Páscoa
da Ressurreição do Senhor
Sábado
Santo – Solene Vigília Pascal
26 de Março de 2005
Vigília pascal na Noite
Santa
Segundo uma antiquíssima
tradição, esta é uma noite de vigília em nome do Senhor (Ex 12, 42), noite que
os fiéis celebram, segundo a recomendação do Evangelho (Lc 12, 35 ss.), de
lâmpadas acesas na mão, à semelhança dos servos que esperam o Senhor, para que,
quando Ele vier, os encontre vigilantes e os faça sentar à sua mesa.
A Vigília desta noite
ordena-se deste modo: depois de um breve lucernário (primeira parte), a santa
Igreja medita nas maravilhas que o Senhor, desde o princípio dos tempos,
realizou em favor do seu povo confiante na sua palavra e na sua promessa
(segunda parte: liturgia da palavra), até ao momento em que, ao despontar o dia
da ressurreição, juntamente com os novos membros renascidos pelo Baptismo
(terceira parte), é convidada para a mesa que o Senhor, com a sua morte e
ressurreição, preparou para o seu povo (quarta parte).
Toda a celebração da Vigília
Pascal se realiza de noite, isto é, não se pode iniciar antes do anoitecer do
Sábado e deve terminar antes do amanhecer do Domingo.
A Missa da Vigília Pascal,
ainda que termine antes da meia noite, é a Missa pascal do Domingo da
Ressurreição. Quem participar nesta Missa pode comungar de novo na segunda Missa
da Páscoa.
Quem celebrar ou concelebrar
a Missa da Vigília pode celebrar ou concelebrar de novo na segunda Missa da
Páscoa.
O sacerdote e os ministros
revestem-se, desde o princípio, com paramentos brancos, como para a Missa.
Preparam-se velas para todos
os que tomam parte na Vigília.
Solene
início da Vigília ou Lucernário
Introdução ao espírito da
Celebração
Páscoa é alegria, anúncio de
vida nova, a celebração da Ressurreição de Cristo, nosso redentor e salvador.
A celebração da Páscoa da
Ressurreição começa com a solene vigília pascal que inclui a bênção do lume
novo ou liturgia da luz, a bênção e entronização do círio pascal e o canto do
precónio, a liturgia da palavra com sete leituras do Antigo Testamento (mas
podem ser lidas apenas três), a epístola e o Evangelho.
A Vigília Pascal comemora a
noite santa em que Jesus Cristo ressuscitou. É tida como a «Mãe de todas as
vigílias», e o ponto mais alto de toda a celebração litúrgica, a festa mais
solene de todo o ano.
As leituras e os ritos ajudam
a celebrar ou a reviver os sacramentos da iniciação cristã.
As leituras levam-nos aos
momentos mais significativos da História da Salvação.
A primeira leitura
apresenta-nos a narrativa da Criação, a terceira refere a libertação do Egipto,
a sétima o especial prodígio de amor de Deus para com o Seu povo. O profeta
Ezequiel afirma que o Senhor renova e purifica o povo: – «ficareis limpos de
todas as vossas imundícies... porei em vós um espírito novo...»
A simbologia e profecia do
Antigo Testamento que se refere ao Baptismo, vida nova, aparece-nos de uma
forma mais clara na epístola: «Todos nós que fomos baptizados em Jesus Cristo,
fomos baptizados na Sua morte. Assim como Cristo ressuscitou... também nós
caminharemos numa vida nova».
Clara alusão ao Baptismo que
vai ter um momento central depois do Evangelho e da homilia: – a bênção da
fonte baptismal, baptismos e confirmação se for o caso, e a renovação das
promessas do Baptismo para todos os fiéis que participam na Vigília.
Bênção do fogo
As luzes da igreja devem
estar apagadas.
Fora da igreja, em lugar
apropriado, acende-se o lume. Reunido o povo nesse lugar, o sacerdote
aproxima-se, acompanhado dos ministros, um dos quais leva o círio pascal.
Monição: A vida, por mais movimentada que seja, é apenas um prelúdio
da morte, quando se desconhece o gozo das realidades espirituais que Cristo
veio oferecer.
Mas com a ressurreição, «o
povo que andava nas trevas viu uma grande luz» (Mt 4, 16). A luz, como criatura maravilhosa da Natureza, é símbolo
de Deus. O próprio Jesus Cristo identificou-Se com a Luz: «Eu Sou a Luz do
Mundo, quem me segue não anda nas trevas». Por meio de Cristo, a luz brilha nos
nossos corações e somos convidados a ser luz do mundo.
.
Onde não for possível
acender o fogo fora da igreja, o rito será como se indica no n. 13.
O sacerdote saúda o povo na
forma habitual e faz uma breve admonição sobre o significado desta vigília
nocturna, com estas palavras ou outras semelhantes:
Caríssimos irmãos:
Nesta noite santíssima, em que
Nosso Senhor Jesus Cristo passou da morte à vida, a Igreja convida os seus
filhos, dispersos pelo mundo, a reunirem-se em vigília e oração. Vamos
comemorar a Páscoa do Senhor, ouvindo a sua palavra e celebrando os seus
mistérios, na esperança de participar no seu triunfo sobre a morte e de viver
com Ele para sempre junto de Deus.
Em seguida, benze-se o fogo:
Oremos.
Senhor, que por meio do vosso
Filho destes aos homens a claridade da vossa luz, santificai este lume novo e
concedei-nos que a celebração das festas pascais acenda em nós o desejo do céu,
para merecermos chegar com a alma purificada às festas da luz eterna. Por Nosso
Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito
Santo.
Do fogo novo acende-se o
círio pascal.
Preparação do Círio
Se a mentalidade do povo o
aconselhar, pode ser oportuno realçar a dignidade e o significado do círio
pascal mediante alguns símbolos. Isto pode fazer-se do seguinte modo:
Depois da bênção do lume
novo, um acólito ou um dos ministros apresenta o círio pascal ao celebrante, o
qual, com um estilete, grava no círio uma cruz; depois grava a letra grega Alfa
por cima da cruz e a letra grega Ómega por debaixo e, entre os braços da cruz,
grava os quatro algarismos do ano corrente. Enquanto grava estes símbolos, diz:
1. Cristo, ontem e hoje
Grava a haste vertical da
cruz.
2. Princípio e fim
Grava a haste horizontal da
cruz.
3. Alfa
Grava o Alfa por cima da
haste vertical.
4. e Ómega.
Grava o Ómega por debaixo da
haste vertical.
5. A Ele pertence o tempo
Grava no ângulo superior
esquerdo o primeiro algarismo do ano corrente.
6. e a eternidade.
Grava no ângulo superior
direito o segundo algarismo do ano corrente.
7. A Ele a glória e o poder
Grava no ângulo inferior
esquerdo o terceiro algarismo do ano corrente.
8. para sempre. Amen.
Grava no ângulo inferior
direito o quarto algarismo do ano corrente.
Depois de ter gravado a cruz
e os outros símbolos, o sacerdote pode colocar no círio cinco grãos de incenso,
em forma de cruz, dizendo:
1. Pelas Suas chagas
1
2. santas e gloriosas,
3. nos proteja
4 2 5
4. e nos guarde
5. Cristo Senhor. Amen. 3
O sacerdote acende do lume
novo o círio pascal, dizendo:
A luz de Cristo gloriosamente
ressuscitado nos dissipe as trevas do coração e do espírito.
Estes elementos podem ser
utilizados, no todo ou em parte, conforme as circunstâncias pastorais do
ambiente e do lugar. Entretanto, as Conferências Episcopais também podem
determinar outras formas mais adaptadas à índole dos povos.
Quando, por justas razões,
não se acende o fogo, a bênção do lume será adaptada convenientemente às
circunstâncias. Reunido o povo na igreja, o sacerdote dirige-se para a porta da
igreja, acompanhado dos ministros com o círio pascal. O povo, na medida do
possível, volta-se para o sacerdote.
Feita a saudação e a
admonição, como acima no n. 8, procede-se à bênção do lume (n. 9) e, se parecer
oportuno, prepara-se e acende-se o círio (nn.10-12).
Procissão
Monição: Iluminados por Cristo, deixemos as trevas do pecado
para ir ao encontro d'Aquele que é o caminho para a Verdade e para a Vida.
O diácono, ou, na falta
dele, o sacerdote, toma o círio pascal e, levantando-o, canta sozinho:
V. A luz de Cristo. Lumen Christi
R. Graças a Deus. Deo gratias
As Conferências Episcopais
podem estabelecer uma aclamação mais solene.
Dirigem-se todos para a
igreja, indo à frente o diácono com o círio pascal. Se se usa o incenso, o
turiferário, com o turíbulo aceso, vai à frente do diácono.
À porta da igreja, o diácono
pára e, levantando o círio, canta pela segunda vez:
V. A luz de Cristo. Lumen Christi
R. Graças a Deus. Deo gratias
Acendem então as velas do
lume do círio pascal. A procissão continua; e, ao chegar junto do altar, o
diácono, voltado para o povo, canta pela terceira vez:
V. A luz de Cristo. Lumen Christi.
R. Graças a Deus. Deo gratias.
Cântico:
A Luz de Cristo, B. Salgado, NRMS
5(II)
E acendem-se as luzes da
igreja (mas não as velas do altar: cf. n. 31).
Precónio
Pascal
Monição: O Precónio Pascal é um cântico próprio desta Vigília.
Nele se cantam as maravilhas realizadas por Deus em favor do Seu povo; nele se
exprime a gratidão e a felicidade de todos aqueles que sabem que a sua «ditosa
culpa» Ihes trouxe tão grande Salvador.
Ao chegar ao altar, o
sacerdote dirige-se para a sua cadeira. O diácono coloca o círio pascal no
respectivo candelabro, preparado no meio do presbitério ou junto ao ambão. Em
seguida, se se usa incenso, faz-se como para o Evangelho na Missa: o diácono
pede a bênção ao sacerdote, que diz em voz baixa:
V. O Senhor esteja no teu coração e nos teus lábios,
para anunciares dignamente o seu precónio pascal. Em nome do Pai e do Filho + e
do Espírito Santo.
R. Amen.
Se o precónio é cantado por
outro que não seja diácono, omite-se esta bênção.
O diácono, ou, na sua falta,
o sacerdote, depois de incensar o livro e o círio (se se usa o incenso),
proclama o precónio pascal no ambão ou no púlpito, conservando-se todos de pé,
com as velas acesas na mão.
O precónio pascal pode ser
proclamado, se for necessário, por um cantor que não seja diácono. Nesse caso,
omitirá as palavras Quapropter astantes vos (E vós, irmãos caríssimos) até ao
fim do invitatório, bem como a saudação Dominus vobiscum (O Senhor esteja
convosco).
O precónio pode ser cantado
na forma mais breve.
Além disso, as Conferências
Episcopais podem introduzir no precónio certas aclamações para serem ditas pelo
povo.
As aclamações previstas pela
Conferência Episcopal Portuguesa para se intercalarem no precónio pascal:
a. A luz de Cristo venceu as
trevas da noite.
b. Cristo venceu o pecado e
a morte.
c. Glória ao Senhor.
Exulte de alegria a multidão
dos Anjos, exultem as assembleias celestes, ressoem hinos de glória para
anunciar o triunfo de tão grande Rei. Rejubile também a terra, inundada por tão
grande claridade, porque a luz de Cristo, o Rei eterno, dissipa as trevas de
todo o mundo.
Alegre-se a Igreja, nossa mãe,
adornada com os fulgores de tão grande luz, e ressoem neste templo as
aclamações do povo de Deus.
[E vós, irmãos caríssimos,
aqui reunidos para celebrar o esplendor admirável desta luz, invocai comigo a
misericórdia de Deus omnipotente, para que, tendo-Se Ele dignado, sem mérito
algum da minha parte, admitir-me no número dos seus ministros, infunda em mim a
claridade da sua luz, para que possa celebrar dignamente os louvores deste
círio] .
[V. O Senhor esteja convosco.
R. Ele está no meio de nós.]
V. Corações ao alto.
R. O nosso coração está em Deus.
V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.
R. É nosso dever, é nossa salvação.
É verdadeiramente nosso dever,
é nossa salvação proclamar com todo o fervor da alma e toda a nossa voz os
louvores de Deus invisível, Pai omnipotente, e do seu Filho Unigénito, Jesus
Cristo, nosso Senhor.
Ele pagou por nós ao eterno
Pai a dívida por Adão contraída e com seu Sangue precioso apagou a condenação
do antigo pecado.
Celebramos hoje as festas da
Páscoa, em que é imolado o verdadeiro Cordeiro, cujo Sangue consagra as portas
dos fiéis.
Esta é a noite, em que
libertastes do cativeiro do Egipto os filhos de Israel, nossos pais, e os
fizestes atravessar a pé enxuto o Mar Vermelho.
Esta é a noite, em que a
coluna de fogo dissipou as trevas do pecado.
Esta é a noite, que liberta
das trevas do pecado e da corrupção do mundo aqueles que hoje por toda a terra
crêem em Cristo, noite que os restitui à graça e os reúne na comunhão dos
Santos.
Esta é a noite, em que Cristo,
quebrando as cadeias da morte, Se levanta vitorioso do túmulo. De nada nos
serviria ter nascido, se não tivéssemos sido resgatados.
Oh admirável condescendência
da vossa graça! Oh incomparável predilecção do vosso amor! Para resgatar o
escravo, entregastes o Filho.
Oh necessário pecado de Adão,
que foi destruído pela morte de Cristo! Oh ditosa culpa, que nos mereceu tão
grande Redentor!
Oh noite bendita, única a ter
conhecimento do tempo e da hora em que Cristo ressuscitou do sepulcro!
Esta é a noite, da qual está
escrito: A noite brilha como o dia e a escuridão é clara como a luz.
Esta noite santa afugenta os
crimes, lava as culpas; restitui a inocência aos pecadores, dá alegria aos
tristes; derruba os poderosos, dissipa os ódios, estabelece a concórdia e a
paz.
Nesta noite de graça, aceitai,
Pai santo, este sacrifício vespertino de louvor, que, na solene oblação deste
círio, pelas mãos dos seus ministros Vos apresenta a santa Igreja.
Agora conhecemos o sinal
glorioso desta coluna de cera, que uma chama de fogo acende em honra de Deus:
esta chama que, ao repartir o seu esplendor, não diminui a sua luz; esta chama
que se alimenta de cera, produzida pelo trabalho das abelhas, para formar este
precioso luzeiro.
Oh noite ditosa, em que o céu
se une à terra, em que o homem se encontra com Deus!
Nós Vos pedimos, Senhor, que
este círio, consagrado ao vosso nome, arda incessantemente para dissipar as
trevas da noite; e, subindo para Vós, como suave perfume, junte a sua claridade
à das estrelas do céu. Que ele brilhe ainda quando se levantar o astro da
manhã, aquele astro que não tem ocaso: Jesus Cristo vosso Filho, que,
ressuscitando de entre os mortos, iluminou o género humano com a sua luz e a
sua paz e vive glorioso pelos séculos dos séculos.
R. Amen.
Liturgia da Palavra
Nesta Vigília, mãe de todas
as vigílias, propõem-se nove leituras: sete do Antigo Testamento e duas
(Epístola e Evangelho) do Novo Testamento.
Por motivos de ordem
pastoral, pode reduzir-se o número de leituras do Antigo Testamento. Mas
tenha-se sempre em conta que a leitura da palavra de Deus é parte fundamental
desta Vigília Pascal. Lêem-se pelo menos três leituras do Antigo Testamento,
ou, em casos muito especiais, pelo menos duas. Nunca se deve omitir a leitura
do cap. 14 do Êxodo.
Todos os presentes apagam as
suas velas e se sentam. Antes de se iniciarem as leituras, o sacerdote dirige
ao povo uma breve admonição, com estas palavras ou outras semelhantes:
Irmãos caríssimos:
Depois de iniciarmos
solenemente esta Vigília, ouçamos agora, de coração tranquilo, a palavra de
Deus. Meditemos como Deus outrora salvou o seu povo e como, na plenitude dos
tempos, enviou Jesus Cristo, nosso Salvador. Oremos para que Deus realize esta
obra pascal de salvação e seja consumada a redenção do mundo.
Seguem-se as leituras. O
leitor vai ao ambão e faz a primeira leitura. Seguidamente o salmista ou cantor
diz o salmo, a que o povo responde com o refrão. Depois todos se levantam; o
sacerdote diz Oremos e todos oram em silêncio durante alguns momentos; o
sacerdote diz então a oração colecta.
Em vez do salmo
responsorial, pode guardar-se um tempo de silêncio sagrado; neste caso,
omite-se a pausa depois do Oremos.
Monição às leituras do
Antigo Testamento
Depois de proclamado o
Precónio Pascal, a Igreja convida-nos a escutar atentamente a Palavra de Deus.
Começando pelo Antigo Testamento, as leituras bíblicas vão-nos recordar uma vez
mais a presença fiel de Deus junto dos homens, com os quais constrói a História
da Salvação. Deus, desejando a redenção de toda a humanidade, começou por
escolher um povo, com quem estabeleceu uma Aliança e a quem fez as Suas
promessas, as quais se foram realizando ao longo dos tempos até atingir a
plenitude em Jesus Cristo.
Primeira Leitura *
* O
texto que está entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido
Forma longa:
Génesis 1, 1 – 2, 2 Forma breve: Génesis 1, 1.26-31a
No princípio, Deus criou o céu
e a terra. [A terra estava deserta e vazia, as trevas cobriam a
superfície do abismo e o espírito de Deus pairava sobre as águas. Disse Deus:
«Faça-se a luz». E a luz apareceu. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz
das trevas. Deus chamou ‘dia’ à luz e ‘noite’ às trevas. Veio a tarde e, em
seguida, a manhã: era o primeiro dia. Disse Deus: «Haja um firmamento no meio
das águas, para as manter separadas umas das outras». Deus fez o firmamento e
separou as águas que estavam debaixo do firmamento das águas que estavam por
cima dele. E ao firmamento chamou ‘céu’. Veio a tarde e, em seguida, a manhã:
foi o segundo dia. Disse Deus: «Juntem-se as águas que estão debaixo do
firmamento num só lugar e apareça a terra seca». E assim sucedeu. À parte seca
Deus chamou ‘terra’ e ‘mar’ ao conjunto das águas. E Deus viu que isto era bom.
Disse Deus: «Cubra-se a terra de verdura: ervas que dêem sementes e árvores de
fruto, que produzam sobre a terra frutos com a sua semente, segundo a própria
espécie». E assim sucedeu. A terra produziu verdura: erva que produz semente,
segundo a sua espécie, e árvores que dão frutos com a sua semente, segundo a
própria espécie. Deus viu que isto era bom. Veio a tarde e, em seguida, a
manhã: foi o terceiro dia. Disse Deus: «Haja luzeiros no firmamento do céu,
para distinguirem o dia da noite e servirem de sinais para as festas, os dias e
os anos, para que brilhem no firmamento do céu e iluminem a terra». E assim
sucedeu. Deus fez dois grandes luzeiros: o maior para presidir ao dia e o menor
para presidir à noite; e fez também as estrelas. Deus colocou-os no firmamento
do céu para iluminarem a terra, para presidirem ao dia e à noite e separarem a
luz das trevas. Deus viu que isto era bom. Veio a tarde e, em seguida, a manhã:
foi o quarto dia. Disse Deus: «Povoem as águas inúmeros seres vivos e voem as
aves na terra sob o firmamento do céu». Deus criou os monstros marinhos e todos
os seres vivos que se movem nas águas, segundo as suas espécies, e todos os
animais voadores, segundo as suas espécies. Deus viu que isto era bom; e
abençoou-os, dizendo: «Crescei e multiplicai-vos, enchei as águas dos mares e
multipliquem-se as aves sobre a terra». Veio a tarde e, em seguida, a manhã:
foi o quinto dia. Disse Deus: «Produza a terra seres vivos, segundo as suas
espécies: animais domésticos, répteis e animais selvagens, segundo as suas
espécies». E assim sucedeu. Deus fez os animais selvagens, segundo as suas
espécies, os animais domésticos, segundo as suas espécies, e todos os répteis
da terra, segundo as suas espécies. Deus viu que isto era bom.] Disse
Deus: «Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Domine sobre os peixes do
mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, sobre os animais
selvagens e sobre todos os répteis que rastejam pela terra». Deus criou o ser
humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus. Ele o criou homem e mulher. Deus
abençoou-os, dizendo: «Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra.
Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais
que se movem na terra». Disse Deus: «Dou-vos todas as plantas com semente que
existem em toda a superfície da terra, assim como todas as árvores de fruto com
semente, para que vos sirvam de alimento. E a todos os animais da terra, a
todas as aves do céu e a todos os seres vivos que se movem na terra dou as
plantas verdes como alimento». E assim sucedeu. Deus viu tudo o que tinha
feito: era tudo muito bom. Veio a tarde e, em seguida, a manhã: foi o sexto
dia. Assim se completaram o céu e a terra e tudo o que eles contêm. Deus
concluiu, no sétimo dia, a obra que fizera e, no sétimo dia, descansou do
trabalho que tinha realizado.
Salmo Responsorial Sl 103 (104),
1-2a.5-6.10.12.13-14.24.35c (R. cf. 30)
Refrão: Enviai, Senhor, o
vosso Espírito e renovai a face da terra.
Bendiz, ó minha alma, o
Senhor.
Senhor, meu Deus, como sois
grande!
Revestido de esplendor e majestade,
envolvido em luz como num
manto!
Fundastes a terra sobre
alicerces firmes:
não oscilará por toda a
eternidade.
Vós a cobristes com o manto do
oceano,
por sobre os montes pousavam
as águas.
Transformais as fontes em rios
que correm entre as montanhas.
Nas suas margens habitam as
aves do céu;
por entre a folhagem fazem
ouvir o seu canto.
Com a chuva regais os montes,
encheis a terra com o fruto
das vossas obras.
Fazeis germinar a erva para o
gado
e as plantas para o homem, que
tira o pão da terra.
Como são grandes as vossas
obras!
Tudo fizestes com sabedoria:
a terra está cheia das vossas
criaturas.
Glória a Deus para sempre.
Segunda Leitura*
* O texto que está entre
parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido
Forma longa:
Génesis 22, 1-18 Forma breve: Génesis 22,
1-2.9a.10-13.15-18
Naqueles dias, Deus quis pôr à
prova Abraão e chamou-o: «Abraão!» Ele respondeu: «Aqui estou». Deus disse:
«Toma o teu filho, o teu único filho, a quem tanto amas, Isaac, e vai à terra
de Moriá, onde o oferecerás em holocausto, num dos montes que Eu te indicar». [Abraão
levantou-se de manhã cedo, aparelhou o jumento, tomou consigo dois dos seus
servos e o seu filho Isaac. Cortou a lenha para o holocausto e pôs-se a caminho
do local que Deus lhe indicara. Ao terceiro dia, Abraão ergueu os olhos e viu
de longe o local. Disse então aos servos: «Ficai aqui com o jumento. Eu e o
menino iremos além fazer adoração e voltaremos para junto de vós». Abraão
apanhou a lenha do holocausto e pô-la aos ombros do seu filho Isaac. Depois,
tomou nas mãos o fogo e o cutelo e seguiram juntos o caminho. Isaac disse a
Abraão: «Meu pai». Ele respondeu: «Que queres, meu filho?» Isaac prosseguiu:
«Temos aqui fogo e lenha; mas onde está o cordeiro para o holocausto?» Abraão
respondeu: «Deus providenciará o cordeiro para o holocausto, meu filho». E
continuaram juntos o caminho.] Quando chegaram ao local designado por
Deus, Abraão levantou um altar e colocou a lenha sobre ele, [atou seu
filho Isaac e pô-lo sobre o altar, em cima da lenha.] Depois, estendendo
a mão, puxou do cutelo para degolar o filho. Mas o Anjo do Senhor gritou-lhe do
alto do Céu: «Abraão, Abraão!» «Aqui estou, Senhor», respondeu ele. O Anjo
prosseguiu: «Não levantes a mão contra o menino, não lhe faças mal algum. Agora
sei que na verdade temes a Deus, uma vez que não Me recusaste o teu filho, o
teu filho único». Abraão ergueu os olhos e viu atrás de si um carneiro, preso
pelos chifres num silvado. Foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto, em vez do
filho. Abraão deu ao local este nome: «O Senhor providenciará». E ainda hoje se
diz: «Sobre a colina o Senhor providenciará». O Anjo do Senhor chamou Abraão,
do Céu, pela segunda vez, e disse-lhe: «Por Mim próprio te juro ― oráculo
do Senhor ― já que assim procedeste, e não Me recusaste o teu filho, o
teu filho único, abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência como as
estrelas do céu e como a areia que está nas praias do mar, e a tua descendência
conquistará as portas das cidades inimigas. Porque obedeceste à minha voz, na
tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra».
Salmo Responsorial Ex 15,
1-2.3-4.5-6.17-18 (R. 1a)
Refrão: Cantemos ao Senhor,
que fez brilhar a sua glória.
Ou: Deus fez
maravilhas: o seu nome é Senhor.
Cantarei ao Senhor, que fez
brilhar a sua glória:
precipitou no mar o cavalo e o
cavaleiro.
O Senhor é a minha força e a
minha protecção:
a Ele devo a minha liberdade.
Ele é o meu Deus: eu O exalto;
Ele é o Deus de meu pai: eu O
glorifico.
O Senhor é um guerreiro,
Omnipotente é o seu nome;
precipitou no mar os carros do
Faraó e o seu exército.
Os seus melhores combatentes
afogaram-se no Mar Vermelho,
foram engolidos pelas ondas,
caíram como pedra no abismo.
A vossa mão direita, Senhor,
revelou a sua força,
a vossa mão direita, Senhor,
destroçou o inimigo.
Levareis o vosso povo e o
plantareis na vossa montanha,
na morada segura que fizestes,
Senhor,
no santuário que vossas mãos
construíram.
O Senhor reinará pelos séculos
dos séculos.
Terceira Leitura
Êxodo 14, 15 – 15, 1
Naqueles dias, disse o Senhor
a Moisés: «Porque estás a bradar por Mim? Diz aos filhos de Israel que se
ponham em marcha. E tu ergue a tua vara, estende a mão sobre o mar e divide-o,
para que os filhos de Israel entrem nele a pé enxuto. Entretanto, vou permitir
que se endureça o coração dos egípcios, que hão-de perseguir os filhos de
Israel. Manifestarei então a minha glória, triunfando do Faraó, de todo o seu
exército, dos seus carros e dos seus cavaleiros. Os egípcios reconhecerão que
Eu sou o Senhor, quando Eu manifestar a minha glória, vencendo o Faraó, os seus
carros e os seus cavaleiros». O Anjo de Deus, que seguia à frente do
acampamento de Israel, deslocou-se para a retaguarda. A coluna de nuvem que os
precedia veio colocar-se atrás do acampamento e postou-se entre o campo dos
egípcios e o de Israel. A nuvem era tenebrosa de um lado e do outro iluminava a
noite, de modo que, durante a noite, não se aproximaram uns dos outros. Moisés
estendeu a mão sobre o mar e o Senhor fustigou o mar, durante a noite, com um
forte vento de leste. O mar secou e as águas dividiram-se. Os filhos de Israel
penetraram no mar a pé enxuto, enquanto as águas formavam muralha à direita e à
esquerda. Os egípcios foram atrás deles: todos os cavalos do Faraó, os seus
carros e cavaleiros os seguiram pelo mar dentro. Na vigília da manhã, o Senhor
olhou da coluna de fogo e da nuvem para o acampamento dos egípcios e lançou
nele a confusão. Bloqueou as rodas dos carros, que dificilmente se podiam
mover. Então os egípcios disseram: «Fujamos dos israelitas, que o Senhor
combate por eles contra os egípcios». O Senhor disse a Moisés: «Estende a mão
sobre o mar e as águas precipitar-se-ão sobre os egípcios, sobre os seus carros
e os seus cavaleiros». Moisés estendeu a mão sobre o mar e, ao romper da manhã,
o mar retomou o seu nível normal, quando os egípcios fugiam na sua direcção. E
o Senhor precipitou-os no meio do mar. As águas refluíram e submergiram os
carros, os cavaleiros e todo o exército do Faraó, que tinham entrado no mar,
atrás dos filhos de Israel. Nem um só escapou. Mas os filhos de Israel tinham
andado pelo mar a pé enxuto, enquanto as águas formavam muralha à direita e à
esquerda. Nesse dia, o Senhor salvou Israel das mãos dos egípcios e Israel viu
os egípcios mortos nas praias do mar. Viu também o grande poder que o Senhor
exercera contra os egípcios, e o povo temeu o Senhor, acreditou n’Ele e em seu
servo Moisés. Então Moisés e os filhos de Israel cantaram este hino em honra do
Senhor: «Cantemos ao Senhor, que fez brilhar a sua glória, precipitou no mar o
cavalo e o cavaleiro».
Salmo Responsorial Salmo 41(42), 2-5.5; 42 (43), 3-4 (R. 41(42), 2)
Refrão: Como suspira o veado
pelas correntes das águas,
assim minha alma suspira
por Vós, Senhor.
Ou: Como o veado em
busca das águas,
assim, ó Deus, a minha alma
Vos deseja.
Como suspira o veado pelas
correntes das águas,
assim minha alma suspira por
Vós, Senhor.
Minha alma tem sede de Deus,
do Deus vivo:
Quando irei contemplar a face
de Deus?
A minha alma estremece ao
recordar
quando passava em cortejo para
o templo do Senhor,
entre as vozes de louvor e de
alegria
da multidão em festa.
Enviai a vossa luz e verdade,
sejam elas o meu guia e me
conduzam
à vossa montanha santa
e ao vosso santuário.
E eu irei ao altar de Deus,
a Deus que é a minha alegria.
Ao som da cítara Vos louvarei,
Senhor, meu Deus.
Oremos. Senhor nosso Deus,
poder imutável e luz sem ocaso,
olhai com bondade para a vossa
Igreja,
sacramento da nova aliança, e
confirmai na paz,
segundo os vossos desígnios
eternos, a obra da salvação humana,
para que todo o mundo veja e
reconheça como o abatido se levanta,
o envelhecido se renova e tudo
volta à sua integridade original,
por meio d'Aquele que é o
princípio de todas as coisas,
Jesus Cristo vosso Filho, que
é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Ou, se houver catecúmenos a baptizar
Oremos.
Deus eterno e omnipotente,
estai presente neste mistério
do vosso amor
e enviai o Espírito de adopção
para renovar
aqueles que vão nascer pela
água do Baptismo,
de modo que a acção do nosso
humilde ministério
se torne eficaz pela
intervenção do vosso poder.
Por Nosso Senhor...
Monição às leituras do
Novo Testamento
O Antigo Testamento foi um tempo
longo de preparação do advento de Cristo, o Messias Libertador. Depois de Deus
ter falado muitas vezes e de muitos modos pelos profetas, falou-nos agora
através de Seu Filho, que veio ao mundo para estabelecer a Aliança definitiva
entre Deus e o homem. Esta Aliança já não se limita a um só povo, mas está
aberta aos homens de todos os tempos. O Baptismo será, pois, o grande sinal da
Aliança eterna de Deus com o Seu povo, em que nos é concedida uma nova vida em
Cristo, renascida da água e do Espírito.
Quarta leitura
Romanos 6, 3-11
Irmãos: 3Todos nós
que fomos baptizados em Cristo fomos baptizados na sua morte. 4Fomos
sepultados com Ele pelo Baptismo na sua morte, para que, assim como Cristo
ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. 5Se,
na verdade, estamos totalmente unidos a Cristo por morte semelhante à sua,
também o estaremos por uma ressurreição semelhante à sua. 6Bem
sabemos que o nosso homem velho foi crucificado com Cristo, para que fosse
destruído o corpo do pecado e não mais fôssemos escravos dele. 7Quem
morreu está livre do pecado. 8Se morremos com Cristo, acreditamos
que também com Ele viveremos, 9sabendo que, uma vez ressuscitado dos
mortos, Cristo já não pode morrer, a morte já não tem domínio sobre Ele. 10Porque
na morte que sofreu, Cristo morreu para o pecado de uma vez para sempre; mas a
sua vida é uma vida para Deus. 11Assim vós também, considerai-vos
mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus.
Salmo Responsorial Salmo 117 (118), 1-2.16ab-17.22-23 (R.
Aleluia)
Refrão: Aleluia. Aleluia.
Aleluia.
Dai graças ao Senhor, porque
Ele é bom,
porque é eterna a sua
misericórdia.
Diga a casa de Israel:
é eterna a sua misericórdia.
A mão do Senhor fez prodígios,
a mão do Senhor foi magnífica.
Não morrerei, mas hei-de viver
para anunciar as obras do
Senhor.
A pedra que os construtores
rejeitaram
tornou-se pedra angular.
Tudo isto veio do Senhor:
é admirável aos nossos olhos.
Para a proclamação do Evangelho não se levam círios, mas apenas incenso,
se este se usar.
Evangelho
São Mateus 28, 1-10
1Depois do sábado, ao raiar do primeiro dia da semana,
Maria Madalena e a outra Maria foram visitar o sepulcro. 2De
repente, houve um grande terramoto: o Anjo do Senhor desceu do Céu e,
aproximando-se, removeu a pedra do sepulcro e sentou-se sobre ela. 3O
seu aspecto era como um relâmpago e a sua túnica branca como a neve. 4Os
guardas começaram a tremer de medo e ficaram como mortos. 5O Anjo
tomou a palavra e disse às mulheres: «Não tenhais medo; sei que procurais
Jesus, o Crucificado. 6Não está aqui: ressuscitou, como tinha dito.
Vinde ver o lugar onde jazia. 7E ide depressa dizer aos discípulos:
‘Ele ressuscitou dos mortos e vai adiante de vós para a Galileia. Lá O vereis’.
Era o que tinha para vos dizer». 8As mulheres afastaram-se
rapidamente do sepulcro, cheias de temor e grande alegria, e correram a levar a
notícia aos discípulos. 9Jesus saiu ao seu encontro e saudou-as.
Elas aproximaram-se, abraçaram-Lhe os pés e prostraram-se diante d’Ele. 10Disse-lhes
então Jesus: «Não temais. Ide avisar os meus irmãos que partam para a Galileia.
Lá Me verão».
A ressurreição de Jesus é um mistério, um facto de ordem sobrenatural, que se situa para além da experiência humana, mas, como acontecimento real que é, teve manifestações historicamente comprováveis. A primeira destas foi a verificação do túmulo vazio. Esta verificação não constitui uma prova da ressurreição, nem é apresentada como tal pelos quatro evangelistas, pois provoca perplexidade nas Santas Mulheres que pensam no roubo do cadáver. O anúncio angélico da ressurreição contado por elas aos Onze, pareceu a estes «um desvario e não acreditaram nelas» (v. 11). A concordância entre os diversos relatos dos quatro Evangelhos é impressionante; as dificuldades para uma perfeita harmonização quanto a certos pormenores são mais um indício de veracidade.
João dá mais pormenores acerca da visita ao sepulcro vazio (Jo 20), ao passo que Lucas generaliza o relato. Assim, Lucas junta Maria Madalena às outras mulheres, a qual não estaria com elas, como se depreende do IV Evangelho (cf. Jo 20, 1); logo de manhã, ainda escuro teria vindo ao túmulo à frente das companheiras, e sozinha, antes de qualquer visão, tinha ido avisar os Apóstolos de que o túmulo estava vazio.
Sugestões para a homilia
O Deus da Vida
O dom da Vida
A fecundidade da vida
O Deus
da Vida
Irmãs e irmãos em Cristo,
A Páscoa é a grande festa da
nossa fé. Nela proclamamos com júbilo a vitória de Cristo sobre a morte. Dando
a vida pelas Suas ovelhas e vencendo definitivamente a morte, Jesus, o Bom
Pastor, chama as Suas ovelhas para a ressurreição da vida eterna.
Assim, a ressurreição de
Jesus, além de ser o mistério central da nossa fé cristã, constitui também o
fundamento da nossa libertação e esperança cristãs: Deus liberta-nos de todas
as nossas limitações e da morte para nos introduzir no Reino de vida e de amor
sob a chefia de Cristo Jesus, por Quem nos tornámos nova criação e alcançámos a
filiação adoptiva de Deus.
A fé em Cristo é fonte de
libertação porque Jesus salva o homem do pecado, que é sempre origem de todas
as escravidões. Mas é, ao mesmo tempo, sinal de que Deus é amigo da vida. Deus
não criou o homem para o condenar à morte, mas para que tenha a vida e vida em
abundância (Cf. Jo 10, 10): «Não foi Deus quem fez a morte, nem Ele se
alegra com a perdição dos vivos. (...) Deus
criou o homem para ser incorruptível e fê-lo à imagem da sua própria natureza» (Sab 1, 13.2, 23).
O dom
da Vida
A Liturgia da Palavra desta
Vigília proclama o Deus de amor que dá a vida ao criar todas as coisas do nada
(1.ª leitura), ao estabelecer uma Aliança com os homens (2.ª leitura), ao
libertar o Povo eleito da escravidão do Egipto (3.ª Leitura), ao compadecer-Se
do povo exilado (4.ª leitura), ao prometer o banquete messiânico (5.ª leitura),
ao enviar a Sabedoria como caminho de luz e de paz para o homem (6.ª leitura),
ao conceder o Seu perdão misericordioso (7.ª leitura) e ao realizar as Suas
promessas, enviando-nos o Messias Salvador que vem libertar-nos do pecado e
conceder-nos a vida nova em Deus pela participação no Baptismo (Cf. Rom 6, 3-11 e Mc 16,1-8).
Estas leituras da Palavra de
Deus traçam uma síntese de toda a história da salvação oferecida ao homem. Em
todas elas sobressai o dom maravilhoso de Deus que é a vida. Daí que a nossa
maior alegria, ao longo da nossa existência, seja precisamente o dom gratuito
da vida, tanto física como espiritual. Ambas são fruto de um grande amor: o dos
nossos pais e o de Deus.
E porque nos sentimos amados
por Deus, reconhecemos a Sua presença amorosa em tantas manifestações da
convivência humana. Nas brincadeiras das crianças, nos sonhos da juventude, no
amor dos esposos, no sorriso dos idosos... em tudo isto há um reflexo da Vida
que Ele nos dá. Toda essa força vital brota da vida que é Deus e expressa o
amor que Ele nos manifestou em Jesus Cristo, especialmente no mistério pascal: «Fomos sepultados com Ele pelo Baptismo na
Sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, também nós
vivamos uma vida nova» (Rom 6,
4).
Hoje nasce o homem novo, a
nova humanidade redimida, com todo o esplendor e beleza com que saiu das mãos
do Criador. Ao confessarmos Cristo ressuscitado não dizemos apenas que o túmulo
ficou vazio, mas que Ele vive para nos dar vida.
A
fecundidade da vida
A Páscoa cristã é, pois, a
festa da fé e da vida imortal, é o triunfo da causa de Jesus, é a salvação e
libertação do homem. Por tudo isso, e por ser a vitória definitiva sobre a
morte, a Páscoa é a grande festa da vida para todo aquele que crê em Jesus ressuscitado.
Mas assim como Cristo veio ao
mundo para nos dar a vida, pela Sua morte e ressurreição, assim também nós
somos chamados a uma vida espiritualmente fecunda. Tal como na vida de Jesus,
em cada um de nós é o amor que irá dar fecundidade à dor, gerando vida através
da morte. Sem se dar a si próprio, sem viver com e pelos outros, sem sofrer e
alegrar-se com o próximo, numa palavra, sem amar, será impossível a fecundidade
pessoal e cristã e incansável a alegria milagrosa da vida nova.
A única maneira de realização
humana e o único caminho para a santidade e maturidade cristã é o estilo que
Cristo traçou e seguiu, o itinerário do grão de trigo que, se não morrer, fica
só, mas se morrer dará muito fruto (Jo
12, 27).
Compartilhar a vida com os
demais é uma forma de dar plenitude à nossa existência, e de proclamar a
vitória da vida sobre a morte, do amor sobre o egoísmo.
Dos grãos de trigo que
morreram na terra nasceram as espigas que foram ceifadas e delas nasceu o Pão
que hoje ofereceremos a Deus na mesa eucarística. O próprio Jesus foi o grão de
trigo caído e que venceu a morte gerando a vida. Unidos a Ele e aos irmãos,
compreenderemos que a comunhão do Corpo do Senhor é também um firme compromisso
com a vida e uma participação da felicidade que havemos gozar eternamente.
Que Maria, a Mãe do
Ressuscitado, nos aponte o caminho para Jesus Cristo, nosso único Salvador.
Fala o Santo Padre
«Vislumbramos nesta noite,
o amanhecer do dia de Cristo ressuscitado, que inaugura a vida nova.»
1. «Essa noite [...] será de
vigia para todos os filhos de Israel, de geração em geração, em honra do
Senhor» (Ex 12,42). Celebramos nesta
noite santa a Vigília Pascal, a primeira, melhor, «a mãe» de todas as vigílias
do ano litúrgico. Nela, como canta repetidamente o Precónio, volta-se a
percorrer o caminho da humanidade, desde a criação até o acontecimento
culminante da salvação, que é a morte e a ressurreição de Cristo. A luz
d'Aquele que «ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram» (1 Cor
15,20) torna «clara como o dia» (cf. Sal 139 [138], 12) esta noite
memorável, considerada justamente o «coração» do ano litúrgico. Nesta noite, a
Igreja inteira vigia e torna a percorrer, meditando, as etapas significativas
da intervenção salvífica de Deus no universo.
2. «Uma noite de vigia em
honra do Senhor». Duplo é o significado da solene Vigília Pascal, tão rica de
símbolos acompanhados por uma extraordinária abundância de textos bíblicos. Por
um lado ela é memória orante das mirabilia
Dei, ao relembrar as páginas capitais da Sagrada Escritura, desde a criação
ao sacrifício de Isaac, à passagem do Mar Vermelho, à promessa da nova Aliança.
Por outro lado, esta sugestiva vigília é expectativa confiante no pleno
cumprimento das antigas promessas. A lembrança da obra de Deus culmina na
ressurreição de Cristo e se projecta no acontecimento escatológico da parusia.
Vislumbramos assim, nesta
noite pascoal, o amanhecer do dia que não tem mais ocaso, o dia de Cristo
ressuscitado, que inaugura a vida nova, «os novos céus e a nova terra» (2 Pd
3,13; cf. Is 65,17; 66,22; Ap 21,1).
3. Desde os seus inícios, a
comunidade cristã situou a celebração do Baptismo no contexto da Vigília
Pascal. […] Deste modo renova-se o prodígio do misterioso renascimento
espiritual, actuado pelo Espírito Santo, que incorpora os neo-baptizados no
povo da nova e definitiva Aliança sancionada pela morte e ressurreição de
Cristo. […]
4. A liturgia também nos
convida a todos aqui presentes a renovar as promessas do nosso Baptismo. A nós
o Senhor pede para Lhe renovar a expressão da nossa plena docilidade e total
dedicação ao serviço do seu Evangelho.
Caríssimos Irmãos e Irmãs! Se
às vezes esta missão vos aparecer difícil, recordai as palavras do
Ressuscitado: «Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo» (Mt
28,20). Assim, na certeza da sua presença, não temereis qualquer dificuldade
nem obstáculo. A sua Palavra vos iluminará; o seu Corpo e o seu Sangue servirão
de alimento e amparo no caminho quotidiano para a eternidade.
Ao lado de cada um de vós
permanecerá sempre Maria, como esteve presente entre os Apóstolos amedrontados
e desconcertados na hora da prova. E, com a sua fé, Ela vos indicará, para além
da noite do mundo, a aurora gloriosa da ressurreição. Amem.
João Paulo II, Roma, Sábado
Santo, 10 de Abril de 2004
LITURGIA BAPTISMAL
Introdução
Acabámos de escutar a Palavra
de Deus que nos apresentou a ressurreição de Cristo como fonte de salvação para
todo aquele que n'Ele crê e for baptizado. Pelo Baptismo, o catecúmeno é
«mergulhado» na morte de Cristo para ressurgir homem novo para uma vida nova.
Assim, o baptizado fica revestido de Cristo.
O sacerdote, acompanhado dos
ministros, dirige-se para a fonte baptismal, se esta se encontra à vista dos
fiéis; caso contrário, coloca-se um recipiente com água no presbitério.
Se houver catecúmenos para
serem baptizados, faz-se a respectiva chamada; são apresentados pelos
padrinhos, ou, se forem crianças, são levados pelos pais e padrinhos à presença
da assembleia eclesial.
O sacerdote faz aos
presentes uma admonição com estas palavras ou outras semelhantes:
– Se há administração do
Baptismo:
Ajudemos com as nossas preces
estes nossos irmãos, preparados para receberem a vida nova do Baptismo. Oremos
a Deus nosso Pai, para que, na sua grande misericórdia, os guie e acompanhe até
à fonte baptismal.
– Se não há administração do
Baptismo, mas apenas a bênção da fonte baptismal:
Supliquemos a Deus nosso Pai
que santifique esta água, para que todos os que nela receberem a vida nova do
Baptismo, sejam incorporados em Cristo e contados entre os filhos de Deus.
Monição: A participação na Liturgia Baptismal deve suscitar
em nós o desejo profundo de uma maior adesão a Cristo e um maior empenho na
instauração do Reino de Deus. Mas a construção deste Reino só é possível se começar
pela oração. Neste momento, peçamos a Deus, por intercessão de todos os santos,
que nos confirme na fé e ilumine os catecúmenos.
Dois cantores entoam as
Ladainhas e todos, de pé (em virtude do Tempo Pascal), respondem.
Se a procissão para o Baptistério
é longa, as Ladainhas cantam-se durante a procissão. Neste caso, os baptizandos
são chamados antes da procissão. Esta organiza-se do modo seguinte: à frente, o
círio pascal; em seguida, os catecúmenos acompanhados dos padrinhos; depois, o
sacerdote acompanhado dos ministros. A admonição faz-se antes da bênção da
água.
Se não houver baptizandos
nem bênção da fonte baptismal, omitem-se as Ladainhas e faz-se imediatamente a
bênção da água (n. 45).
Nas Ladainhas podem
acrescentar-se alguns nomes de Santos, sobretudo o do titular da igreja, dos
padroeiros do lugar e dos baptizandos.
A invocação Senhor, tende
piedade de nós pode ser substituída por Senhor, misericórdia ou Kyrie, eleison,
como na Missa.
Ladainha dos Santos
Senhor, tende piedade de nós. Senhor,
tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós. Cristo,
tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós. Senhor,
tende piedade de nós.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai
por nós.
São Miguel, rogai
por nós.
Santos Anjos de Deus, rogai
por nós.
São João Baptista, rogai
por nós.
São José, rogai
por nós.
São Pedro e São Paulo, rogai
por nós.
Santo André, rogai
por nós.
São João, rogai
por nós.
Santa Maria Madalena, rogai
por nós.
Santo Estêvão, rogai
por nós.
Santo Inácio de Antioquia, rogai
por nós.
São Lourenço, rogai
por nós.
São João de Brito, rogai
por nós.
Santa Perpétua e Santa
Felicidade, rogai
por nós.
Santa Inês, rogai
por nós.
São Gregório, rogai
por nós.
Santo Agostinho, rogai
por nós.
Santo Atanásio, rogai
por nós.
São Basílio, rogai
por nós.
São Martinho, rogai
por nós.
São Bento, rogai
por nós.
São Martinho de Dume, São
Frutuoso e São Geraldo, rogai por nós.
São Teotónio, rogai
por nós.
São Francisco e São Domingos, rogai
por nós.
Santo António de Lisboa, rogai
por nós.
São João de Deus, rogai
por nós.
São Francisco Xavier, rogai
por nós.
São João Maria Vianney, rogai
por nós.
Santa Isabel de Portugal, rogai
por nós.
Santa Catarina de Sena, rogai
por nós.
Santa Teresa de Jesus, rogai
por nós.
Santa Beatriz da Silva, rogai
por nós.
Todos os Santos e Santas de
Deus, rogai
por nós.
Sede-nos propício, livrai-nos,
Senhor.
De todo o mal livrai-nos,
Senhor.
De todo o pecado livrai-nos,
Senhor.
Da morte eterna livrai-nos,
Senhor.
Pela vossa encarnação, livrai-nos,
Senhor.
Pela vossa morte e
ressurreição, livrai-nos,
Senhor.
Pela efusão do Espírito Santo, livrai-nos,
Senhor.
A nós, pecadores, ouvi-nos,
Senhor.
Se houver baptizandos:
Dignai-Vos dar uma vida nova a
estes eleitos
pela graça do Baptismo, ouvi-nos,
Senhor.
Se não houver baptizandos:
Santificai esta água, para o
renascimento
espiritual dos vossos filhos, ouvi-nos, Senhor.
Jesus, Filho de Deus, ouvi-nos,
Senhor.
Cristo, ouvi-nos. Cristo,
ouvi-nos.
Cristo, atendei-nos. Cristo,
atendei-nos.
Bênção da água
Senhor nosso Deus: Pelo vosso
poder invisível, realizais maravilhas nos vossos sacramentos. Ao longo dos
tempos preparastes a água para manifestar a graça do Baptismo.
Logo no princípio do mundo, o
vosso Espírito pairava sobre as águas, prefigurando o seu poder de santificar.
Nas águas do dilúvio
destes-nos uma imagem do Baptismo, sacramento da vida nova, porque as águas
significam ao mesmo tempo o fim do pecado e o princípio da santidade.
Aos filhos de Abraão fizestes
atravessar a pé enxuto o Mar Vermelho, para que esse povo, liberto da
escravidão, fosse a imagem do povo santo dos baptizados.
O vosso Filho, Jesus Cristo,
ao ser baptizado por João Baptista nas águas do Jordão, recebeu a unção do
Espírito Santo; suspenso na cruz, do seu lado aberto fez brotar sangue e água
e, depois de ressuscitado, ordenou aos seus discípulos: «Ide e ensinai todos os
povos e baptizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo».
Olhai agora, Senhor, para a
vossa Igreja e dignai-Vos abrir para ela a fonte do Baptismo. Receba esta água,
pelo Espírito Santo, a graça do vosso Filho Unigénito, para que o homem, criado
à vossa imagem, no sacramento do Baptismo seja purificado das velhas impurezas
e ressuscite homem novo pela água e pelo Espírito Santo.
Introduzindo, conforme as
circunstâncias, o círio pascal, uma ou três vezes na água, continua:
Desça sobre esta água, Senhor,
por vosso Filho, a virtude do Espírito Santo,
com o círio na água,
prossegue:
para que todos, sepultados com
Cristo na sua morte pelo Baptismo, com Ele ressuscitem para a vida. Por Nosso
Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito
Santo.
Retira o círio da água;
entretanto, o povo faz a seguinte aclamação ou outra semelhante:
Fontes do Senhor, bendizei o
Senhor, louvai-O e exaltai-O para sempre.
Cântico:
Fontes do Senhor, M. Simões, NRMS
25
Os catecúmenos, cada um por
sua vez, renunciam ao demónio, professam a fé e são baptizados.
Os catecúmenos adultos,
porém, se está presente o Bispo ou um sacerdote com poderes para confirmar,
recebem também a Confirmação.
Bênção da água lustral
Monição: A rocha tocada por Moisés no deserto era uma figura
de Jesus, cujo lado devia ser trespassado pela lança do soldado, a fim de
deixar passar o rio da água viva. De facto, Jesus é a fonte de água viva e a
nascente que brota do Seu Coração é o amor. Se alguém vai haurir n'Ele, a Vida
jorrou uma nova fonte: «correrão rios de água viva do seio daquele que
acreditar em Mim» (Jo 7, 38). Esta
água é também símbolo do Espírito Santo que é o princípio da inesgotável
fecundidade da Vida e só pode ser transmitido através da morte e da
ressurreição de Jesus.
Se não houver baptizandos
nem bênção da água baptismal, o sacerdote procede à bênção da água, dizendo a
admonição e oração seguintes:
Oremos, irmãos caríssimos, a
Deus nosso Senhor, suplicando-Lhe que Se digne abençoar esta água, que vai ser
aspergida sobre nós para memória do nosso Baptismo, e nos renova interiormente,
a fim de permanecermos fiéis ao Espírito que recebemos.
Todos oram em silêncio
durante alguns momentos. Depois, o sacerdote diz:
Senhor nosso Deus, estai connosco
e assisti ao vosso povo em vigília nesta sacratíssima noite. Ao celebrarmos a
obra admirável da nossa criação e a maravilha ainda maior da nossa redenção,
dignai-Vos abençoar esta água.
Vós a criastes para dar
fecundidade à terra e frescura e pureza aos nossos corpos. Vós a fizestes
instrumento de misericórdia, libertando da escravidão o vosso povo e matando a
sua sede no deserto. Por meio dos Profetas, Vós a proclamastes sinal da nova
aliança que quisestes estabelecer com os homens.
Finalmente, nas águas do
Jordão, santificadas por Cristo, inaugurastes o sacramento da regeneração
espiritual, que renova a nossa natureza humana, libertando-a da corrupção do
pecado.
Esta água, Senhor, nos faça
reviver o Baptismo que recebemos e nos leve a participar na alegria dos nossos
irmãos baptizados na Páscoa de Cristo Nosso Senhor, que é Deus convosco na
unidade do Espírito Santo.
Renovação das promessas do
Baptismo
Monição: Acreditar na Ressurreição de Jesus não é acumular
razões para demonstrar na veracidade deste acontecimento, mas aceitar o
mistério da fé. Acreditar é viver a nossa vida com espírito pascal, dando
testemunho que Jesus vive e está presente na nossa vida. Recordando o nosso
Baptismo, renovemos as promessas baptismais e façamos o propósito de servir
cada vez melhor a Jesus.
Terminado o rito do Baptismo
(e da Confirmação), ou, se este não se realizou, depois da bênção da água,
todos os presentes, de pé, com as velas acesas na mão, renovam as promessas do
Baptismo.
O sacerdote dirige-se aos
fiéis com estas palavras ou outras semelhantes:
Irmãos caríssimos:
Pelo mistério pascal, fomos
sepultados com Cristo no Baptismo, para vivermos com Ele uma vida nova. Por
isso, tendo terminado os exercícios da observância quaresmal, renovemos as
promessas do santo Baptismo, pelas quais renunciámos outrora a Satanás e às
suas obras e prometemos servir fielmente a Deus na santa Igreja católica.
Sacerdote: Renunciais
a Satanás?
Todos: Sim,
renuncio.
Sacerdote: E
a todas as suas obras?
Todos: Sim,
renuncio.
Sacerdote: E
a todas as suas seduções?
Todos: Sim,
renuncio.
Ou
Sacerdote: Renunciais
ao pecado, para viverdes na liberdade dos filhos de Deus?
Todos: Sim,
renuncio.
Sacerdote: Renunciais
às seduções do mal, para que o pecado não vos escravize?
Todos: Sim,
renuncio.
Sacerdote: Renunciais
a Satanás, que é o autor do mal e pai da mentira?
Todos: Sim,
renuncio.
Se convier, esta segunda
fórmula pode ser adaptada pelas Conferências Episcopais às circunstancias do
tempo e do lugar.
Depois o sacerdote continua:
Sacerdote: Credes em Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e
da terra?
Todos: Sim, creio.
Sacerdote: Credes em Jesus Cristo, seu único Filho, Nosso
Senhor, que nasceu da Virgem Maria, padeceu e foi sepultado, ressuscitou dos
mortos e está sentado à direita do Pai?
Todos: Sim, creio.
Sacerdote: Credes no Espírito Santo, na santa Igreja católica,
na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na
vida eterna?
Todos: Sim, creio.
Sacerdote: Deus todo-poderoso, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo,
que nos fez renascer pela água e pelo Espírito Santo e nos perdoou todos os
pecados, nos guarde com a sua graça, em Jesus Cristo Nosso Senhor, para a vida
eterna.
Todos: Amen.
O sacerdote asperge o povo
com água benta, enquanto todos cantam a antífona seguinte ou outro cântico de
índole baptismal:
Cântico:
Vi a fonte de água viva, Az.
Oliveira, NRMS 65
Vi a água sair do lado direito
do templo. Aleluia.
E todos aqueles a quem chegou
esta água foram salvos. Aleluia. Aleluia.
Entretanto os neófitos são
conduzidos para os seus lugares no meio da assembleia dos fiéis.
Se a bênção da água
baptismal não tiver sido feita no baptistério, os ministros levam com
reverência o recipiente da água para o baptistério.
Se não houve bênção da água
baptismal, a água benta coloca-se num lugar conveniente.
Feita a aspersão, o sacerdote volta para a sua sede e, omitindo o Credo,
dirige a oração universal, em que os neófitos participam pela primeira vez.
Oração
Universal (se
parecer conveniente)
Animados pela fé em Cristo
Jesus ressuscitado,
elevemos ao Pai a nossa
oração:
1. Pela Santa Igreja de Deus,
para que,
fortalecida na fé da ressurreição,
estabeleça o
Reino de Deus em toda a terra,
oremos, irmãos.
2. Pelos que regem os destinos das nações,
para que
cumpram a sua missão com espírito de justiça
e assim aumente
a paz e a concórdia entre os povos,
oremos, irmãos.
3. Para que os homens
não vejam na
morte um destino cruel,
mas encontrem
na Ressurreição de Jesus
o caminho da
esperança e da salvação,
oremos, irmãos.
4. Por todos aqueles que vivem na escravidão do pecado,
para que o
Senhor Ihes conceda a libertação total
e a graça da
vida nova,
oremos, irmãos.
5. Pelas famílias do mundo inteiro,
para que vivam
de uma maneira digna da sua vocação,
oremos, irmãos.
6. Por todos nós aqui presentes,
para que,
firmes na nossa fé,
anunciemos
corajosamente
o triunfo de
Cristo sobre a morte,
oremos, irmãos.
7. Pelos nossos irmãos defuntos
para que, por
meio de Maria,
tomem parte na
glória celeste,
oremos, irmãos.
Nós Vos pedimos, Senhor, que
a celebração dos mistérios pascais
aumente em nós a alegria da
Redenção.
Por nosso Senhor Jesus
Cristo, Vosso Filho,
que é Deus convosco, na
unidade do Espírito Santo.
Liturgia Eucarística
O sacerdote dirige-se para o
altar e dá início à liturgia eucarística na forma habitual.
É conveniente que o pão e o
vinho sejam levados ao altar pelos neófitos.
Cântico
do ofertório: Senhor, quebrastes os laços, M. Simões, NRMS 65
Oração
sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, com
estas oferendas, as orações dos vossos fiéis e fazei que o sacrifício
inaugurado no mistério pascal por vossa graça nos sirva de remédio para a vida
eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na
unidade do Espírito Santo.
Prefácio pascal I [mas com
maior solenidade nesta noite]: p. 53
No Cânone Romano, diz-se o
Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai
benignamente, Senhor) próprios.
Nas Orações Eucarísticas II
e III fazem-se também as comemorações próprias.
Santo:
Santo IV, H. Faria, NRMS 103-104
Cântico
da Comunhão: Cristo nosso Cordeiro Pascal, M. Simões, NRMS 25
1 Cor 5,
7-8
Antífona
da comunhão: Cristo, nosso Cordeiro
pascal, foi imolado: celebremos a festa com o pão ázimo da pureza a da verdade.
Aleluia.
Cântico
de acção de graças: Cantai Comigo,
H. Faria, NRMS 2 (II)
Oração
depois da comunhão: Infundi em nós,
Senhor, o vosso espírito de caridade, para que vivam unidos no vosso amor
aqueles que saciastes com os sacramentos pascais. Por Nosso Senhor Jesus
Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Ritos Finais
Monição final
Diz-nos Lucas que Pedro,
tendo ido ao sepulcro, nada mais viu senão as ligaduras, e voltou para casa
maravilhado com o que tinha sucedido (Cf. Lc
24, 12).
Irmãos e irmãs, regressemos a
nossas casas cheios de alegria porque o Senhor nos trouxe a salvação e a vida
nova. Deixemo-nos maravilhar com tudo o que sucedeu, com estes mistérios da
nossa fé e com tudo o que Deus fez por nós. Que esta alegria se torne o nosso
maior testemunho e nos leve a imitar Maria Madalena que, depois de ter ido ao
túmulo onde Jesus fora sepultado, foi de imediato anunciar a Boa Nova aos
companheiros de Jesus (Cf. Mc 16,
10).
Cântico
final: Aleluia! Aleluia! Cristo ressuscitou, J. Santos, NRMS 2 (II)
Celebração
e Homilia: Nuno Westwood
Nota
Exegética: Geraldo Morujão
Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha