Solenidade do Pentecostes

 

Missa do Dia

15 de Maio de 2005

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde, Espírito Divino, M. Borda, NRMS 35

Sab 1, 7

Antífona de entrada: O Espírito do Senhor encheu a terra inteira; Ele, que abrange o universo, conhece toda a palavra. Aleluia.

 

Ou:

Rom 5, 5; 8, 11

O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que habita em nós. Aleluia.

 

Diz–se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

«Todos ficaram cheios do Espírito Santo!» Começa assim a narração da festa de Pentecostes. Celebremos com alegria o Mistério da vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos, no princípio da Igreja nascente e peçamos que desça também abundantemente sobre a Igreja, no início deste novo milénio.

 

Oração colecta: Deus do universo, que no mistério do Pentecostes santificais a Igreja dispersa entre todos os povos e nações, derramai sobre a terra os dons do Espírito Santo, de modo que também hoje se renovem nos corações dos fiéis os prodígios realizados nos primórdios da pregação do Evangelho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: «Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam». É assim que S. Lucas nos relata a vinda do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos, reunidos em oração, no Cenáculo, em Jerusalém.

 

Actos dos Apóstolos 2, 1-11

1Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. 3Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. 5Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. 6Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. 7Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? 8Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? 9Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, 11tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».

 

1 «Pentecostes» significa, em grego, quinquagésimo (dia depois da Páscoa). Os Judeus chamavam-lhe festa das Semanas (em hebraico, xevuôth, 7 semanas depois da Páscoa). Era uma festa em que se ofereciam a Deus as primícias das colheitas, num gesto de acção de graças. Mais tarde, os rabinos também lhe deram o sentido da comemoração da promulgação da Lei no Sinai.

3 «Línguas de fogo que se iam dividindo». O fogo toma esta forma talvez para significar o dom das línguas. Esta nova divisão das línguas tem a finalidade de unir os homens numa mesma fé e não de os separar com aquela divisão das línguas de que se fala no Génesis (11, 1-9).

4 «Começaram a falar outras línguas». Jesus tinha anunciado este prodígio, até então desconhecido (cf. Mc 16, 17). Trata-se de um fenómeno sobrenatural, não do simples fenómeno de exaltação. No entanto, não há total acordo entre os exegetas para explicar o milagre das línguas do Pentecostes. A explicação mais habitual é que os Apóstolos falaram então verdadeiros idiomas novos (cf. Mc 16, 17), mas em Actos não se fala de línguas novas (kainais), como em Marcos, mas de línguas diferentes (cf. v. 4: hetérais). Alguns dizem que o milagre estava nos ouvintes que ouviam na própria língua das terras donde vinham (v. 8) aquilo que os Apóstolos diziam em aramaico. Outros, especialmente nos nossos dias, põe este milagre em relação com o dom das línguas, ou glossolalia, carisma de que se fala em 1 Cor 14, 2-33: seria um tipo de oração extática, especialmente de louvor, em que se articulavam sons ininteligíveis (algo parecido com aquele fenómeno místico a que Santa Teresa de Jesus chama «embriaguez espiritual, júbilo místico»); sendo assim, o que aconteceu de particular no dia do Pentecostes, foi que não era preciso um intérprete (como em 1 Cor 14, 27-28) para que os ouvintes entendessem o que diziam os Apóstolos: os ouvintes de boa fé receberam o dom de interpretar o que os Apóstolos diziam, ao passo que os mal dispostos diziam que eles estavam ébrios (v. 13). De qualquer modo, em Actos nunca se diz que a pregação de Pedro (cf. vv. 14-36) foi em línguas; o discurso aparece como posterior a este fenómeno referido no v. 4.

9-11 Temos aqui uma vasta referência às diversas procedências dos judeus da diáspora: uns teriam mesmo vindo em peregrinação, outros seriam emigrantes que se tinham fixado na Palestina. De qualquer modo, esta enumeração bastante exaustiva e ordenada (a partir do Oriente para Ocidente) põe em evidência a universalidade da Igreja, que é católica logo ao nascer, destinada a todos os homens de todas as procedências, manifestando-se esta catolicidade na capacidade que todos têm para captar e aderir à pregação apostólica. Por outro lado, também a unidade da Igreja se deixa ver na única mensagem e no único Baptismo que todos recebem; como se lê na 2.ª leitura de hoje, (v. 13) «a todos nos foi dado beber um único Espírito».

 

Salmo Responsorial    Sl 103 (104), lab.24c.29bc–30.31.34

 

Monição: O salmo de hoje é um hino de louvor a Deus Pai Criador do universo: Grato Lhe seja o nosso Canto! Glória a Deus para sempre! O Espírito divino dá vida a toda a criação. Cheios de confiança cantemos em comunhão com todos os crentes: Mandai, Senhor, o Vosso Espírito e renovai a terra.

 

Refrão:        Enviai, Senhor, o vosso Espírito

                     e renovai a face da terra.

 

Ou:               Mandai, Senhor o vosso Espírito,

                     e renovai a terra.

 

Ou:               Aleluia.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

Senhor, meu Deus, como sois grande!

Como são grandes, Senhor, as vossas obras!

A terra está cheia das vossas criaturas.

 

Se lhes tirais o alento, morrem

e voltam ao pó donde vieram.

Se mandais o vosso espírito, retomam a vida

e renovais a face da terra.

 

Glória a Deus para sempre!

Rejubile o Senhor nas suas obras.

Grato Lhe seja o meu canto

e eu terei alegria no Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo sintetiza a riqueza da nossa vocação cristã: baptizados no Espírito Santo, formarmos o povo de Deus.

 

1 Coríntios 12, 3b-7.12-13

Irmãos: 3bNinguém pode dizer «Jesus é o Senhor», a não ser pela acção do Espírito Santo. 4De facto, há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. 5Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 6Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. 7Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. 12Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. 13Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito.

 

O contexto em que fala S. Paulo aos Coríntios é o de certa confusão que reinava na comunidade acerca dos carismas, em especial os de linguagem. Para começar avança com um critério de discernimento: que quem fala o faça de acordo com a verdadeira fé: «Jesus é o Senhor» é a confissão de fé na divindade de Jesus. Senhor equivale a Yahwéh na tradução grega dos LXX para o nome divino. Um acto de fé não se pode fazer só pelas próprias forças, é fruto da graça do Espírito Santo, que pelos seus dons, especialmente o do entendimento e o da sabedoria aperfeiçoam essa mesma fé.

4-5 Pertence à essência da vida da Igreja haver sempre, diversidade de dons espirituais (carismas), ministérios e operações. Estas três designações referem-se fundamentalmente aos mesmos dons de Deus em favor da edificação da Igreja, mas cada um destes três nomes foca um aspecto: a sua gratuidade, a sua utilidade e a sua manifestação do poder actuante de Deus. S Paulo apropria cada um destes aspectos a cada uma das três Pessoas divinas. Toda esta diversidade e variedade de dons procede da unidade divina e concorre para que a unidade a Igreja – um só Corpo (v. 13) – seja mais rica. O Concílio Vaticano II – L. G. 12 – recorda normas práticas acerca destes carismas, ou dons que Deus concede aos fiéis para «renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja, para o bem comum» (v. 7). E diz que os dons extraordinários não se devem pedir temerariamente, nem deles se devem esperar, com presunção, os frutos das obras apostólicas; e o juízo acerca da sua autenticidade e recto uso, pertence àqueles que presidem na Igreja, a quem compete de modo especial não extinguir o Espírito, mas julgar e conservar o que é bom (cf. 1 Tes 5, 12.19-21). Não se pode opor o carismático ao jerárquico: a vida da Igreja, que se expande pelos carismas, tem que se manter na esfera da verdade, garantida pela Jerarquia, a fim de que seja verdadeira vida, e não mera excrescência doentia e anormal, porventura um princípio de auto-destruição.

12 «Assim como o corpo...». A comparação não é original, mas da literatura profana. S. Paulo adapta-a maravilhosamente à Igreja, concebida como um corpo onde não pode haver rivalidades e divisão: «um só corpo». Aqui está latente a doutrina do Corpo Místico explanada em Colossenses e Efésios, mas ainda não se considera de facto a Igreja universal, o Corpo de Cristo, apenas se considera que os cristãos de Corinto são um organismo – um corpo – dependente de Cristo e com a mesma vida de Cristo (v. 27).

13 «E a todos nos foi dado beber um único Espírito». Os exegetas, tendo em conta que no v. anterior já se tinha falado do Baptismo, pensam em geral haver aqui uma referência ao Sacramento da Confirmação, pois então estes Sacramentos se costumavam receber juntos (cf. Act 19, 5-6).

 

SEQUÊNCIA

 

Vinde, ó santo Espírito,                                          Sem a vossa força

vinde, Amor ardente,                                               e favor clemente

acendei na terra                                                      nada há no homem

vossa luz fulgente.                                                  que seja inocente.

 

Vinde, Pai dos pobres:                                           Lavai nossas manchas,

na dor e aflições,                                                     a aridez rogai,

vinde encher de gozo                                             sarai os enfermos

nossos corações.                                                   e a todos salvai.

 

Benfeitor supremo                                                  Abrandai durezas

em todo o momento,                                              para os caminhantes,

habitando em nós                                                   animai os tristes

sois o nosso alento.                                               guiai os errantes.

 

Descanso na luta                                                    Vossos sete dons

e na paz encanto,                                                    concedei à alma

no calor sois brisa,                                                 do que em Vós confia:

conforto no pranto.                                                  amparo na morte,

                                                                                    no Céu alegria.

Virtude na vida,

Luz de santidade,

que no Céu ardeis, 

abrasai as almas

dos vossos fiéis.

 

Aclamação ao Evangelho      

 

Monição: De pé, cantemos jubilosamente, pedindo ao Espírito Santo para que renove a face da terra.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e

acendei neles o fogo do vosso amor.

 

 

 

Evangelho

 

São João 20, 19-23

19Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». 20Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. 21Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». 22Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: 23àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».

 

Este texto foi escolhido por nele se falar também de uma comunicação do Espírito Santo, esta no dia de Páscoa, e que permite à Igreja o exercício de uma das principais concretizações da sua missão salvífica: o perdão dos pecados por meio do Sacramento da Reconciliação. (Ver atrás os comentários feitos para o 2.º Domingo da Páscoa). Aqui limitamo-nos a citar um belo texto da Declaração Ecuménica das Igrejas Cristãs (Upsala 1968), baseada num conhecido texto patrístico: «Sem o Espírito Santo, Deus fica longe; Cristo pertence ao passado, o Evangelho é letra morta; a Igreja, mais uma organização; a autoridade, um domínio; a missão, uma propaganda; o culto, uma evocação; o agir cristão, uma moral de escravos. Mas, com o Espírito Santo, o cosmos eleva-se e geme na infância do Reino; Cristo ressuscita e é alento de vida; a Igreja é comunhão trinitária; e a autoridade, serviço libertador; a missão é Pentecostes; e o culto, memorial e antecipação; o agir humano torna-se realidade divina».

 

Sugestões para a homilia

Ficaram cheios do Espírito Santo

Jesus tinha prometido: «Recebereis uma força, a do Espírito Santo e sereis minhas testemunhas!» (Act 1, 8). Os apóstolos, não se afastaram de Jerusalém e esperam, reunidos no mesmo lugar, o Cenáculo, a vinda do Espírito Prometido. Reunidos, com Maria, Mãe de Jesus, os Apóstolos perseveravam unidos em oração, esperando o cumprimento da promessa. Diz–nos S. Lucas, na primeira leitura, que no dia de Pentecostes, o Espírito desceu sobre eles sob a forma de línguas de fogo e como um vento impetuoso que encheu toda a casa e todos ficaram cheios do Espírito Santo. Começaram imediatamente a ser testemunhas! Começaram a falar outras línguas que cada um ouvia e percebia na própria língua materna. Ninguém mais os conseguirá calar: nem as dificuldades, nem as ameaças, nem o perigo de morte: «Nós não podemos calar o que vimos e ouvimos!» Os discursos de Pedro (Act 2, 14; 3, 12), de Estêvão (Act 7), de Paulo (Act 17, 22) e de tantos outros ao longo dos tempos, comprovam o desejo ardente de testemunhar a Boa nova de Jesus Cristo, nosso Salvador, que morreu por todos, para que todos se salvem!

Igreja do Espírito Santo.

«Ide por todo o mundo! Anunciai a Boa Nova!»

No dia de Pentecostes, os Apóstolos iniciam corajosamente a pregação do Evangelho. Depois, cheios do Espírito Santo, conquistaram todo o mundo pagão. A força do Espírito Santo fez do mundo antigo um mundo novo, o mundo do paganismo converteu-se ao cristianismo. Agora é a vez da Igreja levar a todos os homens a Boa Nova de Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou e nos prometeu o seu Espírito para nos recordar tudo quanto nos ensinou! Unidos e movidos pelo Espírito afirmamos que «Jesus é o Senhor para glória de Deus Pai»; a experiência do Espírito continua a revitalizar a sua Igreja. Quem já esqueceu o encontro dos jovens europeus, em Lisboa, realizado no final do ano 2004? A Esperança não desilude! Sim, porque o Pentecostes não é apenas acontecimento do passado, mas é de hoje e de amanhã. Sentimos também nós a acção do Espírito que nos impele, nos nossos dias, a pôr em prática a Nova Evangelização, com novos métodos e um novo ardor de santidade. Rezemos pelos bons frutos espirituais do Congresso sobre a Nova Evangelização que decorrerá em Lisboa, de 6 a 13 de Novembro.

O Espírito Santo gera a unidade

São Paulo, fala-nos da unidade da Igreja a partir da imagem de um corpo, no qual cada um dos membros contribui para o bem de todos, desempenhando distintas funções. Na Igreja a unidade do corpo é obtida pelo dom do Espírito divino que recebemos no Baptismo. A diversidade de carismas existentes nos seus membros é a manifestação sempre actual dos dons do mesmo Espírito Santo, derramado em nossos corações.

O Espírito Santo com o dom das línguas,  permitiu aos judeus e aos homens  presentes em Jerusalém, «oriundos de todas as nações que existem debaixo dos céus» (1ª leitura) a compreensão maravilhosa da pregação Apostólica. O Espírito Santo unifica os homens dos mais diversos povos. Esta é a obra fundamental do Espírito Divino: congregar na unidade, fazer de povos e homens diferentes um só povo, o Povo de Deus, a Igreja. E assim, todos nós formamos um só corpo: «judeus e gregos, escravos e homens livres, baptizados num só Espírito constituímos um só Corpo», afirma S. Paulo na segunda leitura. Apesar da diversidade de carismas dentro da Igreja, o Espírito Santo gera comunhão. Deste modo, a diversidade dos dons recebidos por cada um constrói a unidade da grande família de Deus, dispersa por toda terra.

Já existe uma semana ou oitavário de oração pela unidade dos cristãos. Hoje podemos pedir ao Espírito Santo que manifeste definitivamente essa unidade tão desejada pelo próprio Senhor: haja um só rebanho e um só Pastor. Ou, segundo as palavras de S. Paulo, rezemos para que sejamos todos um só Corpo, nós que fomos baptizados em Cristo e ungidos com o seu  Espírito Santo.

 

Fala o Santo Padre

 

«O Espírito Santo transformou radicalmente os Apóstolos.»

[...]

7. «Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor» (Cântico ao Evangelho). Façamos nossa esta invocação da liturgia de hoje. O Espírito Santo transformou radicalmente os Apóstolos, que se tinham fechado receosos no Cenáculo, em fervorosos Arautos do Evangelho. O Espírito continua a amparar a Igreja na sua missão evangelizadora ao longo dos séculos, suscitando em todas as épocas testemunhas corajosas da fé.

Com os Apóstolos, recebei o dom do Espírito à Virgem Maria (cf. Act 1, 14). Juntamente com ela, em comunhão com os Santos, imploramos por nossa vez o prodígio de um renovado Pentecostes para a Igreja. Pedimos que desça sobre a humanidade do nosso tempo a abundância dos dons do Espírito Santo.

 

João Paulo II, Roma, 19 de Maio de 2002

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos: neste dia santíssimo em que terminam as festas pascais,

Oremos a Deus Pai Todo-Poderoso para que o dom do Espírito Santo

Renove toda a Igreja. Cantemos:

Vinde, Espírito de amor e de paz

 

1.  Pela Igreja, presente em toda a terra

Para que proclame as maravilhas do amor de Deus

Em todas as línguas e culturas do universo, oremos.

 

2.  Para que os cristãos dêem testemunho, em cada dia,

de que o Amor de Deus é a única força do mundo

capaz de renovar a face da terra em que vivemos, oremos.

 

3.  Pelo Papa, sucessor de Pedro,

pelos bispos, sacerdotes, religiosos, missionários e catequistas,

para que o Espírito Santo lhes dê ardor e sabedoria, oremos.

 

4.  Fazei-nos colaborar convosco

para infundir no mundo o vosso Espírito e atrair mais eficazmente

para a cidade terrena a justiça, a caridade e a paz, oremos.

 

5.  Senhor que nos prometestes um novo céu e uma nova terra,

renovai-nos sem cessar no vosso Espírito Santo

para chegarmos a gozar eternamente da vossa presença na nova Jerusalém, oremos.

 

Deus eterno e omnipotente, que enviastes aos corações dos vossos fiéis

o Espírito Santo na manhã de Pentecostes, tornai-nos testemunhas do Evangelho

e das maravilhas que realizastes pelos homens. Por Jesus Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O Espírito de Deus repousou sobre mim, Az. Oliveira, 58

 

Oração sobre as oblatas: Concedei–nos, Senhor nosso Deus, que o Espírito Santo, segundo a promessa do vosso Filho, nos revele plenamente o mistério deste sacrifício e nos faça conhecer toda a verdade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

PREFÁCIO

 

O mistério do Pentecostes

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar–Vos graças, sempre e em toda a parte.

Hoje manifestastes a plenitude do mistério pascal e sobre os filhos de adopção, unidos em comunhão admirável ao vosso Filho Unigénito, derramastes o Espírito Santo, que no princípio da Igreja nascente revelou o conhecimento de Deus a todos os povos da terra e uniu a diversidade das línguas na profissão duma só fé.

Por isso, na plenitude da alegria pascal, exultam os homens por toda a terra e com os Anjos e os Santos proclamam a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

No Cânone Romano dizem–se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem–se também as comemorações próprias.

 

Santo: Santo I, H. Faria, NRMS 103-104

 

Monição da Comunhão

 

Eucaristia: banquete onde recebemos Jesus, que se fez carne pelo poder do Espírito Santo no seio de Maria. Pela acção do mesmo Espírito Santo o Pão consagrado agora é o Corpo de Jesus, alimento que permanece até à vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: Se alguém tem sede, venha a mim, M. Carneiro, 82-83

Actos 2, 4. 11

Antífona da comunhão: Todos ficaram cheios do Espírito Santo e proclamavam as maravilhas de Deus. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor, louvai, J. Santos, NRMS 37

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, que concedeis com abundância à vossa Igreja os dons sagrados, conservai nela a graça que lhe destes, para que floresça sempre em nós o dom do Espírito Santo, e o alimento espiritual que recebemos nos faça progredir no caminho da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Na despedida do povo, o diácono ou o próprio sacerdote diz:

 

Ide em paz e o Senhor vos acompanhe. Aleluia. Aleluia.

 

O povo responde:

 

Graças a Deus. Aleluia. Aleluia.

 

Terminado o Tempo Pascal, convém levar o círio pascal para o baptistério e conservá–lo aí com a devida reverência, para que, na celebração do Baptismo, se acenda na sua chama a vela dos baptizados.

 

Nos lugares em que há o costume de afluírem em grande número os fiéis para assistirem à Missa na segunda ou também na terça–feira depois do Pentecostes, pode dizer–se a Missa do Domingo de Pentecostes ou a Missa votiva do Espírito Santo (p.1260).

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Em comunhão com toda a Igreja, invoquemos hoje o Espírito, rezando: Vinde, ó Santo Espírito, vinde amor ardente, vinde encher de gozo nossos corações. Vossos sete dons concedei à alma que em Vós confia: virtude na vida, amparo na morte, no Céu alegria. (Sequência).

 

Cântico final: Somos testemunhas, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          José Roque

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha


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