Assunção da Virgem Santa Maria

 

Missa do Dia

15 de Agosto de 2005

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nos braços de Deus forte, F. da Silva, NRMS 45

Ap 12, 1

Antífona de entrada: Um sinal grandioso apareceu no céu: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de estrelas na cabeça.

 

Ou:

Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar este dia de festa em honra da Virgem Maria. Na sua Assunção alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Jesus, presente na Eucaristia, é o fruto do ventre sagrado da Virgem Santa Maria. Com Ele vamos hoje louvar a Sua Mãe, a mais bela das obras de Deus, que Ele preservou da corrupção da morte.

Alegremo-nos celebrando a Assunção de nossa Senhora.

 

Irmãos, para acolher a Jesus imitemos Maria, purificando o nosso coração arrependendo-nos das nossas faltas.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que elevastes à glória do Céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, concedei-nos a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos participar da sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Apocalipse fala-nos da guerra feroz que Satanás faz à Igreja ao longo dos séculos e do grande sinal de vitória que é a Mulher vestida de sol, a Virgem Maria, Mãe da Igreja e nossa mãe.

 

Apocalipse 11, 19a 12, 1-6a.10ab

19aO templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança foi vista no seu templo. 12, 1Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. 3E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. 4A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse. 5Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono 6ae a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. 10abE ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido».

 

Sob a imagem da Arca (v. 19) e da mulher (vv. 1-17) é-nos apresentada, na intenção da liturgia, a Virgem Maria. Entretanto os exegetas continuam a discutir, sem chegar a acordo, se estas imagens se referem à Igreja ou a Maria. Sem nos metermos numa questão tão discutida, podemos pensar com alguns autores que a Mulher simboliza, num primeiro plano, a Igreja, mas, tendo em conta as relações tão estreitas entre a Igreja e Maria - «membro eminente e único da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade... sua Mãe amorosíssima» (Vaticano II, LG 53) – podemos englobar a Virgem Maria nesta imagem da mulher do Apocalipse. Tendo isto em conta, citamos o comentário de Santo Agostinho ao Apocalipse (Homilia IX):

4-5 «O Dragão colocou-se diante da mulher...»: «A Igreja dá à luz sempre no meio de sofrimentos, e o Dragão está sempre de vigia a ver se devora Cristo, quando nascem os seus membros. Disse-se que deu à luz um filho varão, vencedor do diabo».

6 «E a mulher fugiu para o deserto»: «O mundo é um deserto, onde Cristo governa e alimenta a Igreja até ao fim, e nele a Igreja calca e esmaga, com o auxílio de Cristo, os soberbos e os ímpios, como escorpiões e víboras, e todo o poder de Satanás».

 

Salmo Responsorial    Sl 44 (45), 10.11.12.16 (R. cf. 10b)

 

Monição: O salmista canta a beleza de Maria, a cheia de graça, a mais bela das criaturas de Deus.

 

Refrão:        À vossa direita, Senhor, a Rainha do Céu,

                     ornada do ouro mais fino.

 

Ou:               À vossa direita, Senhor, está a Rainha do Céu.

 

Ao vosso encontro vêm filhas de reis,

à vossa direita está a rainha, ornada com ouro de Ofir.

 

Ouve, minha filha, vê e presta atenção,

esquece o teu povo e a casa de teu pai.

 

Da tua beleza se enamora o Rei

Ele é o teu Senhor, presta-Lhe homenagem.

 

Cheias de entusiasmo e alegria,

entram no palácio do Rei.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Celebrar a assunção de Maria é ter a certeza da nossa própria ressurreição e da glorificação do nosso corpo, com a vitória definitiva de Jesus sobre a morte.

 

1 Coríntios 15, 20-27

Irmãos: 20Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. 21Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos 22porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. 23Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder. 25É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. 26E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés. 27Mas quando se diz que tudo Lhe está submetido é claro que se exceptua Aquele que Lhe submeteu todas as coisas.

 

É a partir deste texto e do de Romanos 5 que os Padres da Igreja estabelecem a tipologia baseada num paralelismo antiético, entre Eva e Maria: Eva, associada a Adão no pecado e na morte; Maria, associada a Cristo na obra de reparação do pecado e na ressurreição.

20-23 S. Paulo, começando por se apoiar no facto real da Ressurreição de Cristo, procura demonstrar a verdade da ressurreição (vv. 1-19). Nestes versículos, diz que «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (v. 20). As primícias eram os primeiros frutos do campo que se deviam oferecer a Deus e só depois se podia comer deles (cf. Ex 28; Lv 23, 10-14; Nm 15, 20-21). De igual modo, Cristo nos precede na ressurreição. Nós (exceptuando pelo menos a Virgem Maria) havemos de ressuscitar «por ocasião da sua vinda» (v. 23). Não se pode confundir esta ressurreição sobrenatural e misteriosa de que aqui se fala com a imortalidade da alma. O Credo do Povo de Deus de Paulo VI, no nº 28, diz: «Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - tanto as que ainda devem ser purificadas com o fogo do Purgatório, como as que são recebidas por Jesus no Paraíso logo que se separem do corpo, como o Bom Ladrão - constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída por completo no dia da Ressurreição, em que as almas se unirão com os seus corpos». Por seu turno, a S. Congregação para a Doutrina da Fé, na carta de 17-5-79, declara: «A Igreja, ao expor a sua doutrina sobre a sorte do homem depois da morte, exclui qualquer explicação com que se tirasse o seu sentido à Assunção de Nossa Senhora, naquilo que esta tem de único, ou seja, o facto de ser a glorificação que está destinada a todos os outros eleitos».

 

Aclamação ao Evangelho

 

Monição: Maria, a bendita entre as mulheres, ensina-nos a encaminhar para Deus os louvores, que só a Ele pertencem e a servir os outros com generosidade. É esse o caminho da verdadeira grandeza.

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

 

Maria foi elevada ao Céu:

alegra-se a multidão dos Anjos.

 

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 39-56

39Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo 42e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? 44Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. 45Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor». 46Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. 49O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. 50A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. 51Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. 52Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. 53Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. 54Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre». 56Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.

 

Os estudiosos descobrem neste relato uma série de ressonâncias vetero-testementárias, o que corresponde não apenas ao estilo do hagiógrafo, mas sobretudo à sua intenção teológica de mostrar como na Mãe de Jesus se cumprem as figuras do A.T.: Maria é a verdadeira e nova Arca da Aliança (comparar Lc 1, 43 com 2 Sam 6, 9 e Lc 1, 56 com 2 Sam 6, 11) e a verdadeira salvadora do povo, qual nova Judite (comparar Lc 1, 42 com Jdt 13, 18-19) e qual nova Ester (Lc 1, 52 e Est 1 – 2).

39 «Uma cidade de Judá». A tradição diz que é Ain Karem, uma povoação a 6 Km a Oeste da cidade nova de Jerusalém. De qualquer modo, ficaria a uns quatro dias de viagem de Nazaré. Maria empreende a viagem movida pela caridade e espírito de serviço. A «Mãe do meu Senhor» (v. 43) não fica em casa à espera de que os Anjos e os homens venham servir a sua rainha; e Ela mesma, que se chama «escrava do Senhor» (v. 38), «a sua humilde serva» (v. 48), apressa-se em se fazer a criada da sua prima e de acudir em sua ajuda. Ali permanece, provavelmente, até depois do nascimento de João, uma vez que S. Lucas nos diz que «ficou junto de Isabel cerca de três meses».

42 «Bendita és Tu entre as mulheres». Superlativo hebraico: a mais bendita de todas as mulheres.

43-44 «A Mãe do meu Senhor». As palavras de Isabel são proféticas: o mexer-se do menino no seu seio (v. 41) não era casual, mas «exultou de alegria» para também ele saudar o Messias e sua Mãe.

46 45 O cântico de Nossa Senhora, o Magnificat, é um poema de extraordinária beleza poética e elevação religiosa. Dificilmente poderiam ficar melhor expressos os sentimentos do coração da Virgem Maria – «a mais humilde e a mais sublime das criaturas» (Dante, Paraíso, 33, 2) –, em resposta à saudação mais elogiosa (vv. 42-45) que jamais se viu em toda a Escritura. É como se Maria dissesse que não havia motivo para uma tal felicitação; tudo se deve à benevolência, à misericórdia e à omnipotência de Deus. Sem qualquer referência ao Messias, refulge aqui a alegria messiânica da sua Mãe e a sua humildade num extraordinário hino de louvor e de agradecimento. O cântico está todo entretecido de reminiscências bíblicas, sobretudo do cântico de Ana (1 Sam 2, 1-10) e dos Salmos (35,9; 31, 8; 111, 9; 103, 17; 118, 15; 89, 11; 107, 9; 98, 3); cf. também Hab 3, 18; Gn 29, 32; 30, 13; Ez 21, 31; Si 10, 14; Mi 7, 20. Ao longo dos tempos, muitos e belos comentários se fizeram ao Magnificat; mas também é conhecida a abordagem libertacionista, abundado leituras materialistas utópicas, falsificadoras do genuíno sentido bíblico, com base no princípio marxista da luta de classes. Com efeito, a transformação social que é urgente realizar, não se faz invertendo a ordem social, com o «derrubar os poderosos dos seus tronos» e com o «despedir os ricos de mãos vazias». Eis o comentário da Encíclica Redemptoris Mater, nº 36: «Nestas sublimes palavras… vislumbra-se a experiência pessoal de Maria, o êxtase do seu coração; nelas resplandece um raio do mistério de Deus, a glória da sua santidade inefável, o amor eterno que, como um dom irrevogável, entra na história do homem».

 

Sugestões para a homilia

 

Bendita és Tu

Fez em Mim maravilhas

Um grande sinal

Bendita és Tu

Maria é a mais bela das criaturas de Deus. O Senhor escolheu-A para Sua mãe. No Seu seio puríssimo viveu como num sacrário durante nove meses. O Seu Corpo, agora presente na Eucaristia, é o mesmo que dEla nasceu. É o mesmo que ressuscitou, vencendo a morte e subindo ao Céu.

O Senhor quis glorificar Aquela que não tinha sido manchada pelo pecado, causador da morte e da corrupção, levando-A em corpo e alma para o Céu. Hoje glorificamos a Mãe de Deus e glorificamos a vitória do Seu Filho sobre a morte e o pecado.

É para nós ocasião de aprofundarmos a nossa fé nestas verdades que a Igreja, guiada pelos ensinamentos de Deus, proclama desde os primeiros séculos.

É para nós também ocasião de avivarmos a nossa esperança. A ressurreição de Jesus e a assunção da Virgem ao Céu são como que as primícias da sorte maravilhosa que nos espera. Também nós estaremos com Ela no Céu e também o nosso corpo será restituído à vida e glorificado um dia. No funeral da irmã Lúcia cantou-se, no fim da missa, o cântico No Céu A irei ver. Nossa Senhora tinha-lhe prometido levá-la para o céu e a pena da pastorinha era ter de viver ainda muito tempo na terra. O seu coração ansiava poder contemplar para sempre aquela Senhora mais brilhante que o sol.

Enchamo-nos de alegria ao celebrar esta festa tão bonita e tão antiga de Nossa Senhora. A Igreja celebra-a pelo menos desde o século VI. A maior parte das catedrais da Idade Média foram dedicadas à Assunção de Maria. Sinal da fé e do amor do povo cristão.

Pio XII, antes de proclamar como dogma esta verdade, comprovou a fé de todo o povo cristão, consultando os bispos de todo o mundo. As cartas recebidas foram quase unânimes na manifestação da crença do povo de Deus nesta verdade que o papa proclamou em 1 de Novembro de 1950: «Pela autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo e dos Bem aventurados Apóstolos Pedro e Paulo e também pela nossa proclamamos, declaramos e definimos ter sido divinamente revelado o dogma de que Imaculada sempre Virgem Maria Mãe de Deus, terminado o curso da Sua vida na terra, foi elevada em corpo e alma à glória do Céu» (Const. Apost. Munificentissimus Deus, em AAS 43(1951)638 ).

No mesma documento Pio XII lembra os textos dos Santos Padres que testemunham a Tradição da Igreja, que afirmam esta verdade revelada, terminando: «Desde o século II a Virgem Maria é apresentada pelos Santos Padres como a nova Eva, estreitamente unida ao novo Adão, embora a Ele sujeita. Mãe e Filho aparecem intimamente unidos na luta contra o inimigo infernal, luta essa que, como foi preanunciado no Proto-evangelho, havia de terminar na vitória completa sobre o pecado e a morte» (Ibid )

S. João Damasceno, no sec.VII, é testemunha exímia desta fé da Igreja – diz o Papa. Ele refere uma antiquíssima e piedosa tradição: «os santos Apóstolos que pregavam o Evangelho por várias partes, por ocasião da gloriosa dormição de Maria, juntaram-se milagrosamente em Jerusalém. Estando ali, apareceram-lhes os anjos e escutaram divina melodia dos coros celestes e, assim, no meio da glória celestial entregou Ela a Deus, de modo inefável, a Sua alma santa. O Seu corpo, que acolhera a Deus, foi, no meio dos cânticos dos Anjos e dos Apóstolos, piedosamente colocado num túmulo que está no Getsémani. Ali os anjos se manifestaram com cânticos durante três dias. Passados estes, veio Tomé, que estivera ausente e queria venerar o corpo daquela que acolhera Deus em Seu Seio. Abriram o túmulo e não encontraram o Seu corpo santíssimo, mas só os panos que o tinham envolvido e que exalavam um perfume maravilhoso. Fecharam o sepulcro e, cheios de admiração pelo mistério, só podiam concluir que aprouve Àquele que incarnara em Seu seio e dEla nascera como homem, o Verbo de Deus e Senhor da Glória, que depois do parto conservara a Sua virgindade, levar para o Céu incorrupto o Seu corpo imaculado, quando deixou este mundo, honrando-o antes da ressurreição universal» (S.JOÃO DAMASCENO, Hom. In dormit. B. V. Mariae, MG 96,748)

Fez em Mim maravilhas

O Evangelho apresenta-nos a cena tão bela da visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel. A mãe do precursor, cheia do Espírito Santo dirige a Maria os mais belos elogios. Guiada também pelo Espírito de Deus, a Santa Igreja continuou ao longo dos séculos a louvar a Mãe do Senhor.

Ao ouvir aqueles elogios Maria não nega que sejam verdade. Diz mesmo que todas as gerações A chamarão bem aventurada. Mas encaminha para Deus todos os louvores: «A Minha alma glorifica o Senhor e o Meu espírito se alegra em Deus Meu Salvador… O Todo poderoso fez em Mim maravilhas: santo é o Seu nome»

A Virgem é para nós modelo da verdadeira humildade. Esta não consiste em negar as coisas boas que recebemos, mas em encaminhar para Deus, que no-las deu, os louvores recebidos. Escolhida para Mãe de Deus, foi pôr-se ao serviço da prima durante três meses, como simples criada, para a ajudar.

Contemplemos uma vez e outra o exemplo da nossa Mãe. Está tão perto de Deus. É a criatura mais perfeita, revestida da dignidade maior concedida a uma criatura. Ao mesmo tempo é a mais humilde, mais perto de cada um de nós: pelo Seu trabalho, que foi igual ao de tantas mulheres, pela Sua simplicidade, pelo Seu amor a cada a homem, que o Senhor Lhe entregou como Seus filhos.

Muitas vezes Lhe poderemos dirigir o elogio de tantas gerações: Salve Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa... Depois deste desterro nos mostrai Jesus, bendito fruto do Vosso ventre.

Como João Paulo II procuremos ser todos de Maria e seremos todos de Jesus. Ela sempre nos leva a Seu Filho. É o caminho mais fácil e mais seguro para ir até Ele. Charles Péguy, célebre convertido francês, escrevia em 1909: «Nossa Senhora salvou-me do desespero. Imagina. Durante dezoito meses não pude rezar o Pai-Nosso… Não podia dizer: Faça-se a Vossa vontade: não podia dizê-lo… Não podia rezar a Deus porque não podia aceitar a Sua vontade. É horrível… Então rezei a Maria. As orações dirigidas a Maria são as orações de reserva. Não há nenhuma em toda a Liturgia, nem uma – entendes? – que o mais miserável pecador não possa dizer verdadeiramente. No mecanismo da salvação a Ave Maria é o último socorrro.Com ele não se pode estar perdido». (em A.OROZCO, A Virgem Imaculada)

Um grande sinal

Satanás faz guerra aos amigos de Deus, faz guerra à Igreja. Não podemos iludir-nos a nós mesmos, imaginando que tudo é fantasia para assustar as crianças.

A visão do Apocalipse apresenta-o com grande poder e manifestações de arrogância. É um sinal, um aviso para todos nós. Quer perder-nos, levar-nos a ofender a Deus e a separar-nos dEle para sempre. Parece muitas vezes, ao longo da História, que vence os amigos de Deus. Parece que a Igreja vai ser derrotada por ele. Mas não. O Senhor deixou-nos um sinal de esperança. É Maria, a mulher dada como sinal aos nossos primeiros pais, que a serpente não poderia vencer.

Ela é a mulher vestida de sol, adornada da graça e da beleza de Deus e revestida do Seu poder. Por isso Satanás não levará a melhor contra Ela e contra aqueles que se acolhem sob a Sua protecção.

Em 1984 parecia que o comunismo ia conquistar o mundo. Dentro da própria Igreja alguns se tinham rendido às suas ideias. João Paulo II consagrou o mundo e a Rússia ao Coração Imaculado de Maria, como a Virgem tinha pedido aos pastorinhos, em Fátima, em 1917. Cinco anos depois caía o muro de Berlim e os países de Leste abriam-se à liberdade. O mundo ficou surpreendido como o comunismo tinha caído, inesperadamente, como um baralho de cartas. E muitos não cristãos começaram a interessar-se pela mensagem de Fátima.

«A Rússia espalhará os seus erros pelo mundo – tinha anunciado a Virgem – o Santo Padre consagrar-me-á a Rússia e o Meu Imaculado Coração triunfará». A profecia tinha-se cumprido e o comunismo ateu, que tantos milhões de mortos causara, ao serviço de Satanás, tinha sido derrotado pela Mulher vestida de sol.

Que Maria seja para nós, sempre, o sinal de Deus, que nos convida a lutar pelo bem e pela verdade, ao serviço de Jesus, sem ter medo da guerra que o demónio nos faz. Que A amemos de verdade, fazendo o que nos pede, rezando-Lhe muitas vezes.

Em 1830 a Virgem aparecia em Paris na capela das freiras de S. Vicente de Paulo, na Rua du Bac, a Santa Catarina Labouré. Pedia-lhe para espalhar pelo mundo uma medalha com a imagem de Nossa Senhora com as mãos abertas, derramando feixes de graças sobre o mundo e com umas palavras em volta: «Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós».

Ficou conhecida com o nome de medalha milagrosa. Um dos milagres mais famosos é o da conversão de Afonso de Ratisbona. Era judeu e tinha ido a Roma visitar um amigo, que era católico. Este ofereceu-lhe a pequena medalha, pedindo-lhe para a usar. Ao visitar a igreja de S. André, viu junto do altar uma grande luz e no meio dela a bela Senhora representada na medalha. Afonso intuiu imediatamente a divindade da fé cristã e ficou a entender muitas das verdades da fé.

 

Fala o Santo Padre

 

«Assunção de Maria torna-se para nós um sinal de esperança certa e de consolação!»

 

3. «Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade...» (Lc 1, 39). As palavras deste trecho evangélico fazem-nos vislumbrar, com os olhos do coração, a jovem de Nazaré a caminho da «cidade da Judeia», onde morava a sua prima, para lhe oferecer os seus serviços. Aquilo que nos surpreende acima de tudo, em Maria, é a sua atenção repleta de ternura pela sua parente idosa. Trata-se de um amor concreto, que não se limita a palavras de compreensão, mas que se compromete pessoalmente numa verdadeira assistência. À sua prima, a Virgem não dá simplesmente algo que lhe pertence; Ela dá-se a si mesma, sem nada exigir como retribuição. Ela compreendeu de maneira perfeita que, mais do que um privilégio, o dom recebido de Deus constitui um dever, que a empenha no serviço aos outros, na gratuidade que é própria do amor.

4. «A minha alma proclama a grandeza do Senhor...» (Lc 1, 46). No seu encontro com Isabel, os sentimentos de Maria brotam com vigor no cântico do Magnificat. Através dos seus lábios exprimem-se a expectativa repleta de esperança dos «pobres do Senhor», e a consciência do cumprimento das promessas, porque Deus «se recordou da sua misericórdia» (cf. Lc 1, 54).

É precisamente desta consciência que brota a alegria da Virgem Maria, que transparece no conjunto do cântico: alegria de saber que Deus «olha» para Ela, apesar da sua «fragilidade» (cf. Lc 1, 48); alegria em virtude do «serviço» que lhe é possível prestar, graças às «grandes obras» que o Todo-Poderoso realizou em seu favor (cf. Lc 1, 49); alegria pela antecipação das bem-aventuranças escatológicas, reservadas aos «humildes» e aos «famintos» (cf. Lc 1, 52-53).

Depois do Magnificat chega o silêncio; nada se diz acerca dos três meses da presença de Maria ao lado da sua prima Isabel. Talvez nos seja dita a coisa mais importante: o bem não faz ruído, a força do amor expressa-se na discrição tranquila do serviço quotidiano.

5. Mediante as suas palavras e o seu silêncio, a Virgem Maria aparece como um modelo ao longo do nosso caminho. Não se trata de um caminho fácil: em virtude da culpa dos seus pais primitivos, a humanidade traz em si a ferida do pecado, cujas consequências ainda continuam a fazer-se sentir nas pessoas remidas. Mas o mal e a morte não terão a última palavra! Maria confirma-o através de toda a sua existência, sendo testemunha viva da vitória de Cristo, nossa Páscoa.

Os fiéis compreenderam-no, reconhecendo nela «a mulher revestida de sol» (Ap 12, 1), a Rainha que resplandece junto do trono de Deus (cf. Salmo responsorial) e intercede em favor deles.

6. No dia de hoje, a Igreja celebra a gloriosa Assunção de Maria ao Céu, de corpo e alma. Os dois dogmas da Imaculada Conceição e da Assunção estão intimamente ligados entre si. Ambos proclamam a glória de Cristo Redentor e a santidade de Maria, cujo destino humano já está perfeita e definitivamente realizado em Deus.

«E quando Eu tiver partido e vos tiver preparado um lugar, voltarei e levar-vos-ei comigo para que, onde Eu estiver, vós estejais também», disse-nos Jesus (Jo 14, 3). Maria é o penhor e o cumprimento da promessa de Cristo. A sua Assunção torna-se para nós «um sinal de esperança certa e de consolação» (Lumen gentium, 68). […]

 

João Paulo II, Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, 15 de Agosto de 2004

 

Oração Universal

 

Na oração universal apresentamos com Jesus ao Pai

as necessidades de todos os homens.

Façamo-lo hoje com Maria, dizendo:

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores

 

1.  Pela Santa Igreja Católica, para que,

a exemplo de Maria, leve Cristo a todos os homens,

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores

 

2.       Pelo Santo Padre, para que seja instrumento dócil do Espírito Santo

na condução do Rebanho de Cristo,

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores

 

3.       Pelos bispos e sacerdotes,

para que se gastem generosamente ao serviço das almas,

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores

 

4.       Por todos os cristãos,

para que vivam melhor a Eucaristia,

imitando Nossa Senhora,

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores

 

5.  Para que todos visitemos mais vezes a Jesus no sacrário,

sabendo consumir tempo em adoração ao Senhor,

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores

 

6.  Pelos jovens de todo o mundo e sobretudo da nossa comunidade paroquial

para que, atentos ao Vigário de Cristo,

se deixem guiar pelo Espírito de Deus para renovarem o mundo,

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores

 

5.       Para que todos os cristãos procurem com mais fé

e assiduidade o Sacramento da Confissão,

onde o Espirito Santo renova os corações,

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores

 

Senhor, que nos encheis da Vossa graça em Cristo, presente na Eucaristia,

fazei-nos viver a vida nova em Cristo com A Virgem Santa Maria.

Pelo mesmo N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Ó Maria, sois a Mãe de Jesus, J. Santos, NRMS 33-34

 

Oração sobre as oblatas: Suba até Vós, Senhor, a nossa humilde oferta e, pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, elevada ao Céu, fazei que os nossos corações, inflamados na caridade, se dirijam continuamente para Vós. Por Nosso Senhor.

 

 

Prefácio

 

A glória da Assunção de Maria

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos na Assunção da Virgem Santa Maria.

Hoje a Virgem Mãe de Deus foi elevada à glória do Céu. Ela é a aurora e a imagem da Igreja triunfante, ela é sinal de consolação e esperança para o vosso povo peregrino. Vós não quisestes que sofresse a corrupção do túmulo aquela que gerou e deu à luz o Autor da vida, vosso Filho feito homem.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando com alegria:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Ano da Eucaristia. Maria foi o primeiro sacrário de Jesus. Que Ela seja o nosso modelo ao acolhê-Lo na comunhão.

 

Cântico da Comunhão: O meu espírito exulta, C. Silva, NRMS 38

cf. Lc 1, 48-49

Antífona da comunhão: Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque o Senhor fez em mim maravilhas.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da vida eterna, concedei-nos, por intercessão da Virgem Santa Maria, elevada ao Céu, a graça de chegarmos à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Jesus deu-nos em Maria um sinal de vitória. Pela Sua mão caminharemos seguros. Até ao Céu.

 

Cântico final: Nós te cantamos, M. Borda, NRMS 10 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

20ª SEMANA

 

3ª feira, 16-VIII: O ambiente das celebrações eucarísticas.

Jz. 6, 11-24 / Mt. 19, 23-30

E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos..., por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna.

Procuremos ser generosos com Deus: para Ele o melhor da nossa vida, do nosso tempo, dos nossos bens.

Também na Liturgia, ao renovar-se o sacrifício de Cristo, pedimos ao Senhor: «Olhai com benevolência e agrado para esta oferenda e dignai-vos aceitá-la como aceitastes os dons do justo Abel..., o sacrifício de Abraão» (Oração Eucarística I). Procuremos realizar as celebrações eucarísticas com o máximo decoro, qualidade e beleza: «(a Igreja) sente-se impelida, ao longo dos séculos e no alternar-se das culturas, a celebrar a Eucaristia num ambiente digno de tão grande mistério» (IVE, 48).

 

4ª feira, 17-VIII: Os últimos serão os primeiros

Jz. 9, 6-15 / Mt. 20, 1-16a

 

5ª feira, 18-VIII: Convite para o banquete eucarístico.

Jz. 11, 29-39 / Mt. 22, 1-14.

O Reino dos céus é comparável a um rei que preparou o banquete nupcial para o seu filho. Enviou criados a chamarem os convidados...

Este banquete nupcial significa também a Eucaristia, o alimento para o qual o Senhor nos convida: «Tomai e comei todos...».

Da parte do Senhor há um «desejo ardente de comer esta Páscoa convosco» (Lc. 22, 15). «A pousada que Deus quer é a alma de cada um... e que ela esteja muito enfeitada, muito limpa, desprendida das coisas da terra. Não há relicário, não há custódia, por mais rica que seja, por mais pedras preciosas que tenha, que seja igual a esta pousada para Cristo. Com amor vem à tua alma, com amor quer ser recebido» (S. João de Ávila).

 

6ª feira, 19-VIII: Avaliação do amor de Deus.

Rut 1, 1-2. 3-6. 14-16. 22 / Mt. 22, 34-40

Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente.

Com poderemos avaliar o nosso amor a Deus? «Este é o índice para que a alma possa conhecer claramente se ama a Deus ou não. Se o ama, o seu coração não se centrará em si própria, nem estará atenta a conseguir os seus gostos e conveniências. Quanto mais tem o coração para si menos o tem para Deus» (S. João da Cruz).

O amor a Deus e o amor ao próximo (cf. Ev.) alimenta-se na oração e nos sacramentos. De um modo particular, a Eucaristia deve ser a fonte onde se alimenta o nosso amor ao Senhor.

 

Sábado, 20-VIII: Humildade e espírito de serviço.

Rut 2, 1-3. 8-11; 4, 13-17 / Mt. 23, 1-12

Aquele que for o maior entre vós será vosso servo. Quem se elevar será humilhado e quem se humilhar será elevado.

Os escribas e os fariseus procuravam a sua própria glória (cf. Ev.). Por isso, o Senhor chama atenção para as virtudes da humildade e do espírito de serviço.

Jesus é o exemplo supremo de humildade e entrega aos outros. Ninguém teve uma dignidade tão elevada, nem ninguém serviu os outros como Ele: «O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir» (Mt. 20, 28). Na Santa Missa aprendemos com Ele a dar a vida pelos amigos (serviço supremo); no Sacrário reconhecemos a sua humildade, o desejo de ficar para sempre connosco para nos dar forças.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Celestino Correia Ferreira

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha


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