acontecimentos eclesiais
DA SANTA SÉ
«CARITAS
INTERNATIONALIS»
CHEGA
À MATURIDADE
Num quirógrafo com data de 16 de Setembro passado,
dirigido ao Presidente da «Caritas Internationalis», arcebispo Youhanna Fouad
El-Hage, João Paulo II concede a esta instituição internacional católica a
personalidade jurídica canónica pública, de acordo com os cânones 116-123 do
Código de Direito Canónico.
Como se diz na Carta pontifícia, «desde o início, a
vida da comunidade cristã caracterizou-se pelo exercício efectivo da caridade,
expressa de maneira particular na atenção aos pobres e aos mais fracos». Há
quase dois séculos, nasceram no âmbito paroquial e diocesano alguns grupos com
esta finalidade, que posteriormente se chamaram Caritas e procuraram
coordenar-se a nível nacional e internacional. Por ocasião do Ano Santo de
1950, Pio XII deu vida a um organismo que reunia a nível da Igreja universal as
organizações caritativas nacionais autorizadas pelos respectivos Episcopados:
chamou-se «Conferência Internacional Católica de Caridade» e mais tarde caritas
Internationalis. Sob o impulso dos Romanos Pontífices, a Caritas
Internationalis tem vindo a crescer como uma Confederação de organismos
caritativos, com reconhecimento e prestígio também da parte das autoridades
civis.
Por essa razão o Papa concedeu-lhe a personalidade
jurídica canónica pública, confirmando os seus Estatutos e o seu Regulamento;
qualquer modificação necessita de ser confirmada pelo Papa, assim como a
mudança da sede social, que actualmente se encontra em Roma. Caritas
Internationalis continua dependente do Conselho Pontifício Cor Unum.
SÍNODO
DOS BISPOS
SOBRE
A EUCARISTIA
O Santo Padre recebeu em 16 de Novembro passado os
membros da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, que estão a preparar o próximo
Sínodo a celebrar-se em Outubro deste ano sobre o tema «A Eucaristia, fonte e
cume da vida e da missão da Igreja».
«O próximo Sínodo – disse – será uma ocasião propícia
para que na Igreja se confirme a fé no mistério adorável da Eucaristia, se
renove a comunhão colegial e se promova a caridade fraterna».
Referindo-se à Encíclica Ecclesia de Eucharistia
(2003) e à Carta apostólica Mane nobiscum, Domine (2004), o Santo Padre
sublinhou que ambos os documentos foram confiados à Igreja para que «a doutrina
e a praxis eucarísticas preparem a todos para a comunhão com o Senhor e com os
irmãos, segundo o mandato da caridade».
O Papa terminou desejando que «a Igreja, renovada na
descoberta do dom e do mistério da Eucaristia, estenda esta riqueza inesgotável
de vida aos mais próximos e aos mais afastados, mediante a obra urgente da nova
evangelização».
ENTREGA
DE RELÍQUIAS
À
IGREJA DE CONSTANTINOPLA
Durante uma celebração ecuménica presidida pelo Papa
na Basílica de São Pedro, em 27 de Novembro passado, João Paulo II entregou ao
Patriarca de Constantinopla Bartolomeu I as relíquias de S. Gregório Nazianzeno
e de S. João Crisóstomo, bispos e doutores da Igreja do Oriente.
Durante a Liturgia da Palavra, leram-se passagens
bíblicas e textos dos dois Santos doutores. A oração dos fiéis foi introduzida
pelo Papa e concluída pelo Patriarca.
Antes da entrega das relíquias, foi lida uma carta do
Santo Padre ao Patriarca Bartolomeu. «Na entrega de umas relíquias tão santas –
dizia o Papa – vemos uma ocasião bendita para purificar as nossas memórias
feridas, para consolidar o nosso caminho de reconciliação, para confirmar na fé
dos nossos Santos Doutores e das Igrejas do Oriente e Ocidente». E concluía:
«Amado irmão, não me cansarei nunca de procurar firme e resolutamente esta
comunhão entre os discípulos de Cristo, porque o um desejo em resposta à
vontade do Senhor é ser servo da comunhão na verdade e no amor».
Depois de receber as relíquias das mãos de João Paulo
II, o Patriarca Bartolomeu I disse umas palavras cheias de agradecimento ao
Papa, acrescentando: «Celebra-se hoje uma acto sagrado que repara uma anomalia
e uma injustiça eclesiástica. Este gesto fraterno da Igreja da Antiga Roma
confirma que não existem na Igreja de Cristo problemas insuperáveis, quando o
amor, a justiça e a paz se encontram na sagrada diaconia da reconciliação e da
unidade».
As relíquias de S. Gregório Nazianzeno foram trazidas
de Constantinopla para Roma por várias monjas bizantinas no séc. VIII, para as
salvar das perseguições iconoclastas dos imperadores do Oriente, que destruíam
as imagens sagradas e perseguiam quem as venerasse. As relíquias encontravam-se
na Basílica de São Pedro desde que em 1580 o Papa Gregório as pedira às
religiosas.
S. João Crisóstomo morreu no exílio e as suas relíquias
foram levadas para Constantinopla por ordem do imperador Teodósio. Na época das
Cruzadas, quando se constituiu o Império latino do Oriente (1204-1258), foram
trazidas para Roma.
No esclarecimento dado pelos Serviços de Informação do
Vaticano, diz-se: «Sem negar os trágicos acontecimentos do séc. XIII, com o
regresso – não a restituição – a Constantinopla das relíquias dos dois Santos,
igualmente venerados no Oriente e no Ocidente, exemplos luminosos da procura da
unidade e da paz da Igreja de Cristo, para além das polémicas e das
dificuldades do passado, pretende-se propor este exemplo edificante no III
milénio e suscitar uma oração comum de católicos e ortodoxos para a sua
comunhão plena».
INDULGÊNCIA
PLENÁRIA
DURANTE
O ANO DA EUCARISTIA
Com data de 25 de Dezembro passado, a Penitenciaria
Apostólica publicou um decreto em que o Santo Padre concede a Indulgência
Plenária a alguns actos de culto e de devoção ao Santíssimo Sacramento, durante
o Ano Eucarístico.
As condições habituais para se ganhar a Indulgência
Plenária são: confissão sacramental, Comunhão eucarística e oração pela
intenções do Santo Padre, com a alma totalmente desprendida do afecto a
qualquer pecado.
Os principais actos agora indulgenciados são: a
participação piedosa numa cerimónia em honra do Santíssimo Sacramento,
solenemente exposto ou conservado no Sacrário; a recitação diante do Santíssimo
Sacramento das Vésperas e Completas, em comum ou em privado. Os doentes que
estejam impossibilitados de visitar o Santíssimo Sacramento podem ganhar a
mesma Indulgência fazendo uma Comunhão espiritual e recitando o Pai Nosso e o
Credo, terminando com uma invocação piedosa a Jesus Sacramentado; nos casos
extremos, basta que se unam com o desejo aos que realizam os actos
indulgenciados, oferecendo a Deus Misericordioso a doença e os problemas da sua
vida.
O decreto pede aos sacerdotes que orientem os fiéis
nesta disposição da Igreja e que estejam disponíveis para atender as suas
confissões.