Visitação de Nossa Senhora

31 de Maio de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Exulta de Alegria no Senhor, M. Carneiro, NRMS 21

cf. Salmo 65, 16

Antífona de entrada: Servos do Senhor, vinde e ouvi: vou contar-vos tudo o que Ele fez por mim. (T. P. Aleluia.)

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Nossa Senhora faz visita, não de simples cortesia, mas de caridade e trabalho. Está disponível a ajudar a prima, que virá ser mãe de João Batista, nos preparativos para o nascimento do precursor.

Não vai só, leva consigo Jesus incarnado.

Andarmos com Jesus, termos presença de Deus, alegria por termos tal Mãe e Tal Filho, são dons que podemos viver e pedir ao Senhor.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que inspirastes à Virgem Santa Maria o desejo de visitar Santa Isabel, levando consigo o vosso Filho Unigénito, tornai-nos dóceis à inspiração do Espírito Santo, para podermos, com ela, cantar sempre as vossas maravilhas. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Abundante alegria inundará todo o Israel pela sua restauração, pela esperança que deve depositar em benefícios futuros;

Jesus está com Maria. Deus está com a filha de Sião – povo de Jerusalém –, ou com a Virgem filha de Sião figura de Maria.

 

Sofonias 3, 14-18

14Clama jubilosamente, filha de Sião solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém. 15O Senhor revogou a sentença que te condenava, afastou os teus inimigos. O Senhor, Deus de Israel, está no meio de ti e já não temerás nenhum mal. 16Naquele dia, dir-se-á a Jerusalém: «Não temas, Sião, não desfaleçam as tuas mãos. 17O Senhor teu Deus está no meio de ti, como poderoso salvador. Por causa de ti, Ele enche-Se de júbilo, renova-te com o seu amor, exulta de alegria por tua causa, como nos dias de festa». 18Afastei para longe de ti a desventura, a humilhação que te oprimia, Jerusalém.

 

O texto profético visa directamente e em primeiro plano a restauração de Israel (Sof 3, 9-20; cf. Is 54; 60; 62), a partir de um «resto», humilde e pobre», que permanece fiel (Sof 3, 12-13; cf. Lc 1, 48, do Evangelho de hoje) e constitui um belíssimo canto de esperança (pouco importa a discussão acerca da época da redacção do texto, se a de Josias – Sof 1, 1 –, se a do terceiro Isaías). A Liturgia, na linha dos Padres da Igreja, aplica este texto à Virgem Maria, pois de ninguém como dela se pode dizer com tanta verdade: «O Senhor, teu Deus, está no meio de ti» (v. 17; cf. Lc 1, 28). E as expressões com que se relata a Anunciação no Evangelho de S. Lucas fazem eco às palavras proféticas: «avé (khaire/alegra-te) = exulta, rejubila» (Lc 1, 30; Sof 3, 16); «não temas» (Lc 1, 28; Sof 3, 14); = «o Senhor é convosco» = «o Senhor está no meio de ti» (Lc 1, 28; Sof 3, 17). A «Filha de Sião» (v. 14) a personifica os habitantes de Jerusalém, noutros lugares chamada «virgem filha de Sião», tornou-se uma figura da Virgem Santa Maria.

 

Salmo Responsorial    Is 12, 2.3-4bcd.5-6 (R. 6b)

 

Monição: Estamos em presença de um verdadeiro hino louvor a Deus; Deus enche-nos de graças e dons, que são a nossa alegria, através de Sua mãe.

 

Refrão:        Exultai de alegria,

                     porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.

 

Deus é o meu Salvador,

Tenho confiança e nada temo.

O Senhor é a minha força e o meu louvor.

Ele é a minha salvação.

 

Tirareis água com alegria das fontes da salvação.

Agradecei ao Senhor, invocai o seu nome

anunciai aos povos a grandeza das suas obras,

proclamai a todos que o seu nome é santo.

 

Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas,

anunciai-as em toda a terra.

Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião,

porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.

 

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Lc 1, 45

 

Monição: O Senhor visita os homens de várias maneiras e agrada-lhe visitá-los por meio de Maria. O segundo mistério gozoso do Rosário é uma mostra maravilhosa de como visita o Senhor, de como visita Maria e do impacto que deixa nas almas.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

Bendita sejais, ó Virgem Santa Maria,

que acreditastes na palavra do Senhor.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 39-56

39Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo 42e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? 44Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. 45Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor». 46Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. 49O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. 50A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. 51Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. 52Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. 53Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. 54Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre». 56Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.

 

Os exegetas descobrem neste relato uma série de ressonâncias vétero-testementárias, o que corresponde não apenas ao estilo do hagiógrafo, mas sobretudo à sua intenção teológica de mostrar como na Mãe de Jesus se cumprem as figuras do A.T.: Maria é a verdadeira e nova Arca da Aliança (comparar Lc 1, 43 com 2 Sam 6, 9 e Lc 1, 56 com 2 Sam 6, 11) e a verdadeira salvadora do povo, qual nova Judite (comparar Lc 1, 42 com Jdt 13, 18-19) e qual nova Ester (Lc 1, 52 e Est 1 – 2).

39 «Uma cidade de Judá». A tradição diz que é Ain Karem, uma bela povoação a 6 Km a Oeste da cidade nova de Jerusalém. De qualquer modo, ficaria a uns quatro ou cinco dias de viagem de Nazaré (uns 150 Km). Maria empreende a viagem movida pela caridade e espírito de serviço. A «Mãe do meu Senhor» (v. 43) não fica em casa à espera de que os Anjos e os homens venham servir a sua rainha; e Ela mesma, que se chama «escrava do Senhor» (v. 38), «a sua humilde serva» (v. 48), apressa-se em se fazer a criada da sua prima e de acudir em sua ajuda. Ali permanece, provavelmente, até depois do nascimento de João, uma vez que S. Lucas nos diz que «ficou junto de Isabel cerca de três meses» Se Lucas diz que «regressou a sua casa» antes de relatar o nascimento de João, isso deve-se a uma técnica de composição literária chamada «de eliminação» (arrumar um assunto de vez, antes de passar a outro, independentemente da sucessão real dos factos), do gosto de São Lucas (ver tb. Lc 1, 80 e 2, 7; 3, 20 e 21).

42 «Bendita és Tu entre as mulheres». Superlativo hebraico: a mais bendita de todas as mulheres.

43-44 «A Mãe do meu Senhor». As palavras de Isabel aparecem como proféticas, fruto duma luz sobrenatural que faz ver que o mexer-se do menino no seio (v. 41) não era casual, mas que «exultou de alegria» para saudar o Messias e sua Mãe. É natural que esta reflexão de fé já circulasse nas fontes familiares dos Evangelhos da Infância.

46-55 O cântico de Nossa Senhora, o Magnificat, é um poema de extraordinária beleza poética e elevação religiosa. Dificilmente poderiam ficar mais bem expressos os sentimentos do coração da Virgem Maria – «a mais humilde e a mais sublime das criaturas» (Dante, Paraíso, 33, 2) –, em resposta à saudação mais elogiosa (vv. 42-45) que jamais se viu em toda a Escritura. É como se Maria dissesse que não havia motivo para uma tal felicitação: tudo se deve à benevolência, à misericórdia e à omnipotência de Deus. Sem qualquer referência ao Messias, refulge aqui a alegria messiânica da sua Mãe, num magnífico hino de louvor e de agradecimento. O cântico está todo entretecido de reminiscências bíblicas, sobretudo do cântico de Ana (1 Sam 2, 1-10) e dos Salmos (35, 9; 31, 8; 111, 9; 103, 17; 118, 15; 89, 11; 107, 9; 98, 3); cf. também Hab 3, 18; Gn 29, 32; 30, 13; Ez 21, 31; Si 10, 14; Mi 7, 20. Ao longo dos tempos, muitos e belos comentários se fizeram ao Magnificat, mas também é conhecida a abordagem libertadora, em clave marxista de luta de classes, utópica e de cariz materialista, falsificadora do genuíno sentido bíblico. Apraz registar o comentário do Servo de Deus, João Paulo II na Encíclica Redemptoris Mater, nº 36: «Nestas sublimes palavras… vislumbra-se a experiência pessoal de Maria, o êxtase do seu coração; nelas resplandece um raio do mistério de Deus, a glória da sua santidade inefável, o amor eterno que, como um dom irrevogável, entra na história do homem».

 

Sugestões para a homilia

 

1. Razões das visitas

2. Benefícios e malefícios das visitas

3. Demoras equilibradas, sensatas.

1. Razões das visitas

Maria ensina-nos hoje quais as visitas que devemos fazer, e como nelas devemos proceder. Vai a casa de Isabel por caridade e delicadeza; por caridade porque era para assistir a Santa Isabel e santificar S. João; por delicadeza porque era dever seu visitar sem que a caridade ou a necessidade a isso nos obrigue; tudo o mais é supérfluo ou perigoso. Visitemos os pobres, os enfermos e os prisioneiros, é dever de caridade.

2. Benefícios e malefícios das visitas

Qual foi o assunto das conversas de Maria e de Santa Isabel?

Apenas se saudaram, como é costume entre parentes, começaram a falar de Deus. Parecem com esta as nossas visitas? Os ditos picantes, a maledicência, a interpretação maligna dos procedimentos do próximo, as palavras equívocas, a calúnia, não formarão a substância das nossas conversas? Se o mundo amasse Deus só dele falaria. Desviar com habilidade as más conversas e sermos agradáveis com algumas palavras que façam bem ao próximo é proceder cristãmente.

3. Demoras equilibradas, sensatas.

Maria voltou a sua casa logo que Santa Isabel pôde dispensar os seus cuidados. Cortemos as visitas ociosas; quanto mais tempo estivermos em casa menos detrimento sofrerá a devoção.

É difícil passar muito tempo nas assembleias do mundo sem presenciar maus exemplos; e estes arrastam mais que os bons.

Evitemos imitar os maus, não reproduzamos em nós os seus defeitos, mas as virtudes dos que julgamos dignos da vida de Deus.

 

 

Oração Universal

 

Jesus é o nosso Mediador junto do eterno Pai.

Ele quis associar a Si a Sua e nossa Mãe do Céu.

Com Jesus e Nossa Senhora, vamos apresentar ao Pai os nossos pedidos.

 

Pela Santa Igreja, espalhada pelo mundo, para que, à semelhança de Maria, leve Jesus a Todos os homens, oremos irmãos.

 

Pelo Santo Padre para que todos escutem a sua palavra e assim encontrem os verdadeiros caminhos da felicidade, oremos irmãos.

 

Por todos os cristãos, para que manifestem a sua fé no Amor a Jesus na Eucaristia e na frutuosa recepção da Penitência, oremos irmãos.

 

Para que todos saibamos levar Jesus connosco a todos os que nos rodeiam, como fez a Santíssima Virgem, oremos irmãos.

 

Por todos os que ainda não conhecem a Cristo, para que se abram à fé e encontrem alegria no seu amor, oremos irmãos.

 

Por todos quantos se encontram no purgatório para que possam ver, quanto antes, o rosto de Jesus na felicidade do céu, oremos irmãos.

 

Senhor, ajudai-nos na fé e no amor, para que levemos Jesus connosco numa vida de santidade, e assim sejamos Suas alegres testemunhas em toda a parte. Por N. S. J. Cristo, Vosso Filho, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O Pão da Vida Eterna Prometida, B. Salgado, CT 74

 

Oração sobre as oblatas: Senhor, que aceitastes com agrado a caridade da Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, aceitai também estes dons que Vos oferecemos e transformai-os para nós em sacrifício de salvação. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio de Nossa Senhora II [e na Visitação]: p. 487

 

Santo: F. dos Santos, NTC 201

 

Monição da Comunhão

 

Disponhamos nossas almas para a visita do Senhor e de Maria, com humildade, oração e caridade;

Recebê-lo bem comungando é caminho para o regozijo das almas.

 

Cântico da Comunhão: Eu Confio Senhor (Cantarei ao Senhor), F. da Silva, NRMS 70

cf. Lc 1, 48-49

Antífona da comunhão: Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque o Senhor fez em mim maravilhas e santo é o seu nome. (T. P. Aleluia.)

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me Saborear, F da Silva, NRMS 17

 

Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que a vossa Igreja Vos glorifique pelas maravilhas que realizastes em favor dos vossos fiéis e, assim como São João Baptista exultou ao pressentir o Salvador ainda oculto, também o vosso povo O reconheça com alegria sempre VIVO neste sacramento.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Todos os homens vão buscando a paz, o repouso e a alegria, para assim vivermos façamos visita a Jesus e a Maria durante o dia, tendo-os presentes na vida.

 

Cântico final: Exulta de Alegria no Senhor, M. Carneiro, NRMS 21

 

 

Homilia FeriaL

 

Sábado, 1-VI: O seguimento de Cristo: Direito de recristianizar a sociedade.

Sir 51, 17-27 / Mc, 27-33

Os escribas e os anciãos: Com que direito fazes tudo isto? Quem te deu o direito de o fazeres?

A pergunta feita a Jesus é semelhante à que hoje nos podem fazer: por que quereis implantar os valores cristãos na sociedade?

Em primeiro lugar, porque somos outros Cristos, e temos o mesmo desejo de levar a boa Nova até aos confins da terra. Por isso, temos um direito e um dever de recristianizar a sociedade actual, como os primeiros cristãos, procurando dar bom exemplo nas actuações públicas e privadas. Através da oração e da leitura dos documentos do Magistério encontraremos uma boa fonte: «Quando ainda era jovem, procurei abertamente a sabedoria nas minhas orações» (Leit).

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Ferreira de Sousa

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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