2º
Domingo da Quaresma
20 de Fevereiro de 2005
RITOS INICIAIS
Cântico
de entrada: Vem Salvador do mundo,
F. dos Santos, NCT 94
Salmo 26, 8-9
Antífona
de entrada: Diz-me o coração: «Procurai
a face do Senhor». A vossa face, Senhor, eu procuro; não escondais de mim o
vosso rosto.
Ou
cf. Salmo
24, 6.3.22
Lembrai-vos, Senhor, das
vossas misericórdias e das vossas graças que são eternas. Não triunfe sobre nós
o inimigo. Senhor, livrai-nos de todo o mal.
Não se diz o Glória.
Introdução ao espírito da
Celebração
A Transfiguração de Jesus
anuncia a Sua vitória sobre a morte. Somos convidados nesta Eucaristia a
aumentar a nossa fé em Jesus Cristo, mesmo quando as Suas palavras nos parecem
desconcertantes e nos falam de cruz, contradições, perseguições e sofrimentos.
A vida cristã é vida de fé que Jesus recompensa, louva e exige de todos. Sem fé
é impossível agradar a Deus.
Oração colecta: Deus
de infinita bondade, que nos mandais ouvir o vosso amado Filho, fortalecei-nos
com o alimento interior da vossa palavra, de modo que, purificado o nosso olhar
espiritual, possamos alegrar-nos um dia na visão da vossa glória. Por Nosso
Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito
Santo.
Liturgia da Palavra
Primeira Leitura
Monição: A vocação de Abraão é o momento capital da história
da salvação: Abraão tem de deixar tudo o que conhece- a terra, os parentes, a
casa paterna- e partir para o desconhecido. A fé e obediência de Abraão fizeram
dele para sempre o pai dos crentes.
Génesis 12, 1-4a
1Naqueles dias, o Senhor disse a Abrão: «Deixa a tua
terra, a tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que Eu te indicar. 2Farei
de ti uma grande nação e te abençoarei; engrandecerei o teu nome e serás uma
bênção. 3Abençoarei a quem te abençoar, amaldiçoarei a quem te
amaldiçoar; por ti serão abençoadas todas as nações da terra». 4aAbrão
partiu, como o Senhor lhe tinha ordenado.
1 «O Senhor disse a Abrão». Estamos nas origens do antigo povo de Deus, como preparação do caminho do Evangelho: «no devido tempo Deus chamou Abraão para fazer dele um grande povo» (Dei Verbum, 3). A aliança com Deus implica uma série de exigências: deixar terra, família, casa e lançar-se para o desconhecido, «a terra que Eu te indicar…», fiando-se apenas na palavra de Deus. É assim que S. Paulo há-de insistir no exemplo de fé e de obediência ao Deus de Abraão: Rom 4; cf. Hebr 11, 8-19.
Salmo Responsorial Sl 32 (33), 4-5.18-19.20.22 (R. 22)
Monição: A fé em Deus
leva-nos à esperança confiada na Sua Misericórdia infinita. O Senhor jamais
abandona os que n'Ele confiam.
Refrão: Esperamos, Senhor, na
vossa misericórdia.
Ou: Desça sobre nós
a vossa misericórdia,
porque
em Vós esperamos, Senhor.
A palavra do Senhor é recta,
da fidelidade nascem as suas
obras.
Ele ama a justiça e a
rectidão:
a terra está cheia da bondade
do Senhor.
Os olhos do Senhor estão
voltados para os que O temem,
para os que esperam na sua
bondade,
para libertar da morte as suas
almas
e os alimentar no tempo da
fome.
A nossa alma espera o Senhor:
Ele é o nosso amparo e
protector.
Venha sobre nós a vossa
bondade,
porque em Vós esperamos,
Senhor.
Segunda Leitura
Monição: S. Paulo anima o seu discípulo Timóteo a apoiar-se,
como ele, na força de Deus no meio dos sofrimentos e das tribulações da vida
presente.
2 Timóteo 1, 8b-10
Caríssimo: 8bSofre
comigo pelo Evangelho, apoiado na força de Deus. 9Ele salvou-nos e
chamou-nos à santidade, não em virtude das nossas obras, mas do seu próprio
desígnio e da sua graça. Esta graça, que nos foi dada em Cristo Jesus, desde
toda a eternidade, 10manifestou-se agora pelo aparecimento de Cristo
Jesus, nosso Salvador, que destruiu a morte e fez brilhar a vida e a
imortalidade, por meio do Evangelho.
8 S. Paulo, nas vésperas da sua execução pelo ano 67, no seu segundo cativeiro romano, aparece a animar o seu discípulo a sofrer também pelo Evangelho.
9-10 Estes versículos, num contexto exortatório,
constituem mais uma das belas sínteses paulinas da salvação, em forma de hino,
em prosa ritmada; esta «salvação»
tem, como ponto de partida, um desígnio
divino gratuito e (à letra) «um
chamamento santo», santo, não só por ser de Deus, mas por levar a Deus,
(daí a tradução litúrgica, menos formal: «chamou-nos
à santidade»).
Aclamação ao Evangelho
Monição: Como nos diz a Voz do Pai, devemos escutar
continuamente Jesus Cristo. A Sua palavra é luz e salvação para todos os
homens.
B. Salgado, NRMS 32
No meio da nuvem luminosa,
ouviu-se a voz do Pai:
«Este é o meu Filho muito amado:
escutai-O».
Evangelho
São Mateus 17, 1-9
1Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e
João seu irmão e levou-os, em particular, a um alto monte 2e
transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as
suas vestes tornaram-se brancas como a luz. 3E apareceram Moisés e
Elias a falar com Ele. 4Pedro disse a Jesus: «Senhor, como é bom
estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para
Moisés e outra para Elias». 5Ainda ele falava, quando uma nuvem
luminosa os cobriu com a sua sombra e da nuvem uma voz dizia: «Este é o meu
Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O». 6Ao
ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se
muito. 7Então Jesus aproximou-se e, tocando-os, disse: «Levantai-vos
e não temais». 8Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém,
senão Jesus. 9Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem: «Não
conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos».
1 «A um alto monte». Os Evangelhos não dizem o nome do monte que habitualmente se julga ser o Tabor, segundo uma tradição procedente do séc. IV, um monte situado a 10 km a Leste de Nazaré. Como este monte não é muito alto (apenas 560 m), há exegetas modernos que falam antes do Monte Hermon (2.759 m), junto a Cesareia de Filipe, região onde Jesus tinha estado, segundo os três sinópticos, uma semana antes.
Pedro, Tiago e João, são os três predilectos de Jesus, destinados a ser «colunas da Igreja» (Gál 2, 9) particularmente firmes, igualmente testemunhas da ressurreição da filha de Jairo (Mc 5, 37) e da agonia de Jesus no horto (Mt 26, 37), diríamos, uma espécie de núcleo duro. Jesus sabia que a sua Paixão e Morte lhes iria provocar um violentíssimo choque, por isso quer prepará-los para enfrentarem com fé e coragem tamanha provação: Pedro acabara de confessar Jesus como «o Messias, o Filho de Deus vivo» (Mt 16, 16); Jesus tinha-o declarado «bem-aventurado» por essa confissão de fé, que afinal era muito frágil, pois, logo a seguir, perante o primeiro anúncio da Paixão, Jesus havia de o repreender pela sua visão humana (cf. Mt 16, 23).
3 «Moisés e Elias». São os dois maiores expoentes de toda a revelação do Antigo Testamento: representam a Lei e os Profetas a convergirem em Cristo.
9 «Não conteis a ninguém». Esta ordem enquadra-se na chamada «disciplina do segredo messiânico», que tinha por fim evitar uma exagerada exaltação do espírito dos Apóstolos; assim Jesus obviava a possíveis agitações populares que só viriam prejudicar e perturbar a sua missão. Em Marcos esta imposição do silêncio adquire um significado teológico muito particular.
Sugestões para a homilia
1. A Transfiguração: uma
antecipação pascal.
2. Deus põe à prova a fé de
Abraão.
3. A fé apoia-se na Palavra de
Deus.
1. A
Transfiguração: uma antecipação pascal
A esplendorosa figura de
Jesus, antecipando já o triunfo da Sua Ressurreição, imediatamente depois do
anúncio da sua máxima humilhação em Jerusalém, jamais se apagará da memória dos
três discípulos do Senhor, a quem foi concedida essa visão.
Jesus, homem mortal em tudo
igual a nós, excepto no pecado, é o Filho imortal de Deus que existe desde toda
a eternidade, é o Messias Salvador anunciado no Antigo Testamento na Lei e nos
Profetas, aqui no Tabor representados por Moisés e Elias. Pela sua condição
divina, o esplendor da divindade penetra e transfigura a sua humanidade,
deixando ver a glória do Filho muito amado do Pai.
A nossa fé é sabedoria de
Deus: por ela entendemos, aceitamos e vivemos, tanto quanto é possível neste
mundo passageiro, o acontecimento de Jesus Salvador; ela é a segurança daquilo
que esperamos e a prova daquilo que não vemos (Hebr 11, 1); ela é a «vitória que vence o mundo» (1 Jo, 5, 4); o que crê em Jesus Cristo
«não será confundido» (Rom 10, 13).
Nos momentos de obscuridade devemos apoiar-nos na fé, como S. Paulo nos
recorda: «Sofre comigo pelo Evangelho, apoiado na força de Deus» (2ª leitura).
2. Deus
põe à prova a fé de Abraão.
Deus pede a Abraão o
sacrifício de seu filho único...É uma suprema prova da fé, da confiança, da
obediência e da fidelidade de um homem justo; com a agravante de que, com essa
ordem, Deus parece faltar à Sua Palavra e fechar para aquele homem toda a
esperança do futuro.
Não obstante, Abraão
obedece...como tinha obedecido ao primeiro chamamento, quando Deus lhe pediu
para deixar a sua terra, a sua família e a casa de seu pai e partir para um
destino desconhecido...
A fé de Abraão é pronta,
abnegada e total... Nós, cristãos, devemos procurar imitar esta fé, tendo
confiança plena e segurança total na acção salvadora de Deus, não por nossos
méritos, mas pelo amor que o Pai nos tem: «Deus amou de tal modo o mundo e os
homens que lhes deu o seu Filho Unigénito» (Jo
3, 16). Devemos ser «fortes na fé» (1 Pedro
5, 9). As provas e os momentos de obscuridade «purificarão o nosso olhar
espiritual» (Colecta) e voltaremos a ter – melhorada – uma visão luminosa,
divina, sobrenatural dos acontecimentos. Para purificar a fé em Cristo temos
que passar por muitas noites.
3. A fé
apoia-se na palavra de Deus.
A nossa fé começa por escutar
Jesus, Filho muito amado do Pai. Cristo é a Palavra pessoal de Deus. É nesta
Palavra que não pode enganar-se nem enganar-nos que se apoia a nossa fé.
«Alguém que tem pouca ciência
está mais seguro do que ouve a outro que possui muitíssima ciência do que
aquilo que lhe parece segundo o seu entendimento; assim, muito mais seguro está
o homem daquilo que lhe disse Deus, que não pode enganar-se, do que daquilo que
vê com a sua própria razão que pode equivocar-se» (S. Tomás de Aquino).
Por esta fé, que é o
princípio da nossa justificação e da glorificação, mereceremos contemplar, uma
vez purificado o coração, o próprio Deus, a Palavra eterna do Pai, Deus de
Deus, Luz da Luz para sempre.
Nos quarenta dias da
Quaresma, nós, cristãos, somos convidados a percorrer este caminho de fé e de
vida nova, tornando-nos cada vez mais semelhantes a Cristo, Servo obediente e
sofredor. Chegaremos assim,
transfigurados n'Ele e com Ele, a renovar a nossa Aliança com Deus no mistério
da Páscoa. Procuraremos, ao longo deste tempo favorável, «fortalecer-nos com o
alimento interior da Sua Palavra» (Colecta).
Fala o Santo Padre
«Somos chamados a abandonar
os velhos percursos de pecado, que tornam estéril a nossa vida e nos condenam à
morte espiritual.»
1. «Este é o meu Filho amado.
Escutai-o». Com o apóstolo Pedro, digo também: «É bom estarmos aqui» (Mt 17, 4), reunidos, como acontece
agora, em volta do Senhor Jesus. Enquanto prosseguimos a peregrinação quaresmal
para a Páscoa, sentimo-nos como envolvidos por uma nuvem luminosa. O Pai, do
alto dos céus, diz-nos: «Escutai Jesus!». Porém, como Pedro, Tiago e João,
também nós estamos com medo. Preferimos outras vozes, vozes da terra, pois é
mais fácil escutá-las e parecem ter mais sentido. Mas só Jesus nos pode
conduzir à vida. Somente a sua é palavra de vida eterna. Acolhamos o seu
convite com espírito de gratidão: «Não tenhais medo! Escutai a minha voz!» […]
3. E aqui, esta manhã, Jesus
fala-nos de bênção. Indica a bênção suprema da Páscoa e olha para trás, para a
bênção prometida a Abraão e aos seus descendentes. Na primeira leitura do Livro
do Génesis, Deus promete a Abraão duas coisas que parecem impossíveis: um filho
e uma terra. Abraão era rico, mas sem a promessa do Senhor, a sua vida parecia
acabada simplesmente com a morte. Abençoando Abraão com um filho e com uma
terra, Deus oferece-lhe uma vida maior do que a morte. Deus assegura ao «nosso
pai na fé» que a última palavra não pertencerá à morte, mas à vida. Esta promessa
encontra o seu cumprimento definitivo na Páscoa, quando Cristo ressuscita dos
mortos.
Não é suficiente que o seio
estéril de Sara dê à luz Isaac, porque a morte ainda põe em prática o seu
império. A promessa feita a Abraão só se realizará quando a morte for vencida e
a morte será vencida quando Cristo ressurgir para a nova vida.
4. Devemos recordar também que
a promessa não foi feita só a Abraão, mas também aos seus descendentes, ou
seja, a nós! Durante a Quaresma, pois, levemos a Deus tudo o que é estéril e
morto em nós mesmos, todas as nossas dores e os nossos pecados, confiando no
facto de que Deus, que deu um filho a Sara e que ressuscitou Jesus dos mortos,
transformará quanto é estéril e morto em nós numa vida nova e maravilhosa.
Todavia, isto significa que devemos abandonar muito de quanto nos é familiar.
«Deixa a tua terra, a tua
família e a casa de teu pai», disse Deus a Abraão. […]
Somos chamados a abandonar os
nossos velhos percursos de pecado, que tornam estéril a nossa vida e nos
condenam à morte espiritual. Todavia, muitas vezes estes percursos errados
estão tão profundamente enraizados na nossa vida que é doloroso abandoná-los e
procurar a terra bendita que o Senhor promete. Este arrependimento é difícil,
mas é o preço a pagar para receber a bênção que o Pai promete a quantos escutam
a voz de Jesus.
Recordai também a promessa de
Deus de que «todas as famílias da terra serão abençoadas» em Abraão. A bênção
da vida incluirá todo o mundo. Por isso, nestes dias da Quaresma e nestes
tempos difíceis, levemos a Deus quanto é estéril e morto no mundo. Levemos a
chaga da guerra, da violência, da doença, da fome, da pobreza e da injustiça ao
Deus de toda a bênção. Peçamos-Lhe que toque estes males e os transforme em
vida.
5. Ao escutar Jesus,
tornamo-nos disponíveis ao que São Paulo chama «o poder de Deus que nos
salvou». Este poder torna-nos capazes de o encontrar. Podemos, então, dar
testemunho dele com a nossa própria vida, em virtude da graça que nos
transfigura interiormente. Tornar-nos-emos luminosos como o sol, «não devido às
nossas obras, mas em virtude do Seu desígnio [de Deus] e graça», como o
Apóstolo escreve a Timóteo (2 Tm 1,
9).
Caríssimos Irmãos e Irmãs,
aqui está o significado da Quaresma: as nossas vidas, renovadas através da
oração, da penitência e da caridade, abrem-se à escuta de Deus e ao poder da
sua misericórdia. Assim, na Páscoa, poderemos descer da santa montanha e
afugentar as trevas do mundo com a luz gloriosa que resplandece sobre o rosto
de Cristo (cf. 2 Cor 4, 6). […]
João Paulo II, Roma na
Basílica de Santa Pudencian, 24 de Fevereiro de 2002
Oração Universal
Reunidos, caríssimos irmãos,
para celebrar os mistérios da
nossa Redenção,
roguemos a Deus para que dê a
todos os homens a sua graça,
dizendo:
R. Ouvi-nos, Senhor.
1. Para que Deus todo-poderoso e eterno,
que nos enviou
Jesus Cristo como Pastor e Redentor,
guarde e
proteja a Sua Igreja,
a confirme e
ilumine na fé,
e a conduza à
unidade no amor e na obediência,
oremos, irmãos.
2. Para que o Deus de Abraão, Isaac e Jacob,
faça brilhar o
Seu rosto sobre o povo de Israel
e lhe revele
Jesus Cristo como o Messias da sua esperança,
oremos, irmãos.
3. Pelas pessoas consagradas,
pelos lares
cristãos e seus filhos,
pelos idosos e
pelos que vivem sozinhos:
para que Deus
os guarde na santidade do seu amor,
os alegre com a
sua luz
e lhes conceda
a firme esperança do reino futuro,
oremos, irmãos.
4. Pelos defuntos da nossa comunidade e do mundo
inteiro:
para que,
purificados das sua faltas,
possam
contemplar na eternidade o rosto de Cristo,
oremos, irmãos.
Ó Deus, Pai todo-poderoso e
eterno, atendei as súplicas do vosso povo;
e já que, por misericórdia,
nos deste a conhecer o amor de vosso Filho,
revelado na sua
bem-aventurada Paixão, fazei-nos gozar plenamente dos seus dons.
Por Nosso Senhor Jesus
Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.
Liturgia Eucarística
Cântico
do ofertório: Espero em Deus, M. Carneiro, NRMS 105
Oração
sobre as oblatas: Esta oblação, Senhor,
lave os nossos pecados e santifique o corpo e o espírito dos vossos fiéis, para
celebrarmos dignamente as festas pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso
Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Prefácio
A transfiguração do Senhor
V. O Senhor esteja convosco.
R. Ele está no meio de nós.
V. Corações ao alto.
R. O nosso coração está em Deus.
V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.
R. É nosso dever, é nossa salvação.
Senhor, Pai santo, Deus eterno
e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças,
sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.
Depois de anunciar aos
discípulos a sua morte, manifestou-lhes no monte santo o esplendor da sua
glória, para mostrar, com o testemunho da Lei e dos Profetas, que pela sua
paixão alcançaria a glória da ressurreição.
Por isso, com os Anjos e os
Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:
Santo:
F. da Silva, NRMS 99-100
Monição da Comunhão
Comungar o Corpo e o Sangue
de Cristo, o Filho muito amado do Pai, é penhor de salvação. Participemos neste
Banquete devidamente purificados e revestidos da veste nupcial de graça
santificante, para podermos um dia participar no Banquete celeste, na glória de
Deus. Avivemos a nossa fé.
Cântico
da Comunhão: Ouviu-se uma voz, A.
Mendes, Cânticos de Entrada e Comunhão I, pág. 87
Mt 17, 5
Antífona
da comunhão: Este é o meu Filho muito
amado, no qual pus as minhas complacências. Escutai-O.
Cântico
de acção de graças: Bendito sejas, sei que Tu pensas em mim, H. Faria, NRMS 2 (II)
Oração
depois da comunhão: Alimentados nestes
gloriosos mistérios, nós Vos damos graças, Senhor, porque, vivendo ainda na
terra, nos fazeis participantes dos bens do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo,
vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Ritos Finais
Monição final
Iluminados pela Palavra do
Senhor e fortalecidos com a Santíssima Eucaristia, procuremos ser cada vez mais
agradecidos, primeiro que tudo a Deus, de Quem nos vêm todos os bens, e também
aos homens, de quem recebemos diariamente tantos benefícios. Procuremos viver
da fé, sendo testemunhas corajosas de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e
verdadeiro Homem. Não temos debaixo dos céus outro nome pelo qual possamos ser
salvos.
Cântico
final: Ficai connosco, Senhor, M.
Borda, NRMS 43
Homilias Feriais
2ª SEMANA
2ª feira, 21-II: Como ser
misericordiosos.
Dan. 9,
4-10 / Lc. 6, 36-38
Sede
misericordiosos como o vosso Pai celestial é misericordioso.
Para sermos misericordiosos,
como Jesus nos pede (cf. Ev.), precisamos em primeiro lugar reconhecer que
somos pecadores como os demais: «Nós pecámos...deixámos os vossos mandamentos e
as vossas leis (cf. oração de Daniel na Leit.).
Depois, procurando nova forças
no sacramento da Eucaristia: «Tal como o alimento corporal serve para restaurar
as forças perdidas, assim também a Eucaristia fortifica a caridade que, na vida
quotidiana, tende a enfraquecer-se» (CIC, 1394). A vivência das obras de
misericórdia ajudar-nos-á igualmente a manter a caridade mais forte.
3ª feira, 22- II: Cadeira
de S. Pedro.
1 Pd 5, 1-4 / Mt. 16, 13-19
Tu és Pedro e
sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.
Comemora-se hoje o dia da
instituição do Pontificado de S. Pedro, uma manifestação clara da vontade de
Cristo (cf. Ev.).
Jesus diz que a Igreja se
edificará sobre S. Pedro, e o actual sucessor de Pedro, João Paulo II, diz que
a Igreja se edifica sobre a Eucaristia. «O Ano da Eucaristia seja para
todos ocasião preciosa para uma renovada consciência do tesouro incomparável
que Cristo entregou à sua Igreja... Mesmo que o seu fruto fosse apenas para
reavivar em todas as comunidades cristãs a celebração da Missa dominical
e incrementar a adoração eucarística fora da missa, este ano de graças
teria conseguido um significativo resultado» (MN, 29).
4ª feira, 23-II:
Eucaristia e serviço à sociedade.
Jer. 18,
18-20 / Mt. 20, 17-28
Será como o
Filho do homem, que não veio para ser servido, veio para servir e dar a vida
como resgate pela multidão.
Jesus ensinou-nos o critério
do serviço: «Na Eucaristia, o nosso Deus manifestou a forma extrema do
amor, invertendo todos os critérios de domínio que muitas vezes regem as
relações humanas e afirmando de modo radical o critério do serviço: ‘Se
alguém quiser ser o primeiro, há de ser o último de todos e o servo de todos’ (Mc 9, 35)» (MN, 28).
Participar na Eucaristia há de
levar-nos a um verdadeiro serviço à sociedade: «A autenticidade da participação
na Eucaristia, celebrada na comunidade, é o impulso que esta aí recebe para um compromisso
real na edificação de uma sociedade mais equitativa e fraterna» (MN, 28).
5ª feira, 24-II:
Eucaristia e partilha com os pobres.
Jer. 17,
5-10 / Lc. 16, 19-31
Abraão
respondeu-lhe: Filho, lembra-te que recebeste os teus benefícios durante a
vida, tal como Lázaro os infortúnios.
A parábola leva-nos a pensar
que hoje temos à nossa volta pessoas necessitadas, como Lázaro (cf. Ev.).
Precisamos partilhar com eles os bens materiais e o afecto, a amizade, a
compreensão, as palavras de estímulo...
O Papa anima-nos a um partilha
com os pobres, como fruto da celebração eucarística: «S. Paulo reafirma
vigorosamente que não é lícita uma celebração eucarística onde não resplandeça
a caridade testemunhada pela partilha concreta com os mais pobres. Por que não
fazer deste Ano Eucarístico um período em que as comunidades diocesanas e
paroquiais se comprometam de modo especial a ir...ao encontro de alguma das
muitas formas de pobreza do nosso mundo?» (MN, 28).
6ª feira, 25-II:
Eucaristia e generosidade do viver cristão.
Gen. 37,
3-4. 12-13. 17-28 / Mt. 21, 33-43.
45-46
Mas, ao verem
o filho, os agricultores disseram entre si: Este é herdeiro. Vamos matá-lo ...
A parábola dos vinhateiros
(cf. Ev.), bem como os maus tratos infligidos a José pelos irmãos (cf. Leit.),
é um anúncio dos sofrimentos de Jesus na sua paixão e que culminaram na sua
morte: «A Eucaristia é o sacramento do sacrifício pascal de Cristo (AE, 24).
Ao participarmos na celebração
procuremos oferecer-nos juntamente com Cristo: «a nossa participação na
celebração deve trazer consigo a oferta da nossa existência... A dimensão
sacrificial da Eucaristia empenha, portanto, a vida. Daí a espiritualidade do
sacrifício, do dom de si, da gratuidade, da oblatividade que o viver cristão
exige» (AE, 24).
Celebração
e Homilia: Alfredo Melo
Nota
Exegética: Geraldo Morujão
Homilias
Feriais: Nuno Romão
Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha