Apresentação do Senhor

02 de Fevereiro de 2006

 

Festa

 

BÊNÇÃO E PROCISSÃO DAS VELAS

 

 

Primeira forma: Procissão

 

 

1.   À hora marcada, reúnem-se os fiéis numa igreja secundária ou noutro local apropriado, fora da igreja para a qual se dirigirá a procissão. Os fiéis têm nas mãos as velas apagadas.

 

2.   O sacerdote aproxima-se, acompanhado dos ministros, revestido com paramentos brancos como para a Missa. Em vez da casula pode levar o pluvial, que deporá no fim da procissão.

 

3.   Enquanto se acendem as velas, canta-se a antífona: O Senhor virá com poder e iluminará os olhos dos seus servos. Aleluia, ou outro cântico apropriado.

 

4.   O sacerdote saúda a assembleia como habitualmente e em seguida faz uma breve admonição para exortar os fiéis a celebrarem activa e conscientemente este rito festivo. Para isso, pode dizer estas palavras ou outras semelhantes:

 

Caríssimos irmãos:

Celebrámos com muita alegria, há quarenta dias, a solenidade do Natal do Senhor.

Hoje é o santo dia em que Jesus foi apresentado no templo por Maria e José. Exteriormente cumpria as prescrições da lei, mas na realidade vinha ao encontro do seu povo fiel.

Aqueles dois santos velhos, Simeão e Ana, tinham vindo ao templo sob a inspiração do Espírito Santo; iluminados pelo Espírito, reconheceram o Senhor e anunciavam-no a todos com entusiasmo.

Também nós, aqui reunidos pelo Espírito Santo, caminhemos para a casa do Senhor ao encontro de Cristo. Aí O encontraremos e O reconheceremos na fracção do pão, enquanto aguardamos a sua vinda gloriosa.

 

 

5.   Terminada a admonição, o sacerdote procede à bênção das velas, dizendo de mãos juntas:

 

Oremos:

Senhor nosso Deus, fonte e origem de toda a luz, que neste dia mostrastes ao santo velho Simeão a luz que veio para se revelar às nações, humildemente Vos suplicamos: santificai com a vossa + bênção estas velas e ouvi a oração do vosso povo que se reuniu para as levar solenemente em honra do vosso nome, de modo que, seguindo sempre o caminho da virtude, chegue um dia à luz que jamais se extingue. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Ou então

 

Oremos:

Senhor Deus, fonte e origem da luz eterna, infundi no coração dos fiéis a claridade da luz que não tem ocaso, para que todos nós, iluminados no vosso templo santo pelo esplendor destas luzes, mereçamos chegar um dia à luz da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

E asperge as velas com água benta sem dizer nada.

 

6.   Seguidamente, o sacerdote recebe a vela que está preparada para ele e dá início à procissão, dizendo:

 

Caminhemos em paz ao encontro de Cristo.

 

7.   Durante a procissão, canta-se a seguinte antífona com o respectivo cântico, ou outro cântico apropriado:

 

Antífona:     Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

Agora, Senhor, segundo a vossa palavra,

deixareis ir em paz o vosso servo.

 

Antífona:     Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

Os meus olhos viram a salvação

que oferecestes a todos os povos.

 

Antífona:     Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

8.   Ao entrar a procissão na igreja, canta-se a antífona de entrada da Missa. O sacerdote, depois de chegar ao altar, faz a devida reverência e, se parecer oportuno, incensa-o. Depois vai para a sua sede; ali, depõe o pluvial (se foi usado na procissão) e veste a casula.

 

Segue-se o canto do Glória, depois do qual, como de costume, diz a Oração Colecta. A Missa continua na forma habitual.

 

 

Segunda forma: Entrada Solene

 

9.   Os fiéis reúnem-se na igreja com as velas na mão. O sacerdote, revestido de paramentos brancos, acompanhado dos ministros e de uma representação da assembleia, dirige-se para o lugar mais conveniente, à porta da igreja ou dentro dela, onde ao menos uma grande parte dos fiéis possa ver facilmente o rito e participar nele.

 

10.                Quando o sacerdote tiver chegado ao lugar destinado para a bênção das velas, acendem-se as velas, enquanto se canta a antífona O Senhor virá com poder, ou outro cântico apropriado.

 

11.                Em seguida, o sacerdote, depois da saudação e da admonição, procede à bênção das velas, como acima se indica (nn. 4-5). Segue-se a procissão em direcção ao altar, durante a qual se canta a antífona própria ou um cântico apropriado (nn. 6-7). Para a Missa, observe-se o que está indicado no n. 8.

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: A Luz de Cristo, Az. Oliveira, NRMS 88

Salmo 47, 10-11

Antífona de entrada: Recordamos, Senhor, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Toda a terra proclama o louvor do vosso nome, porque sois justo e santo, Senhor nosso Deus.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A festa do dia 29 de Janeiro pertence ao ciclo do Natal e da Epifania. É a última das festas da infância de Jesus e encerra a da Epifania lembrando a manifestação de Jesus no Templo. Os gregos chamam-lhe a festa do encontro, neste caso de Jesus com o santo velho Simeão e a profetisa Ana, viúva.

Entre o povo é conhecida pela festa das Candeias em virtude de hoje se fazer a bênção litúrgica das velas, seguida de procissão, a única procissão de velas preceituada pela liturgia. Os fiéis costumam levá-las para casa para acender nas horas difíceis e colocar na mão dalgum familiar prestes a morrer. O Cardeal Stepinac, mártir de Cristo, pedia, com insistência, ao morrer, que lhe pusessem na mão essa vela benzida, como símbolo de fé e de esperança.

 

Para tirarmos mais proveito da celebração do Santo Sacrifício que se vai celebrar, reconheçamos as nossas culpas e peçamos perdão ao Senhor. Assim purificados seremos templos menos indignos do Espírito Santo e poderemos receber com melhores disposições o Corpo e o Sangue do Senhor.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, humildemente Vos suplicamos que, assim como o vosso Filho Unigénito foi neste dia apresentado no templo, revestido da natureza humana, assim também, de alma purificada, nos apresentemos diante de Vós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Esta passagem do livro do profeta Malaquias, última página do Antigo Testamento, anuncia a vinda ao Templo do Senhor esperado.

 

Malaquias 3, 1-4

2Assim fala o Senhor Deus: «Vou enviar o meu mensageiro, para preparar o caminho diante de Mim. Imediatamente entrará no seu templo o Senhor a quem buscais, o Anjo da Aliança por quem suspirais. Ele aí vem–diz o Senhor do Universo –. 2Mas quem poderá suportar o dia da sua vinda, quem resistirá quando Ele aparecer? Ele é como o fogo do fundidor e como a lixívia dos lavandeiros. 3Sentar-Se-á para fundir e purificar: purificará os filhos de Levi, como se purifica o ouro e a prata, e eles serão para o Senhor os que apresentam a oblação segundo a justiça. 4Então a oblação de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor, como nos dias antigos, como nos anos de outrora.

 

A leitura é um pequeno extracto da passagem (2, 17 – 3, 5) relativa aos tempos escatológicos – o dia do Senhor –, em que se dará uma radical purificação do sacerdócio («os filhos de Levi», v. 3).

1 «Anjo da Aliança». Ele é o próprio Senhor «por quem suspirais». A profecia teve o seu pleno cumprimento em Jesus Cristo, o Filho de Deus enviado à terra. A vinda deste «Anjo da Aliança» será preparada por um mensageiro, que, segundo a interpretação dada em Mt 11, 10, é João Baptista, o Precursor.

Tenha-se em conta que, por vezes, no Antigo Testamento, designa-se com o nome de Anjo o próprio Deus que se manifesta: assim em Gn 16, 7.13 e Ex 3, 2, etc.. Nestes casos, «anjo» não tem o sentido corrente de enviado de Deus, mas o de presença ou manifestação visível de Deus.

 

Salmo Responsorial    Salmo 23 (24), 7.8.9.10 (R. 10b)

 

Monição: Este salmo canta a glória e o triunfo do Salvador lembrado já nas palavras proféticas do santo velho Simeão.

 

Refrão:         O Senhor do Universo é o Rei da Glória

 

Levantai, ó portas, os vossos umbrais,

alteai-vos, pórticos antigos,

e entrará o Rei da glória.

 

Quem é esse Rei da glória?

O Senhor forte e poderoso,

o Senhor poderoso nas batalhas.

 

Levantai, ó portas, os vossos umbrais,

alteai-vos, pórticos antigos,

e entrará o Rei da glória.

 

Quem é esse Rei da glória?

O Senhor dos Exércitos,

é Ele o Rei da glória.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 2, 32

 

Monição: Vamos escutar a primeira entrada de Jesus no Templo pelas mãos de Maria. Aclamemo-l'O. É o nosso Salvador.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

 

Evangelho *

 

 

Forma longa: São Lucas 2, 22-40         Forma breve: São Lucas 2, 22-32

22Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, 23como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», 24e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. 25Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel e o Espírito Santo estava nele. 26O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor 27e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, 28Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: 29«Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, 30porque os meus olhos viram a vossa salvação, 31que pusestes ao alcance de todos os povos: 32luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo».

[33O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. 34Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição – 35e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». 36Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada 37e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. 38Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. 40Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.]

 

A ida de Maria a Jerusalém para cumprir a lei da purificação das parturientes (Lv 12) serve de ocasião para que José e Maria procedam a um gesto que não estava propriamente prescrito pela Lei. Apresentar ali o Menino ao Senhor, é um gesto de oferta que mostra que Ele não lhes pertence e que se sentem meros depositários dum tesoiro de infinito valor. Pode também ver-se o sentido de imitação do gesto de Ana, mãe de Samuel (Sam 1, 11.22-28). Mas se a lei não preceituava a «apresentação», obrigava ao resgate do primogénito varão (não pertencente à tribo de Levi). Segundo Ex 13, o primogénito animal devia ser oferecido em sacrifício, ao passo que o primogénito humano devia ser resgatado, tudo isto em reconhecimento pelos primogénitos dos israelitas não terem sido sacrificados juntamente com os dos egípcios. O preço do resgate eram 5 siclos do santuário. Cada siclo de prata, no padrão do santuário, constava de vinte grãos com o peso total de 11,4 gramas. S. Lucas não fala deste resgate de 57 gramas de prata, que podia ser pago a qualquer sacerdote em qualquer parte da nação judaica; o evangelista apenas faz uma referência genérica ao cumprimento da Lei (v. 23; cf. Ex 13, 2.12-13).

24 A lei da purificação atingia toda a parturiente, a qual contraía impureza legal durante 7 dias, se dava à luz um rapaz, (Ex 12, 28, mas a jurisprudência judaica já tinha acrescentado mais 33 dias, um total de 40) e durante 14 dias, se tinha uma menina (tinha subido na época para 80 dias). No fim desse tempo, devia ser declarada pura mediante a oferta no templo duma rês menor (podia ser um cordeiro) e duma pomba ou rola. Quando a mãe não dispunha de meios para oferecer uma rês menor, podia oferecer um par de pombas ou rolas, como aqui se refere.

Tenha-se em conta que a «impureza legal ou ritual» não incluía a noção de pecado, ou de impureza moral). De modo particular todas as coisas relativas à transmissão da vida, mesmo no caso de serem moralmente boas, como a maternidade e o uso legítimo do matrimónio, ou moralmente indiferentes, como a menstruação e a polução nocturna, tornavam a pessoa impura, isto é, inapta para o culto de Deus Santo. A razão disto estava no carácter sagrado da vida e da sua transmissão. Parece que tudo isto implicava alguma perda de vitalidade, que devia ser reparada mediante certos ritos, para de novo poder entrar em comunhão com Deus, a plenitude e a fonte da vida. Estas leis tinham uma finalidade eminentemente didáctica: o povo de Israel era um povo santo, especialmente dedicado a Deus e ao seu culto, e em comunhão com Ele (cf. Ex 19, 5-6; Lv 19, 2). Todas as normas de pureza ritual faziam-no tomar constantemente consciência das suas relações particularíssimas com Deus e do sentido cultual da sua vida diária. A verdade é que a frequência e abundância dos ritos nem sempre foi alicerçada num coração dedicado a Deus, tendo degenerado no formalismo religioso tão denunciado pelos profetas e por Jesus Cristo (cf. Is 29, 13; Mt 15, 7-9).

Em face disto, o rito da Purificação de Maria, não pressupõe a aparência sequer de qualquer imperfeição moral ou legal da parte da SSª Virgem, como se poderia pensar. O gesto de Maria aparece como uma singular lição de naturalidade, de obediência e de pureza, cumprindo uma lei a que não estava sujeita, por ser a aeiparthénos, a sempre Virgem; Maria, a tão privilegiada, não quer para si um regime de excepção e privilégio.

25 «Simeão», de quem não temos mais notícias, aparece como um dos «piedosos» do judaísmo que esperava não um messias revolucionário (como os zelotas) mas o verdadeiro Salvador (o «consolo de Israel»). Apesar do que se diz no v. 34, não parece ser sacerdote, não estando no serviço do templo, mas tendo vindo lá «movido pelo Espírito» (v. 27).

33 A naturalidade com que S. Lucas chama a S. José «pai de Jesus» não implica qualquer contradição com o que antes afirmou em 1, 26-38. Aqui visa o poder e missão paterna, de modo nenhum a ascendência carnal.

35 «Assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Estas palavras ligam-se a «sinal de contradição». É que, diante de Jesus, não há lugar para a neutralidade: a sua pessoa, a sua obra e a sua mensagem fazem com que os homens revelem o seu interior, tomando uma atitude pró ou contra; a aceitação e a fé será, para muitos, motivo de salvação, ou «ressurgimento espiritual» (de que «se levantem»), ao passo que a rejeição culpável será motivo de que muitos se condenem (de que «muitos caiam»).

36-37 Põe-se em relevo a sua longa viuvez, como algo digno de veneração.

38 Não se afasta do Templo: hipérbole para indicar a frequência diária.

39 Este v. corresponde a Mt 2, 23, mas Lucas não relata aqui a fuga para o Egipto.

40 A Teologia explicita que «o Menino crescia», não só na manifestação da sabedoria, mas também no conhecimento experimental.

 

Sugestões para a homilia

 

Lugar sineiro de Maria no calendário litúrgico

A apresentação de Jesus no Templo

Maria é modelo de obediência

Lugar sineiro de Maria no calendário litúrgico

Podemos dizer que, com Maria, começou a presença de Deus entre os homens. Ela O introduziu neste mundo quando aceitou o plano redentor divino. Quando o Anjo apresenta esse plano e Ela o aceita, tem lugar o maior acontecimento da História: a Encarnação do Verbo: Jesus torna-se o divino Emanuel.

A iniciativa é divina. Mas só se realizará com a livre cooperação desta jovem hebreia, chamada Maria.

Porque nasceu Jesus de uma virgem? Não se trata de qualquer desvalorização do matrimónio nem de assegurar a filiação divina de Cristo. Trata-se de que, fique bem patente, como nos recorda São Paulo na segunda leitura de hoje, que a salvação do mundo é obra exclusiva de Jesus, revelação do mistério mantido em segredo durante séculos e séculos, e manifestado agora pelos escritos proféticos.

A Apresentação de Jesus no Templo

Quarenta dias depois do nascimento de Jesus, Maria e José levam o Menino a Jerusalém para O oferecerem ao Senhor (Lc 2, 22). Naquele momento, um homem justo e piedoso chamado Simeão exclama: os meus olhos virão a salvação que, Tu ,Senhor, preparastes em favor dos povos: luz para iluminar as nações e glória de Israel teu povo (Lc 2, 30).

As palavras de Simeão colocam, sob nova luz, o anúncio que Maria tinha ouvido do Anjo. Jesus é o Salvador, é luz para iluminar os homens. Não foi o que de algum modo, se manifestou na noite de Natal, quando os pastores vieram ao presépio?

Maria é modelo de obediência

Observando o que estava presente na lei de Moisés, Maria e José levaram o menino ao Templo. Mais uma vez se manifesta a sua obediência: eis a escrava do Senhor, faça-se em Mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38) Maria mostra que não tem planos pessoais à margens dos de Deus, mas coloca-se à Sua inteira disposição. Durante toda a trajectória da sua vida, Maria recebe tudo de Deus. Reside aqui a grandeza da sua missão que se prolonga misteriosamente na Igreja.

De que tu e eu nos comportemos como Deus quer, não esqueças, dependem muitas coisas grandes (S. José Maria Escrivã). Como vamos no tocante à obediência dos mandamentos de Deus? Damos conta de que, se assumimos os critérios dos projectos de Deus sobre a humanidade, trabalhamos também pela edificação de uma sociedade mais justa e pacifica?

Maria, modelo de obediência e humildade, passou de uma aldeiazita de um obscuro rincão, a converter-se na mulher mais querida e admirada da terra.

 

Fala o Santo Padre

 

«Este Menino será luz das gentes e glória de Israel, mas também ‘sinal de contradição’»

1. «Quando se cumpriu o tempo da sua purificação, segundo a lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para O apresentarem ao Senhor» (Lc 2, 22). O Menino Jesus entra no Templo de Jerusalém nos braços da Virgem Mãe.

«Nascido de mulher, nascido sujeito à Lei» (Gl 4, 4), Ele segue o destino de cada primogénito varão do seu povo: segundo a Lei do Senhor, deve ser «resgatado» com um sacrifício, quarenta dias depois do nascimento (cf. Êx 13, 2.12; Lv 12, 1-8).

Aquele recém-nascido, aparentemente em tudo semelhante aos outros, não passa despercebido: o Espírito Santo abre os olhos da fé ao velho Simeão, que se aproxima e, tomando o Menino nos braços, reconhece nele o Messias e louva a Deus (cf. Lc 2, 25-32). Este Menino, profetiza ele, será luz das gentes e glória de Israel (cf. ibid., v. 32), mas também «sinal de contradição» (Ibid., v. 34) porque, segundo as Escrituras, realizará o juízo de Deus. E à Mãe admirada, o piedoso ancião prediz que isto acontecerá através de um sofrimento, em que também Ela há-de participar (cf. ibid., v. 35).

2. Quarenta dias depois do Natal, a Igreja celebra este sugestivo mistério gozoso que, de certa forma, antecipa o sofrimento da Sexta-Feira Santa e a alegria da Páscoa. A tradição oriental denomina esta solenidade como a «festa do encontro» porque, no espaço sagrado do Templo de Jerusalém, tem lugar o abraço entre a bondade de Deus e a expectativa do povo eleito.

E tudo isto adquire significado e valor escatológico em Cristo: Ele é o Esposo que vem cumprir a aliança nupcial com Israel. Muitas pessoas são chamadas, mas quantas estão efectivamente prontas a recebê-lo, com a mente e o coração vigilantes (cf. Mt 22, 14)? Na liturgia do dia de hoje contemplamos Maria, modelo daqueles que esperam e abrem com docilidade o coração para o encontro com o Senhor. […]

João Paulo II, Vaticano, 1 de Fevereiro de 2003

 

Oração Universal

 

Irmãos caríssimos:

neste dia em que Jesus é apresentado no Templo

para ser oferecido ao Senhor,

suba a nossa oração a Deus Pai todo–poderoso,

pelo bem-estar de toda a humanidade.

que Cristo veio libertar com a Sua presença e resgatar com o Seu Sacrifício.

 

1.  Para que a Igreja de Deus,

pela vida dos seus fiéis e pelo ministério dos sacerdotes,

faça brilhar diante dos homens a luz de Cristo,

oremos, irmãos.

 

2.  Para que os governantes das nações

mereçam a confiança de Deus e dos homens

pelo seu amor à verdade. à justiça e à paz,

oremos irmãos.

 

3.  Para que todos os cristãos

respeitem os seus corpos e neles glorifiquem a Deus,

como templos que são do Espirito Santo,

oremos, irmãos.

 

4.  Para que todos nós contribuamos generosamente

para o brilho e esplendor do culto nas nossas igrejas,

manifestando assim a nossa fé

na presença real de Cristo na Eucaristia,

oremos, irmãos.

 

5.  Para que aqueles que estão no fim dos seus dias

tenham uma morte em paz, nos braços de Deus Pai,

oremos, irmãos.

 

6.  Para que as mães de família

recebam em seus lares a honra,

a ajuda e a gratidão que merecem,

oremos, irmãos.

 

7.  Para que Deus suscite na Sua Igreja

muitos jovens que se entreguem ao serviço de Deus

com generosidade e alegria,

oremos, irmãos.

 

8.  Para que todos nós aqui presentes

saibamos prestar culto a Deus

em espírito e verdade em todos os sítios

e nos apresentemos frequentemente ao altar de Deus,

de consciência pura e coração generoso,

por intercessão da Virgem Imaculada, Santa Maria,

oremos, irmãos.

 

Deus todo–poderoso e eterno,

que recebestes hoje no Vosso Templo a Jesus Cristo. Vosso Filho,

que Se oferecia por nós.

dignai-Vos escutar as nossas súplicas

e receber a homenagem da nossa humilde gratidão.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Hoje, ao templo do Senhor, A. Cartageno, NRMS 88

 

Oração sobre as oblatas: Senhor, que na vossa bondade quisestes que o vosso Filho Unigénito Se oferecesse a Vós como Cordeiro sem mancha pela vida do mundo, fazei que Vos seja agradável a oblação da vossa Igreja em festa. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

Cristo, luz das nações

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte. Hoje o vosso Filho, eterno como Vós, é apresentado no templo e proclamado pelo Espírito Santo glória de Israel e luz das nações. Por isso, vamos com alegria ao encontro do Salvador e com os Anjos e os Santos proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 14

 

Monição da Comunhão

 

Aquele Jesus que causou tanta alegria a Simeão e a Ana profetisa é o mesmo que vamos receber escondido debaixo das aparências sacramentais. Façamos nossos os sentimentos de tão santos personagens.

 

Cântico da Comunhão: Cantemos todos em coro, Az. Oliveira, NRMS 88

Lc 2, 30-31

Antífona da comunhão: Os meus olhos viram a salvação que oferecestes a todos os povos.

 

Cântico de acção de graças: Felizes os que habitam na vossa casa, M. Valença, NRMS 48

 

Oração depois da comunhão: Deus de bondade, que respondestes à esperança do santo Simeão, confirmai em nós a obra da vossa graça: assim como lhe destes a alegria de receber em seus braços, antes de morrer, a Cristo vosso Filho, concedei que também nós, fortalecidos por estes sacramentos, caminhemos ao encontro do Senhor e alcancemos a vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Festa da Apresentação de Jesus no Templo. Festa da Purificação de Nossa Senhora. Quantas lições encerra para a nossa vida de cristãos! Festa da Senhora da Luz. O mal de muitos homens de hoje é negarem a luz julgando que, deste modo, as trevas se tornam progresso.

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. da Silva, NRMS 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

feira, 3-II:S. Brás / S. Ansgário: A vida ao serviço do Senhor.

Sir. 47, 2-11 / Mc. 6, 14-19

(David) Em todas as suas obras, rendeu homenagem, com palavras de glória, ao Santo, ao Altíssimo.

David foi escolhido por Deus, procurando com a sua vida dar toda a glória a Deus (cf. Leit.). João Baptista foi igualmente escolhido por Deus, para ser o precursor de Jesus, dando testemunha d’Ele pela sua pregação, pelo baptismo de conversão e pelo seu martírio (cf. Ev.)

Os santos, cuja memória celebramos hoje também dedicaram a sua vida ao serviço do Senhor: S. Brás, bispo de Sebaste (Arménia) deu igualmente testemunho com seu martírio; S. Ansgário enfrentou muitas dificuldades na tarefa da evangelização na Dinamarca e na Suécia.

 

Sábado, 4-II: S. João de Brito: O ofício do bom Pastor.

1 Re. 3, 4-13 / Mc. 6, 30-34

Jesus encheu-se de compaixão por aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor.

Para que as ovelhas não se perdessem Jesus dedica imenso tempo a ensinar-lhes o seu caminho (cf. Ev.). E mais tarde derrama o seu sangue para que não lhes falte a vida. Para poder governar bem o povo de Israel, em nome do Senhor, Salomão pede o que é mais importante: um coração inteligente, que ajudasse a discernir o bem do mal.

S. João de Brito (século XVII) sentiu o apelo do Senhor para se dedicar às missões, partindo para Índia. Encontrou imensas dificuldades e veio a oferecer igualmente, como Cristo, a sua vida pelo seu rebanho.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:  Armando B. Marques

Nota Exegética:       Geraldo Morujão

Homilias Feriais:      Nuno Romão

Sugestão Musical:   Duarte Nuno Rocha

 


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