Solenidade de Todos os Santos

1 de Novembro de 2005

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Os santos resplandecem como luz, J. Santos, NRMS 63

 

Antífona de entrada: Exultemos de alegria no Senhor, celebrando este dia de festa em honra de Todos os Santos. Nesta solenidade alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

«Os Santos, tendo atingido pela multiforme graça de Deus a perfeição e alcançado a salvação eterna, cantam hoje a Deus no Céu, o louvor perfeito e intercedem por nós.

A Igreja proclama o mistério pascal realizado na paixão e glorificação deles com Cristo propõe aos fiéis os seus exemplos, que conduzem os homens ao Pai por Cristo; e implora, pelos seus méritos, as bênçãos de Deus.

Segundo a sua tradição, a Igreja venera os Santos e as suas relíquias autênticas, bem como as suas imagens. É que as festas dos Santos proclamam as grandes obras de Cristo nos Seus servos e oferecem aos fiéis os bons exemplos a imitar» (Constituição Litúrgica, 104.111).

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que nos concedeis a graça de honrar numa única solenidade os méritos de Todos os Santos, dignai-Vos derramar sobre nós, em atenção a tão numerosos intercessores, a desejada abundância da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Numa visão misteriosa, tida em Patmos, João contemplou a multidão inumerável dos eleitos, provenientes de Israel e de todos os povos da terra, marcados com a Cruz e purificados pelo Sangue do Cordeiro.

O Apóstolo antevê o novo povo de Deus, a Igreja, reunido em torno de Deus, na totalidade de seus filhos. Mas essa Igreja, reunida de todos os lugares, vai ainda hoje a caminho, dirigindo-se entre tribulações, para a liturgia celeste.

 

Apocalipse 7, 2-4.9-14

2Eu, João, vi um Anjo que subia do Nascente, trazendo o selo do Deus vivo. Ele clamou em alta voz aos quatro Anjos a quem foi dado o poder de causar dano à terra e ao mar: 3«Não causeis dano à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus». 4E ouvi o número dos que foram marcados: cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel. 9Depois disto, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão. 10E clamavam em alta voz: «A salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro». 11Todos os Anjos formavam círculo em volta do trono, dos Anciãos e dos quatro Seres Vivos. Prostraram-se diante do trono, de rosto por terra, e adoraram a Deus, dizendo: 12«Amen! A bênção e a glória, a sabedoria e a acção de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amen!». 13Um dos Anciãos tomou a palavra e disse-me: «Esses que estão vestidos de túnicas brancas, quem são e de onde vieram?». 14Eu respondi-lhe: «Meu Senhor, vós é que o sabeis». Ele disse-me: «São os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro».

 

Numa grandiosa visão, o vidente de Patmos deixa ver que no meio de tantas desgraças e ainda antes que cheguem as piores, as que correspondem à abertura do 7º selo (cap.8), os cristãos, que formam uma imensa multidão, estão sob a protecção de Deus, mesmo quando perseguidos e sujeitos ao martírio.

2-4 «O selo (o sinete de marcar) do Deus vivo». Alusão ao timbre então usado pelos monarcas para imprimir o sinal de propriedade ou autenticidade: por vezes os escravos e soldados eram marcados na pele com um ferro em brasa. O símbolo está tomado destes costumes da época e sobretudo da profecia de Ezequiel (Ez 9, 4-6), por isso alguns Padres viram nesta marca, em forma de cruz (pela alusão ao tav de Ezequiel, a última consoante hebraica), o carácter baptismal. «Cento e quarenta e quatro mil» é um número simbólico; com efeito, os números do Apocalipse são habitualmente simbólicos, o que neste caso é evidente por se tratar de um jogo de números: 12 x 12000 (doze mil por cada uma das doze tribos de Israel). Estes 144.000, segundo uns, «representam toda a Igreja sem restrição» (Santo Agostinho), pois esta é o novo Israel de Deus (cf. Gal 6, 16) e são a mesma «multidão imensa que ninguém podia contar» (v. 9). Segundo outros, estes 144.000 são os cristãos procedentes do judaísmo, muito particularmente os que foram poupados das calamidades que assolaram a Palestina, por ocasião da destruição da nação judaica no ano 70.

11 «Os (24) Anciãos». Há grande variedade de opiniões para decifrar este símbolo, não se podendo sequer estabelecer se se trata de seres angélicos ou humanos. Santo Agostinho diz que «são a Igreja universal; os 24 anciãos são os superiores jerárquicos e o povo: 12 representam os Apóstolos e os bispos, e os outros 12 representam o restante da Igreja». «Os 4 Viventes» (à letra, «animais»), uma tradução preferível a: «os 4 animais», uma vez que o terceiro tem rosto humano (cf. Apoc 4, 7). A quem representam estes seres misteriosos, que reúnem características dos querubins de Ez 1 e dos serafins de Is 6? Podem muito bem simbolizar os quatro pontos cardeais, ou os quatro elementos do mundo (terra, fogo, água e ar), isto é, a totalidade do Universo. Deste modo, a presente «visão» apresenta-nos, unidos numa única adoração e louvor a Deus e a Cristo, os Anjos, a Humanidade resgatada e o próprio Universo material. A interpretação segundo a qual os Quatro Seres simbolizam os Quatro Evangelistas deve-se a Santo Ireneu e é uma acomodação espiritual do texto inspirado.

12 «Amen! Bênção, glória…»: Aqui, como ao longo de todo o Apocalipse, sente-se como a liturgia da Igreja faz eco à liturgia celeste, especialmente nas aclamações a Deus e ao Cordeiro.

14 «A grande tribulação». Tanto se pode tratar duma perseguição aos cristãos mais violenta no fim dos tempos, como das perseguições e das tribulações em geral no curso da história da Igreja. Mas é provável que o vidente de Patmos tenha presente em primeiro plano, as violentas perseguições de Nero e Domiciano, muito embora englobando nestas todas as outras.

«Lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro». «Não se designam só os mártires, mas todo o povo da Igreja – comenta Santo Agostinho –, pois não disse que lavaram as suas túnicas no seu próprio sangue, mas no sangue do Cordeiro, isto é, na graça de Deus, por Jesus Cristo Nosso Senhor, conforme está escrito: e o seu sangue purifica-nos (1 Jo 1, 7)».

 

Salmo Responsorial    Sl 23 (24), 1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)

 

Monição: Exultemos de alegria no Senhor, celebrando este dia de festa em honra de Todos os Santos. Nesta solenidade alegram-se os Anjos cantam os louvores ao filho de Deus. Associemo-nos à geração dos que procuram e louvam o Senhor.

 

Refrão:        Esta é a geração dos que procuram o Senhor.

 

Do Senhor é a terra e o que nela existe,

o mundo e quantos nele habitam.

Ele a fundou sobre os mares

e a consolidou sobre as águas.

 

Quem poderá subir à montanha do Senhor?

Quem habitará no seu santuário?

O que tem as mãos inocentes e o coração puro,

o que não invocou o seu nome em vão.

 

Este será abençoado pelo Senhor

e recompensado por Deus, seu Salvador.

Esta é a geração dos que O procuram,

que procuram a face de Deus.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Desde o momento do nosso baptismo, nós somos, verdadeiramente filhos de Deus e, por isso, amados pelo Pai. Esta realidade maravilhosa, que não pode ser compreendida por aqueles que não conhecem a Deus, manifestar-se-á, em toda a sua luz, quando, no dia da Ressurreição, nos transformarmos em imagens perfeitas de Cristo.

 

1 São João 3, 1-3

Caríssimos: 1Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele. 2Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é. 3Todo aquele que tem n’Ele esta esperança purifica-se a si mesmo, para ser puro, como Ele é puro.

 

A leitura é um dos textos clássicos da filiação adoptiva divina, uma exigência constante de santidade.

1 «E somo-lo de facto». S. João não se contenta com dizer que somos chamados filhos de Deus, o que bastaria para que um semita entendesse, pois para ele ser chamado (por Deus) equivalia a ser. S. João quer falar para que todos entendamos esta realidade sobrenatural que «o mundo», sem fé, não pode captar nem apreciar.

2 A filiação divina capacita-nos para a glória do Céu, pois não é uma mera adopção legal e extrínseca, como a adopção humana de um filho. A adopção divina implica uma participação da natureza divina (cf. 2 Pe 1, 4) pela graça. «Semelhantes a Deus», desde já, mas só na glória celeste se tornará patente o que já «agora somos». «O veremos tal como Ele é». Esta é a melhor definição da infinda felicidade do Céu, de que gozam todos os Santos que hoje festejamos: contemplar a Deus tal qual Ele é, não apenas as suas obras, mas a Ele próprio, «face a face» (cf. 1 Cor 13, 12).

3 «Purifica-se a si mesmo». A certeza da filiação divina conduz-nos à purificação e à imitação de Cristo, o Filho de Deus por natureza: «como Ele é puro»; efectivamente, os puros de coração hão-de ver a Deus (cf. Evangelho de hoje: Mt 5, 8).

 

Aclamação ao Evangelho       Mt 11, 28

 

Monição: As Bem-aventuranças são a essência da mensagem que Jesus trouxe aos homens. Viver segundo o espírito das Bem-aventuranças é o caminho que leva à santidade.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 35

 

Vinde a Mim, vós todos os que andais cansados

e oprimidos e Eu vos aliviarei, diz o Senhor.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 5, 1-12a

Naquele tempo, 1ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos 2e Ele começou a ensiná-los, dizendo: 3«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. 4Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. 5Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. 11Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. 12aAlegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».

 

As 8 bem-aventuranças, expressas na terceira pessoa do plural, têm em Mateus um carácter solene e universal, para todas as pessoas e para todos os tempos. Elas condensam a grande novidade do Evangelho, em contraste flagrante com o próprio pensamento religioso judaico então vigente, para já não falarmos do espírito mundano, hedonista do paganismo de então e do de agora. Elas não são expressão de uma «ética dos débeis», mas sim dum ideal de vida para almas fortes e generosas, correspondem a uma ética que, quando vivida a sério, é capaz de renovar as pessoas e a sociedade, como o demonstra a vida de todos os santos.

3 «Bem-aventurados». Esta tradução (em vez de «felizes») vinca a ideia de que o Senhor promete a felicidade na bem-aventurança eterna e, ao mesmo tempo, já nesta vida, ao dizê-la do presente: «deles é» (não diz «deles será»). As bem-aventuranças são o mais surpreendente código de felicidade, e não se trata de uma felicidade qualquer: é uma felicidade incomparável, interior e profunda, embora ainda não possuída de modo perfeito e completo na vida terrena.

«Os pobres em espírito». «No Antigo Testamento, o pobre está já delineado não só como uma situação económico-social, mas como um valor religioso muito elaborado: é pobre quem se apresenta diante de Deus com uma atitude humilde, sem méritos pessoais, considerando a sua realidade de homem pecador, necessitado do perdão divino, da misericórdia de Deus para ser salvo. Daí que, além de viver com uma sobriedade e uma austeridade de vida reais, efectivas, ele aceite e quer tais condições de pobreza não como algo imposto pela necessidade, mas voluntariamente, com afecto (…). A ‘explicação’ de Mateus, em espírito, sublinha a exigência dessa mesma pobreza: não é pobre em espírito quem só o é obrigado pela sua situação económico-social, mas sim quem, além disso, é pobre querendo essa pobreza de modo voluntário (…). Esta atitude religiosa de pobreza está muito relacionada com a chamada infância espiritual. O cristão considera-se diante de Deus como um filho pequeno que não tem nada como propriedade; tudo é de Deus, o seu Pai, e a Ele lho deve. De qualquer modo, a pobreza em espírito, isto é, a pobreza cristã, exige o desprendimento dos bens materiais e uma austeridade no uso deles» (J. M. Casciaro). Pode-se ver o comentário de São Leão Magno no ofício de leitura da 6ª feira da semana XXII do tempo comum.

4 «Os humildes». A tradução preferiu um termo mais suave do que «os mansos», que são os que sofrem serenamente e sem ira, ódio ou abatimento, as perseguições injustas e as contrariedades. De facto só os humildes são capazes da virtude da mansidão, pois não dão demasiada importância a si próprios. A «terra» é a nova terra prometida, isto é, o Céu.

5 «Os que choram», isto é, os aflitos, e muito particularmente os que têm o coração cheio de mágoa por terem ofendido a Deus e que, com vontade de reparação, choram e deploram os seus pecados.

6 «Fome e sede de justiça». A ideia de justiça na Sagrada Escritura é uma ideia de natureza religiosa: justo é aquele que cumpre a vontade de Deus, e justiça corresponde a santidade, vocação a que todos são chamados.

8 «Os puros de coração» são, em geral, os que têm uma intenção recta, os que são capazes de um amor puro, limpo e nobre, os que têm um olhar recto e são; está, portanto, englobada a castidade, mas não é só ela.

9 «Os que promovem a paz» (uma tradução mais expressiva do que pacíficos) são os que promovem a paz entre os homens e dos homens com Deus, fundamento sério de toda a paz no mundo.

11-12 Depois das 8 bem-aventuranças anteriores, que formam um bloco (uma inclusão marcada pela fórmula «porque deles é o reino dos Céus»), há uma ampliação e uma aplicação directa aos ouvintes da 8ª e última bem-aventurança.

 

Sugestões para a homilia

 

A festa dos nossos irmãos que chegaram à casa do Pai

As bem-aventuranças, uma explosão de alegria

Santos, felizes e eleitos

A festa dos nossos irmãos que chegaram à casa do Pai

Iniciamos o mês de Novembro com a solenidade de Todos os Santos. O nosso coração e pensamento voltam-se para os milhões de homens e mulheres que, ao longo da história, foram agraciados por Deus e aceitaram o Seu dom. Paulo Tillich dizia que «um santo é um pecador de quem Deus teve misericórdia». Estamos celebrando, pois, a vida de seres humanos curados e salvos pela misericórdia de Deus. Não é um dia reservado para os heróis ou para uma elite que não tem nada a ver com nossas preocupações e alegrias. É a festa dos nossos irmãos e irmãs que chegaram à casa do Pai! E até é bom e salutar recordar neste dia que a maior parte dos nossos nomes tiveram a sua origem em algum santo: José, António, Francisco, Catarina, Teresa, Xavier, Isabel. A festa, pois, está caracterizada pela alegria e pelo agradecimento.

As bem-aventuranças, uma explosão de alegria

É desta alegria que nos fala o Evangelho de hoje quando Jesus proclama verdadeiramente felizes aqueles que seguem e vivem o programa das Bem-aventuranças.

Poderia haver a tentação de ler as Bem-aventuranças, esses diversos caminhos que conduzem à autêntica felicidade, como se fossem apenas pautas para um comportamento novo e diferente. Assim as entendeu Gandhi, por exemplo. Segundo isto, o discípulo deve confiar totalmente em Deus (pobre de espírito), deve partilhar o sofrimento alheio (os que choram), deve tratar com serenidade os demais (ser manso), etc.

No entanto, no seu sentido original, estes ditos de Jesus não constituem normas morais, por mais sublimes que pareçam, mas explosões de alegria pelos efeitos que a iminência do Reino de Deus produz. O acento não recai no «ter que» ser pobres ou tristes ou famintos para ser feliz. A verdadeira boa-nova – e, portanto, motivo da felicidade – é que todos os que não têm um advogado de defesa (os pobres, os humildes, etc..) são bem-aventurados porque Deus decidiu ser um verdadeiro rei para eles. A expressão «porque deles é o reino dos céus» – utilizada por Mateus em algumas ocasiões – é um eufemismo para expressar justamente isto: que Deus é rei dos pobres (ou seja, seu defensor).

Santos, felizes e eleitos

E a santidade consiste nisso mesmo: santo é um bem-aventurado, um homem ou uma mulher feliz. A santidade, antes de qualquer outra coisa, é uma experiência de participação da felicidade de Deus. Onde existe a experiência da graça existe sempre expressão de alegria («chára»).

Os cristãos, por vezes, são acusados de caminhar pela vida com ímpeto messiânico. Queremos salvar a todos: aos pobres, da sua pobreza; os pecadores, do seu pecado; os ateus, do seu ateísmo. Todavia, não existe esforço de salvação digno de crédito sem uma experiência gozosa de ter sidos salvos. Os esforços que não brotam de uma abundância de felicidade acabam por ser fruto do ressentimento ou da auto-suficiência. Não podem, pois, ser expressão do Evangelho, de boa-nova. Menos salvadores e mais gente salva! Menos lutadores e mais santos! Este parece ser o grito profético que ressoa num dia como o de hoje.

Falar de santos felizes não é falar de pessoas que não têm as mãos manchadas, que viveram sem problemas. Referimo-nos a milhões de mártires, virgens, confessores, profetas, pais e mães de família... que, perante fragilidades e problemas, tentações e adversidades, souberam aceitar a escolha de Deus.

Num precioso livro sobre a vida espiritual num mundo secular, H. Nouwen confessa que «a grande batalha espiritual começa – e nunca termina – por afirmar a nossa condição de eleitos. Muito antes que alguma pessoa nos falasse neste mundo, foi-nos dirigida a nós a voz do amor eterno. A nossa condição de seres valiosíssimos, únicos na nossa individualidade, não foi dada por aqueles com quem nos encontramos no tempo – o da nossa existência cronológica – mas pelo Deus uno que nos elegeu com o Seu amor terno, um amor que existiu desde toda a eternidade e durará para sempre». Esta é a mensagem da primeira carta de João que hoje precisamos colocar em primeiro plano.

 

Fala o Santo Padre

 

«A Igreja peregrina sobre a terra eleva o seu olhar para o Céu.»

 

1. «Alegremo-nos todos no Senhor nesta solenidade de todos os Santos».

É com este convite à alegria que, hoje, começa a Celebração eucarística em honra de Todos os Santos. A Igreja peregrina sobre a terra eleva o seu olhar para o Céu e une-se exultante ao coro de quantos Deus associou à sua glória. É a comunhão dos Santos!

2. Precisamente à luz deste mistério maravilhoso, amanhã celebraremos a anual Comemoração de todos os fiéis defuntos. A Liturgia convida-nos a dilatar o coração e a rezar por todos, especialmente pelas almas mais necessitadas da Misericórdia divina.

3. Que Maria, Rainha de todos os Santos, nos ajude a seguir fielmente Cristo, para alcançarmos a glória do Céu.

 

João Paulo II, Angelus, 1 de Novembro de 2004

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãos,

peçamos a intercessão dos santos e santas

que já contemplam a face de Deus,

cantando a ladainha de Todos os Santos.

 

........

 

Ó Deus, admiramos e adoramos vossa imensa santidade na multidão dos vossos santos.

E nós, que hoje participamos desta mesa de peregrinos, possamos, um dia,

sentar-nos com vossos santos e santas no banquete do vosso Reino.

Por Cristo, Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cristo Verbo de Deus Pai, M. Simões, NRMS 59

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons que Vos apresentamos em honra de Todos os Santos e fazei-nos sentir a intercessão daqueles que já alcançaram a imortalidade. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

A glória da nova Jerusalém, nossa mãe

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Hoje nos dais a alegria de celebrar a cidade santa, a nossa mãe, a Jerusalém celeste onde a assembleia dos Santos, nossos irmãos, glorificam eternamente o vosso nome. Peregrinos dessa cidade santa, para ela caminhamos na fé e na alegria, ao vermos glorificados os ilustres filhos da Igreja, que nos destes como exemplo e auxílio para a nossa fragilidade.

Por isso, com todos os Anjos e Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Participar na sagrada comunhão é participar na plenitude de felicidade d’Aquele que é três vezes Santo. Bem-aventurados os convidados para a Ceia do Senhor!

 

Cântico da Comunhão: Louvai, nações do universo, M. Simões, NRMS 63

Mt 5, 8-10

Antífona da comunhão: Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus.

 

Cântico de acção de graças: Bem- Aventuranças, B. Salgado, NRMS 7 (I)

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos adoramos, Senhor nosso Deus, única fonte de santidade, admirável em todos os Santos, e confiadamente Vos pedimos a graça de chegarmos também nós à plenitude do vosso amor e passarmos desta mesa de peregrinos ao banquete da pátria celeste. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A bem-aventurança é a felicidade prometida àqueles que temem a Deus. Foi prometida por Jesus a várias categorias de pessoas, entre as quais, preferencialmente, os pobres. A eles somam-se todos os «sofredores» apontados por Jesus. Já nos apercebemos de que o «Sermão da Montanha» subverte a ordem estabelecida até então e que também se contrapõe ao nosso modo cómodo de viver? Já percebemos que seguir as «bem-aventuranças» implica numa mudança radical de vida? Estamos dispostos a isso?

 

Cântico final: Nós vos louvamos, ó Deus, M. Faria, NRMS 8 (I)

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:             Nuno Westwood

Nota Exegética:      Geraldo Morujão

Sugestão Musical:  Duarte Nuno Rocha


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