acontecimentos eclesiais
DO MUNDO
NAÇÕES UNIDAS
CONTINUA O DEBATE SOBRE
A CLONAGEM HUMANA
Depois de três anos de trabalho, a
Comissão Jurídica da ONU abandonou o projecto de convenção internacional contra
a clonagem de seres humanos; em seu lugar, vai elaborar uma declaração não
vinculante.
Em 2003, a Comissão não pôde decidir-se por
nenhuma das duas propostas rivais: a que proibia toda a espécie de clonagem
humana e a que permitia a clonagem «terapêutica». Os debates foram retomados em
Outubro de 2004 e logo se comprovou que
persistia o enfrentamento. O projecto de convenção apresentado pela Bélgica,
que só proíbe a clonagem «reprodutiva», contava com o apoio de 22 Estados; o
segundo, elaborado pela Costa Rica, tinha a seu favor 62 países, entre eles os
Estados Unidos. Ambos tinham ganho apoios desde 2003, com algumas mudanças de
grupo: Espanha passara para o lado da Bélgica e a Austrália mudara para o lado
da Costa Rica. Mas a maioria das delegações continuavam sem se definirem.
Finalmente, em 19 de Novembro passado
aprovou-se uma solução de compromisso, apresentada pela Itália, um dos países
alinhados com a Costa Rica. A proposta consistia em redigir uma declaração não
vinculante, em lugar de uma convenção. Foi encarregado um comité constituído
para o efeito, que se reunirá em Fevereiro deste ano. Depois a Comissão
Jurídica examinará o projecto e submetê-lo-á à Assembleia Geral da ONU.
O texto entregue com a proposta italiana insta
os Estados membros da ONU a «proibirem toda a tentativa de criar vida humana
mediante processos de clonagem e toda a investigação realizada com o fim de
conseguir esse objectivo». O grupo belga, que ao princípio pôs reparos ao termo
«vida humana», acabou por aceitar o texto italiano como base para futuras
negociações, talvez por interpretar esse termo como excluindo o embrião de
curta idade.
A Santa Sé, que na ONU tem o estatuto de Observador permanente,
contribuiu ao debate do ano passado na Comissão Jurídica com umas Considerações
muito pensadas. O texto, de cinco páginas e com abundantes referências a
estudos científicos, ressalta a necessidade de dar prioridade às investigações
com células-mães extraídas de pessoas adultas ou do cordão umbilical, que já
têm dado alguns resultados. Ao mesmo tempo, faz ver que a chamada clonagem
«terapêutica» não é, na realidade, senão «clonagem para a investigação».
Respeitar a vida humana é uma exigência ética fundamental – recorda; daí que
não faz sentido proibir a clonagem «reprodutiva» e não a «terapêutica». «A
clonagem com fins de reprodução e a clonagem com fins terapêuticos ou de investigação
não são dois tipos de clonagem diferentes; o processo técnico de clonagem é o
mesmo e só se distinguem nos objectivos desejados».
TURQUIA
PROBLEMAS
PARA INGRESSO
NA
UNIÃO EUROPEIA
Os bispos católicos dos países da União Europeia consideram que um país
maioritariamente muçulmano como a Turquia pode pertencer à União Europeia, mas
pensam que é preciso exigir-lhe o respeito dos direitos fundamentais, como a
liberdade religiosa e a igualdade de direitos das mulheres.
A Comissão das Conferências Episcopais
Europeias, na sua reunião plenária de Novembro passado, debruçou-se sobre o
Tratado Constitucional da EU e a abertura das negociações com a Turquia.
Segundo os 19 prelados representantes de
outras tantas Conferências Episcopais, a decisão de abrir negociações com a
Turquia não é um assunto de ordem religiosa, mas política, e merece uma
discussão profunda no seio de toda a sociedade civil. Para a Comissão, não
existe obstáculo de ordem religiosa, mas é necessário que a Turquia respeite
«os direitos fundamentais, como por exemplo a igualdade de direitos das
mulheres, a liberdade de expressão e de
associação e a liberdade religiosa». Estes pontos deviam estar presentes na
reunião de 16 e 17 de Dezembro, em Bruxelas, quando se decidiu a abertura de
negociações com a Turquia.
Quanto ao Tratado Constitucional, a Comissão
alegra-se por ele «reflectir os valores e objectivos da EU e a visão cristã do
ser humano com a inclusão de uma Carta de Direitos Fundamentais», mas lamenta
que «não exista nenhuma referência ao Cristianismo na versão final do preâmbulo
deste texto».
QATAR
CONFERÊNCIA INTERNACIONAL
DEFENDE O MATRIMÓNIO E A FAMÍLIA
A Conferência Internacional sobre a Família, celebrada em Doha (Qatar)
em 29 e 30 de Novembro passado, terminou com uma declaração que sublinha a
necessidade de proteger e fomentar o matrimónio e a instituição familiar.
O evento, organizado pelo governo do Qatar
(Arábia) para comemorar o X aniversário do Ano Internacional da Família (1994),
reuniu centenas de participantes de muito diferentes países e culturas:
delegados governamentais, parlamentares, líderes religiosos e especialistas de
diversos âmbitos. Entre os assistentes encontravam-se o Prémio Nobel de
Economia Gary Becker, o Cardeal Alfonso López Trujillo, presidente do Conselho
Pontifício para a Família, Mahatir Mohamad, ex-primeiro ministro da Malásia, e
o rabino norte-americano Daniel Lapin.
No preâmbulo da Declaração, os assistentes
comprometeram-se a criar um Instituto Internacional de Estudos sobre a Família.
O texto insiste na «obrigação que recai sobre os governos, as organizações
internacionais e os membros de qualquer nível da sociedade para proteger de
forma efectiva a família», como «natural e fundamental núcleo da sociedade».
A Declaração afirma também que «a
família tem a responsabilidade primária na educação e protecção dos filhos na
sua passagem da infância para a adolescência. Os pais têm o direito fundamental
de escolher o tipo de educação que os seus filhos devem receber e a liberdade
de garantir a educação religiosa e moral dos seus filhos de acordo com as suas
próprias convicções».