2.º Domingo dA QUARESMA

12 de Março de 2006

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vem Salvador do mundo, F. dos Santos, NCT 94

Salmo 26, 8-9

Antífona de entrada: Diz-me o coração: «Procurai a face do Senhor». A vossa face, Senhor, eu procuro; não escondais de mim o vosso rosto.

 

Ou

cf. Salmo 24, 6.3.22

Lembrai-vos, Senhor, das vossas misericórdias e das vossas graças que são eternas. Não triunfe sobre nós o inimigo. Senhor, livrai-nos de todo o mal.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O sacrifício de Abraão ajuda-nos a ver quão sublime é a entrega de Cristo pela humanidade.

Para evitar que a fé dos apóstolos vacilasse perante a morte de Cristo na Cruz, o Senhor Jesus transfigurou-se diante de Pedro, Tiago e João, recomendando-lhes que só revelassem este facto após a Ressurreição.

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que nos mandais ouvir o vosso amado Filho, fortalecei-nos com o alimento interior da vossa palavra, de modo que, purificado o nosso olhar espiritual, possamos alegrar-nos um dia na visão da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O sacrifício de Abraão convida-nos à entrega total.

 

Génesis 22, 1-2.9a.10-13.15-18

1Naqueles dias, Deus quis pôr à prova Abraão e chamou-o: «Abraão!» Ele respondeu: «Aqui estou». 2Deus disse: «Toma o teu filho, o teu único filho, a quem tanto amas, Isaac, e vai à terra de Moriá, onde o oferecerás em holocausto, num dos montes que Eu te indicar. 9aQuando chegaram ao local designado por Deus, Abraão levantou um altar e colocou a lenha sobre ele. 10Depois, estendendo a mão, puxou do cutelo para degolar o filho. 11Mas o Anjo do Senhor gritou-lhe do alto do Céu: «Abraão, Abraão!» «Aqui estou, Senhor», respondeu ele. 12O Anjo prosseguiu: «Não levantes a mão contra o menino, não lhe faças mal algum. Agora sei que na verdade temes a Deus, uma vez que não Me recusaste o teu filho, o teu filho único». 13Abraão ergueu os olhos e viu atrás de si um carneiro, preso pelos chifres num silvado. Foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto, em vez do filho. 15O Anjo do Senhor chamou Abraão do Céu pela segunda vez 16e disse-lhe: «Por Mim próprio te juro – oráculo do Senhor – já que assim procedeste e não Me recusaste o teu filho, o teu filho único, 17abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar, e a tua descendência conquistará as portas das cidades inimigas. 18Porque obedeceste à minha voz, na tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra».

 

Como observa The New Jerome Biblical Commentary, p 25, «esta história é uma obra-prima, ao apresentar Deus como o Senhor cujas exigências são absolutas, cuja vontade é inescrutável e cuja palavra final é benevolência. Abraão deixa ver a grandeza moral do fundador de Israel, em face de Deus, ao querer obedecer à palavra de Deus em toda a sua misteriosa severidade. Não há aqui as volúveis evasivas de Abraão (cf. cap. 13 e 21); ele mantém-se silenciosamente confiado e obediente».

1 «Deus quis pôr à prova Abraão». Deus não podia pretender a morte de Isaac (cf. v. 12), fazendo com que Abraão seguisse os bárbaros costumes cananeus; apenas quer «pôr à prova», isto é, aquilatar a fé, a obediência e o amor do seu eleito. Não se pense que esta prova era disparatada. Com efeito, inseria-se nos hábitos selvagens da religião cananeia, como se conta em 2 Re 3, 27: Mesa, rei de Moab, imolou o filho herdeiro para obter do seu deus Kemóx a libertação da sua cidade atacada pelos israelitas. Não poderia Deus ter para com Abraão uma exigência desta natureza? No entanto, a ordem divina era, humanamente vistas as coisas, simplesmente absurda: não era certo que Deus lhe prometera uma enorme descendência a partir de Isaac? Até este ponto chega a fé de Abraão: o mesmo Deus que lhe dera milagrosamente o filho tinha pleno direito de lho exigir e, se quisesse manter a sua promessa, podia vir a restituir-lho vivo (cf. Hebr 11, 19). Pode ver-se, a propósito, o belo comentário do Catecismo da Igreja Católica, nº 2572.

