S. Pedro e S. Paulo

 

 

Missa do Dia

29 de Junho de 2011

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Os Apóstolos plantaram a Igreja, F. da Silva, NRMS 66

 

Antífona de entrada: Estes são os Apóstolos, que durante a sua vida na terra plantaram a Igreja com o seu sangue. Beberam o cálice do Senhor e tornaram-se amigos de Deus.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Desde o século III que a Igreja une na mesma solenidade os Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, as duas grandes colunas da Igreja. Figuras muito diferentes pelo temperamento e pela cultura, viveram, contudo, sempre irmanados pela mesma fé e pelo mesmo amor a Cristo.

Após 2000 anos, continuam a ser «nossos pais na fé». Honrando a sua memória, celebremos o mistério da Igreja fundada sobre os Apóstolos e peçamos, por sua intercessão, perfeita fidelidade ao ensinamento apostólico.

 

Oração colecta: Senhor, que nos encheis de santa alegria na solenidade dos apóstolos São Pedro e São Paulo, concedei à vossa Igreja que se mantenha sempre fiel à doutrina daqueles que foram o fundamento da sua fé Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Os Actos dos Apóstolos apresentam-nos hoje a experiência da presença libertadora do Senhor na vida de Pedro.

 

Actos dos Apóstolos 12, 1-11

1Naqueles dias, o rei Herodes começou a perseguir alguns membros da Igreja. 2Mandou matar à espada Tiago, irmão de João, 3e, vendo que tal procedimento agradava aos judeus, mandou prender também Pedro. Era nos dias dos Ázimos. 4Mandou-o prender e meter na cadeia, entregando-o à guarda de quatro piquetes de quatro soldados cada um, com a intenção de o fazer comparecer perante o povo, depois das festas da Páscoa. Enquanto 5Pedro era guardado na prisão, a Igreja orava instantemente a Deus por ele. 6Na noite anterior ao dia em que Herodes pensava fazê-lo comparecer, Pedro dormia entre dois soldados, preso a duas correntes, enquanto as sentinelas, à porta, guardavam a prisão. 7De repente, apareceu o Anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela da cadeia. 8O Anjo acordou Pedro, tocando-lhe no ombro, e disse-lhe: «Levanta-te depressa». E as correntes caíram-lhe das mãos. Então o Anjo disse-lhe: «Põe o cinto e calça as sandálias». Ele assim fez. Depois acrescentou: «Envolve-te no teu manto e segue-me». 9Pedro saiu e foi-o seguindo, sem perceber a realidade do que estava a acontecer por meio do Anjo julgava que era uma visão. 10Depois de atravessarem o primeiro e o segundo posto da guarda, chegaram à porta de ferro, que dá para a cidade, e a porta abriu-se por si mesma diante deles. Saíram, avançando por uma rua, e subitamente o Anjo desapareceu. 11Então Pedro, voltando a si, exclamou: «Agora sei realmente que o Senhor enviou o seu Anjo e me libertou das mãos de Herodes e de toda a expectativa do povo judeu».

 

1-2 «Herodes»: é Herodes Agripa I, o terceiro monarca do mesmo nome a ser nomeado no NT; era filho da Aristóbulo e sobrinho de Herodes Antipas (o que mandara matar o Baptista) e neto de Herodes, o Grande (o da construção do Templo e da matança dos inocentes). Depois de uma vida libertina em Roma, obteve o favor de Calígula, vindo a poder usar o título de rei dum território quase tão grande como o do avô, apresentando-se muito zeloso da religiosidade judaica. «Tiago» é o filho de Zebedeu e Salomé, irmão do Apóstolo João evangelista. O seu martírio deve ter sido um ano ou dois após a tomada de posse de Herodes, a qual se deu no ano 41.

4-6 «Guarda de 4 piquetes de 4 soldados»: note-se o contraste entre a severidade da segurança e a serenidade de Pedro que dorme; cada piquete correspondia a uma das quatro vigílias da noite; Pedro «dormia entre dois soldados», com uma das mãos atada à mão de um soldado e a outra à do outro, enquanto «a Igreja orava instantemente a Deus por ele» (belo fundamento bíblico da oração assídua pelo Papa).

7-10 A intervenção libertadora do «Anjo do Senhor» já se tinha sido assinalada em semelhante circunstância (cf. Act 5, 18-19); esta está na linha da fé da Igreja na protecção dos anjos da guarda, conforme lembra o Catecismo da Igreja Católica, nº 336: «Desde a infância até à morte, a vida humana é acompanhada pela sua assistência e intercessão…».

 

Salmo Responsorial    Sl 33 (34), 2-3.4-5.6-7.8-9

 

Monição: Deus livra, salva e protege. Ele liberta-nos de todas a ansiedade. Na verdade, o Senhor é bom!

 

Refrão:        O Senhor libertou-me de toda a ansiedade.

 

A toda a hora bendirei o Senhor,

o seu louvor estará sempre na minha boca.

A minha alma gloria-se no Senhor:

escutem e alegrem-se os humildes.

 

Enaltecei comigo ao Senhor

e exaltemos juntos o seu nome.

Procurei o Senhor e Ele atendeu-me,

libertou-me de toda a ansiedade.

 

Voltai-vos para Ele e ficareis radiantes,

o vosso rosto não se cobrirá de vergonha.

Este pobre clamou e o Senhor o ouviu,

salvou-o de todas as angústias.

 

O Anjo do Senhor protege os que O temem

e defende-os dos perigos.

Saboreai e vede como o Senhor é bom:

feliz o homem que n'Ele se refugia.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Ouçamos o testemunho de Paulo no fim da sua carreira.

 

2 Timóteo 4, 6-8.17-18

Caríssimo: 6Eu já estou oferecido em libação e o tempo da minha partida está iminente. 7Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. 8E agora já me está preparada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me há-de dar naquele dia e não só a mim, mas a todos aqueles que tiverem esperado com amor a sua vinda. 17O Senhor esteve a meu lado e deu-me força, para que, por meu intermédio, a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todos os pagãos a ouvissem e eu fui libertado da boca do leão. 18O Senhor me livrará de todo o mal e me dará a salvação no seu reino celeste. Glória a Ele pelos séculos dos séculos. Amen.

 

A leitura é um extracto da parte final da Carta, em que o Paulo, pressentindo a morte iminente, faz como que um balanço da sua vida toda devotada à causa da Boa Nova. Consideramos o escrito dotado de autenticidade criticamente segura, não obstante uma certa tendência negativa mesmo entre diversos autores católicos; com efeito, aqui, como em muitos outros pontos das Cartas Pastorais, observam-se pormenores biográficos de tal maneira vivos, concretos e coerentes, que não se podem atribuir a um falsário. Há quem pense num secretário diferente e com mais liberdade de redacção, que muito bem poderia ter sido o seu discípulo e companheiro (cf. v. 11) no segundo cativeiro romano, Lucas (Spicq).

6-7 «Já estou oferecido em libação», isto é, «sinto que a morte se avizinha», uma linguagem que bem pode proceder do costume, referido por Tácito, de se fazerem libações por ocasião da morte de alguém. «Combati o bom combate»: São Paulo sempre gostou de comparar a vida cristã e as lides apostólicas a actividades desportivas, pugilismo, corridas... (cf. Filp 2, 16; 3, 12-14; 1 Cor 9, 24-26; Gal 2, 2); «terminei a minha carreira», à letra, a corrida.

17 «A mensagem... fosse proclamada a todos…» Pensa-se que haja aqui uma referência a algum testemunho público nalguma audiência do tribunal perante grande multidão. «Fui libertado da boca do leão», o que não significa forçosamente que estivesse para ser lançado às feras, mas simplesmente o adiamento da condenação à pena capital, talvez para se proceder a melhor estudo da causa, em face do surpreendente testemunho do heróico pregador do Evangelho, que teria deixado os seus juízes perplexos…

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 16, 18

 

Monição: No centro da proclamação do Evangelho temos hoje a confissão de fé de Pedro.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS10 (II)

 

Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja

e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 16, 13-19

Naquele tempo, 13Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?». 14Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». Jesus perguntou: 15«E vós, quem dizeis que Eu sou?». 16Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». 17Jesus respondeu-lhe: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. 18Também Eu te digo: Tu és Pedro sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 19Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».

 

O texto da leitura consta de duas partes distintas, mas intimamente ligadas: a confissão de fé de Pedro (vv. 13-16), comum a Marcos 8, 27-30 e a Lucas 9, 18-21 (cf. Jo 6, 67-71), e a promessa feita a Pedro (vv. 17-19), exclusiva de Mateus (cf. Jo 21, 15, 23).

13 «Cesareia de Filipe» era a cidade construída por Filipe, filho de Herodes, o Grande, em honra do César romano, nas faldas do Monte Hermon, a uns 40 quilómetros a Nordeste do Lago de Genesaré.

13-17 «Quem dizem os homens… E vós, quem dizeis que Eu sou?» É uma pergunta que, em face de Jesus, uma pessoa tão singular, surpreendente e apaixonante, não pode deixar de se fazer em todos os tempos. As respostas podem ser variadas e até contraditórias, mas só uma é a certa, a resposta de Pedro, a resposta esclarecida da fé, resposta que Jesus aprova: «Feliz de ti, Simão» (v. 17). «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo» (v. 16): Messias é a forma hebraica da palavra do texto original grego, Cristo, que quer dizer ungido (os reis eram ungidos com azeite na cabeça ao serem investidos). Jesus é o Rei (ungido) anunciado pelos Profetas e esperado pelo povo. Quando se diz Jesus Cristo é como confessar a mesma fé de Pedro, reconhecer que Jesus é o Cristo, isto é, o Messias, mas num sentido mais denso e profundo, a saber, o Filho de Deus, num sentido que ultrapassa o corrente e que só o dom divino da fé pode fazer descobrir, segundo as palavras de Jesus a Pedro: «Não foram a carne e o sangue que to revelaram» (v. 17). A fé de Pedro, como a nossa, não pode proceder dum mero raciocínio humano, da sagacidade natural, mas da luz, da certeza e da firmeza, que procede da revelação de Deus. «A carne e o sangue» é uma forma semítica de designar o homem enquanto ser débil e exposto ao erro e ao pecado.

18 «Tu és Pedro». É significativo que o texto grego não tenha conservado a palavra aramaica «kêphá», aliás usada noutras passagens do N. T. sem ser traduzida, como é habitual com os patronímicos. Aqui o evangelista teve o cuidado de usar o nome correntemente dado ao Apóstolo Simão: Pedro. É expressivo o jogo de palavras: Pedro é a pedra sobre a qual assenta a solidez de toda a Igreja do Senhor. Note-se que o apelido de Pedro = Pedra não existia na época, nem em aramaico (Kêphá), nem em grego (Pétros), nem em latim (Petrus), uma circunstância que reforça o seu significado e originalidade. Além disso, este apelido também não era apto para caracterizar o temperamento ou o carácter do Apóstolo, pois aquilo que distingue a sua personalidade não é precisamente a dureza ou firmeza da pedra, mas antes a debilidade, mobilidade e até inconstância (cf. Mt 14, 28-31; 26, 33-35.69-75; Gal 2, 11-14). Se Jesus assim o chama, é em razão da função ou cargo em que há-de investi-lo.

«Edificarei a minha Igreja». Jesus, ao dizer a minha, sugere com este singular que a sua Igreja é una e única, ao mesmo tempo que significa que Ele tem intenção de fundar algo de novo, uma nova comunidade de Yahwéh. «Ekklêsía» é a tradução grega corrente dos LXX para a designação hebraica da Comunidade de (qehal) Yahwéh, isto é, «o povo escolhido de Deus reunido para o culto de Yahwéh» (cf. Dt 23, 2-4.9). Não é, portanto, a Igreja uma seita dentro do judaísmo, é uma realidade nova e independente. «Jesus pôde dizer minha, porque Ele a salva, Ele a adquire com o seu sangue, Ele a convoca, Ele realiza nela a presença divina, a aliança, o sacrifício». «As portas do inferno não prevalecerão». Numa linguagem tipicamente bíblica (cf. Is 38, 10; Sab 16, 13; cf. Job 38, 17; Salm 9, 14) temos uma sinédoque com que se designa a parte – as portas – pelo todo, o Inferno, que tanto pode designar a destruição e a morte (xeol=inferi=os infernos), como Satanás e os poderes hostis a Deus. Por ocasião da eleição do Papa Bento XVI viu-se bem como estes poderes hostis à verdadeira Igreja de Cristo mais uma vez se assanharam…

19 «Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus». Os poderes conferidos a Pedro não são para ele vir a exercer no Céu, mas aqui neste mundo, onde a Igreja, o Reino de Deus em começo e em construção, tem de ser edificada. No judaísmo e no Antigo Testamento (cf. Is 22, 22), lidar com as chaves é uma atribuição de quem representa o próprio dono, significa administrar a casa. Ligar/desligar significa tomar decisões com tal autoridade e poder supremo que serão consideradas válidas por Deus, «nos Céus». É de notar que Jesus diz a todos os Apóstolos esta mesma frase (Mt 18, 18), mas sem que seja tirada qualquer força à autoridade suprema de Pedro, a quem é dado um especial poder de «ligar e desligar» na Igreja, enquanto pedra fundamental e pastor supremo a ser investido após a Ressurreição (Jo 21, 15-17). Este primado de Pedro sobre toda a Igreja – que hoje se designa por ministério petrino – não é conferido apenas a ele, mas a todos os seus sucessores; com efeito Jesus fala a Pedro na qualidade de chefe duma edificação estável e perene, a Igreja; se o edifício é perene também o será a pedra fundamental. Como recorda o Catecismo da Igreja Católica, nº 882, «o Papa, Bispo de Roma e sucessor de S. Pedro, «é princípio perpétuo e visível, e fundamento da unidade que liga, entre si, todos os bispos com a multidão dos fiéis» (LG 23). Em virtude do seu cargo de vigário de Cristo e pastor de toda a Igreja, o Pontífice Romano tem sobre a mesma Igreja um poder pleno, supremo e universal, que pode sempre livremente exercer» (LG 22). Este é um dos pontos cruciais do diálogo ecuménico, que terá uma saída feliz quando todos os que se consideram cristãos compreenderem que o carisma petrino, por vontade de Cristo, é o indispensável instrumento de união e unidade na legítima diversidade.

 

Sugestões para a homilia

 

1. O Senhor confia-se a pecadores como nós

2. Uma pergunta que exige uma resposta comprometedora

O Senhor confia-se a pecadores como nós

Celebramos a solenidade dos dois santos fundadores da Igreja, S. Pedro e S. Paulo, dois santos que antes de o serem foram dois grandes pecadores, como a maioria de nós.

Pedro e Paulo, os dois pilares da Igreja, como costumamos dizer; dois fundadores, mas sem que a iniciativa tenha sido sua, pois ambos foram chamados. A massa de que eram feitos era a mesma – eram grandes pecadores; as origens, bem diferentes, um do grupo dos doze, conterrâneo, judeu, o outro, um pagão, perseguidor de Cristo em terras longínquas. A Cristo, o pecado, a diferença de temperamentos e de origens, não importa. É sobre esta dupla, que à luz dos nossos critérios dificilmente aconteceria, que a Igreja se constrói.

Estes princípios que nos revelam da comunidade que é a Igreja?

 

Desde o princípio, a Igreja é esta comunidade aberta à diferença, onde todos são chamados e têm lugar; ou seja, há diferentes maneiras de ser cristão, são muitos os caminhos e as possibilidades de seguir Cristo e O levar aos homens e mulheres do nosso tempo. A Igreja é querida por Cristo como sacramento de salvação, e a sua missão é bem maior do que os seus membros, pois é através de homens e mulheres fracos que a Igreja anuncia Cristo vencedor do mal e da morte. O Senhor confia-Se, não a puros e perfeitos, mas a pecadores como nós.

Uma alegria e um dom que se tornam também uma grande missão porque nos torna¸ ainda que pecadores, corresponsáveis na missão da igreja e da construção do reino de Deus entre nós.

Uma pergunta que exige uma resposta comprometedora

«E vós, quem dizeis que eu sou?»

E eu? E tu? Quem é Jesus Cristo para mim… para ti?

É uma pergunta incontornável. Pedro e Paulo não lhe resistiram, deixaram-se seduzir por Alguém mais forte que eles com quem conformaram toda a sua vida.

Face a face comigo mesma, face a face com o Senhor que no silêncio do encontro ou na azáfama da vida me fala, no mais íntimo de mim, onde ninguém pode entrar, ouvir ou espreitar, onde eu não me posso trair – que resposta Lhe dou? Quem é Cristo para mim? Contar com Ele na minha vida, onde me leva?

A Pedro, que na docilidade ao Espírito respondeu, rendido ao Messias esperado mas sempre inesperado, Cristo declarou «Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja….»

A identidade de Pedro é confirmada pela resposta dada. Sabendo quem é Cristo, fica a saber quem é ele e para que serve a sua vida. Aí está o seu princípio, o seu fundamento, o sentido para o qual deve convergir a sua existência.

Hoje, se à luz do dia, das nossas relações, sob os ruídos da vida, um amigo, um colega, um vizinho, um desconhecido me perguntar «Quem é Cristo para ti, que lugar Lhe dás na tua vida?»

Da resposta encontrada e do que a nossa vida falar, virá a resposta para os outros. Do que realmente for a presença de Cristo em nossas vidas, dependerá continuarmos a ser, nós, pecadores, no século XXI, fundadores como Pedro e Paulo, construtores da Igreja onde não há uma só forma de ser, de estar, de celebrar, de rezar, mas onde o que conta é sabermo-nos filhos do mesmo Pai, chamados pelo mesmo Senhor, convidados a anunciar uma Boa Notícia que não é invenção nem de inspiração humana.

Que São Pedro e São Paulo, tão diferentes um do outro, mas ambos chamados e seduzidos pelo amor do mesmo Deus, nos ajudem a sermos capazes de incluir, de entrar e nos mantermos em diálogo com os que são e pensam diferente de nós.

 

Fala o Santo Padre

 

Queridos irmãos e irmãs!

 

Hoje a Igreja de Roma festeja as suas santas raízes, celebrando os Apóstolos Pedro e Paulo, cujas relíquias estão conservadas nas duas Basílicas a eles dedicadas e que ornamentam a inteira Cidade amada pelos cristãos residentes e peregrinos. [...] A liturgia do dia repropõe a profissão de fé de Pedro em relação a Jesus: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo" (Mt 16, 16). Não é uma declaração fruto de raciocínio, mas uma revelação do Pai ao humilde pescador da Galileia, como confirma o próprio Jesus, dizendo: "não foram a carne nem o sangue quem to revelaram" (Mt 16, 17). Simão Pedro estava tão próximo do Senhor que se tornou ele mesmo uma rocha de fé e de amor sobre a qual Jesus edificou a sua Igreja e a "tornou – como observa São João Crisóstomo – mais forte do que o próprio céu" (Hom. in Matthaeum 54, 2: pg 58, 535). Com efeito, o Senhor conclui dizendo: "Tudo quanto ligares na terra ficará ligado nos céus, e tudo quanto desligares na terra será desligado nos céus" (Mt 16, 19).

São Paulo – de quem recentemente celebrámos o bimilénio do nascimento – com a Graça divina difundiu o Evangelho, semeando a Palavra de verdade e de salvação entre os povos pagãos. Os dois Santos Padroeiros de Roma, embora tenham recebido de Deus carismas diversos e missões diferentes para cumprir, são ambos fundamentos da Igreja una, santa, católica e apostólica, "permanentemente aberta à dinâmica missionária e ecuménica, porque enviada ao mundo a anunciar e testemunhar, actualizar e propagar o mistério de comunhão que a constitui" (Congregação para a Doutrina da Fé, Communionis notio, 28 de Maio de 1992, n. 4, AAS 85 [1993], 840). [...]

 

Papa Bento XVI, Praça de São Pedro, Angelus, 29 de Junho de 2010

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Na solenidade dos santos apóstolos São Pedro e São Paulo,

apresentemos a Deus Pai as nossas súplicas,

pelas necessidades de todo o mundo,

dizendo (ou: cantando), cheios de esperança:

 

R. Iluminai, Senhor, o vosso povo.

 

1. Pela santa Igreja fundada sobre Pedro,

para que ela sinta, no meio das dificuldades deste mundo,

a força de Deus que a conduz à salvação,

oremos, irmãos.     

 

2. Pelo Papa Bento XVI., sucessor do apóstolo São Pedro,

para que confirme na fé os seus irmãos

e seja sinal da unidade da Igreja,

oremos, irmãos.     

 

3. Pelos bispos e presbíteros mais idosos,

e por todos os que estiveram ao serviço do povo de Deus,

para que Jesus Cristo os assista e lhes dê força,

oremos, irmãos.

 

4. Por todos os que, a exemplo de São Paulo,

anunciam o Evangelho de Jesus,

para que Ele os livre de todo o mal,

oremos, irmãos.

 

5. Pelos perseguidos por causa da sua fé,

para que a oração perseverante da Igreja

lhes obtenha a paz e a liberdade,

oremos, irmãos.    

 

6. Pela nossa comunidade (paroquial),

para que viva na paz e na concórdia

e bendiga a Deus, que guia a Sua Igreja,

oremos, irmãos.    

 

Deus, clemente e cheio de compaixão,

atendei o povo que Vos suplica

e, por intercessão dos apóstolos São Pedro e São Paulo,

concedei-nos o que humildemente Vos pedimos.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tu és Pedro, M. Simões, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oração dos santos Apóstolos acompanhe a oferta que trazemos ao vosso altar e nos una intimamente a Vós ao celebrarmos este divino sacrifício. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

A dupla missão de São Pedro e São Paulo na Igreja

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

v. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

v. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte.

Vós nos concedeis a alegria de celebrar hoje a festa dos santos apóstolos Pedro e Paulo: Pedro, que foi o primeiro a confessar a fé em Cristo, e Paulo, que a ilustrou com a sua doutrina; Pedro, que estabeleceu a Igreja nascente entre os filhos de Israel, e Paulo, que anunciou o Evangelho a todos os povos; ambos trabalharam, cada um segundo a sua graça, para formar a única família de Cristo; agora, associados na mesma coroa de glória, recebem do povo fiel a mesma veneração.

Por isso, com todos os Anjos e Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: J. Santos, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Assíduos à fracção do Pão e ao ensino dos Apóstolos, sejamos um só coração e uma só alma.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, eu creio que sois Cristo, F. da Silva, NRMS 67

Mt 16, 16.18

Antífona da comunhão: Disse Pedro a Jesus: Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo. Jesus respondeu: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.

 

Cântico de acção de graças: Povos da terra, louvai ao Senhor, M. Simões, NRMS 55

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com este sacramento, concedei-nos a graça de vivermos de tal modo na vossa Igreja que, assíduos à fracção do pão e ao ensino dos Apóstolos, sejamos um só coração e uma só alma, solidamente enraizados no vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Levemos connosco o testemunho e o exemplo dos santos Apóstolos. Que São Paulo e São Pedro nos despertem a consciência de que se cristão é mais do que um credo ou cumprir leis. Nós, à semelhança deles, saibamos viver a nossa fé na alegria e na fidelidade.

Como escreveu Santo Agostinho sobre esta festa: Amemos e imitemos a sua fé e a sua vida, os seus trabalhos e sofrimentos, o testemunho que deram e a doutrina que pregaram.

 

Cântico final: Ide por todo o mundo e proclamai, J. Santos, NRMS 59

 

 

Homilia FeriaL

 

5ª Feira, 30-VI: A fé e a generosidade.

Gen 22, 1-19 / Mt 9, 1-8

Toma o teu filho, o teu único filho, que tanto amas, Isaac, e vai à terra de Maria. Aí o hás-de oferecer em holocausto.

A Prece Eucarística I recorda a oblação de Isaac: «Dignai-vos aceitar esta oferenda, como aceitastes o sacrifício de Abraão, nosso pai na fé». Neste sacrifício de Isaac está o anúncio do sacrifício de Jesus, que leva a sua cruz às costas até ao Calvário, e actualizado na Santa Missa.

Falta de fé tinham os escribas, que só pensavam na cura do paralítico e não no perdão dos pecados. Mas Jesus louva a fé dos que levaram o paralítico: «Confiança meu filho, os teus pecados são-te perdoados» (Ev.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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