Solenidade da Santíssima Trindade

26 de Maio de 2013

 

Domingo depois do Pentecostes

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Aleluia! Glória a Deus, Az. Oliveira, NRMS 107

 

Antífona de entrada: Bendito seja Deus Pai, bendito o Filho Unigénito, bendito o Espírito Santo, pela sua infinita misericórdia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Todos os domingos são, de algum modo, dias da Santíssima Trindade, pois neles celebramos a obra do Pai Criador, do Filho Redentor e do Espírito Santo Santificador.

Nos sete dias da criação, o primeiro dia foi a da criação da luz; a ressurreição deu-se no primeiro dia da semana; e no primeiro dia desceu o Espírito Santo sobre os Apóstolos O primeiro dia da semana é o dia da obra de cada uma das pessoas divinas

Esta festa litúrgica da Santíssima Trindade só foi instituída em 1334. Esta solenidade não se destina a um exercício intelectual sobre Deus, mas a meditar mais fervorosamente o mistério íntimo de Deus, sobretudo neste Ano da Fé.

 

Rito penitencial e Glória

 

Todas as celebrações começam pela invocação do Pai, do Filho e do Espírito Santo, como acabámos de fazer. Mas a santidade de Deus deve gerar em nós atitudes de humildade, gratidão e alegria. É isso que vamos fazer de seguida por meio do ato penitencial e pelo canto do Glória, um hino cristológico e trinitário.

 

Oração colecta: Deus Pai, que revelastes aos homens o vosso admirável mistério, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito da santidade, concedei-nos que, na profissão da verdadeira fé, reconheçamos a glória da eterna Trindade e adoremos a Unidade na sua omnipotência. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A leitura do Livro dos Provérbios fala-nos de Deus criador do universo. O modo de falar sublinha que a Criação obedece à Sabedoria de Deus, e isso deixa entrever o mistério íntimo de Deus. É um texto anterior à vinda de Jesus, mas já próximo do tempo da Incarnação.

 

Provérbios 8, 22-31

Eis o que diz a Sabedoria de Deus: 22«O Senhor me criou como primícias da sua actividade, antes das suas obras mais antigas. 23Desde a eternidade fui formada, desde o princípio, antes das origens da terra. 24Antes de existirem os abismos e de brotarem as fontes das águas, já eu tinha sido concebida. 25Antes de se implantarem as montanhas e as colinas, já eu tinha nascido; 26ainda o Senhor não tinha feito a terra e os campos, nem os primeiros elementos do mundo. 27Quando Ele consolidava os céus, eu estava presente; quando traçava sobre o abismo a linha do horizonte, 28quando condensava as nuvens nas alturas, quando fortalecia as fontes dos abismos, 29quando impunha ao mar os seus limites para que as águas não ultrapassassem o seu termo, quando lançava os fundamentos da terra, 30eu estava a seu lado como arquitecto, cheia de júbilo, dia após dia, deleitando-me continuamente na sua presença. 31Deleitava-me sobre a face da terra e as minhas delícias eram estar com os filhos dos homens».

 

A sabedoria divina aparece aqui poeticamente personificada. É ela que se apresenta a si mesma, como um “arquitecto” (v. 30) ao lado de Deus, que Lhe fornece o projecto da maravilhosa obra da criação do universo. Este belo artifício literário parece insinuar um mistério que transcende o próprio hagiógrafo: os Padres da Igreja, baseados na apresentação que o Novo Testamento faz de Cristo como Sabedoria de Deus (Mt 11, 19; Lc 11, 49; cf. Col 1, 16-17; Jo 1, 1-3; 6, 35, etc.), vêem nesta passagem uma alusão à Segunda Pessoa da SS. Trindade, o Verbo de Deus. De facto, a Sabedoria é apresentada como uma pessoa distinta, mas sem que seja uma criatura, pois existe desde sempre, antes da criação (vv. 24-26) e intervém na obra da criação (vv. 27-31); ela, não sendo criada, foi concebida, gerada desde toda a eternidade. A revelação do N. T. faz-nos supor que esta passagem já conteria um sentido divino mais pleno do que aquele que se podia vislumbrar antes de Cristo. Recorde-se que o v. 22 – “o Senhor me criou” – foi aproveitado por Ario, para tentar demonstrar que o Verbo não era Deus, mas apenas a sua primeira criatura, partindo da tradução grega dos LXX, seguida pela Vetus Latina, a que inexplicavelmente se atém a nossa tradução litúrgica; mas a verdade é que o texto hebraico tem: “o Senhor possuiu-me” (“qanáni”), seguido pela Vulgata e pela Neovulgata, que é a referência para as traduções litúrgicas.

Aqui, como em tantas outras passagens da Escritura, fala-se do Mundo de acordo com as ideias cosmológicas da época: os Céus (v. 27) seriam uma ab6bada firme (firmamento) que cobria a Terra, a qual era uma enorme ilha plana limitada por um círculo (v. 27) que, à maneira de dique (v. 29), a separava do oceano sem limites (o abismo v. 27); por seu turno, a Terra, apesar de ser ilha flutuante no abismo, tinha estabilidade e estava fixa devido a uns alicerces ou “fundamentos da Terra” (v. 29), à maneira de colunas em que se apoiava; as fontes são chamadas “as fontes do abismo” (v. 28), pois brotavam do próprio abismo, isto é, o mar em que a Terra sobrenadava, e, através dos rios, as águas das fontes regressavam à sua origem. (A chuva procedia da abertura de grandes reservatórios de água situados acima do firmamento – as “águas superiores” de Gn 1, 7 – e que comunicavam com o oceano). É evidente que, ao falar assim, a Sagrada Escritura não quer dar uma lição de Cosmologia, fala como então se falava.

 

Salmo Responsorial    Sl 8, 4-9 (R. 2a)

 

Monição: A partir do espetáculo da criação, somos convidados a proclamar a sabedoria e o poder de Deus. Sobretudo nós, que pelo progresso científico conhecemos por dentro as maravilhas do mundo, devemos sentir o encanto da obra de Deus.

 

Refrão:        Como sois grande em toda a terra,

Senhor, nosso Deus!

 

Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos,

a lua e as estrelas que lá colocastes,

que é o homem para que Vos lembreis dele,

o filho do homem para dele Vos ocupardes?

 

Fizestes dele quase um ser divino,

de honra e glória o coroastes;

destes-lhe poder sobre a obra das vossas mãos,

tudo submetestes a seus pés:

 

Ovelhas e bois, todos os rebanhos,

e até os animais selvagens,

as aves do céu e os peixes do mar,

tudo o que se move nos oceanos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A Carta de Paulo aos Romanos é um texto claramente cristão e ensina-nos que Deus, depois de criar o universo, não o abandonou á sua sorte, mas interveio por meio de seu Filho Jesus Cristo para nos justificar.

 

Romanos 5, 1-5

Irmãos: 1Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, 2pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. 3Mais ainda, gloriamo-nos nas nossas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz a constância, 4a constância a virtude sólida, a virtude sólida a esperança. 5Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

 

O texto com que se inicia o capítulo 5 de Romanos introduz um tema central da carta, o do “amor de Deus” (a ser desenvolvido no capítulo 8), paralelo ao tema da “justiça de Deus” (anunciado em 1, 17 e desenvolvido em 3, 21-31).

2 “Esta graça em que permanecemos”: é a graça, que a Teologia chama santificante, a graça da justificação, que nos torna santos, justos, amigos de Deus e em paz com Ele.

5 “A esperança não engana”, não nos deixa confundidos. A teologia católica insiste numa qualidade da virtude teologal da esperança: a certeza, que procede da virtude da fé e que se baseia na fidelidade de Deus às suas promessas, na sua misericórdia e omnipotência. Esta firmeza da esperança não obsta a uma certa desconfiança de si próprio, pelo mau uso que se possa vir a fazer da liberdade: daqui a recomendação de S. Paulo: “trabalhai com temor e tremor na vossa salvação” (Filp 2, 12). “O amor de Deus foi derramado em nossos corações”; aqui está a garantia de que a nossa esperança não é ilusória, mas firme. Este amor não é apenas algo que se situa fora de nós próprios, uma mera atitude de benevolência divina extrínseca, mas é um dom que se encontra derramado em nossos corações “pelo Espírito Santo que nos foi dado”. Fala-se neste texto dum dom e dum doador; daqui que a Teologia explicite que esse dom é a virtude infusa da caridade, inseparável da graça santificante (cf. DzS 800-821), isto é, um “hábito” permanente, bem expresso pelo particípio perfeito passivo do original grego (“que permanece derramado”); o doador é o Espírito Santo que, por sua vez, também “nos foi dado” (Ele é a graça incriada: assim se dá a inabitação da Santíssima Trindade na alma do justo).

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Ap 1, 8

 

Monição: Na leitura do Evangelho de João, Jesus promete enviar o Espírito Santo para completar o ensino de Jesus, pois sem esse Dom do Espírito os homens não poderiam acolher o projeto de Jesus Cristo.

Cantemos a Deus a nossa gratidão por este chamamento à sua intimidade.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

ao Deus que é, que era e que há-de vir.

 

 

Evangelho

 

São João 16, 12-15

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 12«Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis compreender agora. 13Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos guiará para a verdade plena; porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que está para vir. 14Ele Me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. 15Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso vos disse que Ele receberá do que é meu e vo-lo anunciará».

 

A leitura é um pequeno trecho do chamado discurso do adeus (Jo 13 – 17), de grande alcance na revelação do mistério da SS. Trindade.

13 “Dirá tudo o que tiver ouvido”. O Espírito Santo, directamente ou através dos seus carismas, jamais trará uma “nova” revelação, nova, tanto no sentido de contraditória, como no sentido de uma revelação que possa deixar “ultrapassada” a revelação de Cristo. Não obstante, vai ser o Espírito Santo quem possibilitará a plena compreensão da Revelação na vida da Igreja e que a completará com a pregação dos Apóstolos (cf. “Dei Verbum”, nº 4). O Espírito Santo não é autónomo; por isso a sua acção está em perfeita coerência e continuidade com a obra de Jesus. “Anunciará o que está para vir” não significa uma previsão dos acontecimentos futuros, mas antes o sentido do futuro e a nova ordem das coisas resultante da obra redentora de Jesus.

14-15 Temos aqui o texto bíblico mais claro a falar simultaneamente de unidade da natureza divina e da distinção real das Pessoas da Santíssima Trindade, concretamente, sobre a procedência, por parte do Espírito Santo, do Pai e do Filho. O Espírito Santo não é autónomo; por isso a sua acção está em perfeita coerência e continuidade com a obra de Jesus. “Tudo o que o Pai tem é Meu”, portanto, também a natureza, que em Deus não se distingue da sua ciência. Por isso mesmo, quando Cristo diz que o Espírito Santo “receberá do que é meu” indica, como bem o exprime Santo Agostinho, a procedência da Terceira Pessoa do Pai e do Filho: “Ele não é de si mesmo, mas é daquele de quem procede. Donde lhe vêm a essência, também lhe vem a ciência: dele lhe vem a audição que não é mais do que a ciência” (In Jo. tract. 99).

 

Sugestões para a homilia

 

1. Este domingo está colocado depois das festas da Páscoa: isso pode ajudar-nos a perceber que só através da vida de Jesus Cristo é que chegámos ao conhecimento da Santíssima Trindade. Não conhecemos este mistério de Deus pela filosofia, mas unicamente pela obra de Jesus.*

Por outro lado, a facto de esta festa da Santíssima Trindade estar recomeço do Tempo comum deve ajudar a compreender que a Santíssima Trindade é a fonte primeira e o fim último de toda a história do mundo e da nossa vida humana

Sem os factos históricos passados com Jesus e as palavras ouvidas na Anunciação do Anjo, no Baptismo no Jordão, na Transfiguração no Tabor, na última Ceia, na ordem final de Jesus de baptizar todos os povos em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo», nunca poderíamos chegar ao conhecimento do mistério íntimo de Deus Teríamos ficado na fé em um só Deus, sem mais explicações, como acontece com os Judeus e os Muçulmanos. O mistério da Santíssima Trindade é especificamente cristão e define a nossa fé.

As palavras de Jesus, mantendo rigorosamente a fé num só Deus, deram-nos a conhecer um pouco do mistério íntimo de Deus. Dizemos que Deus é comunidade, que é família, que «há em Deus três pessoas».

 

2. A Bíblia, porém, não pretende explicar o mistério íntimo de Deus, até porque isso seria impossível para nós, mas revela somente o que Deus fez por nós e é, nessa acção salvadora, que percebemos a existência de cada uma das pessoas divinas (Catecismo da Igreja Católica n.236):

Deus é chamado Pai enquanto criador do mundo e, mais ainda, enquanto acompanha a história do mundo com uma ternura que podemos dizer de pai e de mãe (Catecismo da Igreja, nn238 e 239);

Jesus revelou ainda que Deus é Pai num sentido íntimo e inédito: é Pai de Jesus num sentido único, e Jesus é Filho de modo único (Catecismo da Igreja, n.240);

Antes da sua Páscoa, Jesus anuncia o envio de um «outro» Consolador, o Espírito, como outra pessoa divina em relação ao Pai e ao Filho. E esse envio, após a glorificação de Jesus, revela em plenitude o mistério da Santíssima Trindade (Catecismo da Igreja,n  240-244).

A Igreja explica que o Pai, o Filho e o Espírito Santo não são três princípios das criaturas, mas um só princípio (Concílio de Florença em1442). No entanto, cada pessoa divina realiza a obra comum segundo a sua propriedade pessoal (Catecismo da Igreja Católica, n. 258

 

3. No decurso dos primeiros séculos, a Igreja preocupou-se com formular mais explicitamente a fé trinitária, tanto para aprofundar a sua inteligência como para a defender contra os ataques que a deformavam. Para a formulação do dogma da Trindade reuniu concílios e teve de empregar palavras da cultura humana, tais como «substância», «pessoa», «relação», «essência» e «natureza». É uma linguagem técnica, fria, mas que foi necessária naquele tempo e ainda hoje é útil Essa linguagem vai usar-se no prefácio da missa de hoje,

O termo «Trindade» nunca foi usado por Jesus, nem parece na Bíblia, tal como não aparece a palavra «Missa», nem a palavra sustância nem a palavra natureza. São termos criados mais tarde para tentar explicar alguma coisa. A palavra «pessoa» não tem aqui o significado das suas formas físicas da pessoa humana. Precisamos de nos libertar dessa carga física para podermos dizer que em Deus há três pessoas sem ser um grupo como nós.

A Bíblia usa claramente as palavras Pai, Filho e Espírito Santo, e de cada uma diz sempre «o» Pai, «o» Filho, «o» Espírito Santo. Foi assim que Jesus ordenou aos Apóstolos: ide por todo o mundo e baptizai «em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo».

Reparemos que vão se diz «nos nomes de», porque não há mais que o Deus verdadeiro e único Pai omnipotente, Filho unigénito e Espírito Santo.

(Catecismo da Igreja, n 233)

 

4. Na sua vida diária, a Igreja usa umas vezes os termos da Bíblia, outras os termos da reflexão dos concílios. Nesta Missa vamos usar quase sempre os termos da Bíblia e no prefácio usaremos os ternos dos concílios. 

Os santos usam as palavras da Bíblia – Pai, Filho e Espírito Santo. Foi assim que rezou o Anjo de Portugal em Fátima em 1916 a preparar as aparições, e é assim que nós rezamos ao recitar o terço, e ao fazer no Sinal da cruz

Na nossa vida pessoal, começamos a professar a fé e a unir-nos à Santíssima Trindade no dia do nosso Baptismo. E será em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo que o sacerdote aspergerá o nosso corpo antes da sepultura.

 

5. Para a nossa vida:

a) Todas as orações da Missa e dos Sacramentos se concluem invocando, por meio de Jesus, a Santíssima Trindade.

b) Começamos e terminamos o nosso dia fazendo o Sinal da Cruz porque vimos e vamos para a Santíssima Trindade como a fonte e fim de toda a vida 

c) A oração dos salmos termina sempre pela invocação da Santíssima Trindade

d) Cada mistério do terço conclui-se invocando a Santíssima Trindade

 

Fala o Santo Padre

 

“O domingo de hoje da Santíssima Trindade, num certo sentido,

recapitula a revelação de Deus que aconteceu nos mistérios pascais.”

 

Queridos irmãos e irmãs!

Depois do tempo pascal, concluído no domingo passado com o Pentecostes, a liturgia voltou ao "tempo comum". Mas isto não significa que o empenho dos cristãos deva diminuir, aliás, tendo entrado na vida divina mediante os Sacramentos, somos chamados quotidianamente a estar abertos à acção da Graça, para progredir no amor a Deus e ao próximo. O domingo de hoje da Santíssima Trindade, num certo sentido, recapitula a revelação de Deus que aconteceu nos mistérios pascais: morte e ressurreição de Cristo, a sua ascensão à direita do Pai e a efusão do Espírito Santo. A mente e a linguagem humanas são inapropriadas para explicar a relação existente entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e contudo os Padres da Igreja procuraram explicar o mistério de Deus Uno e Trino, vivendo-o na própria existência com fé profunda.

De facto, a Trindade divina começa a habitar em nós no dia do Baptismo: "Eu te baptizo – diz o ministro – em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". O nome de Deus, no qual fomos baptizados, recordamo-lo todas as vezes que fazemos em nós mesmos o sinal da cruz. O teólogo Romano Guardini, a propósito do sinal da cruz, observa: "Fazemo-lo antes da oração, para que... nos ponha espiritualmente em ordem; concentre em Deus pensamentos, coração e vontade; depois a oração, para que permaneça em nós o que Deus nos doou... Ele abraça todo o ser, corpo e alma... e tudo se torna consagrado em nome do Deus uno e trino" (Lo spirito della liturgia. I santi segni, Brescia 2000, págs. 125-126).

No sinal da cruz e no nome do Deus vivente está portanto contido o anúncio que gera a fé e inspira a oração. E, como no evangelho Jesus promete aos Apóstolos que "quando ele vier, o Espírito da verdade, guiar-vos-á a toda a verdade" (Jo 16, 13), assim acontece na liturgia dominical, quando os sacerdotes dispensam, de semana em semana, o Pão da Palavra e da Eucaristia. Também o Santo Cura d'Ars o recordava aos seus fiéis: "Quem acolheu a vossa alma – dizia – ao primeiro entrar na Vida? O sacerdote. Quem a nutre para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação? O sacerdote. Quem a preparará para cumprir diante de Deus, lavando-a pela última vez no sangue de Jesus Cristo?... sempre o sacerdote" (Carta de proclamação do Ano sacerdotal).

Queridos amigos, façamos nossa a oração de Santo Ilário de Poitiers: "Conserva incontaminada esta fé recta que está em mim e, até ao meu último respiro, dá-me igualmente esta voz da minha consciência, para que eu permaneça sempre fiel ao que professei na minha regeneração, quando fui baptizado no Pai, no Filho e no Espírito Santo" (De Trinitate, XII, 57, CCL 62/a, 627). [...]

 

Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro a 30 de Maio de 2010

 

Oração Universal

 

Irmãos:

Ensinados por Jesus e movidos pelo Espírito Santo,

oremos com toda a confiança ao Pai, dizendo:

 

Santíssima Trindade, eu Vos adoro!

 

1.  Pela unidade e concórdia dos cristãos:

para que sejam no meio dos homens

um sinal de amor da Santíssima Trindade,

oremos, irmãos.

 

Santíssima Trindade, eu Vos adoro!

 

2.  Pelas famílias dilaceradas pela infidelidade:

para que Deus renove o seu amor humano

e as ajude a encontrar o sentido da vida,

oremos irmãos.

 

Santíssima Trindade, eu Vos adoro!

 

3.  Por todos os homens de boa vontade:

para que oiçam o apelo de Deus

a torná-los felizes na terra e no céu,

oremos irmãos.

 

Santíssima Trindade, eu Vos adoro!

 

4.  Pelos que vivem no mundo do trabalho:

para que, fazendo-o com amor e perfeição,

encontrem nele um caminho para Deus,

oremos, irmãos.

 

Santíssima Trindade, eu Vos adoro!

 

5.  Pelos militantes das obras de Apostolado:

para que o Senhor os conforte nas dificuldades

e os encha de generosidade e de coragem,

oremos, irmãos.

 

Santíssima Trindade, eu Vos adoro!

 

6.  Por intercessão de Maria Imaculada,

Filha de Deus Padre, Mãe de Deus Filho

e Esposa de Deus Espírito Santo:

para que nos obtenha a graça da fidelidade,

oremos, irmãos.

 

Santíssima Trindade, eu Vos adoro!

 

7.  Por todos os fiéis defuntos

que no purgatório se purificam:

para que as suas manchas sejam apagadas

e contemplem, quanto antes, a Santíssima Trindade,

oremos, irmãos.

 

Senhor, nosso Deus, que quereis fazer-vos participantes

da Vossa felicidade eterna: ajudai-nos a viver de tal modo na terra,

que cantemos para sempre no céu, as glórias da Santíssima Trindade.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Liturgia Eucarística

Introdução

 

Tudo o que temos e somos é dom de Deus Criador. Ao apresentar esses dons no altar, bendizemos a Deus e preparamos a Eucaristia como sacramento da Redenção realizada por Jesus enviado pelo Pai e em comunhão com o Espírito Santo.

 

Cântico do ofertório: Tomai, Senhor, e Recebei, J. Santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, os dons sobre os quais invocamos o vosso santo nome e, por este divino sacramento, fazei de nós mesmos uma oblação eterna para vossa glória. Por Nosso Senhor ...

 

 

Prefácio

 

O mistério da Santíssima Trindade

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Com o vosso Filho Unigénito e o Espírito santo, sois um só Deus, um só Senhor, não na unidade de uma só pessoa, mas na trindade de uma só natureza. Tudo quanto revelastes acerca da vossa glória, nós o acreditamos também, sem diferença alguma, do vosso Filho e do Espírito Santo. Professando a nossa fé na verdadeira e sempiterna divindade, adoramos as três Pessoas distintas, a sua essência única e a sua igual majestade.

Por isso Vos louvam os Anjos e os Arcanjos, os Querubins e os Serafins, que Vos aclamam sem cessar, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento CT

 

Monição da Comunhão

 

Na comunhão eucarística realizamos também, por meio de Jesus, uma comunhão especial com a Santíssima Trindade, como recordou aos Pastorinhos em Fátima o Anjo de Portugal em 1916.

 

Cântico da Comunhão: Comemos, ó Senhor, do mesmo pão, M. Borda, NRMS 43

cf. Gal 4, 6

Antífona da comunhão: Porque somos filhos de Deus, Ele enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abba, Pai.

 

Cântico de acção de graças: A Toda a Hora Bendirei o Senhor, M. Valença, NRMS 60

 

Oração depois da comunhão: Ao professarmos a nossa fé na Trindade Santíssima e na sua indivisível Unidade, concedei-nos, Senhor nosso Deus, que a participação neste divino sacramento nos alcance a saúde do corpo e da alma. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Assim como a Missa começou em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, assim termina com essa bênção. Fazer comunhão humana é um dos modos de testemunhar a fé em Deus que, sendo uno, é também comunidade.

 

Cântico final: Ao Senhor do Universo, F. Silva, NRMS 8 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

8ª SEMANA

 

2ª Feira, 27-V: Necessidade do desprendimento para seguir Cristo.

 Sir 20-28 / Mc 10, 17-27

Bom Mestre, que hei-de fazer para ter como herança a vida eterna?

Embora tivesse uma vida bem orientada, porque vivia os mandamentos desde a sua juventude, este homem não foi capaz de viver uma conversão, no que diz respeito ao desprendimento dos bens materiais, e partiu triste (Ev). Para seguir Cristo, precisamos ter a alma livre, pois «é grande a clemência do Senhor e o seu perdão para quantos a Ele se convertem»(Leit).

Como reagimos perante as incomodidades que enfrentamos; como lutamos contra a tendência de fazer gastos desnecessários, por capricho ou vaidade; como cuidamos as coisas do nosso lar? São estas as pequenas coisas em que podemos viver o desprendimento na vida corrente.

 

3ª Feira, 28-V: Virtudes para viver o seguimento de Cristo: generosidade e desprendimento.

 Sir 35, 1-15 / Mc 10, 28-31

Pedro: Olha que nós deixámos tudo e te seguimos.

O seguimento de Cristo exige que a união com Ele há-de prevalecer sobre todas as outras coisas, quer se trate de laços familiares, sociais, etc. (Ev). Mas fica bem patente a generosidade de Deus, a quem o segue: nesta vida, o cem por um e, no tempo que há-de vir, a vida eterna (Ev).

Aceitemos o convite para retribuir com generosidade: «Dá ao Altíssimo consoante Ele te deu, com o coração generoso, conforme as tuas posses»; façamos um pouco de exame diariamente: «Não te apresentes diante do Senhor de mãos vazias»; vivamos o desprendimento com alegria: «Em todas as tuas dádivas, mostra um rosto alegre» (Leit).

 

4ª Feira, 29-V: O seguimento de Cristo: espírito de serviço e cruz

Sir 36, 1-2. 5-6. 13-19 / Mc 10, 32-45

O Filho do homem não veio para ser servido mas para servir e dar a vida como resgate pela multidão.

A vida do Senhor é um serviço contínuo aos homens, porque deseja que todos se salvem. Aponta-nos o exemplo para o imitarmos (Ev). Diariamente podemos prestar pequenos serviços à Igreja, com as nossas orações, o testemunho de vida e a evangelização; à sociedade, através do nosso trabalho profissional; e à família, tornando a vida agradável a todos. Peçamos: «atendei, Senhor a prece dos vossos servidores» (Leit).

Esta imitação do Senhor exige muita fortaleza e sacrifício: «Podemos», como disseram estes apóstolos ao convite do Senhor. «Recompensai aqueles que esperam em vós com firmeza» (Leit).

 

5ª Feira, 30-V: O seguimento de Jesus: fé, perseverança e desprendimento.

Sir 42, 15-25 / Mc 10, 46-52

O cego respondeu-lhe: Que eu veja, Mestre!. Replicou-lhe Jesus: Vai, que a tua fé te salvou.

Para aproximar-se do Senhor, Bartimeu teve que ultrapassar vários obstáculos: a sua cegueira, a multidão que o impedia, etc. Mas não deixou de gritar: a sua oração superou todos os obstáculos (Ev).

Para seguirmos o Senhor temos, em primeiro lugar, que conseguir pará-lo e falar-lhe (Oração). Depois precisamos muita fé, para não desistirmos perante os obstáculos, que parecem impossíveis: «foi a tua fé que te salvou» (Ev). E, finalmente, o desprendimento: «atirou fora a capa, deu um salto e foi ao encontro de Jesus» (Ev).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         D. Joaquim Gonçalves

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 



* «A doutrina trinitária não nasceu de uma especulação sobre Deus nem de uma tentativa de reflexão filosófica para explicar a natureza da origem de todos os seres. Na verdade, ela é fruto do esforço de elaboração de experiências históricas. A fé bíblica lidou, na Antiga Aliança, com um Deus que se manifesta como o pai de Israel, como o pai dos povos, como o criador do mundo e o seu senhor; mas na época da fundamentação do Novo Testamento sobrevém um processo totalmente inesperado por meio do qual Deus se mostra sob um ângulo até então desconhecido. Em Jesus Cristo, encontramos um homem que sabe e declara ser o Filho de Deus e, antes da Páscoa, declara enviar o «Paráclito». A fé cristã vê-se confrontada com Deus nessa figura trina. E vê-se obrigada a perguntar de que modo esses três formas de encontro histórico com Deus se coadunam cm a realidade própria de Deus. Na sua reflexão, a Igreja estabeleceu desde o início este duplo princípio: «Deus é tal como Ele Se mostra; Deus não Se mostra de uma maneira diferente daquela que é»

   (J.Ratzinger-  Introdução ao Cristianismo, Lisboa, Principia,2005, pag.118,119)

 


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