16º Domingo Comum

21 de Julho de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Povos da terra, cantai hinos, S. Marques, NRMS 55

Salmo 53, 6.8

Antífona de entrada: Deus vem em meu auxílio, o Senhor sustenta a minha vida. De todo o coração Vos oferecerei sacrifícios, cantando a glória do vosso nome.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia deste domingo tem uma grande relação com o domingo anterior.

Poderíamos resumir: proximidade e envio.

Proximidade no acolhimento de Deus, da sua Palavra e do seu Projecto.

E envio como consequência dessa relação de amor e de vida.

Envio que se torna missão de paz, de sabedoria, de evangelho da vida e de conversão.

 

Oração colecta: Sede propício, Senhor, aos vossos servos e multiplicai neles os dons da vossa graça, para que, fervorosos na fé, esperança e caridade, perseverem na fiel observância dos vossos mandamentos. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A primeira leitura oferece-nos os belos sinais de acolhimento, hospitalidade e partilha.

Uma vida assim torna-se como mesa e alimento, geradores de beleza humana e grande esperança.

 

Génesis 18, 1-10a

Naqueles dias, 1o Senhor apareceu a Abraão junto do carvalho de Mambré. Abraão estava sentado à entrada da sua tenda, no maior calor do dia. 2Ergueu os olhos e viu três homens de pé diante dele. Logo que os viu, deixou a entrada da tenda e correu ao seu encontro; prostrou-se por terra e disse: 3«Meu Senhor, se agradei aos vossos olhos, não passeis adiante sem parar em casa do vosso servo. 4Mandarei vir água, para que possais lavar os pés e descansar debaixo desta árvore. 5Vou buscar um bocado de pão, para restaurardes as forças antes de continuardes o vosso caminho, pois não foi em vão que passastes diante da casa do vosso servo». Eles responderam: «Faz como disseste». 6Abraão apressou-se a ir à tenda onde estava Sara e disse-lhe: «Toma depressa três medidas de flor da farinha, amassa-a e coze uns pães no borralho». 7Abraão correu ao rebanho e escolheu um vitelo tenro e bom e entregou-o a um servo que se apressou a prepará-lo. 8Trouxe manteiga e leite e o vitelo já pronto e colocou-o diante deles; e, enquanto comiam, ficou de pé junto deles debaixo da árvore. 9Depois eles disseram-lhe: «Onde está Sara, tua esposa?». Abraão respondeu: «Está ali na tenda». 10aE um deles disse: «Passarei novamente pela tua casa daqui a um ano e então Sara tua esposa terá um filho».

 

A Liturgia de hoje propõe-nos a hospitalidade de Abraão em função daquela outra hospitalidade das irmãs de Lázaro, também oferecida ao Senhor. Porém, à sombra do carvalho de Mambré (um pouco a Norte de Hebron), não se podia dizer, com propriedade, que Deus comia, ao passo que, quando Jesus tomava os manjares cuidadosamente preparados por Marta, era o próprio Deus que comia, em virtude do mistério da Incarnação.

2 “Viu três homens”. Nesta misteriosa teofania, cujo relato fortemente antropomórfico evi­dencia a tradição javista, Deus aparece “em forma humana” não sendo reconhecido logo à primeira. O Senhor vem acompanhado de outras duas figuras, igualmente de forma humana, dois anjos, segundo adiante se diz (19, 1). Abraão tem para com os caminheiros uma magnífica hospitalidade (vv. 4-8), de estilo oriental, enquanto lhes vai reconhecendo, pouco a pouco, o carácter sobrenatural (vv. 9.13.14).

3 “Meu Senhor…” Abraão dirigia-se àquele que lhe perece ser o chefe da comitiva. Muitos Padres, fazendo uma exegese espiritual, viram aqui um prenúncio da futura revelação da SS. Trindade: é célebre a frase de Santo Hilário “tres vidit et unum adoravit” (“viu três e adorou um”).

10 “Daqui a um ano”, à letra, “no tempo da vida” (ka‘et hayyáh), que alguns traduzem “daqui a nove meses” (o tempo da gravidez).

 

Salmo Responsorial    Sl 14 (15), 2-3a.3cd-4ab.5 (R. 1a)

 

Monição: Acolher Deus leva ao acolhimento do irmão.

Na beleza deste salmo reparemos a necessidade de ter atitudes concretas que estruturam esse amor ao próximo.

 

Refrão:        Quem habitará, Senhor, no vosso santuário?

 

Ou:               Ensinai-nos, Senhor:

quem habitará em vossa casa?

 

O que vive sem mancha e pratica a justiça

e diz a verdade que tem no seu coração

e guarda a sua língua da calúnia.

 

O que não faz mal ao seu próximo,

nem ultraja o seu semelhante,

o que tem por desprezível o ímpio,

mas estima os que temem o Senhor.

 

O que não falta ao juramento mesmo em seu prejuízo

e não empresta dinheiro com usura,

nem aceita presentes para condenar o inocente.

Quem assim proceder jamais será abalado.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Paulo convida-nos ao acolhimento de Cristo. Em nós Ele é o mesmo anúncio e a esperança de glória.

 

Colossenses 1, 24-28

Irmãos: 24Agora alegro-me com os sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta à paixão de Cristo, em benefício do seu corpo que é a Igreja. 25Dela me tornei ministro, em virtude do cargo que Deus me confiou a vosso respeito, isto é, anunciar em plenitude a palavra de Deus, 26o mistério que ficou oculto ao longo dos séculos e que foi agora manifestado aos seus santos. 27Deus quis dar-lhes a conhecer as riquezas e a glória deste mistério entre os gentios: Cristo no meio de vós, esperança da glória. 28E nós O anunciamos, advertindo todos os homens e instruindo-os em toda a sabedoria, a fim de os apresentarmos todos perfeitos em Cristo.

 

24 “Completo”. O verbo grego (ant-ana-plêrô), sendo composto de duas preposições que lhe enriquecem o significado, é difícil de traduzir em toda a sua expressividade: “antí” encerra a ideia de “em vez de (outrem)”; “aná”, a ideia de “até cima” (isto é, a transbordar). Há pois uma realidade inacabada que há que completar plenamente (“até cima”). S Paulo não diz que a obra da Salvação, enquanto Redenção objectiva, não tenha sido perfeita, ou lhe falte algo para atingir o seu valor intrínseco, mas deixa ver como ele próprio tem uma missão a cumprir plenamente em benefício da Igreja, isto é, em ordem à salvação das almas, e esta missão tem de a levar a cabo “em vez de” alguém, que é Cristo, de quem se tornou “ministro” (v. 23) e “embaixador” (cf. 2 Cor 5, 20). E, neste sentido, há algo que falta à “paixão de Cristo”. A palavra traduzida por “paixão” é expressa em grego por um termo que nunca aparece no Novo Testamento aplicado à Paixão de Jesus: “thlípsai” (tribulações). E que tribulações de Cristo são estas? São as que Cristo sofreu na sua vida mortal, ou as que sofrem os cristãos, membros do Corpo (místico) de Cristo? Uns, seguindo os Padres Gregos, pensam que se deve entender a expressão referida aos próprios padecimentos de Jesus, não no sentido de que tivesse faltado algo à sua Paixão para poder redimir os homens, mas no sentido de que Deus conta com o sacrifício e a colaboração dos homens para aplicar a todas as pessoas os méritos da Redenção (Redenção subjectiva), o que está de acordo com 1 Cor 3, 5-15; 4, 1-5; segundo esta opinião, S. Paulo quer dizer que é à própria Paixão de Cristo que falta a nossa quota parte (para que os seus méritos sejam aplicados). Outros, seguindo Santo Agostinho, entendem por “tribulações de Cristo” as tribulações padecidas pelos membros do seu Corpo Místico, pois a Paixão de Cristo continua-se nos membros da Igreja que sofrem em união com Cristo; em favor desta opinião está o termo grego que, como disse, nunca se aplica à Paixão de Jesus. De qualquer modo, exprime-se sempre neste texto uma realidade misteriosa e sobrenatural: é que temos uma missão a levar a cabo – completar em benefício de Igreja –, a favor da salvação de todos, “com os sofrimentos que suporto”; e esta missão é co-redentora.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Lc 8, 15

 

Monição: Só vivendo na escuta da Palavra de Deus e permanecendo n’Ele é que o nosso ser e a nossa missão será Boa Nova.

 

Aleluia

 

Cântico: F. Silva, NRMS 46

 

Felizes os que recebem a palavra de Deus

de coração sincero e generoso e produzem fruto pela perseverança.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 10, 38-42

Naquele tempo, 38Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. 39Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. 40Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me». 41O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, 42quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».

 

38 “Entrou em certa povoação”. É razoável pensar que se trata de Betânia, “aldeia de Maria e de Marta” (Jo 11, 1; 12, 1-3), situada na vertente oriental do Monte das Oliveiras, a cerca de uns 3 km a leste de Jerusalém, hoje chamada El-’azariye (isto é, a terra de Lázaro). Só S. Lucas relata este verdadeiro “idílio familiar”, o que denota quanto Jesus era amigo daqueles três irmãos; o facto de omitir o nome da aldeia pode dever-se a querer evitar apresentar Jesus já em Jerusalém ainda antes de terminar a secção da “grande viagem” rumo a Jerusalém.

41 “Marta, Marta, andas inquieta e agitada…” Marta é quem recebe Jesus como verdadeira dona de casa, activa, cuidando todos os pormenores: Maria é uma “alma interior”, contemplativa, silenciosa. O génio activo de Marta, obcecado pelo cuidado de preparar para Jesus um bom acolhimento, entra em choque com a aparente inactividade contemplativa da irmã e este choque toma a forma dum protesto dirigido a Jesus, que parecia favorecer a inactividade da irmã: “Senhor, não te importas…” (v. 40). Mas Jesus dá razão a Maria! A única coisa necessária é privar com o Mestre, estar atento às suas palavras. Esta única coisa necessária parece ter, pois, um sentido espiritual já na própria intenção de Jesus ao falar; não se trata de uma só coisa (para comer), como se Jesus quisesse apenas dizer: um prato chega. Alguns traduzem “há necessidade de poucas coisas, ou melhor, uma só”, baseados em códices de muito valor. Neste caso, nas palavras de Jesus, haveria a passagem de um sentido material – “poucas coisas” – para um sentido espiritual – “uma só”. No texto original, a parte escolhida por Maria é designada como “a boa porte”, o que deixa ver uma suave censura à preocupação de Marta, não porque seja reprovável preparar uma boa refeição a Jesus, mas sim o dar a este trabalho um valor exagerado, pois os seus discípulos não devem andar “inquietos” com as coisas de comer e de beber, mais do que com as coisas do Reino de Deus (cf. Lc 12, 29-31; Mt 6, 25-34).

 

Sugestões para a homilia

 

1-     Hospitalidade

2-     Cristo em vós a esperança da glória

 

1-A Hospitalidade

 

Hospitalidade de Abraão e de Sara.

Neste maravilhoso texto são tocados pormenores de educação, atenção, serviço, partilha.

O encontro com aqueles misteriosos personagens tornou-se uma festa. Abraão e Sara ofereceram com disponibilidade o melhor que possuíam.

Hospitalidade que traduz a entrega do coração. Antes de oferecerem tantos dons da sua generosidade já tinham oferecido o seu coração.

Hospitalidade fruto do encontro com a Palavra, com o Deus vivo. Na realidade, Abraão e Sara, revelam que os seus corações expressam o que vivem pelo manancial que Deus gerou em suas vidas.

Hospitalidade geradora de fidelidade, de fecundidade e vida.

 

Hospitalidade de Marta e Maria.

Também Lucas nos relata um episódio de hospitalidade.

Marta e Maria estão voltadas para Aquele Hóspede que conhecem. Mas que é sempre necessário verificar se o activismo feroz não descentra do essencial levando ao vazio da acção.

Uma hospitalidade chamada a ser verdadeiro acolhimento de coração e da vida. Por isso importa estar com Ele, escutá-LO, e depois segui-LO. Assim Maria se torna modelo e referência do discípulo.

Um episódio que revela a surpreendente atitude de Jesus aceitar uma mulher como discípula, pois o judaísmo proibia às mulheres estudar a Lei ou ter um mestre como rabino.

A importância de saber estar com Jesus e escutá-lO. Aprender com Ele os seus ensinamentos para percorrer com Ele o mesmo caminho.

Marta, Marta. Jesus pronuncia duas vezes o nome de Marta. Traduz o seu carinho e afecto… e lembra que quando na nossa vida de discípulos se mete o nervosismo, o activismo e a dispersão é fácil ser conduzido ao vazio interior, à exaltação pessoal do ego, às queixas permanentes, ou a descentrar as actividades daquela fonte que permite a comunhão com o projecto de Deus, o cumprimento da Sua vontade e o compromisso radical da vida.

Estar, escutar são as atitudes fundamentais de quem é enviado em missão. Só assim terá como preocupação o acolhimento de Deus, o seu projecto e o levar a vida na fidelidade, no cumprimento da vontade de Deus e no compromisso concreto.

 

 

2- Cristo em vós a esperança da glória

Na sequência da liturgia de domingo passado: vai e faz o mesmo, hoje, somos convidados a nos fazermos próximos de Jesus Cristo: Cristo em nós. Ele que toma a iniciativa de vir ao nosso encontro, e nos lança a proposta de percorrermos com Ele o mesmo caminho.

Faz-nos o desafio de não nos descentrarmos do essencial com a correria nervosa, a superficialidade, a busca da imagem, ou uma vida azeda pelos queixumes, murmurações e criticas. Ou ainda nos perdermos no legalismo sem amor ou numa liturgia meramente ritual que não leva à vida.

Próximos de Jesus seremos próximos dos nossos irmãos a quem serviremos com a força e a frescura da novidade do Evangelho. E onde já não haverá disputa dos primeiros lugares, nem queixumes, nem ciúmes, nem calunias.

Os discípulos, todos nós, somos chamados, em primeiro lugar, para estarmos com Ele. O nosso encontro pessoal com Cristo pela oração, pela celebração consciente, serena, cheia de fé.

Chamados para a missão e o envio na assiduidade da Palavra escutada, mastigada, meditada, assimilada e feita acção, feita vida.

Pela consciência que significa percorrer o mesmo caminho que o Mestre. Caminho que leva à cruz. Por isso suportar tudo pelos outros e completar a paixão de Cristo. E buscar a glória na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pela entrega amorosa em benefício da Igreja, amando-a com todas as energias, servindo com toda a sabedoria e dando a vida por Ela.

Sem perder tempo e indo ao essencial: Anunciar Jesus Cristo. Anunciá-Lo com beleza, com profundidade, fazendo-o próximo de cada homem e de cada mulher.

Possuindo as atitudes correctas, típicas do Evangelho: atitudes das bem-aventuranças; da ternura de Deus; da Sua misericórdia; do acolhimento de todos; do afastamento radical de todos os preconceitos, fronteiras e acusações.

Numa linguagem que se entenda. Linguagem própria para o nosso tempo. Linguagem liberta, bela, soprada pelo Espirito Santo e no estudo pessoal.

 

Fala o Santo Padre

 

“Todas as vezes que recitamos o Pai-Nosso, a nossa voz entrelaça-se com a da Igreja,

porque quem reza nunca está sozinho.”

Queridos irmãos e irmãs!

O Evangelho deste domingo apresenta-nos Jesus recolhido em oração, um pouco retirado dos seus discípulos. Quando terminou, um deles disse-lhe: "Senhor, ensina-nos a orar" (Lc 11, 1). Jesus não fez objecções, não falou de fórmulas estranhas nem esotéricas, mas com muita simplicidade disse: "Quando orardes, dizei: Pai", e ensinou-lhes o Pai-Nosso (cf. Lc 11, 2-4), tirando-a da sua própria oração, com a qual se dirigia a Deus, seu Pai. São Lucas transmite-nos o Pai-Nosso numa forma mais breve em relação à do Evangelho de São Mateus, que entrou no uso comum. Estamos diante das primeiras palavras da Sagrada Escritura que aprendemos desde crianças. Elas imprimem-se na memória, plasmando a nossa vida, acompanham-nos até ao último respiro. Elas revelam que "não somos já de modo completo filhos de Deus, que no-lo devemos tornar e sê-lo cada vez mais mediante a nossa comunhão sempre mais profunda com Jesus. Ser filho torna-se o equivalente a seguir Cristo" (Bento XVI, Gesù di Nazaret, Milão 2007, p.168).

Esta oração acolhe e expressa também as necessidades humanas materiais e espirituais: "Dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; perdoai-nos os nossos pecados" (Lc 11, 3-4). E precisamente por causa das necessidades e das dificuldades de cada dia, Jesus exorta com vigor: "Digo-vos, pois: Pedi e dar-se-vos-á; quem procura encontra e ao que bate, abrir-se-á" (Lc 11, 9-10). Não é um pedir para satisfazer as próprias vontades, quanto ao contrário para manter viva a amizade com Deus, o qual – diz sempre o Evangelho – "dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem" (Lc 11, 13). Experimentaram-no os antigos "padres do deserto" e os contemplativos de todos os tempos, que se tornaram, pela oração, amigos de Deus, como Abraão, que implorou o Senhor para que poupasse os poucos justos do extermínio da cidade de Sodoma (cf. Gn 18, 23-32). Santa Teresa de Ávila convidava as suas irmãs de hábito, dizendo: "devemos suplicar a Deus para que nos liberte definitivamente de qualquer perigo e nos preserve de todo o mal. E por mais imperfeito que seja o nosso desejo, esforcemo-nos por insistir com este pedido. O que nos custa pedir muito, visto que nos dirigimos ao Omnipotente?" (Cammino, 60 (34), 4, em Opere complete, Milão 1998, p. 846). Todas as vezes que recitamos o Pai-Nosso, a nossa voz entrelaça-se com a da Igreja, porque quem reza nunca está sozinho. Cada fiel deverá procurar e poderá encontrar na verdade e na riqueza da oração cristã, ensinada pela Igreja, o próprio caminho, o seu modo de oração... portanto deixar-se-á conduzir... pelo Espírito Santo, o qual o guia, através de Cristo, para o Pai" (Congregação para a Doutrina da Fé, Alguns aspectos sobre a meditação cristã, 15 de Outubro de 1989, 29 AAS 82 [1990], 378).

Celebra-se hoje a festa do apóstolo São Tiago chamado "o Maior", o primeiro dos Apóstolos, que deixou o pai e o trabalho de pescador para seguir Jesus e por Ele deu a vida. Dirijo de coração um pensamento especial aos peregrinos que foram em grande número a Santiago de Compostela! A Virgem Maria nos ajude a redescobrir a beleza e a profundidade da oração cristã.

 

Bento XVI, Angelus em Castel Gandolfo a 25 de Julho de 2010

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos caríssimos:

Invoquemos o Senhor Jesus Cristo,

que ama todos os homens, os chama pelo seu nome,

e os envia como discípulos da boa nova.

Para que a resposta ao Evangelho de Jesus

seja digna de tão grande chamamento,

dirijamos ao Pai a nossa oração,

dizendo (ou:  cantando), com alegria:

 

R. Ouvi-nos Senhor.

Ou: Senhor, dai-nos a paixão pelo Evangelho.

Ou: ouvi-nos, ó Rei da eterna glória.

 

1-Pelo Papa Francisco, pelos bispos, presbíteros e diáconos,

para que aceitando o chamamento a permanecer  com Jesus,

façam das suas vidas uma missão que irradia

confiança, alegria, conversão e santidade.

oremos, irmãos.

 

2- Pelos cristãos, para que no apelo de São Paulo,

tenham Cristo no centro das suas vidas, actividades e opções;

sejam acolhedores, serviçais e vivam em comunhão eclesial,

oremos, irmãos.

 

3- Pelos governos de todo o mundo,

por todos os  que se dedicam à investigação científica,

para que tomem a defesa dos mais pobres,

defendam as famílias e protejam a vida,

oremos, irmãos.

 

4-Para que os homens saibam acolher, como Abraão,

os que vêm até eles com fome e com sede

e acreditem que o Senhor se esconde em cada pessoa, 

oremos, irmãos.

 

5- Por todos nós para que vivamos

o chamamento e a vocação baptismal,

e possamos compreender o que é completar em nós próprios

o que falta à Paixão de Jesus Cristo

oremos, irmãos.

 

 

Concedei, Senhor, a cada homem

a graça de vos servir nos mais pobres

e fazei que os cristãos do mundo inteiro,

à semelhança de Maria, irmã de Marta,

saibam escutar a palavra de Jesus.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Os dons que vos trazemos, F. Silva, NRMS 4(II)

 

Oração sobre as oblatas: Senhor, que levastes à plenitude os sacrifícios da Antiga Lei no único sacrifício de Cristo, aceitai e santificai esta oblação dos vossos fiéis, como outrora abençoastes a oblação de Abel; e fazei que os dons oferecidos em vossa honra por cada um de nós sirvam para a salvação de todos. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Senhor que eu busque sempre estar contigo. Contigo partilhe as preocupações, sofrimentos e alegrias dos meus irmãos e depois os faça partilhar das maravilhas surpreendentes do teu amor.

Que o meu fazer e a minha acção sejam consequência da comunhão contigo.

 

Cântico da Comunhão: Quem disser: «Eu amo a Deus», F. Silva, NRMS 73-74

cf. Salmo 110, 4-5

Antífona da comunhão: O Senhor misericordioso e compassivo instituiu o memorial das suas maravilhas, deu sustento àqueles que O temem.

 

Ou

Ap 3, 20

Eu estou à porta e chamo, diz o Senhor. Se alguém ouvir a minha voz e Me abrir a porta, entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo.

 

Cântico de acção de graças: Quanta alegria é para mim, H. Faria, NRMS 18

 

Oração depois da comunhão: Protegei, Senhor, o vosso povo que saciastes nestes divinos mistérios e fazei-nos passar da antiga condição do pecado à vida nova da graça. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vai e faz o Mesmo.

Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas quando uma só é necessária.

Só na sabedoria do acolhimento da pessoa e missão de Jesus é que o meu agir tem sentido.

Libertado da correria activista e do queixume poderei, com a paz que vem do encontro com o Deus vivo, oferecer a límpida e bela proposta da Boa Nova.

 

Cântico final: Seguros e fortes, F. Silva, NRMS 11-12

 

 

Homilias Feriais

 

16ª SEMANA

 

2ª Feira, 22-VII: Sta Maria Madalena: Procurar o Senhor com perseverança.

Cant 3, 1-4 / Jo 20, 1. 11-18

No primeiro dia da semana, Maria de Magdala foi de manhãzinha, ainda escuro, ao túmulo do Senhor.

 Procuremos encontrar o Senhor, ao longo do nosso dia. Haverá momentos em que será mais difícil, mas Ele está sempre à nossa espera, como aconteceu com Maria Madalena, e com o pai do filho pródigo. «A contemplação procura 'aquele que o meu coração ama' (Leit), que é Jesus, e n'Ele o Pai. Ele é procurado, porque desejá-lo é sempre o princípio do amor» (CIC, 2709).

A celebração da Eucaristia deve levar-nos a exclamar, como os Apóstolos (e também Maria Madalena), depois de terem encontrado o Ressuscitado: «Vimos o Senhor!» (Ev). Maria Madalena e as santas mulheres tiveram depois o privilégio de serem as primeiras mensageiras da Ressurreição.

 

3ª Feira, 23-VII: Santa Brígida: O rosto espiritual da Europa.

Gal 2, 19-20 / Jo 15, 1-8

Quando alguém permanece em mim e Eu nele, esse é que dá muito fruto porque, sem mim, nada podeis fazer.

Recorramos à protecção de Santa Brígida, Padroeira da Europa, para que todos nos aproximemos mais de Deus. Tenhamos presente que «Jesus conheceu-nos e amou-nos, a todos e a cada um, durante a sua vida, a sua agonia e a sua paixão, entregando-se por cada um de nós» (CIC, 478).

Ajudaremos a recristianizar a Europa se estivermos muito unidos a Jesus: «Jesus fala duma comunhão ainda mais íntima entre Ele e os que o seguem (Ev). A comunhão eucarística é um excelente modo de alcançarmos esta intimidade.

 

4ª Feira, 24-VII: Ouvido atento para não perder nada da palavra de Deus.

Ex 16, 1-5. 9-15 / Mt 13, 1-9

O semeador saiu para semear. Quando semeava, caíram sementes à beira do caminho; outras caíram em sítios rochosos...

A semente é a palavra de Deus, que é acolhida de modos muito diferentes (Ev).

«Na Antiga Aliança, a lembrança do maná do deserto (Leit) recordará sempre a Israel que é do pão da palavra de Deus que ele vive» (CIC, 1334). Na celebração eucarística recebemos igualmente a palavra de Deus. Estejamos pois atentos, evitando as distrações, para que não se perca nem uma só palavra, pois cada uma delas é um autêntico tesouro. A sementeira há-de chegar a terrenos muitos diversos: ao campo da cultura, aos meios de comunicação social; às terras de missão; aos lugares onde estiver cada um de nós.

 

5ª Feira, 25-VII: S. Tiago: Oferecimento da nossa vida ao Senhor.

2 Cor 4, 7-15 /Mt 20, 20-28

Não sabeis o que estais a pedir. Podeis beber o cálice que eu estou para beber? Eles responderam-lhe: Podemos!

 Recebemos do Senhor uma vida nova, através dos sacramentos: «Ora esta vida trazemo-la em 'vasos de barro' (Leit). A vida nova dos filhos de Deus pode ser enfraquecida e até mesmo perdida pelo pecado» (CIC, 1420).

«O Senhor sabia que poderiam imitar a sua paixão e, no entanto, pergunta-lhes, porque as coisas de muito valor não se conseguem a não ser por um preço muito elevado» (S. João Crisóstomo). S. Tiago respondeu afirmativamente e, de facto, ele foi o primeiro dos Apóstolos a dar a vida pelo Evangelho (Oração).

 

6ª Feira, 26-VII: S. Joaquim e Sta Ana: A herança que deles nasceu.

Sir 44, 1. 10-15 / Mt 13, 16-17

Eles foram homens virtuosos, e as suas obras justas não ficaram esquecidas. Na sua descendência permanece a excelente herança, que deles nasceu .

Hoje é o dia para louvarmos os pais de Nª Senhora, Joaquim e Ana. Foram eles que trouxeram ao mundo a Mãe de Deus. Permaneceu «a excelente herança, que deles nasceu» (Leit).

Eles puderam ver Maria Santíssima: «Felizes os olhos porque vêem, e os ouvidos porque ouvem» (Ev). Nossa Senhora «encarnou a lógica da Eucaristia em toda a sua existência. A Igreja, vendo em Maria o seu modelo, é chamada a imitá-la também na sua relação com este mistério Santíssimo. O pão eucarístico que recebemos é a carne imaculada do Filho: 'Ave verum, corpus natum de Maria Virgine'» (MN, 31).

 

Sábado, 27-VII: A libertação do mal e da morte.

Ex 24, 3-8 / Mt 13, 24-30

Moisés tomou o sangue e disse-lhes: este é o sangue da Aliança que o Senhor concluiu connosco, de acordo com todas estas palavras.

«Todos os membros da Igreja devem reconhecer-se pecadores. Em todos eles, o joio do pecado encontra-se ainda misturado com a boa semente do Evangelho até ao fim dos tempos (Ev)» (CIC; 827).

É necessária, pois, uma tarefa constante de purificação pelos nossos pecados. Mas a verdade é que «o pecado do ser humano ficou expiado, uma vez por todas, pelo Filho de Deus. No mistério pascal, realizou-se verdadeiramente a nossa libertação do mal e da morte» (SC, 9).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Armando R. Dias

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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