aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

NOVO ORDINARIATO PESSOAL

PARA ANGLICANOS CONVERTIDOS

 

Com data de 1 de Janeiro de 2012, a Congregação para a Doutrina da Fé, erigiu o primeiro Ordinariato pessoal para anglicanos regressados ao catolicismo nos EUA.

 

A estrutura, denominada Ordinariato Pessoal da Cadeira de São Pedro, destina-se ao “território da Conferência Episcopal dos Estados Unidos da América” e segue as normas da constituição apostólica Anglicanorum coetibus, de Bento XVI (Novembro de 2009).

O Papa nomeou como primeiro responsável pelo Ordinariato o padre Jeffrey Neil Steenson, de 50 anos, antigo bispo da Igreja Episcopaliana (ramo anglicano dos EUA), casado e com três filhos. O Rev. Jeffrey Steenson tinha sido recebido na Igreja católica em 2007 e fora ordenado sacerdote em 2009 com dispensa do celibato.

A Constituição apostólica Anglicanorum coetibus introduziu uma nova estrutura canónica para a recepção de anglicanos que regressam à Igreja Católica de modo corporativo, estabelecendo Ordinariatos pessoais para o efeito.

Estes Ordinariatos são instituídos após consulta às Conferências Episcopais locais e as suas estruturas são de algum modo semelhantes às dos Ordinariatos militares – uma "diocese" que não corresponde a limites territoriais, como é habitual na Igreja Católica, mas tem jurisdição sobre uma comunidade específica distribuída por várias dioceses.

A vigilância e a condução pastoral para os grupos de fiéis que peçam a entrada na Igreja Católica são asseguradas por um Ordinário próprio colocado à frente da comunidade, por norma nomeado entre o clero até então anglicano.

Este modelo prevê excepcionalmente a ordenação de clérigos casados, enquanto anglicanos, como sacerdotes católicos, mas por razões “históricas e ecuménicas” estes padres casados não poderão ser ordenados bispos.

 

 

NOVOS CARDEAIS

 

O Papa Bento XVI anunciou, no passado dia 6 de Janeiro, a convocação de um Consistório a 18 de Fevereiro para a criação de 22 novos cardeais, entre os quais o português D. Manuel Monteiro de Castro, de 73 anos, recentemente nomeado Penitenciário-mor da Santa Sé.

 

D. Manuel Monteiro de Castro está na Cúria Romana desde Julho de 2009, quando assumiu o cargo de secretário da Congregação para os Bispos, tendo sido posteriormente nomeado por Bento XVI como secretário do Colégio Cardinalício, passando em 5 de Março de 2012 a ser o responsável pela Penitenciaria Apostólica.

Natural de Santa Eufémia de Prazins, Guimarães, o novo cardeal português foi ordenado padre em 1961 e bispo em 1985.

O prelado tem uma longa experiência diplomática ao serviço da Santa Sé, que o fez passar pelo Panamá, Guatemala, Vietnam, Austrália, México, Bélgica, Trindade e Tobago, África do Sul e finalmente Espanha, onde permaneceu entre 2000 e 2009; foi também observador permanente do Vaticano na Organização Mundial do Turismo.

Os bispos católicos de Espanha manifestaram a sua alegria pela criação como cardeal de D. Manuel Monteiro de Castro, antigo núncio em Madrid, conhecido por actuar “com bondade, vivacidade, coragem e sabedoria”, o que o levou a saber construir “pontes” com os governos de direita e de esquerda.

O anúncio da criação de novos cardeais foi feito na celebração do Angelus, no dia em que outro cardeal português, D. José Saraiva Martins, Prefeito emérito da Congregação para as Causas dos Santos, cumpria o seu 80.º aniversário, deixando assim de integrar a lista de eleitores num eventual conclave para a eleição papal.

O outro cardeal português é D. José Policarpo, patriarca de Lisboa e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.

 

A lista dos novos purpurados inclui os arcebispos da Cúria Romana Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos; Antonio Maria Vegliò, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes; Giuseppe Bertello, presidente da Comissão Pontifícia para o Estado da Cidade do Vaticano e presidente do Governatorato do mesmo Estado; Francesco Coccopalmerio, presidente do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos; o brasileiro D. João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica; Domenico Calgano, Presidente da administração do património da Sé Apostólica; e Giuseppe Versaldi, presidente da Prefeitura dos Assuntos Económicos da Santa Sé.

Também foram escolhidos por Bento XVI os arcebispos de Toronto, Praga, Utreque, Florença, Nova Iorque, Berlim, Hong Kong, Florença, e o arcebispo-mor dos siro-malabares (Índia); bem como o Arcipreste da Basílica Papal de Santa Maria Maior e o Pró-Grão Mestre da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém.

Além disso, o arcebispo-mor da Igreja greco-católica da Roménia e três sacerdotes: o belga Mons. Julien Ries, o maltês Prosper Grech, O.S.A., e o alemão Karl Becker, S.J.

Segundo o Código de Direito Canónico os cardeais "constituem um colégio peculiar, ao qual compete providenciar à eleição do Romano Pontífice", além de serem conselheiros que podem ser consultados em determinados assuntos quando o Papa o desejar, pessoal ou colegialmente.

Os requisitos para ser criado cardeal são, basicamente, os mesmos que foram estabelecidos no Concílio de Trento, em 1563: homens que receberam a ordenação sacerdotal e se distinguem pela sua doutrina, piedade e prudência no desempenho dos seus deveres.

É a quarta vez que Bento XVI convoca um Consistório, para a criação de cardeais.

 

 

PAPA APELA

À UNIDADE DOS CRISTÃOS

 

O Papa Bento XVI afirmou, no passado dia 25 de Janeiro, festa da Conversão de São Paulo, que a unidade entre os cristãos é fundamental para levar esperança a um mundo dominado pela “injustiça, o ódio e o desespero”.

 

O Papa falava na Basílica de São Paulo fora dos Muros, durante uma celebração com a presença de representantes de todas as Igrejas e comunidades eclesiais da capital italiana, assinalando o final da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

“A meta da plena unidade, que esperamos em esperança laboriosa e pela qual rezamos com confiança, é uma vitória que não é secundária, mas é importante para o bem da família humana”, disse.

Para Bento XVI, apesar da “dolorosa situação da divisão”, os cristãos podem olhar para o futuro “com esperança”, porque “a vitória de Cristo significa a superação de tudo o que impede de partilhar a plenitude de vida com ele e com os outros”.

As principais divisões entre as Igrejas cristãs ocorreram no século V, depois dos Concílios de Éfeso e de Calcedónia (Igrejas nestorianas e monofisitas); no século XI com a cisão entre o Ocidente e o Oriente (Igrejas Ortodoxas); no século XVI, com a Reforma Protestante (Luteranismo, Calvinismo) e, posteriormente, a separação da Igreja de Inglaterra (Igreja Anglicana).

O Papa declarou que o restabelecimento da unidade no cristianismo “é um dever e uma grande responsabilidade para todos”.

“Mesmo que, por vezes, se tenha a impressão de que o caminho para o pleno restabelecimento da comunhão é ainda demasiado longo e cheio de obstáculos, convido todos a renovarem a sua própria determinação em perseguir, com coragem e generosidade, a unidade que é vontade de Deus”, indicou.

Bento XVI sustentou que, nesse caminho, “não faltam sinais positivos” de uma nova fraternidade e de um sentido de responsabilidade comum “face aos grandes problemas que afligem o mundo” de hoje.

A primeira realização do Oitavário pela unidade dos cristãos ocorreu em 1908, por iniciativa do norte-americano Paul Wattson (1863-1940), presbítero anglicano que mais tarde se converteu ao catolicismo

 

 

CONVENÇÕES CONTRA

TERRORISMO E CRIME ORGANIZADO

 

O Vaticano aderiu, no passado dia 25 de Janeiro, à convenção da ONU contra o “crime organizado transnacional” e à convenção internacional para a “repressão do financiamento do terrorismo”.

 

A entrega dos acordos decorreu na sede das Nações Unidas de Nova Iorque, pela mão do arcebispo Francis Chullikat, observador permanente da Santa Sé.

Além destes documentos, foi ratificada a Convenção das Nações Unidas contra o tráfico de drogas, por parte da Santa Sé.

O Secretário do Vaticano para as Relações com os Estados, arcebispo Dominique Mamberti, declarou que esta decisão “quer ser um reconhecimento acrescido, por parte da Santa Sé, do empenho concreto com o qual a comunidade dos Estados previne e combate gravíssimas actividades criminosas”.

Por outro lado, acrescenta, as adesões do Vaticano “tornam a luta contra o terrorismo, a lavagem de dinheiro, o narcotráfico e também a criminalidade organizada transnacional ainda mais determinada”.

Mons. Dominique Mamberti disse que a Santa Sé adopta “os mais rigorosos parâmetros normativos” internacionais em matérias de combate ao financiamento do terrorismo e ao branqueamento de capitais.

Em causa, assinala, estão “instrumentos de cooperação internacional mais transparentes e sanções mais elevadas para a violação das leis”.

“Entendo ser meu deve sublinhar que este tipo de cooperação internacional poderá, no futuro, ser também benéfica para prevenir e combater graves ofensas à vida e à liberdade religiosa de qualquer ser humano”, observa o responsável da diplomacia do Vaticano.

 

 

RELAÇÕES COM A OLP

 

A Santa Sé anunciou, no dia 30 de Janeiro passado, ter retomado as negociações com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), tendo em vista a assinatura de um acordo bilateral.

 

O encontro teve lugar em Ramallah, sede do Presidente palestino, e, segundo o Vaticano, decorreu “numa atmosfera positiva”.

A delegação palestina entregou a sua resposta ao esboço de acordo apresentado pela Santa Sé, destinado a “fortalecer as relações especiais entre as duas partes”.

O documento vai ser agora analisado por “equipas técnicas”, preparando uma sessão conjunta, na Cidade do Vaticano, anunciada para um “futuro próximo”.

A delegação da Santa Sé foi presidida pelo arcebispo Ettore Balestrero, subsecretário do Vaticano para as relações com os Estados.

O mesmo responsável esteve num encontro com responsáveis do Estado de Israel, uns dias antes, para debater “questões fiscais e económicas”.

 

 

MENSAGEM PARA

DIA MUNDIAL DO DOENTE

 

O Papa Bento XVI convidou os católicos a um “acolhimento generoso” de todas as vidas, sobretudo junto dos mais “fracos”, na mensagem para o Dia Mundial do Doente, que a Igreja celebrou no passado dia 11 de Fevereiro.

 

No documento, o Papa relaciona os “sofrimentos materiais e espirituais do ser humano”, falando num “binómio entre a saúde física e a renovação após as lacerações da alma”.

“Desejo encorajar os doentes e os que sofrem a encontrarem sempre uma âncora segura na fé, alimentada pela escuta da Palavra de Deus, pela oração pessoal e os sacramentos, ao mesmo tempo que convido os pastores a estarem cada vez mais disponíveis para as celebrações pelos doentes”, diz Bento XVI.

A mensagem papal sublinha, a este respeito, a presença dos padres nos hospitais, uma missão “delicada” que deve fazer deles “verdadeiros ministros dos doentes”, e centra a sua reflexão nos chamados “sacramentos de cura”, ou seja, a Penitência (confissão) e a Unção dos Doentes.

“O momento do sofrimento, no qual poderia surgir a tentação de se abandonar ao desânimo e ao desespero, pode transformar-se em tempo de graça para entrar de novo dentro de si próprio”, indica o texto.

Bento XVI frisa a “importância da fé para os que, atingidos pelo sofrimento e a doença, se aproximam do Senhor”, acrescentndo que “quem acredita nunca está só”.

“Quem, no seu próprio sofrimento e doença, invoca o Senhor, está certo de que o seu amor nunca o abandona e que também o amor da Igreja nunca falta”, escreve.

Relativamente à Unção dos Doentes (conhecida habitualmente como Extrema Unção), o Papa espera uma “maior consideração” tanto na reflexão teológica como na “acção pastoral” junto de quem vive uma situação de doença.

“A atenção e o cuidado pastoral para com os doentes é sinal, por um lado, da ternura de Deus para quem está no sofrimento e, por outro, traz vantagem espiritual também ao sacerdote e a toda a comunidade cristã”, assinala.

A mensagem de Bento XVI observa ainda a “importância da Eucaristia”, desejando que as comunidades paroquiais “assegurem aos que, por motivos de saúde ou de idade, não podem deslocar-se aos locais de culto a possibilidade de acederem com frequência à comunhão sacramental”.

 

 

VISITA DE DELEGAÇÃO

DO GOVERNO BRITÂNICO

 

 Nos dias 14 e 15 de Fevereiro passado, a Santa Sé recebeu a visita de uma Delegação ministerial do Governo britânico. Damos algumas passagens do comunicado conjunto publicado:

 

“1. Nos dias 14 e 15 de Fevereiro de 2012, o Secretário para as Relações com os Estados da Santa Sé, Arcebispo Dominique Mamberti, hospedou os colóquios entre a Santa Sé e uma Delegação ministerial do Governo britânico chefiada pela Baronesa Warsi. A visita da delegação a Roma segue-se à visita bem sucedida de Sua Santidade o Papa Bento XVI em Setembro de 2010, e marca o 30.º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas plenas entre o Reino Unido e a Santa Sé, realizado no ano da visita do Papa João Paulo II à Grã-Bretanha, a primeira de um Pontífice reinante.

“2. A delegação encontrou-se também com o Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone, e foi recebida por Sua Santidade Bento XVI.

“3. A Santa Sé e o Governo de Sua Majestade concordaram sobre a necessidade urgente de uma acção para fortalecer o compromisso universal em prol da liberdade religiosa, como direito humano fundamental, e para a sua aplicação concreta, a fim de promover o respeito por todas as religiões em todos os países. A Santa Sé e o Governo britânico desejam trabalhar juntos para combater a intolerância e a discriminação baseadas na religião, onde quer que se manifestem.

“4. A Santa Sé e o Governo de Sua Majestade reafirmaram a necessidade de promover um desenvolvimento global integral e sustentável, baseado na centralidade da pessoa humana e fundado nos princípios inerentes à dignidade humana e ao valor de cada pessoa. Muitos progressos foram alcançados nos últimos decénios para a melhoria da saúde e do bem-estar de numerosas pessoas. Todavia, ainda permanecem lacunas e desafios significativos no caminho longo e complexo dirigido a garantir o desenvolvimento humano integral para todos. Um número demasiado alto de pessoas ainda sofrem fome, muitas não têm acesso à educação e a um trabalho digno, e numerosas mulheres morrem durante o parto. À luz destes desafios reconhecemos uma obrigação compartilhada de realizar um contexto financeiro e comercial internacional equilibrado e comprometemo-nos por um futuro melhor para a humanidade inteira, tendo em especial consideração os mais pobres do mundo.

“(…)

“9. O Governo de Sua Majestade acolheu favoravelmente o apoio de Sua Santidade o Papa Bento XVI para um processo de reconciliação em curso na Irlanda do Norte, para a criação de instituições políticas estáveis e inclusivas, e para os esforços dirigidos a construir um futuro pacífico, estável e próspero para todos os componentes da comunidade. O Governo de Sua Majestade e a Santa Sé concordam que o uso da violência para fins políticos é deplorável, e deve ser posto de lado a favor de um diálogo construtivo para o bem-estar da comunidade inteira.

“10. Enquanto o Reino Unido se prepara para hospedar os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Londres e para celebrar o Jubileu de Diamante de Sua Majestade a Rainha, ambas as Partes fazem votos a fim de que seja um ano caracterizado pelo espírito da Carta Olímpica e da Trégua Olímpica: ao serviço do desenvolvimento harmonioso do homem, em vista de promover uma sociedade pacífica comprometida na salvaguarda da dignidade humana.

“11. Além disso, houve um bom intercâmbio de opiniões sobre uma vasta gama de questões sociais, económicas, políticas e culturais, entre as quais a promoção da colaboração do Reino Unido com os Museus do Vaticano. Ambas as Partes reconhecem em particular o papel da fé e da educação para o desenvolvimento de uma cultura de responsabilidade social e o fortalecimento de uma sociedade saudável. Neste contexto, foi expressa apreço pela contribuição significativa que a Igreja católica, e os cristãos em geral, ofereceram e continuam a oferecer para o bem da sociedade britânica. A Santa Sé sublinhou a necessidade de garantir que as instituições ligadas à Igreja católica possam agir em conformidade com os seus próprios princípios e convicções e frisou a necessidade de salvaguardar a família fundada no matrimónio, a liberdade religiosa e a liberdade de consciência. Ambas as Partes desejam fortalecer ulteriormente as suas relações, trabalhando juntas, através das respectivas redes e parcerias globais, inclusive da Commonwealth das Nações, para promover o bem comum”.

A baronesa Sayeeda  Hussain Warsi é co-presidente do Partido conservador e Ministra sem pasta do Governo britânico; de religião islâmica, é filha de paquistaneses que haviam imigrado para o Reino Unido. Tem defendido a importância da religião na vida social e o respeito pela religião de cada um.

 

 

EXPOSIÇÃO DO

ARQUIVO SECRETO DO VATICANO

 

Os Museus Capitolinos de Roma acolhem, desde 29 de Fevereiro passado, a exposição Lux in Arcana (Luz no segredo), expondo pela primeira vez uma centena de documentos do Arquivo Secreto do Vaticano fora do pequeno Estado.

 

Entre estes, encontra-se a bula Inter Coetera (1493), do Papa Alexandre VI, na qual se procedia à delimitação dos territórios descobertos por espanhóis e portugueses, posteriormente corrigida pelo Tratado de Tordesilhas (1494).

A mostra, aberta ao público até 9 de Setembro, é organizada pelo próprio Arquivo, por ocasião do quarto centenário da sua fundação.

Na exposição é possível encontrar documentos que vão do século VIII ao século XX.

Os visitantes têm a possibilidade de ver o códice do processo (1616-1633) do físico italiano Galileu Galilei; a excomunhão de Martinho Lutero (1520); a carta em que Celestino V renunciou ao papado (1294); a carta ao parlamento inglês, de Clemente VII, sobre o casamento do rei Henrique VIII (1530); e o Dictatus Papae de Gregorio VII (1073-1085), que estabelecia a primazia do poder do Papa sobre o poder político, um dos documentos mais antigos da mostra.

Os documentos referem-se ainda a personalidades como o compositor Wolfgang Amadeus Mozart, o presidente norte-americano Abraham Lincoln ou o imperador francês Napoleão Bonaparte.

O Arquivo Secreto do Vaticano tem um site próprio, www.archiviosegretovaticano.va, no qual é possível encontrar parte do espólio com mais de mil anos.

O arquivo, nos moldes em que existe, nasceu por iniciativa de Paulo V, no século XVII, ainda que a sua história recue nos séculos, dado ter nascido, desde cedo, a tradição de os Papas guardarem a documentação que se referia ao exercício da sua própria actividade.

O documento mais antigo conservado no Vaticano é o Liber Diurnus Romanorum Pontificum, livro de fórmulas da chancelaria pontifícia do século VIII.

Este arquivo é gerido por 54 pessoas e pode ser visitado por qualquer investigador devidamente acreditado por uma universidade ou instituto cultural, sem distinção de credo.

 

 

APROXIMAÇÃO ECUMÉNICA

COM IGREJA ANGLICANA

 

No passado dia 10 de Março, Bento XVI e o primaz da Igreja Anglicana, arcebispo Rowan Williams, reforçaram a aposta no diálogo ecuménico, durante uma homenagem ao Papa São Gregório Magno, responsável pela cristianização da Inglaterra a partir do século VI.

 

A iniciativa teve lugar no mosteiro camaldulense de Monte Célio, em Roma, local de onde, por iniciativa do histórico Papa italiano, partiu Santo Agostinho da Cantuária, acompanhado por outros 40 monges, para evangelizar a nação anglo-saxónica.

Na oração de Vésperas que preencheu o evento, Bento XVI destacou a importância do mosteiro enquanto “local de nascimento de um elo entre a Igreja de Roma e o Cristianismo da Inglaterra”.

Uma ligação que, segundo o Papa, começou a ser reforçada especialmente a partir do Concílio Vaticano II e que hoje já faz parte da tradição das duas Igrejas.

O encontro entre Bento XVI e o arcebispo da Cantuária foi o terceiro do género a ter lugar naquele local de culto, depois de João Paulo II se ter reunido com os arcebispos Robert Runcie, em 1989, e George Carey, em 1996.

“Espero que a nossa presença aqui permaneça não só com um sinal de encontro fraterno mas como um estímulo para todos os fiéis, tanto católicos como anglicanos, rumo à unidade”, sublinhou Bento XVI.

Para o primaz da Igreja Anglicana, “é sempre bom tocar o solo onde começou a missão cristã de Inglaterra” e “honrar a história de figuras como São Gregório e Santo Agostinho [da Cantuária]”.

“Temos um antepassado comum que nos dá uma relação de familiaridade e estamos a trabalhar para que essa relação seja de novo plena, sacramental e visível”, salientou o responsável anglicano.

Ainda no plano das relações ecuménicas, o Vaticano revelou que o coro anglicano da abadia de Westminster (Londres) vai cantar com o coro da Capela Sistina na solenidade litúrgica dos Santos Pedro e Paulo, a 29 de Junho próximo, no Vaticano.

 

 

NOVO SITE DA CONGREGAÇÃO

PARA A DOUTRINA DA FÉ

 

Um comunicado da Congregação para a Doutrina da Fé, de 16 de Março passado, dá a conhecer um seu novo site:

 

 “Como se sabe, os Documentos da Congregação para a Doutrina da Fé aprovados explicitamente pelo Santo Padre participam do Magistério ordinário do Sucessor de Pedro (cf. Instrução Donum Veritatis, sobre a vocação eclesial do teólogo, de 24 de Maio de 1990, n. 18). Isto explica a importância de uma recepção atenciosa de tais pronunciamentos por parte dos fiéis e especialmente por aqueles que, em nome da Igreja, são responsáveis no âmbito teológico e pastoral.

“Por outro lado, no mundo de hoje torna-se necessária uma difusão mais ampla do ensinamento do Dicastério em questão. De facto, em especial os Documentos emanados a partir do Concílio Vaticano II até hoje – recolhidos no volume: CONGREGATIO PRO DOCTRINA FIDEI, Documenta inde a Concilio Vaticano Secundo expleto edita (1966-2005), LEV, Città del Vaticano 2006, pp. 668 – tratam questões importantes para a vida e a missão da Igreja, oferecendo respostas doutrinais seguras aos desafios que se nos apresentam.

“Assim sendo, a Congregação para a Doutrina da Fé, mesmo conservando os próprios Documentos no site oficial da Santa Sé (www.vatican.va), criou um novo acesso a fim de facilitar a consulta dos mesmos (www.doctrinafidei.va).

“Os principais Documentos estão disponíveis em oito línguas: além da versão latina, existem em francês, inglês, italiano, português, espanhol, alemão e polaco, e, de vez em quando, também em húngaro, eslovaco, checo e holandês. Também se trabalha para completar a colecção de tais versões electrónicas das traduções. Actualmente cada Documento já está à disposição na língua original e em alguma tradução.

“A colecção abrange uma lista completa de todos os pronunciamentos pós-conciliares da Congregação, os quais se apresentam também em três listas temáticas: os de natureza doutrinal, os de natureza disciplinar e os concernentes aos sacramentos.

“Na mesma página da Internet encontram-se informações actualizadas sobre as publicações da Colecção Documenti e Studi, que reedita os Documentos mais importantes do Dicastério, enriquecidos com comentários de teólogos de renome; além disso, oferecem-se notícias a respeito dos volumes das Actas de Simpósios promovidos pela Congregação, bem como a publicação de vários pronunciamentos dos Cardeais Prefeitos.

“Através desta divulgação do próprio ensinamento doutrinal, por meio da Internet, a Congregação deseja atingir um círculo sempre mais amplo de destinatários em todas as partes do mundo”.

 

 

RESPOSTA DOS LEFEBVRIANOS

ANTE A RECONCILIAÇÃO

 

Um comunicado da Santa Sé, de 16 de Março passado, dava conta da actual situação dos lefebvrianos em relação à reconciliação com a Igreja:

 

“Durante o encontro de 14 Setembro de 2011 entre Sua Eminência o Cardeal William Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, e Sua Excelência Mons. Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, tinha sido entregue a este último um Preâmbulo doutrinal, acompanhado de uma Nota preliminar, como base fundamental para chegar à plena reconciliação com a Sé Apostólica. No Preâmbulo eram enunciados alguns princípios doutrinais e critérios de interpretação da doutrina católica, necessários para garantir a fidelidade ao Magistério da Igreja e o sentire cum Ecclesia.

“A resposta da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X em relação a este Preâmbulo doutrinal, recebida em Janeiro de 2012, foi examinada pela Congregação para a Doutrina da Fé, e depois sujeita ao juízo do Santo Padre. De acordo com a decisão do Papa Bento XVI, a apreciação da resposta de S. E. Mons. Fellay foi-lhe comunicada por carta entregue com data de hoje. Nela dá-se a conhecer que a posição por ela expressa não é suficiente para superar os problemas doutrinais que estão na base da fractura entre a Santa Sé e a dita Fraternidade.

“No final do encontro de hoje, com a preocupação de evitar uma ruptura eclesial com consequências dolorosas e incalculáveis, o Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X foi convidado a esclarecer a sua posição com o fim de se poder chegar à superação da fractura existente, como é desejado pelo Papa Bento XVI”.

 

 

IMPORTÂNCIA DA ÁGUA

NA VIDA DOS HOMENS

 

No passado domingo dia 18 de Março, o Papa Bento XVI apelou a um acesso universal à água, assinalando a conclusão do VI Fórum Mundial dedicado a este tema, que decorreu em Marselha (França), de 11 a 17 de Março.

 

Perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, para a recitação do Angelus, o Papa exortou a comunidade internacional a “garantir a todos um acesso equitativo, seguro e adequado à água”, promovendo assim “os direitos à vida e à nutrição de todos os seres humanos”.

Bento XVI pediu ainda um “uso responsável e solidário dos bens da terra, em benefício das gerações futuras”.

O Santo Padre recordou que no dia 22 seguinte ia ser celebrado o Dia Mundial da Água, que este ano sublinha “a ligação fundamental deste recurso precioso e limitado com a segurança alimentar”.

A Santa Sé marcou presença no VI Fórum Mundial e lançou um novo documento no qual apelou à acção urgente da comunidade internacional para assegurar o acesso à água por parte da população mundial, sublinhando que este não é “um bem meramente mercantil”, mas “público”.

O Conselho Pontifício Justiça e Paz, organismo que representou a Santa Sé no encontro, sublinha que “se é compreensível e lógico que os actores privados tendam a desenvolver actividades rentáveis, eles não devem esquecer que a água tem um valor social e deve ser acessível para todos”.

A Santa Sé deixa votos de que em 2012 sejam tomadas “decisões incisivas” neste campo, antes de recordar que o aquecimento global e as alterações climáticas vão afectar os recursos disponíveis.

O Dia Mundial da Água celebra-se anualmente a 22 de Março, por iniciativa da Conferência da ONU sobre o Ambiente e o Desenvolvimento de 1992 (Rio de Janeiro, Brasil).

 

 

BENTO XVI NO

ENCONTRO MUNDIAL DAS FAMÍLIAS

 

Foi dado a conhecer o programa oficial da viagem de Bento XVI a Milão (Itália), para o encerramento do VII Encontro Mundial das Famílias, entre 1 e 3 de Junho.

 

O Encontro tem como tema A família: o trabalho e a festa, iniciando-se a 29 de Maio.

“O trabalho e a festa estão intimamente ligados à vida das famílias: condicionam as suas escolhas, influenciam os relacionamentos entre os cônjuges, e entre os pais e os filhos, incidem sobre a relação da família com a sociedade em geral e com a Igreja”, escreveu o Papa na carta enviada para a preparação deste Encontro.

Bento XVI vai chegar ao aeroporto de Milão, pelas 17h00 locais do dia 1 de Junho, seguindo para a Praça da Catedral, onde se vai dirigir pela primeira vez à população.

Às 19h15, o Papa assiste a um concerto, em sua homenagem, no Teatro La Scala.

No dia seguinte, pelas 10h00, decorre a celebração de Laudes, com os sacerdotes, religiosos e religiosas da diocese milanesa, na catedral.

A seguir, Bento XVI desloca-se ao Estádio Giuseppe Meazza, para um encontro com jovens.

Na tarde desse sábado, tem lugar uma reunião com as autoridades civis de Milão, antes da participação, pelas 20h30, na “Festa dos Testemunhos” inserida no Encontro Mundial das Famílias.

O programa de domingo, dia 3, inclui a celebração da Missa, pelas 10h00, no Parque Norte, na periferia da cidade, durante a qual o Papa deve anunciar a sede do próximo encontro; o regresso a Roma está previsto para as 17h30.

Os Encontros Mundiais das Famílias iniciaram-se na capital italiana, em 1994, repetindo-se a cada três anos com o objectivo de “celebrar o dom divino da família” e aprofundar a “compreensão da família cristã como Igreja doméstica e unidade básica de evangelização”.

 


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