Visitação
de Nossa Senhora
31 de Maio de 2005
Festa
RITOS INICIAIS
Cântico de entrada: Acolhe
Virgem piedosa, M. Carneiro, NRMS
101
cf. Salmo
65, 16
Antífona de entrada: Servos do Senhor, vinde e ouvi: vou contar-vos tudo o
que Ele fez por mim. (T. P. Aleluia.)
Introdução ao espírito da Celebração
A visita de Maria à sua prima Isabel é sinal de Deus
que, em Jesus, visita o seu povo. Maria anuncia uma Alegria e serve
discretamente a quem anuncia.
Ela é portadora da fonte da alegria e cada cristão é
também convidado a sê-lo.
Que da nossa boca brotem apenas as palavras que
traduzem o sentir mais profundo do nosso coração: «A minha alma glorifica o
Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador».
Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que inspirastes à Virgem
Santa Maria o desejo de visitar Santa Isabel, levando consigo o vosso Filho
Unigénito, tornai-nos dóceis à inspiração do Espírito Santo, para podermos, com
ela, cantar sempre as vossas maravilhas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso
Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Liturgia da Palavra
Primeira Leitura
Monição: Depois de regressados da Babilónia os judeus iniciaram
a reconstrução de Jerusalém. O autor sagrado vê nessa obra o perdão dos pecados
anteriores e o início de uma nova era que será de alegria para Israel.
Sofonias
3, 14-18
Clama jubilosamente, filha de Sião solta brados de
alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém. O
Senhor revogou a sentença que te condenava, afastou os teus inimigos. O Senhor,
Deus de Israel, está no meio de ti e já não temerás nenhum mal. Naquele dia,
dir-se-á a Jerusalém: «Não temas, Sião, não desfaleçam as tuas mãos. O Senhor
teu Deus está no meio de ti, como poderoso salvador. Por causa de ti, Ele
enche-Se de júbilo, renova-te com o seu amor, exulta de alegria por tua causa,
como nos dias de festa». Afastei para longe de ti a desventura, a humilhação que
te oprimia, Jerusalém.
O texto profético visa directamente e em primeiro plano a restauração de Israel (cf. Is 54), a partir de um «resto» que permanece fiel (cf. vv. 12-13); constitui um belíssimo canto de esperança, que a Liturgia, na linha dos Padres da Igreja, aplica à Virgem Maria, pois de ninguém como dela se pode dizer com tanta verdade: «O Senhor está no meio de ti» (v. 15; cf. Lc 1, 28). Na saudação do Anjo a Maria – «alegra-te» (Lc 1, 28) parece haver uma alusão a esta alegria da «Filha de Sião», a personificação dos habitantes de Jerusalém e uma figura da Virgem Santa Maria.
Salmo Responsorial Isaías 12, 2.3-4bcd.5-6 (R. 6b)
Monição: Este trecho do livro de Isaías é um duplo canto de
acção de graças, celebrando a actuação salvadora de Deus, na qual se baseia a
esperança e a confiança do povo.
Refrão: Exultai de alegria,
porque é grande no meio de vós o Santo de
Israel.
Deus é o meu Salvador,
Tenho confiança e nada temo.
O Senhor é a minha força e o meu louvor.
Ele é a minha salvação.
Tirareis água com alegria das fontes da salvação.
Agradecei ao Senhor, invocai o seu nome
anunciai aos povos a grandeza das suas obras,
proclamai a todos que o seu nome é santo.
Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas,
anunciai-as em toda a terra.
Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião,
porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.
Aclamação ao Evangelho
Lc 1, 45
Monição: A fé na Palavra do Senhor é que nos pode conseguir a
Sua bênção, como aconteceu com a Virgem Santa Maria.
Aleluia
Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)
Bendita sejais, ó Virgem Santa Maria,
que acreditastes na palavra do Senhor.
Evangelho
São Lucas
1, 39-56
39Naqueles
dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em
direcção a uma cidade de Judá. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou
Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino
exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo 42e
exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do
teu ventre. 43Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu
Senhor? 44Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua
saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. 45Bem-aventurada
aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do
Senhor». 46Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor 47e
o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque pôs os olhos
na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas
as gerações. 49O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu
nome. 50A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre
aqueles que O temem. 51Manifestou o poder do seu braço e dispersou
os soberbos. 52Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os
humildes. 53Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos
vazias. 54Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,
55como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência
para sempre». 56Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e
depois regressou a sua casa.
Os exegetas descobrem neste relato uma série de ressonâncias vétero-testementárias, o que corresponde não apenas ao estilo do hagiógrafo, mas sobretudo à sua intenção teológica de mostrar como na Mãe de Jesus se cumprem as figuras do A.T.: Maria é a verdadeira e nova Arca da Aliança (comparar Lc 1, 43 com 2 Sam 6, 9 e Lc 1, 56 com 2 Sam 6, 11) e a verdadeira salvadora do povo, qual nova Judite (comparar Lc 1, 42 com Jdt 13, 18-19) e qual nova Ester (Lc 1, 52 e Est 1 – 2).
39 «Uma cidade de Judá». A tradição diz que é Ain Karem, uma povoação a 6 Km a Oeste da cidade nova de Jerusalém. De qualquer modo, ficaria a uns quatro dias de viagem de Nazaré. Maria empreende a viagem movida pela caridade e espírito de serviço. A «Mãe do meu Senhor» (v. 43) não fica em casa à espera de que os Anjos e os homens venham servir a sua rainha; e Ela mesma, que se chama «escrava do Senhor» (v. 38), «a sua humilde serva» (v. 48), apressa-se em se fazer a criada da sua prima e de acudir em sua ajuda. Ali permanece, provavelmente, até depois do nascimento de João, uma vez que S. Lucas nos diz que «ficou junto de Isabel cerca de três meses».
42 «Bendita és Tu entre as mulheres». Superlativo hebraico: a mais bendita de todas as mulheres.
43-44 «A Mãe do meu Senhor». As palavras de Isabel são proféticas, fruto duma luz sobrenatural que lhe fez ver que o mexer-se do menino no seu seio (v. 41) não era casual, mas que «exultou de alegria» para saudar também o Messias e sua Mãe.
46 45 O cântico de Nossa Senhora, o Magnificat, é um poema de extraordinária beleza poética e elevação religiosa. Dificilmente se poderiam ficar melhor os sentimentos do coração da Virgem Maria – «a mais humilde e a mais sublime das criaturas» (Dante, Paraíso, 33, 2) –, em resposta à saudação mais elogiosa (vv. 42-45) que jamais se viu em toda a Bíblia. É como se Maria dissesse que não havia motivo para uma tal felicitação: tudo se deve à benevolência, à misericórdia e à omnipotência de Deus. Sem qualquer referência ao Messias, refulge aqui a alegria messiânica da sua Mãe num extraordinário hino de louvor e de agradecimento. O cântico está todo entretecido de reminiscências bíblicas, sobretudo do cântico de Ana (1 Sam 2, 1-10) e dos Salmos (35,9; 31, 8; 111, 9; 103, 17; 118, 15; 89, 11; 107, 9; 98, 3); cf. também Hab 3, 18; Gn 29, 32; 30, 13; Ez 21, 31; Si 10, 14; Mi 7, 20. Ao longo dos tempos, muitos e belos comentários se fizeram ao Magnificat; mas também é conhecida a abordagem libertadora, abundado leituras materialistas utópicas, falsificadoras do genuíno sentido bíblico, com base no princípio marxista da luta de classes: «Deus assume o partido dos pobres e realiza uma transformação na história, invertendo a ordem social: os ricos e os poderosos são depostos e despojados e os pobres e oprimidos são libertos e assumem a direcção dessa nova história» (Bíblia Pastoral, São Paulo). Eis o comentário da Encíclica Redemptoris Mater, nº 36: «Nestas sublimes palavras… vislumbra-se a experiência pessoal de Maria, o êxtase do seu coração; nelas resplandece um raio do mistério de Deus, a glória da sua santidade inefável, o amor eterno que, como um dom irrevogável, entra na história do homem».
Sugestões para a homilia
Maria fonte de alegria
Maria e a Eucaristia
O serviço de Maria a Isabel
Maria fonte de alegria
A Palavra de Deus proclamada nesta festa conduz-nos à
alegria, porque Deus é o Emanuel, está no meio de nós, expressando de forma única
o Seu amor, que é retratado com imagens muito belas: «Por causa de ti, Ele
enche-Se de júbilo, renova-te com o Seu amor, exulta de alegria por tua causa,
como nos dias de festa».
Maria traz no seu seio Jesus Cristo. Ela é portadora
da fonte da alegria e cada cristão é convidado também a sê-lo. Todavia, este
convite não é motivo para ficarmos cheios de vaidade e orgulho, mas para nos
envolvermos de sentimentos de humildade, pretendendo reconhecer o que o Senhor
fez de maravilhoso e sublime na nossa vida e procurando dar graças por tudo
isso.
Maria e a Eucaristia
Tal como Maria, devemos agradecer
dizendo: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus,
meu Salvador».
Com o mesmo espírito de Maria, a
Igreja une-se plenamente a Cristo e ao seu sacrifício. De facto, também a
Eucaristia é primariamente louvor e acção de graças. Ao exclamar «a minha alma
glorifica o Senhor», porque traz no seu ventre Jesus, Maria louva o Pai «por»
Jesus, mas louva-O também «em» Jesus e «com» Jesus. É nisto que consiste
precisamente a verdadeira «atitude eucarística».
Cada vez que o Filho de Deus Se
torna presente entre nós na «pobreza» dos sinais sacramentais, pão e vinho, é
lançado no mundo o germe daquela história nova que verá os poderosos
«derrubados dos seus tronos» e «exaltados os humildes». Recebemos o dom da
Eucaristia para que a nossa vida, à semelhança da de Maria, seja toda ela um magnificat!
O serviço de Maria a Isabel
Maria anuncia uma alegria, mas serve discretamente a quem anuncia. As últimas palavras do
Evangelho referem um detalhe muito importante deste acontecimento: o serviço de
Maria a Isabel. Ao nos fixarmos em Maria nesta «plano» de anúncio, recordemos
que a alegria de termos fé, de conhecermos Jesus, se manifeste por «visitações»
a outras pessoas, a quem, mais do que belas palavras, podemos servir.
Oração Universal
Irmãos,
oremos a Deus Pai todo-poderoso,
por intermédio da Virgem Santa Maria,
para que recordemos a alegria de ter fé
e a manifestemos testemunhalmente aos nossos irmãos,
dizendo:
Senhor, escutai as nossa preces.
1. Pela Santa
Igreja de Deus:
para que, fiel ao mandamento de
Cristo,
continue firme no ensino da doutrina
Sagrada ,
oremos, irmãos.
2. Pelos
cristãos que visitam quem está necessitado,
para que o façam com os sentimentos de
Maria,
oremos, irmãos.
3. Para que
saibamos agradecer ao Senhor
todos os bens que Ele nos concede,
oremos, irmãos.
4. Para que todos nós aqui presentes
saibamos ser solidários com os irmãos
na disponibilidade ao seu serviço,
oremos, irmãos.
5. Para que
saibamos
cultivar a humildade e a sinceridade,
na imitação de Isabel e da Virgem
Santa Maria,
oremos, irmãos.
Senhor, nosso Deus,
Vós que fizestes maravilhas na Virgem Maria,
por sua intercessão, ajudai-nos a louvar-Vos
e bendizer-Vos em todas as circunstâncias da nossa
vida.
Por nosso Senhor Jesus Cristo....
Liturgia Eucarística
Cântico do ofertório: Gloriosa
Mãe de Deus, M. Carneiro, NRMS 33-34
Oração sobre as oblatas: Senhor, que aceitastes com agrado a caridade da
Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, aceitai também estes dons que Vos oferecemos
e transformai-os para nós em sacrifício de salvação. Por Nosso Senhor...
Prefácio de Nossa Senhora II [e na Visitação]: p. 487
Santo: Santo I, H. Faria, NRMS 103-104
Monição da Comunhão
Ao transportarmos Jesus, através da comunhão
eucarística, soltemos brados de alegria, porque o Senhor nos habita e renova o
nosso coração. Glorifiquemos o Deus que na sua misericórdia faz maravilhas
através da nossa pequenez e se quer servir de nós para visitar o Seu povo.
Cântico da Comunhão: Minha
alma exulta de alegria, F. da Silva,
NRMS 32
cf. Lc 1,
48-49
Antífona da comunhão: Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada,
porque o Senhor fez em mim maravilhas e santo é o seu nome. (T. P. Aleluia)
Cântico de acção de graças: O
meu espírito exulta, C. Silva, NRMS
38
Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que a vossa Igreja Vos glorifique
pelas maravilhas que realizastes em favor dos vossos fiéis e, assim como São
João Baptista exultou ao pressentir o Salvador ainda oculto, também o vosso
povo O reconheça com alegria sempre vivo neste sacramento. Ele que é Deus
convosco na unidade do Espírito Santo.
Ritos Finais
Monição final
Se somos chamados a ser «visita de Deus», como Maria,
levando Jesus aos nossos irmãos, teremos de ser como Isabel, a mulher capaz de
reconhecer esta visita e de exaltar aquela que «acreditou no cumprimento de
tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».
Servir e amar os outros há-de ser a manifestação de
que participamos na Eucaristia e damos glória a Deus.
Cântico final: Cantai um
cântico novo, J. Santos, NRMS 10
(II)
Homilias Feriais
4ª feira, 1-VI: A ressurreição de Cristo e a nossa.
Tob. 3, 1-11. 16-17 / Mc. 12, 18-27
Ele não é um Deus de mortos, mas de
vivos!
Jesus fala claramente da sua ressurreição e também da
nossa (cf. Ev.).
A celebração eucarística é ‘memorial’ da morte e ressurreição
do Senhor. Ao celebrá-la a Igreja celebra a memória de Cristo e faz memória
de toda a história da salvação, prefigurada na antiga Aliança (cf. AE, 23).
Jesus revelou também em Cafarnaum: «Quem come a minha carne e bebe o meu sangue
tem a vida eterna e eu ressuscitá-lo-ei no último dia» (Jo. 6, 54).
Deste modo os nossos corpos, quando recebem este sacramento «já não são
corruptíveis mas recebem a esperança da ressurreição para sempre» (S. Ireneu).
5ª feira, 2-VI: O ‘único’ Senhor e os ídolos.
Tob. 6, 10-11 – 7, 1. 9-17- 8, 4-9 / Mc. 12, 28-34
(Jesus): O Senhor, nosso Deus, é o
único Senhor. Amarás o teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma...
O próprio Jesus confirma que Deus é o único (cf.
Ev.). Mas o pior é que vamos construindo ídolos, a quem adoramos em vez
de Deus.
«Dobrar os joelhos diante da Eucaristia,
adorando o Cordeiro que nos permite celebrar a Páscoa com Ele, educa-nos a não
nos prostrar diante dos ídolos, construídos por mão de homem; e
estimula-nos a obedecer, com fidelidade, docilidade e veneração, a quem
reconhecemos como único Senhor da Igreja e do mundo» (AE, 29). Assim o
reconhece Tobias: «Vamos rezar! Vamos pedir ao Senhor que nos conceda
misericórdia e salvação» (Leit.).
Celebração
e Homilia: António Elísio Portela
Nota
Exegética: Geraldo Morujão
Homilias
Feriais: Nuno Romão
Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha