Solenidade do Pentecostes

 

Missa do Dia

27 de Maio de 2012

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Espírito de Deus enche o universo, M. Simões, NRMS 58

Sab 1, 7

Antífona de entrada: O Espírito do Senhor encheu a terra inteira; Ele, que abrange o universo, conhece toda a palavra. Aleluia.

 

Ou

Rom 5, 5; 8, 11

O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que habita em nós. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos com muita alegria a festa do Espírito Santo. Ele é Deus, a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. É o Amor infinito que une o Pai e o Filho desde toda a eternidade.

 Ele veio encher o coração dos Apóstolos no dia de Pentecostes, inundando-os de alegria, de fortaleza, e de sabedoria.

 

Purifiquemos o nosso coração para que o Divino Paráclito o encha com o fogo de Deus, para celebrar bem os Santos Mistérios.

 

Oração colecta: Deus do universo, que no mistério do Pentecostes santificais a Igreja dispersa entre todos os povos e nações, derramai sobre a terra os dons do Espírito Santo, de modo que também hoje se renovem nos corações dos fiéis os prodígios realizados nos primórdios da pregação do Evangelho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: S.Lucas conta-nos o acontecimento de Pentecostes, a descida do Espírito Santo e a transformação realizada por Ele nos Apóstolos e em toda a Igreja.

 

Actos dos Apóstolos 2, 1-11

1Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. 3Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. 5Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. 6Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. 7Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? 8Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? 9Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, 11tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».

 

1 «Pentecostes» significa, em grego, quinquagésimo (dia depois da Páscoa). Os judeus chamam-lhe Festa das Semanas (em hebraico, xevuôth, 7 semanas depois da Páscoa). Era uma festa em que se ofereciam a Deus as primícias das colheitas, num gesto de acção de graças. Mais tarde, os rabinos também lhe deram o sentido da comemoração da promulgação da Lei no Sinai.

3 «Línguas de fogo que se iam dividindo». O fogo toma esta forma talvez para significar o dom das línguas. Esta nova divisão das línguas tem a finalidade de unir os homens numa mesma fé e não de os separar com aquela divisão das línguas de que se fala no Génesis (11, 1-9).

4 «Começaram a falar outras línguas». Jesus tinha anunciado este prodígio, até então desconhecido (cf. Mc 16, 17). Trata-se de um fenómeno sobrenatural, não dum simples fenómeno de exaltação nervosa. No entanto, não há total acordo entre os exegetas para explicar o milagre das línguas do Pentecostes. A explicação mais habitual é que os Apóstolos falaram então verdadeiros idiomas novos (cf. Mc 16, 17), mas em Actos não se fala de línguas novas (kainais), como em Marcos, mas de línguas diferentes (cf. v. 4: hetérais). Alguns dizem que o milagre estava nos ouvintes, que ouviam na própria língua das terras donde provinham (v. 8) aquilo que os Apóstolos diziam em aramaico. Outros, especialmente nos nossos dias, põem este milagre em relação com o dom das línguas, ou glossolalia, carisma de que se fala em 1 Cor 14, 2-33: seria então um tipo de oração extática, especialmente de louvor, em que se articulavam sons ininteligíveis (algo parecido com aquele fenómeno místico a que Santa Teresa de Jesus chama «embriaguez espiritual, júbilo místico»). Sendo assim, o que aconteceu de particular no dia do Pentecostes, foi que não era preciso um intérprete (como em 1 Cor 14, 27-28) para que os ouvintes entendessem o que diziam os Apóstolos: os ouvintes de boa fé receberam o dom de interpretar o que os Apóstolos diziam, ao passo que os mal dispostos diziam que eles estavam ébrios (v. 13). De qualquer modo, em Actos nunca se diz que a pregação de Pedro (cf. vv. 14-36) foi em línguas; o discurso aparece como posterior a este fenómeno referido no v. 4; em línguas poderia ser algum tipo de oração de louvor, a «proclamar as maravilhas do Senhor» (v. 11).

