acontecimentos eclesiais
DO MUNDO
ÁUSTRIA
BEATIFICAÇÃO DO
IMPERADOR CARLOS I
O Santo Padre beatificou no domingo 3 de Outubro
passado, na Praça de São Pedro, o último imperador da Áustria, Carlos I de
Habsburgo, reconhecendo-o como «um exemplo para quem tem responsabilidades
políticas na Europa».
Cerca de 30 mil fiéis assistiram ao evento, entre os
quais vários descendentes dos Habsburgo e representantes das famílias
aristocratas europeias. Presente esteve ainda grupo de madeirenses, liderado
pelo Bispo do Funchal, D. Teodoro de Faria, e pelo presidente do Governo
Regional da Madeira, Alberto João Jardim.
O Papa beatificou também a mística alemã Anna
Katharina Emmerick, a religiosa italiana Maria Ludovica de Angelis, que esteve
50 anos ao serviço das crianças na Argentina, e os religiosos franceses Pierre
Vigne e Joseph Marie Cassant.
Na sua homilia, o Papa considerou que a Palavra de
Deus foi «o farol luminoso e seguro» pelo qual se deixaram guiar os cinco novos
beatos.
Depois de pronunciar a fórmula de beatificação dos
cinco servos de Deus, João Paulo II sublinhou na sua homilia que, «face às
contínuas alterações da história, a revelação de Deus feita por Cristo
permanece estável para sempre e abre sobre a nosso caminho terreno um horizonte
de eternidade».
ESTADOS UNIDOS
ESTREIA DO FILME SOBRE
SANTA TERESINHA
O filme «Thérèse» de Leonardo DeFilippis, que leva às
telas a vida de Santa Teresa de Lisieux, tornou-se um sucesso de bilheteira.
Apesar de coincidir com grandes estreias e ser exibido
num número muito limitado de salas, «Thérèse» obteve ganhos maiores a 350 mil
dólares, ocupando o 4.º lugar da bilheteira nos lugares em que se apresentou. O
filme ocupou, além disso o 19.º lugar no total de 190 filmes estreados nos EUA
no mesmo fim-de-semana.
Graças a tal sucesso, a exibição de «Thérèse» será
alargada a mais 900 salas nas próximas semanas.
Recordando a infância da Santa, a sua entrada para o
Carmelo e a sua morte por tuberculose com apenas 24 anos, o filme sublinha a
evolução do carácter da jovem Doutora da Igreja, a sua alma e o seu «caminho».
Para Defilippis, que no filme desempenha o papel do
pai de Santa Teresinha, o filme é, ao mesmo tempo, um trabalho e um exercício
de fé. «É um milagre que tenhamos feito e distribuído este filme depois de ter
trabalhado nele tantos anos», reconhece.
Sem objectivos de lucro e realizado com donativos, o
filme é o primeiro que Leonardo Defilippis dirige. A obra recebeu vários
prémios nos Estados Unidos da América e obteve o reconhecimento da indústria
cinematográfica internacional. No ano passado, depois de estar com o Papa em
Castel Gandolfo, o realizador informara que o Papa ficara comovido ao ver pela
segunda vez o filme.
MÉXICO
CONGRESSO EUCARÍSTICO
INTERNACIONAL
De 10 a 17 deste mês de Outubro, realizou-se, na
cidade de Guadalajara, no México, o 48.º Congresso Eucarístico Internacional.
Foi uma semana cheia para dar especial relevo a Cristo eucarístico, «centro e
cume da vida cristã», como recorda o Concílio Vaticano II.
Participaram cerca de 18.000 fiéis, vindos de 85
nações diferentes: cerca de 20 Cardeais, mais de duas centenas de Bispos e uns
1.500 Sacerdotes. De Portugal esteve presente um número significativo: 45
pessoas, sacerdotes e leigos, e o Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, em
representação da Conferência Episcopal Portuguesa.
Nota-se que a Igreja do México tem fundas raízes no
seu povo, movimenta muito os jovens e abundam as vocações de consagração
(sacerdócio, vida religiosa, etc.). Basta dizer que a diocese de Guadalajara,
com cerca de seis milhões de habitantes, tem cerca de 500 seminaristas no
seminário maior.
Normalmente, começávamos cada manhã com a celebração
da Eucaristia, passando-se depois a uma conferência (catequese) e a testemunhos
ou comunicações de experiências. As conferências foram apresentadas por
Cardeais, alguns bem conhecidos, como o de Colónia, de Sevilha, de São Paulo,
de Chicago… Os testemunhos foram dados por leigos, religiosas, bispos e
sacerdotes. Houve também uma comunicação sobre a dimensão eucarística da vida e
espiritualidade da beata Alexandrina de Balasar, apresentada por uma senhora da
Itália. De tarde, tinham lugar encontros por grupos linguísticos ou outras
celebrações (procissão, adoração…).
Significando que a Eucaristia tem que ser praticada
pelo amor fraterno, foi inaugurada uma obra social (Fundação Cardeal José
Garibi Rivera) na cidade de Guadalajara, construída de propósito para assinalar
a realização deste Congresso Eucarístico.
De tudo o que se passou, faço apenas algumas breves
observações:
– Impressionou a todos o calor do acolhimento do povo
mexicano e a sua ardente fé.
– A procissão eucarística, pelas ruas da cidade,
durante cerca de 6 km tocou-nos pela espontaneidade alegre e fé festiva do
povo, tendo participado largas dezenas de milhar de fiéis.
– A celebração final, no estádio de Jalisco, com a
lotação esgotada, sendo a sua capacidade de cerca de 65 mil lugares, foi
deveras impressionante para os olhos e o coração. Presidida pelo Cardeal Legado
do Papa, Jozef Tomko, concluiu-se com uma ligação à Basílica de S. Pedro, em
Roma, via satélite, onde o Papa João Paulo II, inaugurou o «Ano da Eucaristia»,
que se concluirá, daqui a um ano, por ocasião do Sínodo dos Bispos, em Roma.
O Papa, na sua recente Carta Apostólica Mane
nobiscum, Domine, pede para que as Igrejas locais encontrem os meios
oportunos de celebrar este ano, para revigoramento da vida cristã das nossas
comunidades, obras e movimentos. É o desafio ao qual importa responder, com
acções concretas. É que só quem é eucarístico é verdadeiramente cristão.
Pe. Manuel
Morujão
FRANÇA
BISPOS DENUNCIAM RESTRIÇÕES
À LIBERDADE RELIGIOSA
O
presidente da Conferência Episcopal Francesa (CEF), arcebispo Jean-Pierre
Ricard, denunciou as dificuldades encontradas pela Igreja Católica desde que é
aplicada a lei que interdita os símbolos religiosos ostensivos nas escolas
públicas.
«O medo de um Islamismo militante tem sido
acompanhado de uma vontade de restringir as expressões da liberdade religiosa
para todas as religiões», declarou Mons. Ricard na abertura da Assembleia
Plenária de Outono da CEF.
O prelado criticou ainda os partidários de
uma «secularização completa da sociedade» e da expressão «escola pública,
santuário da República», em que as religiões ficam à porta.
Citando João Paulo II, o arcebispo de
Bordéus assegurou que «não pode haver liberdade religiosa se não houver liberdade
de expressão e a possibilidade de comunicação do pensamento».
A Assembleia Plenária da CEF decorreu de 4
a 9 de Novembro, em Lourdes. Dois temas marcaram a agenda destes dias: a
reforma das estruturas da própria Conferência Episcopal e a Catequese.
A reforma das estruturas dá seguimento a
um processo de reorganização interna iniciado em 2002, com o objectivo de
favorecer o trabalho entre os bispos, de modo a melhor servir a sua missão
comum.
A Catequese é outro ponto importante da
Assembleia Plenária. A intenção é clara: recolocar a catequese no coração das
comunidades cristãs e apresentar os fundamentos de uma catequese que se dirige
aos diferentes grupos etários e articula na iniciação cristã as experiências,
as aprendizagens e os ensinamentos.