a menor entre as principais (cidades) de Judá».

«As suas origens remontam...» A expressão hebraica presta-se a designar uma origem anterior ao tempo, portanto, eterna e divina. Assim pensam muitos exegetas católicos, recorrendo à analogia com Is 9, 5.

2 «Aquela que há de ser mãe». Esta maneira de falar faz pensar a alguns comentadores numa alusão à célebre profecia da virgem que concebe de Isaías 7, 14, conhecida dos destinatários do oráculo, coisa aliás compreensível, uma vez que já teriam passado uns anos. Na leitura cristã deste texto é fácil de ver uma alusão à Mãe de Jesus, a razão da escolha deste texto para a Liturgia de hoje.

4 «Ele será a Paz». Em Ef 2, 14 parece haver uma citação desta passagem messiânica.

 

Em vez da leitura precedente, pode utilizar-se a seguinte:

 

Romanos 8, 28-30

Irmãos: 28Nós sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam, dos que são chamados, segundo o seu desígnio. 29Porque os que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o Primogénito de muitos irmãos. 30E àqueles que predestinou, também os chamou àqueles que chamou, também os justificou e àqueles que justificou, também os glorificou.

 

Estas breves e incisivas palavras são das mais belas sínteses paulinas e estão na linha dos ensinamentos centrais de Romanos: a confiança mais absoluta em Deus, que há-de levar a cabo a obra já começada de salvar os seus fiéis. É certo que S. Paulo admite noutras passagens a possibilidade de que estes não se venham a salvar; mas, se isso vier a suceder, não pode ser por uma falha de Deus, mas apenas por uma atitude plenamente deliberada do homem resgatado. A nossa esperança é firmíssima (cf. Rom 5, 5.10), porque temos dentro de nós o próprio Espírito que vem em ajuda da nossa fraqueza, intercedendo por nós com gemidos inefáveis (cf. Rom 8, 26), e Deus Pai ouve esta intercessão, porque está plenamente conforme com Ele mesmo (v. 27). Além disso, por uma Providência amorosíssima, «Deus concorre, em tudo para o bem daqueles que O amam» (v. 28).

29-30 O desígnio salvador de Deus é aqui explicitado em cinco etapas (já explicitadas noutras passagens): Deus «conheceu-nos de antemão» (olhou-nos com amor); «predestinou-nos para sermos conformes à imagem do seu Filho» (a sermos um só com Cristo); «chamou-nos»; «justificou-nos»; «glorificou-nos». É certo que a glória ainda não nos foi dada (cf. vv. 17-18), mas já a podemos considerar adquirida (daí o emprego do aoristo proléptico), dada a nossa íntima união a Cristo já glorificado.

 

Salmo Responsorial      Sl 12 (13), 6ab.6cd (R. Is 61,10)

 

Monição: O salmo canta a alegria que Deus traz aos homens com a salvação. Maria é chamada a causa da nossa alegria, porque nos deu Jesus.

 

Refrão:         Exulto de alegria no Senhor.

 

Eu confiei na vossa bondade,

o meu coração alegra-se com a vossa salvação.

 

E cantarei ao Senhor

pelo bem que me fez.

 

 

Aclamação ao Evangelho

 

Monição Nossa Senhora tornou-Se a mãe do Salvador, que é o Emanuel, Deus connosco. Ele continua no meio de nós. Está aqui e fala-nos.

 

Aleluia

 

Cântico: S. Marques, NRMS 73-74

 

Sois ditosa, ó Virgem Santa Maria, sois digníssima de todos os louvores,

porque de Vós nasceu o sol da justiça, Cristo, nosso Deus.

