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A MAGNANIMIDADE

 

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

Colaborando desde o princípio com a «Celebração Litúrgica», aproveito o segundo aniversário do falecimento do seu saudoso fundador, o Cón. Doutor José da Silva Marques, para destacar uma das suas virtudes que nele sempre admirei: a magnanimidade.

Quem lida mais com palavras do que com obras – embora as próprias palavras devam ser uma obra útil aos outros e não apenas entretimento superficial – não pode deixar de admirar quem quer que faça qualquer «coisa», e quanto mais quem se lança a produzir «coisas grandes» - e as consegue levar a cabo! E ainda mais, quando faz grandes coisas… com palavras! Não me refiro apenas à nossa própria revista, que já atravessou mais de quarenta anos de publicação, mas à «Theologica», ao «Missal Quotidiano», ao «Código de Direito Canónico»…

Sempre o vejo à secretária, rodeado de livros e papéis, cachimbo na boca – geralmente apagado – batendo à máquina ou tratando connosco de trabalhos pendentes. Projectos sempre havia, acumulados sobre os que já se estavam organizando ou efectuando, além dos compromissos previstos ou imprevisíveis que lhe caíam em cima. Trabalhava com afinco e obrigava a trabalhar com amizade, confiando em capacidades que os próprios não sentiam mas acabavam por descobrir ou inventar para corresponder aos seus planos generosos.

As dificuldades económicas não o arredavam dos seus fitos, as limitações de tempo não o faziam parar, e as «coisas» faziam-se. Com as suas inevitáveis imperfeições, mas faziam-se, para bem de milhares de pessoas, desde os especialistas aos mais comuns dos fiéis. Não tinha a preocupação de fazer obras pessoais, mas de levar para a frente obras de interesse geral no domínio da fé, da piedade, da cultura canónica e teológica. Sacerdote sempre.

A isso chama-se magnanimidade, com audácia e paciência, longanimidade e perseverança; numa palavra, fortaleza humana e sobrenatural. Devemos-lhe muito. Deus já o terá recompensado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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