PAPA FRANCISCO

PATRIARCA DE LISBOA

A RECENTE ELEIÇÃO DO PAPA FRANCISCO

 

Damos a seguir um excerto do discurso do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José da Cruz Policarpo, na abertura da última Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, da qual é Presidente, em 8-IV-2013.

 

2. O segundo acontecimento é a recente eleição do Papa Francisco. Foi, no dinamismo do Conclave, uma autêntica surpresa do Espírito Santo e está a surpreender mesmo aqueles que o elegeram. Do seu ainda curto pontificado ressaltam algumas linhas de força que, inevitavelmente, nos interpelam no nosso ministério pastoral:

 

• O Bispo de Roma, que é Sucessor de Pedro, é um Pastor. O seu poder não se compreende à luz dos poderes deste mundo. As multidões precisam de ser amadas, atraídas pelo amor do Bom Pastor. Nesse amor, carregado de alegria e de ternura – logo no início falou-nos da importância da ternura na nossa relação pastoral – dá um lugar privilegiado aos pobres, aos marginalizados, a todos os que sofrem. Foi muito claro ao afirmar que o modelo de Igreja que o atrai é uma Igreja pobre, ao serviço dos pobres.

• Teve a ousadia de traduzir essa sua visão de Igreja nos símbolos exteriores da grandeza do ministério Petrino: a simplicidade no vestir, a renúncia às joias preciosas, escolher viver num sítio onde a convivência, em Igreja, seja dado fundamental.

• A predileção pelos jovens.

• Uma afirmação clara da atualidade do espírito conciliar, relativizando tensões e correntes, atualizando a esperança de João XXIII numa primavera da Igreja, que há de florir a partir das sementes do Concílio.

 

3. Este Papa é um sinal de esperança. Não deixar morrer a esperança já é sua mensagem explícita. Isso significa reformas inevitáveis na vida da Igreja? Com certeza. Toda a gente fala na reforma da Cúria; ele ainda não falou. Mas já deu para perceber a linha que seguirá:

Trata-se de conduzir esse grande serviço do ministério do Papa à sua verdade e à sua funcionalidade. Corrigir algo que também sentimos nas nossas Dioceses que é dar prioridade à vitalidade pastoral, não deixando que a burocracia administrativa tome o primeiro lugar. No caso da Cúria Romana a sua reforma tem de ser feita revalorizando a doutrina do Concílio Vaticano II sobre a colegialidade dos Bispos e a justa autonomia das Igrejas particulares. Esta reforma não pode ser feita a partir de erros e escândalos, concentrados num tão falado relatório. Os erros são para corrigir, as pessoas para converter. A Igreja será sempre o lugar da conversão e do perdão. E ele próprio já nos lembrou dois aspetos centrais: Deus perdoa amando; só não se abre ao perdão quem recusa o amor. E Deus perdoa sempre; nós é que podemos cansar-nos de lhe pedir perdão.

Estejamos abertos às exigências da surpresa. Também nas nossas estruturas diocesanas há muito que mudar, à luz dessa prioridade pastoral da Igreja. 

 

4. O Papa Francisco pediu-me duas vezes que consagrasse o seu novo ministério a Nossa Senhora de Fátima. É mandato que posso cumprir no silêncio da oração. Mas seria belo que toda a Conferência Episcopal se associasse à realização deste pedido. Maria guiar-nos-á em todos os nossos trabalhos e também na forma de dar cumprimento a este desejo do Papa Francisco.

 

Fátima, 8 de abril de 2013

 


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