Sagrado
Coração de Jesus
3 de Junho de 2005
Sexta-feira a seguir ao Domingo II
depois de Pentecostes
Solenidade
RITOS INICIAIS
Cântico de entrada: Sagrado
Coração de Jesus Redentor, F. da
Silva, NRMS 93
Salmo 32, 11.19
Antífona de entrada: Os pensamentos do seu coração permanecem por todas as
gerações para libertar da morte as almas dos seus fiéis, para os alimentar no
tempo da fome.
Diz-se o Glória.
Introdução ao espírito da Celebração
Ao contrário do Velho Testamento – época das Leis de
Talião – nós, instruídos pelos exemplos do Evangelho, compreendemos uma justiça
mais profunda e mais completa: a do perdão e do bem.
«Amai quem vos odeia! Fazei bem a quem vos faz mal».
Jesus não quis Leis de vingança mas de amor. Amor por amor! Coração por
coração!
Oração colecta: Concedei, Deus todo-poderoso, que ao celebrar a
solenidade do Coração do vosso amado Filho, recordemos com alegria as
maravilhas do vosso amor e mereçamos receber desta fonte divina a abundância
dos vossos dons. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus
convosco na unidade do Espírito Santo.
Ou
Deus de bondade, que no Coração do vosso Filho,
ferido pelos nossos pecados, nos abristes os tesouros infinitos do vosso amor,
fazei que, prestando-Lhe a homenagem fervorosa da nossa piedade, cumpramos
também o dever de uma digna reparação. Ele que é Deus convosco na unidade do
Espírito Santo.
Liturgia da Palavra
Primeira Leitura
Monição: O Senhor
escolheu um povo que amou e pelo qual sempre manifestou predilecção; retirou-o
das dificuldades da escravidão, amparou-o durante várias gerações. Pensa no que
o Senhor faz, diariamente, por ti!
Deuteronómio
7, 6-11
Moisés falou ao povo nestes termos: 6«Tu
és um povo consagrado ao Senhor teu Deus; foi a ti que o Senhor teu Deus
escolheu, para seres o seu povo entre todos os povos que estão sobre a face da
terra. 7Se o Senhor Se prendeu a vós e vos escolheu, não foi por
serdes o mais numeroso de todos os povos, uma vez que sois o menor de todos
eles. 8Mas foi porque o Senhor vos ama e quer ser fiel ao juramento
feito aos vossos pais, que a sua mão poderosa vos fez sair e vos libertou da
casa da escravidão, do poder do Faraó, rei do Egipto. 9Reconhece,
portanto, que o Senhor teu Deus é o verdadeiro Deus, um Deus leal, que por mil
gerações é fiel à sua aliança e à sua benevolência para com aqueles que amam e
observam os seus mandamentos. 10Mas Ele pune directamente os seus
inimigos, fazendo-os perecer e infligindo sem demora o castigo merecido àquele
que O odeia. 11Guardarás, portanto, os mandamentos, leis e preceitos
que hoje te mando pôr em prática».
Temos um texto tirado do 2.º discurso deutereronómico, um texto clássico, em que se proclama a gratuita eleição de Israel por Deus. Esta escolha de predilecção faz de Israel «um povo consagrado ao Senhor» (v. 6). Estamos diante dum tema central de todo o Antigo Testamento e em que insiste particularmente o Deuteronómio.
O motivo da escolha é inteiramente gratuito, é uma eleição de puro amor, pois trata-se de «o menor de todos» os povos (v. 7): foi «porque o Senhor vos ama», com um amor gratuito (v. 8). É assim o amor de Deus para connosco: um amor «fiel à sua aliança» (v. 9). Mas um amor tão grande não pode ser desprezado impunemente (cf. v. 10). A correspondência de amor consiste em guardar os mandamentos, leis e preceitos (v. 11).
Salmo Responsorial Sl 102 (103), 1-2.3-4.6-7.8 e 10 (R. 17)
Monição: Este salmo é um hino de acção de graças e louvor
universal por tudo o que o Senhor preparou para o seu povo – o homem.
Refrão: a graça do senhor é desde sempre
sobre aqueles que o amam.
A minha alma louva o Senhor,
todo o meu ser bendiz o Seu nome santo,
A minha alma louva o Senhor,
e não esquece os seus dons.
Ele perdoa todas as tua culpas,
e tem compaixão de todos os teus males;
liberta do túmulo a tua vida
e reveste-a de graça e de ternura.
O Senhor faz justiça,
defende o direito dos oprimidos.
Revelou os Seus caminhos a Moisés
e as Suas obras aos filhos de Israel.
O Senhor é clemente e compassivo,
lento para a ira, rico de misericórdia.
Não nos trata como as nossas ofensas merecem,
não nos paga segundo as nossas culpas.
Segunda Leitura
Monição: S. Francisco de Sales legou-nos o Tratado do Amor de
Deus. O amor de Deus enchendo os corações cria heróis e santos; adorar a Deus e
amá-l'O é alcançar o primeiro prémio.
1 São João 4, 7-16
Caríssimos: 7Amemo-nos uns aos outros,
porque o amor vem de Deus; e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a
Deus. 8Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. 9Assim
se manifestou o amor de Deus para connosco: Deus enviou ao mundo o seu Filho
Unigénito, para que vivamos por Ele. 10Nisto consiste o amor: não
fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele que nos amou, e enviou o seu Filho
como vítima de expiação pelos nossos pecados. 11Caríssimos, se Deus
nos amou assim, também nós devemos amar-nos uns aos outros. 12Ninguém
jamais viu a Deus. Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e em
nós o seu amor é perfeito. 13Nisto conhecemos que estamos n'Ele e
Ele em nós: porque nos deu o seu Espírito. 14E nós vimos e damos
testemunho de que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. 15Se
alguém confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em
Deus. 16Nós conhecemos o amor que Deus nos tem e acreditámos no seu
amor. Deus é amor: quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece
nele.
Também nesta leitura se fala do amor de Deus, objecto das páginas mais belas do Antigo Testamento (cf. 1ª leitura; e Is 54, 5-10). E fala-se de um amor gratuito: «não fomos nós que amámos a Deus» primeiro, de modo a merecer o seu amor, «mas foi Ele que nos amou» (v. 10) e levou o seu amor por nós até ao ponto de que nos «enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados». Por isso insiste São João em que «Deus é amor» (vv. 8.16), a mais bela definição do que é Deus e que jamais alguém poderia excogitar.
7 «Nasceu de Deus», isto é, é filho de Deus, como tanto se insiste nos escritos joaninos: 1 Jo 2, 29; 3, 1-2.9; 5, 1.4.18; Jo 1, 13…
10 «Vítima de expiação»: temos aqui uma linguagem sacrificial do AT (cf. Ex 29, 36-37) que apresenta a morte de Jesus como um sacrifício voluntário, revelador do seu imenso amor (cf. Rom 3, 24-25).
Aclamação ao Evangelho Mt 11, 29ab
Monição: Peçamos a Jesus, manso e humilde de coração que
torne o nosso coração semelhante ao Seu.
Aleluia
Cântico: F. da Silva, NRMS 73-74
Tomai o meu jugo sobre vós, diz o Senhor,
e aprendei de Mim,
que sou manso e humilde de coração.
Evangelho
São Mateus
11, 25-30
25Naquele
tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque
escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos
pequeninos. 26Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu
agrado. 27Tudo Me foi dado por meu Pai. Ninguém conhece o Filho
senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o
quiser revelar. 28Vinde a Mim, todos os que andais cansados e
oprimidos, e Eu vos aliviarei. 29Tomai sobre vós o meu jugo e
aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso
para as vossas almas. 30Porque o meu jugo é suave e a minha carga é
leve».
O trecho da leitura é considerado como a jóia dos Sinópticos, com uma impressionante revelação do Coração de Cristo, sendo os vv. 25-27 uma das mais belas orações de Jesus, também registada em Lucas.
25 «Sábios e inteligentes» (prudentes) são os sábios orgulhosos, que confiam apenas na sua sabedoria, auto-suficientes, julgam poder salvar-se com os seus próprios recursos de inteligência e poder. Os «pequeninos» são os humildes, abertos à fé, capazes de visão sobrenatural. A revelação divina só pode ser aceite e captada pela fé: uma ciência soberba impede de aceitar a loucura divina da Cruz (cf. 1 Cor 1, 19-31); os pequeninos são, pois aqueles «que o mundo considera vil e desprezível», mas «que Deus escolheu; escolheu os que nada são, para reduzir a nada aqueles que são alguma coisa» (ibid. v. 28).
27 Jesus reivindica para si um conhecimento do Pai (Deus) perfeitamente idêntico ao conhecimento que o Pai tem do Filho (Jesus), e isto porque Ele, e só Ele, é o Filho, igual ao Pai, Deus com o Pai.
28-30 Palavras estas maravilhosas, que nos patenteiam os sentimentos do Coração de Cristo. O povo andava «cansado e oprimido» com as minuciosas exigências da lei antiga – que o Sirácida (51, 33) apodava de «jugo» e das tradições que os fariseus e doutores da lei impunham com todo o rigorismo do seu frio e insuportável legalismo que oprimia a liberdade interior e roubava a paz ao coração (cf. Act 15, 10). Jesus não nos dispensa de levar o seu «jugo» e a sua «carga», mas não quer que nos oprima, pois quer que O sigamos por amor, e «para quem ama é suave; pesado, só para quem não ama» (Santo Agostinho, Sermão 30, 10). O mesmo Santo Agostinho comenta esta passagem: «qualquer outra carga te oprime e te incomoda, mas a carga de Cristo alivia-te do peso. Qualquer outra carga tem peso, mas a de Cristo tem asas. Se a uma ave lhe tirares as asas, parece que a alivias do peso, mas, quanto mais lhas tirares, mais esta pesa; restitui-lhe o peso das suas asas, e verás como voa» (Sermão 126, 12).
Sugestões para a homilia
Deus escolheu-nos para em Jesus Cristo, sermos filhos
adoptivos. Há da parte de Deus uma predilecção de amor, de dom, de graça.
Para correspondermos fielmente temos de guardar os
seus mandamentos, cumprir a sua vontade, escolhê-lo como o TUDO das nossas
vidas. Ele amou-nos primeiro e «merece» a correspondência do nosso amor.
O mandamento que mais lhe agrada, o que mais
profundamente Ele deseja é que nos amemos uns aos outros.
Ele é amor e quem ama participa desse amor e
permanece n'Ele. Quem ama como o evangelho ensina está a santificar-se e a
divinizar a sua vida.
Quem não ama permanece na morte. Há gente que ainda
faz sangrar o Coração de Jesus, fazem-no sangrar os pecadores e deixam-no
sangrar os tíbios.
O coração de Jesus, manso e humilde, é a imagem viva
do amor do Pai. Ele próprio nos convida a aprendermos d'Ele, a recorrer a Ele
quando andamos afadigados, tristes, sobrecarregados. Só Jesus, pode ser alívio,
consolação, força. Não buscar fora d'Ele o que só Jesus nos pode dar. Confiança
grande na mansidão e humildade do Seu Coração. Desagrada a Jesus, escutar
tranquilamente blasfemar, falar mal da fé, dizer coisas vergonhosas, não haver
preocupação com as obras boas, com missões, com os pobres e com as igrejas.
Digamos com S. Paulo: nem a espada, nem a doença, nem a perseguição, nem a
angústia poderão arrancar do meu Coração o Amor a Jesus.
Fala o Santo Padre
«Santíssimo Coração de Cristo, fonte de vida e de
santidade.»
1. A solenidade do Sagrado Coração de Jesus, é
a última das grandes festas litúrgicas que, depois do Tempo pascal, constituem
um igual número de sínteses admiráveis do mistério cristão: a Santíssima
Trindade, o Corpo e Sangue de Cristo e, precisamente, o seu Santíssimo Coração,
«fonte de vida e de santidade», «nossa paz e reconciliação» (Ladainha do Sagrado
Coração).
Ninguém pode conhecer profundamente Jesus Cristo, sem
conhecer o seu Coração, isto é, o íntimo da sua Pessoa divino-humana (cf. Pio
XII, Enc. Haurietis aquas: AAS 48 [1956], pág. 316 ss.). [...]
João Paulo II,
Roma, 20 de Junho de 2004
Oração Universal
Confiado na bondade do Coração de Cristo, sacrário
das riquezas divinas,
invoquemos humildemente a misericórdia de Deus Pai,
dizendo:
Senhor,
venha a nós o Vosso Reino.
1. Para que o
amor de Deus pelos homens
seja levado a todos os povos
anunciadores
da Palavra do evangelho,
oremos irmãos.
2. Para que
todos os homens da terra vejam em Cristo
o próprio coração do mundo,
oremos irmãos.
3. Para que
todos os que andam sobrecarregados,
desanimados e oprimidos se acolham ao
Coração de Jesus,
oremos irmãos.
4. Para que
todos os desorientados, transviados,
escravizados pelos males mundanos,
encontrem,
no Coração de Jesus, o caminho e a
verdade,
oremos irmãos.
5. Para que
neste vale de lágrimas
haja mais compreensão e humildade,
reine a sabedoria do amor de Deus,
oremos irmãos.
Senhor que nos revelastes
o vosso amor no Coração de Jesus, concedei-nos os frutos
da vossa bondade tendo em
atenção as nossas humildes petições.
Por Nosso Senhor Jesus
Cristo Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Liturgia Eucarística
Cântico do ofertório: Bendito
sejais, Senhor nosso Deus, Az. Oliveira, NRMS 93
Oração sobre as oblatas: Olhai, Senhor, para o inefável amor do Coração do
vosso Filho e fazei que a nossa oferenda Vos seja agradável e sirva de
reparação pelos nossos pecados. Por Nosso Senhor.
Prefácio
O Coração de Cristo, fonte de salvação
V. O Senhor esteja convosco.
R. Ele está no meio de nós.
V. Corações ao alto.
R. O nosso coração está em Deus.
V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.
R. É nosso dever, é nossa salvação.
Senhor, Pai santo, Deus
eterno e omnipotente! É verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos
graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor. No seu imenso amor,
quando foi elevado sobre a cruz, ofereceu-Se a Si mesmo por nós os homens,
atraídos para o Coração aberto do Salvador, pudessem beber nas fontes vivas da
salvação. Por Ele com os Anjos e os Santos proclamamos a Vossa glória, cantando
a uma só voz:
Santo, santo, santo, Senhor
Deus do universo...
Santo: «Da Missa de
festa», Az. Oliveira, NRMS
50-51
Monição da Comunhão
Sintamo-nos irmãos, filhos do mesmo Pai, Deus, cujo
Filho Se entregou e nos alimenta no banquete eucarístico.
Cântico da Comunhão: Saboreai
como é bom, M. Carneiro, NRMS 93
Jo 7, 37-38
Antífona da comunhão: Se alguém tem sede, venha a Mim e beba, diz o Senhor.
Se alguém acredita em Mim, do seu coração brotará uma fonte de água viva.
Ou
Jo 19, 34
Um dos soldados abriu o seu lado com uma lança e dele
brotou sangue e água.
Cântico de acção de graças: Quanta
alegria é para mim, H. faria, NRMS
18
Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que este sacramento do vosso amor nos
una sempre mais a Jesus Cristo, vosso Filho, de modo que, inflamados na
caridade, saibamos reconhecê-l'O nos nossos irmãos. Ele que é Deus convosco na
unidade do Espírito Santo.
Ritos Finais
Monição final
Abertos os nossos corações às bondades e bens do
Senhor, digamos na vida; pelo Vosso eterno amor bendito sejais Senhor.
Cântico final: Deus é
pai, Deus é Amor, Az. Oliveira, NRMS
35
Celebração
e Homilia: Ferreira de Sousa
Nota
Exegética: Geraldo
Morujão
Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha