aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

 

FUNCHAL

 

PRIMEIRA DIOCESE GLOBAL

 

Funchal é considerada a primeira diocese católica global porque, quando foi criada, em 1514, teve jurisdição sobre Igrejas de quatro continentes, no contexto da expansão marítima portuguesa.

 

O Congresso internacional Diocese do Funchal – 500 anos. A primeira Diocese Global deverá espelhar o seu envolvimento “no dinamismo de construção de uma sociedade nova que não era só regional, mas nacional e global”, afirmou no passado dia 2 de Abril o presidente da comissão organizadora.

A iniciativa, que decorre de 18 a 20 de Setembro de 2014 no Funchal, pretende também destacar a influência da diocese na consolidação da sociedade madeirense, explicou José Eduardo Franco durante a sessão de apresentação do Congresso realizada no auditório da Reitoria da Universidade da Madeira.

Para o presidente da Comissão Científica, a diocese integra-se no “processo de transição de uma Igreja ainda medieval e fechada num mundo relativamente circunscrito para uma Igreja que se está a abrir mas que ainda não começou verdadeiramente a missionar”.

“No Funchal foi criada a primeira pedra de uma estrutura complexa à escala mundial de organização da Igreja diocesana, ou seja, não de uma Igreja vocacionada para a conversão dos outros, mas para o acompanhamento das comunidades de crentes”, acrescentou João Paulo Oliveira e Costa.

O bispo do Funchal sublinhou que o Congresso se enquadra no plano das comemorações dos 500 anos da diocese, que visa a “renovação espiritual e pastoral” dos fiéis: “Queremos comunidades cristãs vivas e apostólicas, queremos uma Igreja com consciência missionária, uma Igreja em missão, que sempre a teve”.

O prelado considera que a iniciativa visa igualmente valorizar a herança do cristianismo: “Não podemos ficar a olhar só para trás, temos de olhar para a frente, mas não podemos prescindir do conhecimento daquilo que é a riqueza recebida e que é razão de ser dos nossos valores e tradições”.

A diocese foi criada pelo Papa Leão X, com a bula Pro excellenti praeeminentia de 12 de Junho de 1514, desligando o novo bispado da jurisdição da Ordem de Cristo.

 

 

LISBOA

 

COMEMORAÇÃO DOS 75 ANOS

DA RÁDIO RENASCENÇA

 

O Cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, diz que um dos principais desafios da Igreja Católica é “fazer-se escutar” no meio das “muitas leituras” que acompanham a escalada evolutiva da sociedade. O Cardeal-patriarca participava na sessão solene dos 75 anos da Rádio Renascença, no passado dia 10 de Abril, na Universidade Católica.

 

“Hoje são muitas as leituras possíveis, aguerridamente propostas, como interpretação da vida de todos os dias, e há uma chave cristã para essa leitura, basta ter a compreensão do que é o Homem à luz de Jesus Cristo, o Homem que reage diante de todos os homens como irmãos”, realça o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.

Para facilitar esse discernimento, a mensagem da Igreja deve “interpelar a inteligência, tocar o coração, ir ao encontro de dinamismos e desafios presentes na identidade profunda de cada pessoa”.

“Comunicar é também sugerir um sentido da vida, do Homem e da História, e isso hoje é extraordinariamente importante e difícil”, sublinha o cardeal.

O Cardeal-patriarca mostrou-se convicto de que a emissora católica teve e continuará a ter um papel importante na transmissão e na defesa dos ideais cristãos.

O reitor da UCP, Manuel Braga da Cruz, reforçou esta mensagem, defendendo a “afirmação colectiva, pública e comunitária” da fé cristã, ameaçada pelos “ataques que o moderno laicismo e o secularismo continuam a desferir contra a Igreja e contra a liberdade religiosa”.

“Há hoje um claro desígnio de muitos de eliminar a Igreja da vida e do espaço público, que pretende identificar a fé como mera questão de consciência e a religião como sendo de natureza meramente doméstica”, alertou.

No dia anterior, 9 de Abril, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, tinha atribuído à Rádio Renascença o grau de «Membro Honorário da Ordem do Mérito», numa cerimónia que decorreu no Palácio de Belém, destacando os “valores indeclináveis e inegociáveis” que a emissora católica tem difundido ao longo dos anos, acompanhando a “história contemporânea de Portugal”.

 

 

BRAGANÇA

 

ENSINO DE RELIGIÃO

PREVISTO NA LEGISLAÇÃO

 

O bispo de Bragança-Miranda pediu às escolas que respeitem a legislação que determina a “oferta obrigatória” de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), considerando a disciplina essencial para a “humanização da sociedade”.

 

Numa nota pastoral, D. José Manuel Cordeiro sustenta que a “presença de EMRC ou de outra confissão na escola é um direito” que “não pode depender da boa ou má vontade das direcções ou dos directores de turma”.

“Muito menos se concebe que haja na escola quem a menospreze e até a desaconselhe, quando ocorre o período das matrículas”, aponta o prelado, frisando que “a educação está sempre baseada numa ideia e num projecto de pessoa”, onde “a dimensão religiosa também tem o seu lugar”.

Para o bispo de Bragança-Miranda, a disciplina “oferece uma educação integral, que perspectiva a vida assente em valores”, como a “verdade” e o “desejo de felicidade que dá forma ao coração humano”.

Propostas que, segundo aquele responsável, andam actualmente arredadas de uma sociedade em crise até para “educar os próprios filhos” e onde parece que “nada tem valor senão o dinheiro, o poder e a posição social”.

“Não se pode conceber uma educação neutra”, sublinha o prelado, apelando aos “pais e encarregados de educação” para que tenham “a sensibilidade e a atenção de fazerem valer a legislação” e, ao mesmo tempo, a “generosidade de ousarem matricular os seus educandos em EMRC”.

A disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica está consagrada na legislação portuguesa como uma matéria de “oferta obrigatória” e “frequência facultativa” nas escolas públicas, entre o primeiro e o último ano do ensino secundário.

No artigo 19.º da nova Concordata, assinada pela Igreja e o Governo em 2004, pode ler-se ainda que “a República Portuguesa, no âmbito da liberdade religiosa e do dever de o Estado cooperar com os pais na educação dos filhos, garante as condições necessárias para assegurar, nos termos do direito português, o ensino da religião e moral católicas nos estabelecimentos de ensino público não superior, sem qualquer forma de discriminação”.

 

 

VILA NOVA DE GAIA

 

JORNADA SOBRE

A VIDA ETERNA

 

Cerca de 80 sacerdotes de várias dioceses do país estiveram no passado dia 17 de Abril na Quinta de Enxomil, Miramar, para a 16ª edição da “Jornada sobre Questões Pastorais”, promovida por sacerdotes ligados ao Opus Dei.

 

A iniciativa teve como tema a pergunta A esperança na vida eterna tem consequências práticas?

Pedro Rodriguez, professor de Teologia Dogmática da Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra (Espanha), sublinhou na conferência inicial que “vida eterna” não é uma “outra vida” depois desta, mas a vida do cristão em Cristo que chega à sua plenitude.

O orador seguinte, Miguel Angel Monge, falou da sua experiência como capelão e professor da Escola Universitária de Enfermagem da Universidade de Navarra, frisando que a questão do "além" teima em voltar, mais ainda em tempos de crise, especialmente na doença e na hora da morte.

A Jornada contou ainda com a intervenção de Isabel Galriça Neto, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, para a qual quem se dedica a esta tarefa “tem o mandato de não abandonar ninguém”.

 

 

FÁTIMA

 

DIRECTRIZES PARA CASOS DE

ABUSO SEXUAL DE MENORES

 

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) divulgou no passado dia 19 de Abril um conjunto de directrizes para o tratamento de eventuais casos de abuso sexual de menores, ocorridos na Igreja, destacando a necessidade de colaboração com autoridades civis.

 

“Cada pessoa jurídica canónica cooperará com a sociedade e com as respectivas autoridades civis”, assinalam os bispos, que pedem “transparência e prontidão” na resposta às autoridades competentes para salvaguardar “os direitos das pessoas, incluindo o seu bom nome e o princípio da presunção de inocência”.

O documento apresenta um conjunto de “procedimentos preliminares”, que passam, em primeiro lugar, por ouvir “os denunciantes, a eventual vítima e o visado”.

No caso de “confirmação dos indícios ou da credibilidade das evidências da prática do delito”, a CEP determina a “instauração imediata do procedimento canónico” e o “aconselhamento da vítima ou denunciantes a promover a participação imediata dos factos às autoridades civis competentes”.

Recomenda-se ainda que se faça “todo o possível para assegurar que haja apoio pastoral e ajuda terapêutica à vítima e à sua família, quando se mostre necessário e conveniente”.

O cardeal-patriarca de Lisboa assinalou, em conferência de imprensa, que em Portugal “não há obrigação de denúncia” na ordem jurídica, excepto no caso de funcionários públicos.

O “guia”, dividido em 51 pontos, responde a uma exigência feita pela Congregação da Doutrina da Fé, organismo da Santa Sé, que em 2011 solicitou aos episcopados católicos de todo o mundo a elaboração de directivas próprias para tratar os casos de abusos sexuais, a serem entregues até final de Maio.

Estas novas directrizes têm como destinatários imediatos “o clero e todos os que trabalham ou colaboram de alguma forma na actividade da Igreja”, apelando ao “respeito pela dignidade das crianças, adolescentes e jovens menores”.

As sanções previstas pela Igreja Católica podem chegar à suspensão do exercício do ministério sacerdotal e à demissão do estado clerical.

Os últimos pontos do documento recomendam “grande prudência” nas “expressões de afecto”, falando na necessidade de promover um “saudável amadurecimento psicológico e afectivo dos candidatos e dos seminaristas”, bem como da vigilância sobre a admissão de seminaristas ou de transferência de padres entre dioceses.

Os bispos concluem com um apelo ao respeito do “justo princípio da presunção de inocência, o direito ao contraditório e o direito à privacidade de todos os intervenientes”.

 

 

BRAGA

 

Artistas e pensadores reuniram-se no passado sábado 21 de Abril, no auditório da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica, para o simpósio «Fé e Arte – Dar Corpo à Graça».

 

Pierangelo Sequeri, Marko Rupnik, Alberto Carneiro, Jacinto Lucas Pires, Joana Providência, Sérgio Azevedo, Maria Luísa Carles, João Seabra, Carlos de Pontes Leça e Nuno Carinhas – foram alguns dos oradores desta iniciativa promovida pelo Centro Académico de Braga da Companhia de Jesus e pelo Seminário Conciliar daquela cidade.

Se, no passado, fé e arte andaram normalmente de braços dados, actualmente a “fé parece estar a ficar um pouco «fora de moda» e esse divórcio nota-se, também, nas próprias igrejas: a estatuária, a música, os textos, os gestos. Nota-se um certo empobrecimento nas nossas formas de dizer e viver a fé, na sua dimensão artística”, lê-se no site da iniciativa.

O encontro serve também para "ouvir o que grandes artistas têm a dizer sobre a sua experiência de tentar modelar uma obra segundo o desejo de descobrir algo profundamente bom e importante para a vida humana", sublinha a organização.

Para além de duas conferências, o encontro quer promover "autênticas conversas entre artistas, em tom de partilha sobre o que pensam, vivem e esperam acerca do tema «Dar Corpo à Graça»".

O dia culminou com a visita à Capela Árvore da Vida, no Seminário Maior de Braga, vencedora do prémio de arquitectura ArchDaily 2011.

 

 

BEJA

 

EVOLUÇÃO DO CANTO CRISTÃO

 

O musicólogo Rui Vieira Nery proferiu no passado dia 21 de Abril em Beja uma conferência onde apresentou a evolução do canto no âmbito do Cristianismo e reflectiu sobre a música sacra.

 

A intervenção do investigador, integrada na programação da 8.ª edição do Festival Terras Sem Sombra, organizado pela Diocese de Beja, abarcou a história da música desde o canto gregoriano, que encontrou descendência no cante alentejano, até à polifonia do século XVI.

Na conferência intitulada “Cum liquida voce et convenientissima modulatione” (“Com voz suave e bem modulada”), frase extraída de Santo Agostinho, o professor universitário afirmou que o canto “reforça a palavra rezada” e “tem poderes mágicos sobre os sentimentos e o pensamento humano”.

Durante a palestra realizada na igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, o especialista em música antiga também explicou o papel do cante alentejano, que nunca perdeu as suas componentes espirituais.

O director do Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo, arquitecto José António Falcão, afirmou que a conferência, realizada “num espaço tão ecuménico e cheio de história e cultura, como é o Alentejo”, constituiu “um regresso às origens para compreender o estado actual da arte”.

 

 

LISBOA

 

IPSS EM CONTEXTO

DE CRISE ECONÓMICA

 

O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), padre Lino Maia, considerou, no passado dia 27 de Abril, que as instituições que representa “são a grande almofada social e de coesão social”.

 

Na apresentação do estudo «As Instituições Particulares de Solidariedade Social num contexto de crise económica», o responsável da CNIS realçou que é fundamental “um Estado solidário para se salvar o Estado social”.

Em relação ao estudo – fruto de uma parceria entre a CNIS e a Fundação Millennium BCP –, o padre Lino Maia frisou que o trabalho apresentado dá uma “base científica” às intuições existentes e aponta para um caminho: “Mais solidariedade, até entre as instituições, mais sustentabilidade e mais formação para melhores respostas”. Neste contexto, o responsável defendeu a cultura de proximidade nas instituições.

Fernando Nogueira, secretário-geral da Fundação Millennium BCP, sublinhou que as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) têm uma “importância social que já é reconhecida pelas pessoas mais informadas, mas a sociedade em geral não tem um conhecimento da dimensão destas organizações”; e acrescenta: “o peso das IPSS, mesmo na economia, é muito superior àquele que se possa imaginar”.

Após a divulgação do estudo, Fernando Nogueira realça que as IPSS “vão ser olhadas com outra atenção”.

 

 

FÁTIMA

 

SEMANA DE DESCANSO

PARA PAIS DE DEFICIENTES

 

O Santuário de Fátima vai oferecer, pelo sétimo ano consecutivo, uma semana de descanso a pais de pessoas com deficiência, que podem deixar os seus filhos entregues aos cuidados do Santuário.

 

“A actividade visa proporcionar um momento de quebra de rotina e de descanso aos pais que cuidam dos seus filhos com deficiência em suas casas ao longo de todo o ano”, assinala uma nota do Santuário.

Este ano, devido ao “grande número de famílias” que se inscreveu para participar em 2011, a iniciativa foi alargada, decorrendo entre 1 de Agosto e 2 de Setembro, ao longo de quatro turnos semanais divididos por escalões etários.

A instituição conta com a colaboração de um grupo de voluntários, coordenados pelo Movimento da Mensagem de Fátima, e as principais actividades realizam-se no Centro de Espiritualidade Francisco e Jacinta Marto, instituição dos Silenciosos Operários da Cruz.

À semelhança dos anos anteriores, o Santuário aceita que os pais que assim o desejem possam acompanhar os seus filhos neste período em Fátima.

As inscrições (mmf@fatima.pt) para participação estão abertas e têm como prazo limite o dia 30 de Junho.

 

 

LISBOA

 

SENSIBILIZAÇÃO

ANTE O ABORTO

 

No centro de Lisboa, junto ao jardim do Príncipe Real, uma pequena loja com uma imagem de Nossa Senhora com o filho ao colo interpela as mulheres que chegam a uma clínica de aborto, desafiando-as a preservar a vida.

 

“Cada filho é uma bênção, é um tesouro e cada vez que uma mãe aceita um filho, aceita ser mais mulher, mais amiga, mais filha de Deus”, salienta Leonor Castro, fundadora da Associação “Mãos Erguidas”.

O projecto nasceu há quatro anos e meio, na sequência do referendo nacional que despenalizou a interrupção voluntária da gravidez, se realizada por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado.

Todos os dias, voluntários e missionários do terço reúnem-se à porta daquela pequena loja para rezar e falar com as mulheres que estão prestes a ser internadas numa clínica abortiva, mesmo do outro lado da rua.

“Não é difícil transmitir a verdade, quando estamos convencidas dela, o que é mais difícil é ouvir aquilo que elas depois nos têm para dizer”, realça Leonor Castro, para quem a sociedade actual, católicos incluídos, está “formatada” para um projecto de vida que não contempla mais do que “um ou dois filhos”.

“Há uma cultura de morte que foi muito enraizada e a religião não tem peso, não influencia a vida das pessoas, sejam católicos, evangélicos ou muçulmanos, há aqui um desnorte muito grande”, lamenta.

Segundo a responsável, o desenvolvimento dos métodos contraceptivos, nos últimos 50 anos, transformou o milagre da vida em algo “completamente programado”, que urge modificar.

“Os mais pobres não são aqueles que não têm pão, são aqueles a quem lhes foi posta uma venda para não verem”, aponta a fundadora da Associação “Mãos erguidas”.

Apesar de haver “gente que repele” a acção dos voluntários e missionários, o movimento tem conhecido mais casos de sucesso, ao longo dos anos.

“Há casos de alegria, de bebés que são salvos, de mulheres que entram no caminho da oração, de mulheres que abortaram e sentiram o perdão de Deus”, sublinha a mesma responsável.

Cinco mães que por ali passaram são agora missionárias e a associação prepara-se para partilhar com o público estas e outras histórias, através de um livro a desenvolver com a parceria das edições Paulinas.

 

 

LISBOA

 

IGREJA E ESTADO

COOPERAM EM PATRIMÓNIO

 

Um protocolo assinado no passado dia 7 de Maio entre a Igreja Católica e o Estado português vai permitir a inventariação, preservação e divulgação do património imóvel das dioceses, em parceria com o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU).

 

O presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, D. Pio Alves de Sousa, destaca o evento como “um passo importante” rumo à dinamização de um tipo de património para o qual “faltava muitas vezes” recursos humanos com “conhecimentos técnicos” adequados.

À disposição das dioceses, realça D. Pio, vai estar um organismo estatal com “experiência acumulada na classificação dos imóveis”, já com cerca de 32 mil edifícios catalogados um pouco por todo o país, e “com toda a disponibilidade para assessorar” os responsáveis eclesiais que assim o entendam.

“Esta parceria entre a Igreja e o Estado é um chapéu global que vale para todo o país, mas que necessita depois da livre adesão de cada uma das dioceses”, sublinha o prelado, que marcou presença na cerimónia de assinatura do protocolo, nas instalações do IHRU localizadas no Forte de Sacavém, Patriarcado de Lisboa.

D. Pio Alves destacou ainda a importância da parceria entre a Igreja e o Estado para o crescimento da religião, na sua relação com o público e na evangelização.

“Ao mesmo tempo que estamos a preservar e a melhorar, estamos a enriquecer o nosso modo de comunicar com a sociedade e com as pessoas que procuram o religioso”, apontou, aludindo aos muitos turistas que visitam anualmente o património arquitectónico da Igreja.

Do lado do Estado, a Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território justificou o estabelecimento desta parceria com o “lugar de primazia” que o património religioso ocupa no “universo dos valores edificados” em Portugal.

“Este património invoca a memória devocional portuguesa e recria um tempo que, passado e sem registo, poderia ficar definitivamente perdido”, realçou Assunção Cristas.

 

 

LISBOA

 

ACORDO SANTA SÉ – GOVERNO

SOBRE FERIADOS A SUPRIMIR

 

A Santa Sé anunciou no passado dia 9 de Maio ter chegado a um “entendimento excepcional” com o Governo português para a eliminação dos feriados do Corpo de Deus e de Todos os Santos “durante os próximos cinco anos”, a partir 2013.

 

A decisão foi transmitida em comunicado oficial pela Nunciatura Apostólica em Portugal.

Segundo o documento, a celebração da solenidade do Corpo de Deus (assinalada até agora numa quinta-feira, a seguir à solenidade da Santíssima Trindade) vai ser “transferida para o domingo seguinte” e a de Todos os Santos “manter-se-á no dia 1 de Novembro, mas sem o carácter de feriado civil”.

A Santa Sé sublinha que o acordo vai ao “encontro dos desejos do Governo português na procura de uma solução para a grave crise económico-financeira em que se encontra o país”.

A eliminação de feriados foi decidida pelo Executivo de coligação PSD/CDS-PP e inclui, por parte do Estado, os dias 5 de Outubro (implantação da República) e 1 de Dezembro (restauração da independência).

O Governo português adiantou na mesma altura que em 2012 se vão manter tanto os feriados religiosos como os civis, para “ir ao encontro do melhor planeamento dos calendários das famílias e das empresas no corrente ano”.

“Na base deste compromisso encontra-se a preocupação de acompanhar, por esta via, os esforços de Portugal e dos portugueses para superar a crise económica e financeira que o País atravessa. Ficou, portanto, estabelecido que, no final do período de cinco anos, a República Portuguesa e a Santa Sé reavaliarão os termos do seu acordo”, informa a nota conjunta do Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Ministério da Economia e do Emprego.

O Governo "enaltece o sentido de responsabilidade demonstrado pelos parceiros sociais e salienta a disponibilidade e a abordagem construtiva da Santa Sé e da Conferência Episcopal Portuguesa”, acrescenta a nota.

O artigo terceiro da Concordata de 2004, assinada entre Portugal e a Santa Sé, indica que os dias “festivos católicos”, além dos domingos, “são definidos por acordo nos termos do artigo 28”.

Este, por seu lado, prevê que o conteúdo do acordo diplomático “pode ser desenvolvido por acordos celebrados entre as autoridades competentes da Igreja Católica e da República Portuguesa”.

A respeito destas negociações, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) tinha sublinhado o “bom entendimento” entre a Secretaria de Estado do Vaticano e o Governo português, remetendo para o Executivo a responsabilidade desta decisão.

“O Governo sabe que o que nós preferíamos é que não se mexesse nisso, mas nós regemo-nos por uma Concordata, não estamos completamente livres nessa negociação”, referiu D. José Policarpo, Cardeal-patriarca de Lisboa, na conferência de imprensa final da recente assembleia plenária deste organismo, que decorreu em Abril.

O responsável explicou que “só são deslocáveis para o domingo seguinte as festas cristológicas”, o que não acontece com o 1 de Novembro (Todos os Santos).

“A única alternativa é mantermos a festa religiosa, mesmo sem feriado civil”, referiu.

 


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