9 «Colocou a lenha sobre ele». Os Padres viram no sacrifício de Isaac, entregue à morte pelo seu próprio pai e carregando às costas a lenha do sacrifício, uma figura de Cristo, levando a cruz para o monte Calvário, o novo monte Moriá do sacrifício da Nova Lei (segundo 2 Cr 3, 1, o Templo erguia-se neste monte). Deus, que poupou o filho de Abraão, «não poupou o seu próprio Filho»! (Rom 8, 32: cf. 2.ª leitura).

 

Salmo Responsorial    Sl 115(116), 10-15,16-17, 18-19

 

Monição: Confiemos no Senhor, sobretudo no tempo de provação.

 

Refrão:         Andarei na presença do Senhor

                      sobre a terra dos vivos.

 

Ou:                Caminharei na terra dos vivos

                na presença do Senhor.

 

Confiei no Senhor, mesmo quando disse:

«Sou um homem de todo infeliz».

É preciosa aos olhos do Senhor

a morte dos seus fiéis.

 

Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva:

quebrastes as minhas cadeias.

Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor,

invocando, Senhor, o vosso nome.

 

Cumprirei as minhas promessas ao Senhor

na presença de todo o povo,

nos átrios da casa do Senhor,

dentro dos teus muros, Jerusalém.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A paixão, a morte e ressurreição de Cristo, levam a dizer: «Se Deus está por nós, quem estará contra nós?» (Rom 8, 31)

 

Romanos 8, 31b-34

Irmãos: 31bSe Deus está por nós, quem estará contra nós? 32Deus, que não poupou o seu próprio Filho, mas O entregou à morte por todos nós, como não havia de nos dar, com Ele, todas as coisas? 33Quem acusará os eleitos de Deus? Deus, que os justifica? E quem os condenará? 34Cristo Jesus, que morreu, e mais ainda, que ressuscitou e que está à direita de Deus e intercede por nós?

 

A leitura foi escolhida pela provável referência ao sacrifício de Isaac relatado na 1.ª leitura: Deus, que poupara o filho de Abraão, não poupa à morte o seu próprio Filho: «Deus não poupou o seu próprio Filho» (v. 32). É a máxima prova do amor de Deus para connosco (cf. Jo 3, 16), e o máximo motivo da nossa esperança. A esperança não nos pode jamais vir a deixar confundidos (Rom 5, 5): eis até que ponto «Deus está por nós (v. 31)! Repare-se na expressiva insistência – três vezes neste pequenino trecho –, «por nós». Chamamos a atenção para o facto de que S. Paulo, ao falar assim, não quer dizer que o Pai desejava a morte do seu Filho (Abraão também não a desejava!), mas adopta uma linguagem impressionante para falar do misterioso dom do seu Filho para vir realizar a obra da nossa salvação, à custa da sua própria vida; longe de nós imaginar Deus Pai a descarregar a sua ira sobre o seu Filho para tirar vingança dos nossos pecados, como alguém poderia pensar.

34 «Quem os condenará?» Pela parte de Deus, infinitamente fiel, misericordioso e poderoso, podemos estar seguros da salvação: a esperança é certa e firme. No entanto, pela nossa parte, temos que trabalhar pela nossa salvação «com temor e tremor» (Filp 2, 12), dado que temos a possibilidade de não corresponder à graça de Deus, usando mal a liberdade, acabando por vir a ser desclassificados ou condenados (cf. 1 Cor 9, 25-27).

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: A mensagem de Cristo deve ser escutada e vivida. Deus Pai recomenda-o solenemente.

 

 

Cântico: B. Salgado, NRMS 32

 

No meio da nuvem luminosa, ouviu-se a voz do Pai:

«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O».

 

 

Evangelho

 

São Marcos 9, 2-10

Naquele tempo, 2Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles. 3As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear. 4Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. 5Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias». 6Não sabia o que dizia, pois estavam atemorizados. 7Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O». 8De repente, olhando em redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus, sozinho com eles. 9Ao descerem do monte, Jesus ordenou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, enquanto o Filho do homem não ressuscitasse dos mortos. 10Eles guardaram a recomendação, mas perguntavam entre si o que seria ressuscitar dos mortos.

 

A cena da Transfiguração situa-se nos inícios da segunda parte do Evangelho de Marcos. A primeira parte (Mc 1, 1 – 8, 29) parece querer ser a resposta à incompreensão das pessoas que se interrogam – «quem é este homem?» – sem atinarem com a resposta certa, culminando com a confissão de Pedro: «Tu és o Cristo!» (8, 29). Mas perante a revelação da natureza da obra messiânica de Jesus, que passa pela aparente derrota da Paixão e da Cruz, surge a incompreensão dos próprios discípulos, a começar pelo próprio Pedro (8, 31-33). É assim que a visão antecipada da glória do Messias na Transfiguração serve de correctivo para aqueles que ficaram confundidos com o primeiro anúncio da Cruz como meio de salvação (8, 31 – 9, 1). Para nós, é também uma visão antecipada da vinda gloriosa de Cristo, a encher-nos de esperança (cf. Filp 3, 21). A Transfiguração do Senhor nada tem a ver com os mitos gregos das metamorfoses. O próprio S. Lucas, melhor conhecedor da cultura grega, teve o escrupuloso cuidado de evitar o verbo grego usado por S. Marcos – metamorfôthê, transfigurou-Se – substituindo-o por um circunlóquio: «ao rezar, ficou outro o aspecto do seu rosto». Nos mistérios gregos, chegava-se progressivamente à transformação da natureza – a metamorfose –, através duma iniciação mistagógica, ao passo que esta transfiguração de Jesus foi repentina e passageira, uma manifestação do que Jesus já era antes.

2 Pedro, Tiago e João, são os três predilectos de Jesus, destinados a ser «colunas da Igreja» (Gal 2, 9) particularmente firmes, também testemunhas da ressurreição da filha de Jairo (Mc 5, 37) e da agonia de Jesus no horto (Mt 26, 37), diríamos, uma espécie de núcleo duro dos Doze. «A um alto monte»: Os Evangelhos não dizem o nome do monte que habitualmente se julga ser o Tabor, um monte situado a 10 km a Leste de Nazaré, segundo uma antiga tradição já referida por Orígenes. Como este monte não é muito alto (apenas 560 m), há exegetas que falam antes do Monte Hermon (2.759 m), junto a Cesareia de Filipe, região onde Jesus tinha estado, segundo os três sinópticos, uma semana antes. «E transfigurou-Se diante deles»: o acontecimento é descrito, não como uma visão, mas como uma epifania, pois foi Ele mesmo a «manifestar» a sua própria glória divina, enquanto estava com eles. O facto deveras notável não foi tanto a visão de Moisés e Elias, mas a da glória de Jesus.

3 «As vestes… resplandecentes…» S. Marcos não faz referência ao rosto de Jesus que ficou brilhante como o Sol (Mt 17, 2). O Evangelista não precisava de pormenorizar mais, pois a referência da brancura sobrenatural das vestes era o suficiente para que o leitor tomasse consciência da personalidade celestial de Jesus (cf. Dan 7, 9; Act 1, 10; Apoc 3, 4-5; 4, 4; 7, 9).

4 «Moisés e Elias». A sua presença à volta de Jesus deixa ver como a Lei e os Profetas convergem para Ele, uma vez que tinham preparado e anunciado a sua vinda. A própria tradição rabínica falava de Moisés como precursor do Messias e Malaquias anunciara a vinda de Elias nos tempos messiânicos (Mal 3, 23).

5-7 «Três tendas». Assim se prestava Pedro a facilitar que se prolongasse aquele êxtase paradisíaco. Fala de três e não de um único refúgio, tendo em conta a desigual dignidade de cada uma das pessoas. «Não sabia o que dizia»: Pedro, tomado de assombro, pensa em categorias de um messianismo glorioso e pretende que aquela situação extraordinária se prolongue e mantenha, totalmente alheado da realidade do dia a dia. «Veio então uma nuvem»: mas esta não era uma resposta à sugestão de Pedro para construir um abrigo; a nuvem – a tenda de Deus (cf. 2 Sam 22, 12; Salm 18(17), 12), que cobriu e envolveu Jesus «com a sua sombra» –, era sobretudo um sinal bíblico da presença de Deus, que simultaneamente O revelava e O ocultava (cf. Ex 13, 22; 19, 9; 24, 15-16; 33, 9; Lv 16, 2; Nm 9, 15-23; 11, 25). De acordo com Lc 9, 32, este prodígio deve-se ter verificado de noite, enquanto o Senhor fazia oração (Lc 9, 29). Mas não consta que Jesus se tenha elevado, levitando no ar, como O pintou Rafael. «Este é o meu Filho». Com estas palavras a cena atinge o apogeu: a voz vinda do Céu é mais uma confirmação divina da anterior confissão da fé de Pedro (Mc 8, 29). S. Tomás comenta: «Apareceu toda a Trindade, o Pai na voz, o Filho no homem, o Espírito na nuvem luminosa».

9 «Ordenou-lhes que não contassem…» Esta ordem pertence à chamada disciplina do segredo messiânico – a que Marcos dá especial ênfase pela preocupação teológica de fazer ressaltar a incompreensão perante Jesus, a ser superada pelos seus só após a glória da Ressurreição –, visa evitar possíveis agitações populares, que só contribuiriam, para perturbar e dificultar a missão de Jesus.

 

Sugestões para a homilia

 

1.       Com a ajuda de Deus somos capazes de tudo

2.       As lições da Transfiguração de Cristo

1. Com a ajuda de Deus somos capazes de tudo

A atitude de Abraão é para nós um exemplo único.

Abraão não discute as ordens de Deus. Abraão não pede esclarecimentos. Basta-lhe o mandato de Deus.

Donde brota esta sua disponibilidade?

Da vida de união com Deus. Abraão tinha familiaridade com Deus. Se queremos imitar a sua generosidade, tratemos do nosso enriquecimento interior. Como vão os nossos tempos de oração? Primeiro é necessário que existam. Temos sido fiéis aos tempos de oração mental? Fazemos leitura espiritual? Dedicamos tempo ao estudo do Catecismo da Igreja Católica ou do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica? Programamos e vivemos com seriedade o nosso retiro anual. Como fazemos a nossa oração da manhã e da noite? Como vai o exame de consciência e a confissão frequente? Transformamos o trabalho em tempo de oração e santificação? O nosso trabalho é o melhor sacrifício e mortificação para o tempo quaresmal? A participação na Eucaristia é o momento alto da nossa vida de Cristãos? Como a preparamos, a vivemos, damos graças e a levamos para a vida? Os outros palpam que somos cristãos que mergulham na Eucaristia? Sem este pano de fundo, Deus não pode contar connosco à semelhança de Abraão. A nossa disponibilidade frente aos apelos de Deus será quase nula.

O nosso trabalho apostólico não passa de activismo que leva a um desgaste quase estéril!!!

E ainda há tempo de qualidade para a família, a vida social, a actualização e a prática de desporto? O que já dissemos é que garante o tempo de qualidade para todas as coisas. Um bom programa de vida interior, de trato com Deus, garante a hierarquia de valores, a ordem e rentabilidade do tempo.

2. As lições da Transfiguração de Cristo.

Preparemos nestas palavras de S. Leão Magno (DL 54, 310-311.313) (Século V):

«O Senhor manifesta a sua glória na presença de testemunhas escolhidas, e de tal modo faz resplandecer o seu corpo, semelhante ao de todos os homens, que o seu rosto se torna brilhante como o sol, e as suas vestes brancas como a neve.

A principal finalidade desta transfiguração era fazer desaparecer do coração dos discípulos o escândalo da cruz, para que a humilhação da paixão, voluntariamente suportada, não perturbasse a fé daqueles a quem tinha sido revelada a excelência da dignidade oculta de Cristo».

Por outras palavras: a Transfiguração de Cristo confirmaria Pedro, Tiago e João na fé em Cristo como verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, que nem a sua paixão, nem a sua morte na cruz, a iriam abalar. Cristo ressuscitado mostraria o seu triunfo sobre o pecado e sobre a morte.

Mas não devemos fixar-nos apenas na Transfiguração de Cristo. Ela é acompanhada de factos deslumbrantes:

·         Presença de Moisés e Elias que falavam com Cristo;

·         Pedro que pede para ficar ali;

·         A nuvem que os cobre com a sua sombra (símbolo do Espírito Santo);

·         A voz do Pai que diz: «Este é o meu Filho muito amado, escutai-O».

·         Cristo que recomenda o silêncio aos três Apóstolos: «enquanto o Filho do homem não ressuscitasse dos mortos».

·         Pedro, Tiago e João que nada percebem do que se passou e nem sabem o que significa ressuscitar dos mortos.

O mais extraordinário de tudo isto é que Cristo entregue a pessoas tão simples o continuar de Sua missão! E ainda mais sublime é que hoje sejamos nós os encarregados de a continuar!

Ofereçamo-nos ao Pai como vítimas, desejando, se essa é a vontade de Deus, chegar à imolação, tal como Jesus Cristo.

 

Fala o Santo Padre

 

«A Quaresma é um tempo favorável para renascer do Espírito, acolhendo ‘a luz do mundo’.»

 […]

2. Continuemos juntos a preparação para a Páscoa, oferecendo a Deus o sofrimento, para o bem da humanidade e para a nossa purificação. Cristo apresenta-se como «a luz do mundo» ao curar o cego de nascença (Jo 9, 5). Ele veio para abrir os olhos do homem para a luz da fé. Sim, caríssimos, a fé é luz que guia no caminho da vida, é chama que conforta nos momentos difíceis.

3. Quando nasce uma criança dizemos que ela «veio à luz». Para os crentes, que com o Baptismo nascem para a vida sobrenatural, a Quaresma é um tempo favorável para «vir à luz», ou seja, para renascer do Espírito, renovando a graça e o compromisso baptismais. […]

João Paulo II, Angelus, Vaticano, 6 de Março de 2005

 

Oração Universal

 

Irmãos, peçamos a Deus Pai que nos ajude a escutar Jesus,

dizendo: Senhor, ajudai-nos a escutar Jesus.

 

1.  Para que os pastores e os fiéis,

que se preparam para as festas pascais,

purifiquem o seu coração e

vivam atentos aos apelos de Jesus,

oremos.

 

2.  Por todos os que mais sofrem: doentes, idosos, emigrantes,

desempregados e perseguidos,

para que recebam a luz de Cristo transfigurado

e levem a sua cruz com alegria,

oremos.

 

3.  Para que a nossa comunidade Paroquial e a Nossa Diocese

façam penitência, se convertam a Deus e cresçam na fé;

na esperança e no amor,

oremos.

 

4.  Pelos nossos irmãos defuntos,

para que louvem a Deus eternamente no Céu,

oremos.

 

5.    Para que o Senhor proteja e una todas as famílias,

abençoando sobretudo as crianças e os jovens,

oremos.

 

6.  Para que participemos, com entusiasmo,

nas iniciativas deste tempo quaresmal,

oremos.

 

Deus Pai, dai-nos uma fé tão grande como a de Abraão que nos leve a dar-Vos tudo sem hesitar.

Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Atei os meus braços, M. Faria, NRMS 9 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Esta oblação, Senhor, lave os nossos pecados e santifique o corpo e o espírito dos vossos fiéis, para celebrarmos dignamente as festas pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

A transfiguração do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Depois de anunciar aos discípulos a sua morte, manifestou-lhes no monte santo o esplendor da sua glória, para mostrar, com o testemunho da Lei e dos Profetas, que pela sua paixão alcançaria a glória da ressurreição.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: Santo IV, H. Faria, NRMS 103-104

 

Monição da Comunhão

 

Que todos os que vão comungar digam como Pedro: «Senhor, como é bom estarmos aqui».

 

Cântico da Comunhão: Ouviu-se uma voz, A. Mendes, Cânticos de Entrada e Comunhão I, pág. 87

Mt 17, 5

Antífona da comunhão: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências. Escutai-O.

 

Cântico de acção de graças: Bendito sejas, sei que Tu pensas em mim, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Alimentados nestes gloriosos mistérios, nós Vos damos graças, Senhor, porque, vivendo ainda na terra, nos fazeis participantes dos bens do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A nós o Senhor não nos recomenda o silêncio. Ide e falai de Cristo, mostrando com as vossas vidas que vale a pena ser Cristão.

 

Cântico final: Ficai connosco, Senhor, M. Borda, NRMS 43

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

feira, 13-III: Aprender a ser misericordiosos.

Deut. 9, 4b-10 / Lc. 6, 36-38

 

Sede misericordiosos como o vosso Pai celestial é misericordioso.

Para sermos misericordiosos, como Jesus nos pede (cf. Ev.) precisamos, em primeiro lugar, reconhecer os nossos pecados e a misericórdia do Pai Nós pecámos... deixámos os vossos mandamentos e as vossas leis (cf. oração de Daniel)» (Leit.).

Depois, recebendo com frequência o sacramento da misericórdia: «Recebendo com maior frequência neste sacramento (da Penitência) o dom da misericórdia do Pai, somos levados a ser misericordiosos como Ele (cf. Ev. do dia)» (CIC, 1458). E finalmente, recebendo a Eucaristia, pois ela fortifica a caridade que, na vida quotidiana, tende a enfraquecer (cf. CIC, 1394).

 

feira, 14-III: A conversão interior e as boas obras.

