Sagrado Coração de Jesus

DM de or. pelos sacerdotes

7 de Junho de 2013

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Sagrado Coração de Jesus Redentor, F. Silva, NRMS 93

Salmo 32, 11.19

Antífona de entrada: Os pensamentos do seu coração permanecem por todas as gerações para libertar da morte as almas dos seus fiéis, para os alimentar no tempo da fome.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O coração é símbolo de amor. A festa do Coração de Jesus a todos quer lembrar o Amor infinito que Deus nos tem. Tomar consciência desse Amor é experimentar desde já as alegrias, riquezas e segurança que só Deus nos pode dar.

 

Oração colecta: Concedei, Deus todo-poderoso, que ao celebrar a solenidade do Coração do vosso amado Filho, recordemos com alegria as maravilhas do vosso amor e mereçamos receber desta fonte divina a abundância dos vossos dons. Por Nosso Senhor...

 

ou

 

Deus de bondade, que no Coração do vosso Filho, ferido pelos nossos pecados, nos abristes os tesouros infinitos do vosso amor, fazei que, prestando-Lhe a homenagem fervorosa da nossa piedade, cumpramos também o dever de uma digna reparação.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O povo de Israel, derrotado e humilhado, sentindo-se como ovelhas perdidas no exílio da Babilónia, encontra grande conforto nestas palavras, que Ezequiel, em nome de Deus, lhes dirige.

 

Ezequiel 34, 11-16

11Eis o que diz o Senhor Deus: «Eu próprio irei em busca das minhas ovelhas e hei-de encontrá-las. 12Como o pastor que vigia o rebanho, quando estiver no meio das ovelhas que andavam tresmalhadas, assim Eu cuidarei das minhas ovelhas, para as tirar de todos os sítios em que se desgarraram num dia de nevoeiro e de trevas. 13Arrancá-las-ei de entre os povos e as reunirei dos vários países, para as reconduzir à sua própria terra. 14Apascentá-las-ei nos montes de Israel, nas ribeiras e em todos os lugares habitados do país. Eu as apascentarei em boas pastagens e terão as suas devesas nos altos montes de Israel. Descansarão em férteis devesas e encontrarão pasto suculento sobre as montanhas de Israel. 15Eu apascentarei o meu rebanho, Eu o farei repousar, diz o Senhor Deus. 16Hei-de procurar a ovelha que anda perdida e reconduzir a que anda tresmalhada. Tratarei a que estiver ferida, darei vigor à que andar enfraquecida e velarei pela gorda e vigorosa. Hei-de apascentar com justiça».

 

O texto é tirado da 3ª e última parte do livro de Ezequiel (Ez 33 – 48), um conjunto de oráculos de esperança e de renovação após a destruição de Jerusalém em 587. Depois de ter censurado os maus pastores – os dirigentes de Israel, reis e sacerdotes – que tinham levado o povo à ruína e ao desterro (vv. 1-10), o profeta anuncia que agora vai ser o próprio Deus a dirigir o seu povo, sem mais intermediários. Esta profecia tem o seu pleno sentido em Jesus Cristo. Ele é Deus que vem cuidar de cada uma das suas ovelhas (cf. Jo 10, 1-16): “Eu apascentarei o meu rebanho” (v.15). “Hei-de procurar a ovelha que anda perdida” (v. 16; cf. Lc 15, 4-7 no Evangelho de hoje).

 

Salmo Responsorial    Sl 22 (23), 1-6 (R. 1)

 

Monição: O salmista vê em Deus o Pastor que o leva a descansar em verdes prados, o conduz às águas refrescantes, o guia por caminhos direitos e o protege de todos os males.

 

Refrão:        O Senhor é meu pastor:

nada me faltará.

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo

me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários;

com óleo me perfumais a cabeça

e meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O comportamento de Deus é surpreendente. Ele ama não só os amigos, mas também os inimigos. A “esperança não engana”. Ele nunca nos abandona. Concluirá a sua obra-prima, que somos nós, infundindo o Seu Espírito no nosso coração.

 

Romanos 5, 5b-11

Irmãos: 5O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. 6Quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios no tempo determinado. 7Dificilmente alguém morrerá por um justo; por um homem bom, talvez alguém tivesse a coragem de morrer. 8Mas Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. 9E agora, que fomos justificados pelo seu sangue, com muito maior razão seremos por Ele salvos da ira divina. 10Se, na verdade, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito maior razão, depois de reconciliados, seremos salvos pela sua vida. 11Mais ainda: também nos gloriamos em Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem alcançámos agora a reconciliação.

 

São Paulo pretende fazer ver que o amor de Deus garante ao homem justificado a firmeza da esperança da salvação eterna. Esta esperança é certa, não ilusória. Eis é o raciocínio do Apóstolo: se “quando éramos ainda pecadores” (v.8) e “inimigos” de Deus (v. 10) – antes da conversão –, recebemos a graça da justificação, como é que não havemos de estar seguros “agora que fomos justificados” (v. 9) e “reconciliados” v. 10)? “Com muito maior razão” (vv. 9 e 10) “seremos por Ele salvos da ira divina” – à hora do juízo –, quando os pecadores forem condenados. “Seremos salvos pela Sua vida” (v. 10), isto é, em virtude da vida de Cristo ressuscitado, ao aparecermos diante dele como santos, reconciliados e redimidos por Ele.

5 Ver nota da II Leitura da festa da SS. Trindade deste ano C (atrás).

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 11, 29ab

 

Monição: Assim como o pastor deixará noventa e nove ovelhas para procurar uma que ande tresmalhada, também o Senhor procurará alguém que ande perdido. Como é importante estar atento a esta ternura de Deus! Ele alegra-se com a ressurreição dos pecadores.

 

Aleluia

 

Cântico: F. Silva, NRMS 35

 

Tomai o meu jugo sobre vós, diz o Senhor,

e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 15, 3-7

Naquele tempo, 3disse Jesus aos fariseus e aos escribas a seguinte parábola: 4«Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar? 5Quando a encontra, põe-na alegremente aos ombros 6e, ao chegar a casa, chama os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida’. 7Eu vos digo: Assim haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento».

 

A parábola da ovelha perdida manifesta graficamente o desejo que Deus tem da salvação de todos os pecadores, expresso naquele ir à procura da ovelha perdida, deixando “as noventa e nove no deserto” (v. 4), e na festa com os amigos e vizinhos para celebrar o regresso (v. 6). A realidade, porém, supera incomensuravelmente a parábola, pois não deixava de haver interesse e vantagem pessoal para o pastor que recupera um bem perdido, ao passo que Deus se regozija por puro amor gratuito e desinteressado; mais ainda, a busca da ovelha perdida – do pecador – custou a Jesus Cristo a máxima humilhação e dor, os tormentos indescritíveis da sua Paixão e Morte!

7 “Haverá mais alegria no Céu”. Isto não significa que Deus subestime a perseverança dos justos. De modo nenhum! Mas Jesus apenas quer pôr em evidência como Deus aprecia a conversão de um pecador e como Ele nos quer aliciar ao arrependimento e à confiança mais absoluta na misericórdia do seu Coração, que perdoa sempre, por maiores e mais numerosos que possam ser os nossos pesados. E Ele não se limita a esperar o nosso regresso, mas adianta-se, e anda à nossa procura.

 

Sugestões para a homilia

 

1. O Senhor é meu pastor, nada me faltará.

2. Ele amou-nos e ama-nos até ao fim.

3. Importância de “ acordar” para o Amor de Deus.

 

 

1. O Senhor é meu pastor, nada me faltará.

O Senhor é meu pastor, nada me faltará. Assim afirmámos há momentos. Sabemos que este Pastor a que nos referimos é o nosso Pai do Céu, Deus omnipotente e infinitamente misericordioso. Pode tudo e ama sempre, sempre. Como pois é importante estar sempre com Ele, aceitar pertencer ao Seu rebanho! Da nossa parte, apenas se exige que queiramos de facto pertencer-LHE.

Se no mundo há crises, lágrimas, guerras, ódios e carências de todas as espécies é porque existem também homens que teimam procurar a felicidade e segurança onde tais não se encontram. Não pertencem ao rebanho do Senhor. Andam enganados na vida.

Só o Senhor pode garantir a paz, alegria, progresso e felicidade que o coração humano deseja e para o qual todos fomos criados. Este Coração é todo Bondade e de Misericórdia. Queiramos todos aceitar essa ternura de Deus e nada nos faltará.

 

2. Ele amou-nos e ama-nos até ao fim.

Além de nos ter chamado à vida e, pelo Baptismo, nos ter integrado na Sua Família divina, o Senhor prova o Seu Amor por nós, incarnando no Ventre Puríssimo da Virgem Santa Maria para poder ter um Corpo para sacrificar na cruz pelo nosso Amor, depois de se ter sujeitado às mais tremendas humilhações e vexames. E, não contente com tudo isso, permitiu que o Seu Coração, símbolo do Amor, fosse trespassado por uma lança e ainda quis ficar, realmente presente, na Santíssima Eucaristia. Assim nos amou e continua a amar-nos até ao fim.

 

3. Importância de “acordar” para o Amor de Deus.

A felicidade, bem como o verdadeiro progresso, tão desejado por todos, será uma realidade, na medida em que cada um tomar consciência do Amor infinito de Deus e se esforçar por corresponder a esse mesmo Amor. Esta coerência há-de traduzir-se em atos concretos reveladores do Amor a Deus sobre todas as coisas e aos homens, sem exceção, pelo amor do mesmo Deus.

As revelações privadas a Santa Margarida Maria Alacoque (1673-1675) chamaram particularmente a atenção da humanidade para o mistério do amor de Jesus Cristo, tão pouco compreendido e pouco correspondido e mesmo até desprezado pelos homens. O Papa Paulo VI reconheceu, em 1964, a importância do culto ao Seu Coração de Jesus Cristo.

Vários Papas chamaram particularmente a atenção para a importância desta devoção. Grandes Encíclicas sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus foram publicadas: Pio XI em 1928 (Miserantíssimus Redemptoris), Pio XII em 1956 (Haurietis Aquas) e Paulo VI em 1965 (Investigabiles divitias). O Papa Beato João Paulo II instituiu o Domingo da Misericórdia Divina, tendo presente revelações particulares feitas por Jesus a Santa Faustina (1905-1938).

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus é pois atual e de grande proveito espiritual para as almas. Pode ser concretizada, como Jesus pediu com a recepção dos Sacramentos da Penitência e Sagada Comunhão Reparadora nas Primeira Sextas-Feiras de cada mês (em 9 meses seguidos), a novena e Domingo da Misericórdia, a reza do Terço da Misericórdia, e se possível rezado às 15 horas, momento em se recorda a morte de Jesus em Sexta-Feira Santa. Estas devoções pedidas pelo próprio Jesus, são caminhos de conversão ao Amor infinito de Deus.

Que esta Festa, hoje por nós vivida, contribua para uma conversão constante de nossas vidas ao Amor, nunca assaz correspondido e contribua para reparar as ingratidões de todos os que O rejeitam ou ainda O não conhecem.

Sabemos que o Seu Amor, sempre gratuito, triunfará.

Que todas as ovelhas perdidas O descubram para poderem dizer com verdade e convicção “O Senhor é meu Pastor, nada me faltará”.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Por intermédio de Nosso Senhor Jesus Cristo

Sempre vivo a interceder por nós,

Oremos, a Deus nosso Pai,

Dizendo, cheios de confiança e amor:

 

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

1.     Pelo Santo Padre Francisco, Vigário de Jesus na Terra

Para que os seus apelos à nossa correspondência

Ao terno, amoroso e infinito Amor de Deus

Sejam escutados e seguidos por todos os homens,

Oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

2.     Pelos governantes de todo o mundo

Para que, mediante leis justas e dignas,

Ajudem a estabelecer o reinado universal de Jesus,

Oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

   

3.     Para que todas as famílias aceitando as leis de Deus

Cumpram com fidelidade e generosidade

As leis santas do Matrimónio,

Oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

4.     Por todos nós aqui presentes

Para que correspondendo ao Amor infinito de Deus

O amemos com todas as nossas forças

E O manifestemos no amor aos outros,

Oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

 

5.     Para que todas as benditas almas do Purgatório

Possam usufruir quanto antes as doçuras

Do Amor infinito do Coração de Jesus no reino dos céus,

Oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

Deus, nosso Pai, atendei aos pedidos que, com fé, esperança e humildade

Vos acabamos de fazer.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho

Que convosco vive na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Em redor do Teu altar, M. Carneiro, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Olhai, Senhor, para o inefável amor do Coração do vosso Filho e fazei que a nossa oferenda Vos seja agradável e sirva de reparação pelos nossos pecados. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

O Coração de Cristo, fonte de salvação

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo, nosso Senhor.

Elevado sobre a cruz, com admirável amor deu a sua vida por nós e do seu lado trespassado fez brotar sangue e água, donde nasceram os sacramentos da Igreja, para que todos os homens, atraídos ao Coração aberto do Salvador, pudessem beber com alegria nas fontes da salvação.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 14

 

Monição da Comunhão

 

O Coração dulcíssimo de Jesus dá-se totalmente a cada um de nós na Sagrada Comunhão. É assim o Seu Amor por nós! Vamos Recebê-LO com muita fé, amor e em desagravo de tantas ofensas e ingratidões dos homens.

 

Cântico da Comunhão: Saboreai como é bom, M. Carneiro, NRMS 93

Jo 7, 37-38

Antífona da comunhão: Se alguém tem sede, venha a Mim e beba, diz o Senhor. Se alguém acredita em Mim, do seu coração brotará uma fonte de água viva.

 

Ou

Jo 19, 34

Um dos soldados abriu o seu lado com uma lança e dele brotou sangue e água.

 

Cântico de acção de graças: Vossos corações exultem, Az. Oliveira, NRMS 90-91

 

Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que este sacramento do vosso amor nos una sempre mais a Jesus Cristo, vosso Filho, de modo que, inflamados na caridade, saibamos reconhecê-l'O nos nossos irmãos.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

As crises com que o mundo se debate são provocadas pelos caminhos errados que tantos homens escolheram seguir. “Procurai em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua justiça, e nada vos faltará”, assim nos garante o Senhor de todas as riquezas. Como pois é importante encontrar e saborear o Seu Amor! Verdadeiramente “ O AMOR não é amado!” Vamos tentar cada vez mais corresponder ao Seu Amor e assim seremos também instrumentos de Deus para O anunciarmos àqueles que ainda O desconhecem. Com esse propósito, ide em paz e Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Em coro altíssimo, M. Faria, NRMS 14

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Alves Moreno

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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