S. Pedro e S. Paulo

Missa da Vigília

28 de Junho de 2013

 

Solenidade

 

Esta Missa diz-se na tarde do dia 28 de Junho, antes ou depois das Vésperas I da solenidade.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Pedro Apóstolo, A. Cartageno, Cânticos de Entrada e Comunhão II, pág. 191

 

Antífona de entrada: Pedro, apóstolo, e Paulo, doutor das gentes, ensinaram-nos a vossa lei, Senhor.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebrar os Apóstolos Pedro e Paulo é ocasião de voltar os olhos para o lugar onde deram a vida por Jesus e onde se encontra o sucessor de Pedro e avivar o nosso amor ao Santo Padre.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que, por meio dos apóstolos São Pedro e São Paulo, comunicastes à vossa Igreja os primeiros ensinamentos da fé, concedei-nos, por sua intercessão, o auxílio necessário para chegarmos à salvação eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Livro dos Actos conta-nos como Jesus fazia milagres através de Pedro, chefe dos Apóstolos. Serviram para confirmar a sua missão e abrir os corações ao Evangelho pregado por ele.

 

Actos dos Apóstolos 3, 1-10

Naqueles dias, 1Pedro e João subiam ao templo para a oração das três horas da tarde. 2Trouxeram então um homem, coxo de nascença, que colocavam todos os dias à porta do templo, chamada Porta Formosa, para pedir esmola aos que entravam. 3Ao ver Pedro e João, que iam a entrar no templo, pediu-lhes esmola. 4Pedro, juntamente com João, olhou fixamente para ele e disse-lhe: «Olha para nós». 5O coxo olhava atentamente para Pedro e João, esperando receber deles alguma coisa. 6Pedro disse-lhe: «Não tenho ouro nem prata, mas dou-te o que tenho: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda». 7E, tomando-lhe a mão direita, levantou-o. Nesse instante fortaleceram-se-lhe os pés e os tornozelos, 8levantou-se de um salto, pôs-se de pé e começou a andar depois entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus. 9Toda a gente o viu caminhar e louvar a Deus 10e, sabendo que era aquele que costumava estar sentado, a mendigar, à Porta Formosa do templo, ficaram cheios de admiração e assombro pelo que lhe tinha acontecido.

 

Temos aqui o relato da cura do coxo de nascença, o primeiro milagre realizado por Pedro, com que se inicia mais uma unidade literária de Actos (Act 3, 1 – 5, 42) que refere a primeira actividade apostólica em Jerusalém, após o Pentecostes.

1 “Para a oração das 3 horas de tarde” (hora nona), a hora em que começavam no Templo as cerimónias do sacrifício vespertino que se prolongavam até ao cair da tarde; então se oferecia um cordeiro em sacrifício, como também de manhã, segundo Ex 12, 6.

2 “Porta Formosa”, porta assim chamada pelos seus ricos adornos, que dava do átrio dos gentios para o átrio das mulheres, em frente do pórtico de Salomão (v. 11), que rodeava a zona do templo do lado Leste.

6 “Em nome de Jesus…” Os prodígios operados pelos Apóstolos não eram feitos em nome próprio, como Jesus fazia, revelando a sua divindade ao não precisar dum poder alheio para os realizar, como é o caso de Pedro.

 

Salmo Responsorial    Sl 18 A (19 A), 2-3.4-5 (R. 5a)

 

Monição: A mensagem de Jesus, a Boa Nova, espalhou-se por toda a terra através de Pedro e dos Apóstolos enviados por Jesus. Alegremo-nos e enchamo-nos de coragem para colaborar nessa tarefa maravilhosa.

 

Refrão:        A sua mensagem ressoou por toda a terra.

 

Os céus proclamam a glória de Deus

e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.

O dia transmite ao outro esta mensagem

e a noite a dá a conhecer à outra noite.

 

Não são palavras nem linguagem

cujo sentido se não perceba.

O seu eco ressoou por toda a terra

e a sua notícia até aos confins do mundo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S.Paulo lembra que o Evangelho que pregava não vinha dos homens mas de Jesus. E teve o cuidado de encontrar-se com Pedro, para conferir com ele o que ensinava. Pedro e os seus sucessores receberam de Jesus a missão de confirmar na fé os seus irmãos.

 

Gálatas 1, 11-20

11Eu vos declaro, irmãos: O Evangelho anunciado por mim não é de inspiração humana, 12porque não o recebi ou aprendi de nenhum homem, mas por uma revelação de Jesus Cristo. 13Certamente ouvistes falar do meu proceder outrora no judaísmo e como perseguia terrivelmente a Igreja de Deus e procurava destruí-la. 14Fazia mais progressos no judaísmo do que muitos dos meus compatriotas da mesma idade, por ser extremamente zeloso das tradições dos meus pais. 15Mas quando Aquele que me destinou desde o seio materno e me chamou pela sua graça, 16Se dignou revelar em mim o seu Filho para que eu O anunciasse aos gentios, decididamente não consultei a carne e o sangue, 17nem subi a Jerusalém para ir ter com os que foram Apóstolos antes de mim mas retirei-me para a Arábia e depois voltei novamente a Damasco. 18Três anos mais tarde, subi a Jerusalém para ir conhecer Pedro e fiquei junto dele quinze dias. 19Não vi mais nenhum dos Apóstolos, a não ser Tiago, irmão do Senhor. 20– O que vos escrevo, diante de Deus o afirmo: não estou a mentir.

 

S. Paulo escreve aos cristãos da Galácia, mais provavelmente da Galácia do Norte, na Turquia actual. Eram cristãos na maior parte convertidos de tribos pagãs originárias da Gália, que estavam a ser perturbados por pregadores cristãos de tendência judaizante, que os intimidavam dizendo-lhes que, para se salvarem, não bastava o Baptismo e a fé cristã, mas que necessitavam de ser circuncidados. Para imporem a sua teoria, tentavam desacreditar a pessoa de S. Paulo, afirmando que ele não era um verdadeiro Apóstolo, pois não tinha recebido a sua missão directamente de Jesus. Nesta carta o Apóstolo começa por declarar e explicitar como foi o próprio Senhor que lhe revelou o Evangelho – os principais mistérios – que ele pregava. Sendo assim, logo após a conversão, não teve necessidade de vir imediatamente a Jerusalém para ouvir os Apóstolos, retirou-se para a Arábia (o reino nabateu, a sul de Damasco) e só ao fim de três anos é que foi estar com os Apóstolos. Pergunta-se, então, que fez S. Paulo durante esses três anos? Uns pensam que foram anos de pregação, outros que teria sido um tempo de retiro espiritual, em que ele assenta ideias, confrontando a revelação que teve com os dados do Antigo Testamento e da fé dos primeiros cristãos.

19 “Só vi Tiago”. A forma de falar não significa necessariamente que este irmão do Senhor fosse um dos 12 Apóstolos. Para que tenha sentido a frase, basta que se trate duma figura proeminente da igreja jerosolimitana; para isto que bastaria o simples título de “irmão (parente) do Senhor” e a participação da missão apostólica. Por isso, hoje, muitos exegetas entendem que este Tiago é distinto do apóstolo, “filho de Alfeu.”, o “São Tiago Menor. Não se pode tratar de Tiago, irmão de João, pois, segundo o testemunho de Flávio José, foi martirizado pelo ano 44 (cf. Act 12, 2).

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 21, 17b

 

Monição: Jesus ressuscitado confirma na sua missão a Pedro que O tinha negado três vezes. Louvemos o Senhor, que fez dele pastor de toda a Sua igreja.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação ao Evangelho 4, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Senhor, que sabeis tudo,

bem sabeis que Vos amo.

 

 

Evangelho

 

São João 21, 15-19

Quando Jesus Se manifestou aos seus discípulos junto ao mar de Tiberíades, 15depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta os meus cordeiros». 16Voltou a perguntar-lhe segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas». 17Perguntou-lhe pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas. 18Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». 19Jesus disse isto para indicar o género de morte com que Pedro havia de dar glória a Deus. Dito isto, acrescentou: «Segue-Me».

 

15-17 É fácil de ver na tripla confissão de amor de Pedro uma reparação da sua tripla negação (18, 17.25-27); na redacção do texto grego, pode ver-se também um jogo de palavras muito expressivo, pois na 1ª e 2ª pergunta Jesus interroga Pedro com um verbo de amor mais divino, profundo e intelectual (amas-Me? – agapâs me), ao passo que Pedro responde com um verbo de simples afeição e amizade (sou teu amigo – filô se); à 3ª vez, Jesus condescende com Pedro, usando este segundo verbo, e Pedro ficou triste por se lembrar que esta mudança de Jesus se devia à imperfeição do seu amor. Toda a Tradição católica viu neste encargo de pastorear todo o rebanho de Cristo (cordeiros e ovelhas) o cumprimento da promessa do primado (Mt 16, 17-19 e Lc 22, 31-32; cf. 1 Pe 5, 2.4. Recorde-se, a propósito, o que diz o Concílio Vaticano II, LG, 22: “O colégio ou corpo episcopal não tem autoridade a não ser em união com o Pontífice Romano, sucessor de Pedro, entendido como sua cabeça, permanecendo inteiro o poder do seu primado sobre todos, quer pastores, quer fiéis. Pois o Romano Pontífice, em virtude do seu cargo de Vigário de Cristo e Pastor de toda a Igreja, nela tem pleno, supremo e universal poder, que pode sempre exercer livremente”.

18-19 “Estenderás as mãos... Segue-Me”. Pedro havia de seguir a Cristo até ao ponto de vir a morrer crucificado em Roma, na perseguição de Nero (64-68), segundo a tradição documentada já por S. Clemente, no século I. Também se diz que, por humildade, pediu para ser crucificado de cabeça para baixo.

21-22. Jesus não satisfaz curiosidades inúteis, mas apela à fidelidade: “segue-me”. Tendo em conta que Pedro já morrera havia uns 40 anos, não deixa de impressionar a ligação tão íntima entre o discípulo amado e Pedro, aparecendo este sempre numa posição de superioridade (cf. Jo 13, 24; 18, 15-16; 20, 1-8; 21, 1-12.15.20-23); há quem veja nisto um apelo a um critério a seguir nas relações entre as comunidades joaninas da Ásia Menor e a Igreja de Roma.

 

Sugestões para a homilia

 

Apascenta as minhas ovelhas

Apascenta os meus cordeiros

Ver a Pedro

 

 

1)Apascenta as minhas ovelhas

 No Evangelho ouvíamos como Jesus confirmou Pedro como pastor de toda a Igreja. Apesar de O ter negado três semanas antes diante duma criada.

Pedro chorara arrependido e agora Jesus pergunta-lhe três vezes se O ama mais do que os outros. Ensina-nos a compor os nossos pecados com actos de contrição, com actos de amor. Pode-nos servir de jaculatória muitas vezes a resposta de S.Pedro: Senhor, Tu sabes tudo. Tu sabes que Te amo.

Apascenta as minhas ovelhas – diz-lhe Jesus duas vezes. Pedro, o pescador da Galileia, é o Vigário, o que faz as vezes de Jesus à frente da Igreja. Ele e os seus sucessores até ao fim dos tempos.

Temos de amar muito o Santo Padre, sucessor de Pedro. Seja ele quem for. Para nós cristãos o papa é Jesus. Santa Catarina de Sena chamava-lhe “o doce Cristo na terra “.

 

2)Apascenta os meus cordeiros

Jesus disse também a Pedro: -Apascenta os Meus cordeiros. Devia ser pastor não só das ovelhas mas dos outros apóstolos. O papa, sucessor de Pedro, tem autoridade também sobre os bispos de todo o mundo.

O Senhor quis que a Sua Igreja estivesse unida, com uma só cabeça. A Igreja de Cristo é una –dizemos no Credo. É una na fé, nos sacramentos, e também no governo.

Ao longo dos séculos apareceram na Igreja cismas que separaram alguns bispos do papa. É o caso dos ortodoxos. Muitos deles sentem hoje os anseios da unidade. Devemos rezar por eles, para que haja um só rebanho e um só pastor, como Jesus quis.

 

3) Ver a Pedro

S.Paulo dizia-nos que não recebeu o seu Evangelho de nenhum homem. Recebeu-o de Jesus através duma revelação. Mas teve o cuidado de conferir com Pedro o que ensinava. Para não haver o perigo de ter corrido em vão, ensinando coisas que não eram de Deus.

Assim têm de fazer todos os sacerdotes ao pregarem a doutrina de Jesus. Têm de conferir com Pedro o que ensinam. Têm de estar atentos ao que ensina o Santo Padre. Ele é a garantia da verdadeira doutrina de Jesus. Disse a Pedro, antes da Paixão, avisando dos ataques de Satanás: – “Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos”(Lc. 22,32).

“Esta infalibilidade com que o divino Redentor quis dotar a Sua Igreja, na definição de doutrinas de fé ou costumes – diz o Concílio Vaticano II – estende-se tanto quanto se estende o depósito da divina Revelação, o qual se deve religiosamente guardar e fielmente expor. Desta mesma infalibilidade goza o Romano Pontífice em razão do seu ofício de cabeça do colégio episcopal, sempre que, como supremo pastor dos fiéis cristãos, que deve confirmar na fé os seus irmãos, define alguma doutrina em matéria de fé ou costumes. As suas definições com razão se dizem irreformáveis por si mesmas e não pelo consenso da Igreja, pois foram pronunciadas sob a assistência do Espírito Santo, que lhe foi prometida na pessoa de S. Pedro. Não precisam, por isso, de qualquer alheia aprovação, nem são susceptíveis de apelação a outro juízo. Pois, nesse caso, o Romano Pontífice não fala como pessoa privada, mas expõe ou defende a doutrina da fé católica como mestre supremo da Igreja universal, no qual reside de modo singular o carisma da infalibilidade da mesma Igreja. A infalibilidade prometida à Igreja reside também no colégio episcopal, quando este exerce o supremo magistério em união com o sucessor de Pedro. A estas definições nunca pode faltar o assentimento da Igreja, graças à acção do Espírito Santo, que conserva e faz progredir na unidade da fé todo o rebanho de Cristo” (LG, 25).

O Santo Padre tem esta missão fundamental na Igreja de ser garante da fidelidade à doutrina de Jesus. Como pastor do rebanho de Jesus, das ovelhas e dos cordeiros, deve conduzi-lo sempre às boas pastagens.

Neste ano da fé agradeçamos a Jesus, que através do Espírito Santo, garantiu à Sua Igreja esta assistência especial. Estejamos muito atentos aos ensinamentos do Papa e peçamos para que todos os cristãos e todos os sacerdotes e bispos saibam estar muito unidos ao sucessor de Pedro no que ensinam.

Como Paulo devemos ter o desejo de ver o Vigário de Cristo, estar com ele, visitá-lo em Roma, ouvi-lo e vê-lo. É muito antigo o costume de ir em peregrinação a Roma, para rezar junto do túmulo de S.Pedro. Daí veio a palavra romaria, hoje tão comum entre os cristãos.

Rezemos a Nossa Senhora para que ajude o Santo Padre e reúna todos os cristãos à volta daquele que faz as vezes de Jesus cá na terra.

 

 

Oração Universal

 

(ver missa do dia).

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Os Apóstolos plantaram, F. Silva, NRMS 66

 

Oração sobre as oblatas: Ao celebrarmos com alegria, Senhor, a festa dos apóstolos São Pedro e São Paulo, apresentamos as nossas ofertas ao vosso altar e, reconhecendo a pobreza dos nossos méritos, esperamos da vossa bondade a alegria da salvação. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio próprio, como na Missa seguinte

 

Santo: J. Santos, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Avivemos a consciência da nossa indignidade e o desejo de preparar bem a nossa alma para receber a Jesus.

 

Cântico da Comunhão: Fez-vos Cristo luz do mundo, F. Silva, NRMS 36

Jo 21, 15.17

Antífona da comunhão: Jesus disse a Pedro: Simão, filho de João, amas-Me tu mais do que estes? Pedro respondeu: Senhor, Vós sabeis tudo; bem sabeis que eu Vos amo.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que iluminastes os vossos fiéis com os ensinamentos dos Apóstolos, fortalecei-nos sempre com estes sacramentos celestes. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos partir com o desejo de amarmos a Jesus sem nada regatear, como os santos Apóstolos Pedro e Paulo.

 

Cântico final: O Senhor enviou os seus Apóstolos, F. Silva, NRMS 66

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino F. Correia

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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