14º Domingo Comum

7 de Julho de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Oh que alegria, M. Faria, NRMS 67

Salmo 47, 10-11

Antífona de entrada: Recordamos, Senhor, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Toda a terra proclama o louvor do vosso nome, porque sois justo e santo, Senhor nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Estamos em pleno verão, com milhares de pessoas a deslocarem-se de terra em terra para conhecer o mundo e descansar. Saudamos os turistas e visitantes que se encontram nesta celebração.

Em algumas dioceses celebram-se neste domingo as ordenações dos novos sacerdotes e a instituição de outros ministérios. Isso desperta-nos para a missão cristã de que todos participamos de um modo ou de outro.

Toda esta movimentação se deve enquadrar no «Ano da Fé» e da evangelização. É esse o tema da missa de hoje

 

Rito penitencial e Glória

 

Todas as celebrações supõem e desenvolvem uma comunhão com Deus através de Jesus e com os outros cristãos. Para isso precisamos do perdão e da ajuda de Deus. É isso que vamos fazer de seguida por meio do ato penitencial e pelo canto do Glória, um hino a Jesus Cristo e à Santíssima Trindade.

 

Oração colecta: Deus de bondade infinita, que, pela humilhação do vosso Filho, levantastes o mundo decaído, dai aos vossos fiéis uma santa alegria, para que, livres da escravidão do pecado, possam chegar à felicidade eterna. Por Nosso Senhor ...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A leitura do profeta Isaías anuncia à antiga cidade de Jerusalém uma época de paz, de alegria e de felicidade. Para isso o profeta utiliza palavras da vida familiar, sobretudo o gesto da mãe com os filhos pequeninos sentados ao regaço.

É a imagem da abundância do amor de Deus.

 

Isaías 66, 10-14c

10Alegrai-vos com Jerusalém, exultai com ela, todos vós que a amais. Com ela enchei-vos de júbilo, todos vós que participastes no seu luto. 11Assim podereis beber e saciar-vos com o leite das suas consolações, podereis deliciar-vos no seio da sua magnificência. 12Porque assim fala o Senhor: «Farei correr para Jerusalém a paz como um rio e a riqueza das nações como torrente transbordante. Os seus meninos de peito serão levados ao colo e acariciados sobre os joelhos. 13Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei: em Jerusalém sereis consolados. Quando o virdes, alegrar-se-á o vosso coração e, como a verdura, retomarão vigor os vossos membros. 14cA mão do Senhor manifestar-se-á aos seus servos.

 

O texto, faz parte dum discurso dotado de rara beleza poética, no final do livro de Isaías. Jerusalém, é apresentada como uma mãe que com seus peitos sacia de consolação e deleite os seus filhos que regressam do exílio (vv. 10-11).

12 “A paz como um rio” é uma figura da paz messiânica que Cristo trouxe à “nova Jerusalém” que é “nossa Mãe”, a Igreja (cf. Gal 4, 26-27), “o Israel de Deus” de que nos fala a 2.ª leitura de hoje (Gal 6, 16).

 

Salmo Responsorial    Sl 65 (66), 1-3a.4-7a.16.20 (R.1)

 

Monição: Para um crente, o mundo é uma criação de Deus, sinal visível da generosidade e do saber de Deus, e o salmista convida-nos a cantar as maravilhas e a generosidade de Deus.

 

Refrão:        A terra inteira aclame o Senhor.

 

Aclamai a Deus, terra inteira,

cantai a glória do seu nome,

celebrai os seus louvores, dizei a Deus:

«Maravilhosas são as vossas obras».

 

A terra inteira Vos adore e celebre,

entoe hinos ao vosso nome.

Vinde contemplar as obras de Deus,

admirável na sua acção pelos homens.

 

Mudou o mar em terra firme,

atravessaram o rio a pé enxuto.

Alegremo-nos n’Ele:

domina eternamente com o seu poder.

 

Todos os que temeis a Deus, vinde e ouvi,

vou narrar-vos quanto Ele fez por mim.

Bendito seja Deus que não rejeitou a minha prece,

nem me retirou a sua misericórdia.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Ao terminar a sua carta aos Gálatas, Paulo manifesta a sua gratidão a Deus por o ter chamado à fé em Jesus Cristo. Da vida de Jesus, Paulo coloca como acto central o mistério da sua morte e da ressurreição. É esse mistério que Paulo abraça e anuncia

 

Gálatas 6, 14-18

Irmãos: 14Longe de mim gloriar-me, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. 15Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão valem alguma coisa: o que tem valor é a nova criatura. 16Paz e misericórdia para quantos seguirem esta norma, bem como para o Israel de Deus. 17Doravante ninguém me importune, porque eu trago no meu corpo os estigmas de Jesus. 18Irmãos, a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com o vosso espírito. Amen.

 

Temos hoje o empolgante final da carta aos Gálatas.

14 “Longe de mim gloriar-me...” S. Paulo rebate os cristãos judaizantes que, por um “proselitismo” mal entendido, queriam impor a circuncisão a fim de “fazerem boa figura (v. 11) e acharem motivo de glória na carne assim marcada dos convertidos (v. 13). Mas o proselitismo do Apóstolo é totalmente outro: baseia-se no imperativo de Jesus (Mt 28, 19) e é algo que o faz “compelido pelo amor de Cristo” (2 Cor 5, 14) e não compelido pelo zelo da própria glória. Paulo gloria-se na Cruz de Cristo, não no êxito humano das suas correrias apostólicas, no que seria glória mundana, mas sim no valor redentor da Cruz, na dor e humilhação máximas que Jesus suportou e de que participa o autêntico apóstolo (cf. Gal 2, 19).

15 “O que tem valor é a nova criatura.” Pouco importa, diante desta realidade sobrenatural, uma questão tão ridícula como a de ser ou não ser circuncidado. Nova criatura é o cristão, “homem novo, criado em conformidade com Deus na justiça e na santidade verdadeiras” (Ef 4, 24; cf. Ef 2, 15; 2 Cor 5, 17; Rom 6, 3ss; Jo 1, 13; 3, 5; etc.), regenerado pelo Baptismo. Nesta argumentação contra os judaizantes, S. Paulo usa a mesma designação com que os rabinos da época designavam um convertido ao judaísmo após a circuncisão e o “baptismo dos prosélitos”: era então considerado “beriyá hadaxá”, isto é, nova criatura. Assim S. Paulo diz que o que interessa é ser nova criatura; e o cristão, de facto, torna-se isso mesmo num sentido radical e profundo, como se depreende de todo o seu ensino, pois é regenerado, santificado, torna-se filho de Deus, faz um só com Cristo que com a sua Morte e Ressurreição inaugura uma nova Humanidade, uma nova criação, em contraste com a criação inicial, a do velho Adão donde provém para todos o pecado e a morte.

17 “Ninguém me importune”, entenda-se, com discussões acerca da circuncisão ou da minha condição de apóstolo (cf. Gal 5, 11;1, 8-18), uma vez que eu trago no meu corpo outras marcas, os estigmas de Jesus. Os escravos costumavam então trazer, marcadas, com ferro em brasa (ferrete), umas marcas que indicavam o dono. Sem dúvida, que as marcas de Jesus que S. Paulo se gloria de trazer eram as próprias cicatrizes físicas dos seus padecimentos por Cristo, flagelações, apedrejamentos, etc., os “estigmas” da Paixão de Cristo, que autenticavam a sua pertença ao Senhor, o seu apostolado, a sua pregação.

 

Aclamação ao Evangelho        Col 3, 15a.16a

 

Monição: No tempo de Lucas, dizia-se que o mundo era composto de 72 regiões. Lucas, diz que Jesus enviou 72 discípulos, isto é, enviou-os a todo o mundo, mas enviou-os em grupos. Cantemos a Deus a nossa gratidão por havermos sido atingidos por esse anúncio e pertencermos ao grupo dos anunciadores.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3,F. da Silva, NRMS 50-51

 

Reine em vossos corações a paz de Cristo,

habite em vós a sua palavra.

 

 

Evangelho*

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Lucas 10, 1-12.17-20;                            forma breve: São Lucas 10, 1-9

1Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. 2E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. 3Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho. 5Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’. 6E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco. 7Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. 8Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, 9curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’. 10[Mas quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: 11‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés sacudimos para vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’. 12Eu vos digo: Haverá mais tolerância, naquele dia, para Sodoma do que para essa cidade». 17Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome». 18Jesus respondeu-lhes: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. 19Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiões e dominar toda a força do inimigo; nada poderá causar-vos dano. 20Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus».]

 

 Apenas S. Lucas fala desta missão dos 72 (70 segundo alguns textos de menos valor). Neste discurso de Jesus aos 72 há grandes coincidências de forma e conteúdo com o discurso aos Doze em Mc 6, 6-13 e Mt 9, 5-23. Mas estas coincidências não parecem bastar para se pensar que se trata duma mesma missão e dum mesmo discurso. Na verdade, Lucas fala em 9, 1-6 de uma outra missão dos Doze, tomada de Mc 6, 6-13. Estes discípulos são “outros” como propõem autorizadas variantes do v. 1, isto é, discípulos diferentes dos Apóstolos (“outros” é uma variante textual importante recolhida na Neovulgata). As coincidências apontadas justificam-se pela semelhança do objectivo dos discursos de Jesus e pela própria tradição oral prévia que teria influído em ordem a uma transmissão semelhante, sem alterar a substância dos discursos. Este episódio contém, antes de mais, um grande ensinamento: é que, nem antes nem depois do Pentecostes, a evangelização foi um privilégio exclusivo dos Doze.

2 “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos”. Jesus fala à maneira de um grande proprietário agrícola que, ao contemplar as suas grandes searas, vê enorme abundância de trigo maduro em risco de se perder, caso não seja colhido, sentindo a máxima preocupação por encontrar braços para o ingente e urgentíssimo trabalho. Deus, para salvar os homens, quer precisar de outros homens. “Pedi ao Dono da seara...”. A urgência do trabalho não pode levar os discípulos a perderem o sentido da realidade sobrenatural que é uma “messe das almas”: embora eles sejam “ceifeiros”, não se podem limitar a ceifar sem parança, têm de achar tempo e modo de pedir ao Dono o envio de novos ceifeiros, já que é dele que depende o bom êxito de todo o trabalho.

3-4 “Para o meio de lobos. Não leveis…”. Dadas as dificuldades do trabalho apostólico e o seu vastíssimo alcance sobrenatural, o discípulo podia atemorizar-se ou deixar-se seduzir pela tentação de pôr a sua confiança nos recursos humanos. O Senhor quer dos seus grande desprendimento e audácia apostólica. “Nem vos demoreis a saudar …”. “Não se trata de evitar a urbanidade de saudar, mas de eliminar um possível obstáculo ao serviço (cf. 2 Re 4, 29)... Saudar é uma coisa boa, mas melhor é executar quanto antes uma ordem divina, que muitas vezes se tornaria frustrada por um atraso” (Sto. Ambrósio, Hom. 17).

7 “Ficai... não andeis de casa em casa”, isto é, aceitai a hospitalidade que vos oferecerem, sem qualquer reserva, e não andeis à procura da melhor casa, de quem vos dê mais vantagens pessoais.

11 “Até o pó... sacudimos para vós”. Segundo a indicação rabínica de então, todo o bom israelita que entrava na Palestina vindo do território pagão devia sacudir o pó das sandálias, a fim de não contaminar a Terra Santa. Este gesto indica que os judeus que não recebem a Jesus se equiparam aos pagãos.

18 “Eu via Satanás cair…”. Esta expressão não se refere ao pecado de Satanás que o precipita na condenação eterna, logo ao ser criado. Refere-se, sim, ao começo da sua derrocada que se consumará no fim dos tempos, mas que se vai realizando sempre que o Evangelho é pregado e aceite. Jesus utiliza uma imagem isaiana para significar a derrota de Satanás, com a perda do seu domínio sobre os homens (cf. Is 14, 12).

20 “Alegrai-vos antes...”. Os discípulos sentiam uma alegria apoiada em motivos pre­dominantemente humanos, como era o domínio sobre os demónios e o poder de realizarem milagres, mas o importante é fazerem a vontade de Deus (cf. Mt 7, 21-23); isto é o que conduz ao Céu, onde está a verdadeira felicidade, e eles são do número dos eleitos, isto é, têm os seus nomes inscritos nos Céus (cf. Ex 32, 32; Is 4, 3; Dan 12, 1; Mal 3, 16; Apc 20, 15).

 

Sugestões para a homilia

 

1- Nas três leituras sentimos um clima de abundância, de esperança e de alegria. Seja o profeta Isaías, seja Paulo, sejam os 72 discípulos, todos levam consigo a experiência jubilosa da intimidade com Deus, e é com essa alegria radical que eles são enviados.

Meditemos melhor este mistério do envio cristão.

 

2- O cristão recebe no Baptismo a riqueza da fé e fica integrado na Igreja. No final da celebração do Baptismo, o sacerdote faz uma unção na fronte do neófito e diz «a partir de agora és membro de Cristo, sacerdote, profeta e rei» Todo o baptizado é um enviado, e esse envio concretiza-se e desenvolve-se depois nos outros sacramentos do Crisma, da Ordem e do Matrimónio.

Somos baptizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O Catecismo da Igreja Católica,n.850, diz que «o mandato missionário do Senhor tem a sua fonte primeira no amor eterno da Santíssima Trindade».

A missão de Cristo e do Espírito Santo prolonga-se na Igreja. A missão da Igreja não se acrescenta à de Cristo e do Espírito Santo, mas é sacramental, isto é, prolonga a missão de Cristo e do Espírito Santo (Catecismo da Igreja, nn.737 e 738).

 

3. Devido ao individualismo da cultura moderna, à secularização e a um errado conceito de respeito pela liberdade religiosa, é frequente a tentação de assumir a fé como uma riqueza para uso privado, rejeitando o testemunho e a missão.

Essa é a grande doença de hoje – tentar ser cristão sem missão. Isto é especialmente sentido em muitos matrimónios mesmo católicos: casam-se pela Igreja mas não aceitam a missão de se sacrificarem para faz durar o seu casamento, para gerarem filhos e educadores, limitando-se ao seu bem-estar.

O Papa S. Gregório queixava-se de, no seu tempo, haver muitos sacerdotes e bispos que não se assumiam como enviados e, por isso, «havia poucos trabalhadores. É a falta de caridade pastoral.

 

4. As palavras de Jesus fornecem as características do verdadeiro enviado:

a) Vai em nome da comunidade. O enviado cristão não é um aventureiro, um caçador furtivo que age por sua conta e risco. Se lermos os Actos dos Apóstolos, veremos que é sempre a comunidade cristã que envia os evangelizadores e envia-os em grupo. Foi assim com Paulo e Barnabé, foi assim com Paulo e Silas, foi assim com Barnabé e Marcos;

b) O enviado leva a abundância do amor de Deus revelado em seu Filho Jesus Cristo e a fortaleza do Espírito. Não é um carenciado de afetos nem um interesseiro nem um polemista Vai para cuidar dos outros, mormente dos mais pobres;

c) Aceita humildemente a hospitalidade e a ajuda que as pessoas lhe dão. E porque sabe que Deus é providência, não é demasiado cauteloso em amontoar provisões;

d) É respeitador da liberdade e do ritmo interior das pessoas a quem se dirige, não ficando a discutir com aqueles que não aderem logo, como se de uma conquista pessoal se tratasse. Ele sabe que «Tudo tem seu tempo e sua hora» e lembrar-se-á da parábola da semente que cresce lentamente, de noite e de dia, muitas vezes depois de ele se retirar;

e) Aceita como normais as dificuldades e até a oposição dos lobos, porque «os filhos das trevas são mais engenhosos que os filhos da luz» e o Evangelho passa pelo mistério da cruz. A sua grande alegria reside no céu, em saber que é fiel o Senhor que o enviou.

f) Vai em comunidade O trabalho em equipa fortalece nas horas de desânimo e ajuda a fazer constantemente o discernimento da mensagem e da acção pastoral, a partilhar tarefas, avaliar os métodos de evangelização.

g) Finalmente, o envio em equipa é o primeiro testemunho de comunidade e a capacidade de viver em comunidade é o grande testemunho da fé que anunciam.

 

5. Para a vida:

a) Participar na missa aos domingos, mormente em tempo de férias, é ser testemunha de Jesus e da pertença às Igreja

b) Os casados que se esforçam, por manter o seu lar permanente e geram filhos formam a primeira e fundamental comunidade cristã de enviados.

c) Os catequistas, os cantores, os salmistas da paróquia examinem a sua atitude interior e vejam se trabalham em equipa e como enviados. Depois da consagração da Missa, rezaremos pelo Papa, pelos Bispos e «por todos os que estão ao serviço do vosso povo».

 d) No final da Missa, a Igreja manda-nos em paz. De algum modo, vamos em missão e essa missão realiza-se de modo pacífico e não em conflitos.

 

Fala o Santo Padre

 

“Deus é amor, e prestar-lhe culto significa servir os irmãos com amor sincero e generoso.”

[...] O Evangelho deste domingo inicia com a pergunta que um doutor da Lei faz a Jesus: "Mestre, que hei-de fazer para possuir a vida eterna?" (Lc 10, 25). Sabendo que ele era perito nas Sagradas Escrituras, o Senhor convida aquele homem a dar ele mesmo a resposta, que de facto formula perfeitamente, citando os dois mandamentos principais: amar a Deus com todo o seu coração, mente e forças e amar o próximo como a si mesmo. Então o doutor da Lei, quase para se justificar, pergunta: "E quem é o meu próximo?" (Lc 10, 29). Desta vez, Jesus responde com a célebre parábola do "Bom samaritano" (cf. Lc 10, 30-37), para indicar que compete a nós tornar-nos o "próximo" de todo aquele que tiver necessidade de ajuda. O Samaritano, de facto, ocupa-se da condição de um desconhecido, que os salteadores deixaram meio morto à margem da estrada: enquanto um sacerdote e um levita tinham prosseguido, talvez pensando que em contacto com o sangue, com base num preceito, se teriam contaminado. Portanto, a parábola, deve induzir-nos a transformar a nossa mentalidade segundo a lógica de Cristo, que é a lógica da caridade: Deus é amor, e prestar-lhe culto significa servir os irmãos com amor sincero e generoso.

Esta narração evangélica oferece o "critério de medida", ou seja, a universalidade do amor que se inclina para o necessitado encontrado por acaso (cf. Lc 10, 31), seja ele quem for (Enc. Deus caritas est, 25). Ao lado desta regra universal, há também uma exigência especificamente eclesial: que "na própria Igreja, enquanto família, nenhum membro sofra porque passa necessidade" (Ibid.).O programa do cristão, aprendido do ensinamento de Jesus, é "um coração que vê" onde há necessidade de amor, e age em consequência (cf. ibid., 31). [...]

 

Bento XVI, Angelus em Castel Gandolfo a 11 de Julho de 2010

 

Oração Universal

 

Irmãos,

oremos a Deus nosso Pai

com toda a confiança,

sabendo que Ele sempre realiza

todas as suas promessas, dizendo (cantando):

 

Senhor, aumentai a nossa esperança.

 

1.  Pelo Papa, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

para que, fiéis ao ensinamento de Cristo

saibam, através da oração, preparar o espírito,

em tranquilidade e paz interior,

para acolher a Palavra a anunciar,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelos que se afastaram das nossas comunidades,

para que possam ser confrontados

com os nossos actos concretos

de solidariedade e amor fraterno

e desejem voltar ao seio comunitário,

oremos, irmãos.

 

3.  Por todos os que têm a coragem

de se proclamar ao mundo desprovidos de tudo,

constituindo a sua segurança

na protecção que lhe é oferecida pelo Pastor,

que é Jesus Cristo, nosso Mestre,

oremos, irmãos.

 

4.  Por todos os cristãos,

para que ao falarem em nome de Cristo

estejam em comunhão com os irmãos na fé,

oremos, irmãos.

 

5.  Pelos membros da nossa comunidade,

para que saibam reconhecer na cruz do dia-a-dia

o sinal particular da sua identificação como cristãos,

oremos, irmãos.

 

6.  Por todos aqueles fiéis

que já partiram deste mundo,

para que sejam recebidos por Deus, nosso Pai,

como participantes na sua eterna  glória,

oremos, irmãos.

 

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai,

dai-nos um coração renovado

que se deixe guiar pela esperança,

de modo que receba alegremente

a vossa Palavra e a ponha em prática.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Na celebração eucarística renova-se de modo sacramental a obra de salvação que Jesus realizou como enviado do Pai e em comunhão com o Espírito Santo. Toda a celebração tem uma dimensão universal, referindo-se ao povo de Deus de um extremo ao outro da terra, aos que morreram em plena consciência de ressurreição e àqueles que morrem confiados à misericórdia de Deus.

 

Cântico do ofertório: Cantai ao Senhor nosso Deus, M. Simões, NRMS 38

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oblação consagrada ao vosso nome nos purifique e nos conduza, dia após dia, a viver mais intensamente a vida da graça. Por Nosso Senhor...

 

Santo: Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

A comunhão implica também a renovação do amor ao próximo, segundo o mandamento novo. Por isso a Igreja não autoriza mais que duas comunhões no mesmo dia e na missa, pois «a comunhão deve continuar-se no amor concreto aos irmãos e não na repetição sacramental»

 

Cântico da Comunhão: A messe é grande, C. Silva, NRMS 94

Salmo 33, 9

Antífona da comunhão: Saboreai e vede como o Senhor é bom, feliz o homem que n'Ele se refugia.

 

ou

Mt 11, 28

Vinde a Mim, todos vós que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor, louvai, J. Santos, NRMS 37

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos saciastes com estes dons tão excelentes, fazei que alcancemos os benefícios da salvação e nunca cessemos de cantar os vossos louvores. Por Nosso Senhor ...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A Igreja envia-nos em paz. Além da alegria da celebração, vamos em missão que, mesmo em férias, continua e se realiza de modo pacífico e não em conflitos.

 

Cântico final: Cantai ao Senhor um cântico novo, Az. Oliveira, NRMS 48

 

 

Homilias Feriais

 

14ª SEMANA

 

2ª Feira, 8-VII: Fé para reconhecer a proximidade de Deus.

Gen 28, 10-22 / Mt 9, 18-26

Pois dizia consigo: Se eu, ao menos, lhe tocar na capa, ficarei curada.

As doenças da nossa alma, as feridas da luta interior contra as tentações, exigem que nos aproximemos do Senhor (Ev), para ficarmos curados. Isso acontece quando recebemos os sacramentos (na comunhão sacramental tocamos no corpo de Jesus; na Confissão são-nos aplicados os méritos da paixão de Cristo), ou quando rezamos. Se o fizermos com fé, podemos ficar curados.

Deus falou a Jacob através de um sonho, renovando uma promessa (Leit). E Jacob reconheceu a proximidade de Deus: «realmente o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia» (Leit). Precisamos dar-nos conta da presença de Deus ao nosso lado ao longo do nosso dia.

 

3ª Feira, 9-VII: A oração como combate da fé.

Gen 32, 22-32 / Mt 9, 32-28

Jacob ficou para trás sozinho. Então, alguém lutou com ele até ao romper da aurora.

Este alguém abençoa Jacob, antes de o deixar, porque Jacob lhe disse que não o largaria enquanto não o abençoasse. «A tradição espiritual da Igreja divisou nesta narrativa o símbolo da oração como combate da fé e vitória da perseverança (Leit)» (CIC, 2573).

A oração é sempre importante para a vitória da perseverança: «Jesus exorta os seus discípulos a levar para a oração esta solicitude em cooperar com o desígnio de Deus (Ev)» (CIC, 2611). Neste caso, o desígnio refere-se à necessidade de que haja muitos trabalhadores para trabalhar na messe do Senhor.

 

4ª Feira, 10-VII: A fome de Deus e os alimentos divinos.

Gen 41, 55-57; 42, 5-7. 17-24 / Mt 10, 1-7

Toda a terra do Egipto começou a sentir fome. Então o faraó disse a todos os egípcios: Ide a José e fazei o que ele vos disser.

Em todo o mundo há igualmente uma fome de Deus. Para resolver este problema, o Senhor enviou os Doze a proclamar a palavra de Deus (Ev), um alimento indispensável à nossa alma: «Todos os homens são chamados a entrar no Reino. Para ter acesso a ele, é preciso acolher a palavra de Deus» (CIC, 543). E o outro é a Eucaristia: A minha carne é verdadeira comida (Jo 6, 55).

Compete também aos fiéis leigos uma colaboração nesta tarefa: «A iniciativa dos fiéis leigos é particularmente necessária quando se trata de descobrir, de inventar meios para impregnar, com as exigências da doutrina e da vida cristã, as realidades sociais, políticas e económicas» (CIC, 899).

 

5ª Feira, 11-VII: S. Bento: A reconstrução do tecido cristão da Europa.

Prov 2, 1-9 Mt 19, 27-29

E todo aquele que tiver deixado casa, irmãos, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna.

S. Bento contribuiu enormemente para a implantação das raízes cristãs nos países que hoje constituem a Europa. Por isso, foi nomeado Padroeiro da Europa em 1964 pelo Papa Paulo VI.

S. Bento, tendo ouvido o chamamento do Senhor, deixou tudo por causa d'Ele (Ev) e fomos nós que recebemos uma esplêndida herança. O Senhor concedeu-lhe a sabedoria, o saber e a razão (Leit). Para ajudarmos a reconstruir as raízes cristãs na Europa e, por conseguinte no nosso país, recorramos à protecção de Deus e sejamos fiéis à nossa vocação cristã: «Ele guarda os caminhos dos que lhe são fiéis» (Leit.)

 

6ª Feira, 12-VII: Apoio e perseverança na fé.

Gen 46, 1-7. 28-30 / Mt 10, 16-23

Quando vos entregarem, não vos inquieteis com a maneira de falar... O Espírito do vosso Pai é que falará em vós.

Deus é fiel e nunca nos abandonará. Aceitemos as suas promessas e tenhamos n'Ele uma confiança e fé plenas: «Porque 'sem fé não é possível agradar a Deus' e chegar a partilhar a condição de filhos seus; ninguém jamais pode justificar-se sem ela e ninguém que 'não persevera nela até ao fim' (Ev) poderá alcançar a vida eterna» (CIC, 161).

«Jacob, não tenhas receio de descer ao Egipto, pois é lá que eu farei sair de ti um grande povo» (Leit). Jacob acreditou na palavra de Deus, pegou na sua família e nos seus bens e fez como Deus lhe tinha pedido, podendo morrer em paz.

 

Sábado, 13-VII: Fé e abandono na Providência.

Gen 49, 29-33; 50, 15-26 / Mt 10, 24-33

Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais portanto: valeis mais que muitos passarinhos.

«Jesus reclama um abandono filial à Providência do Pai celeste, que cuida das mais pequenas necessidades dos seus filhos (Ev)» (CIC, 305).

Nalguns casos só se vê, com o decorrer do tempo, que há males que vêm por bem, como foi o caso de José: «Deus, na sua omnipotente Providência, pode tirar um bem das consequências dum mal (mesmo moral), causado pelas criaturas (Leit)» (CIC, 312). Assim aconteceu também com o maior mal, jamais praticado, como foi a morte de Cristo, que é actualizado no memorial da celebração eucarística.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         D. Joaquim Gonçalves

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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