 

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Mateus 1, 1-16.18-23;                      forma breve: São Mateus 1, 18-23

 [1Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David, Filho de Abraão: 2Abraão gerou Isaac. Isaac gerou Jacob, Jacob gerou Judá e seus irmãos. 3Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara, Farés gerou Esrom Esrom gerou 4Arão, Arão gerou Aminadab, Aminadab gerou Naasson Naasson gerou Salmon. 5Salmon gerou, de Raab, Booz Booz gerou, de Rute, Obed, Obed gerou Jessé 6Jessé gerou o rei David. David, da mulher de Urias, gerou Salomão, 7Salomão gerou Roboão, Roboão gerou Abias, Abias gerou Asa, 8Asa gerou Josafat, Josafat gerou Jorão, Jorão gerou Ozias, 9Ozias gerou Joatão, Joatão gerou Acaz, Acaz gerou Ezequias, 10Ezequias gerou Manasses, Manassés gerou Amon, Amon gerou Josias, 11Josias gerou Jeconias e seus irmãos, ao tempo do desterro de Babilónia. 12Depois do desterro de Babilónia, Jeconias gerou Salatiel, Salatiel gerou Zorobabel, 13Zorobabel gerou Abiud, Abiud gerou Eliacim, Eliacim gerou Azor, 14Azor gerou Sadoc, Sadoc gerou Aquim, Aquim gerou Eliud, 15Eliud gerou Eleazar, Eleazar gerou Matã, Matã gerou Jacob. 16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo.]

18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 22Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do profeta, que diz: 23«A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’».

 

 

 

 

«Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David»: É este o cabeçalho da genealogia humana de Jesus com que se inicia o Evangelho de Mateus. Este título é para apresentar Jesus como o descendente por excelência de David, o Messias, segundo as promessas de Deus. São três grupos de 14 gerações, a partir de Abraão, o pai do povo eleito, com nomes tomados fundamentalmente de Crónicas ou Paralipómenos, até Zorobabel, ignorando-se quais as fontes para os restantes nomes, nomes que não coincidem com os de Crónicas, nem com os da tábua genealógica de Lucas. A genealogia obedece claramente a uma intencionalidade teológica. O número 14, três vezes repetido, uma cifra que não correspon­de a todos os elos que ligam Jesus a Abraão, parece querer insinuar que não estamos perante uma casualidade, à maneira duma capicua, mas perante algo preestabelecido por Deus, um desígnio misterioso de Deus, que envia o seu Filho à terra «quando chegou a plenitude dos tempos» (Gal 4, 4); de facto, o número 14 é um símbolo de plenitude, pois equivale ao número perfeito, 7, multiplicado por dois.

16 «Gerou... Foi gerado.» Esta lista tripartida evidencia que S. José não é pai de Jesus segundo a carne, pois de cada uma daquelas pessoas da lista genealógica se diz «gerou» (egénesen), mas não se diz o mesmo de José relativamente a Jesus: «Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus». Este verbo, «nasceu», no original grego é uma forma passiva impessoal, «foi gerado» (egenêthe), correspondendo este passivo (passivum divinum) a uma forma corrente de se referir a Deus como sujeito duma acção, sem ter de pronunciar o seu nome inefável, dado o respeito que se Lhe deve. Sendo assim, a expressão «da qual foi gerado Jesus» é equivalente a esta: «da qual Deus gerou Jesus».

Mas pode perguntar-se: então porque se põe José na ascendência de Jesus, não sendo pai no sentido biológico (cf. v. 18)? É que é pai de Jesus «por constituição de Deus» (A. Diez Macho): «trata-se duma paternidade que afecta o nascimento, mas não a geração»; é Deus que introduz José na família de Jesus levando-o a vencer o temor reverencial de receber Maria como esposa (v. 21) e encarrega-o de pôr o nome ao Menino, o que era uma função do pai (v. 24). Estamos assim perante uma verdadeira paternidade, superior à carnal, pois é estabelecida ou constituída por Deus. S. Mateus pretende demonstrar que Jesus é o Messias e, portanto, Filho de David, embora sem documentar que descenda biologicamente dele. Isto é realçado pelo emprego duma técnica deráxica (actualização de textos bíblicos anteriores), chamada «gematriá» (jogo de números a partir das letras correspondentes): nesta lista genealógica, aparece o número 14 repetido 3 vezes, um número sublinhado no v. 17; e tanto o número 14 como o nome David se escrevem com as mesmas consoantes hebraicas (DVD = 4+6+4).

18 «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais (erusim), que tinham valor jurídico de um matrimónio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes (nissuim ou liqquhim), em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois.

«Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»: isto conta-se em pormenor no Evangelho de S. Lucas (1, 26-38), lido na festa da Imaculada Conceição (ver comentário então feito). Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Também isto nada tem que ver com os relatos mitológicos dos semideuses, filhos dum deus e duma mulher. Além do mais, é evidente o carácter semítico e o substrato judaico e vétero-testamentário das narrativas da infância de Jesus em Mateus e Lucas; ora, nas línguas semíticas a palavra «espírito» (rúah) não é masculina, mas sim feminina. Isto chegava para fazer afastar toda a suspeita de dependência do relato relativamente aos mitos pagãos. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera, Deus cria. As narrativas de Mateus e Lucas têm tal originalidade que excluem qualquer dependência dos mitos.

19 «Mas José, seu esposo…» Partindo do facto real e indiscutível da concepção virginal de Jesus, aqui apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou, uma vez que não dispomos da crónica dos factos, pois a intenção do Evangelista era primordialmente teológica, embora sem inventar histórias; em face dos dados das suas fontes nem sequer disso precisava. Do texto parece depreender-se que Maria nada tinha revelado a José do mistério que nela se passava. José vem a saber da gravidez de Maria por si mesmo ou pelas felicitações do paraninfo (o «amigo do esposo»); e assim o que devia ser para José uma grande alegria tornou-se o mais cruel tormento. Em circunstâncias idênticas, qualquer outro homem teria actuado drasticamente, denunciando a noiva ao tribunal como adúltera. Mas José era um santo, «justo», por isso, não condenava ninguém sem ter as provas da culpa. E aqui não as tinha. A sua serenidade e rectidão levam-no a não se precipitar. Ele conhece a virtude extraordinária de Maria e sabe que ela não podia ter falhado, não admitindo sequer a mais leve suspeita acerca dela. O que José pensaria é que estava perante algo sobrenatural, divino; ouvira talvez contar em família o que se passou na visita de Maria a Isabel, se é que ele não esteve mesmo ali; poderia mesmo ter tido uma iluminação acerca da profecia de Isaías que falava duma virgem que havia de dar à luz e ela mesma impor o nome ao seu filho, onde, portanto, não parecia haver lugar para homem algum. É então que José pensa deixar Maria, para não se intrometer num mistério em que não lhe competia ter parte alguma. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo», evitando cuidadosamente «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» («deigmatísai») o mistério messiânico.

20 «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo sabe que José não admite qualquer dúvida acerca da virtude de Maria, por isso, não diz: «não desconfies», mas: «não temas». José devia andar amedrontado com algo de divino e misterioso que pressentia: julga-se indigno de Maria e decide não se imiscuir num mistério que o transcende. Como explica S. Bernardo, S. José «foi tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, que a quis deixar ocultamente... José tinha-se, por indigno...».

23 «Será chamado Emanuel». No original hebraico temos o verbo no singular (forma aramaica para a 3ª pessoa do singular feminino: weqara’t referido a virgem, que é a que põe o nome = «e ela chamará»). Mateus, porém usa o plural (kai kalésousin: «e chamarão»), um plural de generalização, a fim de que o texto possa ser aplicado a S. José, para pôr em evidência a missão de S. José, como pai «legal» de Jesus (a própria profecia de Isaías 7, 14, ao dizer que seria a virgem a pôr o nome ao seu filho até se prestava a significar que este não nasceria de germe paterno!). Mateus, em face do papel providencial desempenhado por S. José, não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa muito mais rica do que o simples anúncio profético. Contudo, esta técnica do Evangelista para «actualizar» um texto antigo (o chamado deraxe), não é arbitrária, pois baseia-se na regra hermenêutica rabínica chamada al-tiqrey (quer dizer, «não leias»), que consiste em não ler um texto consonântico com umas vogais, mas com outras (o hebraico escrevia-se sem vogais). Neste caso, trata-se de «não ler» as consoantes do verbo (wqrt) com as vogais que correspondem à forma feminina (tanto da 3ª pessoa do singular na forma aramaica, como da 2ª pessoa do singular como os LXX traduziram: weqara’t «e tu chamarás»), mas trata-se de ler com as vogais que correspondem à 2ª pessoa do singular masculino (weqara’ta «e tu chamarás» – lembrar que em hebraico há diferentes formas masculina e feminina para as 2ª e 3ª pessoas dos verbos). Como pensa Alexandre Díez Macho, «com este deraxe oculto, mas real, Mateus confirma as palavras do anjo do Senhor no v. 21: 'e (tu, José) o chamarás'».

 

Sugestões para a homilia

 

A Virgem conceberá

Será chamado Emanuel

A Virgem conceberá

A festa do nascimento de Nossa Senhora é celebrada em muitos lugares, nestes dias, com muitos títulos. Ela é a aurora que anuncia o nascimento do sol, que preparou a chegada de Jesus.

Deus tinha falado dEla aos nossos primeiros pais, prometendo a salvação, a libertação do poder da Serpente infernal. Ela é a essa mulher misteriosa que Satanás não conseguiria vencer. O Seu filho haveria de esmagar a cabeça da serpente, vencendo completamente o inimigo.

Pelo profeta Isaías Deus deu ao povo de Judá como sinal de vitória sobre os inimigos: a Virgem conceberá e dará à luz Aquele que é Deus connosco, o Messias prometido à Casa de David.

Maria é para nós certeza de vitória. Jesus quis que fosse Mãe de todos os homens, dando-A a João junto à cruz. Eis aí a tua Mãe – disse ao discípulo. Eis aí o teu filho – disse a Maria.

Nós cristãos temos de olhá-La como nossa Mãe. Estamos unidos a Cristo pelo baptismo, formamos com Ele um só Corpo e nEle somos de verdade filhos de Deus e filhos de Nossa Senhora.

Celebramos os anos da mais bela das mães e como bons filhos temos de procurar enchê-La de alegrias. Há cristãos que promovem as festas de Nossa Senhora não para A honrar e alegrar mas para se divertirem à Sua custa. Se não devemos fazer isso com os outros santos, muito menos com Maria

Para saber o que dá gosto à Virgem Santíssima basta recordar o que veio pedir em Fátima há noventa e dois anos.

«Não ofendam mais a Jesus que já está muito ofendido» – dizia numa das aparições. O primeiro cuidado que devemos ter é não ofender a Jesus, quando queremos honrar a Mãe. Se as festas religiosas são ocasião de pecado pelos divertimentos, pelos excessos no comer e no beber, em vez de dar alegria causam dor a Nossa Senhora.

Em Fátima Ela pediu oração. E repetiu esse pedido uma e outra vez. As festas religiosas têm de ser tempos de oração mais intensa, hão-de ser ocasião de rezar mais e melhor. Não só na Santa Missa mas em todo o dia e nos dias anteriores. No dia dos anos os filhos procuram fazer mais companhia às mães.

Pediu também penitência, arrependimento dos pecados. Falou na confissão frequente ao pedir a devoção dos Primeiros Sábados. Uma alegria muito grande que damos à Virgem é confessar-nos por ocasião as Suas festas. Quando as mães vêem os filhos sujos logo tratam de os lavar e vestir-lhes roupa limpa. E ficam incomodadas enquanto o não fazem.

Podemos dizer que uma festa religiosa se pode medir pelo número de confissões e não pelo número de comunhões: pelo sacramento da penitência aproximamo-nos de Jesus que nos purifica, que nos lava, que nos renova e assim damos uma alegria muito grande à Toda Santa, a Imaculada. E assim nos preparamos para receber dignamente a Jesus.

Vivamos bem as festas de nossa Senhora, enchendo-A de alegrias. E sobretudo a festa dos Seus anos. Entusiasmemo-nos no amor a Nossa Senhora e amor de verdade.

Ajudemos os outros à nossa volta, animando-os a amar a Maria. Ela é para nós garantia de salvação, caminho que nos leva a Jesus.

Será chamado Emanuel

Jesus é Deus connosco. Veio até nós por Maria. «Ao chegar a plenitude dos tempos enviou Deus o Seu Filho nascido duma mulher» (Gal 4, 4-5 ) – diz-nos S. Paulo.

Maria continua a levar-nos a Jesus. Se amamos a Nossa Senhora não poderemos deixar de amar a Jesus, de Lhe pedir perdão dos nossos pecados, de sermos generosos e mais decididos em segui-Lo.

João Paulo II foi exemplo deste amor a Nossa Senhora que o levou a dar-se sem reservas a Jesus e aos outros. Esse foi um dos segredos da sua vida cheia de frutos e da sua valentia à frente da Igreja.

Imitemos o seu exemplo. As festas de Nossa senhora são ocasião de avivar o nosso desejo de crescer na devoção e carinho para com Ela.

Nestes tempos de confusão e de materialismo olhemos para a Virgem Imaculada. Pela mão de Maria caminhamos seguros nesta vida até chegar ao Céu.

São muito bonitas as palavras de S. Bernardo, que vale a pena meditar: «Ó tu quem quer que sejas, que reconheces andar à mercê da corrente no fluxo deste mundo, no meio das procelas e tempestades em vez de caminhar pela terra, não afastes os olhos do fulgor daquela estrela, se não queres ser engolido pela voragem. Se se levantam os ventos das tentações, se chocas nos escolhos das tribulações: olha para a estrela, invoca Maria.

Se és sacudido pelas ondas da soberba, da murmuração, da inveja, fixa a estrela, invoca Maria. Se a ira ou a avareza ou os prazeres da carne agitam a nau da tua alma, olha para Maria. Se, perturbado pelas culpas que pesam na consciência, atemorizado pelo terror do juízo, começas a afogar-te no abismo da tristeza, nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria.

Nunca Ela se aparte do teu coração: e para que possas alcançar o auxílio das Suas súplicas, não deixes nunca o exemplo da Sua vida. Seguindo-A não te podes transviar; rezando-Lhe não podes desesperar; pensando nEla não te podes enganar. Se Ela te ampara não cais; se te é propícia, atingirás a meta» (Sermões)

 

Fala o Santo Padre

 

«O ser de Maria é totalmente relativo a Cristo, em particular à sua encarnação.»

(...)Hoje a liturgia da Palavra propôs-nos leituras próprias das celebrações dedicadas à Bem-Aventurada Virgem. Trata-se, em particular, dos textos previstos para a festa da Natividade de Maria, que há séculos foi estabelecida a 8 de Setembro, data em que em Jerusalém foi consagrada a basílica construída em cima da casa de Santa Ana, mãe de Nossa Senhora. São leituras que de facto contêm sempre a referência ao mistério do nascimento. Antes de tudo, na primeira leitura, o oráculo maravilhoso do profeta Miqueias sobre Belém, no qual se anuncia o nascimento do Messias. Ele, diz-nos o oráculo, será descendente do rei David, betlemita como Ele, mas a sua figura excederá os limites do humano: «as suas origens» diz «são da antiguidade», perdem-se nos tempos mais distantes, ultrapassam o eterno; a sua grandeza chegará «até aos extremos confins da terra» e tais serão também os confins da paz (cf. Mq 5, 1-4). O advento deste «Ungido do Senhor», que marcará o início da libertação do povo, é definido pelo profeta com uma expressão enigmática: «quando aquela que deverá dar à luz, der à luz» (Mq 5, 2). Assim, a liturgia que é escola privilegiada da fé nos ensina a reconhecer no nascimento de Maria uma ligação directa com a do Messias, Filho de David.

O Evangelho, uma página do apóstolo Mateus, propos-nos precisamente a narração do nascimento de Jesus. Mas o Evangelista fá-lo preceder da exposição da genealogia, que ele coloca no início do seu Evangelho como um prólogo. Também aqui o papel de Maria na história da salvação sobressai em toda a sua evidência: o ser de Maria é totalmente relativo a Cristo, em particular à sua encarnação. «Jacob gerou a José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo» (Mt 1, 16). Torna-se evidente a descontinuidade que existe no esquema da genealogia: não se lê «gerou», mas «Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo». Precisamente nisto se capta a beleza do desígnio de Deus, que respeitando o humano o fecunda a partir de dentro, fazendo desabrochar da humilde Virgem de Nazaré o fruto mais bonito da sua obra criadora e redentora. O Evangelista coloca depois na cena a figura de José, o seu drama interior, a sua fé robusta e a sua exemplar rectidão. Por detrás dos seus pensamentos e das suas deliberações há o amor a Deus e a vontade firme de lhe obedecer. Mas como não sentir que a perturbação e depois a oração e a decisão de José são movidos, ao mesmo tempo, pela estima e pelo amor à sua esposa prometida? A beleza de Deus e a de Maria são, no coração de José, inseparáveis; ele sabe que entre elas não pode haver contradição; procura em Deus a resposta e encontra-a na luz da Palavra e do Espírito Santo: «Eis que conceberá e dará à luz um filho; e chama-l'O-ão Emmanuel, que quer dizer: Deus connosco» (Mt 1, 23; cf. Is 7, 14).

Assim podemos, mais uma vez, contemplar o lugar que Maria ocupa no desígnio salvífico de Deus, aquele «desígnio» que reencontramos na segunda leitura, tirada da Carta aos Romanos. Aqui o apóstolo Paulo expressa em dois versículos de singular densidade a síntese do que é a existência humana sob o ponto de vista meta-histórico: uma parábola de salvação que parte de Deus e a Ele chega de novo: uma parábola totalmente movida e governada pelo seu amor. Trata-se de um desígnio salvífico totalmente permeado pela liberdade divina, que contudo espera uma contribuição fundamental da liberdade humana: a correspondência da criatura ao amor do Criador. E é aqui, neste espaço da liberdade humana, que percebemos a presença da Virgem Maria, sem que ela seja explicitamente nomeada: de facto ela é, em Cristo, primícia e modelo dos «que amam a Deus» (Rm 8, 28). Na predestinação de Jesus está inscrita a predestinação de Maria, assim como a de cada pessoa humana. O «eis-me» do Filho encontra o «eis-me» da Mãe (cf. Hb 10, 6), assim como o «eis-me» de todos os filhos adoptivos no Filho, precisamente de todos nós.(...)

 

Papa Bento XVI, Santuário Nª Sª de Bonária, Sardenha, 7 de Setembro de 2008

 

Oração Universal

 

Unidos a Jesus e a toda a Igreja e apoiados na intercessão de Maria, peçamos ao Pai:

 

1.  Pela Santa Igreja de Deus,

para que se renove, pela graça, na esperança e no amor,

oremos ao Senhor.

 

2.  Pelo Santo Padre, para que todos escutem os seus ensinamentos,

vendo nele a Jesus, que continua a guiar a Sua Igreja,

oremos ao Senhor.

 

3.  Pelos bispos e sacerdotes, para que se entreguem generosamente ao serviço das almas,

sobretudo no ministério do perdão, imitando o Santo Cura de Ars,

oremos ao Senhor.

 

4.  Por todos os que sofrem, pelos pobres, pelos doentes, pelos idosos, pelos marginalizados,

para que saibamos ser para eles uma presença de Jesus,

oremos ao Senhor.

 

5.  Para que todos nos entusiasmemos a imitar Nossa Senhora,

cumprindo fielmente a vontade de Deus nas tarefas humildes de cada dia,

oremos ao Senhor.

 

6.  Por todos os que andam afastados de Deus,

para que o Senhor os converta e os atraia ao Seu amor, através de Maria nossa Mãe,

oremos ao Senhor.

 

7.  Por todos os que se encontram no Purgatório,

para que o Senhor os purifique e lhes conceda a felicidade do Céu,

oremos ao Senhor.

 

Senhor, que nos destes o Vosso Filho através da Virgem Santa Maria,

fazei que por Ela saibamos ir sempre a Jesus e levar-Lhe todos os que nos rodeiam.

Por N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Desde toda a eternidade, M. Carneiro, NRMS 18

 

Oração sobre as oblatas: Venha, Senhor, em nosso auxílio o vosso Filho feito homem: Ele, que ao nascer da Virgem Maria, não diminuiu, antes consagrou a integridade de sua Mãe, nos purifique das nossas culpas e Vos torne agradável a nossa oblação. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na natividade]: p. 486 [644-756] ou II, p. 487

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Jesus veio até nós através de Maria. Saibamos acolhê-Lo com a fé, a humildade e o amor de Nossa Senhora.

 

Cântico da Comunhão: Minha alma exulta de alegria, F. da Silva, NRMS 32

Is 7, 14; Mt 1, 21

Antífona da comunhão: A Virgem dará à luz um Filho, que salvará o povo dos seus pecados.

 

Cântico de acção de graças: Minha Senhora e minha Mãe, H. Faria, NRMS 33-34

 

Oração depois da comunhão: Exulte a vossa Igreja, Senhor, alimentada por estes santos mistérios, na festa do nascimento da Virgem Santa Maria, que foi para o mundo inteiro esperança e aurora da salvação. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Queremos guardar a palavra de Jesus e guiar por ela o nosso viver, obedecendo fielmente à vontade do Pai como Ele fez e como fez Sua Mãe.

 

Cântico final: A nossa padroeira, F. da Silva, NRMS 33-34

 

 

Homilias Feriais

 

4ª Feira, 9-IX: Aprender a ser felizes na terra.

Col 3, 1-11 / Lc 6, 20-26

Felizes de vós, os pobres…os que estais agora cheios de fome…os que agora chorais.

Ao falar das bem-aventuranças Jesus quer recordar-nos, por um lado, que um homem, embora viva na posse de todos os bens da terra, pode ser infeliz. E, por outro, que o homem, no meio da pobreza, da dor, do abandono, pode ser feliz.

S. Paulo afirma também: «Afeiçoai-vos às coisas do alto, não às coisas da terra… mortificai, pois, os vossos membros terrenos: imoralidade, impureza, paixões, maus desejos e ganância» (Leit).

 

5ª Feira, 10-IX: A regra de ouro da caridade.

Col 3, 12-17 / Lc 6, 27-38

Tal como o Senhor vos perdoou, assim deveis fazer vós também.

«O exercício de todas as virtudes é animado e inspirado pela caridade: Esta é o vínculo da perfeição (Leit) e a forma das virtudes» (CIC, 1827).

É a caridade que nos há-de levar a perdoar-nos mutuamente (cf Leit); a amar os nossos inimigos, a ser misericordiosos com os outros, a não julgar, a não condenar, a perdoar (cf Ev). Apliquemos o ensinamento do Senhor: «A regra de ouro é: Tudo quando quiserdes que os homens vos façam, fazei-lho, de igual modo, vós também (Ev)» (CIC, 1789).

 

6ª Feira, 11-IX: Consequências da cegueira espiritual.

1 Tim 1, 1-2. 12-14 / Lc 6, 39-42

Disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: Poderá um cego guiar outro cego?

A cegueira interior impede ver as coisas como Deus as vê. S. Paulo reconhece essa cegueira, antes da sua conversão: «tinha sido blasfemo, perseguidor e insolente» (Leit). Depois da conversão, caíram-lhe as escamas dos olhos e já pode descobrir o Senhor.

De igual modo, a cegueira espiritual tende a descobrir demasiados efeitos nos outros: «Procuremos sempre descobrir as virtudes e coisas boas nos outros e ocultar os seus defeitos com os nossos grandes pecados» (S. Teresa).

 

Sábado, 12-IX: Santíssimo Nome de Maria: Os fundamentos da nossa vida.

1 Tim 1, 15-17 / Lc 6, 43-49

Vou mostrar-vos a quem se assemelha todo aquele que vem ter comigo, ouve as minhas palavras e as põe em prática.

A vida de um cristão, que procura seguir Cristo, não se debilita quando aparecem as dificuldades, porque está edificada sobre a vontade de Deus (cf Ev). Mas para isso, é preciso estarmos sempre dispostos a «fazer a sua vontade, a ser aquilo que Ele quer que sejamos» (S. Teresa).

E, se ofendermos o Senhor, podemos levantar-nos rapidamente, recorrendo ao Sacramento da Penitência: «Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores» (Leit). E também recorrendo ao Santíssimo Nome de Maria: rogai por nós pecadores.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Celestino C. Ferreira

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial