2º Domingo Comum

14 de Janeiro de 2018

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor é a força do seu povo, F. da Silva, NRMS 106

Salmo 65, 4

Antífona de entrada: Toda a terra Vos adore, Senhor, e entoe hinos ao vosso nome, ó Altíssimo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

“Eis o Cordeiro de Deus.” A Palavra divina neste segundo Domingo do Tempo Comum fala-nos da vocação. Deus chama-nos para colaborarmos com Ele na obra da redenção do mundo. A Deus que chama, Samuel responde prontamente: falai, Senhor, que o vosso servo escuta. São João Baptista apresenta Jesus como o Cordeiro de Deus. Este anúncio luminoso mudou a vida de João e André. Decidiram seguir Jesus. Hoje, Jesus também nos convida: “Vinde ver!” Eis um programa de vida cristã para este Novo Ano: Procurar Jesus, seguir Jesus, permanecer em Jesus. Chamar e trazer as pessoas a Jesus. Servir a Deus, renunciando à imoralidade, glorificando a Deus com uma vida pura.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que governais o céu e a terra, escutai misericordiosamente as súplicas do vosso povo e concedei a paz aos nossos dias. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: “Samuel, Samuel!

Aqui estou! Falai Senhor que o vosso servo escuta.”

Deus chama. Samuel responde prontamente. Para discernir e interpretar os desígnios de Deus, Samuel recorreu ao sacerdote Eli. Com humilde disponibilidade colocou-se à disposição de Deus e foi o grande condutor de Israel.

 

1 Samuel 3, 3b-10.19

Naqueles dias, 3bSamuel dormia no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus. 4O Senhor chamou Samuel e ele respondeu: «Aqui estou». 5E, correndo para junto de Heli, disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Mas Heli respondeu: «Eu não te chamei; torna a deitar-te». E ele foi deitar-se. 6O Senhor voltou a chamar Samuel. Samuel levantou-se, foi ter com Heli e disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Heli respondeu: «Não te chamei, meu filho; torna a deitar-te». 7Samuel ainda não conhecia o Senhor, porque, até então, nunca se lhe tinha manifestado a palavra do Senhor. 8O Senhor chamou Samuel pela terceira vez. Ele levantou-se, foi ter com Heli e disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Então Heli compreendeu que era o Senhor que chamava pelo jovem. 9Disse Heli a Samuel: «Vai deitar-te; e se te chamarem outra vez, responde: ‘Falai, Senhor, que o vosso servo escuta’». Samuel voltou para o seu lugar e deitou-se. 10O Senhor veio, aproximou-Se e chamou como das outras vezes: «Samuel, Samuel!» E Samuel respondeu: «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta». 19Samuel foi crescendo; o Senhor estava com ele e nenhuma das suas palavras deixou de cumprir-se.

 

Esta leitura é uma selecção de versículos de 1 Sam 3, onde se relata a célebre vocação do profeta pregador que, no séc. XI a. C., havia de imprimir novo rumo ao povo de Israel. A escolha dos versículos deixa ver que a intenção da Liturgia não se centra nos pormenores da história, nem na infidelidade de Eli, mas na lição de obediência pronta do jovem Samuel, oferecido ao Senhor por sua mãe, Ana (cf. 1, 28), o qual vivia com o sacerdote Eli como servidor do santuário de Silo – «no templo do Senhor» (v. 3) –, onde se guardava a Arca da Aliança. Com Samuel inicia-se em Israel o profetismo como ministério constante e ininterrupto. Como veio a suceder com os grandes profetas, a sua missão aparece precedida dum chamamento sobrenatural e bem claro de Deus. A presente leitura é a história duma vocação e fala-nos da prontidão e disponibilidade para seguir a chamada divina.

 

Salmo Responsorial            Salmo 39 (40), 2.4ab.7-8a.8b-9.10-11 (R. 8a.9a)

 

Monição: O salmo 39 convida-nos a imitar Samuel e todos aqueles que são chamados por Deus. O autor da Carta aos Hebreus faz a leitura cristã deste salmo ao colocar na boca de Jesus, “ao entrar no mundo”, estas palavra: “No livro da Lei está escrito a meu respeito: Eu venho para fazer a vossa vontade.” (Heb 10,7) Hoje também nós oferecemos o louvor da nossa gratidão ao Pai celeste, que nos chamou para sermos seus filhos: Eu venho, Senhor, para fazer a Vossa vontade.

 

Refrão:    Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.

 

Esperei no Senhor com toda a confiança

e Ele atendeu-me.

Pôs em meus lábios um cântico novo,

um hino de louvor ao nosso Deus.

 

Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,

mas abristes-me os ouvidos;

não pedistes holocaustos nem expiações,

então clamei: «Aqui estou».

 

«De mim está escrito no livro da Lei

que faça a vossa vontade.

Assim o quero, ó meu Deus,

a vossa lei está no meu coração».

 

«Proclamei a justiça na grande assembleia,

não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.

Não escondi a justiça no fundo do coração,

proclamei a vossa bondade e fidelidade».

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo convida os cristãos de Corinto a viverem de forma coerente com o chamamento que Deus lhes fez e pede: “Glorificai a Deus no vosso corpo.” Os cristãos da cidade de Corinto viviam num ambiente pagão cheio de imoralidade. Ora, o nosso corpo é templo da divindade. Não nos pertencemos a nós próprios, o nosso corpo não se destina à imoralidade. S Paulo recorda-nos que o ideal da pureza cristã aplicado ao domínio da vivência da sexualidade, implica que certas atitudes e hábitos desordenados devem ser totalmente banidos da nossa vida.

 

1 Coríntios 6, 13c-15a.17-20

Irmãos: 13cO corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor é para o corpo. Deus, que ressuscitou o Senhor, também nos ressuscitará a nós pelo seu poder. 15aNão sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? 17Aquele que se une ao Senhor constitui com Ele um só Espírito. 18Fugi da imoralidade. Qualquer outro pecado que o homem cometa é exterior ao seu corpo; mas o que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo. 19Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus? Não pertenceis a vós mesmos, 20porque fostes resgatados por grande preço: glorificai a Deus no vosso corpo.

 

Como em todos os anos, A, B e C, sempre se inicia o tempo comum tendo como 2ª leitura respigos da 1ª aos Coríntios; neste ano B, começa-se no cap. 6; no próximo ano C. no cap. 12.

A leitura é tirada do fim dia primeira parte de 1 Cor, na qual S. Paulo procura remediar vários abusos verificados naquela comunidade nascente. É bem conhecida a má fama da capital da província romana da Acaia: «viver em Corinto» – Korinthiázein – era sinónimo de levar vida libertina. O próprio vício era divinizado: no templo de Afrodite havia cerca de mil sacerdotisas dedicadas à prostituição sagrada. É, pois, fácil de compreender que, para alguns convertidos, fosse difícil abandonar uma mentalidade generalizada que legitimava a fornicação. E, para a justificarem, chegariam mesmo, segundo se depreende do v. 12, a torcer as próprias palavras de S. Paulo: «tudo me é permitido» (cf. 1 Cor 10, 23), e a dizer que se tratava duma simples necessidade corporal, como comer e beber (cf. v. 13), e não como algo que encerra um sentido superior que envolve toda a pessoa. O Apóstolo, para levar estes maus cristãos ao bom caminho e impedir que os outros se deixem perverter, não se detém a dar-lhes um curso de educação sexual, nem a insistir na fealdade do vício e das suas funestas consequências para o indivíduo e para a sociedade. Apela para os motivos da fé: «o corpo… é para o Senhor» (v. 13); ele há-de ressuscitar (v. 14); é membro de Cristo (v. 15); é «templo do Espírito Santo» (v. 19); «resgatados» por Cristo, já «não pertencemos a nós mesmos» (v. 20a); a castidade é uma afirmação cheia de alegria: «glorificai a Deus no vosso corpo» (v. 20b). S. Paulo não se limita a condenar a prostituição sagrada dos santuários idolátricos, pois não trata aqui da idolatria, mas da castidade; fala sem os eufemismos: «fornicação», traduzida pelo termo vago, «imoralidade» (v. 18), tendo-se omitido na leitura litúrgica os bem fortes versículos 15b-16: «como é possível tomar os membros de Cristo para fazer deles membros duma prostituta?…»

 

Aclamação ao Evangelho   cf. Jo 1, 41.17b

 

Monição: Encontrámos o Messias! Aclamamos Jesus Cristo, O Cordeiro de Deus, que nos chamou a tomar parte na Sua glória, por meio do Evangelho. De pé cantemos: Aleluia!

 

Aleluia

 

Cântico: S. Marques, NRMS 73-74

 

Encontramos o Messias, que é Jesus Cristo.

Por Ele nos veio a graça e a verdade.

 

 

Evangelho

 

São João 1, 35-42

35Naquele tempo, estava João Baptista com dois dos seus discípulos 36e, vendo Jesus que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus». 37Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus. 38Entretanto, Jesus voltou-Se; e, ao ver que O seguiam, disse-lhes: «Que procurais?» Eles responderam: «Rabi que quer dizer ‘Mestre’ onde moras?» Disse-lhes Jesus: 39«Vinde ver». Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era por volta das quatro horas da tarde. 40André, irmão de Simão Pedro, foi um dos que ouviram João e seguiram Jesus. 41Foi procurar primeiro seu irmão Simão e disse-lhe: «Encontrámos o Messias» que quer dizer ‘Cristo’; 42e levou-o a Jesus. Fitando os olhos nele, Jesus disse-lhe: «Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas» que quer dizer ‘Pedro’.

 

Os três Sinópticos apresentam os primeiros discípulos noutro contexto, o do chamamento (Mt 4,18-22; Mc 1,16-20; Lc 5,1-11), ao passo que o IV Evangelho se limita a relatar um primeiro encontro, cheio de vivacidade e encanto.

35 «João». A tradução litúrgica, para desfazer equívocos, acrescentou: «Baptista». A verdade é que o 4.° Evangelho só conhece um João, por isso nunca o adjectiva de Baptista. Neste relato não se fala do nome do companheiro de André, que seria o próprio evangelista (cf. 13, 23; 18, 15; 19, 26.35; 20, 2; 21, 2.20.24), o qual, por humildade, nunca fala do seu próprio nome, o que é um sinal de que a ele se deve a autoria deste Evangelho.

36 «Eis o Cordeiro de Deus» (cf. Jo 1, 20). A Liturgia e a iconografia cristã dão grande relevo a este testemunho do Baptista. A expressão é muito rica de significado e faz referência não só ao cordeiro pascal (cf. 1 Cor 5, 7; Jo 19, 36), como também ao Servo de Yahwéh Sofredor, comparado em Is 57, a um manso cordeiro levado à morte (a própria palavra aramaica certamente usada pelo Baptista, «talyá», significa tanto cordeiro como servo).

37-40 O relato conserva a frescura e o encanto de quem viveu intensamente aquele momento único e decisivo da vida docemente subjugado pela atracção humana e o fascínio divino da pessoa de Jesus. Cerca de setenta anos depois, João recorda exactamente a hora e, em pormenor, aquela inolvidável e tímida troca de palavras. Eis o comentário de Santo Agostinho: «Não O seguiram para ficar definitivamente com Ele. (...) Quiseram somente ver onde habitava… O Mestre mostrou-lhes onde habitava e eles foram e permaneceram com Ele. Que dia feliz e que feliz noite passaram! Quem poderá dizer-nos o que eles ouviram da boca do Senhor? Façamos nós também uma habitação no nosso coração, e venha o Senhor até junto de nós para nos ensinar e falar connosco!» (In Ioh. tract. 7, 9).

41-42 «Encontrámos o Messias!» (Eurêkamen ...) O grande achado da vida, que os faz exclamar mais exultantes que o sábio grego Arquimedes ao descobrir o seu célebre princípio da Física: «êureka!». E não se pode conhecer Cristo sem transmitir a outros essa grande e feliz notícia. «Messias», é uma palavra hebraica (em grego «Cristo»), que significa aquele que foi ungido, designando-se assim um novo rei David esperado para restaurar o reino de Israel no fim dos tempos (cf. 2 Sam 7, 12-16.19.25.29; 1 Cr 17, 11-14; Is 11, 1-9; Act 2, 30; Lc 1, 32-33). Cefas não era um nome, mas um apelativo original, pedra (em aramaico), para indicar, neste caso, não uma característica pessoal (Simão não se distinguia pela firmeza da rocha: cf. 18, 17.25.27), mas a missão a que Deus o destinava de vir a ser a pedra em que Jesus assenta a sua Igreja (cf. Jo 21, 15-18; Mt 16, 18-19; Lc 22, 31-33).

 

Sugestões para a homilia

 

“Falai, Senhor, que o vosso servo escuta!”

 “Eis o Cordeiro de Deus! Foram ver onde Jesus morava e ficaram com Ele!”

 

 

“Falai, Senhor, que o vosso servo escuta”

O relato da vocação de Samuel na primeira leitura recorda-nos que a vocação é sempre uma iniciativa divina: “o Senhor chamou Samuel.” É Deus que nos escolhe e nos chama. A Bíblia diz que “Samuel ainda não conhecia o Senhor porque, até então, nunca se lhe tinha manifestado a Palavra do Senhor.” Ao falar assim, reforça a ideia que a vocação de Samuel tem a sua origem em Deus. Deus dirige-se a Samuel enquanto dormia, durante a noite. A noite favorece o silêncio, permitindo-nos escutar a voz de Deus; o silêncio favorece a oração. Reparemos que o autor sagrado sublinha a dificuldade que o jovem Samuel teve em reconhecer a voz do Senhor. Chamado por quatro vezes, Samuel só na última vez conseguiu identificar a voz de Deus. Isto sublinha a dificuldade de identificar a voz de Deus e o papel do sacerdote Eli, que compreende “que era o Senhor quem chamava o menino” e o ensinou: “Vai deitar-te e se te chamarem outra vez, responde: “Falai, Senhor, que o vosso servo escuta.” Na Bíblia, o verbo “escutar”, significa acolher no coração e transformar o que se ouviu em compromisso de vida. Samuel acolheu o apelo de Deus e “foi crescendo. Deus estava com ele e nenhuma palavra deixou de cumprir-se.” Samuel foi um sinal vivo de Deus, foi a voz “humana” de Deus, na vida e na história do Povo Hebreu.

 

Eis o Cordeiro de Deus! Foram ver onde Jesus morava e ficaram com Ele.

Deus manifestou o Seu amor por nós de forma progressiva, ao longo da História da salvação. Esta revelação alcançou a plenitude, quando nos enviou o Seu Filho. Durante o tempo de Natal celebrámos o mistério da Encarnação: O Verbo fez-se Homem e veio habitar connosco. Jesus é a Palavra definitiva do Pai. “Deus falou-nos muitas vezes e de muitos modos pelos profetas. Na plenitude dos tempos falo-nos por Seu Filho.” (Cf Heb 1-2) Não podemos ficar indiferentes à voz de Deus. A nossa atitude deve ser como a do jovem Samuel que respondeu com generosidade e prontidão. Ou como a dos dois discípulos de João Baptista. Diz o Evangelho que ao ver Jesus, que passava por ali, nas margens do Jordão, João Baptista apontou para Ele, dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus.” Movidos por anúncio jubiloso e misterioso, foram ter com Jesus. Qual o significado destas palavras que motivaram João e André a deixar o Baptista para seguirem Jesus? Todos dias o sacerdote repete estas palavras na Eucaristia, antes da comunhão. “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” Também nos fascinam quando as ouvimos? Deixamo-nos seduzir por Jesus, o Cordeiro de Deus? Eles decidiram seguir Jesus. Ficaram com Ele. Tornaram-se seus amigos, seus discípulos, seus Apóstolos. E

Na Antiga Aliança, o Cordeiro imolado na Ceia pascal, lembrava aos Hebreus a passagem da terra da escravidão, no Egipto, para a Terra Prometida. Era o símbolo da libertação. Era o símbolo da Páscoa. No tempo de Jesus, a palavra “cordeiro” também recordava aos judeus, que esperavam o Messias, a profecia do Servo sofredor, que havia de carregar sobre os seus ombros as culpas da humanidade, “como um Cordeiro levado ao matadouro.” (Isaías 53,7) O Evangelho diz que “os dois discípulos de João Baptista ouviram aquelas palavras e seguiram Jesus.” Ficaram fascinados. Certamente não conheciam Jesus, mas deixaram-se seduzir por Ele. Jesus perguntou: “Que procurais?” Esta pergunta é um estímulo para eles, que suspiravam pela vinda do Messias tão desejado. Jesus aumenta a curiosidade e favorece o diálogo. Eles perguntaram também: “Rabi, onde moras?” Jesus respondeu: “Vinde ver.” S. João da Cruz diz que “quando a alma procura a Deus, muito mais a procura o seu Amado a ela.”[1] Quem procura encontra. Não procurariam se Deus não tivesse colocado neles o desejo de procurar. Deus serve-se muitas vezes de intermediários. Já falámos do sacerdote Eli. Ao iniciar a Sua vida pública, Jesus, através de S. João Baptista, vai ter os primeiros discípulos. Que experiência maravilhosa. Passar um dia com Jesus. S. João nunca mais esqueceu este primeiro encontro com o divino Mestre. As pessoas apaixonadas recordam o dia e a hora do primeiro encontro com a pessoa amada! “Era por volta das quatro horas da tarde.” A alegria de quem encontrou a felicidade torna-se contagiosa. Não é possível esconder a luz que brilha no rosto de uma pessoa apaixonada. André foi procurar seu Irmão, Simão e contou-lhe a origem da sua Felicidade: “Encontrámos o Messias! E levou-o a Jesus.”

Estamos a iniciar um novo ano. O Amor é dinâmico. A alegria da fé é luminosa, é contagiante. Ano Novo, vida nova. Decidir seguir Jesus. Estar com Ele pelo menos um dia, um dia de retiro. Falar de Jesus, com entusiasmo. Trazer alguém à Eucaristia, à Confissão, à Comunhão.

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos em Cristo: Oremos a Deus nosso Pai,

que nos faz conhecer a sua vontade através da história do mundo e dos homens,

e digamos humildemente:

 

Ouvi-nos, Senhor.

 

1. Para que a nossa Diocese, suas paróquias e movimentos

sejam confirmados na fé pelo Papa Francisco,

sucessor do Apóstolo São Pedro, oremos.

 

2. Para que os responsáveis da nossa Pátria

desenvolvam com entusiasmo o bem comum

e promovam os direitos dos cidadãos mais necessitados, oremos.

 

3. Para que os jovens da nossa Diocese,

à semelhança do pequeno Samuel,

escutem com júbilo a voz de Cristo que os chama, oremos.

 

4. Para que os membros da nossa assembleia

participem dignamente na Eucaristia

e cresçam cada vez mais em boas obras, oremos.

 

5. Para que os fiéis defuntos das nossas famílias

alcancem o perdão dos seus pecados,

e entrem na vida que não tem fim, oremos.

 

Deus eterno e omnipotente, que nos chamais a seguir-Vos,

como o vosso Filho chamou os Apóstolos,

confirmai no seu propósito os que respondem com decisão

e renovai o entusiasmo dos que vacilam no caminho. Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Para Vós, Senhor, M. Carneiro, NRMS 73-74

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, a graça de participar dignamente nestes mistérios, pois todas as vezes que celebramos o memorial deste sacrifício realiza-se a obra da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

“Felizes os convidados para a Ceia do Senhor. Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.”

Deixemo-nos seduzir por tão jubiloso convite que a Igreja, peregrina neste mundo, nos dirige. Este convite antecipa a felicidade plena da vida eterna: “Alegremo-nos, exultemos e dêmos glória a Deus, porque chegou o tempo das núpcias do Cordeiro e a sua Esposa está preparada. Felizes os convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro.”[2]

Somos convidados para o banquete do Cordeiro. “Ó Sagrado banquete em que se recebe Cristo e se comemora a sua paixão, em que a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da futura glória.” Agora, pela fé comungamos Jesus, o Pão vivo descido do Céu. Depois do exílio, na Pátria da felicidade, seremos totalmente saciados, participando no banquete das núpcias do Cordeiro.

 

Cântico da Comunhão: Eu venho, Senhor, Az. Oliveira, NRMS 62

Salmo 22, 5

Antífona da comunhão: Para mim preparais a mesa e o meu cálice transborda.

 

Ou

1 Jo 4, 16

Nós conhecemos e acreditámos no amor de Deus para connosco.

 

Cântico de acção de graças: Povos da terra, louvai ao Senhor, M. Simões, NRMS 55

 

Oração depois da comunhão: Infundi em nós, Senhor, o vosso espírito de caridade, para que vivam unidos num só coração e numa só alma aqueles que saciastes com o mesmo pão do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Os Apóstolos viram, acreditaram e transmitiram-nos o Evangelho de Jesus.

“André, depois de permanecer com Jesus, não escondeu o tesouro só para si, mas correu pressuroso à busca de seu irmão para o tornar participante da sua descoberta:  “Encontrámos o Messias, que significa Cristo.” Esta afirmação manifesta o poder do divino Mestre que os tinha convencido desta verdade, e manifesta também o interesse e a diligência dos discípulos, que desde o princípio, se preocupavam em comunicar estas coisas. São as palavras de uma alma que desejava e esperava ardentemente a vinda d’Aquele que havia de vir do Céu. Exultou  de alegria quando Ele Se manifestou e se apressou a comunicar aos outros tão grande notícia. A comunicação mútua das coisas espirituais é sinal de amor fraterno, de parentesco amigo e de afecto sincero.[3]

 

Cântico final: Queremos ser construtores, Az. Oliveira, 35

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 15-I: Consequências da desobediência.

1 Sam 15, 16-23 / Mc 2, 18-22

Podem os companheiros do noivo jejuar, enquanto o noivo está com eles?

Esta imagem do noivo, ou Esposo, é utilizada pelo Senhor, para a união dEle com a Igreja. O próprio Senhor se intitula como o 'Esposo' (Ev.).

Nesta união não cabem os 'remendos', que podem estragar todo o tecido. A Igreja é o 'vestido novo', sem rasgões, santa. Samuel referiu ao rei Saúl um rasgão que teve consequências dramáticas: «uma vez que rejeitaste a palavra do Senhor, também Ele te rejeitará como Rei» (Leit.). A desobediência aos ensinamentos da Igreja provoca a divisão. É uma verdadeira repetição do pecado original.

 

3ª Feira, 16-I: Dedicação ao serviço do Senhor.

1 Sam 16, 1-13 / Mc 2, 23-28

Samuel deu-lhe a unção no meio dos irmãos. Daqui em diante, o Espírito do Senhor apoderou-se de David.

Na Antiga Aliança houve muitos 'ungidos' do Senhor, especialmente o rei David (Leit.). Jesus é o 'Ungido' do Senhor de uma maneira única, pois a humanidade que Ele assume é totalmente 'ungida pelo Espírito Santo'. Jesus é constituído 'Cristo' (Ungido) pelo Espírito Santo.

Jesus recorda a actuação de Davd quando ele e os seus companheiros, cheios de fome, comeram dos pães da proposição (Ev.). Actuou como um ungido do Senhor. Sendo nós também ungidos do Senhor, não esqueçamos de nos dedicarmos a Ele especialmente no dia do Senhor.

 

4ª Feira, 17-I: Exigências da fidelidade.

1 Sam 17, 32-33. 37. 40-51 / Mc 3, 1-6

David: tu vens contra mim com a espada, e eu vou contra ti em nome do Senhor do universo, que tu desafiaste.

As dificuldades que aparecem no nosso dia podem sempre ser ultrapassadas se tivermos em conta que o Senhor está presente e espera que o invoquemos. David também venceu Golias, em nome do Senhor do universo (Leit.).

Jesus quer curar a mão de um homem (Ev.) e fica triste com a dureza do coração dos fariseus, mas não deixa de fazê-lo. O ambiente que nos rodeia está numa situação de frieza  ou afastamento do Senhor. Não deixemos de viver sempre de acordo com a nossa fé, imitando o exemplo de Jesus Cristo.

 

5ª Feira, 18-I: Oitavário: Cura das feridas da divisão.

1 Sam 18, 6-9; 19, 1-7 / Mc 3, 7-12

Na verdade havia curado muita gente e, assim, todos os que tinham padecimentos corriam para Ele.

Jesu tinha o poder de curar (Ev.) e perdoar pecados. Por isso, todos procuravam tocar-lhe. Ele é sem dúvida, o Médico divino.

Para curar esta grande ferida da divisão dos cristãos, precisamos recorrer ao Médico divino. Mas também devemos ter presente que estas divisões se devem aos pecados dos homens. Onde há pecado, há multiplicidade, cisma, heresia, conflito. Pelo contrário, onde há virtude, há união. Foi um pecado de inveja que provocou grande divisão entre Saúl e David, de tal modo que o primeiro queria matar o último (Leit.).

 

6ª Feira, 19-I: O Papa e a unidade dos cristãos.

1 Sam 24, 3-21 / Mc 3, 13-19

Estabeleceu, pois, os Doze: Simão, a quem pôs o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu e João, irmão de Tiago.

Desde o início da sua actividade pública, Jesus escolheu alguns homens, em número de doze para andarem com Ele e participarem na sua missão (Ev.). E ficam associados ao reino de Cristo e, através deles, dirige a Igreja. Mas, de entre eles, Simão Pedro ocupa o primeito lugar, tendo-lhe sido confiada uma missão única, para defender a fé.

Os que se afastaram da Igreja precisam de uma especial conversão para voltarem à unidade. Assim aconteceu com Saúl, que moveu uma grande perseguição contra David e acabou por reconhecer o seu engano. Rezemos pelo Papa e seus esforços para recompor a unidade.

 

Sábado, 20-I: Unidade, dom de Cristo.

2 Sam 1, 1.4. 11-12. 19. 23-27 / Mc 3, 20-21

Depois manifestaram o seu desgosto, choraram e jejuaram até à tarde, por causa de Saúl e seu filho Jónatas, do povo do Senhor.

É natural que a divisão dos cristãos provoque um grande desgosto ao Senhor e ao seu Vigário na terra, assim como aconteceu com as mortes de Saúl e Jónatas em David (Leit.). 

 Cristo concede sempre à sua Igreja o dom da unidade. Mas a Igreja deve orar e trabalhar constantemente para manter, reforçar e aperfeiçoar a unidade que Cristo quer para ela. O desejo de recuperar a unidade de todos os cristãos é um dom de Cristo. Oremos e trabalhemos todos para obter este dom, muito unidos ao Papa. E imploremos ao Espírito Santo que nos conceda este dom da unidade.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         José Roque

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 



[1] S. João da Cruz, Chama viva de Amor III, 28.

[2] Apocalipse 19, 7.9

[3] São João Crisóstomo, Homilia sobre o Evangelho de S. João. Liturgia das Horas, 30 Novembro


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