Ascensão
do Senhor
D.
M. das Comunicações Sociais
8 de Maio de 2005
RITOS INICIAIS
Cântico
de entrada: Reinos da terra, cantai a Deus, F. da Silva, NRMS 109
cf. Actos 1, 11
Antífona
de entrada: Homens da Galileia, porque
estais a olhar para o céu? Como vistes Jesus subir ao céu, assim há–de vir na
sua glória. Aleluia.
Diz–se o Glória.
Introdução ao espírito da
Celebração
A possibilidade de comunicar
é um dom de superior beleza; ocupa, a tempo inteiro, muitos milhares de
pessoas.
O envio e a recepção de
mensagens cruzam os espaços; destruíram barreiras.
O bem e o mal têm os seus
arautos.
Jesus partiu e como emissário
do Pai deixou-nos a maior das mensagens. Subiu mas permanece connosco na
Santíssima Eucaristia.
Acto Penitencial
Examinemos o uso que fazemos
dos livros, jornais, revistas, cinema, televisão... e quantos pecados de
omissão!
Oração
colecta: Deus omnipotente, fazei–nos
exultar em santa alegria e em filial acção de graças, porque a ascensão de
Cristo, vosso Filho, é a nossa esperança: tendo–nos precedido na glória como
nossa Cabeça, para aí nos chama como membros do seu Corpo. Ele que é Deus
convosco na unidade do Espírito Santo.
Liturgia da Palavra
Primeira Leitura
Monição: Jesus realizou a missão que o Pai lhe entregou,
fazendo e ensinando.
Trabalhemos
e passemos o Seu testemunho para subirmos espiritualmente e atingirmos Sua
justiça e nossa salvação.
Actos dos Apóstolos 1, 1-11
1No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as
coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio 2até
ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as
suas instruções aos Apóstolos que escolhera. 3Foi também a eles que,
depois da sua paixão, Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes
durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. 4Um dia em
que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas
que esperassem a promessa do Pai, «da Qual – disse Ele – Me ouvistes falar. 5Na
verdade, João baptizou com água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito
Santo, dentro de poucos dias». 6Aqueles que se tinham reunido
começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?» 7Ele
respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai
determinou com a sua autoridade; 8mas recebereis a força do Espírito
Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em
toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». 9Dito isto,
elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. 10E
estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes
dois homens vestidos de branco, 11que disseram: «Homens da Galileia,
porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado
para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».
Lucas começa o livro de Actos com o mesmo facto com que tinha terminado o seu Evangelho; a Ascensão desempenha assim na sua obra um papel de charneira, pois assinala tanto a ligação como a distinção entre a história de Jesus que se realiza aqui na terra (o Evangelho) e a história da Igreja que então tem o seu início (Actos).
3 «Aparecendo-lhes durante 40 dias». Esta precisão do historiador Lucas permite-nos esclarecer algo que no seu Evangelho não tinha ficado claro quanto ao dia da Ascensão, pois o leitor poderia ter ficado a pensar que se tinha dado no dia da Ressurreição. A verdade é que a Ascensão faz parte da glorificação e exaltação de Jesus; por isso S. João parece pretender uni-la à Ressurreição, nas palavras de Jesus a Madalena (Jo 20, 17), podendo falar-se duma ascensão invisível no dia de Páscoa, sem que em nada se diminua o valor do facto sucedido 40 dias depois e aqui relatado: a Ascensão visível de Jesus, que marca um fim das manifestações visíveis aos discípulos, «testemunhas da Ressurreição estabelecidas por Deus», engloba uma certa glorificação acidental do Senhor ressuscitado, «pela dignidade do lugar a que ascendia», como diz S. Tomás de Aquino (Sum. Theol., III, q. 57, a. 1). Há numerosas referências à Ascensão no Novo Testamento: Jo 6, 62; 20, 17; 1 Tim 3, 26; 1 Pe 3, 22; Ef 4, 9-10; Hbr 9, 24; etc.. Mas a Ascensão tem, além disso, um valor existencial excepcional, pois nos atinge hoje em cheio: Cristo, ao colocar à direita da glória do Pai a nossa frágil natureza humana unida à Sua Divindade (Cânon Romano da Missa de hoje), enche-nos de esperança em que também nós havemos de chegar ao Céu e diz-nos que é lá a nossa morada, onde, desde já, devem estar os nossos corações, pois ali está a nossa Cabeça, Cristo.
4 «A Promessa do Pai, da qual Me ouvistes falar». Na despedida da Última Ceia, Jesus não se cansou de falar aos discípulos do Espírito Santo: Jo 14, 16-17.26; 16, 7-15.
5 «Baptizados no Espírito Santo», isto é, inundados de enorme força e luz do Espírito Santo, cheio dos seus dons, dez dias depois (cf. Act 2, 1-4).
8 «Minhas Testemunha em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da Terra». Estas Palavras do Senhor são apresentadas por S. Lucas para servirem de resumo temático do seu livro; o que nos vai contar ilustrará como a fé cristã se vai desenvolver progressivamente seguindo estas 3 etapas geográficas: Act 2 – 7; 8 – 12; 13 – 28.
Salmo Responsorial Sl 46 (47), 2–3.6–7.8–9 (R. 6)
Monição: Este
salmo é um cântico de festa litúrgica solene, no qual o povo é convidado a
exaltar a Deus, rei de Israel e de todo o universo.
Nada em nós fique ocioso;
concordou entre si a língua e as mãos.
Trabalhem estas e aclame
aquela.
Jesus subiu entre aclamações.
Refrão: Por entre aclamações e
ao som da trombeta,
ergue–Se Deus, o Senhor.
Ou: Ergue–Se Deus,
o Senhor,
em júbilo e ao som da
trombeta.
Povos todos, batei palmas,
aclamai a Deus com brados de
alegria,
porque o Senhor, o Altíssimo,
é terrível,
o Rei soberano de toda a
terra.
Deus subiu entre aclamações,
o Senhor subiu ao som da
trombeta.
Cantai hinos a Deus, cantai,
cantai hinos ao nosso Rei,
cantai.
Deus é Rei do universo:
cantai os hinos mais belos.
Deus reina sobre os povos,
Deus está sentado no seu trono
sagrado.
Segunda Leitura
Monição: A
aspiração de S. Paulo é o bem de todos os filhos de Deus.
Um coração iluminado, um
espírito enriquecido, facilitam a posse da riqueza que o Senhor nos legou.
Trabalhemos para que a nossa esperança se concretize – cheguemos ao céu.
Efésios 1, 17-23
Irmãos: 17O Deus de
Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de
sabedoria e de luz para O conhecerdes plenamente 18e ilumine os
olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados,
os tesouros de glória da sua herança entre os santos 19e a
incomensurável grandeza do seu poder para nós os crentes. Assim o mostra a
eficácia da poderosa força 20que exerceu em Cristo, que Ele
ressuscitou dos mortos e colocou à sua direita nos Céus, 21acima de
todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania, acima de todo o nome que é
pronunciado, não só neste mundo, mas também no mundo que há-de vir. 22Tudo
submeteu aos seus pés e pô-l’O acima de todas as coisas como Cabeça de toda a
Igreja, 23que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo
em todos.
Neste texto temos um dos principais temas da epístola: a Igreja como Corpo (místico) de Cristo. A Igreja é a plenitude de Cristo, «o Cristo total» (S. Agostinho). A Igreja recebe da sua Cabeça, Cristo, não só a chefia, mas o influxo vital, a graça; vive a vida de Cristo. Jesus sobe ao Céu, mas fica presente no mundo, na sua Igreja.
17 «O Deus de N. S. J. Cristo». «O Pai é para o Filho fonte da natureza divina e o criador da sua natureza humana: assim Ele é, com toda a verdade, o Deus de N. S. J. C.» (Médebielle). «O Pai da glória», isto é, o Pai a quem pertence toda a glória, toda a honra intrínseca à sua soberana majestade. «Um espírito», o mesmo que um dom espiritual. Não se trata do próprio Espírito Santo; uma vez que não tem artigo em grego, trata-se pois de uma graça sua.
20-22 Ternos aqui a referência a um tema central já tratado em Colosenses: a supremacia absoluta de Cristo, tendo em conta a sua SS. Humanidade, uma vez que pela divindade é igual ao Pai. A sua supremacia coloca-O «acima de todo o nome», isto é, acima de todo e qualquer ser, de qualquer natureza que seja, e qualquer mundo a que pertença. Mas aqui a atenção centra-se num domínio particular de Cristo, a saber, na sua Igreja, da qual Ele é não apenas o Senhor, mas a Cabeça. A Igreja é o «Corpo de Cristo»; ela é o plêrôma de Cristo, isto é, o seu complemento ou plenitude: a igreja é Cristo que se expande e se prolonga nos fiéis que aderem a Ele. (Alguns autores preferem entender o termo plêrôma no sentido passivo: a Igreja seria plenitude de Cristo, enquanto reservatório das suas graças e merecimentos que ela faz chegar aos homens).
23 «Aquele que preenche tudo em todos». A acção de Cristo é sem limites, especialmente na ordem salvífica; a todos faz chegar a sua graça, sem a qual ninguém se pode salvar. No entanto, é mais corrente preferir, com a Vulgata, outro sentido a que se presta o original grego: «A Igreja é a plenitude daquele que se vai completando inteiramente em todos os seus membros»; assim, a Igreja completa a Cristo, e Cristo é completado pelos seus membros (é uma questão de entender como passivo, e não médio, o particípio grego plêrouménou, de acordo com o que acontece em outros 87 casos do N. T.).
Pode utilizar-se outra, como 2ª leitura:
Hebreus 9, 24-28; 10, 19-23
24Cristo não entrou num santuário feito por mãos
humanas, figura do verdadeiro, mas no próprio Céu, para Se apresentar agora na
presença de Deus em nosso favor. 25E não entrou para Se oferecer
muitas vezes, como o sumo sacerdote que entra cada ano no santuário, com sangue
alheio; 26nesse caso, Cristo deveria ter padecido muitas vezes,
desde o princípio do mundo. Mas Ele manifestou-Se uma só vez, na plenitude dos
tempos, para destruir o pecado pelo sacrifício de Si mesmo. 27E como
está determinado que os homens morram uma só vez – e a seguir haja o julgamento
–, 28assim também Cristo, depois de Se ter oferecido uma só vez para
tomar sobre Si os pecados da multidão, aparecerá segunda vez, sem aparência de
pecado, para dar a salvação àqueles que O esperam. 19Tendo nós plena
confiança de entrar no santuário por meio do sangue de Jesus, 20por
este caminho novo e vivo que Ele nos inaugurou através do véu, isto é, o
caminho da sua carne, 21e tendo tão grande sacerdote à frente da
casa de Deus, 22aproximemo-nos de coração sincero, na plenitude da
fé, tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado na água pura.
23Conservemos firmemente a esperança que professamos, pois Aquele
que fez a promessa é fiel.
A leitura é respigada do final da primeira parte de Hebreus em que o autor sagrado expõe a superioridade do sacrifício de Cristo sobre todos os sacrifícios da Lei antiga (8, 1 – 10, 18). Aqui Jesus é apresentado como o novo Sumo Sacerdote da Nova Aliança, em contraste com o da Antiga, que precisava de entrar cada ano – «com sangue alheio» –, no dia da expiação (o Yom Kippur: cf. Ex 16) «num santuário feito por mãos humanas», ao passo que Jesus entra «no próprio Céu» (v. 24), não precisando de o fazer «muitas vezes» (v. 25-26), pois, «uma só vez» bastou «para destruir o pecado pelo sacrifício de Si mesmo» (v. 26), por meio do seu próprio sangue. Como habitualmente, o autor aproveitando a exposição doutrinal para fazer ricas exortações práticas apela, um pouco mais adiante (10, 19-23), para a virtude da «esperança» de também nós podermos chegar ao Céu, apoiados na certeza das promessas de Cristo. A «água pura» é certamente a do Baptismo (cf. 1 Pe 3, 21), que não pode ser encarado à margem da fé e da pureza da consciência. Notar como a SS. Humanidade de Jesus – «o caminho da sua carne» – é focada como o véu do Templo, o que bem pode evocar a nuvem da Ascensão, que ao mesmo tempo esconde e revela a presença invisível de Cristo ressuscitado.
Aclamação ao Evangelho Mt 28, l9 a. 20b
Monição: Falamos
no credo no mundo das coisas visíveis e no das invisíveis.
A Eucaristia é a ponte que
liga a dois mundos. Com que amor deveríamos desejá-la e recebê-la!
Aleluia
Cântico:
Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51
Ide e ensinai todos os povos,
diz o senhor:
Eu estou sempre convosco até
ao fim dos tempos.
Evangelho
São Lucas 24, 46-53
Naquele tempo, disse Jesus aos
seus discípulos: «Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar
dos mortos ao terceiro dia e que havia de ser pregado em seu nome o
arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por
Jerusalém. Vós sois testemunhas disso. Eu vos enviarei Aquele que foi prometido
por meu Pai. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos com a
força do alto». Depois Jesus levou os discípulos até junto de Betânia e,
erguendo as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-Se deles e foi
elevado ao Céu. Eles prostraram-se diante de Jesus, e depois voltaram para
Jerusalém com grande alegria. E estavam continuamente no templo, bendizendo a
Deus.
Estes versículos finais do Evangelho de Lucas encerram como que uma síntese de todo o Evangelho: Jesus cumpre as profecias com a sua Paixão e Ressurreição, com que nos obtém o perdão dos pecados, que tem de ser pregado a todos os povos, a partir de testemunhas credenciadas, e com a força do Espírito Santo.
49 «Aquele que foi prometido», à letra, a Promessa do meu Pai, o Espírito Santo, segundo se diz em Act 2, 23 (cf. Jo 15, 26). Não deixa de ser curioso notar que, só pela leitura do Evangelho de S. Lucas poderíamos ser levados a pensar que a Ascensão se deu no Domingo de Páscoa. No entanto, possuímos dados suficientes, a partir de todos os restantes Evangelhos, para saber que não foi assim. O próprio S. Lucas, em Actos, diz que Jesus foi aparecendo durante 40 dias (Act 1, 3).
52-53 «Voltaram para Jerusalém». A terminar o seu Evangelho, Lucas mais uma vez deixa ver a importância teológica de Jerusalém: onde tinha começado a sua narração, com o anúncio do nascimento do Baptista, aqui culmina a obra salvadora de Jesus, com a sua Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão aos Céus, por isso Ele, «quando estava para se cumprir o tempo da sua partida, decidiu firmemente caminhar rumo a Jerusalém» (Lc 9, 51); daqui hão-de partir os discípulos para levar a boa-nova até aos confins da terra.
Sugestões para a homilia
Nascemos no mundo visível e
sabemos de que é formado: do Sol e das outras estrelas, do ar e da água, dos
montes e das planícies, das plantas e dos animais e sobretudo das nações e dos
homens.
O invisível é mais verdadeiro
que este, bastante mais maravilhoso e próximo de nós.
Não nos admiremos se os
nossos sentidos são incapazes de perceber o mundo invisível, pois não apreendem
senão uma parte mínima do que existe: a maior, a mais bela realidade
escapa-lhes. Para já vivemos de fé; a fé na ascensão de Cristo ao mundo
invisível.
Aquele que criou os céus
visíveis, o Sol ofuscante, as flores coloridas, os homens que se vêem entre si
é invisível.
O Deus omnipotente que existe
mais real e mais intensamente do que todos nós, não podemos achá-Lo com os
nossos sentidos.
Deus está em toda a parte,
nós, então, nunca estamos sós!
Um Pai amorosíssimo nos
acompanha, um observador terrível a todo o momento perscruta a nossa mente e o
nosso coração.
Deus invisível quis tornar-se
uma coisa que se vê.
Tomou carne humana no seio da
Virgem Maria e nasceu neste mundo sensível.
Por mais de trinta anos viveu
como qualquer um de nós: falava, bebia, comia, andava, sofria.
Nele não havia falhas –
pecado.
Na ascensão voltou ao seu
mundo invisível, onde prometeu preparar um lugar para cada um de nós. Mas nos
inesgotáveis recursos do seu amor, Ele nos deu um sinal que se vê e se toca,
para nos dirigirmos sem errar para a sua pessoa que não se vê nem se toca.
Este sinal é a branca Hóstia
consagrada; ali está Jesus vivo e verdadeiro, o qual, não visto, nos vê, o qual
não ouvido, nos escuta.
No reino do mundo estão
somente os ricos, que podem permitir-se ao luxo de se fazerem servir;
No reino de Deus todos, até
mesmo o mais miserável e deserdado tem por servo e guarda um anjo. O reino de
Deus é de Amor.
Quando sobre nós descer a
última definitiva noite nenhum medo nos abata; dessa escuridão aflorará outro
mundo, imenso e bem-aventurado – o invisível.
Veremos a Deus como Ele é;
veremos a doce e adorável humanidade Cristo; veremos o lugar para onde subiu,
aí habitaremos com Nossa Senhora, os anjos e santos.
«Ao terceiro dia ressuscitou
dos mortos; subiu ao céu»...e dizemos: «creio na comunhão dos santos».
Bonitas maravilhas de que o
Senhor nos tornou herdeiros.
Fala o Santo Padre
MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO
II
PARA A 39ª JORNADA MUNDIAL
DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
«Os meios de comunicação:
ao serviço da compreensão entre os povos»
Queridos Irmãos e Irmãs
1. Lemos na Carta de São
Tiago: «De uma mesma boca procedem a bênção e a maldição. Não convém, meus
irmãos, que seja assim» (Tg 3, 10). As Sagradas Escrituras nos recordam
que as palavras têm um extraordinário poder para unir as pessoas ou dividi-las,
para criar vínculos de amizade ou provocar hostilidade.
Esta não é uma verdade que diz
respeito somente ás palavras trocadas entre as pessoas. Aplica-se a toda
comunicação, em qualquer lugar em qualquer nível. As modernas tecnologias nos
oferecem possibilidades nunca vistas antes para fazer o bem, para difundir a
verdade de nossa salvação em Jesus Cristo, e para promover a harmonia e a reconciliação.
Por isso mesmo o seu mal uso pode provocar danos enormes, provocando
incompreensão, preconceitos e até conflitos. O tema escolhido para a Jornada
Mundial das Comunicações Sociais do ano 2005, «Os Meios de Comunicação ao
Serviço da compreensão entre os povos», assinala uma necessidade urgente:
promover a unidade da Família humana através da utilização destes maravilhosos
recursos.
2. Um modo importante para se
alcançar esta meta é a educação. Os meios podem mostrar a milhões de pessoas
como são outras partes do mundo e outras culturas. Por isso são chamados
acertadamente «o primeiro areópago do tempo moderno» para muitos são o
principal instrumento informativo e formativo, de orientação e inspiração para
os comportamentos individuais, familiares e sociais (Redemptoris missio,
37). Um conhecimento adequado promove a compreensão, dissipa os
preconceitos e desperta o desejo de aprender mais. As imagens, em particular,
têm a capacidade de transmitir impressões duradouras e modelar atitudes.
Ensinam as pessoas a olharem os membros de outros grupos e nações, exercendo
uma influência subtil sobre o modo pelo qual devem ser considerados; como
amigos ou inimigos, aliados ou potenciais adversários.
Quando os demais são
apresentados em termos hostis, semeiam sementes de conflito que podem
facilmente converter-se em violência, guerra, e incluso genocídio. Em vez de
construir a unidade e o entendimento, os meios podem ser usados para denegrir
os outros grupos sociais, étnicos e religiosos, fomentando o temor e o ódio .
Os responsáveis pelo estilo e o conteúdo daquilo que se comunica têm o grave
dever de assegurar que isto não suceda. Realmente os meios têm um potencial
enorme para promover a paz e construir pontes entre os povos, rompendo o
círculo fatal da violência, vingança e as agressões sem fim, tão difundidas em
nosso tempo. Nas palavras de São Paulo, que foi a base da mensagem para a
Jornada Mundial da Paz deste ano: «Não te deixes vencer pelo mal, antes vence o
mal com o bem» (Rm 12, 21).
3. Se esta contribuição à
construção da paz é um dos modos significativos de como os meios podem unir as
pessoas, têm também grande influência positiva para impulsionar as mobilizações
de ajuda em resposta a desastres naturais ou outros. Tem sido comovente ver a
rapidez com que a comunidade internacional respondeu ao recente Tsunami, que
provocou inúmeras vítimas. A velocidade com que as notícias viajam hoje aumenta
a possibilidade de se tomar medidas práticas em tempo útil para oferecer a
melhor assistência. Desta maneira, os meios podem conseguir um bem muito
grande.
4. O Concilio Vaticano II nos
recorda: «Para o recto uso destes meios é absolutamente necessário que todos os
que servem deles conheçam e ponham fielmente em prática neste campo, as normas
da ordem moral». (Inter Mirifica, 4).
O princípio ético fundamental
é este: «A pessoa e a comunidade humanas são a finalidade e a medida do uso dos
meios de comunicação social: a comunicação deveria realizar-se de pessoa a
pessoa, para o desenvolvimento integral das mesmas» (Ética nas comunicações
sociais, 21). Assim sendo, são os comunicadores que devem em primeiro lugar
colocar em pratica nas suas vidas os valores e atitudes que são chamados a
cultivar nos demais. Antes de tudo deve se incluir um autêntico compromisso com
o bem comum, um bem que não se reduza aos estreitos interesses de um grupo
particular ou nação, se não que acolha as necessidades e interesses de todos, o
bem da família humana ( cf. Pacem in Terris,132). Os
comunicadores têm a oportunidade de promover uma autêntica cultura da vida,
distanciando-se da actual conjuntura contra a vida (cf. Evangelium vitae,
17) transmitindo a verdade sobre o valor e a dignidade de toda pessoa humana.
5. O modelo e a pauta de toda
comunicação encontra-se no próprio Verbo de Deus «de muitos modos falou Deus a
nossos pais por meio dos profetas; nestes últimos tempos nos falou por meio do
seu Filho» (Heb 1, 1). O Verbo encarnado estabeleceu uma nova aliança
entre Deus e seu povo, uma aliança que também nos une, convertendo-nos em comunidade.
«De facto, ele é a nossa paz: de dois povos fez um só povo, em sua carne
derrubando o muro da inimizade que os separava» (Ef 2, 14)
Minha Oração na Jornada
Mundial das Comunicações Sociais deste ano é que os homens e as mulheres dos
meios de comunicação assumam seu papel para derrubarem os muros da divisão e a
inimizade em nosso mundo, muros que separam os povos e as nações entre si e
alimentam a incompreensão e a desconfiança. Oxalá usem os recursos que têm a
sua disposição para fortalecer os vínculos de amizade e amor que são sinais
claros do nascente Reino de Deus aqui na terra.
João Paulo II, Vaticano, 24
de Janeiro de 2005, festa de São Francisco de Sales.
Oração Universal
Irmãos, oremos a Deus
todo-poderoso,
e imploremos a misericórdia d’Aquele
que não deseja a morte do
pecador,
mas antes que se converta e
viva.
1. Pela Santa Igreja de Deus:
para que, fiel
ao mandamento de Cristo,
continue firme
no ensino da doutrina Sagrada e certa de que é depositária,
oremos, irmãos.
2. Pelos
governantes das nações:
para que
promulguem leis justas
que respeitem
os direitos de Deus e dos Homens,
a começar pelo
direito à vida e à família una, indissolúvel e fecunda,
oremos, irmãos.
(outras
intenções)
Senhor
nosso Deus e nosso Pai, fazei-nos encontrar em Jesus Cristo
a fonte da água viva onde a
nossa sede de justiça e santidade
se possa saciar em plenitude.
Ele que é Deus convosco na
unidade do Espírito Santo.
Liturgia Eucarística
Cântico
do ofertório: O Pai vos enviará o Espírito Santo, F. da Silva, NRMS 58
Oração
sobre as oblatas: Recebei, Senhor, o
sacrifício que Vos oferecemos ao celebrar a admirável ascensão do vosso Filho
e, por esta sagrada permuta de dons, fazei que nos elevemos às realidades do
Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade
do Espírito Santo.
Prefácio da Ascensão: p. 474
[604–716]
No Cânone Romano dizem–se o Communicantes (Em comunhão com toda a
Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai
benignamente, Senhor) próprios.
Nas Orações Eucarísticas II e
III fazem–se também as comemorações próprias.
Santo:
Santo IV, H. Faria, NRMS 103-104
Monição da Comunhão
Purificados, sem manchas
graves, podemos participar no banquete eucarístico, o pão dos fortes.
Cântico
da Comunhão: Eu estou sempre convosco, C. Silva, Cânticos de Entrada e Comunhão I, pág. 155
Mt 28, 20
Antífona
da comunhão: Eu estou sempre convosco
até ao fim dos tempos. Aleluia.
Cântico
de acção de graças: Cantarei ao Senhor, por tudo, F. da Silva, NRMS 70
Oração
depois da comunhão: Deus eterno e
omnipotente, que durante a nossa vida sobre a terra nos fazeis saborear os
mistérios divinos, despertai em nós os desejos da pátria celeste, onde já se
encontra convosco, em Cristo, a nossa natureza humana. Ele que é Deus convosco
na unidade do Espírito Santo.
Ritos Finais
Monição final
Prometamos a Jesus durante o
dia o que nos sugere a jaculatória: Meu Deus eu creio, adoro, espero, amo-vos e
rezo...
Cântico
final: Ide por todo o mundo e proclamai, J. Santos, NRMS 59
Celebração
e Homilia: Ferreira de Sousa
Nota
Exegética: Geraldo Morujão
Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha