Arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael

29 de Setembro de 2009

 

Festividade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Somos a Igreja de Cristo, M. Silva, NRMS 17

Sl 102, 20

Antífona de entrada: Bendizei ao Senhor todos os seus Anjos, poderosos executores das suas ordens, sempre atentos à sua palavra.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Os Anjos são espíritos celestes a quem foi confiada uma determinada missão. Entre estes «puros espíritos» destacam-se três a quem é dedicada especial devoção e veneração: S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael. É destes seres invisíveis, espíritos da corte celestial que a Igreja celebra neste dia a festa litúrgica e queremos honrar.

 

Oração colecta: Senhor Deus do universo, que estabeleceis com admirável providência as funções dos Anjos e dos homens, concedei, propício, que a nossa vida seja protegida na terra por aqueles que eternamente Vos assistem e servem no Céu. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: No caso da profecia – O Profeta refere-se a um Ancião, diante do qual centenas de milhões se encontravam na sua presença para, na linguagem do profeta, louvar a Deus e cantar as suas glórias.

Ou – No caso do Livro do Apocalipse – O Apocalipse apresenta Miguel como chefe e grande guardião da honra divina.

 

Daniel 7, 9-10.13-14

9Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo. 10Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares o serviam e miríades de miríades o assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos. 13Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. 14Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, que nunca passará, e o seu reino jamais será destruído.

 

Ver notas de CL, atrás neste mesmo número, na Festa da Transfiguração do Senhor.

 

Ou:

 

Apocalipse 12, 7-12a

7Travou-se um combate no Céu: Miguel e os seus Anjos lutaram contra o Dragão. O Dragão e os seus anjos lutaram também, 8mas foram derrotados e perderam o seu lugar no Céu para sempre. 9Foi expulso o enorme Dragão, a antiga serpente, aquele que chamam Diabo e Satanás, que seduz o universo inteiro foi precipitado sobre a terra e os seus anjos foram precipitados com ele. 10Depois ouvi no Céu uma voz poderosa que dizia: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e a autoridade do seu Ungido, porque foi precipitado o acusador dos nossos irmãos, aquele que os acusava dia e noite diante do nosso Deus. 11Eles venceram-no, graças ao sangue do Cordeiro e à palavra do testemunho que deram, desprezando a própria vida, até aceitarem a morte. 12Por isso, alegrai-vos, ó Céus, e vós que neles habitais».

 

7 Houve um combate. É difícil determinar a que combate concreto se refere o texto sagrado. Não parece tratar-se aqui da rebelião dos Anjos maus no momento da sua criação (cf. Mt 25, 41; 2 Pe 2, 4), como alguns pensam, uma vez que o contexto nos situa nos tempos cristãos. Assim, prefere-se ver a luta tremenda desencadeada pelo demónio contra Cristo e os fiéis (os «nossos irmãos» - v. 10), a partir sobretudo da Morte, Ressurreição e Ascensão de Jesus (cf. v. 5b).

«Miguel» - em hebraico Mi-kha-el - quer dizer «quem como Deus?». Era o protector do antigo povo de Deus (Dan 10, 13.21), e que aparece agora como patrono e defensor da Igreja, o novo povo de Deus.

«O Dragão». É identificado no v. 9, com a «antiga serpente» que tentou os primeiros pais, por isso se chama antiga; é «aquele que chamam Diabo e Satanás». Diabo é um nome grego correspondente ao hebraico - Xatan (aramaico - xataná), que significa caluniador, acusador, adversário.

 

Salmo Responsorial Sl 137 (138), 1-2a.2bc-3.4-5 (R. 1c)

 

Monição: O salmista acompanha o hino de louvor dos anjos e reza: na presença dos Anjos vos hei-de louvar, Senhor.

 

Refrão:         Na presença dos Anjos,

                      eu Vos louvarei, Senhor.

 

De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças,

porque ouvistes as palavras da minha boca.

Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar

e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.

 

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,

porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.

Quando Vos invoquei, me respondestes,

aumentastes a fortaleza da minha alma.

 

Todos os reis da terra Vos hão-de louvar, Senhor,

quando ouvirem as palavras da vossa boca.

Celebrarão os caminhos do Senhor,

porque é grande a glória do Senhor.

 

 

Aclamação ao Evangelho    Sl 102 (103), 21

 

Monição: Sendo os anjos puros espíritos, a linguagem do Evangelho só pode ser de alegria e louvor como vamos ouvir.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 46

 

Bendizei o Senhor todos os seus exércitos,

poderosos executores da sua vontade.

 

 

Evangelho

 

São João 1, 47-51

Naquele tempo, 47Jesus viu Natanael, que vinha ao seu encontro, e disse: «Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento». 48Perguntou-lhe Natanael: «De onde me conheces?». Jesus respondeu-lhe: «Antes que Filipe te chamasse, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira». 49-lhe Natanael: «Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel!». 50Jesus respondeu: «Porque te disse: ‘Eu vi-te debaixo da figueira’, acreditas. Verás coisas maiores do que estas». E acrescentou: 51«Em verdade, em verdade vos digo: Vereis o Céu aberto e os Anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem».

 

Filipe não tinha guardado para si a grande alegria de ter tido a dita de encontrar o Messias anunciado pelos Profetas, mas comunicara-a a seu amigo Natanael, que se mostrou incrédulo em face da procedência humilde de Jesus, filho dum carpinteiro de Nazaré, quando o Messias devia ser descendente de David e procedente de Belém. Filipe não se desmoraliza com as razoáveis objecções do amigo e também não confia nas explicações que o seu próprio engenho poderia excogitar; opta por convidar o amigo a aproximar-se pessoalmente de Jesus: «vem e verás» (v. 46).

47 «Natanael». Nome semítico que significa «dom de Deus». Deveu ser um dos Doze Apóstolos (cf. Jo 21, 2); mas qual deles? Muito provavelmente era Bartolomeu, o qual teria dois nomes, sendo este último um nome patronímico (filho de Tolmay), como o patronímico de Simão Pedro, Baryona (filho de Jonas). Esta identificação é deduzida dos diversos catálogos dos Apóstolos que nos deixaram os Sinópticos, onde Bartolomeu sempre se segue a Filipe, aquele Apóstolo que levou Natanael a Jesus (cf. Mt 10, 3; Mc 3, 18; Lc 6, 14).

48 «Eu vi-te, debaixo da figueira». Natanael sentiu que o olhar de Jesus penetrava os mais profundos recônditos da sua alma, pois algo de significativo devia ter passado no seu coração naquela hora e naquele local exacto a que Jesus se referia, e que só Deus podia conhecer.

49 «Tu é o Filho de Deus… Rei de Israel» - títulos messiânicos procedentes do Salmo 2. A intencionalidade do Evangelista (cf. 20, 31) evidencia-se ao apresentar, desde a primeira hora, confissões explícitas de fé em Jesus (cf. Mt 14, 33; 16, 16).

51 «Os Anjos de Deus subindo e descendo…» Trata-se duma forma muito expressiva de Jesus aparecer como Mediador entre o Céu e a terra, ficando assim os Céus abertos para a humanidade (Is 63, 19; Apoc 19, 11; Mt 3, 16 par.), numa clara alusão à escada de Jacob, pela qual subiam e desciam os Anjos na visão de Jacob (Gn 28,12). É por isso que adoptámos, na Bíblia da Difusora Bíblica, a tradução «por meio do Filho do Homem», em vez da tradução corrente «sobre o Filho do Homem», tendo em conta que aqui aparece a mesma preposição (epí) que no texto grego do sonho de Jacob, com o sentido de subir por.

 

Sugestões para a homilia

 

Mensageiros de Deus

Protectores do homem

Mensageiros de Deus

As considerações que melhor se enquadra na reflexão desta festa provêm de alguns elementos doutrinais do Catecismo da Igreja e várias passagens da Sagrada Escritura. Segundo os livros da Igreja, os anjos são criaturas espirituais, e invisíveis a quem foi confiada a ordem cósmica, social e religiosa.

A um anjo é confiada a missão de anunciar o projecto divino da redenção na mensagem a Maria, na Anunciação. Dela se dirá. Feliz aquela que acreditou. Criaturas inteligentes e livres a desempenhar na liberdade a sua missão e caminhar para o seu destino, cumprindo o desígnio do Criador.

No A T o Anjo exprime a manifestação de Javé – o Anjo de Javé. Anjos, Querubins e Serafins formam a corte de Deus, revelam aos profetas os segredos de Deus. No Evangelho de S. Mateus eles executam as ordens de Deus no juízo final. Milhões de anjos assistem a Deus no julgamento.

Nas suas diversas funções o anjo intercessor leva a Deus as orações dos homens e defende-os contra os perigos. Os homens e as nações são protegidos pelos anjos.

Mesmo na sua condição de espírito são modelo de perfeição, obediência e serviço em louvor do sagrado e das causas do céu. Na terra vive o homem a caminho do céu. No céu os espíritos celestes cantam continuamente as glórias de Deus.

E executam igualmente as ordens de Deus. Assim fez aquele que foi enviado a uma Virgem da cidade da Galileia. O anjo da anunciação é Gabriel, o anjo das grandes mensagens divinas. Gabriel aparece a Zacarias e um anjo aparece a José a transmitir a mensagem de Deus. Assim como Gabriel é o anjo das grandes mensagens, Miguel é o príncipe e comandante que levanta a voz para exclamar: «quem como Deus», o defensor da verdade e da honra de Deus, o Anjo da vitória e dos supremos combates. Miguel é o protector de Israel Protector da Igreja de Deus, como em tempos passados se rezava na conclusão da celebração Eucarística.

 

Dotado de inteligência e vontade, ultrapassa em perfeição todas as criaturas visíveis, assim o afirma o Catecismo da Igreja Católica. Sendo mensageiros de Deus, estão atentos à sua palavra e dela se fazem eco, anunciam o plano divino e a sua realização, como anunciam junto do sepulcro vazio a ressurreição e após a Ascensão mandam os apóstolos para o mundo a realizar a missão que lhes tinha sido confiada.

Protectores do homem

Se Miguel assume a autoridade na defesa do bem e na proclamação da glória de Deus, é Gabriel que vem trazer à terra as grandes mensagens, Rafael é o protector da família, médico dos doentes, companheiro e conselheiro de viagem. Melhor dito, o protector do homem em todas as suas dúvidas e nas suas necessidades, desde a infância até à morte. Rafael combate o demónio para livrar dos perigos.

Honrando os anjos, com eles cantamos as glórias de Deus e de toda a criação, cantamos a glória de Maria, a Mãe de Deus e Rainha dos Anjos.

Os anjos alegram-se pela conversão de um pecador, estão ao serviço do Filho do Homem, servem Jesus depois das tentações no deserto, aparecem a consolar Jesus no Horto da Agonia.

O Apocalipse aplica esta palavra aos bispos das diversas igrejas do primeiro século. Linguagem figurada a indicar a veneração e estima e também a responsabilidade que o autor sagrado lhes queria dedicar. São participantes na liturgia celeste, servos de Deus na comunicação da revelação profética, executores das ordens de Deus.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, neste dia dos santos Anjos

em que a palavra do Senhor nos propõe uma opção clara

de amor e obediência à vontade divina,

peçamos a graça da perseverança nos bons propósitos,

assim como os dons de bem e felicidade para todos os nossos irmãos.

 

1.  Pelo Santo Padre e pela Igreja sempre atenta e vigilante

na celebração dos santos Anjos e nas festas dos santos, oremos, irmãos

 

2.  Pelos bispos, sacerdotes e missionários,

pelos homens e mulheres de apostolado

que encontram dificuldades na sua missão,

para que o Senhor seja sempre a sua fortaleza, oremos, irmãos.

 

4.  Para que com a ajuda dos Anjos e com a graça do Senhor

os homens se convertam e sejam eliminadas

todas as tentações e indiferenças do mundo contemporâneo, oremos, irmãos.

 

5.  Para que os movimentos de espiritualidade e apostolado,

com o auxílio divino e a protecção dos espíritos celestes

se tornem exemplo para o nosso mundo, oremos, irmãos.

 

6.  Pelos povos de todas as nações

para que vivam no amor e ninguém seja descriminado

ou excluído na busca de interesses justos que lhe são devidos, oremos, irmãos.

 

7.  Pelos responsáveis na condução dos cidadãos

para que desempenhem o seu dever com generosidade

e manifestem o interesse pelo bem comum, oremos, irmãos.

 

Atendei, Senhor a nossa oração e concedei-nos a nós a aos nossos irmãos

a graça de viver companhia dos Anjos a alegria dos verdadeiros discípulos de Cristo.

Por nosso Senhor…

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Com os benditos Anjos, M. Faria, NRMS 11-12

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, este sacrifício de louvor e fazei que, pelo ministério dos Anjos, seja levado à presença da Vossa divina majestade e se torne para nós fonte de salvação eterna Por Nosso Senhor.

 

Prefácio dos Anjos: p. 491

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

A graça da comunhão é um dom que nunca saberemos apreciar convenientemente. Não esqueçamos este favor divino instituído na Última Ceia para a salvação do mundo.

 

Cântico da Comunhão: Santos Anjos e Arcanjos, J. Parente, NCT 701

Sl 137, 1

Antífona da comunhão: De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças. Na presença dos Anjos Vos louvarei, meu Deus.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, nosso Pai, que nos fortalecestes com o pão do Céu, fazei que, protegidos pelos santos Anjos, sigamos firmemente o caminho da salvação. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Acabamos de viver momentos de oração e de graça divina através da devoção aos santos Anjos.

S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael e sejam nossos protectores.

 

Cântico final: Ao Deus do universo, J. Santos, NRMS 1 (I)

 

 

Homilias Feriais

 

 

4ª Feira, 30-IX: A disponibilidade e as demoras.

Ne 2, 1-8 / Lc 9, 57-62

Jesus respondeu-lhe: As raposas têm as suas tocas… mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.

«Jesus partilha as vidas dos pobres, desde o presépio até à Cruz: Sabe o que é sofrer a fome, a sede e a indigência (não tinha onde reclinar a cabeça: cf Ev)» (CIC; 544). Por isso, é exigente com todos os que quem seguir, pedindo-lhes uma maior disponibilidade, que não admite demoras (cf Ev).

Um bom exemplo é o do profeta Neemias que, para participar na reconstrução da cidade santa (cf Leit), pediu licença e ajuda para ultrapassar as previsíveis dificuldades da caminhada.

 

5ª Feira, 1-X: A Eucaristia e a paz.

Ne 8, 1-4. 5-6. 7-12 / Lc 10, 1-12

Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: A paz a esta casa.

«A paz é, sem dúvida uma aspiração radical que se encontra no coração de cada um; a Igreja dá voz ao pedido de paz… apresentando-o àquele que é a ‘nossa paz’ e pode pacificar de novo povos e pessoas, mesmo onde tivessem falido os esforços humanos.

Ora a Eucaristia é, por sua natureza, o sacramento da paz, que se manifesta no rito da saudação da paz. É conveniente que seja vivido num clima de sobriedade, por exemplo, dando a paz a quem está mais próximo» (SC, 49).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Adriano Teixeira

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 


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