Baptismo do Senhor

09 de Janeiro de 2005

Festa

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Abriram-se os céus, Az. Oliveira, NRMS 80

cf Mt 3, 16-17

Antífona de entrada: Depois do Baptismo do Senhor, abriram-se os Céus. Sobre Ele desceu o Espirito Santo em figura de pomba e fez-Se ouvir a voz do Pai: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências».

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia da Igreja, depois de nos ter apresentado há oito dias a Epifania de Belém, coloca-nos hoje perante a Epifania do Jordão.

É o mesmo Deus feito Menino que agora adoramos e contemplamos no início da vida pública. Então era o Messias prometido, o Rei dos Judeus que o Magos procuravam. Hoje é o Messias testemunhado pelo Pai, o Filho de Deus a iniciar a missão messiânica, o ministério público prometido desde os séculos e preparado pelos profetas.

Alia-se a infância de Jesus à sua vida pública. O Baptismo do Jordão será consumado no Baptismo do calvário. A missão redentora investida no Jordão terá o ápice no calvário.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que proclamastes solenemente a Cristo como vosso amado Filho quando era baptizado nas águas do rio Jordão e o Espírito Santo descia sobre Ele, concedei aos vossos filhos adoptivos, renascidos pela água e pelo Espírito Santo, a graça de permanecerem sempre no vosso amor. Por Nosso Senhor...

ou

Deus omnipotente, cujo Filho Unigénito Se manifestou aos homens na realidade da nossa natureza, concedei-nos que, reconhecendo-O exteriormente semelhante a nós, sejamos por Ele interiormente renovados. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A dignidade cristã é configurar-se com Cristo, nosso irmão.

 

Isaías 42, 1-4.6-7

Diz o Senhor: 1«Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações. 2Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; 3não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: 4proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam. 5Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; 6tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, 7para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas».

 

Este texto pertence ao primeiro dos quatro «cantos do Servo de Yahwéh», dispersos pelo Segundo Isaías (Is 40 – 55), mas que, na origem, talvez fizessem parte de um único poema.

«Eis o meu servo». Trata-se de um mediador através do qual Deus levará a cabo o seu plano de salvação. Torna-se difícil determinar quem é designado em primeiro plano, se é uma personalidade individual (um rei de Judá, o profeta, ou o messias), ou uma colectividade (todo o povo de Israel ou parte dele), ou um indivíduo que como símbolo de todo o povo. O nosso texto deixa ver uma personagem deveras misteriosa, humilde (vv. 2-3) e poderosa (v. 4.7), escolhida por Deus e com uma missão universal (v. 1.6). Pondo de parte a complexa e discutida questão da personalidade originária deste magnífico poema, o certo é que o Novo Testamento está cheio de ressonâncias deste texto, vendo-se mesmo, nesta figura singular, um anúncio do Messias, com pleno cumprimento na pessoa de Jesus (v. 1: cf. Mt 3, 17 e Lc 9, 35; vv. 2-4: cf. Mt 12, 15-21; v. 6: Lc 1, 78-79 e 2, 32 e Jo 8, 12 e 9, 5; v. 7: Mt 11, 4-6 e Lc 7, 18-22). É evidente que foi escolhida esta leitura para hoje porque, assim como Deus, pelo Profeta, apresenta o seu servo «enlevo da minha alma», sobre quem «fiz repousar o meu espírito», assim também no Jordão Jesus é apresentado (cf. Evangelho de hoje e paralelos).

 

Salmo Responsorial    Salmo 28 (29), 1a.2.3ac-4.3b.9b-10 (R. 11b)

 

Monição: Olhando para os dons com que somos enriquecidos pelo Senhor, a atitude mais correcta é a acção de graças permanente.

 

Refrão:        O Senhor abençoará o seu povo na paz.

 

Tributai ao Senhor, filhos de Deus,

tributai ao Senhor glória e poder.

Tributai ao Senhor a glória do seu nome,

adorai o Senhor com ornamentos sagrados.

 

A voz do Senhor ressoa sobre as nuvens,

o Senhor está sobre a vastidão das águas.

A voz do Senhor é poderosa,

a voz do Senhor é majestosa.

 

A majestade de Deus faz ecoar o seu trovão

e no seu templo todos clamam: Glória!

Sobre as águas do dilúvio senta-Se o Senhor,

o Senhor senta-Se como Rei eterno.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Pedro recorda-nos uma verdade por vezes esquecida. Tão inclinados a estabelecer comparações e fazer juízos desfavoráveis lembremos a bondade infinita de Deus que não faz acepção de pessoas.

 

Actos dos Apóstolos 10, 34-38

Naqueles dias 34Pedro tomou a palavra e disse: «Na verdade, eu compreendo que Deus não faz acepção de pessoas, 35mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável. 36Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. 37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: 38Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio, porque Deus estava com Ele».

 

Temos aqui uma pequenina parte do discurso de Pedro em casa do centurião Cornélio em Cesareia. quando recebeu directamente na Igreja os primeiros gentios, sem terem de judaizar. É surpreendente que um discurso dirigido a não judeus contenha alusões (não citações explícitas) ao Antigo Testamento: v. 34 – «Deus não faz acepção de pessoas» (cf. Dt 10, 17); v. 36 – «Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel» (cf. Salm 107, 20); «anunciando a paz» (cf. Is 52, 7); v. 38 «Deus ungiu com… Espírito Santo» (cf. Is 61, 1). Isto corresponde a que se está num ponto crucial da vida da Igreja, em que ela entra decididamente pelos caminhos da sua universalidade intrínseca, em confronto com o nacionalismo judaico; por isso era importante recorrer àquelas passagens do A. T. que se opõem a qualquer espécie de privilégio de raça ou cultura: «a palavra aos filhos de Israel» deixa ver como Deus é o «Senhor de todos», imparcial, «não faz acepção de pessoas», e que a «paz», a súmula de todos os bens messiânicos, Deus a destina a toda a humanidade. O discurso tem um carácter kerigmático evidente; e Lucas – o historiador-teólogo – ao redigi-lo, quaisquer que possam ter sido as fontes utilizadas, terá em vista, mais ainda do que a situação concreta em que foi pronunciado, o efeito a produzir nos seus leitores. Convém notar que, no entanto, ao redigir os discursos – o grande recurso de Actos –, Lucas não os inventa; embora não sejam uma reprodução literal, considera-se que correspondem aos temas da pregação primitiva.

38 «Ungiu do Espírito Santo». Estamos aqui em face de uma expressão simbólica tipicamente hebraica, alusiva à união misteriosa com o Espírito Santo (algo que pertence ao mistério trinitário, o ser e missão de Jesus, que se torna visível na sua Humanidade, na teofania do Jordão). É clara a referência a textos do A. T. de grande densidade messiânica, como Is 11, 2; 61, 1 (cf. Lc 2, 18). Ver supra nota à 1.ª leitura do 3.º Domingo do Advento.

 

Aclamação ao Evangelho       Mc 9, 6

 

Monição: Que melhor podemos dizer do que a voz do céu acerca de Jesus: Este é o meu Filho muito amado?

 

Aleluia

 

Abriram-se os céus e ouviu-se a voz do Pai:

«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O».

 

Cântico: F da Silva, 73-74

 

 

Evangelho

 

São Mateus 3, 13-17

Naquele tempo, 13Jesus chegou da Galileia e veio ter com João Baptista ao Jordão, para ser baptizado por ele. 14Mas João opunha-se, dizendo: «Eu é que preciso de ser baptizado por Ti e Tu vens ter comigo?» 15Jesus respondeu-lhe: «Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça». João deixou então que Ele Se aproximasse. 16Logo que Jesus foi baptizado, saiu da água. Então, abriram-se os céus e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre Ele. 17E uma voz vinda do céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência».

 

14 «Eu é que preciso…». Assim fica bem clara a absoluta superioridade de Jesus em frente da excepcional figura de João.

15 «Convém que assim cumpramos toda a justiça», isto é, todo o plano estabelecido por Deus em ordem à salvação do homem. Jesus ao querer ser baptizado por João não pretende tornar-se seu discípulo, nem converter-se; no relato Jesus não visa apenas apresentar um exemplo de humildade e de acatamento da missão de um extraordinário enviado de Deus tão importante, mas quer sobretudo realizar uma espécie de «acção simbólica», à maneira dos antigos Profetas: Ele, que era a Vida (Jo 1, 4;14, 6), entra em contacto com a água para indicar que lhe dava força vivificante e a tornava matéria do seu futuro Baptismo. Esta foi a ocasião escolhida por Deus para, logo no início da vida pública de Jesus, nos ser dado um sinal da sua divindade. Foi, por assim dizer, a sua apresentação pública como Messias e Filho de Deus, credenciado pelo Espírito Santo (v. 16: «como uma pomba») e pelo Pai (v. 17: «a voz vinda dos Céus» – a bat qol – um grande motivo de credibilidade na época). A Liturgia quer fazer-nos lembrar que a Santíssima Trindade que se manifesta no Baptismo do Senhor toma posse da nossa alma no nosso Baptismo.

Pode-se notar que o Baptismo de Jesus é descrito com elementos do género apocalíptico, que ainda continuam a ser expressivos para nós como sinais da inauguração da absolutamente nova relação de Deus com a Humanidade. Assim: «O Céu abriu-se», uma imagem a partir da ideia de então de que o firmamento era como uma superfície esférica de cristal compacto, a separar a terra do céu, por isso, para o Espírito descer, o céu tinha que se abrir; mas já S. Jerónimo (in Math I, 3) advertia que «não são os elementos que se abrem, mas sim os olhos do espírito»; este «abrir dos Céus» é o prelúdio da nova relação de Deus com o homem; «o Espírito Santo desceu… como uma pomba», o que pressupõe a concepção do A. T. e do Antigo Médio Oriente segundo a qual a pomba sempre foi associada ao mundo divino, um símbolo bem adequado para indicar a inauguração dos novos tempos; o relato não quer dizer-nos que antes o Espírito Santo estaria ausente de Jesus, mas quer revelar-nos quem é Jesus, por isso, «fez-se ouvir uma voz…», que identifica quem é Jesus: Ele é o Filho de Deus, em quem está presente o Espírito Santo. Desde a exegese patrística até a autores modernos, tem-se visto, no Baptismo de Jesus, uma revelação do mistério trinitário.

Esta narrativa é um convite para reconhecer quem é Jesus e para avaliar o valor do Baptismo, semelhante ao de Jesus, mas diferente do de João; tenha-se em conta o paralelismo desta perícope com a fórmula baptismal trinitária do final de Mateus (28, 18). No Baptismo de Cristo podemos apreciar como actua em nós o Sacramento, pois para nós se abrem os Céus fechados pelo pecado; desce o Espírito Santo com a sua graça, que nos renova e torna templos seus; ficamos a ser filhos de Deus muito amados.

O relato não é uma invenção literária para transmitir uma ideia sobre Jesus: é algo que se encontra na tradição primitiva, bem documentado no N. T.: Act 1, 21-22, 4, 27, 10, 38; Jo 1, 26-34; Mt 3, 13-17; Mc 1, 9-11; Lc 3, 21-22. O facto de o baptismo de Jesus ser uma coisa difícil de compreender pelas primeiras comunidades abona a favor do seu valor histórico (ver J. M. Casciaro, Jesus de Nazaré, Ed. Distribuidora Diel, 1999, cap. 5).

 

Sugestões para a homilia

 

O Baptismo de Jesus

O Filho de Deus

O nosso baptismo

O Baptismo de Jesus

O Filho de Deus, o Messias esperado, recebe o maior testemunho da divindade no momento do Baptismo. Patenteia-se a investidura de Cristo quando os céus se abrem, se manifesta o Espírito Santo, e o Pai fala: Este é o meu Filho muito amado.

Não é possível aceitar a revelação sem reconhecer a novidade apontada neste momento de mistério e de graça. Para quantos se encontram nesta acção eucarística, a verdade proclamada é bem séria e reveladora do cumprimento da promessa: o Messias havia de vir ao mundo para realizar a salvação. … Fiz de ti a luz das nações (1.ª leit.ª). De facto, o Filho de Deus que se apresenta é, Ele mesmo, a Palavra do Pai, o Mestre das almas, o guia perfeito para o caminho dos homens: escutai-O.

Escutar Jesus é dar-se conta de que o Reino já chegou, que a conversão é urgente, que a vida deste mundo é breve, que vale a pena trabalhar pela vida eterna, pela felicidade, tomar o jugo do próprio dever, da sua vocação, para se configurar com o Messias que inaugura o ministério da vida pública. Aceitar o filho de Deus implica compromissos totais e definitivos. Ele está para chamar: vem e segue-Me. Deus não faz acepção de pessoas, anuncia a paz por Jesus Cristo que é o Senhor de todos (2.ª leit.)

O Filho de Deus

É fundamental e decisivo. O Filho de Deus é o próprio Deus feito homem investido na sua missão messiânica: Filipe, quem Me vê, vê o Pai… É o único Senhor da nossa vida; não fostes vós que Me escolhestes… Senhor exigente que paga cem por um: quem quiser vir após Mim, tome a sua cruz e siga-Me.

Seguir o Filho de Deus é um dever de afirmar a fé no Espírito no meio de um mundo que apenas coloca a esperança no pó desta terra, é tomar atitudes difíceis de justiça em ambiente tentador e hipócrita, e saber orientar os comportamentos correctos no meio das seduções hedonistas da propaganda do prazer e da facilidade; é amar o próximo de todo o coração, sem reservas, em contraste com o incitamento permanente ao ódio e à violência, tomar consciência de que todo o ser humano tudo deve ao Criador, vencer as insinuações ateias ou indiferentes de pseudo-intelectuais a manifestarem uma consciência ignorante de quem não se apercebe que sem a protecção divina nada vale.

Só uma humanidade cega pode negar o Deus da vida, e do mundo e fechar os ouvidos à voz do céu. Só uma sociedade enganada por publicidade irresponsável de ateísmo consumista pode desviar os olhos de Deus. Todos precisamos de voltar ao Jordão, olhar o céu, seguir o conselho do precursor, escutar a voz do Pai. Contemplar, amar e seguir o Messias para O escutar. Deixar-se envolver no seu gesto salvador, seguir os seus passos, acolher a misericórdia divina.

Na festa do Baptismo do Senhor aqui estamos para exclamar: Jesus, sim, Tu és o Filho de Deus!

O nosso Baptismo

O santo Baptismo é o fundamento de toda a vida cristã. A Constituição Dogmática sobre a Igreja (LG 7) diz-nos que a vida de Cristo se comunica aos crentes através dos sacramentos pelos quais se reúnem de modo misterioso e real a Cristo que sofreu e foi glorificado. O baptizado configura-se com Cristo, torna-se nova criatura. Fomos todos baptizados para formar um só corpo. Os fiéis em Cristo, apesar de muitos formam um único corpo, guiados e unidos pelo mesmo Espírito. Todos os membros devem conformar-se com Ele até que neles se forme Cristo. O Baptismo de Jesus lembra-nos o nosso baptismo e as graças e obrigações daí decorrentes.

Filhos de Deus, membros da Igreja, pedras vivas, para a edificação de um edifício espiritual. O baptizado dá testemunho das virtudes e graças recebidas, professando a fé, vivendo a vida nova dos filhos de Deus, bem longe do comportamento dos pagãos. Edifica a Igreja pela prática das virtudes, segundo os critérios do Evangelho. Pela Confirmação vincula-se mais perfeitamente à Igreja e a Cristo, comprometido a difundir e a defender a fé por palavras e obras. Participa na Eucaristia que é a fonte e cume de toda a vida cristã, oferece a Deus a vítima divina e oferece-se a si mesmo com ela.

O baptizado purifica as suas fraquezas e pecados no sacramento da Penitência e participa da graça dos outros sacramentos conforme as necessidades e circunstâncias da sua vida.

Faz-se discípulo de Jesus Cristo, membro activo da Igreja e testemunha das bem-aventuranças segundo o projecto divino: desprendimento, misericórdia, fome de justiça…

 

Fala o Santo Padre

 

«O Menino, que os Magos adoraram como Rei messiânico, vêmo-lo hoje consagrado pelo Pai no Espírito Santo.»

 

1. «Este é o meu Filho amado, que muito me agrada» (Mt 3, 17). Há pouco voltámos a ouvir na leitura do Evangelho as palavras que ressoaram do céu, logo que Jesus foi baptizado por João no rio Jordão. Foi uma voz do alto que as pronunciou: a voz de Deus Pai. Elas revelam o mistério que hoje celebramos, o Baptismo de Cristo. Aquele Homem sobre o qual desce, como uma pomba, o Espírito Santo, é o Filho de Deus que assumiu da Virgem Maria a nossa carne para a redimir do pecado e da morte.

É a primeira manifestação pública da identidade messiânica de Jesus, depois da adoração dos Magos. Por isso, a liturgia aproxima o Baptismo à Epifania, com um salto cronológico de cerca de trinta anos: aquele Menino, que os Magos adoraram como Rei messiânico, vêmo-lo hoje consagrado pelo Pai no Espírito Santo.

2. No baptismo no Jordão delineia-se já claramente o «estilo» messiânico de Jesus: Ele vem como «Cordeiro de Deus», para assumir sobre si mesmo e para tirar o pecado do mundo (cf. Jo 1, 29.36). É assim que João Baptista O indica aos discípulos (cf. Jo 1, 36). Também nós, que no Natal celebrámos o grande evento da Encarnação, somos convidados a manter fixo o olhar em Jesus, rosto humano de Deus e rosto divino do homem.

3. Mestra insuperável de contemplação é Maria Santíssima. Se, humanamente, Ela devia sofrer ao ver Jesus deixar Nazaré, da sua manifestação recebia nova luz e força para a peregrinação da fé. O Baptismo de Cristo constitui o primeiro mistério da luz para Maria e para toda a Igreja. Possa ele iluminar o caminho de cada cristão!

 

João Paulo II, Angelus, 11 de Janeiro de 2004

 

Oração Universal

 

Irmãos, neste dia em que recordamos

o início do ministério messiânico de Jesus pela vida pública

e o testemunho do céu que revela a Trindade,

rezemos confiantes pelas necessidades da Igreja e do mundo.

 

1.  Pela Igreja, para que saiba ser dócil ao chamamento divino

e realize com audácia a missão de que é incumbida,

oremos ao Senhor.

 

2.  Por todos os membros da hierarquia

e pelos cristãos empenhados em viver com perfeição a graça do Baptismo,

oremos ao Senhor.

 

3.  Pelos que ocupam cargos de autoridade

para que os exerçam como serviço

e colaboração para um mundo mais justo,

oremos ao Senhor.

 

4.  Pelos que se entregam a Deus numa consagração total

para a edificação da Igreja,

oremos, ao Senhor.

 

5.  Pelas famílias, para que saibam reconhecer

o valor do próprio Baptismo e o dos filhos,

oremos ao Senhor.

 

6.  Pelos que sofrem enfermidades,

pelos cristãos de idade avançada,

para que recordando o próprio Baptismo sintam sempre

a protecção da graça que receberam,

oremos ao Senhor.

 

7.  Por todos nós aqui reunidos

para que nos tornemos cada dia uma Igreja

mais unida e santa à imagem de Cristo,

oremos ao Senhor.

 

Senhor Jesus Cristo, iluminai o nosso coração com a vossa palavra,

enriquecei-o com a vossa graça, a colhei as preces que hoje vos dirigimos,

vós que viveis e reinais com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Todos vós que fostes baptizados, B. Sousa, NCT 373

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que a Igreja Vos oferece, ao celebrar a manifestação de Cristo vosso Filho, para que a oblação dos vossos fiéis se transforme naquele sacrifício perfeito que lavou o mundo de todo o pecado. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

O Baptismo do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai Santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Nas águas do rio Jordão, realizastes prodígios admiráveis, para manifestar o mistério do novo Baptismo: do Céu fizestes ouvir uma voz, para que o mundo acreditasse que o vosso Verbo estava no meio dos homens; pelo Espírito Santo, que desceu em figura de pomba, consagrastes Cristo vosso Servo com o óleo da alegria, para que os homens O reconhecessem como o Messias enviado a anunciar a boa nova aos pobres.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Cristo inicia a vida pública. O céu confere-lhe a investidura solene. A sagrada Comunhão, recebida com fé, é uma investidura de grande responsabilidade para cada baptizado viver em cada circunstância da vida como filho adoptivo pelo Baptismo.

 

Cântico da Comunhão: O Espírito de Deus repousou sobre mim, Az. Oliveira, NRMS 58

Jo 1, 32.34

Antífona da comunhão: Eis Aquele de quem João dizia: Eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus.

 

Cântico de acção de graças: Vós que fostes baptizados, F. dos Santos, NCT 371

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais com este dom sagrado, ouvi benignamente as nossas súplicas e concedei-nos a graça de ouvirmos com fé a palavra do vosso Filho Unigénito para nos chamarmos e sermos realmente vossos filhos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Cristo inicia a vida pública. O cristão todos os dias que vem á Eucaristia reinicia a vida cristã na comunhão que lhe alimenta a vida.

 

Cântico final: Louvemos a Santíssima Trindade, J. Santos, NRMS 80

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

1ª SEMANA

 

2ª feira, 10-I: A implantação do Reino dos céus na terra.

Heb 1, 1-6 / Mc 1, 14-20

Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar a Boa Nova de Deus: o reino de Deus está próximo.

Cristo, o Filho de Deus feito homem, é a Palavra do Pai. N'Ele o Pai disse tudo (cf. Leit.).

Para levar a cabo a sua missão, Cristo escolhe igualmente os Apóstolos (cf. Ev.). Assim começa a implantação na terra do Reino dos céus, para «elevar os homens à participação na vida divina. E (o Pai) fá-lo reunindo os homens em torno ao seu Filho, Jesus Cristo. Esta reunião é a Igreja, a qual é na terra o 'germe e o princípio' do Reino de Deus» (CIC, 541). Também somos chamados a partilhar a vida íntima de Deus e a anunciar a Boa Nova do reino entre os nossos conhecidos.

 

3ª feira, 11-I: Colaboração na obra da Redenção.

Heb 2, 5-12 / Mc 1, 21-28

Que vem a ser isto? Uma nova doutrina e com que autoridade! Até manda nos espíritos impuros...

Jesus põe toda a sua vida ao serviço do mistério da Redenção, quando ensina, quando expulsa os espíritos impuros (cf. Ev.), e com a sua morte (cf. Leit.). «Este mistério está actuante em toda a vida de Cristo: já na sua Encarnação...; na vida oculta...; na palavra que purifica os seus ouvintes, nas curas e expulsões dos demónios, pelas quais toma sobre si as nossas enfermidades e carrega as nossas doenças; na ressurreição, pela qual nos justifica» (CIC, 517).

Todos somos chamados a ser corredentores, colaborando com a nossa vida de oração e de trabalho, com os nossos sacrifícios, com cada acção realizada em união com o Senhor.

 

4ª feira, 12-I: Cura à distância.

Heb 2, 14-18 / Mc 1, 29-39

Jesus curou muitas pessoas, que sofriam de várias doenças e expulsou muitos demónios.

«Jesus, pela sua morte, reduziu à impotência, aquele que tem o poder da morte» (Leit.). e curou muitos que sofriam de várias doenças (cf. Ev.).

Antes da Comunhão ouvimos: «Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo». E respondemos, com as palavras do centurião: «Senhor, eu não sou digno...». Jesus curou à distância o servo do centurião, dada a sua grande fé. Com fé peçamos-Lhe igualmente que cure as doenças da nossa alma e nos liberte das escravidões que nos prendem.

 

5ª feira, 13-I: A Última Ceia e o Coração de Jesus.

Heb 3, 7-14 / Mc 1, 40-45

Hoje, se ouvirdes a voz do Senhor, não queirais endurecer os vossos corações.

O nosso coração endurece quando é seduzido pelo pecado (cf. Leit.). Pelo contrário, o Coração de Jesus está cheio de misericórdia e cura o leproso (cf. Ev.).

Antes da última Páscoa que Jesus passou na terra, manifestou os sentimentos do seu Coração. «Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco, antes de padecer» (Lc 22, 15). Descobrimos que o coração de Jesus é a fonte e a expressão do seu infinito amor por cada um de nós. Ainda irá mais longe este amor quando o Senhor pronuncia as palavras da consagração: Isto é o meu Corpo.. Deseja ficar para sempre na nossa companhia.

 

6ª feira, 14-I: O amor para receber a Cristo.

Heb 4, 1-5. 11 / Mc 2, 1-12

Trazem-lhe então um paralítico, transportado por quatro homens.

Além da ajuda deste quatro amigos, o paralítico recebeu da parte do Senhor um grande bem: o perdão dos seus pecados (cf. Ev.). E assim ficou bem preparado para o encontro com Cristo.

Devemos igualmente estar muito bem preparados para irmos ao encontro do Senhor na Comunhão, se é preciso, recorrendo à Confissão. E depois, melhorando outras disposições: «A morada que Ele deseja é a alma de cada um; aí quer Ele descansar e que a pousada esteja bem arrumada, muito limpa, expurgada de tudo o que é terreno... com amor vem hospedar-Se na tua alma; com amor quer ser recebido» (S. João de Ávila).

 

Sábado, 15-I: A alegria de um auxílio oportuno.

Heb 4, 12-16 / Mc 2, 13-17

(Jesus): Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas aqueles que estão doentes.

Jesus não só cura as doenças como também perdoa os pecados: é o Médico de que os doentes (pecadores) precisam (cf. Ev.). Jesus convida os pecadores para a mesa do Reino, manifestando-lhes a sua misericórdia. A Ele nos devemos dirigir com grande confiança: «Vamos, cheios de confiança, ao trono da graça, a fim de alcançarmos a graça de um auxílio oportuno» (Leit.).

É esta misericórdia que devemos igualmente usar para com o próximo. Que saibam encontrar sempre em nós um 'auxílio oportuno' para cada caso: um sorriso, uma palavra de ânimo, de carinho, de compreensão.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          José Valentim Pereira Vilar

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha


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