DOCUMENTAÇÃO

 

COMISSÕES EPISCOPAIS DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

Encontro Ibérico

 

A RELIGIÃO NOS MEDIA

 

 

Os bispos das Comissões Episcopais das Comunicações Sociais de Portugal e Espanha, reuniram-se em Braga para analisar o tema «A comunicação social entre a laicidade e o laicismo: possibilidades e obstáculos». Nos dias 8, 9 e 10 de Junho de 2009 colocaram em comum as suas reflexões, nascidas de um diálogo fraterno, e desejam manifestar à Igreja e à opinião pública as seguintes conclusões:

 

1. Seguindo a doutrina da Igreja expressa no Concílio Vaticano II e pelos últimos pontificados, reiteram a valorização das ferramentas de comunicação social como dons que Deus concede à pessoa humana para que possa desenvolver a sua capacidade de comunicação e construir uma sociedade livre, pacífica e democrática.

2. Conscientes do valor que a sociedade de hoje coloca nas novas tecnologias da comunicação – qualificando-a mesmo como sociedade da informação – afirmam a sua adequação à missão da Igreja, potenciando, por um lado, a pastoral da comunicação social e exigindo, por outro, que toda a acção pastoral da Igreja seja mais comunicativa, também pela utilização das novas tecnologias, que geram novas relações.

3. Nesta tarefa, é imprescindível dar prioridade à educação para o uso crítico, maduro e responsável dos meios de comunicação social, especialmente entre os mais jovens, porque contribuem de maneira decisiva, com a família e a escola, para a formação da pessoa humana e da vida social e política.

4. Convidamos os pais e educadores, em vista a uma adequada formação cultural e moral, a acompanharem o uso das novas tecnologias, especialmente a Internet, a fim de que sejam benéficas para a pessoa e a sociedade e propiciem a busca da verdade, do bem e da beleza.

5. O mundo das comunicações sociais não pode ser uma «zona franca», isento de responsabilidades éticas e morais, do cuidado e vigilância dos pais e dos educadores e da acção protectora das autoridades, chamadas a defender os menores de conteúdos inadequados.

6. Constatam um secularismo crescente na sociedade actual, que lança suspeitas sobre toda a presença do facto religioso cristão no espaço público, de que os meios de comunicação são o palco principal. Muitos querem relegar a dimensão religiosa para o âmbito privado, sem deixar espaço para Deus na opinião pública. Diante disto, os Bispos reclamam o direito dos católicos em mostrar a sua visão cristã da vida, sem complexos e com respeito pela pluralidade de expressão, que também exigem para si. A realidade social e cultural dos nossos países, que os meios de comunicação hão-de reflectir, tem uma componente religiosa cristã inegável, que faz parte da nossa identidade e que não se pode silenciar sem faltar à verdade.

7. Na nossa geografia política e social marcada por uma pluralidade de ofertas, afirmam o direito e o dever da Igreja de, através de meios próprios ou pela presença de católicos nos meios públicos e privados, mostrarem as respostas que propõem para as questões das mulheres e dos homens de hoje. Ao mesmo tempo, e em função do direito à liberdade religiosa e de expressão de uma sã laicidade, reclamam o respeito pelos sentimentos dos católicos nos meios de comunicação social e o dever de o exigir legitimamente. Este direito tem como sujeito não apenas as pessoas individuais, mas também as instituições que as representam.

8. No âmbito plural da sociedade actual e da sã laicidade, a comunicação social é assumida pela Igreja como uma oportunidade para o exercício, em liberdade, da sua missão no mundo de hoje. Por isso encorajam os comunicadores cristãos a ampliar a presença da dimensão religiosa nos media e da comunicação na vida da Igreja.

9. Constatando a crise económica actual, que afecta especialmente os sectores mais pobres, com origem não apenas em causas económicas mas sobretudo na ausência de valores morais, encorajam os meios de comunicação a favorecê-los cada vez mais, especialmente a solidariedade, cumprindo a função de promover o bem comum.

10. Contribuir para esta actual e desafiante missão evangelizadora é algo apaixonante e esperançoso, já que, como refere o Papa Bento XVI na sua Mensagem para Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2009, «o coração humano anseia por um mundo onde reine o amor, onde os dons sejam compartilhados, onde se construa a unidade, onde a liberdade encontre o seu significado na verdade e onde a identidade de cada um se realize numa respeitosa comunhão».

 

Braga, 10 de Junho de 2009

 


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