PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR
missa do dia
16 de Abril de 2006
RITOS INICIAIS
Cântico
de entrada: Cristo ressuscitou, vencedor, M. Carneiro, NRMS 97
Salmo 138, 18.5-6
Antífona de entrada: Ressuscitei e estou convosco para sempre; pusestes
sobre mim a vossa mão: é admirável a vossa sabedoria.
Ou:
Lc 24, 34; cf. Ap
1, 5
O Senhor ressuscitou
verdadeiramente. Aleluia. Glória e louvor a Cristo para sempre. Aleluia.
Diz-se o
Glória.
Introdução ao
espírito da Celebração
Celebramos a festa
das festas, a Ressurreição gloriosa de Jesus. Ele venceu a morte, venceu o
pecado.
Está aqui, como há
dois mil anos. E quer vir ao nosso coração purificado pela penitência quaresmal
e pelo sacramento do perdão que deu à Sua Igreja precisamente em dia de Páscoa.
Abramos os olhos da
fé para O reconhecer e acolher com alegria.
Oração colecta: Senhor Deus do universo, que neste dia, pelo vosso
Filho Unigénito, vencedor da morte, nos abristes as portas da eternidade,
concedei-nos que, celebrando a solenidade da ressurreição de Cristo, renovados
pelo vosso Espírito, ressuscitemos para a luz da vida. Por Nosso Senhor Jesus
Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Liturgia da
Palavra
Primeira Leitura
Monição: S. Pedro, em casa do centurião Cornélio,
proclama a ressurreição de Jesus Ele e os apóstolos e muitas outras pessoas
foram testemunhas fiéis e comprovadas dessa ressurreição.
Actos dos
Apóstolos 10, 34a.37-43
Naqueles dias, 34aPedro
tomou a palavra e disse: 37«Vós sabeis o que aconteceu em toda a
Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: 38Deus
ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem
e curando a todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com
Ele. 39Nós somos testemunhas de tudo o que
Ele fez no país dos judeus e em Jerusalém; e eles mataram-n’O,
suspendendo-O na cruz. 40Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe
manifestar-Se, 41não a todo o povo, mas às
testemunhas de antemão designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com
Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos. 42Jesus mandou-nos
pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e
dos mortos. 43É d’Ele que todos os profetas dão o seguinte testemunho: quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a
remissão dos pecados».
O texto faz parte do corpo do discurso de Pedro em Cesareia na casa do centurião Cornélio, o qual tinha mandado chamar Pedro a Jope, ilustrado por uma visão (cf. Act 10, 1-33). Este discurso tem um carácter mais catequético e apologético do que propriamente missionário, como seria de esperar num primeiro anúncio da fé a um pagão (embora se tratasse dum «temente a Deus»: v. 2). Lucas redige este discurso a pensar mais nos leitores da sua obra, do que com a preocupação de reconstruir exactamente a cena originária e as mesmas palavras pronunciadas naquela circunstância; com efeito, começa por fazer referência ao Evangelho já antes pregado aos ouvintes: «vós sabeis o que aconteceu…, e também parece que dá por suposta a fé no valor salvífico da Cruz (cf. v. 39b) e não termina, como seria de esperar, com um apelo explícito à conversão. Assim, Lucas nos deixou mais uma bela síntese do que era o Evangelho pregado pela Igreja primitiva.
38 «Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus». Esta nova tradução litúrgica desfez a hendíadis tão própria da estilística hebraica (ungiu de Espírito Santo e de fortaleza), recorrendo, por motivo de clareza, a uma equivalência dinâmica, (a força que é o Espírito Santo). Deus (o Pai) concedeu à natureza humana de Jesus todos os dons do Espírito Santo, que Lhe competiam a partir do momento da Incarnação; estes dons manifestam-se visivelmente nos milagres de Jesus, nas teofanias do Baptismo e da Transfiguração e muito particularmente na Ressurreição. A unção era o rito que constituía os reis e os sacerdotes na sua função: a união hipostática em Jesus aparece como a unção da natureza humana de Jesus, «que passou fazendo o bem e curando a todos» (maravilhoso resumo da vida de Jesus, bem ao sabor do Evangelista da bondade).
41 «Não a todo o povo»: Jesus não se mostra a todos depois de ressuscitado, não só para não violentar a liberdade das pessoas, mas também porque está nos planos divinos conduzir o mundo à salvação mediante o ministério dos seus discípulos (testemunhas de antemão designadas por Deus) e mediante a fé, que é meritória (cf. Rom 1, 16-17). Note-se o acento que se põe no testemunho acerca da Ressurreição: não estamos apenas perante uns simples pregadores (cf. v. 42a) duma mensagem salvadora, mas diante de verdadeiras testemunhas (cf. v. 42b) que dão testemunho (o verbo grego tem um matiz forense) capaz de fazer fé em tribunal; a ideia de testemunho é fortemente acentuada neste breve texto, não só por ser repetida quatro vezes (vv. 39.41.42.43), mas por se tratar de testemunhas escolhidas por Deus para esta missão (v. 41), que conviveram com o Ressuscitado, comendo e bebendo com Ele, o que exclui logo à partida a hipótese de se tratar de mera fantasia (Lucas mostra especial sensibilidade a este problema: cf. Lc 24, 37-43).
Salmo Responsorial Sl 117 (118),
1-2.16ab-17.22-23 (R. 24)
Monição: O salmo anima-nos a louvar as maravilhas do Senhor.
E a maior de todas é a ressurreição de Jesus. A Páscoa é o dia maravilhoso que
o Senhor fez.
Refrão: Este
é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria.
Ou: Aleluia.
Dai graças ao Senhor,
porque Ele é bom,
porque é eterna a sua misericórdia.
Diga a casa de Israel:
é eterna a sua misericórdia.
A mão do Senhor fez
prodígios,
a mão do Senhor foi magnífica.
Não morrerei, mas
hei-de viver
para anunciar as obras do Senhor.
A pedra que os
construtores rejeitaram
tornou-se pedra angular.
Tudo isto veio do Senhor:
é admirável aos nossos olhos.
Segunda Leitura
Monição: A ressurreição de Jesus não garante apenas a
eficácia da redenção que Ele operou. Ela actua em nós pelo baptismo que
recebemos. Ressuscitámos com Cristo e com Ele vivemos a vida nova da graça.
Colossenses 3, 1-4 (de manhã)
Irmãos: 1Se
ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde está Cristo, sentado
à direita de Deus. 2Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da
terra. 3Porque vós morrestes e a vossa vida
está escondida com Cristo em Deus. 4Quando Cristo, que é a vossa
vida, Se manifestar, também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória.
Com estas palavras é introduzida a parte final da Carta, uma série de exortações morais para que os fiéis tenham um modo de viver coerente com a fé cristã. A sua conduta moral é uma consequência natural da profunda união com Cristo ressuscitado produzida pelo Baptismo recebido.
1 «Aspirai às coisas do alto» corresponde ao mesmo incitamento que, na Santa Missa, a Igreja sempre nos repete: (Sursum corda! Corações ao alto!).
3-4 «Vós morrestes». Cf. Rom 6: a nossa união a Cristo pressupõe a morte para o pecado, que não pode reinar mais em nós. Com Cristo morto pelos nossos pecados, morremos para o pecado; com Cristo ressuscitado, vivemos vida de ressuscitados. É a «vida» da graça, uma vida toda interior, «escondida» no centro da alma, vida que ninguém pode arrebatar, vida que é toda feita de presença de Deus e de visão sobrenatural, levando-nos a santificar todos os afazeres diários, trabalhando com os pés bem firmes na terra, mas o coração e o olhar fixo no Céu.
Monição: A ressurreição de Cristo, nosso Cordeiro pascal, convida-nos a uma vida
nova que teremos de comunicar aos outros, como fermento de novidade no mundo.
1 Coríntios
5, 6b-8 (de tarde)
Irmãos: 6bNão
sabeis que um pouco de fermento leveda toda a massa? 7Purificai-vos
do velho fermento, para serdes uma nova massa, visto
que sois pães ázimos. Cristo, o nosso cordeiro pascal, foi imolado. 8Celebremos
a festa, não com fermento velho nem com fermento de malícia, mas com os pães
ázimos da pureza e da verdade.
Parece haver aqui (v. 6b) uma referência ao incestuoso de que acaba de falar (vv. 1-5): um mau exemplo é um mau fermento. Mas S. Paulo faz imediatamente uma aplicação mais vasta da ideia de mau fermento, e isto talvez pela proximidade da festa da Páscoa, que já então, pelo ano 55, os cristãos celebravam em Corinto como festa da Ressurreição do Senhor, segundo o que se lê no v. 8: «celebremos pois a festa». Na exortação do Apóstolo há uma alusão ao costume judeu, que ainda hoje se conserva, de limpar escrupulosamente as casas de todo o fermento e pão fermentado durante os sete dias que duravam as festas pascais. Nós os cristãos, para celebrarmos a Páscoa – «Cristo, nosso Cordeiro pascal» (v. 7) –, temos que o fazer sem o fermento (o princípio corruptor) da malícia e da perversidade, mas «com os pães ázimos da pureza e da verdade», isto é, da sinceridade de vida. Poderia haver, nesta referência a Cristo como «cordeiro imolado», uma alusão à própria celebração da Eucaristia.
Sequência
À Vítima pascal
ofereçam os cristãos
sacrifícios de louvor.
O Cordeiro resgatou as
ovelhas:
Cristo, o Inocente,
reconciliou com o Pai os pecadores.
A morte e a vida
travaram um admirável combate:
Depois de morto,
vive e reina o Autor da vida.
Diz-nos, Maria:
Que viste no caminho?
Vi o sepulcro de
Cristo vivo
e a glória do Ressuscitado.
Vi as testemunhas dos
Anjos,
vi o sudário e a mortalha.
Ressuscitou Cristo,
minha esperança:
precederá os seus discípulos na Galileia.
Sabemos e acreditamos:
Cristo ressuscitou dos
mortos:
Ó Rei vitorioso,
tende piedade de nós.
Aclamação ao
Evangelho 1 Cor 5, 7b-8a
Monição: S. João conta-nos a sua ida ao sepulcro no
dia de Páscoa. Testemunha o túmulo vazio e os sinais que comprovam a
ressurreição do Senhor e fala-nos da sua fé.
Aleluia
Cântico: Aclamação
– 4, F. da Silva, NRMS
50-51
Cristo, nosso Cordeiro
pascal, foi imolado:
celebremos a festa do Senhor.
Evangelho
São João 20, 1-9 (de
manhã)
1No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda
escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. 2Correu
então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predilecto de Jesus e
disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». 3Pedro
partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. 4Corriam os
dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que
Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. 5Debruçando-se, viu as
ligaduras no chão, mas não entrou. 6Entretanto,
chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras
no chão 7e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não
com as ligaduras, mas enrolado à parte. 8Entrou também o outro
discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. 9Na
verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia
ressuscitar dos mortos.
Nenhum dos quatro Evangelhos narra o facto da Ressurreição de Jesus, pois não foi presenciado por testemunhas; era um facto sobrenatural que, de si mesmo, escapava à experiência humana. E isto só vem dar credibilidade ao facto da Ressurreição, pois, se tratasse duma ficção, era de esperar que se dessem os seus pormenores. S. João começa com a verificação do túmulo vazio feita pela Madalena, mas vão ser os dois discípulos, que vão fazer o reconhecimento do local e que verificam indícios eloquentes aptos para levarem à fé na Ressurreição de Jesus.
2 «Não sabemos…». Este plural parece aludir à tradição sinóptica que conhece a ida de mais mulheres ao sepulcro. É evidente que não houve a mínima preocupação de harmonizar os diferentes relatos evangélicos do sepulcro vazio e das aparições, o que é um forte motivo de credibilidade a favor da realidade da ressurreição, facto misterioso, que é a base de toda a fé cristã (cf. 1 Cor 15, 12-19).
7-8 «Viu e acreditou». Porque começou a crer o discípulo? A explicação habitual é que um ladrão não deixaria ficar os panos, e muito menos em ordem. Mas há mais dados a ter em conta: porque é que o Evangelista atribui tanta importância à diferente posição dos panos? É que as ligaduras e o lençol estavam espalmados no chão da pedra tumular, ao passo que o pano que envolvera a cabeça do Senhor não estava espalmado no chão, mas mantinha a forma da cabeça que envolvera (cf. a nossa tradução na Nova Bíblia da Difusora Bíblica). Não sabemos se Pedro partilhou da fé do Discípulo Amado, mas S. Lucas diz que ficou maravilhado (cf. Lc 24,12). Os panos com que Jesus foi amortalhado eram com toda a probabilidade: 1) um lençol mortuário (síndone), tecido largo e comprido que envolvia todo o corpo; 2) um lenço (sudário) que cobria a cabeça e caia sobre o rosto (e ajudaria a manter a boca fechada); 3) várias ligaduras que não só serviam para manter apertados os pés um contra o outro e as mãos unidas ao corpo, mas também que poderiam ajudar a aconchegar a síndone ao corpo. S. João não fala especificamente desta síndone, mas deve englobá-la na designação genérica de «ligaduras» (em grego, othónia).
9 «Ainda não tinham entendido a Escritura». Os discípulos não estavam psicologicamente predispostos a admitir a Ressurreição para que esta pudesse ser fruto de uma alucinação; com efeito, só depois de confrontados com a realidade da ressurreição de Jesus é que se recordaram das Escrituras (cf. 1 Cor 15, 4; Act 2, 24-32; Jo 2, 22) e as entenderam. A ressurreição era uma realidade só admissível para o fim do mundo (cf. Jo 11, 24), pois, apesar de Jesus ter anunciado a sua ressurreição ao terceiro dia, este só poderia ser o dia final, de acordo com o a profecia de Oseias (Os 6, 2). Diante do sepulcro vazio, só pensam num roubo (vv. 2.13.15) e não dão crédito a quaisquer notícias das aparições (cf. Mc 6, 11.13; Lc 24, 21-24; Jo 20, 25).
Em
vez deste Evangelho, pode ler-se o que se leu na Vigília da Noite Santa.
(Nas missas vespertinas pode ler-se o Evangelho de Lc 24, 13-35)
São Lucas 24, 13-35 (de tarde)
13Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. 14Conversavam
entre si sobre tudo o que tinha sucedido. 15Enquanto falavam e
discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. 16Mas os seus olhos
estavam impedidos de O reconhecerem. 17Ele perguntou-lhes: «Que
palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?» Pararam, com ar muito
triste, 18e um deles, chamado Cléofas,
respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou
nestes dias». 19E Ele perguntou: «Que foi?» Responderam-Lhe: «O que
se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de
Deus e de todo o povo; 20e como os príncipes dos sacerdotes e os
nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. 21Nós
esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar
Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. 22É
verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de
madrugada ao sepulcro, 23não encontraram o corpo de Jesus e vieram
dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. 24Alguns
dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito.
Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: 25«Homens sem
inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas
anunciaram! 26Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na
sua glória?» 27Depois, começando por Moisés e passando pelos
Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. 28Ao
chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de seguir para
diante. 29Mas eles convenceram-n’O a
ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a
noite». Jesus entrou e ficou com eles. 30E quando Se pôs à mesa,
tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. 31Nesse
momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. 32Disseram
então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos
falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» 33Partiram
imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que
estavam com eles, 34que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e
apareceu a Simão». 35E eles contaram o que
tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.
Temos aqui uma das mais belas páginas do Evangelho: um relato cheio de vivacidade, de finura e de psicologia, em que acompanhamos o erguer daquelas almas desde a mais amarga frustração até às alturas da fé e da descoberta de Jesus ressuscitado. A crítica bíblica procura distinguir neste relato os elementos de tradição e os elementos redaccionais; podem identificar-se muitos elementos de tradição neste relato, mas não dispomos de meios para classificar como meramente redaccionais todos os restantes, pois não são do nosso conhecimento todas as fontes de que Lucas dispôs; a própria crítica admite «fontes especiais» para a redacção de Lucas. Um facto indiscutível é que Lucas é um teólogo e um catequista, não é um jornalista e não se limita a contar a seco umas aparições, mas não temos elementos suficientes para definir em que medida reelaborou as suas fontes.
13 «Emaús»: uma povoação a 60 estádios (duas léguas), uns 11 quilómetros e meio de Jerusalém. Há duas leituras variantes nos manuscritos gregos do Evangelho de Lucas: a imensa maioria deles regista 60 estádios. Alguns poucos têm 160 (o que equivale a uns 30 Km). Também não existe completo acordo sobre a sua localização, sendo indicados vários locais na tradição cristã; El-Qubeibe é o de maior aceitação, a uns 12 Km a Noroeste da Cidade Santa.
16 «Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem». Não é que não vissem a Jesus, ou que Jesus se quisesse ocultar, mas eles é que estavam obcecados pelo seu extremo desalento. E fica-nos a lição: para que se possa reconhecer a Jesus ressuscitado é indispensável o olhar da fé.
18 «Cléofas» parece ser diferente do marido de Maria, mãe de Tiago e José (Jo 19, 25); embora alguns o identifiquem, a grafia é diferente: Kleopás.
22-24 «É verdade que algumas mulheres… Alguns dos nossos». Aqui se resume o que foi relatado antes com mais pormenor (Lc 23, 56b – 24, 9) e correspondente à tradição sinóptica e joanina. Certamente que os nossos são «Pedro e o outro discípulo» (certamente João, cf. v. 12 e Jo 20, 1-10). «Mas a Ele não O viram»: se não se trata dum pormenor meramente redaccional, temos que admitir que ainda não lhes constava da aparição de Jesus a Pedro referida adiante, no v. 34; (cf. 1 Cor 15, 5).
28-30 «Jesus fez menção de seguir para diante». Lucas volta a aludir ao «caminho de Jesus» (no v. 15 já tinha usado o mesmo verbo grego que significa caminhar). R. J. Dillon (From eye-witnesses to ministers of the word) pensa que este pormenor lucano insinua que a presença de Jesus no meio dos seus através da Eucaristia (a fracção do pão do v. 30) constitui o momento cume do seu caminhar pelo caminho da salvação. Enternece o leitor ver como Jesus ressuscitado se torna o companheiro de caminho (recorde-se como Lucas gosta de focar a vida cristã como um caminho e um seguimento de Jesus): depois de se fazer encontrado, agora faz-se rogado. Isto sucede-nos muitas vezes na vida cristã: Ele vem ao nosso encontro sem O procurarmos e, outras vezes, quer dar-nos o ensejo de O convidarmos a ficar connosco e de praticarmos a caridade com os outros, que são Ele (cf. Mt 25, 40). Mas aqui o convite feito a Jesus não é um simples acto de caridade e de cortesia; com efeito, parece que a narrativa nos leva a pensar que quem faz este pedido é toda a comunidade cristã, que se reúne para celebrar a Eucaristia e anseia estabelecer uma comunhão íntima com Jesus ressuscitado (ibid.). Todos estão de acordo em ver a estreita relação da refeição descrita com a multiplicação dos pães e a instituição da Eucaristia.
31 «Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no, mas Ele desapareceu da sua presença»: É na Eucaristia que se abrem os olhos para a fé, para captar o que é invisível, mas real. Impressiona muito o relato ao unir o aparecimento com o desaparecimento, sem se dizer para onde é que Jesus se retirou. Desta maneira fica sugerida uma nova presença, a de Jesus glorioso e ressuscitado: uma ausência que é presença.
32 «Não ardia cá dentro o nosso coração?». Quando lemos a Escritura guiados por Jesus, presente na Igreja, inflama-se o nosso coração e sentimo-nos urgidos a mostrar aos que nos rodeiam, com as nossas vidas, pela palavra e pelo exemplo, que Cristo vive, que a Ressurreição é uma realidade. O episódio constitui um apelo a fazermos o mesmo papel do Ressuscitado junto dos desiludidos da vida e sem esperança e a comunicar-lhes a nossa experiência de fé. No relato também se põe em evidência a união do pão e da palavra na vida da Igreja.
Sugestões para a
homilia
Viu e acreditou
Se ressuscitastes com
Cristo
Ide dizer aos Seus
discípulos
Viu
e acreditou
São muito expressivas
as cerimónias da Vigília Pascal. Cristo ressuscitado é a Luz do Mundo. A Sua
palavra ilumina e aquece os corações dos homens de todos os tempos. A Sua graça
vem até nós pelo Baptismo, que nos fez participar da Sua vida divina e pela
Eucaristia, que O torna presente entre nós.
Vamos encher a nossa
alma da Sua luz e da alegria pascal que nos trouxe. Avivemos a nossa fé.
Abramos os olhos para O reconhecer.
O Apóstolo João foi
ao sepulcro com Pedro, para comprovar o que as mulheres diziam «Viu e acreditou». O Senhor apareceu às
mulheres naquela manhã de Páscoa, apareceu aos discípulos de Emaús na tarde daquele dia Apareceu à noite aos apóstolos
no Cenáculo.
Ele está aqui, agora,
no meio de nós como há dois mil anos. Está vivo e ressuscitado. A Páscoa é a
festa da alegria. É a vitória de Jesus sobre a morte, sobre o pecado, sobre o
demónio.
E é festa tão grande
que a celebramos todas as semanas. Cada domingo é dia de Páscoa, é dia de Jesus
ressuscitado. É o dia do Senhor, como exprime a palavra domingo. Que celebremos hoje com grande alegria a ressurreição de
Jesus, com o desejo de a continuar em cada domingo pelo ano fora.
Nos tempos que
vivemos o dia do Senhor é profanado por trabalhos indevidos. É profanado pelas
faltas à missa por parte de tantos cristãos. Por muitos que se divertem à
maneira dos pagãos ou que se encharcam de álcool nesse dia.
O domingo tem de ser
para nós o dia de Jesus ressuscitado, que nos enche de esperança e de coragem
para enfrentar os trabalhos e agruras da semana. Há-de ser dia de oração mais
intensa: na missa bem vivida, na leitura meditada da palavra de Deus, no
rosário na igreja ou em família.
Há-de ser dia de
caridade, visitando os doentes, os idosos, os familiares. Dando mais atenção
aos filhos ou aos pais.
Há-de ser dia de
descanso, evitando os trabalhos pesados. Sem deixar que o desporto ocupe o
lugar que pertence a Deus ou aos outros. A caça ou a pesca não podem dispensar
da missa dominical e das outras obrigações deste dia
À pergunta «como
santificar o domingo» responde o Compêndio
do Catecismo da Igreja Católica: «Os cristãos santificam o domingo e as
festas de preceito participando na Eucaristia do Senhor e abstendo-se das
actividades que o impedem de prestar culto a Deus e perturbam a alegria própria
do dia do Senhor ou o devido descanso da mente ou do corpo.
São permitidas as
actividades ligadas a necessidades familiares ou a serviços de grande utilidade
social, desde que não criem hábitos prejudiciais à santificação do Domingo, à
vida de família e à saúde.» (Compêndio, 453).
Continua a ser obrigação grave ir à missa de cada domingo e dia santo de
guarda.
Contava alguém dum
jovem que não faltava à missa. Fernando estava já nos finais da Secundária. O
pai disse-lhe: – como tiraste boas notas, comprei-te uma espingarda e no
domingo podes ir à caça comigo, a ver se matas alguma perdiz ou alguma lebre.
Ficou muito contente,
porque gostava muito de ser caçador. No domingo de manhã levantou-se cedo e
disse:
– Pai, vou à missa
num instante, porque à tarde já não há nenhuma e depois vamos para a caça.
– Deixa-te de
beatices e vamos já embora. Deixa-te dessas tolices que te meteram na cabeça.
Se não fores à igreja nem por isso deixarás de acertar nas perdizes.
O rapaz olhou para o
pai e, com respeito mas também com valentia, disse-lhe: – Papá, se é tolice o
terceiro mandamento da Lei de Deus, que manda santificar os domingos, também
será uma tolice o quarto, que manda honrar pai e mãe.
Tinha razão.
Se
ressuscitastes com Cristo
Em cada domingo vamos
carregar baterias, encher de combustível o depósito da nossa alma. Junto de
Jesus ressuscitado, que ficou connosco pelos tempos fora, na Eucaristia, vamos
encher-nos de energias para viver essa vida nova que nos trouxe pela Sua morte
e ressurreição. «Se ressuscitastes com
Cristo – lembra-nos o Apóstolo –
aspirai às coisas do alto, onde está Cristo sentado à direita de Deus» (2ª leit.).
Em cada domingo
afinamos o rumo da nossa vida, para corrermos mais animosos em direcção à meta
que nos espera. Enchemo-nos de esperança e de coragem. Oferecemos os nossos
trabalhos, as nossas penas e alegrias a Deus pelas mãos de Jesus.
Tocamos em Seu corpo,
como os apóstolos, contemplamos as Suas chagas, reafirmamos a certeza de vencer
com Ele o pecado e o demónio, nas tentações de cada dia, enchendo-nos da Sua
força para levarmos uma vida de santidade.
Como aqueles cristãos
do Norte de África que, na perseguição de Diocleciano, foram presos quando
participavam na Eucaristia de domingo, também nós havemos de dizer: não podemos
viver sem o domingo. Sem o dia do Senhor e, sobretudo, sem a Santa Missa, que é
o centro de cada domingo, a nossa vida vai perdendo sentido e sabor.
Em alguns países o
domingo é chamado o dia do sol. Os cristãos aproveitaram esse nome; porque
Jesus é o verdadeiro sol que ilumina e aquece a nossa vida. O domingo é para
nós o dia do Sol, que é Jesus Cristo ressuscitado.
O domingo é dia do
descanso «Graças ao descanso dominical -lembra João Paulo II na carta
apostólica o Dia do Senhor, que vale
a pena ler ou reler – as preocupações e afazeres quotidianos podem reencontrar
a sua justa dimensão: as coisas materiais, pelas quais nos afadigamos, dão
lugar aos valores do espírito; as pessoas com quem vivemos,
recuperam no encontro e diálogo mais tranquilo a sua verdadeira fisionomia: As
próprias belezas da natureza -frequentemente malbaratadas por uma lógica de
domínio, que se volta contra o homem – podem ser profundamente descobertas e
apreciadas» (O dia do Senhor, 67).
Saibamos organizar os
programas de domingo, evitando tudo o que pode afastar de Deus. Não deixando,
por exemplo, que o desporto ocupe o primeiro lugar ou impeça de ir à missa,
sobretudo aos mais novos. Os pais têm de estar atentos àqueles que por má fé ou
por irreflexão ocupam com actividades desportivas as manhãs de domingo. E isto
está a acontecer cada vez mais, por toda a parte.
Ide
dizer aos Seus discípulos
No dia de Páscoa as
mulheres que foram ao túmulo de manhã cedo receberam o encargo de anunciar a
ressurreição do Senhor. Primeiro dos anjos, depois do próprio Jesus, que lhes
apareceu no caminho.
Os discípulos de Emaús sentiram também a necessidade de virem comunicar aos
amigos a aparição de Jesus, que, sentado à mesa, repetira o milagre da Última
Ceia. Apesar de terem de fazer uma longa viagem pela noite dentro. Porque a sua
alegria não cabia no seu coração.
Que bom se todos os
cristãos sentissem a mesma alegria em cada missa e a necessidade de a transmitir
aos seus amigos. Não ficariam tantos e tantos sem missa. Vamos nós abrir os
olhos neste dia de Páscoa, vamos encher-nos de fé e de amor ao Senhor, para que
a Sua alegria penetre em nossos corações e a possamos transmitir aos outros com
entusiasmo.
A nova evangelização
que a Igreja nos pede há -de ter este sentido pascal de fé, de alegria, de
certeza da vitória de Cristo. O mundo, sobretudo este mundo ocidental, que pôs
a sua segurança nas riquezas materiais, precisa do anúncio da verdadeira
felicidade que só Cristo ressuscitado lhe pode trazer.
Temos de ser nós os
cristãos com o nosso exemplo de fé e de alegria e a nossa palavra cheia de
vibração a levar os que nos rodeiam ao encontro de Cristo ressuscitado.
A pequena Jacinta, já
muito doente, ia à missa à igreja de Fátima, bastante distante: Um dia de
semana disse-lhe a Lúcia: – Não vás, porque não podes e não é domingo.
E a pequenita
respondeu: – Olha, vou por aqueles que nem ao domingo querem ir.
Saibamos oferecer
sacrifícios e rezar por aqueles que não vão e não tenhamos vergonha de chamar
os nossos amigos e os nossos familiares. Contamos com a força que nos vem de
Cristo ressuscitado, que quer salvar todos os homens.
A Igreja felicita
Maria neste tempo pela ressurreição de Seu Filho. Que Ela nos encha de alegria
pascal para celebrar com mais fé e entusiasmo a Sua presença viva na
Eucaristia.
Oração Universal
Com Jesus
ressuscitado e com toda a Sua Igreja espalhada pelo mundo
e também já no Céu peçamos ao Pai:
1. Pelo Santo Padre, para que o Senhor o encha de
alegria,
de fortaleza e sabedoria, no fiel desempenho na missão
que o Senhor lhe confiou,
oremos ao
Senhor.
2. Pelo Povo santo de Deus, resgatado pelo sangue
de Jesus,
para que nesta Páscoa se renove na esperança e no amor
e
leve corajosamente a toda a parte o anúncio da Ressurreição,
oremos ao
Senhor.
3. Pelos bispos e sacerdotes, para que se
entreguem generosamente
no serviço de Deus e de todas as almas,
sobretudo no exercício do ministério do perdão,
oremos ao
Senhor.
4. Por todos os cristãos, para que vivam
fervorosamente
o
dia do Senhor ressuscitado em cada semana,
oremos ao
Senhor.
5. Para que aumente em todos nós a fé
na presença de Jesus na Eucaristia,
oremos ao
Senhor.
6. Por todos os que andam afastados de Deus,
para que o Senhor os converta e os atraia ao Seu amor,
oremos ao
Senhor.
7. Por todos os que se encontram no Purgatório,
para que neste dia possam celebrar já no Céu a Páscoa de Jesus,
oremos ao
Senhor.
Senhor, que nos chamastes
à vida nova em Cristo ressuscitado,
aumentai em nós a fé e o amor, para que levemos uma
vida de santidade.
Por N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco
vive e reina na unidade do Espírito Santo.
Liturgia
Eucarística
Cântico
do ofertório: Bendita e louvada seja, M. Simões,
NRMS 41
Oração
sobre as oblatas: Exultando de
alegria pascal, nós Vos oferecemos, Senhor, este sacrifício, no qual tão
admiravelmente renasce e se alimenta a vossa Igreja. Por Nosso Senhor Jesus
Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Prefácio pascal I [mas
com maior solenidade neste dia]: p. 469 [602-714]
No Cânone
Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda
a Igreja) e o Hanc igitur
(Aceitai benignamente, Senhor) próprios.
Nas Orações
Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.
Santo:
J. Santos, NRMS 6 (II)
Monição da Comunhão
Jesus ressuscitado
está connosco na Eucaristia. Saibamos abrir os olhos para O reconhecer
Acolhamo-Lo em nosso coração purificado e cheio de amor.
Cântico
da Comunhão: Cristo, nosso Cordeiro Pascal, M. Simões, NRMS 25
1 Cor
5, 7-8
Antífona
da comunhão: Cristo, nosso
Cordeiro pascal, foi imolado: celebremos a festa com o pão ázimo da pureza e da
verdade. Aleluia.
Cântico
de acção de graças: Louvai o Senhor, com tudo, M. Simões, NRMS 2 (I)
Oração
depois da comunhão: Senhor nosso
Deus, protegei sempre com paternal bondade a vossa Igreja, para que, renovada
pelos mistérios pascais, mereça chegar à glória da ressurreição. Por Nosso
Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito
Santo.
Ritos Finais
Monição final
Como as mulheres, no
dia de Páscoa, vamos levar a todos a notícia e a alegria da ressurreição.
Cântico
final: Cantai a Cristo Senhor, Az. Oliveira, NRMS 97
Na
despedida, durante toda a Oitava, diz-se:
V. Ide em paz e o Senhor vos acompanhe. Aleluia.
Aleluia.
R. Graças a Deus. Aleluia. Aleluia.
Homilias Feriais
TEMPO PASCAL
OITAVA DA PASCOA
2ª feira, 17-IV: A Ressurreição do Senhor e a nossa alegria.
Act. 2, 14.22-33 / Mt. 28, 8-15
(Pedro):
Mas como (David) era profeta... viu de antemão e anunciou a Ressurreição do
Messias.
No dia de Pentecostes, Pedro recorda a profecia de David, acerca da Ressurreição
de Cristo (cf. Leit.). E as santas mulheres foram as
primeiras a encontrar-se com o Ressuscitado e também as primeiras mensageiras
da Ressurreição junto dos Apóstolos, apesar dos boatos em sentido contrário
(cf. Ev.).
Jesus Ressuscitado é a causa da nossa alegria, porque venceu o pecado
e a morte. Se alguma vez passamos por momentos de desânimo, procuremos
rapidamente a sua companhia; participemos na celebração eucarística, memorial
da paixão e ressurreição do Senhor. E, como as santas mulheres, demos
testemunho da nossa alegria a todos os que nos rodeiam.
3ª feira, 18-IV: Ressurreição e conversão.
Act. 2, 36-41 / Jo. 20, 11-18
(Jesus):
Mulher, por que estás a chorar? A quem procuras?
No dia de Pentecostes Pedro comove os seus ouvintes ao falar da paixão
de Cristo: «todos sentiram o coração despedaçar-se» (Leit.).
Maria de Magdala chora intensamente junto ao túmulo
de Jesus (cf. Ev.). Os discípulos perguntam: «Que
havemos de fazer?» (Leit.). A Madalena recomeça ao
encontrar Jesus, a esperança substitui o desânimo.
«Deus é quem nos dá a coragem de começar de novo. É ao descobrir a grandeza do amor de Deus
que o nosso coração é abalado pelo horror e pelo peso do pecado... O coração
humano converte-se ao olhar para aquele a quem os nossos
pecados trespassaram» (CIC, 1432). É o que Pedro aconselha aos seus ouvintes,
pedindo-lhes a conversão.
4ª feira, 19-IV: Toda a força nos vem de Deus.
Act. 3, 1-10 / Lc. 24, 13-35
(Pedro):
não tenho prata nem oiro, mas o que tenho vou dar-to: Em nome de Jesus Cristo
de Nazaré, anda!
Pedro cura um coxo, dando-lhe a força de Deus (cf. Leit.), e ele começa de novo a andar. Jesus encontra dois
discípulos desorientados e dá-lhes o alimento da palavra de Deus e o Pão (cf.
Ev.), e eles recomeçam, cheios do fogo do amor de
Deus, a sua vida junto ao Senhor.
Já sabemos onde temos que ir procurar força para recomeçarmos a andar
pelos caminhos de Deus. Por um lado, toda a força vem de Deus: é preciso rezar
mais. Por outro, as graças que recebemos pela
participação na Eucaristia: o pão e a palavra são indispensáveis para vencermos
os desânimos.
5ª feira, 20-IV: Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz.
Act. 3, 11-26 / Lc. 24, 35-48
Abriu-lhes
o entendimento, para que entendessem as Escrituras. E disse-lhes: Assim está
escrito que o Messias havia de sofrer e ressuscitar dos mortos.
Para explicar o milagre da cura do coxo, Pedro fala da morte e
ressurreição de Cristo e pede a conversão
(cf. Leit.).
Jesus abre o entendimento dos discípulos com a mesma finalidade (cf. Ev.). Aprendamos a ver onde devemos procurar a causa da nossa
conversão, especialmente no campo da paz (cf. Ev.).
A paz é um dos grandes dons
do Ressuscitado: «A paz terrena é imagem e fruto da paz de Cristo... Pelo
sangue da sua cruz...reconciliou com Deus os homens» (CIC, 2305). Na Missa
repetimos: «Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz». Difundamos à nossa volta a
paz que recebemos do Senhor.
6ª feira, 21-IV: Em nome do Senhor.
Act. 4, 1-12 /Jo. 21, 1-14
Pelo
nome de Jesus Cristo de Nazaré...é que este homem se encontra na vossa presença
perfeitamente são.
Pedro explica aos chefes do povo, aos anciãos e escribas o milagre do
coxo (cf. Leit.): Em nome de Jesus Cristo. Também se
realiza a pesca milagrosa pelo mesmo poder: Pedro lança as redes conforme o
Senhor lhe pedira (cf. Ev.).
E porque foi fecunda a influência do cristianismo na Europa é que
devemos continuar a recorrer ao nome do Senhor, «para plasmar
uma mentalidade cristã na vida corrente: na família, na escola, na comunicação social,
no mundo da cultura, no trabalho, na economia, na política, nos tempos livres,
na saúde e na doença» (João Paulo II).
Sábado, 22-IV:
Cumprir o mandato de Cristo.
Act. 4, 13.21 / Mc. 16, 9-15
Ide a
todo o mundo e proclamai a Boa Nova a todas as criaturas.
O milagre da cura do coxo continua a preocupar as autoridades e proíbem
os Apóstolos de falar de Cristo (cf. Leit.). Mas os
Apóstolos, seguindo o mandato de Cristo (cf. Ev.), não podem deixar de dizer o que viram e escutaram
(cf. Leit.).
João Paulo II recordava-nos que «A despedida no fim da Missa constitui
um mandato que leva o cristão a empenhar-se na propagação do Evangelho e na
animação cristã da sociedade». Façamos como os Apóstolos: apesar das proibições
(deixem as vossas convicções para dentro da igreja; não imponham os vossos
valores; não falem de Deus num Estado laico...) temos que falar do que vemos e
ouvimos.
Celebração e Homilia: Celestino
Correia Ferreira
Nota Exegética: Geraldo Morujão
Homilias Feriais: Nuno
Romão
Sugestão Musical: Duarte
Nuno Rocha