9-11 Temos aqui uma vasta referência às diversas procedências dos judeus da diáspora: uns teriam mesmo vindo em peregrinação, outros seriam emigrantes que se tinham fixado na Palestina. De qualquer modo, esta enumeração bastante exaustiva e ordenada (a partir do Oriente para Ocidente) pretende pôr em evidência a universalidade da Igreja, que é católica logo ao nascer, destinada a todos os homens de todas as procedências, manifestando-se esta catolicidade na capacidade que todos têm para captar e aderir à pregação apostólica. Por outro lado, também a unidade da Igreja se deixa ver na única mensagem e no único Baptismo que todos recebem; como se lê na 2.ª leitura de hoje, (v. 13) «a todos nos foi dado beber um único Espírito».

 

Salmo Responsorial    Sl 103 (104), 1ab.24c.29bc-30.31.34 (R. 30 ou Aleluia)

 

Monição: O salmista canta a acção do Espírito de Deus no mundo e convida-nos a pedir que venha para renovar a terra.

 

Refrão:        Enviai, Senhor, o vosso Espírito

                     e renovai a face da terra.

 

Ou:               Mandai, Senhor o vosso Espírito,

                     e renovai a terra.

 

Ou:               Aleluia.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

Senhor, meu Deus, como sois grande!

Como são grandes, Senhor, as vossas obras!

A terra está cheia das vossas criaturas.

 

Se lhes tirais o alento, morrem

e voltam ao pó donde vieram.

Se mandais o vosso espírito, retomam a vida

e renovais a face da terra.

 

Glória a Deus para sempre!

Rejubile o Senhor nas suas obras.

Grato Lhe seja o meu canto

e eu terei alegria no Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Jesus mandou o Espírito Santo para ser fonte da unidade e como que a alma da Sua Igreja, que Ele vivifica e guia.

 

1 Coríntios 12, 3b-7.12-13

Irmãos: 3bNinguém pode dizer «Jesus é o Senhor», a não ser pela acção do Espírito Santo. 4De facto, há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. 5Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 6Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. 7Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. 12Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. 13Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito.

 

O contexto em que fala S. Paulo aos Coríntios é o de certa confusão que reinava na comunidade acerca dos carismas, em especial os de linguagem. Para começar, avança com um critério de discernimento: que quem fala o faça de acordo com a verdadeira fé; «Jesus é o Senhor» é a confissão de fé na divindade de Jesus. «Senhor» equivale a Yahwéh na tradução grega dos LXX para o nome divino. Um acto de fé não se pode fazer só pelas próprias forças, é fruto da graça do Espírito Santo (v. 3), que pelos seus dons, especialmente o do entendimento e o da sabedoria aperfeiçoam essa mesma fé.

4-5 Pertence à essência da vida da Igreja haver sempre, diversidade de dons espirituais (carismas), ministérios e operações. Estas três designações referem-se fundamentalmente aos mesmos dons de Deus em favor da edificação da Igreja, mas cada um destes três nomes foca um aspecto: a sua gratuidade, a sua utilidade e a sua manifestação do poder actuante de Deus. S Paulo apropria cada um destes aspectos a cada uma das três Pessoas divinas. Toda esta diversidade e variedade de dons procede da unidade divina e concorre para que a unidade a Igreja – um só Corpo (v. 13) – seja mais rica. O Concílio Vaticano II – L. G. 12 – recorda normas práticas acerca destes carismas, ou dons que Deus concede aos fiéis para a «renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja, para o bem comum» (v. 7). E diz que os dons extraordinários não se devem pedir temerariamente, nem deles se devem esperar, com presunção, os frutos das obras apostólicas; e o juízo acerca da sua autenticidade e recto uso, pertence àqueles que presidem na Igreja, a quem compete de modo especial não extinguir o Espírito, mas julgar e conservar o que é bom (cf. 1 Tes 5, 12.19-21). Não se pode opor o carismático ao jerárquico: a vida da Igreja, que se expande pelos carismas, tem que se manter na esfera da verdade, garantida pela Hierarquia, a fim de que seja verdadeira vida, e não mera excrescência doentia e anormal, porventura um princípio de auto-destruição.

12 «Assim como o corpo...». A comparação não é original, mas da literatura profana. S. Paulo adapta-a maravilhosamente à Igreja, concebida como um corpo onde não pode haver rivalidades e divisão: «um só corpo». Aqui está latente a doutrina do Corpo Místico explanada em Colossenses e Efésios, mas ainda não se considera de facto a Igreja universal, o Corpo de Cristo, apenas se considera que os cristãos de Corinto são um organismo – um corpo – dependente de Cristo e com a mesma vida de Cristo (v. 27).

13 «E a todos nos foi dado beber um único Espírito». Os exegetas em geral, tendo em conta que no v. anterior já se tinha falado do Baptismo, pensam haver aqui uma referência ao Sacramento da Confirmação, pois então estes Sacramentos se costumavam receber juntos (cf. Act 19, 5-6), como ainda hoje no Oriente e entre nós nos adultos.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: O Espírito Santo foi dado por Jesus à Sua Igreja para a santificar, de modo especial através do sacramento da reconciliação. Agradeçamos-Lhe e aclamemo-Lo cheios de alegria.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis

e acendei neles o fogo do vosso amor.

 

 

Evangelho

 

São João 20, 19-23

19Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». 20Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. 21Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». 22Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: 23àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».

 

Este texto foi escolhido por nele se falar também de uma comunicação do Espírito Santo, esta no dia de Páscoa, e que permite à Igreja o exercício de uma das principais concretizações da sua missão salvífica: o perdão dos pecados por meio do Sacramento da Reconciliação. (Ver atrás os comentários feitos para o 2.º Domingo da Páscoa). Aqui limitamo-nos a citar um belo texto da Declaração Ecuménica das Igrejas Cristãs (Upsala 1968), baseada num conhecido texto patrístico: «Sem o Espírito Santo, Deus fica longe; Cristo pertence ao passado; o Evangelho é letra morta; a Igreja, mais uma organização; a autoridade, um domínio; a missão, uma propaganda; o culto, uma evocação; o agir cristão, uma moral de escravos. Mas, com o Espírito Santo, o cosmos eleva-se e geme na infância do Reino; Cristo ressuscita e é alento de vida; a Igreja é comunhão trinitária; e a autoridade, serviço libertador; a missão é Pentecostes; e o culto, memorial e antecipação; o agir humano torna-se realidade divina».

 

Sugestões para a homilia

 

Recebei o Espírito Santo

Baptizados num só Espírito

Línguas de fogo

Recebei o Espírito Santo

O divino Consolador actua na Igreja ao longo dos séculos e renova-a com a Sua acção divina. Por isso a Igreja é sempre antiga e sempre nova. Os vários impérios foram-se desmoronando com o andar dos tempos, a Igreja permanece para sempre, porque é animada e guiada pelo Espírito Santo.

Cada ano a Igreja nos convida a crescer na devoção ao Divino Consolador, à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Ele é tantas vezes o grande desconhecido ou, pelo menos, o grande esquecido. E sem Ele não podemos fazer o mais pequeno acto bom: “Ninguém pode dizer Senhor Jesus a não ser pela acção do Espírito Santo” (2º leit).

Avivemos, neste dia, o nosso desejo de O conhecer melhor e de lembrá-Lo mais vezes em cada dia. Peçamos que renove o nosso coração e transforme a face da terra.

Ele é o fogo do Amor de Deus, que jorra na Trindade e une o Pai e o Verbo desde toda a eternidade.

Por isso dizemos no Credo “ que procede do Pai e do Filho e com o Pai e o Filho recebe a mesma adoração”

“Na Sua vida íntima -diz João Paulo II -Deus “é Amor” (1 Jo,4,8.16),amor essencial, comum às três Pessoas divinas: mas amor pessoal é o Espírito Santo, como Espírito do Pai e do Filho”. JOÃO PAULO II, Enc.Dominum et vivificantem, 10)

Peçamos ao Divino Consolador que nos ajude a penetrar no mistério dessa vida infinita da Trindade.

Só guiados pelo amor o poderemos conseguir. Temos de ser almas de oração, pessoas que procuram viver na intimidade de Deus. Uma humilde costureira espanhola, Francisca Xaviera del Valle, escreveu um livro muito bonito, Decenário do Espírito Santo. Ainda hoje é muito proveitoso para quem o lê, ensinando muitas coisas belas e profundas sobre o Paráclito. E não tinha estudos teológicos mas era alma de muita vida interior.

Baptizados num só Espírito

O Espírito Paráclito actua na Igreja, nos Apóstolos e os seus sucessores. Guia-os e ilumina-os.

E actua na alma de cada um dos fiéis. Santifica-nos, realiza em nós o projecto maravilhoso de Deus que nos chama à santidade.

Ele trabalha para configurar-nos à imagem de Jesus Cristo. ”Deus predestinou-nos para sermos à imagem de Seu Filho” (Rom 8,29). O Paráclito está em nós, pela graça, que nos torna filhos de Deus, filhos no Filho. Ensina-nos a viver como filhos e a tratá-Lo com a simplicidade de meninos pequenos “Todos vós –diz -nos o Apóstolo -sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus…E uma vez que sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama: Abbá! Pai!. De maneira que não és servo, mas filho e também herdeiro por obra de Deus” (Gal 3,26 e 4.6-7)

Ser santo é parecer-se com Jesus em toda a nossa vida e o Espírito Santo, se O deixarmos actuar, vai realizando em nós essa obra divina. Como artista maravilhoso, que imprime em nós o retrato vivo de Jesus. “Cada um dos santos é uma obra prima do Espírito Sant” (JOÃO XXIII, Aloc 5-VI-!960)

Estejamos atentos ao Divino Paráclito. Deixemo-nos conduzir por Ele, não estorvemos a Sua acção em nós. “A tradição cristã resumiu a atitude que devemos adoptar perante o Espírito Santo: docilidade. Ser sensíveis ao que o Espírito Divino promove à nossa volta e em nós mesmos: aos carismas que distribui, aos movimentos e instituições que suscita, aos afectos e decisões que faz nascer em nosso coração” (JOSEMARIA ESCRIVÁ, Cristo que passa,130)

Francisca Xaviera del Valle escreveu: ”Este divino Mestre põe a Sua escola no interior das almas que lho pedem e ardentemente desejam tê-Lo por mestre…O Seu modo de ensinar não é com palavra. Rara vez fala, alguma vez nos princípios; se se põe em prática bem a lição que Ele ensina costuma falar mas muito pouco para manifestar-nos com isso o Seu agrado. E tem de estar a prática bem feita, porque nesta escola tudo é para praticar o que ensinam e senão o praticam é assunto arrumado, a escola fecha e não se abre …O Seu modo de ensinar é por meio duma luz clara e formosa que Ele põe no entendimento “ (FRANCISCA XAVIERA DEL VALLE, Decenário do Espírito Santo, Consid. para o 4º dia)

Estejamos atentos às Suas inspirações. Guardemo-las cuidadosamente em nossa alma e procuremos realizá-las docilmente. Ele enche de alegria o nosso coração.

Maria é o grande modelo de docilidade ao Divino Paráclito. A Ela acudiram os Apóstolos para preparar o Pentecostes. ”Perseveravam unidos em oração com Maria, a Mãe de Jesus “(Act 1,14). Peçamos -Lhe que saibamos conviver com mais intimidade com o Divino Santificador.

Não estorvemos a Sua acção em nossa alma pelo pecado. “Não contristeis o Espírito Santo“ (Ef.4,30) – adverte-nos S.Paulo. Temos de evitar decididamente o pecado mesmo venial.

Devemos acudir muitas vezes ao Sacramento da Confissão, que nos limpa do pecado, que abre a nossa alma às graças de Deus, que nos torna mais sensíveis às moções do Espírito Santo.

Havemos de guardar com todo o empenho as inspirações do Divino Paráclito, os bons pensamentos e desejos que desperta em nossa alma.

Que sejamos almas de oração, que procuram viver na presença de Deus pelo dia fora e assim dar conta das mais pequenas sugestões do Divino Consolador.

Línguas de fogo

No dia de Pentecostes o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos em forma de línguas de fogo, que encheram os seus corações e os levaram a sair da segurança do Cenáculo, para irem por toda a terra a falar de Jesus. Com uma sabedoria e fortaleza que não tinham explicação humana.

O Espírito Santo não só santifica a nossa vida mas impele-nos a comunicar aos outros o amor de Deus, que põe em nós. Como fogueira bem acesa que alastra o incêndio à sua volta. O mal deste mundo é que muitos cristãos são fogueiras apagadas. Por isso não pegam o fogo do amor de Deus a ninguém.

Doze pescadores do mar da Galileia levaram a doutrina de Jesus ao mundo inteiro. Porque amavam a Jesus, porque o Espírito Santo encheu as suas almas de fogo, de sabedoria e de fortaleza para falarem de Jesus a toda a gente.

Perderam o medo às perseguições e aos sofrimentos por Cristo. O Espírito Santo fez que encontrassem alegria no meio desses sofrimentos. O livro dos Actos diz que os chefes dos judeus prenderam os Apóstolos e os mandaram açoitar. “Eles saíram do Sinédrio, contentes por terem sido achados dignos de sofrer pelo nome de Jesus”(Act.5,41)

Vamos pedir ao Divino Paráclito que nos encha da sabedoria e do fogo do amor de Deus. E que nos conceda a fortaleza dos Apóstolos e dos primeiros cristãos. Ser discípulo de Cristo, nos três primeiros séculos, equivalia a ter a vida em risco. Muitos morreram mártires sofrendo alegremente por Jesus. E o cristianismo foi alastrando por todo o Império Romano.” Sangue de mártires é semente de cristãos –exclamava Tertuliano nos finais do século II.

Também hoje continua a haver mártires. Também hoje os cristãos têm de ser valentes. O mundo precisa de nós para levar o amor de Cristo a toda a parte.

 A valentia manifesta-se em coisas relativamente pequenas. Um dia o Cura d’Ars recomendou a uma rapariga que se confessou com ele que comungasse com frequência: cada quinze dias, que naquela época era considerada frequente. A jovem expôs uma dificuldade: -Padre, na minha terra isso não é costume.

– Não importa, se não é hábito começa-lo tu.

Passado algum tempo a rapariga voltou.

– Padre na minha paróquia todos me apontam a dedo por comungar todos os quinze dias.

– Não tens amigas? – perguntou-lhe o santo Cura d’Ars. São boas? Leva-as a que comunguem contigo e já não serás a única.

Depressa voltou a jovem com outras duas que se haviam comprometido a imitá-la. Seis meses depois já eram uma dúzia.

Algum tempo mais tarde veio o pároco agradecer ao santo pelo bem que tinha realizado na sua paróquia.

Levamos o Evangelho não como alguém que tenta impingir uma mercadoria para proveito próprio. Levamos a mensagem de Jesus porque ansiamos repartir com os outros a alegria do amor de Cristo, o único que pode tornar as pessoas felizes.

Espalhamos essa felicidade com o nosso exemplo de alegria, com nossa amizade, com a nossa palavra e com a nossa oração e sacrifício. O mundo precisa urgentemente deste testemunho dos cristãos.

Deixemos-nos guiar pelo Espírito Santos.Com Nossa Senhora roguemos-Lhe que venha aos nossos corações, que nos encha da Sua luz e do fogo do Seu amor.

 

Fala o Santo Padre

 

“Sem o Espírito Santo, a Igreja reduzir-se-ia ela a uma espécie de agência humanitária.”

 

Prezados irmãos e irmãs

 

A Igreja espalhada pelo mundo inteiro revive hoje, solenidade de Pentecostes, o mistério do seu nascimento, do próprio "baptismo" no Espírito Santo (cf. Act 1, 5), que teve lugar em Jerusalém cinquenta dias depois da Páscoa, precisamente na festividade judaica de Pentecostes. Jesus ressuscitado dissera aos discípulos:  "Permanecei na cidade até serdes revestidos da força do Alto" (Lc 24, 49). Isto aconteceu de forma sensível no Cenáculo, enquanto todos estavam reunidos em oração com Maria, Virgem Mãe. Como lemos nos Actos dos Apóstolos, repentinamente aquele lugar foi invadido por um vento impetuoso, e umas línguas de fogo pairaram sobre cada um dos presentes. Então, os Apóstolos saíram e começaram a proclamar em diversas línguas, que Jesus é Cristo, o Filho de Deus, morto e ressuscitado (cf. Act 2, 1-4). O Espírito Santo, que com o Pai e o Filho criou o universo, que guiou a história do povo de Israel e falou por meio dos profetas, que na plenitude dos tempos cooperou na nossa redenção, no Pentecostes desceu sobre a Igreja nascente tornando-a missionária, enviando-a para anunciar a todos os povos a vitória do amor divino sobre o pecado e a morte.

O Espírito Santo é a alma da Igreja. Sem Ele, ao que se reduziria ela? Sem dúvida, seria um grande movimento histórico, uma instituição social complexa e sólida, talvez uma espécie de agência humanitária. E na verdade é assim que a julgam quantos a consideram fora de uma perspectiva de fé. Na realidade, porém, na sua verdadeira natureza e também na sua mais autêntica presença histórica, a Igreja é incessantemente plasmada e orientada pelo Espírito do seu Senhor. É um corpo vivo, cuja vitalidade é precisamente o fruto do invisível Espírito divino.

[…] Invoquemos a intercessão de Maria Santíssima, para que a Igreja do nosso tempo seja poderosamente fortalecida pelo Espírito Santo. De modo particular, que sintam a presença confortadora do Paráclito as comunidades eclesiais que sofrem perseguição pelo nome de Cristo a fim de que, participando nos seus sofrimentos, recebam abundantemente o Espírito da glória (cf. 1 Pd 4, 13-14).

 

  Papa Bento XVI, Regina Caeli, Praça de São Pedro, 31 de Maio de 2009

 

Oração Universal

 

Rezemos ao Pai por Jesus e com Jesus, animados pelo Espírito Santo. Cheios de fé e confiança, apresentemos os nossos pedidos: por nós, por toda a Igreja, por toda a Humanidade. Digamos:

Enviai, Senhor o Vosso Espírito e renovai a terra.

 

    1-Pela Santa Igreja Católica, para que o Espírito Santo a vivifique sempre mais e nela faça surgir abundantes frutos de santidade em nosso tempo, oremos ao Senhor

Enviai, Senhor o Vosso Espírito e renovai a terra.

 

    2-Pelo Santo Padre, para que continue a ser instrumento dócil do Espírito Santo na condução do Rebanho de Cristo, oremos ao Senhor.

Enviai, Senhor o Vosso Espírito e renovai a terra.

 

    3-Pelos bispos e sacerdotes, para que se gastem generosamente ao serviço das almas, apoiados na força do Espírito Santo, oremos ao Senhor.

Enviai, Senhor o Vosso Espírito e renovai a terra.

 

    4-Por todos os cristãos, para que procurem com mais fé e assiduidade o Sacramento da Confissão, onde o Espirito Santo renova os corações pelo perdão de Deus, oremos ao Senhor.

Enviai, Senhor o Vosso Espírito e renovai a terra.

 

    5-Pelos jovens do mundo inteiro, sobretudo das nossas comunidades, para que, seguindo a Jesus, se deixem guiar pelo Seu Espírito para renovarem o mundo, oremos ao Senhor.

 Enviai, Senhor o Vosso Espírito e renovai a terra.

 

     6-Por todos nós, para que estejamos mais atentos à acção do Espírito Santo em nossas almas, oremos ao Senhor

Enviai, Senhor o Vosso Espírito e renovai a terra.

 

    Senhor, que nos destes em Cristo a fonte da água viva, que é o Espírito Santo, fazei-nos saborear a Sua graça e levar a todos os homens a Sua alegria.

    Pelo mesmo N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Vinde, Espírito Divino, M. Borda, NRMS 35

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor nosso Deus, que o Espírito Santo, segundo a promessa do vosso Filho, nos revele plenamente o mistério deste sacrifício e nos faça conhecer toda a verdade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

O mistério do Pentecostes

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte.

Hoje manifestastes a plenitude do mistério pascal e sobre os filhos de adopção, unidos em comunhão admirável ao vosso Filho Unigénito, derramastes o Espírito Santo, que no princípio da Igreja nascente revelou o conhecimento de Deus a todos os povos da terra e uniu a diversidade das línguas na profissão duma só fé.

Por isso, na plenitude da alegria pascal, exultam os homens por toda a terra e com os Anjos e os Santos proclamam a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 36

 

Monição da Comunhão

 

Peçamos ao Divino Espírito Santo que purifique o nosso coração para receber a Jesus e nos ensine a tratá-Lo bem.

 

Cântico da Comunhão: Voltai-vos para o Senhor, S. Marques, NRMS 58

Actos 2, 4:11

Antífona da comunhão: Todos ficaram cheios do Espírito Santo e proclamavam as maravilhas de Deus. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor, louvai, J. Santos, NRMS 37

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, que concedeis com abundância à vossa Igreja os dons sagrados, conservai nela a graça que lhe destes, para que floresça sempre em nós o dom do Espírito Santo, e o alimento espiritual que recebemos nos faça progredir no caminho da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Jesus falou-nos hoje do Espírito Santo, que Ele nos entregou como dom divino, Alguém que nos fortalece e nos santifica, para transformarmos o mundo à nossa volta.

 

Cântico final: Somos testemunhas, Az. Oliveira, NRMS 35

 

Na despedida do povo, o diácono ou o próprio sacerdote diz:

 

Ide em paz e o Senhor vos acompanhe. Aleluia. Aleluia.

 

O povo responde:

 

Graças a Deus. Aleluia. Aleluia.

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

8ª SEMANA

 

2ª Feira, 28-V: Fé mais valiosa que o ouro.

1 Ped 1, 3-9 / Mc 10, 17-27

Pois a fé tem muito mais valor que o oiro, que desaparece, embora seja experimentado pelo fogo.

A fé tem muito mais valor que o oiro (Leit.). Foi esta luz da fé que faltou ao homem rico, quando o Senhor lhe pediu para deixar tudo e segui-lo (Ev.).

O homem rico, embora estivesse a viver bem os mandamentos da lei de Deus, desde a sua juventude, não foi capaz de viver a conversão em relação aos bens materiais e partiu triste (Ev.). Todos precisamos ter presente esta avaliação das coisas, pessoas e acontecimentos, feita pelo próprio Senhor. O tempo dedicado a Deus, por exemplo, não é nunca uma perda de tempo.

 

3ª Feira, 29-V: Conselhos para alcançar a vida eterna.

1 Ped 1, 10-16 / Mc 10, 28-31

Não há ninguém que tenha deixado casa, irmãos, que não receba agora, no tempo actual, cem vezes mais e, no tempo que há-de vir, a vida eterna.

Um dos caminhos para a vida eterna é a generosidade para com Deus: «Cristo é o centro de toda a vida cristã. A união com Ele prevalece sobre todas as outras, quer se trate de laços familiares, quer sociais (Ev.)» (CIC, 1618). Procuremos ser mais generosos com Deus nestes campos.

O outro caminho é a aceitação dos sofrimentos: «pois o Espírito predisse-lhe os sofrimentos reservados a Cristo e as glórias que haviam de seguir-se a esses sofrimentos» (Leit.). Aceitemos com alegria os nossos sofrimentos.

 

4ª Feira, 30-V: Partilhar o cálice com Senhor.

1 Ped 1, 18-25 / Mc 10, 32-45

Não sabeis o que estais a pedir! Podeis beber o cálice que eu vou beber?

Para alcançar a vida eterna é preciso partilhar primeiro o cálice com o Senhor (Ev.), isto é, participar na sua paixão, morte e ressurreição.

A nossa resposta há-de ser igualmente: Podemos! Com os nossos sofrimentos completamos, de certo modo, o que falta à paixão de Cristo (Col 1, 24). Além disso, precisamos purificar a nossa alma, obedecendo à verdade; amar intensamente os nossos irmãos, do íntimo do nosso coração; e acreditar na palavra de Deus, que permanece eternamente (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino C. Ferreira

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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