Is. 1, 10. 16-20 / Mt. 23, 1-12

Na cadeira de Moisés, sentaram-se os escribas e fariseus. Fazei e observai tudo o que vos disserem, mas não procedais segundo as suas obras, pois eles dizem e não fazem.

Jesus, Mestre divino, começou primeiro a fazer e depois a ensinar. Por isso, contrasta o seu modo de actuar com o dos escribas e fariseus (cf. Ev.).

A nossa conversão interior está intimamente ligada às boas obras: «O apelo de Jesus à conversão e penitência não visa primariamente as obras exteriores, o saco e a cinza, os jejuns e a mortificação; mas a conversão do coração, a penitência interior. Sem ela, as obras de penitência são estéreis e enganadoras; pelo contrário, a conversão interior impele à expressão dessa atitude em sinais visíveis, gestos e obras de penitência» (CIC, 1430).

 

feira, 15-III: O melhor serviço à sociedade.

Jer. 18, 18-20 / Mt. 20, 17-28

Será como o filho do Homem, que não veio para ser servido, veio para servir e dar a vida como resgate pela multidão.

Muitas vezes acontece que os adversários de Cristo, da sua Igreja e das instituições da Igreja, procuram atingi-lo, pagando o bem com o mal (cf. Leit.). Esquecem que Cristo veio para servir a sociedade, para torná-la mais humana, mais digna.

Do mesmo modo que o Senhor, todos os cristãos são chamados a prestar um serviço à sociedade, fruto da sua participação na Eucaristia: «A autenticidade da participação na Eucaristia...é o impulso que esta aí recebe para um compromisso real na edificação de uma sociedade mais equitativa e fraterna» (João Paulo II).

 

feira, 16-III: Construção de uma ordem social mais justa.

Jer. 17, 5-10 / Lc. 16, 19-31

Então, ó Pai, rogo-te que mandes Lázaro à minha casa paterna, pois tenho cinco irmãos. Que ele os previna.

O homem rico da parábola, bem como os seus cinco irmãos (cf. Ev.), nunca se lembraram de Deus nem dos pobres: «maldito aquele que põe no homem a sua confiança» (Leit.). Lázaro representa a multidão dos seres humanos sem pão, sem tecto, sem residência (cf. CIC, 2463).

É preciso que se viva melhor a virtude da solidariedade: «A solidariedade manifesta-se em primeiro lugar, na repartição dos bens, na remuneração do trabalho. Implica também o esforço por uma ordem social mais justa, em que as tensões possam ser resolvidas melhor e os conflitos encontrem mais facilmente uma saída negociada» (CIC, 1940).

 

feira, 17-III: A nossa responsabilidade na paixão de Cristo.

Gen. 37, 3-4. 12-13. 17-28 / Mt. 21, 33-43. 45-46

Mas, ao verem o filho, os agricultores disseram entre si: Este é o herdeiro. Vamos matá-lo.

A parábola dos vinhateiros (cf. Ev.), bem como os maus tratos infligidos a José pelos irmãos (cf. Leit.), é um anúncio dos sofrimentos de Jesus na sua Paixão e que culminaram na sua morte.

Não esqueçamos que temos a nossa parte de responsabilidade nestas acções: «Não foram os demónios que o pregaram na Cruz, mas tu com eles o crucificaste e ainda agora o crucificas quando te deleitas nos vícios e pecados» (S. Francisco de Assis). Lutemos mais decididamente por evitar os pecados e para acolhermos melhor o Senhor e o nosso próximo.

 

Sábado, 18-III: O processo da conversão.

Miq. 7, 14-15. 18-20 / Lc. 15, 1-3. 11-32

Tende ainda piedade de nós! Calcai aos pés as nossas faltas, lançai para o fundo do mar todos os nossos pecados.

O pedido do profeta Miqueias (cf. Leit) fica perfeitamente resolvido com a resposta do pai do filho pródigo (cf. Ev.), que nos mostra como decorre a conversão.

«O dinamismo da conversão e da penitência foi maravilhosamente descrito por Jesus na parábola do filho pródigo, cujo centro é o pai misericordioso: o deslumbramento duma liberdade ilusória...; a miséria extrema...; a humilhação profunda...; a reflexão sobre os bens perdidos; o arrependimento e a decisão de se declarar culpado...; o caminho do regresso; o acolhimento generoso por parte do pai; a alegria do pai...: eis alguns aspectos do processo da conversão» (CIC, 1439).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:           Adriano Teixeira

Nota Exegética:                      Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 


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