4 de
Dezembro de 2005
RITOS INICIAIS
Cântico
de entrada: Erguei-vos que vem o Senhor, F. da
Silva, NRMS 39
cf. Is 30, 19.30
Antífona
de entrada: Povo de Sião: eis o
Senhor que vem salvar os homens. O Senhor fará ouvir a sua voz majestosa na
alegria dos vossos corações.
Não se diz o Glória.
Introdução ao
espírito da Celebração
Preparemo-nos para
celebrar o Natal, a festa dos anos de Jesus. Queremos preparar-nos bem. Vamos
estar atentos à Sua Palavra.
Comecemos a Santa
Missa limpando o nosso coração com o nosso arrependimento sincero.
oração
colecta: Concedei, Deus
omnipotente e misericordioso, que os cuidados deste mundo não sejam obstáculo
para caminharmos generosamente ao encontro de Cristo, mas que a sabedoria do
alto nos leve a participar no esplendor da sua glória. Ele que é Deus convosco
na unidade do Espírito Santo.
Liturgia da
Palavra
Primeira Leitura
Monição: O Profeta Isaías anima o povo de Israel. O
Senhor vem salvá-lo. E convida-os a preparar os caminhos do Senhor.
Isaías 40, 1-5.9-11
1Consolai, consolai o
meu povo, diz o vosso Deus. 2Falai ao coração de Jerusalém e
dizei-lhe em alta voz que terminaram os seus trabalhos e está perdoada a sua
culpa, porque recebeu da mão do Senhor duplo castigo por todos os seus pecados.
3Uma voz clama: «Preparai no deserto o caminho do Senhor, abri na estepe
uma estrada para o nosso Deus. 4Sejam alteados todos os vales e
abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e
aplanem-se as veredas escarpadas. 5Então se manifestará a glória do
Senhor e todo o homem verá a sua magnificência, porque a boca do Senhor falou».9Sobe ao alto dum monte, arauto de Sião!
Grita com voz forte, arauto de Jerusalém! Levanta sem temor a tua voz e diz às
cidades de Judá: «Eis o vosso Deus. 10O
Senhor Deus vem com poder, o seu braço dominará. Com Ele vem o seu prémio, precede-O a sua recompensa. 11Como um pastor
apascentará o seu rebanho e reunirá os animais dispersos; tomará os cordeiros
em seus braços, conduzirá as ovelhas ao seu descanso».
A leitura corresponde ao início do Segundo Isaías (Is 40, 1 – 55, 13), também chamado «Livro da Consolação», que começa com uma voz misteriosa que diz em nome de Deus: «Consolai, consolai o meu povo, diz o nosso Deus» (v. 1). O contexto deuteroisaiano é o da situação do Povo no cativeiro de Babilónia, para onde os judeus mais válidos e importantes tinham sido levados em sucessivas deportações, que culminaram com a destruição de Jerusalém e do Templo em 587. O Profeta, continuador do grande Isaías do século VIII, começa, no início da 1ª parte desta obra (cap. 40 – 48), por animar os deportados abatidos a disporem-se para o caminho de regresso à terra-mãe, aproveitando o decreto de Ciro, rei dos Persas, que, tendo em 539 conquistado Babilónia, autorizava os deportados a regressarem às suas terras de origem. O Profeta esclarece que esta libertação é obra de Deus, Senhor do mundo e do curso da história, que se serve do rei Ciro, como seu «ungido», para trazer a liberdade ao Povo. Este regresso, difícil sobretudo para quem já tinha nascido no desterro e para quem ali se encontrava sofrivelmente instalado, é enaltecido e apresentado poeticamente como um «novo êxodo», ainda mais maravilhoso do que o primeiro. O regresso não será um caminho difícil e penoso, pois o Senhor vai fazer grandes prodígios a favor dos retornados.
3 «Uma voz clama: 'Preparai no deserto o caminho do Senhor…’», tem uma esplêndida actualização na abertura do Evangelho de S. Marcos, o Evangelista deste ano B. Na tradição bíblica o deserto, passa a ter um profundo significado simbólico, como o lugar do encontro com Deus, na solidão e na intimidade da alma em oração, como o tempo de prova e purificação. O abater dos montes e o altear das terras abatidas para construir estradas – coisa então impensável sem a potente maquinaria moderna – é uma ousada metáfora, que se presta a ser aplicada às disposições da alma para que Deus entre nela. O texto da leitura, admiravelmente musicado no início do Messias de Händel, é bem adequado para nos introduzir no espírito do Advento, a preparar a vinda do Senhor, com disposições de humildade e rectidão para endireitar tudo o que na nossa vida ande mais ou menos desviado da vontade de Deus (cf. v. 4).
Salmo Responsorial Sl 84 (85), 9ab-10.11-12.13-14 (R. 8)
Monição: O salmo fala de uma nova era para a
humanidade com a vinda do Messias à terra. Anima-nos a preparar o Natal de
Jesus e procurar que chegue a todos os homens.
Refrão: Mostrai-nos
o vosso amor e dai-nos a vossa salvação.
Ou: Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.
Escutemos o que diz o
Senhor:
Deus fala de paz ao seu
povo e aos seus fiéis.
A sua salvação está
perto dos que O temem
e a sua glória habitará na nossa terra.
Encontraram-se a
misericórdia e a fidelidade,
abraçaram-se a paz e a justiça.
A fidelidade vai
germinar da terra
e a justiça descerá do Céu.
O Senhor dará ainda o
que é bom
e a nossa terra produzirá os seus frutos.
A justiça caminhará à
sua frente
e a paz seguirá os seus passos.
Segunda Leitura
Monição: S. Pedro convida-nos a arrepender-nos dos
nossos pecados e a levar uma vida santa. Todas as coisas deste mundo são
efémeras e passageiras. Havemos de empenhar-nos em
preparar a vinda do Senhor.
2 São Pedro
3, 8-14
8Há uma coisa, caríssimos, que não deveis
esquecer: um dia diante do Senhor é como mil anos e mil anos como um dia. 9O
Senhor não tardará em cumprir a sua promessa, como pensam alguns. Mas usa de
paciência para convosco e não quer que ninguém pereça, mas que todos possam
arrepender-se. 10Entretanto, o dia do Senhor virá como um ladrão:
nesse dia, os céus desaparecerão com fragor, os elementos dissolver-se-ão nas
chamas e a terra será consumida com todas as obras que nela existem. 11Uma
vez que todas as coisas serão assim dissolvidas, como deve ser santa a vossa
vida e grande a vossa piedade, 12esperando e apressando a vinda do
dia de Deus, em que os céus se dissolverão em chamas e os elementos se fundirão
no ardor do fogo! 13Nós esperamos, segundo
a promessa do Senhor, os novos céus e a nova terra, onde habitará a justiça. 14Portanto,
caríssimos, enquanto esperais tudo isto, empenhai-vos, sem pecado nem motivo
algum de censura, para que o Senhor vos encontre na paz.
No final
desta epístola o autor inspirado tenta dar uma resposta aos que estavam
perplexos com a demora da segunda vinda de Cristo; com efeito, tão grande era o
desejo de que Ele chegasse, que chegaram a convencer-se da sua proximidade!
Temos aqui um apelo à fé, pois o Senhor sempre cumpre o que promete, mas a
verdade é que o dia da sua vinda nos é desconhecido e todos os cálculos humanos
estão destinados a falhar, uma vez que para Deus «mil anos são como um só dia», no dizer do Salmo 89 (90), 4; por
outro lado, Ele quer dar tempo para que «todos
se possam arrepender» (v. 9).
10 «O dia do Senhor chegará como um ladrão» é
uma expressão tradicional que consta dos ensinamentos de Jesus e dos Apóstolos:
cf. Mt 24, 36.43-44.48-50; Lc
12, 35-48; 1 Tes 5, 4-6;2 Tim
2, 13-14; Apoc 3, 3.
12-13 «Os céus se dissolverão em chamas e os
elementos se fundirão no ardor do fogo»: Não parece que se esteja a falar
dos quatro elementos da Natureza, segundo os antigos: terra, água, ar e fogo;
pela oposição à «Terra», parece que a expressão se refere aos corpos celestes.
No entanto, o género destas expressões é claramente apocalíptico, uma linguagem
figurada, grandiosa e aterradora, com que se alude a uma poderosa intervenção
de Deus, mas sem que nada de concreto se possa especificar. Mas não se pense
que tudo vá terminar na destruição; acabará certamente este tipo de vida e, em
vez de aniquilamento, o que acontecerá há-de ser uma radical transformação – «os novos céus e a nova terra» –, que
também não sabemos em que vai consistir. Estamos perante uma outra rara citação
do A. T. na Secunda Petri
(Is 65, 17; 66, 22; cf. Rom
8, 18-30; 2 Cor 5, 14-15; Apoc 21, 1;
cf. tb. Jds 24).
Trata-se de uma nova ordem de coisas, «onde
habitará a justiça», isto é, a santidade e a plena harmonia de acordo com o
projecto de Deus, pois não haverá mais pecado e os pecadores rebeldes estarão
para sempre apartados para o fogo eterno
(cf. Mt 25, 41). O mais que se diga é
especulação e alimento mais ou menos edificante da imaginação.
Aclamação ao
Evangelho Lc 3, 4.6
Monição: João Baptista era o mensageiro de Deus,
preparando a chegada de Jesus. Aprendamos com o seu exemplo a acolher Jesus,
neste Natal que se aproxima e a dar testemunho d’Ele com valentia.
Aleluia
Cântico: M. Carneiro, NRMS 97
Preparai o caminho do
Senhor, endireitai as suas veredas
e toda a criatura verá a salvação de Deus.
Evangelho
São Marcos 1, 1-8
1Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho
de Deus. 2Está escrito no profeta Isaías: «Vou enviar à tua frente o
meu mensageiro, que preparará o teu caminho. 3Uma voz clama no
deserto: 'Preparai o caminho do Senhor, endireitai as
suas veredas'». 4Apareceu João Baptista no
deserto a proclamar um baptismo de penitência para remissão dos pecados. 5Acorria
a ele toda a gente da região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém e
eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. 6João
vestia-se de pêlos de camelo, com um cinto de cabedal em volta dos rins, e
alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. 7E, na sua pregação,
dizia: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu
não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. 8Eu
baptizo-vos na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo».
S. Marcos começa o seu Evangelho com umas breves referências à pregação do Baptista (vv. 2-8) e ao Baptismo de Jesus (vv. 9-11) e uma brevíssima alusão às tentações no deserto (vv. 12-13), que constituem como que o prólogo da sua obra. À primeira vista, poderia parecer que no 1º versículo – «Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus» – a palavra Evangelho designaria o seu escrito. Mas a verdade é que estas palavras são como que a síntese de toda a obra: «Jesus» é «Cristo», isto é, o Messias anunciado pelos profetas e também o «Filho de Deus». Todo o Evangelho de Marcos está enquadrado nesta confissão de fé, com que também finaliza a vida terrena de Jesus: «verdadeiramente este homem era Filho de Deus» (Mc 15, 39). O próprio Jesus é Ele mesmo o «princípio» da salvação, pois Ele é a Boa Nova, o «Evangelho». A palavra grega «evangelho» significa boa notícia; no Novo Testamento é o feliz anúncio da salvação que Deus comunica aos homens por meio de seu Filho.
A citação inicial (vv. 2-3) de Isaías 40, 3 (cf. 1ª leitura de hoje) tem o valor da citação do Profeta messiânico por excelência, por isso engloba na citação uma parte que nem sequer é de Isaías, o v. 2, mas do profeta Malaquias (Mal 3, 1; cf. Ex 23, 20). A grandeza de Jesus é posta em relevo pela humildade de João que afirma: «eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias» (v. 7); com efeito desatar as sandálias era considerado algo tão humilhante, que nem sequer se podia exigir a uma escravo que fosse judeu. O convite do Baptista à «penitência» (v. 4) é o melhor apelo a «preparar o caminho do Senhor» para o Natal que se aproxima; o próprio João aparece como um modelo de preparação: um homem desprendido e penitente (cf. v. 6).
Sugestões para a
homilia
Preparai o caminho do
Senhor
Deve ser santa a
vossa vida
Com Ele vem o seu
prémio
Preparai
o caminho do Senhor
Acabou há pouco tempo
o Ano da Eucaristia. A Igreja inteira procurou tomar mais consciência da
presença de Jesus vivo entre nós, na Santa Missa e no sacrário Ele vem até nós
sobre o altar. Vem trazer-nos a salvação conquistada com a oferta da Sua vida
no Calvário.
Agora preparamo-nos
para celebrar a Sua primeira vinda no presépio de Belém. Vamos recordar o Seu
nascimento, alegrando-nos com os Seus anos. Não deixemos que nos roubem o
Natal, que o paganizem, que o reduzam a um comércio ou a um divertimento
profano.
Queremos acolher
Jesus em nossos corações. Esforçar-nos para arrancar da nossa alma o pecado que
nos afasta de Deus.
É o apelo da primeira
leitura e do Evangelho. Uma voz clama no deserto: preparai o caminho do
Senhor, endireitai as Suas veredas.
Muitos acorriam a
João recebendo o seu baptismo de penitência e confessando os seus pecados. Para
acolherem o Messias que estava para chegar.
Também nós
procuraremos converter-nos de verdade e confessar os nossos pecados pelo
sacramento do perdão. A Penitência e Eucaristia são dois sacramentos que andam
intimamente unidos, como nos lembrou João Paulo II na Enc.
A Igreja vive da Eucaristia (n.º 37). O mesmo tem repetido Bento XVI.
S. João Baptista é
também modelo de mortificação, que é outro aspecto da penitência, que
procuraremos viver melhor neste Advento.
Que este tempo
litúrgico seja bem aproveitado por nós. As festas dependem muito da sua
preparação. Não se improvisam. Que cheguemos ao próximo dia 25 com a alma cheia
de entusiasmo para acolher o Senhor, com ânsia de O amar e conhecer melhor e de
O levar a todos os que nos rodeiam.
Deve
ser santa a vossa vida
S: Pedro lembrava na
segunda leitura a vinda gloriosa de Jesus no final dos tempos e com são
efémeras as coisas terrenas: E acrescenta: «Como deve ser santa a vossa vida
e grande a vossa piedade esperando e apressando a vinda de Deus».
Temos de imitar a
Jesus cumprindo fielmente a vontade de Deus. O meu alimento é fazer a
vontade daquele que me enviou – disse Ele (Jo
4, 34). E as Suas primeiras palavras ao incarnar –diz-nos
a Carta aos Hebreus – foram estas: Eis que venho ó Deus para cumprir a Tua
vontade (Hebr. 10, 7). Ser santo é parecer-se com
Jesus, aprendendo com Ele, cá na terra, como filhos de Deus.
Estão entre nós as
relíquias de Santa Teresa do Menino Jesus. É para nós modelo
actual de santidade. Lembra-nos a todos nós que não precisamos de fazer coisa extraordinárias para sermos santos.
No livro História
de uma alma fala do seu desejo de santidade e da consciência da sua
pequenez. E descreve a sua descoberta: «Não vai Deus inspirar desejos
impossíveis de realizar. Apesar da minha pequenez nada me impede de aspirar à
santidade: Não posso progredir? Terei paciência para me ir suportando como sou
com as minhas imperfeições sem conto. Mas hei-de buscar meio de chegar ao céu
por algum caminhito bem direito, bem curto, por uma sendazinha inteiramente nova» E Teresa descobre aquilo que
chamou o seu ascensor divino: fazer-se pequena nos braços de Jesus. «O
ascensor em que hei-de subir ao céu são os vossos braços, ó meu Jesus! Para
isso não preciso crescer; pelo contrário, tenho que ser pequenina, tornar-me
cada vez mais pequenina» (História de uma alma, Porto 1952, p.168).
Podemos amar a Deus
apesar de sermos pequenos, se pomos amor nas coisas pequenas de cada dia. É o
amor que dá valor a tudo o que fazemos. Se na Igreja há muitas funções, muitas
vocações a jovem carmelita gostaria de colocar no Corpo Místico o coração,
crescendo sempre mais no amor e desempenhando assim todas as vocações (Ib., p.237).
Para sermos santos
contamos com a ajuda do Espírito Santo que Jesus nos enviou no dia do nosso
baptismo e depois na confirmação. É Ele que nos faz santos. João anunciava que
Jesus baptizaria no Espírito Santo. Ele é o Amor infinito que une o Pai e o
Filho no mistério da Santíssima Trindade.
Temos de contar com
Ele, deixar-nos modelar por Ele. Para nos fazer santos conta com a nossa
docilidade. Com a nossa liberdade podemos dizer sim à Sua acção em nossa alma.
Podemos também dizer não. Por isso o Apóstolo avisava: Não contristeis o
Espírito Santo (Ef 4, 30).
O pecado mortal expulsa-O da nossa alma: o pecado venial estorva a Sua
acção em nós. Por isso temos de converter-nos, tirar os obstáculos à acção do
Paráclito. Deus que quer divinizar-nos. Peçamos ao divino santificador que nos
dê um horror muito grande ao pecado mesmo venial. Ele é a única desgraça que
verdadeiramente nos pode acontecer. Porque nos leva a
perder a Deus e a rejeitar o Seu amor e a Sua salvação.
Com
Ele vem o seu prémio
S: Pedro fala da
vinda gloriosa de Jesus. O advento lembra-nos a primeira vinda do Senhor, mas
desperta-nos também para a Sua vinda gloriosa, no final dos tempos. E também no
final da vida de cada um de nós, em que iremos ao Seu encontro.
É um convite a
estarmos vigilantes, a viver em graça, a crescer na santidade. As festas
cristãs animam-nos a esta vigilância amorosa, a não adormecer na sonolência do
pecado ou duma vida tíbia e desleixada.
Vale a pena a amar a
Deus, cumprir fielmente a Sua vontade. O profeta anunciava: Com Ele vem o Seu
prémio, precede-o a Sua recompensa. Espera-nos a felicidade do Céu se somos
fiéis e encontraremos a alegria já na terra, mesmo em meio das dificuldades e
dores. Santa Teresinha do Menino Jesus morreu com uma tuberculose, que na época
era muito difícil de curar. E sofreu com alegrias as muitas dores que
acompanharam os seus últimos anos. Conta ela na História duma alma que na
Quinta-feira Santa, pouco tempo antes de morrer, estivera em adoração à
Santíssima Eucaristia até à meia-noite. Ao deitar-se veio-lhe à boca uma
golfada de sangue. Dormiu tranquilamente mas repetiu-se na noite seguinte.
Teresa dá conta da gravidade da doença e da proximidade da morte. Fica cheia de
alegria interior. É o esposo divino que bate à sua porta a chamá-la para Ele.
«Era nessa conjuntura
tão viva e tão clara a minha fé que o pensamento do Céu me inebriava de
contentamento» (Ib.p.172)
Que saibamos amar ao
Senhor de verdade e encontraremos já neste mundo a felicidade que nos traz. Ele
é o Salvador. E a salvação não é só para depois da morte. Começa com o baptismo
que nos tornou filhos de Deus e dá-nos a alegria de filhos já na terra.
Que a Virgem e S.
José nos ensinem a preparar bem o nosso coração para acolher a Jesus neste
Natal. A crescer em desejos de santidade e a ajudar também os outros à nossa
volta.
Oração Universal
Unidos a Jesus,
Celebrante principal desta missa,
e com toda a Igreja peçamos ao Pai:
1. Pela Santa Igreja de Deus, para que se renove,
pela graça,
na esperança e no amor, em todos os seus filhos,
durante este tempo do Advento,
oremos ao Senhor.
2. Pelo Santo Padre, para que o Senhor o encha de
alegrias,
de fortaleza e sabedoria, no serviço a toda a Igreja,
oremos ao Senhor.
3. Pelos bispos e sacerdotes,
para que se entreguem generosamente no serviço a toda a Igreja,
oremos ao Senhor.
4. Por todos os cristãos, para que lutem mais a
sério pela santidade,
empregando com diligência os meios abundantes ao seu dispor,
oremos ao Senhor.
5. Para que todos nos entusiasmemos a imitar
Nossa Senhora,
cumprindo fielmente a vontade de Deus nas tarefas humildes de
cada dia,
oremos ao Senhor.
6. Por todos os que andam afastados de Deus,
para que o Senhor os converta e os atraia ao Seu amor,
para aproveitarem a salvação que Jesus lhes traz,
oremos ao Senhor
7. Por todos os que se encontram no Purgatório,
para que o Senhor os purifique
e
lhes conceda a felicidade do Céu,
oremos ao Senhor.
Senhor, que chamastes
à vida nova em Cristo, aumentai em nós a fé e o amo,
para que levemos uma vida de santidade e
cheguemos todos à glória do Céu.
Por N.S.J.C. Vosso Filho ...
Liturgia
Eucarística
Cântico
do ofertório: Preparai os caminhos do Senhor, M.
Carneiro, NRMS 95-96
Oração
sobre as oblatas: Olhai
benignamente, Senhor, para as nossas humildes ofertas e orações e, como diante
de Vós não temos méritos, ajudai-nos com a vossa misericórdia. Por Nosso
Senhor...
Prefácio I do Advento
I: p. 453 [586-698] ou I/A p. 454
Santo: Santo II, H. Faria, NRMS 103-104
Monição da Comunhão
Jesus veio até nós em
Belém, há dois mil anos e ficou connosco na Eucaristia. Vem a nós em cada
comunhão. Agradeçamos-lhe esta maravilha do Seu amor.
Cântico
da Comunhão: O Senhor nos visitará, F. da Silva,
NRMS 64
Bar
5, 5; 4, 36
Antífona
da Comunhão: Levanta-te,
Jerusalém, sobe às alturas e vê a alegria que vem do teu Deus.
Cântico
de acção de graças: Virá o grande profeta (Antífona 3),
Az. Oliveira, NRMS 39
Oração
depois da Comunhão: Saciados com
o alimento espiritual, humildemente Vos pedimos, Senhor, que, pela participação
neste sacramento, nos ensineis a apreciar com sabedoria os bens da terra e a
amar os bens do Céu. Por Nosso Senhor...
Ritos Finais
Monição final
Jesus falou-nos nesta
missa. Queremos guardar a Sua palavra e guiar por ela o nosso viver. E
trabalhar mais a sério por ser santos e entusiasmar os outros a sê-lo também.
Cântico
final: Desça o orvalho, J. Santos, NRMS 15
Homilias Feriais
2ª SEMANA
2ª feira, 5-XII: SS. Frutuoso, Martinho e Geraldo: Os
sacramentos, obras primas de Deus.
Is. 35, 4-7 / Lc. 5, 17-26
Então
os olhos dos cegos hão-de abrir-se, e descerrar-se os ouvidos dos surdos. Então
o coxo saltará de alegria.
Conforme é anunciado
pelo profeta, a vinda do Messias proporcionará acontecimentos extraordinários
(cf. Leit.). E Jesus realiza essas maravilhas. De
entre elas, destacam-se aqui o perdão dos pecados e a cura do paralítico
(cf. Ev.).
Deixemos actuar o
Messias nas nossas vidas para que Ele cure as nossas paralisias: ausência
de sacramentos e de vida de oração, pouca ajuda na família e no local de
trabalho, etc. E também que perdoe os nossos pecados, abeirando-nos do
sacramento da Penitência. Os ilustres bispos de Braga, Frutuoso, Martinho e
Geraldo, muito contribuíram para a renovação da vida sacramental e pastoral
do seu tempo.
3ª feira, 6-XII: S. Nicolau: Exercício da tarefa de bom Pastor.
Is. 40, 1-11 /
Mt. 18, 12-14
Olhai
que o Senhor Deus vai chegar com poder... É como o pastor que apascenta o seu
rebanho.
De acordo com as
palavras do profeta, o Messias será o bom Pastor, que cuida de todas as
ovelhas do seu rebanho (cf. Leit.). E Jesus
exercitará essa tarefa, que é recordada ao terminar a parábola da ovelha
perdida: «não é da vontade de meu Pai que se perca um só destes pequeninos»
(Ev.).
S. Nicolau (séculos III-IV), enquanto viveu procurou
sempre encontrar maneira de resolver os problemas e carências de imensas
pessoas. E, ainda hoje, nos países anglo-saxónicos é ele que traz os
presentes para tornar mais agradável a época do Natal. Façamos o mesmo com
os nossos familiares e amigos.
4ª feira, 7-XII: S. Ambrósio: Semeadores de serenidade.
Is. 40, 25-31
/ Mt. 11, 25-30
Os que
esperam no Senhor recuperam as forças... crescem sem
se fatigarem, caminham sem se cansarem.
De acordo com esta
profecia, o Messias haveria de ajudar todos os cansados. É o mesmo
convite que Jesus nos dirige: «Vinde a mim todos os que vos afadigais» (Ev.).
Todos nos devemos
esforçar por imitar Jesus: «Aprendei de mim que sou manso e humilde de
coração» (Ev.). Deste modo criaremos um ambiente
de serenidade à nossa volta, ajudando todos os sobrecarregados pelos seus
problemas pessoais, ou pelas tarefas profissionais ou pela família. Santo
Ambrósio, um verdadeiro pastor e mestre dos fiéis, destacou-se pela sua
caridade para com todos.
Celebração e Homilia: Celestino Correia Ferreira
Nota Exegética: Geraldo
Morujão
Homilias Feriais: Nuno
Romão
Sugestão Musical: Duarte
Nuno Rocha