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O IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

 

 

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

Dentro da riquíssima Mensagem de Fátima, que resume, de certo modo, todo o Evangelho e nos chama ao seu cumprimento, destaca-se, como especial fruto, a devoção ao Imaculado Coração de Maria, que Nosso Senhor quis estabelecer por meio da Irmã Lúcia, missão que esta assumiu generosamente, divulgando-a por cartas, «memórias» e até por livro, como o faz no 13º dos seus «Apelos».

Será difícil extrair do mistério da Maternidade divina todas as consequências espirituais e teológicas, mas há realmente em Fátima luzes novas para a sua contemplação. Uma delas vem justamente da queixa quanto aos «pecados cometidos contra o Imaculado Coração e Maria».

Já essa expressão é impressionante, pois não é costume nosso aplicá-la a criaturas no mesmo sentido em que a aplicamos ao Criador. Para com as criaturas usamos dizer «ofensas ao próximo», que constituem «pecados», isto é, ofensas ao próprio Deus, e que exigem «reparação»: reparação ao próximo do mal que lhe terá sido causado e reparação a Deus pelo pecado cometido. Mas é Ela mesma quem fala dos «pecados» contra o seu Coração e pede a sua  reparação expressamente na terceira Aparição: «Dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: – Ó Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Coração Imaculado de Maria».

Há aqui um paralelismo que nos obriga a reflectir. Que diferença existe entre as ofensas feitas a Maria e a quaisquer outras pessoas? A sua imensa dignidade, sem dúvida, mas mais do que isso: a sua Imaculada Conceição. Tal como a primeira Eva, Maria veio ao mundo imaculada, mas enquanto a primeira se maculou e gerou em mácula todos os descendentes, Maria nunca a contraiu e foi «gratia plena»: tão inocente como o próprio Jesus Cristo. Se as nossas culpas, além de ofenderem a Deus, prejudicam todas as almas, os sofrimentos que daí advêm são-nos merecidos e servem-nos para desagravo do mal cometido; Ela, porém – como o seu divino Filho – não tem nenhuma culpa; sofre apenas por nossa causa. Se nós podemos, pelas nossas dores, «completar o que falta à Paixão de Cristo», Maria fá-lo de maneira eminente, em perfeitíssima união com o Salvador. Se nós podemos e devemos co-redimir com Cristo, a co-redenção de Maria tem um valor excepcional, que faz d’Ela a Corredentora por excelência. A sua co-redenção possui um carácter único, justamente pelo seu Imaculado Coração.

Nossa Senhora das Dores - que assim se apresentou também na última Aparição - foi trespassada por nós. E a espada que lhe anunciara o velho Simeão continua nas nossas mãos. Conhecendo a nossa fraqueza e, já que somos incapazes de «capacitar-nos» do mal que representa o pecado - «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem!» -, Jesus apela ao sentimento humano do amor filial à verdadeira «Mãe de todos os viventes».

No Centenário das Aparições, tomemos a decisão de não contribuir para a coroa de espinhos que ferem o seu Coração Imaculado.

  

 

 

 

 

 


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