aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

 

SUDÃO DO SUL

 

IGREJA PREPARA-SE

PARA A INDEPENDÊNCIA

 

A Igreja católica no Sudão do Sul, território africano que a 9 de Julho se vai tornar o mais novo país do mundo, foi uma das instituições que mais contribuiu para a sua independência.

 

“Como em Timor, a Igreja funcionou como um pólo agregador da população e de resistência, ao mesmo tempo que se envolvia em projectos de desenvolvimento social”, afirmou a directora executiva da Fundação Evangelização e Culturas (FEC), de Lisboa, Susana Réfega.

A responsável, que em Março visitou a capital da região, Juba, para conhecer iniciativas que possam vir a ser apoiadas pelo organismo que dirige, realçou que “a Igreja teve um papel muito importante por ter sido resistência durante muito tempo”.

Além de questionar a tentativa de impor a sharia (lei islâmica), Susana Réfega considera que os católicos foram determinantes na mobilização para o referendo realizado em Janeiro, que resultou na decisão de criar um novo Estado.

O Sudão do Sul, cuja maioria dos 8,5 milhões de habitantes é cristã (o Norte é predominantemente muçulmano), vai ocupar uma área seis vezes maior do que a superfície de Portugal continental.

Susana Réfega salientou também a acção dos católicos na consolidação da paz e da identidade nacional, num Estado “muito marcado pela guerra civil que durou muitos anos, e por isso tem feridas a cicatrizar”.

O conflito que desde Fevereiro de 2003 atinge o Darfur, na região ocidental do Sudão, é descrito pela ONU como uma das piores crises humanitárias que, além de ter causado 400 mil mortos, destruiu aldeias inteiras e atingiu cerca de 3,6 milhões de pessoas.

 

 

TIMOR-LESTE

 

CONORDATA COM SANTA SÉ

EM PREPARAÇÃO

 

O bispo de Baucau, D. Basílio do Nascimento, disse no passado dia 14 de Abril que se está ainda longe do acordo sobre a Concordata que irá regular as relações entre a Santa Sé e o Estado timorense.

 

D. Basílio do Nascimento falava aos jornalistas no final da primeira reunião da comissão mista encarregada de preparar o acordo, afirmando que “há tempo para abrir caminhos e fazer ajustamentos”.

“Esta reunião vem na sequência de uma solicitação do Governo timorense, através de uma iniciativa pessoal do primeiro-ministro, Xanana Gusmão, que fez saber ao Vaticano que o Estado timorense estava muito interessado numa negociação. O acordo evidentemente que também interessa à Santa Sé, que pediu à Igreja timorense que elaborasse um texto, que demorou dois anos a ser preparado”, esclareceu o prelado.

Segundo o bispo de Baucau, a reunião foi um primeiro passo para a “materialização de ambas as vontades”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Zacarias Albano da Costa, salientou que o Governo de Timor-Leste “considera que é importante ainda este ano celebrar o acordo com a Santa Sé”.

Entre os “aspectos essenciais” definidos pela representação do Vaticano está “o reconhecimento da parte do Estado de personalidade jurídica à Igreja Católica e o direito da Igreja a organizar as suas escolas, e mesmo a poder vir a ter o seu ensino superior”.

Ambas as partes concordaram em realizar uma nova reunião da comissão mista em Junho e, até lá, “os técnicos do Estado timorense e da delegação do Vaticano vão reunir para verem os termos e fazerem ajustamentos do texto”, segundo referiu D. Basílio do Nascimento.

 

 

HUNGRIA

 

NOVA CONSTITUIÇÃO

EXEMPLAR

 

A Hungria aprovou por ampla maioria uma nova Constituição que reconhece o respeito da vida humana desde a concepção, assim como o valor central da família, o matrimónio entre um homem e uma mulher e a liberdade de educação, além do papel do cristianismo na pervivência da nação.

 

Não é de estranhar que a opinião actualmente dominante a acuse de violar os standards europeus.

O facto de que a Hungria tenha uma nova Constituição deveria ser motivo de satisfação para a Europa, pois é o último país do antigo bloco soviético a desembaraçar-se da constituição comunista. O impulso do texto deve-se ao primeiro ministro Viktor Orbán, líder do partido conservador Fidesz, que tem uma maioria de dois terços no Parlamento. A nova Constituição húngara, aprovada no passado dia 18 de Abril e ratificada pelo Presidente da República no dia 25 de Abril seguinte, substitui a de 1949 e entrará em vigor em 1 de Janeiro de 2012. Dos 384 deputados do Parlamento, 262 aprovaram a Constituição, 44 votaram contra, 1 absteve-se e 77 saíram sem votar como protesto.

Chama a atenção o Preâmbulo que reconhece “o papel do cristianismo na pervivência da nação”. Na verdade, é a primeira vez na Europa do séc. XXI esta atitude decidida de não renunciar à própria história nem à origem dos valores que forjaram os actuais. Para aqueles que temem uma possível falta de respeito pela liberdade religiosa, basta recordar que é precisamente a Igreja católica do Vaticano II que garante melhor a liberdade religiosa na época actual.

“A vida do feto deverá ser protegida desde o momento da concepção” – lê-se na Constituição. Em boa verdade, é a explicitação correcta da Carta de Direitos Fundamentais da União Europeia (2000), onde se diz que “toda a pessoa tem direito à vida”, e da Declaração Universal de Direitos Humanos (1948), onde se afirma que “todo o indivíduo tem direito à vida”.

A Constituição estabelece também que o Estado protegerá “a instituição do matrimónio como uma comunidade de vida entre um homem e uma mulher e a instituição da família”. Na Europa, esta precisão do significado do matrimónio só aparece na Constituição da Polónia de 1997, embora se desprenda da maioria das outras Constituições.

Como se vê, trava-se uma batalha entre duas concepções opostas de sociedade: a da tradição cristã que conformou a Europa e outra fruto de um individualismo materialista que se vai generalizando sob o pretexto da liberdade sem limites.

No fundo, o que fizeram os húngaros foi tomarem medidas para salvaguardar o país e a sociedade de aventuras irresponsáveis. Para alterar a Constituição será preciso a mesma maioria que a aprovou: pelo menos, dois terços de votos. 

A população da Hungria é de 10 milhões, dos quais 52% são católicos e 19% reformados (protestantes).

 

 

PAQUISTÃO

 

SOBRE A MORTE DE

BIN LADEN

 

Interpelado pelos jornalistas a propósito da morte de Osama Bin Laden. líder da Al-Qaeda, pelos comandos norte-americanos, o porta-voz da Santa Sé, padre Frederico Lombardi, S.J., fez a seguinte declaração no passado dia 2 de Maio:

 

“Osama Bin Laden – como todos sabemos – teve a gravíssima responsabilidade de difundir divisão e ódio entre os povos, causando a morte de inumeráveis pessoas, e de instrumentalizar as religiões para este fim.

“Perante a morte de um homem, um cristão nunca se alegra, mas reflecte sobre as graves responsabilidades de cada um perante Deus e os homens, e espera e empenha-se para que qualquer acontecimento não seja ocasião de ulterior crescimento do ódio, mas de favorecer a paz”.

 

Em Fátima, o novo presidente eleito da Conferência Episcopal Portuguesa, Cardeal D. José Policarpo, Patriarca de Lisboa, comentou assim o anúncio da morte de Bin Laden:

“Tenhamos todos consciência de uma coisa e penso que os grandes poderes mundiais têm de a ter: a violência nunca é solução para nada. Se a notícia tivesse sido dada «tentámos prender o senhor, houve resposta de tiroteio e num tiroteio o senhor morreu»… agora dizer «matámo-lo, finalmente conseguimos matá-lo», é contra toda uma antropologia, é a dignidade da pessoa humana que está em questão”.

Para o Cardeal-patriarca de Lisboa, “a maneira como isto acabou é triste”, reafirmando que “a violência gera sempre violência”.

“Ao longo da história esta é uma das componentes que nós devíamos todos, os responsáveis das nações, meditar muito: a violência nunca é solução para nada, a não ser que ela seja inevitável na autodefesa; agora, a violência como método, não é solução para nada”, declarou.

 

 

ESPANHA

 

JORNADA MUNDIAL COM COBERTURA DE RÁDIO E TV

 

As Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) deste ano, em Madrid, vão poder ser acompanhadas em permanência através de um serviço de televisão e rádio on-line.

 

“É a primeira vez que há uma rádio oficial das Jornadas, e ela apresenta-se como um serviço ao peregrino, em inglês, francês, italiano, alemão e português, uma forma simples e económica de todos poderem acompanhar este evento” – sublinha Estéban Munilla.

Trata-se do director da Rádio Maria, que vai ceder as suas instalações e frequências (96,9 FM e 90,7 FM) para a concretização deste projecto, que estará disponível através do site radio.madrid11.com.

No que diz respeito aos profissionais de rádio e voluntários para assegurarem a emissão, estes serão fornecidos pela Rádio da Universidade de Navarra.

Todos aqueles que não puderem estar presentes no Encontro mundial de jovens, entre 16 e 21 de Agosto, vão poder também acompanhar as iniciativas através de uma WebTV, em tv.madrid11.com.

“Desde o primeiro dia do certame, teremos 6 horas diárias de emissão, e acompanharemos todos os actos presididos pelo Papa Bento XVI, os momentos de catequese e as actividades culturais” – garantiu Loreto Corredoira, responsável pela Madrid 11 TV.

Os programas vão ser também difundidos, em horário nocturno, para as populações da Ásia e da América.

 

 

BRASIL

 

SOLIDARIEDADE COM OS POVOS INDÍGENAS

 

A Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) concluiu no passado dia 13 de Maio a sua 49.ª Assembleia geral, deixando uma nota de solidariedade aos povos indígenas, ao falar no seu “sofrimento e injustiça”.

 

 “Vivem no meio da floresta, mas têm suas vidas ameaçadas pelos grandes projectos governamentais, muitos deles parte do Programa Nacional de Aceleração do Crescimento, que avançam sobre os seus territórios tradicionais”, alerta a CNBB.

“A condição de vulnerabilidade em que se encontram expõem-nos ao permanente risco de extinção em consequência dos sérios danos causados por muitas dessas obras, que se demonstram altamente prejudiciais ao próprio meio ambiente”, destacam os bispos sobre as populações indígenas.

A CNBB quer “sensibilizar a sociedade brasileira e chamar a atenção do Governo federal para que cumpra o seu dever constitucional de demarcar e proteger todas as terras tradicionalmente ocupadas”.

Os bispos divulgaram ainda uma “Moção de apoio” à Frente Parlamentar Mista em defesa da Vida-Contra o aborto:

“Nós, Bispos Católicos do Brasil, reunidos em Aparecida, não poderíamos deixar de manifestar o nosso elogio e apoio à Frente Parlamentar mista contra o aborto, pelo exemplar testemunho humanitário em favor da natalidade da pessoa humana, cuja dignidade é inviolável”.

Uns dias antes fora eleito novo Presidente da CNBB o Cardeal Raymundo Damasceno Assis, de 74 anos, arcebispo de Aparecida desde 2004, e antigo Presidente do CELAM.

 

 

FRANÇA

 

O PÁTIO DOS GENTIOS

 

Uma festa de luz e som em Paris encerrou a primeira iniciativa internacional do «Pátio dos Gentios», que decorreu em 24 e 25 de Março passado.

 

A nova estrutura da Santa Sé para o diálogo com os não crentes incluiu a realização de um ciclo de três conferências sobre a relação entre a fé e a razão, com a presença de representantes da Igreja, filósofos, escritores e académicos. O nome «Pátio dos Gentios» (Il Cortile dei gentili) evoca o espaço homónimo que, no antigo Templo de Jerusalém, estava aberto aos não judeus.

A sede da UNESCO, a Universidade de Sorbonne e a Academia de França foram os locais escolhidos para um encontro de “busca” e “diálogo”, segundo o cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício da Cultura (CPC). Para ele, o termo “crente” não indica “alguém que acreditou de uma vez para sempre”, mas quem “renova o seu Credo, sem cessar”.

Quanto ao diálogo, o cardeal Ravasi falou num uso “partilhado” da razão, num confronto que “deve ser conduzido com liberdade e rigor, sem exclusivismos radicais ou sincretismos fáceis”. Crentes e não crentes, acrescentou, devem aceitar “o desafio de se encontrarem em território desconhecido”, promovendo um “diálogo sério e fecundo”.

“Com simplicidade e sem grandes pretensões, os diálogos como aquele que agora começamos podem oferecer o silêncio luminoso da reflexão e o calor da esperança”, concluiu.

Economia, política, direito, poesia e teologia estiveram presentes em diversas intervenções, que evitaram um tom polémico e se mostraram centrais nas “grandes interrogações” do ser humano, incluindo a “questão de Deus”.

A iniciativa concluiu-se no adro da catedral de Notre Dame, com uma “vigília de diálogo”, com música e teatro, especialmente direccionada para os jovens. A catedral estava aberta para os que desejavam entrar em “silêncio e oração”, juntando-se à vigília promovida pela comunidade ecuménica de Taizé.

No entender do padre Tolentino Mendonça, director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, iniciativas como as de Paris “são o reflexo do esforço de encontro e diálogo que a Igreja pretende promover com o mundo contemporâneo, onde a presença dos não crentes é uma realidade muito forte”.

Depois da capital francesa, as actividades do «Pátio dos Gentios» vão passar por Florença (Itália), Tirana (Albânia), Estocolmo (Suécia), Berlim (Alemanha), Moscovo (Rússia), Quebeque (Canadá), Praga (República Checa), Chicago e Washington (EUA).

 


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