PASTORAL

A ORIENTAÇÃO HOMOSSEXUAL

E A ORDENAÇÃO SACERDOTAL

 

 

Miguel Falcão

 

 

A Santa Sé deixou claro que os homossexuais não reúnem condições para serem chamados ao sacerdócio e, por isso, não devem ser admitidos nos Seminários.

 

A Congregação para a Educação Católica, a que preside o Cardeal Zenon Grocholewski, publicou em 4 de Novembro passado, com aprovação explícita do Papa, uma Instrução «sobre os critérios de discernimento vocacional no que diz respeito às pessoas com tendências homossexuais, em vista da sua admissão ao Seminário e às ordens sagradas».

Recorde-se o escândalo que há poucos anos se deu nos Estados Unidos a respeito de abusos sexuais com menores cometidos por clérigos e as medidas tomadas que rapidamente João Paulo II promoveu (cf. CL 2001/02, 4, pp. 723. 920-925).

A Congregação situa esta questão particular no quadro dos ensinamentos e orientações sobre a formação para o sacerdócio que se têm dado desde o Concílio Vaticano II.

Com efeito, pela sagrada ordenação, o sacerdote fica configurado com Cristo de modo especial, representando-o sacramentalmente. Como Cristo, Esposo da Igreja, toda a vida do sacerdote deve ser de amor e doação total da sua pessoa aos fiéis que lhe estão confiados, homens e mulheres, estabelecendo com eles uma relação de paternidade espiritual, para a qual necessita de adequada maturidade afectiva (n. 1). A esta maturidade opõe-se a orientação homossexual.

O Catecismo da Igreja Católica (nn. 2357-2359) distingue entre actos homossexuais (ou conduta homossexual) e tendências homossexuais. Os actos, quando voluntários, são pecados graves, intrinsecamente imorais e contrários à lei natural. Quanto às tendências homossexuais profundamente radicadas, elas são objectivamente desordenadas e originam inclinações fortes e constantes para esses actos. Se são combatidas, constituem para essas pessoas uma grande provação, e deve-se animá-las a suportá-la em união com a Cruz do Senhor. Mesmo assim, são um obstáculo grave para um correcto relacionamento com os fiéis, homens e mulheres, e podem ter consequências negativas muito graves, como mostra o escândalo dos Estados Unidos. Por isso, ao mesmo tempo que essas pessoas devam ser acolhidas com respeito e compreensão, não se lhes deve admitir ao Seminário e às ordens sagradas.

Diferente é o caso de se tratar de tendências homossexuais transitórias, como por exemplo o de adolescentes não amadurecidos; no entanto, elas devem ser claramente superadas antes de se pensar numa possível ordenação (n. 2).

 

Como é tradição da Igreja, não basta que um homem deseje ser sacerdote; é necessário um chamamento por parte da Igreja, que é da responsabilidade do Pastor – Bispo ou Superior Geral –, ajudado pelos formadores, a quem compete discernir a necessidade hic et nunc (em cada momento) do ministério sacerdotal e a idoneidade do candidato, em concreto a sua maturidade afectiva. No caso de uma séria dúvida a este respeito, não deve ser admitido à ordenação.

Ao director espiritual compete uma função importante. Apesar de estar vinculado pelo segredo, ele representa a Igreja no foro interno. Neste âmbito, tem a responsabilidade de ajudar o candidato a discernir se tem as qualidades necessárias. Se um candidato pratica a homossexualidade ou apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas, o seu director espiritual, bem como o seu confessor, têm o dever em consciência de dissuadi-lo da ordenação (n. 3).

De modo análogo, é inadequado que uma pessoa assim contraia matrimónio; nalguns casos mais extremos pode até haver uma incapacidade insanável.

É fácil de ver a importância destas normas para o bem do próprio candidato e para garantir à Igreja sacerdotes idóneos, verdadeiros pastores segundo o coração de Cristo.

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial