4º
Domingo da Quaresma
06 de Março de 2005
Onde se fizerem os
escrutínios preparatórios para o Baptismo dos adultos, neste domingo, podem
utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal
Romano.
RITOS INICIAIS
Cântico
de entrada: O Senhor é minha luz,
M. Faria, NRMS 16
cf. Is 66,
10-11
Antífona de entrada: Alegra-te, Jerusalém; rejubilai, todos os seus amigos. Exultai de
alegria, todos vós que participastes no seu luto e podereis beber e saciar-vos
na abundância das suas consolações.
Não se diz o Glória.
Introdução ao espírito da
Celebração
Desde
a mais recuada antiguidade este Domingo
reveste-se duma particular solenidade, como indicam os nomes pelos quais é conhecido.
Chama-se Laetare (alegra-te)
da primeira palavra da antífona de entrada, mediana (meia-quaresma) porque se encontra precisamente a meio da
Quaresma. Em virtude de tudo isto manteve sempre um carácter especial.
Chama-se
ainda Domingo da rosa porque é hoje que o Papa benze a Rosa de ouro (geralmente um boqué de rosas) que depois envia
àquela pessoa ou santuário que pretende honrar nesse ano. É desta bênção que
vem o costume de usar paramentos cor de rosa neste Domingo e, por
concomitância, também no terceiro do Advento.
A
Igreja sabe que as nossas almas precisam de coragem para levar avante o esforço
de conversão empreendido com a Quaresma e de consolação que faça prever o termo
das lutas. Favorece os prazeres inocentes, imagem da alegria que faz vibrar a
multidão reunida para escutar a palavra do Senhor e deixar-se conduzir por ela.
Oração colecta: Deus
de misericórdia, que, pelo vosso Filho, realizais admiravelmente a reconciliação
do género humano, concedei ao povo cristão fé viva e espírito generoso, a fim
de caminhar alegremente para as próximas solenidades pascais. Por Nosso Senhor
Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Liturgia da Palavra
Primeira Leitura
Monição: Por ordem do Senhor, Samuel
vai escolher, entre os filhos de Isaí de Belém, um rei para o seu povo. Samuel
pensava doutra maneira. Mas é David que o Senhor escolhe, embora de estatura
bem mais diminuta que os irmãos. O homem
vê as aparências, mas o Senhor vê o coração.
1 Samuel 16,
1b.6-7.10-13a
1bNaqueles dias, o Senhor disse a Samuel: «Enche o
corno de óleo e parte. Vou enviar-te a Jessé de Belém, pois escolhi um rei
entre os seus filhos». 6Quando chegou, Samuel viu Eliab e pensou
consigo: «Certamente é este o ungido do Senhor». 7Mas o Senhor disse
a Samuel: «Não te impressiones com o seu belo aspecto, nem com a sua elevada
estatura, pois não foi esse que Eu escolhi. Deus não vê como o homem; o homem
olha às aparências, o Senhor vê o coração». 10Jessé fez passar os
sete filhos diante de Samuel, mas Samuel declarou-lhe: «O Senhor não escolheu
nenhum destes». 11E perguntou a Jessé: «Estão aqui todos os teus
filhos?» Jessé respondeu-lhe: «Falta ainda o mais novo, que anda a guardar o
rebanho». Samuel ordenou: «Manda-o chamar, porque não nos sentaremos à mesa,
enquanto ele não chegar». 12Então Jessé mandou-o chamar: era loiro,
de belos olhos e agradável presença. O Senhor disse a Samuel: «Levanta-te e
unge-o, porque é este mesmo». 13Samuel pegou no corno do óleo e
ungiu-o no meio dos irmãos. Daquele dia em diante, o Espírito do Senhor
apoderou-Se de David.
1 «Jessé», grafia usada na Vulgata para o pai de David, chamado Isaí, no texto hebraico (nos LXX, Iesai).
6-7 Tanto o profeta Samuel como Isaí estavam de acordo em sagrar rei o primogénito Eliab. Porém Deus, nos seus desígnios vocacionais, não olha a critérios humanos (ser o mais velho, o mais belo, o mais forte, o mais sábio): «o homem olha às aparências, o Senhor vê o coração». A escolha divina é gratuita, não partindo dos méritos do escolhido, mas da benevolência divina que torna o homem capaz de cumprir a missão a que o chama.
12 «Ungiu-o no meio dos seus irmãos», isto é, em família, sem qualquer espécie de publicidade para evitar as iras e represálias do rei Saúl.
Salmo Responsorial Sl 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 1)
Monição: Louvemos com alegria a Cristo Pastor que nos orienta com a
luz da Sua palavra e nos
alimenta com o Seu próprio Corpo e Sangue.
Refrão: O Senhor é meu pastor:
nada me faltará.
Ou: O Senhor me
conduz: nada me faltará.
O Senhor é meu pastor: nada me
falta.
Leva-me a descansar em verdes
prados,
conduz-me às águas
refrescantes
e reconforta a minha alma.
Ele me guia por sendas
direitas por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por
vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque
Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso
báculo me enchem de confiança.
Para mim preparais a mesa
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça
e meu cálice transborda.
A bondade e a graça hão-de
acompanhar-me
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.
Segunda Leitura
Monição: Afim de caminharem rectamente na vida; S. Paulo faz aos
cristãos algumas recomendações. Entre tantas lembra: fugir da impureza, evitar as
trevas da ignorância e as artimanhas dos falsos doutores, esforçando-se por
praticar a prudência e a sobriedade.
Efésios 5, 8-14
Irmãos: 8Outrora
vós éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz, 9porque
o fruto da luz é a bondade, a justiça e a verdade. 10Procurai sempre
o que mais agrada ao Senhor. 11Não tomeis parte nas obras das
trevas, que são inúteis; tratai antes de condená-las abertamente, 12porque
o que eles fazem em segredo até é vergonhoso dizê-lo. 13Mas, todas
as coisas que são condenadas são
postas a descoberto pela luz, e tudo o que assim se manifesta torna-se luz. 14É
por isso que se diz: «Desperta, tu que dormes; levanta-te do meio dos mortos e
Cristo brilhará sobre ti».
2 «Outrora», isto é, antes da conversão, «éreis trevas», pois viviam na ignorância, no erro, no pecado, afastados de Cristo, Luz do mundo, «mas agora sois luz no Senhor», pela fé e pela graça que têm pela sua união ao Senhor (cf. Jo 12, 35-36). «Filhos da luz» (cf. Lc 16, 8; Jo 12, 36) é um semitismo que corresponde ao adjectivo: iluminados (pela verdade de Cristo, «Luz verdadeira que a todo o homem ilumina» – Jo 1, 9.4-5).
10 «Procurai sempre o que mais agrada ao Senhor». Para nos comportarmos como filhos da luz, temos de ter essa sobrenatural ponderação e discernimento de quem busca a todo o momento, em tudo o que diz e faz, a vontade de Deus.
13 «Tudo o que assim se manifesta torna-se luz». Toda a maldade que se denuncia é um projectar de luz sobre os ambientes tenebrosos do pecado. Estas palavras podiam adaptar-se à denúncia da nossa própria maldade, que levamos dentro de nós. Essa denúncia mais sincera e eficaz é a que se faz quando, no Sacramento da Penitência, acusamos sincera e contritamente os nossos pecados: então a nossa vida torna-se clara e luminosa, é luz. (A leitura presta-se o texto a falar da Confissão Quaresmal).
Aclamação ao Evangelho Jo 8, 12
Monição: De pé vamos escutar Jesus,
Deus e Salvador, que se apresenta como luz para todos os homens.
F. da Silva, NRMS 1 (I)
Eu sou a luz do mundo, diz o
Senhor:
quem Me segue terá a luz da
vida.
Evangelho*
* O texto entre parêntesis
pertence à forma longa e pode ser omitido.
Forma longa:
São João 9, 1-41; forma breve: São João 9, 1.6-9.13-17.34-38
1Naquele tempo, Jesus encontrou no seu caminho um cego
de nascença. [2Os discípulos perguntaram-Lhe: «Mestre, quem é que
pecou para ele nascer cego? Ele ou os seus pais?» 3Jesus
respondeu-lhes: «Isso não tem nada que ver com os pecados dele ou dos pais; mas
aconteceu assim para se manifestarem nele as obras de Deus. 4É
preciso trabalhar, enquanto é dia, nas obras d’Aquele que Me enviou. Vai chegar
a noite, em que ninguém pode trabalhar. 5Enquanto Eu estou no mundo,
sou a luz do mundo». 6Dito isto,] cuspiu em terra, fez com a saliva
um pouco de lodo e ungiu os olhos do cego. Depois disse-lhe: 7«Vai
lavar-te à piscina de Siloé»; Siloé quer dizer «Enviado». Ele foi, lavou-se e
ficou a ver. 8Entretanto, perguntavam os vizinhos e os que antes o
viam a mendigar: «Não é este o que costumava estar sentado a pedir esmola?» 9Uns
diziam: «É ele». Outros afirmavam: «Não é. É parecido com ele». Mas ele próprio
dizia: «Sou eu». [10Perguntaram-lhe então: «Como foi que se abriram
os teus olhos?» 11Ele respondeu: «Esse homem, que se chama Jesus,
fez um pouco de lodo, ungiu-me os olhos e disse-me: ‘Vai lavar-te à piscina de
Siloé’. Eu fui, lavei-me e comecei a ver». 12Perguntaram-lhe ainda:
«Onde está Ele?» O homem respondeu: «Não sei».] 13Levaram aos fariseus
o que tinha sido cego. 14Era sábado esse dia em que Jesus fizera
lodo e lhe tinha aberto os olhos. 15Por isso, os fariseus
perguntaram ao homem como tinha recuperado a vista. Ele declarou-lhes: «Jesus
pôs-me lodo nos olhos; depois fui lavar-me e agora vejo». 16Diziam
alguns dos fariseus: «Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado».
Outros observavam: «Como pode um pecador fazer tais milagres?» E havia
desacordo entre eles. 17Perguntaram então novamente ao cego: «Tu que
dizes d’Aquele que te deu a vista?» O homem respondeu: «É um profeta». [18Os
judeus não quiseram acreditar que ele tinha sido cego e começara a ver. 19Chamaram
então os pais dele e perguntaram-lhes: «É este o vosso filho? É verdade que
nasceu cego? Como é que ele agora vê?» 20Os pais responderam:
«Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego; 21mas não
sabemos como é que ele agora vê, nem sabemos quem lhe abriu os olhos. Ele já
tem idade para responder; perguntai-lho vós». 22Foi por medo que
eles deram esta resposta, porque os judeus tinham decidido expulsar da sinagoga
quem reconhecesse que Jesus era o Messias. 23Por isso é que
disseram: «Ele já tem idade para responder; perguntai-lho vós». 24Os
judeus chamaram outra vez o que tinha sido curado e disseram-lhe: «Dá glória a
Deus. Nós sabemos que esse homem é pecador». 25Ele respondeu: «Se é
pecador, não sei. O que sei é que eu era cego e agora vejo». 26Perguntaram-lhe
então: «Que te fez Ele? Como te abriu os olhos?» 27O homem replicou:
«Já vos disse e não destes ouvidos. Porque desejais ouvi-lo novamente? Também
quereis fazer-vos seus discípulos?» 28Então insultaram-no e
disseram-lhe: «Tu é que és seu discípulo; nós somos discípulos de Moisés; 29mas
este, nem sabemos de onde é». 30O homem respondeu-lhes: «Isto é
realmente estranho: não sabeis de onde Ele é, mas a verdade é que Ele me deu a
vista. 31Ora, nós sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas
escuta aqueles que O adoram e fazem a sua vontade. 32Nunca se ouviu
dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. 33Se
Ele não viesse de Deus, nada podia fazer».] 34Replicaram-lhe então
eles: «Tu nasceste inteiramente em pecado e pretendes ensinar-nos?» E
expulsaram-no. 35Jesus soube que o tinham expulsado e,
encontrando-o, disse-lhe: «Tu acreditas no Filho do homem?» 36Ele
respondeu-Lhe: «Senhor, quem é Ele, para que eu acredite?» 37Disse-lhe
Jesus: «Já O viste: é Quem está a falar contigo». 38O homem
prostrou-se diante de Jesus e exclamou: «Eu creio, Senhor». [39Então
Jesus disse-lhe: «Eu vim para exercer um juízo: os que não vêem ficarão a ver;
os que vêem ficarão cegos». 40Alguns fariseus que estavam com Ele,
ouvindo isto, perguntaram-Lhe: «Nós
também somos cegos?» 41Respondeu-lhes Jesus: «Se fôsseis cegos, não
teríeis pecado. Mas como agora dizeis: ‘Nós vemos’, o vosso pecado permanece».]
Este longo trecho apresenta-se como uma encantadora peça dramática, cheia de vigor e naturalidade, que se pode considerar estruturada em quatro actos: 1.º – A abertura (vv. 1-5), onde aparece o tema, Jesus, Luz do mundo, em face da cegueira, não apenas física do doente, mas moral, de que participam os próprios discípulos, obcecados pela mentalidade «retribuicionista» (cf. Job 4, 7-8; 2 Mac 7, 18; Tob 3, 3); eles, em face da desgraça alheia, põem-se a indagar quem pecou e não quem a pode remediar. 2.º – A cura do cego (vv. 6-7). 3.º – A longa investigação acerca da cura (vv. 8-34), primeiro pelos vizinhos (vv. 8-12) e depois pelos fariseus que montam como que um processo judicial com sucessivos interrogatórios e que termina numa sentença de excomunhão (vv. 13-34). 4.º O desfecho do drama (vv. 35-41), com o acto de fé do cego e a obstinação na cegueira espiritual dos que não querem crer.
Sem prejuízo para o valor histórico da narração, esta reveste-se dum grande poder evocativo e dramático, em que sobressai, evocando o itinerário dum catecúmeno, a progressão do cego para a fé plena, o qual começa por se confessar beneficiário da misericórdia do homem Jesus (v. 11), passando a reconhecê-lo como um profeta (v. 17), depois a atestar que Ele vem de Deus (v. 33), e por fim a professar a fé explícita em Jesus como Senhor, à maneira de quem responde às perguntas rituais do último escrutínio catecumenal (v 35-38). A alusão ao Baptismo é bastante clara através da unção e do banho: «lavei-me e fiquei a ver» (vv. 11.15), pois na primitiva Igreja este Sacramento era chamado iluminação (cf. Hebr 6, 4; 10, 32; Ef 5, 14; Rom 6, 4). Por outro lado, o decreto de exclusão punitiva da sinagoga (v. 34) não vai apenas contra o cego, mas visa Jesus e os próprios cristãos, os quais no sínodo de Yámnia (pelo ano 80) se viram excomungados pelo farisaísmo que sobreviveu à destruição de Jerusalém (v. 22; cf. Jo 12, 42; 16, 2).
6-7 «Ungiu...» O milagre não se realiza nem pela virtude do «lodo», nem pela eficácia medicinal da água, água comum. O prodígio é consequência do simples querer de Jesus. Como em Mc 7, 33 e 8, 23, com este gesto, Jesus quis pôr à prova e estimular a fé do doente, mas, neste caso, também se quis apresentar como «Senhor do Sábado», pois os rabinos consideravam a preparação do lodo e a unção como um trabalho proibido (cf. v. 16). A «Piscina de Siloé» era alimentada pela água da fonte de Gihon (a fonte de Maria), que ali chegava através do canal de Ezequias (rei contemporâneo do profeta Isaías), canal subterrâneo e cavado na rocha com cerca de meio quilómetro de comprido.
Sugestões para a homilia
O Senhor vê o coração
As nossas cegueiras
Cuidar da vida da fé
O
Senhor vê o coração
A 1ª leitura fala-nos de um
dos personagens mais importantes do Povo de Deus: David. O Senhor escolhe este
jovem pastor para governar o Seu povo. É da sua descendência que surgirá o
Messias prometido, o Salvador do mundo.
Ismael consagrou-o com a
unção real.
Vejamos. O Senhor vê corações
dentre todos os filhos de Jessé, escolhe o pastor, um moço de 15 anos, muito
louro, formoso de rosto e de gentil presença.
Assim havemos nós de julgar e
de escolher. Não com os olhos de homens, que se fixam nas aparências, mas com
os olhos de Deus que penetra o interior – o coração.
O nosso tempo valoriza
demasiado a imagem, vai atrás das aparências. Preocupamo-nos em encobrir os
defeitos em vez de os corrigir, em dissimular mais que rectificar
Tantas iras, tantas
amarguras, iras e inimizades vem do facto de não reconhecermos os nossos erros
de não aceitarmos que fizemos mal que ofendemos a Deus e ao nosso próximo.
Buscamos incessantemente a
verdade ou há enganos na nossa vida?
As
nossas cegueiras
Jesus vai ao encontro do cego
de nascença, Este sai das trevas e encontra-se com a luz. Os seus olhos,
abrem-se para a luz que é Cristo. Eu sou a luz.
Nesta Quaresma precisamos de
fazer mais penitência para nos purificamos da concupiscência da carne da
concupiscência dos olhos e da soberba da vida (1 Jn 2, 15). são as nossas cegueiras.
A verdadeira penitência não
consiste em fazer grandes obras. Ela é virtude interior que na leva para Deus
detestando as culpas cometidas com desejo de nos corrigirmos. Leva-nos a pôr em
acção a fé, a esperança e a caridade.
O cego curado na piscina de
Siloé é o nosso modelo. Se fizermos como ele ficaremos curados das nossas
cegueiras. De contrário, com a fé cada vez mais debilitada, cedemos ao fascínio
de sucedâneos. É assim em vez da confissão auricular e individual, vai-se para
as celebrações penitenciais com absolvição colectiva, em vez do sacramento do
Matrimónio, como o Deus, instituiu, ficar nas uniões de facto ou pior ainda nas ligações homossexuais. Em
vez de aceitar a nossa religião com as suas exigências, inventa-se algo que se
adapte aos próprios gostos. A fé torna-se um artigo de consumo e, as seitas um
supermercado religioso. Os problemas de consciência são resolvidos no
psiquiatra e não no confessionário.
Cuidar
da vida da fé
Nós, cristãos, temos dois
grandes dons: a vida e a fé. Perder a fé ou pô-la em grave risco, será como
perder ou arriscar a vida. Prudente é cuidá-la, alimentá-la, robustece-la e
propaga-la.
A fé cuida-se lendo a Sagrada
Escritura, especialmente o Evangelho, estudando o catecismo, meditar nos
escritos do Papa e dos Santos, pondo de lado leituras nocivas ou perigosas.
Robustece-se se fizermos
actos de fé, se vivermos na presença de Deus, se nos preocupamos em fazer tudo
com recta intenção, se participamos com frequência e fervor na Eucaristia,
(estamos no Ano da Eucaristia).
A fé comunica-se de muitos
modos. Um dos mais eficazes é a Família.
Fala o Santo Padre
«Confiando-se a Cristo,
todo o ser humano tem a possibilidade de «chegar à luz», de nascer para a vida
sobrenatural.»
1.
«Laetare, Jerusalem...». Com
estas palavras do profeta Isaías, a Igreja convida-nos, neste dia, à alegria, a
meio do itinerário penitencial da Quaresma. A alegria e a luz são o tema
dominante da liturgia de hoje. O Evangelho narra o caso de «um homem cego de
nascença» (Jo 9, 1). Vendo-o, Jesus
fez lodo com a saliva, espalhou o lodo sobre os seus olhos e disse-lhe: «vai
lavar-te na piscina de Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois, lavou-se e
voltou vendo» (Jo 9, 6-7). O cego de nascença
representa o homem assinalado pelo pecado, que deseja conhecer a verdade sobre
si mesmo e sobre o próprio destino, mas é impedido disso por um mal congénito.
Só Jesus pode curá-lo: Ele é «a luz do mundo» (Jo 9, 5). Confiando-se a Ele, todo o ser humano espiritualmente
cego de nascença tem a possibilidade de novamente «chegar à luz», isto é, de
nascer para a vida sobrenatural.
2. Ao lado da cura do cego, o
Evangelho dá grande realce à incredulidade dos fariseus, que se recusam a
reconhecer o milagre, a partir do momento em que Jesus o tinha feito no sábado,
violando, a seu juízo, a lei mosaica. Aparece, assim, um eloquente paradoxo,
que o próprio Cristo retoma com estas palavras: «Eu vim a este mundo para
julgar, a fim de que os que não vêem, vejam, e os que vêem, sejam cegos» (Jo 9, 39). Para quem
encontra Jesus, não há meios termos: ou se reconhece necessitado d'Ele e da sua
luz, ou passa sem Ele. Neste último caso, uma certa soberba impede tanto o que
se julga justo diante de Deus, como o que se considera ateu, de se abrir à
conversão autêntica.
3. Ninguém, feche o seu espírito
a Cristo! Ele dá a luz da fé a quem O acolhe, luz ao ponto de transformar os
corações e, por consequência, as mentalidades, as situações sociais, políticas,
económicas dominadas pelo pecado. «...Eu creio, Senhor!» (Jo 9, 38). Com
o cego de nascença, cada um de nós esteja pronto a professar-Lhe humildemente a
própria adesão. […]
João Paulo II, Angelus, 10 de
Março de 2002
Oração Universal
Glorifiquemos
a Deus, bondade
infinita,
e,
por intermédio de Nosso Senhor Jesus Cristo
Seu
Filho Unigénito e nosso Salvador, peçamos:
1. Pela Santa Igreja, mãe e mestra da verdade,
para que se
mantenha sempre fiel ao Evangelho
e o faça chegar
a todos os homens,
oremos, irmãos.
2. Pelos nossos governantes:
para que nos
governem na justiça e na verdade,
mediante leis
que não atraiçoem a consciência cristã,
oremos, irmãos.
3. Por todos quantos se preparam para receber o
Baptismo
e por todos os
que já o receberam:
para que sejam
fiéis aos compromissos nele assumidos
de renúncia ao
demónio e de sujeição plena a Cristo e à Igreja,
oremos, irmãos.
4. Pelos pais de família:
para que tomem
consciência
de que são os
primeiros educadores da fé dos seus filhos
e procurem
fazer dos seus lares autênticas igrejas domésticas
nas quais o
Senhor é louvado, amado e obedecido,
oremos, irmãos.
5. Para que saibamos acalmar discussões e
contendas
e nos
esforcemos por viver na caridade e na paz com todos,
oremos, irmãos.
6. Pelos membros da nossa comunidade (paroquial)
que já se
encontram na vida que não tem fim:
para que o
Senhor Ihes conceda o descanso eterno
nos
resplendores da luz perpétua,
oremos, irmãos.
Deus
de misericórdia que no Vosso Filho Jesus
Cristo
nos
trouxestes a reconciliação conVosco e com os irmãos,
fazei
que caminhemos alegremente para as próximas solenidades pascais.
Por
Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na
unidade do Espírito Santo.
Liturgia Eucarística
Cântico
do ofertório: Corri, Senhor, M. Carneiro, NRMS 13
Oração
sobre as oblatas: Ao apresentarmos com
alegria estes dons de vida eterna, humildemente Vos pedimos, Senhor, a graça de
os celebrar com verdadeira fé e de os oferecer dignamente pela salvação do
mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na
unidade do Espírito Santo.
Santo:
«Da
Missa de festa», Az.
Oliveira, NRMS 50-51
Monição da Comunhão
Acredito Senhor. Cristo que curou o cego de nascença é o mesmo que
vamos receber na Comunhão. Repitamos o seu acto de fé e, com ele, prostremo-nos
em adoração.
Cântico
da Comunhão: Senhor, nada somos sem Ti, F. da Silva, NRMS 84
Lc 15, 32
Antífona
da comunhão: Alegra-te, meu filho,
porque o teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi
encontrado.
Cântico
de acção de graças: Proclamai em toda a terra, M. Faria, NRMS 27-28
Oração
depois da comunhão: Senhor nosso Deus,
luz de todo o homem que vem a este mundo, iluminai os nossos corações com o
esplendor da vossa graça, para que pensemos sempre no que Vos é agradável e Vos
amemos de todo o coração. Por Nosso Senhor.
Ritos Finais
Monição final
Certamente que todos tivemos a
preocupação de participar
o melhor
possível nesta Eucaristia. Esperamos que ninguém aqui tenha permanecido apenas
para fazer «ofício de corpo presente». Que a missa influa na nossa vida toda.
Que ela dê sentido cristão à semana que agora começa.
Cântico
final: Minha alma exulta de alegria,
F. da Silva, NRMS 32
Homilias Feriais
4ª SEMANA
2ª feira, 7-III: A tensão
escatológica da Eucaristia.
Is. 65,
17-21 / Jo. 4, 43-54
Olhai que vou
criar novos céus e nova terra... Vai haver alegria e júbilo sem fim.
Estas palavras referem-se à tensão
escatológica suscitada pela Eucaristia: «Ao celebrarmos o sacrifício do
Cordeiro unimo-nos à liturgia celeste... A Eucaristia é verdadeiramente um
pedaço de céu que se abre sobre a terra; é um raio de glória da Jerusalém
Celeste, que atravessa as nuvens da nossa história e vem iluminar o nosso
caminho» (IVE, 19).
Mas a tensão escatológica há
de estimular o «sentido de responsabilidade pela terra presente...(os cristãos)
têm o dever de contribuir com a luz do Evangelho para a edificação de um mundo
à medida do homem e plenamente conforme ao desígnio de Deus» (IVE, 20).
4ª feira, 9-III: O Pão da
vida, alimento celeste.
Is. 49,
8-15 / Jo. 5, 17-30
Hão de
alimentar-se em todos os caminhos e acharão pastagens em todos os penhascos.
Não sentirão fome nem sede.
Jesus apresenta-se como o Pão
da vida: «’Eu sou o pão da vida... Eu sou o pão vivo que desci do céu. Quem
comer deste pão viverá eternamente» (Jo
6, 48-52).
«Cristo é Ele mesmo o Pão, que
semeado na Virgem, levedado na carne, amassado na paixão, cozido no forno do
sepulcro, guardado em reserva na Igreja, levado aos altares, fornece cada dia
aos fiéis um alimento celeste» (S. Pedro Crisólogo, cit. em CIC, 2837). A
Sagrada Eucaristia, de modo análogo ao alimento natural, conserva, acrescenta,
restaura e fortalece a vida sobrenatural.
5ª feira, 10-III: O
sacrifício da Missa e os nossos pecados.
Ex. 32,
7-14 / Jo. 5, 31-47
(Moisés):
Deixai cair a vossa ardente indignação, renunciai ao castigo que quereis dar ao
vosso povo.
Depois da adoração do bezerro
de ouro, Moisés tornou-se um poderoso intercessor para salvar o povo que Senhor lhe tinha confiado (Cf. Leit.).
O intercessor agora é Cristo
«que se ofereceu a Deus Pai um vez por todas. Morrendo como intercessor sobre o
altar da Cruz, para realizar a favor deles (homens) uma redenção eterna... Ele
quis deixar à Igreja...um sacrifício sensível...perpetuando a sua memória até a fim dos séculos e aplicando
a sua eficácia salvífica à remissão dos pecados que nós cometemos cada dia»
(Concílio de Trento, cit. em CIC 1366). Agradeçamos de todo o coração ao Senhor
esta sua generosidade.
6ª feira, 11-III: Os
sentimentos de Cristo na Paixão.
Sab. 2, 1.
12-22 / Jo. 7, 1-2.-10.-25-30
Se esse justo
é filho de Deus, Deus estará a seu lado... Condenemo-lo a morte infamante, pois
ele diz que será socorrido.
Estes pensamentos dos ímpios
(cf. Leit.) são uma profecia da paixão e morte de Cristo: «os judeus procuravam
dar-lhe a morte» (Ev.).
A Eucaristia é o sacramento do
sacrifício pascal de Cristo. Procuremos transportar os sentimentos de Cristo na
paixão para a nossa conduta corrente: para o trabalho, a relações sociais, a
família, o sentido da dor física e dos sofrimentos, a responsabilidade de
edificar a cidade terrena, à luz dos valores evangélicos... (cf. AE, 24).
Sábado, 12-III: O Cordeiro
e o sacrifício pascal.
Jer. 11,
18-20 / Jo. 7, 40-53
Eu era como
dócil cordeiro levado ao matadouro, sem saber da conjura que teciam contra mim.
Foi João Baptista que viu em
Jesus ‘o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo’. «Manifestou deste modo
que Jesus é, ao mesmo tempo, o servo sofredor, que se deixa levar ao
matadouro (cf. Leit. do dia) sem abrir a boca, e o cordeiro pascal,
símbolo da redenção de Israel na primeira Páscoa» (CIC, 608).
Estamos a viver o Ano
Eucarístico e devemos pensar que a «morte de Cristo é, ao mesmo tempo, o sacrifício
pascal... por meio do Cordeiro que tira o pecado do mundo, e o sacrifício
da nova Aliança, que restabelece a comunhão entre o homem e Deus» (CIC,
613).
Celebração
e Homilia: Armando Barreto Marques
Nota
Exegética: Geraldo Morujão
Homilias
Feriais: Nuno Romão
Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha