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O POEMA DO SOL

 

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

O grande portento solar de 13 de Outubro, que constitui o fenómeno inexplicável mais testemunhado da História, foi, sem dúvida, uma prova definitiva e espectacular da veracidade das Aparições de Fátima. Anunciado para esse dia e hora por inocentes crianças que nem sequer o viram, absortas como estavam em visões celestiais de superior natureza, sacudiu milhares de almas e continua a impressionar-nos profundamente. Que bondade a do Senhor, neste século materialista, em dar-nos tamanha prova física da Sua presença e do Seu poder! Bendito seja!

Mas foi muito mais do que prova e maravilha: foi um resumo plástico inolvidável, um epílogo magistral, o Poema-síntese da Mensagem de Fátima.

 

Sob um céu carregado de nuvens escuras e uma chuva persistente, milhares de peregrinos, encharcados da cabeça aos pés, que se iam enterrando na lama, ali se mantinham teimosamente, à espera – de quê? Nem eles sabiam. Fosse o que fosse! Um sinal do Céu. Acreditavam nos pastorinhos. Criam em Deus e no amor da Nossa Mãe Santíssima. Não iam ser enganados! Tinham fé. E precisavam de Deus e d´Ela. Precisavam muito de algo que lhes confirmasse a misericórdia divina e o carinho materno. Iam cobertos de dores, de saudades, de aflições, mas também de fé, esperança e amor. E outros, de dúvidas, cepticismos e orgulhos…

- Tirem os chapéus! Fechem os guarda-chuvas! E fecham os guarda-chuvas e tiram os barretes. Aguentam o que for preciso.

- Olhem para o sol!, aponta Lúcia para a Sagrada Família, Nossa Senhora e S. José com o Menino ao colo, que ela está vendo…

E eles olham para o sol, porque a chuva pára e as nuvens se rasgam, e o sol aparece. E já não o desfitam, nem percebem como é possível. Não fere; é de prata o suavíssimo astro-rei! Mas parece vivo! Roda como um disco; lança azuis, amarelos, vermelhos, todas as cores do arco-íris… - Aquela senhora está amarela! - E as minhas mãos também! - Que engraçado! Há risos de surpresa… E o sol roda mais, e até baila; e de súbito cresce, afogueado, rubro como sangue! E desce, avoluma-se, vertiginoso, aos zig-zags, contra a multidão apavorada… É o fim do mundo! O calor sufoca. Caem muitos de joelhos, erguem os braços ao céu, confessam e pedem perdão dos seus pecados… E de repente o sol pára, esmorece, recua, volta ao seu lugar no firmamento, e brilha como de costume, que já não se pode fixar… - Milagre! Milagre! Bendito seja Deus! Ó minha Mãe santíssima!...

- Olha, estou enxuto! – E eu também!... - Estamos todos!...

 

Foram dez minutos em que Deus se demonstrou poderosamente como Criador e Senhor do Universo; em que nos convidou a olhar de frente o sol, símbolo da Sua luz inacessível, e a contemplar uma réstia da Sua beleza inaudita; e a brincar fraternalmente com Ele num jogo de cores e ritmos deslumbrantes… De súbito, porém, fez-nos sentir a nossa pequenez, impotência e miséria; e a gravidade das nossas culpas; e, por instantes, o horror da perdição!... E, por fim, a sua maravilhosa misericórdia e paciência, voltando a dar-nos tempo de arrependimento e reparação, de amor, gratidão e santificação. Mais aquele gesto, tão maternal, de cuidar da saúde dos que arrostaram a intempérie por amor à Sua e nossa Mãe querida!

De forma plástica impressionante, no dia 13 de Outubro, Deus manifestou em Fátima a sua Omnipotência, a Sua autoridade suprema e a fidelidade à palavra dada, a Sua atenção pessoal à multidão humana, o Seu amor por cada um de nós, por mais distanciado que se veja da fé, e o chamamento urgente à penitência. O que dissera em segredo pela suavíssima voz de Maria aos pastorinhos, veio confirmá-lo em dez minutos, no último dia, com toda a violência do Amor, capaz de mover o Céu e a Terra para nos salvar, seus filhos.

 

 

 

 

 

 


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