4º
Domingo do Advento
19 de Dezembro de 2004
RITOS INICIAIS
Cântico de entrada: Erguei-vos que vem o Senhor, F da Silva, NRMS 39
Is 45, 8
Antífona de entrada: Desça o orvalho do alto dos Céus e as nuvens chovam
o Justo. Abra-se a terra e germine o Salvador.
Não se diz o
Glória.
Introdução ao espírito da Celebração
Ao longo das quatro semanas do Advento, símbolo do
tempo intercalado entre Adão e Jesus Cristo, a Liturgia colocou sinais que nos
revelavam a vinda do Redentor.
A última mensagem desta caminhada é que Jesus será
filho de Maria-sempre-virgem. Maria aparece neste final deste Advento como
sinal da proximidade de Deus em relação a cada um de nós.
Preparemos o nosso coração, examinando toda a
desordem moral que nele se encontrar e peçamos humildemente perdão dos nossos
pecados.
(Tempo de silêncio. Apresentamos sugestões para o
esquema C))
– Senhor Jesus, para as nossas hesitações na fé,
quando as coisas não correm ao nosso gosto,
Senhor, misericórdia!
Senhor,
misericórdia!
– Cristo Jesus, para as nossas faltas de esperança,
quando deixamos de lutar contra os nossos defeitos,
Cristo, misericórdia!
Cristo,
misericórdia!
– Senhor Jesus, para a nossa indiferença egoísta,
quando as pessoas precisam da nossa ajuda,
Senhor, misericórdia!
Senhor,
misericórdia!
Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,
perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.
Oração colecta: Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para
que nós, que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo vosso
Filho, pela sua paixão e morte na cruz alcancemos a glória da ressurreição. Por
Nosso Senhor...
Liturgia da Palavra
Primeira Leitura
Monição: O rei Acaz, dominado pela falta de esperança,
recusa-se a pedir a Deus um sinal de que não o deixará ao desamparo, quando for
atacado pelos inimigos.
Isaías profetiza o sinal de que a casa de David não
será destronada: uma Virgem conceberá e dará virginalmente à luz.
Isaías 7,
10-14
Naqueles dias, 10o Senhor mandou ao rei
Acaz a seguinte mensagem: 11«Pede um sinal ao Senhor teu Deus, quer
nas profundezas do abismo, quer lá em cima nas alturas». 12Acaz
respondeu: «Não pedirei, não porei o Senhor à prova». Então Isaías disse: 13«Escutai,
casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes
também molestar o meu Deus? 14Por isso, o próprio Senhor vos dará um
sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel».
10-12 Como prova de que o rei Acaz não virá a ser destronado e substituído pelo filho de Tabel, estranho à linhagem davídica (estamos na conjura siro-efraimita contra o rei de Judá), o profeta Isaías propõe ao rei que peça um sinal divino, o mais extraordinário que seja (cf. v. 11). O rei, com hipócrita religiosidade, nega-se a pedir esse sinal, porque não acredita em sinais, em coisas sobrenaturais. Foi por esta ocasião (o que não quer dizer exactamente no mesmo momento) em que o Profeta, dirigindo-se à linhagem (casa) de David, anunciou que o Senhor dará um sinal verdadeiramente extraordinário e que o trono de David se consolidará eternamente (cf. 1 Sam 7, 16).
14 Esse «sinal» é «a virgem que concebe». Muito se tem discutido e escrito sobre este sinal. Uma coisa é certa, é que o crente não pode prescindir de algum sentido messiânico (directo ou indirecto) desta célebre passagem isaiana. De facto, a própria exegese bíblica mostra que estamos no chamado «Livro do Imanuel» (Is 7–12), uma secção de carácter vincadamente messiânico por apontar para um descendente de David em quem se concentram as promessas da salvação de Deus, o Imanuel (o Deus connosco); embora, em primeiro plano, possa ser visado o próprio filho do rei Acaz, Ezequias, ele é considerado uma figura ou tipo do Messias. A interpretação mais tradicional defende o sentido literal (não se contentando com o sentido chamado típico ou pleno, suficientes para se garantir o sentido messiânico da passagem) e faz finca-pé em que Deus tinha oferecido pelo Profeta um sinal prodigioso, e eis que o dá; ora esse sinal só é prodigioso se a concepção e o nascimento do Menino acontece sem destruir a virgindade da Mãe; aliás é ela a pôr o nome ao filho, coisa que pertence sempre ao pai (que aqui não aparece). O próprio nome do filho insinua a sua divindade, «Deus connosco»: é a mesma personagem extraordinária anunciada em Is 9, 5-6: «Deus forte, príncipe da paz...». Mt 1, 23 (o Evangelho de hoje) e toda a tradição cristã e o próprio magistério da Igreja levam a ver nesta passagem uma referência «ao parto virginal da Mãe de Deus e ao verdadeiro Emanuel, Cristo Senhor» (Pio VI). Não é agora aqui o lugar para entrar em mais discussões exegéticas de pormenor.
Salmo Responsorial Salmo 23 (24), 1-2.3-4ab.5-6 (R. 7c e
10b)
Monição: Para nos resgatar da escravidão do pecado, o mesmo
Deus virá ao nosso encontro, Filho da sempre Virgem Maria.
Proclamemos a nossa esperança, cantando com alegria:
VENHA O SENHOR: É ELE O REI GLORIOSO.
Refrão: Venha o Senhor: é Ele o rei glorioso.
Ou: O Senhor virá: Ele é o rei da glória.
Do Senhor é a terra e o que nela existe,
o mundo e quantos nele habitam.
Ele a fundou sobre os mares
e a consolidou sobre as águas.
Quem poderá subir à montanha do Senhor?
Quem habitará no seu santuário?
O que tem as mãos inocentes e o coração puro,
que não invocou o seu nome em vão nem jurou falso.
Este será abençoado pelo Senhor
e recompensado por Deus, seu Salvador.
Esta é a geração dos que O procuram,
que procuram a face do Deus de Jacob.
Segunda Leitura
Monição: S. Paulo, na carta aos Romanos, apresenta Jesus
Cristo como Filho Unigénito de Deus. D'Ele recebeu o dom de anunciar a Boa Nova
a todos os povos.
Não esqueçamos que o bom acolhimento a Jesus Menino
cujo nascimento vamos celebrar, passa necessariamente pela aceitação do
Evangelho com todas as suas exigências.
Romanos 1,
1-7
1Paulo,
servo de Jesus Cristo, apóstolo por chamamento divino, escolhido para o
Evangelho 2que Deus tinha de antemão prometido pelos profetas nas
Sagradas Escrituras, 3acerca de seu Filho, nascido da descendência
de David, segundo a carne, 4mas, pelo Espírito que santifica,
constituído Filho de Deus em todo o seu poder pela sua ressurreição de entre os
mortos: Ele é Jesus Cristo, Nosso Senhor. 5Por Ele recebemos a graça
e a missão de apóstolo, a fim de levarmos todos os gentios a obedecerem à fé,
para honra do seu nome, 6dos quais fazeis parte também vós, chamados
por Jesus Cristo. 7A todos os que habitam em Roma, amados por Deus e
chamados a serem santos, a graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus
Cristo.
A leitura corresponde à saudação inicial da Carta aos Romanos, em que Paulo se apresenta aos cristãos residentes em Roma a quem pretende visitar (cf. vv. 10-15). Apresenta-se na sua qualidade de «Apóstolo por chamamento divino, escolhido» por Deus para pregar aos gentios o Evangelho de Jesus Cristo, deixando claro desde o início (v. 4) a natureza humana do Filho de Deus, «da descendência de David segundo a carne (katà sárka)» e a sua natureza divina, «constituído Filho de Deus em todo o seu poder pela sua ressurreição». Convém ter presente que não foi a ressurreição que O tornou Filho de Deus, mas foi esta que lhe garantiu o pleno exercício de «todo o seu poder» que lhe compete como Filho de Deus e que manifestou o que Ele é, Filho de Deus «segundo o Espírito (katà pneûma) de santificação», isto é, «quanto ao seu ser animado pelo Espírito da santidade divina», uma forma de aludir à sua condição divina (e não ao Espírito Santo, a Terceira Pessoa Trinitária), como fica claro pela contraposição: «segundo a carne» (katà sárka) – «segundo o Espírito» (katà pneûma). Ainda que se possa ver nestas formulações da fé o reflexo de uma cristologia primitiva, dita «baixa», e ainda não suficientemente desenvolvida, mais existencial do que essencial, a verdade é que os títulos com que Jesus Cristo é aqui designado – «Filho» e «Senhor» – são suficientemente expressivos da fé na natureza divina de Jesus possuída antes da ressurreição (cf. Rom 8, 3; Gal 4, 4-5; Filp 2, 6; Col 1, 15).
Aclamação ao Evangelho Mt 1, 23
Monição: Maria sempre Virgem é o sinal da proximidade de Deus
que vem o nosso encontro para nos salvar.
Aclamemos o evangelho que nos anuncia tão feliz Boa
Nova, cantando aleluia. Escutai-O. Sempre que procuramos viver em conformidade
com o Evangelho estamos a trabalhar na nossa transfiguração e na transfiguração
do mundo. Cantemos.
Aleluia
A Virgem conceberá e dará à luz um Filho,
que será chamado Emanuel, Deus connosco.
Cântico: J. Duque, NRMS 21
Evangelho
São Mateus
1, 18-24
18O
nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José,
antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito
Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la,
resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando
lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David,
não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do
Espírito Santo. 21Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de
Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 22Tudo isto
aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que
diz: 23«A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado
‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». 24Quando despertou do
sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa.
18 «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais (erusim), que tinham valor jurídico de um matrimónio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes (nissuim ou liqquhim), em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois.
«Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»: isto conta-se em pormenor no Evangelho de S. Lucas (1, 26-38), lido na festa da Imaculada Conceição (ver comentário então feito). Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera, Deus cria.
19 «Mas José, seu esposo…». Do texto parece depreender-se que Maria nada tinha revelado a José do mistério que nela se passava. José vem a saber da gravidez de Maria por si mesmo ou pelas felicitações do paraninfo (o «amigo do esposo»), e o que devia ser para José uma grande alegria tornou-se o mais cruel tormento. Em circunstâncias idênticas, qualquer outro homem teria actuado drasticamente, denunciando a noiva ao tribunal como adúltera. Mas José era um santo, «justo», por isso, não condenava ninguém sem ter as provas evidentes da culpa. E aqui não as tinha. A sua serenidade e rectidão levam-no a não se precipitar. Ele conhece a virtude extraordinária de Maria e sabe que ela não podia ter falhado, não admitindo sequer a mais leve suspeita acerca dela. O que José pensa é que estava perante algo sobrenatural, divino; ouvira talvez contar em família o que se passou na visita de Maria a Isabel, se é que ele não esteve mesmo lá. É então que José pensa deixar Maria, para não se intrometer num mistério em que não lhe competia ter parte alguma. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo», evitando cuidadosamente «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» («deigmatísai») o mistério messiânico. Poderá perguntar-se: mas então, porque não ia José interrogar Maria para ela esclarecer o assunto? Isso seria o que faria qualquer outro homem, mas não um santo; pedir uma explicação era já duvidar, ofender Maria, mas a sua delicadeza extrema levava-o a não a humilhar ou deixar embaraçada. Mas então, porque é que Maria não falou, quando José tinha direito de estar a par do que se passava? Mas como é que Maria podia falar de coisas tão colossalmente extraordinárias e inauditas?! Como podia provar a Anunciação do Anjo? Maria calava, sofria e abandonava-se nas mãos da Providência: punha nas mãos de Deus a sua honra e as angústias por que José iria passar por sua causa, e Deus, que tinha revelado já a Isabel o mistério da sua concepção, podia igualmente vir a revelá-lo a José. Maria e José dão o exemplo de confiarem em Deus sempre e de não admitirem a mínima desconfiança um do outro.
20 «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo sabe que José não admite qualquer dúvida acerca da virtude de Maria, por isso, não diz: «não desconfies», mas: «não temas». Como explica S. Bernardo, S. José «foi tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, que a quis deixar ocultamente... José tinha-se, por indigno...». Segundo alguns exegetas modernos (Zerwick), o texto sagrado poderia mesmo traduzir-se: «embora o que nela foi gerado seja do Espírito Santo, Ela dar(-te-)á à luz um filho ao qual porás o nome de Jesus exercendo assim para Ele a missão de pai». Assim, o Anjo não só elucida José, como também lhe diz que ele tem uma missão a cumprir no mistério da Incarnação, a missão e a dignidade de pai do Salvador. Comenta Santo Agostinho: «A José não só se lhe deve o nome de pai, mas este é-lhe devido mais do que a qualquer outro. Como era pai? Tanto mais profundamente pai, quanto mais casta foi a sua paternidade... O Senhor não nasceu do germe de José. Mas à piedade e amor de José nasceu um filho da Virgem Maria, que era Filho de Deus».
Sugestões para a homilia
Maria, sinal da benevolência de Deus
Jesus, Filho virginal de Maria, esposa de José
Maria, sinal da benevolência de Deus
Acaz, rei descendente de David, ao ver o trono em
perigo, perante a ameaça dos arameus e do reino de Israel, perdeu completamente
a fé e a confiança no Senhor
É nesta difícil situação que o profeta Isaías, por
mandato do Senhor, se apresenta a incutir-lhe confiança em Deus e a pedir-Lhe
um sinal como garantia dessa protecção.
Com fingida piedade, Acaz recusa-se a fazê-lo
alegando que não quer tentar ao Senhor.
Isaías, perante a frieza do rei, anuncia-lhe um sinal
de que não só a sua família não acabará, mas nascerá um Menino que uma virgem
conceberá e dará à luz.
Maria, a sempre Virgem, Mãe de Jesus, é o último
sinal desta Advento. A promessa feita pelo Senhor aos Patriarcas e Profetas vai
cumprir-se. O Senhor virá! Será filho virginal de Maria que, sem perda da sua virgindade,
dará à luz o Emmanuel – Deus connosco.
Maria,
sinal de Deus. Nossa Senhora tem
sido sempre um sinal confortante da proximidade de Deus na vida de cada um de
nós.
Quando nos encontramos desanimados, tíbios, e nos
voltamos para Ela, por alguma pequena prática de devoção, sentimo-nos
rejuvenescer no Amor de Deus.
Se encontramos uma pessoa que vive afastada dos
caminhos de Deus, atolada nos lodaçais do pecado, mas conseguimos acender nela
uma centelha de devoção a Maria, tem o seu regresso a Deus assegurado.
Preparemos
o Natal com Ela. Maria prepara-nos
uma caminho seguro para Deus, se nos confiarmos a Ela nos entregarmos de todo o
coração.
Não se trata, pois, de uma devoção com vã observância
– uma devoção cheia de sentimentalismo sem correspondência na vida – mas de um
esforço sincero para a acompanhar com o desejo de fazer a vontade de Deus.
O anúncio da Virgem concebendo e dando à luz
enche-nos de segurança nos caminhos da nossa vida interior.
Jesus, Filho virginal de Maria, esposa
de José
O Evangelho conta-nos as horas dramáticas que
precederam o nascimento de Jesus, vividas por Maria e José.
É possível que José tenha acompanhado Maria a casa de
Isabel e aí ouvido a saudação de Isabel, proclamando-A «a Mãe do meu Senhor».
Maria confirma a afirmação da sua parente e rompe num cântico de acção de
graças ao Senhor.
Ou então, no regresso de Ain Karin, Maria,
possivelmente já no quarto mês, apresenta-se claramente com o sinal da
maternidade.
A angústia
de José. É precisamente nesta
ocasião que José começa a ser atormentado por um problema de consciência: Maria
vai ser Mãe, e ele – esposo de Maria – tem a certeza de que não é o pai daquela
criança, embora possa oferecer a sua vida como garantia da fidelidade de Nossa
Senhora.
Não estará ele neste mistério como um intruso indigno
e que, portanto, deve afastar-se quanto antes?
Pesa sobre ele uma outra razão: a Lei, numa situação
destas, obriga-o a repudiar a Esposa que ele sabe estar inocente. Passa então a
dar voltas à imaginação sobre como poderá harmonizar estas exigências. É justo,
e não quer lançar sobre Maria a mais leve sombra de suspeita, pelo que resolve
repudiá-l'A em segredo.
A nobreza
do santo Patriarca. Vai chamar sobre
si todo o odioso desta situação, porque o vão julgar um homem desumano, sem
coração, que abandona a esposa no momento em que Ela mais precisa de amparo.
Que belo exemplo nos dá o santo Patriarca de domínio
dos seus juízos e de procurar sempre o lado positivo das pessoas, evitando
prejudicá-las!
Entretanto, Maria sofre também nestes momentos que
deviam ser para ela os mais felizes de sempre.
Nesta situação extrema, Deus envia o Seu anjo em
sonhos a José, transformando em alegria o que antes era um martírio.
Agradecemos ao Senhor que nos tenha dado, por este
meio, um testemunho tão valioso da virgindade de Nossa senhora.
A caminho
para Belém! Se Lhe perguntássemos
por que permite tanto sofrimento nas duas criaturas que mais ama, Ele responder-nos-ia
como o fez a Santa Teresa de Jesus: «É assim que Eu trato os Meus amigos.» Não
nos podemos aproximar de Deus, neste Natal e sempre, fugindo à cruz.
Reconciliemo-nos com Deus e com os irmãos, para
acolhermos de todo o coração a mensagem d Paz do Natal que se aproxima.
Procuremos, aproximando cada vez mais de Maria, por
uma verdadeira devoção, a nossa identificação com Jesus Cristo.
Sigamos esta indicação que nos vem do Alto,
procurando conduzir as pessoas ao encontro do senhor por este caminho fácil e
seguro.
Fala o Santo Padre
«Para atingir o significado
e o dom de graça do Natal, devemos pôr-nos na escola de Nossa Senhora e do seu
esposo José.»
1. Celebramos hoje o quarto
domingo do Advento, enquanto se fazem os preparativos para a festa de Natal. A
Palavra de Deus, na liturgia, ajuda-nos a concentrar a atenção no significado
deste acontecimento salvífico fundamental, que é, ao mesmo tempo, histórico e
sobrenatural.
«Olhai: a virgem
conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel: Deus connosco» (Is 7, 14). Esta profecia de
Isaías reveste uma importância capital na economia da salvação. Garante que
"o próprio Deus" dará um descendente ao rei David como
"garantia" da sua fidelidade. Esta promessa realizou-se com o
nascimento de Jesus, da Virgem Maria.
2. Para atingir o
significado e o dom de graça do Natal já eminente, devemos, portanto, pôr-nos
na escola de Nossa Senhora e do seu esposo José, que contemplaremos no presépio
em adoração extática do Messias recém-nascido.
Na página evangélica de
hoje, Mateus põe em evidência o papel de José, que define como homem «justo»
(Mt 1, 19), sublinhando com isto como ele está completamente voltado
para a realização da vontade de Deus. Precisamente, pelo motivo desta justiça
interior, que em última análise coincide com o amor, José não deseja repudiar
Maria, mesmo dando-se conta da sua gravidez incipiente. Pensa «deixá-la
secretamente» (Mt 1, 19), mas é convidado pelo anjo do Senhor a não
temer e a levá-la consigo.
Aparece aqui um outro
aspecto essencial da personalidade de José: ele é homem aberto à escuta de Deus
na oração. Pelo anjo fica a saber que «aquele que ela concebeu é obra do
Espírito Santo» (Mt 1, 20), conforme a antiga profecia: «Olhai: a virgem
conceberá...» e está pronto a acolher os desígnios de Deus, que ultrapassam os
limites humanos.
3. Em suma, pode
definir-se José como um autêntico homem de fé, assim como a sua esposa, Maria.
A fé conjuga justiça e oração, e é esta a atitude mais adequada para encontrar
o Emanuel, o Deus-connosco. Crer, de facto, significa viver abertos, na
história, à iniciativa de Deus, à força criadora da sua Palavra, que em Cristo
se fez carne, unindo-se para sempre à nossa humanidade. A Virgem Maria e São
José nos ajudem a celebrar assim, de modo frutuoso, o nascimento do Redentor.
João Paulo II, Angelus, 23 de
Dezembro de 2001
Oração Universal
Cheios de alegria por este Natal que se aproxima
e no qual o Senhor vai cumprir a Grande Promessa
da Redenção dos homens pela Encarnação de Seu Filho,
peçamos, confiadamente, por intercessão de Maria,
que em nossos corações nasça verdadeiramente Jesus.
Digamos: Vinde, Senhor, e não tardeis!
1. Para que
todos encontremos os caminhos da Paz e do Amor,
de modo que se renovem todos os
corações dos homens,
nós Vos pedimos, confiantes:
Vinde, Senhor, e não tardeis!
2. Para que
todas as crianças sejam acolhidas com Amor
e não encontrem ameaças à sua
integridade moral e física,
nós Vos pedimos, confiantes:
Vinde, Senhor, e não tardeis!
3. Para que as
famílias desavindas se reconciliem com Deus,
e todas cresçam à imagem e semelhança
da Sagrada Família,
nós Vos pedimos, confiantes:
Vinde, Senhor, e não tardeis!
4. Para que os
abandonados que não têm onde celebrar este Natal
encontrem um acolhimento do coração
cada um de nós,
nós Vos pedimos, confiantes:
Vinde, Senhor, e não tardeis!
5. Para que as
pessoas recentemente mergulhadas no luto
sejam por nós ajudadas a viver com paz
e alegria este Natal,
nós Vos pedimos, confiantes:
Vinde, Senhor, e não tardeis!
6. Para que
aqueles que viajam de longe ao encontro dos seus
sejam defendidos dos perigos que
possam encontrar no caminho,
nós Vos pedimos, confiantes:
Vinde, Senhor, e não tardeis!
7. Para que
aqueles partiram a ao encontro de Deus e se purificam
entrem quanto antes na glória e
felicidade eternas do Céu,
nós Vos pedimos, confiantes:
Vinde,
Senhor, e não tardeis!
Senhor, que nos preparais para celebrar,
o Nascimento do Vosso Filho Unigénito:
ajudai-nos a fazê-lo com fé e Amor,
para que sejamos dignos das Vossas graças.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho
Que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.
Liturgia Eucarística
Cântico do ofertório: Abre claro o céu, S. Marques, NRMS 64
Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que trazemos ao vosso altar
e santificai-os com o mesmo Espírito que, pelo poder da sua graça, fecundou o
seio da Virgem Santa Maria. Por Nosso Senhor....
Prefácio do Advento II: p. 455 [588-700]
Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51
Saudação da Paz
Jesus é anunciado ao longo dos séculos, como Autor da
verdadeira Paz. Abramo-nos a este dom, reconciliando-nos com os nossos irmãos.
Saudai-vos na paz de Cristo!
Monição da Comunhão
Aprendamos com Maria Santíssima a acolher Jesus
dentro de nós, pela sagrada Comunhão.
Despojemo-nos de todo o afecto e sentimento que possa
desagradar-Lhe e entreguemos-lhe generosamente a nossa vida.
Cântico da Comunhão: Desce o orvalho sobre a terra, M. Simões, NRMS 64
cf. Is 7, 14
Antífona da comunhão: A Virgem conceberá e dará à luz um filho. O seu nome
será Emanuel, Deus-connosco.
Cântico de acção de graças: Virgem Santa Imaculada, M. Luis, NRMS 15
Oração depois da comunhão: Tendo recebido neste sacramento o penhor da redenção
eterna, nós Vos pedimos, Senhor: quanto mais se aproxima a festa da nossa
salvação, tanto mais cresça em nós o fervor para celebrarmos dignamente o
mistério do Natal do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito
Santo.
Ritos Finais
Monição final
Aproveitemos estes dias de bênção na preparação deste
Natal; e ajudemos as outras pessoas a vivê-lo com o verdadeiro sentido que ele
tem.
Cântico final: Vamos todos guiados pela esperança, F. da Silva, NRMS 14
Homilias Feriais
4ª SEMANA
2ª feira, 20-XII: A Anunciação e a Eucaristia.
Is 7, 10-14
/ Lc 1, 26-38
Há-de a Virgem conceber e dar à luz um
filho, a quem porá o nome de Emanuel.
A profecia de Isaías vai cumprir-se em Maria (cf.
Ev.).
Na Anunciação, Nossa Senhora praticou já a sua fé eucarística: «E Maria na Anunciação,
concebeu o Filho divino também na realidade física do corpo e do sangue, em
certa medida antecipando nela o que se realiza sacramentalmente em cada crente
quando recebe, no sinal do pão e do vinho, o Corpo e Sangue do Senhor. Existe
pois uma profunda analogia entre o fiat pronunciado por Maria, em resposta
às palavras do Anjo, e o amen que
cada fiel pronuncia quando recebe o Corpo do Senhor» (IVE, 55).
3ª feira, 21-XII: O primeiro 'Sacrário' da história.
Cânt 2,
8-14 ou Sof 3, 14-18 / Lc 1, 39-45
Bendita és tu entre as mulheres e
bendito é o fruto do teu ventre.
Cheia de alegria (cf. Leit e Ev.), porque leva no seu
ventre o Verbo encarnado, Nossa Senhora dirige-se a casa de Isabel, que a
recebe com grandes louvores: «Feliz daquela que acreditou» (Ev.).
«E, na Visitação,
quando leva no seu ventre o Verbo encarnado, de certo modo ela serve de
'sacrário' – o primeiro 'sacrário' da
história – para o Filho de Deus que, ainda invisível aos olhos dos homens, se
presta à adoração de Isabel, como 'irradiando' a sua luz através dos olhos e da
voz de Maria» (IVE, 55).
4ª feira, 22-XII: Fazer da nossa vida um magnificat.
1 Sam 1, 24-28 / Lc 1, 46-56
A minha alma glorifica o Senhor e o
meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador.
Ana leva o filho Samuel para o serviço do Senhor no
Templo (cf. Leit.) e o seu coração exulta de alegria (cf. S. Resp.). O mesmo
acontece com Nossa Senhora, que leva o Filho de Deus no seu ventre e aclama o
Senhor (cf. Ev.).
É interessante reler o Magnificat numa perspectiva eucarística: «Se o Magnificat exprime a espiritualidade de Maria, nada melhor do que
esta espiritualidade nos pode ajudar a viver o mistério eucarístico. Recebemos
o dom da Eucaristia, para que a nossa vida, à semelhança da de Maria, seja toda
ela um magnificat» (IVE, 58).
5ª feira, 23-XII: Luz que dissipa as trevas.
Mal 3, 1-4-
23-24 / Lc 1, 57-66
Vou enviar o meu mensageiro para desimpedir
o caminho diante de mim.
Malaquias profetiza sobre as missões de Elias (cf.
Leit.) e João Baptista: A diferença de Elias, João Baptista é o precursor
imediato do Senhor, enviado para lhe preparar o caminho.
Preparemo-nos bem para acolher o Senhor, procurando
recebê-lo bem na Comunhão eucarística. Além disso, também devemos ser
anunciadores de Cristo no mundo de hoje: «Portadores da única chama capaz de
iluminar os caminhos terrenos das almas... o Senhor serve-se de nós como
archotes, para que essa luz ilumine... De nós depende que muitos não permaneçam
em trevas, mas que andem por sendas que levem à vida eterna» (Forja, 1).
6ª feira, 24-XII: Comunhão: identificação com Cristo.
2 Sam 7, 1-5. 8-12. 14. 16 / Lc 1, 67-79
(Zacarias): Bendito seja o Senhor,
Deus de Israel, porque visitou e libertou o seu povo e nos fez surgir poderosa
salvação na família de seu pai David.
O profeta Natã comunica a David que a sua casa e a
sua realeza permanecerão para sempre (cf. Leit). E a mesma profecia é feita por
Zacarias, recordando o juramento feito por Deus a Abraão (cf. Ev.).
O homem, desfigurado pelo pecado, mantém a 'imagem de
Deus', à imagem do Filho, mas ficou privado da 'semelhança'. O Filho vem
assumir 'a imagem' e restaurar o homem na 'semelhança' com o Pai (cf. CIC,
705). Um dos frutos da Eucaristia é uma certa transformação do homem em Cristo,
para um dia podermos dizer: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim»
(Gal 2, 20).
Celebração e Homilia: Fernando Silva
Nota
Exegética: Geraldo Morujão
Homilias
Feriais: Nuno Romão
Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha