20º Domingo Comum

14 de Agosto de 2005

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor que nos dais guarida, F. da Silva, NRMS 90-91

Salmo 83, 10-11

Antífona de entrada: Senhor Deus, nosso protector, ponde os olhos no rosto do vosso Ungido. Um dia em vossos átrios vale mais de mil longe de Vós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Nós, cristãos, desde o dia do nosso Baptismo, temos uma nova vida, a vida sobrenatural: pela graça santificante começámos a viver a mesma vida de Cristo. É uma realidade tão grande e tão espantosa que levou S. Paulo a escrever: «Não sois estranhos nem peregrinos mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus» (Ef 2, 19).

Agradeçamos ao Senhor tão grande dignidade e peçamos perdão por não termos correspondido tantas vezes à fé recebida.

 

Oração colecta: Deus de bondade infinita, que preparastes bens invisíveis para aqueles que Vos amam, infundi em nós o vosso amor, para que, amando-Vos em tudo e acima de tudo, alcancemos as vossas promessas, que excedem todo o desejo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A leitura que vamos ouvir é tirada do Profeta Isaías e fala-nos do convite amoroso que Deus faz a todos os homens para pertencerem ao seu Povo. Deus quer verdadeiramente a salvação de todos os homens.

 

Isaías 56, 1.6-7

1Eis o que diz o Senhor: «Respeitai o direito, praticai a justiça, porque a minha salvação está perto e a minha justiça não tardará a manifestar-se. 6Quanto aos estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor para O servirem, para amarem o seu nome e serem seus servos, se guardarem o sábado, sem o profanarem, se forem fiéis à minha aliança, 7hei-de conduzi-los ao meu santo monte, hei-de enchê-los de alegria na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceites no meu altar, porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos».

 

O profeta fala-nos do convite amoroso que Deus faz a todos os homens para pertencerem ao seu Povo. Ele quer verdadeiramente a salvação de todos os povos. Este belo texto, com que se inicia o «Terceiro Isaías», fala-nos da admissão dos estrangeiros dentro da comunidade judaica, mas com a condição de que se sujeitem à observância da Lei, no referente às práticas cultuais; esses viriam a ser os prosélitos. Esta visão universalista – «a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos» – prepara a catolicidade da Igreja de Cristo, mas ainda fica muito longe dela, ao mover-se dentro do âmbito do povo antigo de Deus, balizado pelo culto e pelas práticas judaicas.

 

Salmo Responsorial    Sl 66 (67), 2-3.5.6.8 (R. 4)

 

Monição: O Salmo que vamos meditar manifesta o desejo veemente de que todos os povos da terra possam vir louvar o Senhor.

 

Refrão:        Louvado sejais, Senhor,

pelos povos de toda a terra.

 

Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção,

resplandeça sobre nós a luz do seu rosto.

Na terra se conhecerão os vossos caminhos

e entre os povos a vossa salvação.

 

Alegrem-se e exultem as nações,

porque julgais os povos com justiça

e governais as nações sobre a terra.

 

Os povos Vos louvem, ó Deus,

todos os povos Vos louvem.

Deus nos dê a sua bênção

e chegue o seu temor aos confins da terra.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Deus só quer o bem dos seus filhos. S. Paulo, na Carta aos Romanos, afirma que a infidelidade dos judeus não será definitiva; eles também acolherão o Evangelho de Jesus Cristo.

 

Romanos 11, 13-15.29-32

Irmãos: 13É a vós, os gentios, que eu falo: Enquanto eu for Apóstolo dos gentios, procurarei prestigiar o meu ministério 14a ver se provoco o ciúme dos homens da minha raça e salvo alguns deles. 15Porque, se da sua rejeição resultou a reconciliação do mundo, o que será a sua reintegração senão uma ressurreição de entre os mortos? 29Porque os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis. 30Vós fostes outrora desobedientes a Deus e agora alcançastes misericórdia, devido à desobediência dos judeus. 31Assim também eles desobedeceram agora, devido à misericórdia que alcançastes, para que, por sua vez, também eles alcancem agora misericórdia. 32Efectivamente, Deus encerrou a todos na desobediência, para usar de misericórdia para com todos.

 

Porque Deus só quer o bem dos seus filhos, não se deixa vencer pelas nossas misérias. Até se serve delas, por vezes, para que nos resolvamos a voltar aos caminhos do seu amor, beneficiando da sua Misericórdia. É nesta ordem de ideias que se move S. Paulo ao afirmar que a infidelidade de Israel não será definitiva.

13-14 «Os gentios». A maior parte dos cristãos de Roma, na altura da redacção da carta, isto é, pelo ano 57, seriam procedentes da gentilidade. S. Paulo diz que, com a sua missão de trazer ao Reino de Deus os gentios, espera provocar a emulação dos judeus que, ao verem os frutos do Evangelho no mundo pagão, se sentirão atraídos para dele virem a participar.

15 O Apóstolo futura os maiores bens de salvação com essa conversão dos judeus; será como um regresso à vida de muitos mortos. Hoje não se interpreta esta passagem no sentido de que a conversão dos judeus seja um sinal do fim do mundo; com efeito, «um regresso de mortos à vida» não indica a ressurreição final, mas simplesmente a vinda do povo judeu à fé e à vida em Cristo.

 

Aclamação ao Evangelho       cf. Mt 4, 2

 

Monição: A fé da Cananeia consegue tudo o que quer; Jesus diz-lhe: «Grande é a tua fé. Faça-se como desejas».

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 35

 

Jesus proclamava o evangelho do reino

e curava todas as doenças entre o povo.

 

 

 

Evangelho

 

São Mateus 15, 21-28

21Naquele tempo, Jesus retirou-Se para os lados de Tiro e Sidónia. 22Então, uma mulher cananeia, vinda daqueles arredores, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio». 23Mas Jesus não lhe respondeu uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-Lhe: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós». 24Jesus respondeu: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel». 25Mas a mulher veio prostrar-se diante d’Ele, dizendo: «Socorre-me, Senhor». 26Ele respondeu: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». 27Mas ela replicou: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos». 28Então Jesus respondeu-lhe: «Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas». E, a partir daquele momento, a sua filha ficou curada.

 

Este episódio da mulher cananeia também aparece contado em Marcos (Mc 7, 24-30), que a chama siro-fenícia e que tem o cuidado de não incluir o v. 24 de Mt – «não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel» –, que lhe constaria da tradição, mas que era demasiado duro para os seus destinatários imediatos, os cristãos de Roma, na maioria de origem gentílica. Jesus vem para todos os homens, mas estava nos seus planos pregar directamente apenas aos judeus. Caberia aos Apóstolos virem a evangelizar gentios (cf. Mt 28, 19-20).

21 «Tiro e Sidon»: cidades da costa fenícia, que hoje pertencem ao Líbano. O facto de que ficavam fora da jurisdição de Herodes Antipas, justifica que Jesus estivesse ali mais tranquilo e pudesse cuidar mais intensamente a formação dos seus discípulos.

22-27 A fé desta mulher é descrita de modo impressionante: não desiste apesar de se tornar maçadora (v. 22-23) e de se reconhecer indigna (vv. 24-26); persevera e alcança o que pede (vv. 27-28). As negativas de Jesus revelam uma dureza e desinteresse apenas aparentes, que são a ocasião de se pôr à prova a fé vibrante e humilde daquela pobre mãe aflita. Registamos o comentário do Santo Cura de Ars: «Muitas vezes o Senhor não nos concede logo o que Lhe pedimos. (…) Esse atraso não é uma recusa, mas uma prova que nos dispõe para recebermos mais abundantemente o que Lhe pedimos».

 

Sugestões para a homilia

 

1. Vida de fé.

2. Visão sobrenatural.

3. Vitória que vence o mundo- a nossa fé.

1. Vida de fé

«Grande é a tua fé. Faça-se como desejas» (Ev.)

A nossa vida cristã é uma vida de fé; ela organiza-se e sustenta-se sobre este fundamento: a virtude teologal da fé. O justo vive da fé. Vida de fé que Jesus recompensa, louva e exige de todos.

A fé é um dom de Deus. Há que pedi-la. Crescer na fé é também um dom de Deus; por isso há que rezar: «Senhor, aumenta-nos a fé» (Lc 17, 5).

Como aumentará a nossa fé?

É o mesmo Senhor que a aumenta quando derrama em nós a sua graça com os Sacramentos, quando respondemos generosamente ao que Ele nos pede, quando vamos ao seu encontro na oração, buscando a sua intimidade, escutando a sua voz, cumprindo os seus mandamentos.

Nossa Senhora, em Caná da Galileia, deu-nos um óptimo conselho: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2, 6).

2. Visão sobrenatural

A fé cristã é um desafio a não deixar-nos arrastar pelas paixões, pelos acontecimentos, pelas circunstâncias, pelos critérios mundanos; é como um instinto que nos leva a orientar para Deus todas as coisas. Tudo o que nos possa acontecer é para bem, ainda que em muitos momentos não entendamos como cooperam para o bem tremendas contradições, tão graves acontecimentos.

As coisas são muito mais belas quando são vistas à luz de Deus, quando são vistas com fé. A visão sobrenatural alarga os nossos horizontes, leva-nos a descobrir o brilho divino que existe nas coisas criadas, pois todas saíram das mãos de Deus.

O nosso engano é essencialmente o mesmo: tratar de resolver os problemas exclusivamente com a inteligência sem ter em conta toda essa Revelação de Deus que nos transmite a Escritura e a Tradição e que a Santa Igreja Católica nos ensina. Tantas vidas se desmoronam por estar construídas em areias movediças e não na rocha firme que é a Palavra de Deus.

3. Vitória que vence o mundo- a nossa fé.

«O que crê n'Ele não será confundido» (Rom 10, 13)

«Um filho de Deus, um cristão que vive de fé pode sofrer e chorar, pode ter motivos para ter dor – porém, para estar triste, nunca!» (S. Josemaria)

«Quem é que vence o mundo senão o que crê que Jesus Cristo é o Filho de Deus?» (1 Jo 5, 4-5).

«Feliz daquela que acreditou que teriam cumprimento as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor» (Lc 1, 45).

«Porque Me viste acreditaste? Felizes os que, sem terem visto, acreditam» (Jo 20, 29).

A felicidade, a alegria, a riqueza da nossa fé! Quanto temos que agradecer ao Senhor!

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, com a fé e a humildade da Cananeia,

vamos apresentar ao Senhor os nossos pedidos,

para que os faça chegar ao Pai,

dizendo:

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

1.  Pelo Santo Padre,

por todos os Bispos, Sacerdotes e Diáconos,

pela Igreja de Cristo espalhada por toda a terra

e aqui também presente,

oremos, irmãos.

 

2.  Pela nossa pátria e pelos nossos governantes:

para que contem sempre com a ajuda de Deus

e sirvam o bem comum com generosidade e competência,

oremos, irmãos.

 

3.  Pelas pessoas consagradas,

pelos lares cristãos e seus filhos,

pelos idosos e pelos que vivem sozinhos:

para que Deus os guarde na santidade do seu amor,

os alegre com a sua luz

e lhes conceda a firme esperança do reino futuro,

oremos, irmãos.

 

4.  Pelos nossos emigrantes

espalhados pelos quatro cantos da terra,

para que Deus abençoes os seus trabalhos

e faça deles testemunhas fiéis de Cristo ressuscitado,

oremos, irmãos.

 

5.  Pelos defuntos da nossa comunidade e do mundo inteiro:

para que, purificados das sua faltas,

possam contemplar na eternidade o rosto de Cristo,

oremos, irmãos.

 

Senhor, que nos reunistes numa só família, a Santa Igreja,

para vivermos como vossos filhos cá na terra,

fazei que saibamos amar-Vos cada vez mais no meio das coisas terrenas,

para com ela sabermos ganhar as do céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Que bom Senhor estar ao pé de Ti, M. Carneiro, NRMS 36

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, o que trazemos ao vosso altar, nesta admirável permuta de dons, de modo que, oferecendo-Vos o que nos destes, mereçamos receber-Vos a Vós mesmo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Comungar o Corpo e o Sangue de Cristo é penhor de salvação. Participemos neste Banquete devidamente purificados e revestidos da veste nupcial de graça santificante, para podermos um dia participar no Banquete celeste, na glória de Deus. Recebamos Jesus com a fé e a humildade da Cananeia.

 

Cântico da Comunhão: Ao Teu sacrário venho Senhor, B. Salgado, NRMS 12 (I)

Salmo 129, 7

Antífona da comunhão: No Senhor está a misericórdia, no Senhor está a plenitude da redenção.

 

Ou

Jo 6, 51-52

Eu sou o pão vivo descido do Céu, diz o Senhor. Quem comer deste pão viverá eternamente.

 

Cântico de acção de graças: Bendito sejas, sei que Tu pensas em mim, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que neste sacramento nos fizestes participar mais intimamente no mistério de Cristo, transformai-nos à sua imagem na terra para merecermos ser associados à sua glória no Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Iluminados pela Palavra do Senhor e fortalecidos com a Santíssima Eucaristia, vivamos piedosamente neste mundo e, sempre coerentes com a fé católica recebida no Baptismo, saibamos dar testemunho de Cristo em todas as circunstâncias.

 

Cântico final: Ficai connosco, Senhor, M. Borda, NRMS 43

 

 

 

Celebração e Homilia:          Alfredo Melo

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha


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