Nossa Senhora das Dores

15 de Setembro de 2009

 

Memória

 

O Evangelho desta memória é próprio.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Virgem Dolorosa, M. Faria, NRMS 13

Lc 2, 34-35

Antífona de entrada: Simeão disse a Maria: Este Menino será sinal de contradição, para ruína e salvação de muitos em Israel e uma espada trespassará a tua alma.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Aproximemo-nos nesta celebração da dor imensa do coração de Maria junto da Cruz do seu Filho, e façamos propósitos de afastar da nossa vida tudo e qualquer pecado que é a verdadeira causa da Paixão de Nosso Senhor.

 

Oração colecta: Senhor, que, na vossa admirável providência, quisestes que, junto do vosso Filho, elevado sobre a cruz, estivesse sua Mãe, participando nos seus sofrimentos, concedei à vossa Igreja que, associada com Maria à paixão de Cristo, mereça ter parte na sua ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Segundo um comentarista, nesta leitura da Carta aos Hebreus é-nos ensinado que a obediência de Jesus leva-O à sua consagração sacerdotal, que por sua vez, O torna apto para salvar aqueles que Lhe obedecem. O mesmo se pode dizer, em diverso grau de Nossa Senhora, pela sua união com Jesus.

 

Hebreus 5, 7-9

7Nos dias da sua vida mortal, Cristo dirigiu preces e súplicas, com grandes clamores e lágrimas, Àquele que O podia livrar da morte e foi atendido por causa da sua piedade. 8Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento 9e, tendo atingido a sua plenitude, tornou-Se para todos os que Lhe obedecem causa de salvação eterna.

 

Este texto pequeno, mas deveras impressionante – há mesmo estudiosos que o consideram um extracto de um antigo hino a Cristo –, é tirado da parte central do célebre discurso, que é esta epístola (Hebr 4, 14 – 7, 28), onde se desenvolve o tema do sacerdócio de Cristo, o sumo sacerdote perfeito, que supera completamente o sacerdócio levítico.

7 Este versículo parece evocar o relato da agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras (cf. Mt 26, 36-44). «Preces e súplicas»: estas duas palavras sinónimas correspondem a uma expressão grega da época usada nos pedidos a uma alta autoridade; o uso do plural sugere a insistência na oração, segundo o «prolixius orabat» de Lc 22, 43. «Com um grande clamor e lágrimas»: os ensinos rabínicos sobre a oração referem três graus ascendentes: a prece (em silêncio), os gritos, e as lágrimas (como a forma mais elevada da oração). Os Evangelhos só falam de um forte brado de Jesus, na Cruz (Lc 23, 46), mas é de supor que se conhecessem pela tradição oral, pormenores da oração no horto que justificariam tão impressionante expressão.

«Foi atendido»: em quê? É difícil de dizer, a tal ponto que Harnack pensa numa corrupção do texto original: «não foi atendido»; limitamo-nos a referir as explicações mais viáveis. Jesus não obteve a libertação do cálice de amargura, mas alcançou a coragem para enfrentar a sua Paixão identificando-se plenamente com a vontade do Pai. Ou então, como pensam outros, Jesus foi atendido ao ser livre da morte pela sua ressurreição, o que lhe permite exercer o seu sacerdócio eterno (cf. 7, 24; 10, 10), com efeito, «a sua morte era essencial para o seu sacerdócio, mas se Ele não fosse salvo da morte pela ressurreição, não seria agora o sumo sacerdote do seu povo» (J. H. Neyrey).

8 «Aprendeu a obediência no sofrimento», ou, melhor, «por aquilo que sofreu», ou também, «aprendeu de quanto sofrera, o que é obedecer». Trata-se de uma aprendizagem não teórica, mas experimental, existencial. Aprender através do sofrimento era um lugar comum na literatura grega, e até havia esta máxima: «os sofrimentos são lições». O que aqui há de particular é a aplicação à aprendizagem da obediência. No entanto, a obediência de Jesus na sua Paixão só é referida em mais dois lugares do N. T.: Rom 5, 19 e Filp 2, 8. Não se pense que a Jesus, por ser Deus, Lhe custava menos o sofrimento, antes pelo contrário, pois o sofrimento é directamente proporcional à dignidade da pessoa que sofre.

9 «Tendo atingido a sua plenitude». Esta tradução não deixa ver uma das ideias centrais da epístola, que é a de «perfeição», pelo que seria preferível a tradução do Cón. Falcão, «chegado à perfeição» ou a da Difusora Bíblica, «tornado perfeito». Note-se que a perfeição de que aqui se fala não é a do amadurecimento na virtude, mas a que advém a Jesus pelo exercício do seu sumo sacerdócio com a consumação da obra salvadora pela oferta do sacrifício da nova aliança: «a obediência de Jesus leva-o à sua consagração sacerdotal, que, por sua vez, O torna apto para salvar aqueles que Lhe obedecem» (The new Jerome Biblical Commentary, p. 929).

 

Salmo Responsorial      Sl 30 (31), 2-3ab.3cd-4.5-6.15-16ab.20 (R. 17b)

 

Monição: No salmo nº 30 aprendemos que o Senhor é a nossa força e o nosso refúgio na hora da dor e das contradições.

 

Refrão:         Salvai-me, Senhor, pela vossa bondade.

 

Em Vós, Senhor, me refugio, jamais serei confundido,

pela vossa justiça, salvai-me.

Inclinai para mim os vossos ouvidos,

apressai-vos em me libertar.

 

Sede a rocha do meu refúgio

e a fortaleza da minha salvação

porque Vós sois a minha força e o meu refúgio,

por amor do vosso nome, guiai-me e conduzi-me.

 

Livrai-me da armadilha que me prepararam,

porque Vós sois o meu refúgio.

Em vossas mãos entrego o meu espírito,

Senhor, Deus fiel, salvai-me.

 

Eu, porém, confio no Senhor:

Disse: «Vós sois o meu Deus,

nas vossas mãos está o meu destino».

Livrai-me das mãos dos meus inimigos.

 

Como é grande, Senhor, a vossa bondade

que tendes reservada para os que Vos temem:

à vista da vossa face, Vós a concedeis

àqueles que em Vós confiam.

 

 

Aclamação ao Evangelho

 

Monição: Nosso Senhor quis ter a sua Mãe ao seu lado durante a sua Paixão. Também nós devemos procurar nos nossos sofrimentos o conforto de Nossa Senhora, para abraçarmos com amor a nossa cruz.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

Bendita seja a Virgem Maria, que, sem passar pela morte,

mereceu a palma do martírio, ao pé da cruz do Senhor.

 

 

Evangelho

 

São João 19, 25-27

Naquele tempo, 25estavam junto à cruz de Jesus sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. 26Ao ver sua Mãe e o discípulo predilecto, Jesus disse a sua Mãe: «Mulher, eis o teu filho». 27Depois disse ao discípulo: «Eis a tua Mãe». E a partir daquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa.

 

Repare-se na solenidade deste relato: é uma cena central entre as cinco relatadas por João no Calvário; a Virgem Maria é mencionada 6 vezes em 3 versículos, e há o recurso a uma fórmula solene de revelação («ao ver… disse… eis…»). Isto deixa ver que não se trata dum simples gesto de piedade filial de Jesus para com a sua Mãe a fim de não a deixar ao desamparo, mas que o Evangelista lhe atribui um significado simbólico profundo; com efeito, chegada a hora de Jesus, é a hora de Ela assumir (cf. Jo 2, 4) o seu papel de nova Eva (cf. Gn 3, 15) na obra redentora. A designação de «Mulher» assume, na boca do Redentor, o novo Adão, o sentido da missão co-redentora de Maria: não é chamada Mãe, mas sim Mulher, como nova Eva, Mãe da nova humanidade, por alusão à «mulher» da profecia messiânica de Gn 3, 15. Por outro lado, Ela é a mulher que simboliza a Igreja (cf. Apoc 12, 1-18), a mãe dos discípulos de Jesus representados no discípulo amado, que «a acolheu como coisa própria». A tradução mais corrente deste inciso (seguida pela tradução litúrgica) é: «recebeu-a em sua casa», mas esta forma de tradução empobrece de modo notável o rico sentido originário da expressão grega «élabon eis tà idía», uma expressão usada mais quatro vezes em S. João, mas nunca neste sentido; com efeito, a expressão tà idía – «as coisas próprias» – significa muito mais do que a própria casa, indica tudo o que é próprio da pessoa, a sua intimidade. A tradução «recebeu-a como sua» corresponde melhor ao sentido original.

É também de notar que S. João, ao contrário dos restantes Evangelistas, nunca se refere a Nossa Senhora com o nome de Maria; sempre a designa como a Mãe (de Jesus), um indício de ser tratada realmente como mãe; com efeito, ninguém jamais nomeia a própria mãe com o nome dela: para o filho a mãe é simplesmente a mãe!

 

Em vez do Evangelho precedente, pode ler-se o seguinte:

 

São Lucas 2, 33-35

Naquele tempo, 33o pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que se dizia d’Ele. 34Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição 35– e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações».

 

33-34 «Simeão», de quem não temos mais notícias (não se diz que era velho; é uma dedução; que ele fosse filho de Hillel e pai de Gamaliel I é pura suposição), aparece como um dos «piedosos» do judaísmo que esperava não um messias revolucionário (como os zelotas) mas o verdadeiro Salvador, «a consolação de Israel» (v. 25). Apesar do que se diz no v. 34, não parece ser sacerdote, não estando no serviço do templo, mas tendo vindo lá «movido pelo Espírito» (v. 27).

A naturalidade com que S. Lucas chama a S. José «pai de Jesus» não implica qualquer contradição com o que antes afirmou em 1, 26-38. Aqui visa o poder e missão paterna, de modo nenhum a ascendência carnal. «A «espada» de dor pré-anunciada a Maria anuncia essa outra oblação, perfeita e única, da cruz, que trará a salvação que Deus «preparou diante de todos os povos» (v. 31)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 529).

35 «Assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Estas palavras ligam-se a «sinal de contradição». É que, diante de Jesus, não há lugar para a neutralidade: a sua pessoa, a sua obra e a sua mensagem fazem com que os homens revelem o seu interior, tomando uma atitude pró ou contra; a aceitação e a fé será, para muitos, motivo de salvação, ou «ressurgimento espiritual»: de que «se levantem»; ao passo que a rejeição culpável será motivo de que muitos se condenem: de que «muitos caiam».

 

Sugestões para a homilia

 

O sentido do sofrimento humano

As Dores de Nossa Senhora e a sua Corredenção

Na dor recorrer e imitar Maria Corredentora

O sentido do sofrimento humano

A Igreja na festa de hoje apresenta à consideração dos seus filhos os sofrimentos que padeceu Nossa Senhora ao longo da sua vida e de modo eminente durante a Paixão de Jesus. Mas convêm perguntarmo-nos, antes de mais, pelo valor e sentido da dor humana.

O Papa João Paulo II aprofunda esta questão, sempre presente no coração do homem, na sua Carta Apostólica Salvifici Doloris, da qual retiraremos alguma ideia.

Em primeiro lugar o sofrimento humano é um mistério que só pode ser esclarecido pela luz da Revelação. e cujo sentido foi progressivamente manifestado até alcançar a sua plena compreensão em Jesus Cristo que «revela plenamente o homem ao mesmo homem e descobre-lhe a sublimidade da sua vocação ». (C.P. Gaudium et Spes, 22.).

Desde os primeiros capítulos do Génesis o Espírito Santo ensina-nos que o sofrimento e a morte são consequência do pecado das origens. Ao longo dos livros do Antigo Testamento é mantida sempre uma ligação entre os sofrimentos e a virtude da justiça: os padecimentos são um castigo de Deus ou dos homens para aqueles que são culpados. Mas não se trata só de uma justiça puramente vindicativa, pois o castigo também é portador de valor medicinal contribuindo para a conversão do pecador e se reveste da dimensão de penitência que oferece a possibilidade de reconstruir o bem do próprio sujeito que sofre.

Já no livro de Job quem sofre é um justo inocente, e por isso o sofrimento, neste caso, não tem sentido de castigo, mas sim de prova. Deus prova por meio da dor física e moral as virtudes dos justos, e essa prova é ocasião de crescimento na virtude e na santidade.

Mas só no Amor divino encontramos a verdadeira resposta ao «porquê» do sofrimento, e «esta resposta foi dada por Deus ao homem na Cruz de Jesus Cristo» (C.A.S.D., 13).

«Na Cruz de Cristo, não só se realizou a Redenção através do sofrimento, mas também o próprio sofrimento humano foi redimido. Cristo – sem ter culpa nenhuma própria – tomou sobre si «todo o mal do pecado». (…) Se um homem, se torna participante dos sofrimentos de Cristo, isso acontece porque Cristo abriu o seu sofrimento ao homem, porque Ele próprio, no seu sofrimento redentor, se tornou, num certo sentido, participante de todos os sofrimentos humanos. Ao descobrir, pela fé, o sofrimento redentor de Cristo, o homem descobre nele, ao mesmo tempo, os próprios sofrimentos, reencontra-os, mediante a fé, enriquecidos de um novo conteúdo e com um novo significado. (…). O sofrimento de Cristo criou o bem da Redenção do mundo. Este bem é em si mesmo inexaurível e infinito. Ninguém lhe pode acrescentar coisa alguma. Ao mesmo tempo, porém, Cristo no mistério da Igreja, que é o seu Corpo, em certo sentido abriu o próprio sofrimento redentor a todo o sofrimento humano. Na medida em que o homem se torna participante nos sofrimentos de Cristo – em qualquer parte do mundo e em qualquer momento da história – tanto mais ele completa, a seu modo, aquele sofrimento, mediante o qual Cristo operou a Redenção do mundo» (C.A.S.D., 19).

As Dores de Nossa Senhora e a sua Corredenção

Toda a vida de Nosso Senhor é redentora mas de modo especial os seus sofrimentos e de modo eminente a sua Paixão e morte na Cruz. Como toda a vida de Nossa Senhora está unida, até fisicamente, à vida do seu Filho é a criatura a quem compete de modo mais próprio o título de corredentora.

Todas as dores de Maria estão unidas à Obra Redentora do seu Filho, mas essa união alcança a sua plenitude na hora da Cruz. Jesus sofre no seu corpo e na sua alma a Paixão; e Nossa Senhora padece na sua alma trespassada por uma espada de dor…e de esperança. Por isso nos é apresentada pelo evangelista em pé, junto da Cruz (stabat). A esperança mantêm-na erguida e firme, e as dores terríveis da sua alma são compatíveis com a profunda alegria da Salvação agora presente no Mundo. Em Belém, Maria dá à luz o seu Filho sem dores físicas mas com o sofrimento do lugar e as circunstancias em que Cristo nasce; mas o seu coração canta com os anjos glorificando a Deus. No Calvário a sua nova maternidade vai acompanhada das dores da sua alma trespassada; mas o seu coração vibra com a alegria jubilosa de acolher todos os homens como filhos de Deus e de Ela.

Ser cristão, seguir Cristo, cumprir a vontade de Deus para cada um de nos, traz consigo sempre dores. É preciso pegar na cruz, como adverte Nosso Senhor, mas que horizonte de fecundidade insuspeitável alcançaremos se, com a ajuda de Nossa Senhora, nos mantivermos fieis. Podemos repetir com a sequência Stabat Mater que queremos estar sempre com Ela junto à Cruz do Seu Filho

Na dor recorrer e imitar Maria Corredentora

Se tivermos em conta o que acima foi dito sobre o valor salvífico do sofrimento, não ficaremos desconcertados quando ele aparecer na nossa vida ou na das pessoas que nos rodeiam. Estaremos em condições até de compreender com toda a sua profundidade o que S. Josemaria deixou escrito no nº194 de Caminho: «Eu te vou dizer quais são os tesouros do homem na Terra, para que os não desperdices: fome, sede, calor, frio, dor, desonra, pobreza, solidão, traição, calúnia, cárcere...» Com esses tesouros podemos contribuir à salvação das almas unindo-nos aos sofrimentos de Jesus Cristo. Foi isto que Nossa Senhora pediu em Fátima aos pastorinhos.

É bom ter muita devoção ao Crucifixo, e orar diante dele, porque é um livro onde aprendemos tudo: o infinito amor que Deus nos tem, a malícia do pecado, o valor redentor do sofrimento, a necessidade de perdoar, de não guardar rancor a ninguém («não sabem o que fazem…»), aprenderemos a não nos queixarmos, etc.

O Papa João Paulo II detinha-se sempre quando encontrava algum doente, porque nele via Cristo presente na sua dor; e com muita frequência lhes dizia: «confio-te a Igreja». Olhemos nos também com este olhar de fé para as pessoas que sofrem, e aproximemo-nos delas com o coração do bom samaritano. Não esqueçamos que o primeiro cuidado a por nessas feridas é o aceite e o vinho da vida de oração e sacramentos que lhes devemos facilitar e que permitirá que a pessoa que sofre olhe para a sua dor como um tesouro de santidade para si própria e para todos os homens. Sejamos caritativos com quem sofre, mas não brandos e lamechas pois estamos perante uma manifestação de amor de Deus para com essa pessoa.

 

Fala o Santo Padre

 

«As lágrimas de Maria ao pé da Cruz

transformaram-se num sorriso que nada mais apagará.»

Ontem celebrámos a Cruz de Cristo, instrumento da nossa salvação, que nos revela em plenitude a misericórdia do nosso Deus. A Cruz é realmente o lugar onde se manifesta perfeitamente a compaixão de Deus pelo nosso mundo. Hoje, ao celebrarmos a memória de Nossa Senhora das Dores, contemplamos Maria que partilha a compaixão do Filho pelos pecadores. Como afirmava São Bernardo, a Mãe de Cristo entrou na Paixão do Filho através da sua compaixão (cf. Homilia do Domingo na Oitava da Assunção). Ao pé da Cruz cumpre-se a profecia de Simeão: o seu coração de Mãe é trespassado (cf. Lc 2, 35) pelo suplício infligido ao Inocente, nascido da sua carne. Tal como Jesus chorou (cf. Jo 11, 35), também Maria terá certamente chorado diante do corpo torturado do Filho. Todavia, a sua discrição impede-nos de medir o abismo da sua dor; a profundidade desta aflição é apenas sugerida pelo tradicional símbolo das sete espadas. Como sucedeu com seu Filho Jesus, é possível afirmar que este sofrimento levou-A também a Ela à perfeição (cf. Heb 2, 10), de modo a torná-La capaz de acolher a nova missão espiritual que o Filho Lhe confia imediatamente antes de «entregar o espírito» (cf. Jo 19, 30): tornar-Se a Mãe de Cristo nos seus membros. Naquela hora, através da figura do discípulo amado, Jesus apresenta cada um dos seus discípulos à Mãe dizendo-Lhe: «Eis o teu filho» (cf. Jo 19, 26-27).

Maria vive hoje na alegria e glória da Ressurreição. As lágrimas derramadas ao pé da Cruz transformaram-se num sorriso que nada mais apagará, embora permaneça intacta a sua compaixão materna por nós. Atesta-o a intervenção da Virgem Maria em nosso socorro ao longo da história e não cessa de suscitar por Ela, no povo de Deus, uma confidência inabalável: a oração MemorareLembrai-Vos») exprime muito bem este sentimento. Maria ama cada um dos seus filhos, concentrando a sua atenção de modo particular naqueles que, como o Filho d’Ela na hora da Paixão, se acham mergulhados no sofrimento; ama-os, simplesmente porque são seus filhos, por vontade de Cristo na Cruz.

O Salmista, vislumbrando de longe este vínculo materno que une a Mãe de Cristo e o povo crente, profetiza a respeito da Virgem Maria: «Os grandes do povo procurarão o teu sorriso» (Sal 44, 13). E assim, solicitados pela Palavra inspirada da Escritura, sempre os cristãos procuraram o sorriso de Nossa Senhora, aquele sorriso que os artistas, na Idade Média, tão prodigiosamente souberam representar e engrandecer. Este sorriso de Maria é para todos: no entanto, dirige-se de modo especial para os que sofrem, a fim de que nele possam encontrar conforto e alívio. Procurar o sorriso de Maria não é uma questão de sentimentalismo devoto ou antiquado; antes, é a justa expressão da relação viva e profundamente humana que nos liga Àquela que Cristo nos deu por Mãe.

(…) Queria, humildemente, dizer àqueles que sofrem e a quantos lutam e se sentem tentados a virar as costas à vida: Voltai-vos para Maria! No sorriso da Virgem, encontra-se misteriosamente escondida a força para continuar o combate contra a doença e a favor da vida. Junto d’Ela, encontra-se igualmente a graça para aceitar, sem medo nem mágoa, a despedida deste mundo na hora querida por Deus. (…)

 

Papa Bento XVI, Basílica de Nª Sª do Rosário, Lourdes, 15 de Setembro de 2008

 

Oração Universal

 

Chegou o momento de fazermos os nossos pedidos ao Senhor.

Ele está disponível para nos atender.

Com a Virgem Maria rezemos:

 

1.  Para que a Santa Igreja continue no mundo

a acção salvadora d´Aquele que a amou

até ao ponto de por ela morrer pregado na Cruz,

 por intercessão de Maria,

oremos irmãos

 

2.  Para que os doentes e todos os que sofrem não desanimem

e ofereçam a sua vida de dor a Jesus pela salvação da humanidade,

por intercessão de Maria ,

oremos, irmãos.

 

3.  Para que todos os povos,

meditando nas consequências trágicas da guerra,

preparem uma nova era de paz para o mundo,

por intercessão de Maria

oremos, irmãos

 

4.  Para que as famílias das nossas comunidades

encontrem na Sagrada Família um exemplo a seguir

e uma bênção para as suas vidas,

por intercessão de Maria,

oremos irmãos

 

5.  Para que vivamos sempre unidos a Jesus,

no cumprimento integral da sua vontade,

por intercessão de Maria, oremos irmãos

 

6.  Para que os nossos familiares, amigos falecidos

e as almas do Purgatório alcancem no Céu

a felicidade desejada neste mundo,

por intercessão de Maria, oremos irmãos

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai,

dignai-vos, pela Vossa misericórdia

e intercessão da Santíssima Virgem Maria,

atender as nossas preces,

concedendo-nos o que for melhor para nós.

Por N. S. J. C. Vosso Filho que é Deus Convosco

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Salvé Virgem dolorosa, M. Faria, NRMS 13

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Deus de misericórdia, para glória do vosso nome, as nossas orações e as nossas ofertas, ao celebrarmos a memória da Virgem Santa Maria, que nos destes como Mãe bondosa, junto da cruz do vosso Filho, Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na festividade], p. 486 [644-756], ou II, p. 487

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever dar-Vos graças, é nossa salvação glorificar-Vos. Nós Vos louvamos e bendizemos por Jesus Cristo vosso Filho, na memória de Nossa Senhora das Dores. Humilde serva acolheu a vossa Palavra e guardou-a no seu coração. Admiravelmente unida ao mistério da Redenção, perseverou com os Apóstolos em oração, esperando a vinda do Espírito Santo. Agora resplandece no caminho da nossa vida como sinal de consolação e de firme esperança

Por isso com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

Santo, Santo, Santo...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 36

 

Monição da Comunhão

 

A Sagrada Comunhão é o alimento que nos fortalece para os combates e padecimentos de esta vida. Aproximemo-nos do altar com agradecimento e piedade. Se não estivermos em condições de comungar façamos uma comunhão só de desejo e acudamos quanto antes a reconciliar-nos com Deus.

 

Cântico da Comunhão: Santa Maria da Luz, M. Simões, NRMS 14

l Pedro 4,13

Antífona da comunhão: Alegrai-vos, se participardes nos sofrimentos de Cristo, porque será plena a vossa alegria, quando se manifestar a sua glória.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o sacramento da redenção eterna, ao celebrarmos as dores da Virgem Santa Maria, ajudai-nos a completar em nós, em benefício da Igreja, o que falta à paixão de Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A meditação nas Dores de Nossa Senhora nos ajudou a olhar os sofrimentos que a vida traz consigo com a luz da fé: com serenidade, com aceitação e com agradecimento, pois são caminho de amor a Deus e de corredenção.

 

Cântico final: Acolhe Virgem piedosa, M. Carneiro, NRMS 101

 

 

Homilias Feriais

 

24ª SEMANA

 

4ª Feira, 16-IX: A Igreja e as realidades humanas.

1 Tim 3, 14-16 / Lc 7, 31-35

É para saberes como se deve proceder na casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, coluna e apoio da verdade.

«A Igreja, coluna e apoio da verdade (Leit), recebeu dos Apóstolos o solene mandamento de Cristo de anunciar a verdade da salvação. À Igreja compete anunciar sempre e em toda a parte os princípios morais, mesmo de ordem social, bem como emitir juízo acerca de quaisquer realidades humanas, na medida em que o exigirem os direitos fundamentais da pessoa humana ou a salvação das almas» (CIC, 2032).

A falta de visão sobrenatural era o motivo pelo qual os ouvintes do Senhor não entendiam os comportamentos de João Baptista e de Jesus (cf Ev).

 

5ª Feira, 17-IX: A oração silenciosa.

1 Tim 4, 12-16 / Lc 7, 36-50

Por isso te digo: os seus numerosos pecados ficam perdoados, uma vez que manifestou tanto amor.

A atitude da pecadora para com Jesus é um exemplo de oração silenciosa: não precisou de palavras, pois manifestou o seu amor com obras. «A contemplação é a oração do filho de Deus, do pecador perdoado que consente em acolher o amor com que é amado e ao qual quer corresponder ainda mais (cf Ev)» (CIC 2712).

A sua oração foi atendida por Jesus, mesmo sem palavras: «Jesus atende a oração de fé expressa em palavras ou feita em silêncio (as lágrimas e o perfume da pecadora: cf Ev)» (CIC, 2616).

 

6ª Feira, 18-IX: Os bens ao serviço do Senhor.

1 Tim 6, 2-12 / Lc 8, 1-3

Andavam com Ele os Doze bem como algumas mulheres que serviam Jesus com os seus haveres.

Como estas santas mulheres (cf Ev), todos temos que pôr os nossos talentos ao serviço do Senhor, usando bem os nossos haveres.

S. Paulo pede a Timóteo que esclareça os fiéis sobre as doutrinas estranhas e sobre o amor desordenado aos bens materiais (cf Leit). Cada um de nós pode e deve adquirir a suficiente formação doutrinal para esclarecer os seus amigos. E também podemos falar igualmente do valor e bom uso dos meios materiais.

 

Sábado, 19-IX: O bom acolhimento da palavra de Deus.

1 Tim 6, 13-16 / Lc 8, 4-15

O semeador saiu para semear a sua semente… E outra parte caiu na boa terra e quando cresceu, deu cem vezes mais fruto.

Uma primeira aplicação desta parábola refere-se à palavra de Deus que o demónio quer arrancar do coração: «O espírito permite-nos discernir entre a provação necessária ao crescimento interior (cf Ev), em vista de uma virtude comprovada» (CIC, 2847).

Uma segunda refere-se às decisões que tomamos no nosso coração: «A tradição espiritual da Igreja insiste também no coração, no sentido bíblico de fundo do ser, em que a pessoa se decide ou não por Deus (cf Ev)» (CIC, 368). Se a decisão for boa, a semente pode dar cem vezes mais fruto.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Carlos Santamaria

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial