aCONTECIMENTOS eclesiais
DA SANTA SÉ
NORMAS
LITÚRGICAS
O CAMINHO
NEOCATECUMENAL
Bento XVI confia na sintonia
e comunhão do Caminho Neocatecumenal com o Papa e com
os Bispos, a propósito das novas normas litúrgicas que lhes foram dadas pela
Santa Sé.
O Santo Padre recebeu no passado dia 12 de Janeiro um grupo
do Caminho Neocatecumenal, do qual faziam parte 200
famílias que iam receber do Papa o «envio» missionário para irem para diversos
países, sobretudo na América Latina.
Depois de sublinhar que se trata de «uma tarefa
que se insere no contexto da nova evangelização, onde precisamente a família
desempenha um papel mais importante do que nunca» e que «a vossa acção
apostólica deseja colocar-se no coração da Igreja, em total sintonia com as
suas directrizes e em comunhão com as Igrejas particulares onde ireis
trabalhar, valorizando plenamente a riqueza dos carismas que o Senhor suscitou
através dos iniciadores do Caminho», o Papa referiu-se às recentes normas que
haviam sido dadas pela Santa Sé aos fundadores do Caminho Neocatecumenal,
os espanhóis Kiko Argüello
e Carmen Hernández e o
italiano Pe. Mario Pezzi,
«Precisamente para ajudar o Caminho Neocatecumenal a tornar ainda mais incisiva a sua acção
evangelizadora, em comunhão com todo o Povo de Deus, recentemente a Congregação
para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos promulgou, em meu nome,
algumas normas relativas à celebração eucarística, depois do período de
experiência concedido pelo Servo de Deus João Paulo II. Estou persuadido de que
estas normas, que retomam quanto está previsto nos livros litúrgicos aprovados
pela Igreja, serão atentamente observadas por vós. Graças à adesão fiel a cada
uma das directrizes da Igreja, tornareis ainda mais eficaz o vosso apostolado,
em plena sintonia e comunhão com o Papa e com os Pastores de todas as dioceses.
Agindo desta forma, o Senhor continuará a abençoar-vos com copiosos frutos
pastorais».
As novas normas litúrgicas
A Carta da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina
dos Sacramentos, com data de 1 de Dezembro passado, estabelece que as
comunidades catecumenais devem seguir «os livros
litúrgicos aprovados pela Igreja, sem omitir nem acrescentar nada».
Ao mesmo tempo aceita várias das adaptações que o Caminho Neocatecumenal introduzira na celebração da Missa como
parte do seu itinerário litúrgico-catequético.
O documento reconhece a prática levada a cabo, desde o
início do Caminho Neocatecumenal nos anos sessenta,
de celebrações especiais, ainda que abertas a todos, da Missa dominical em pequenas
comunidades. No entanto, pede ao Caminho Neocatecumenal
que se ponha em diálogo com o bispo diocesano para que se manifeste na
celebração litúrgica o testemunho de integração na paróquia dessas comunidades.
«Pelo menos um domingo ao mês as comunidades do Caminho Neocatecumenal
devem, portanto, participar na Santa Missa junto com a comunidade paroquial».
Permite os comentários antes das leituras, recordando que
devem ser breves, seguindo a Institutio Generalis Missalis Romani.
Pelo que se refere à homilia, sublinha que «está reservada
ao sacerdote ou ao diácono», recordando que testemunhos de fiéis leigos podem
ter lugar mas segundo o estabelecido na Instrução inter-dicasterial
Ecclesiae de Mysterio,
de 1997.
A Carta permite que a saudação da paz tenha lugar antes do
ofertório, como já tinha sido admitida pela Santa Sé para o Caminho Neocatecumenal.
A norma mais chamativa refere-se à
maneira de receber a Comunhão: dá ao Caminho Neocatecumenal
«um tempo de transição (não mais de dois anos) para passar do modo actual de
receber a Santa Comunhão em suas comunidades (sentados, ao redor de uma mesa
preparada no centro da Igreja em lugar do altar situado no presbitério) ao modo
normal para toda a Igreja de receber a Santa Comunhão».
Os responsáveis do Caminho Neocatecumenal
aceitaram bem as novas normas da Santa Sé, dadas depois do período experimental
a seguir à aprovação dos seus Estatutos por João Paulo II, em 2002.
DEFESA DA
FAMÍLIA E DA
VIDA
HUMANA NASCENTE
Bento XVI proferiu no
passado dia 12 de Janeiro um discurso de apoio à família e à vida humana
nascente, pedindo aos autarcas que implementem políticas de apoio às mesmas,
passando também pelo cuidado com os idosos e a saúde dos cidadãos.
Foi o que afirmou o Santo Padre recebendo em audiência no
Vaticano o Presidente da Câmara de Roma, Walter Veltroni, e os presidentes da província de Roma e da região
do Lácio, com as respectivas juntas.
Referindo-se ao matrimónio como «exigência intrínseca do
pacto de amor conjugal», o Papa reconheceu que, «por um lado, são oportunas
como nunca as providências [da Administração pública] que podem apoiar os
jovens casais na formação da família e a própria família na geração e educação
dos filhos: a este propósito vêm imediatamente à memória problemas, como o preço
das casas, dos infantários e das escolas maternas para as crianças mais
pequenas; por outro lado, é um grave erro obscurecer o valor e as funções da
família legítima fundada no matrimónio, atribuindo a outras formas de união
impróprias reconhecimentos jurídicos, quando não há, na realidade, qualquer
exigência social efectiva».
«A tutela da vida humana nascente – continuou o Papa –
requer igual atenção e compromisso: é necessário ter a preocupação por que não
faltem ajudas concretas às grávidas que se encontram em condições de
dificuldade e evitar a introdução de fármacos que escondam de qualquer forma a
gravidade do aborto, como opção contra a vida», numa alusão à chamada «pílula
do dia seguinte».
E acrescentou: «Numa sociedade que envelhece, tornam-se sempre
mais relevantes a assistência aos idosos e todas as problemáticas complexas
relativas aos cuidados da saúde dos cidadãos. Desejo encorajar-vos nos esforços
que estais a fazer nestes âmbitos e realçar que, no âmbito da saúde, os
contínuos progressos científicos e tecnológicos, assim como o compromisso pela
limitação dos custos, devem ser promovidos, mantendo bem firme o princípio
superior da centralidade da pessoa do doente».
REDE
MUNDIAL DE
TELEVISÕES
CATÓLICAS
O Vaticano manifestou a
intenção de promover uma melhor coordenação entre as televisões católicas de
todo o mundo, de modo a fazer face às exigências de meios e de
profissionalismo.
O Presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações
Sociais, Mons. John Patrick Foley, defendeu a criação
de um fórum de canais católicos, deixando votos de que estas televisões se
transformem no «sistema nervoso da Igreja» e sejam capazes de informar sobre a
mesma.
O arcebispo Foley desafiou as
televisões católicas a alcançarem a melhor qualidade possível. «Não existe
outro sector como o televisivo em que haja necessidade de uma rede, de forma
que a programação comum seja oferecida em todo o mundo, a formação profissional
seja oferecida numa base internacional e as ideias sobre os programas sejam
partilhadas», apontou.
As propostas foram lançadas em Roma, durante a segunda
reunião do comité organizador do Congresso Mundial das televisões católicas. O
evento terá lugar em Madrid, no mês de Outubro.
Para o prelado norte-americano, seria uma boa ideia
responder a pedidos que têm chegado de todo o mundo e «criar um fórum, para
projectar e também ajudar a colocar em prática a coordenação e a cooperação»
entre essas televisões.
GERAL DOS
JESUÍTAS VAI RESIGNAR
COM
CONSENTIMENTO DO PAPA
Bento XVI deverá
encontrar-se, a 22 de Abril próximo, com os religiosos da Companhia de Jesus,
no mesmo dia
O encontro, anunciado pela imprensa italiana,
teria lugar na mesma Basílica, no final de uma celebração solene, presidida
pelo Cardeal jesuíta Carlo Maria Martini.
A Congregação fundada por Santo Inácio, uma das
mais respeitadas e admiradas na Igreja Católica, conta hoje com quase 20 mil
religiosos em todo o mundo e é guiada pelo Prepósito-Geral
Peter Hans Kolvenbach. A partir de 2008, contudo, a liderança recairá
noutro jesuíta, dado que o Pe. Kolvenbach
já anunciou a sua decisão − após ter obtido o consenso do Papa – de
convocar a 35.ª Congregação Geral e renunciar ao cargo.
A decisão foi justificada pelo facto de, segundo
ele, a Companhia de Jesus precisar de um Geral mais novo e com mais energia.
A carta do Prepósito-Geral,
publicada no dia 2 de Fevereiro, festa da Apresentação do Senhor e Jornada
Mundial da Vida Consagrada, é dirigida a todos os jesuítas e convoca
oficialmente a Congregação Geral, com início a 5 de Janeiro de 2008, na Cúria
Geral de Roma.
Segundo as Constituições dos jesuítas, o cargo
de Prepósito-Geral é vitalício e só há eleição em
caso de falecimento, por doença grave ou se o Prepósito-Geral,
em consciência, considerar que deve renunciar.
O primeiro caso de renúncia foi o do Pe. Pedro Arrupe, a 3 de Setembro
de 1983, impossibilitado de exercer o seu cargo por doença grave.
O Pe. Kolvenbach, holandês, foi eleito a 13 de Setembro de 1983,
quando era provincial no Líbano. Completará 80 anos em 2008.
SÍNODO DOS
BISPOS SOBRE A EUCARISTIA
Os membros do
Conselho pós-sinodal reuniram-se em Roma para dar
continuidade ao trabalho realizado pela XI Assembleia geral ordinária do Sínodo
dos Bispos, que decorreu de
O Sínodo dos Bispos pode ser definido, em termos
gerais, como uma assembleia de Bispos que representa o episcopado de todo o
mundo e tem como tarefa ajudar o Papa no governo da Igreja, com o seu conselho,
para procurar soluções pastorais que tenham validade e aplicação universal. Sendo
um órgão consultivo, oferece «propostas» e não declarações definitivas.
A partir destas propostas, Bento XVI tem a
missão de redigir a exortação apostólica pós-sinodal,
o documento conclusivo que será baseado nas cinquenta «propostas» aprovadas
pelos padres sinodais. Para realizar este trabalho, o Papa conta com uma ajuda
específica, o Conselho pós-sinodal de Bispos, eleitos
tanto pela assembleia (12 membros) como por ele mesmo (3 membros).
Os membros do Conselho pós-sinodal
dão assistência à Secretaria Geral do Sínodo, reunindo-se em Roma para avaliar
os resultados do Sínodo e a sua aplicação.
Nesta última reunião, de
As 50 propostas finais, votadas no último
Sínodo, apresentam uma série de recomendações sobre algumas das questões mais
discutidas na vida da Igreja. A versão oficiosa deste documento foi publicada
em italiano e representa um guia essencial para perceber a importância deste
primeiro Sínodo do pontificado de Bento XVI, que reuniu mais de 250 Bispos no
Vaticano (ver CL 2005/06, 1, pp. 261-267).
POLÉMICA
SOBRE AS
CARICATURAS
DE MAOMÉ
O jornal
oficioso do Vaticano, «L´Osservatore Romano», volta a abordar na sua edição de
7 de Fevereiro passado a polémica acerca das caricaturas de Maomé publicadas
nalguma imprensa europeia, num artigo intitulado «Progresso da liberdade ou
recuo da civilização?»
Começando por lamentar o assassinato de um padre
católico na Turquia, o jornalista deixa no ar algumas perguntas: «É lícito, em
nome da liberdade de pensamento, ferir os sentimentos religiosos dos que
pertencem a uma determinada confissão? Onde acaba o direito de expressão e onde
começa a ofensa às convicções interiores? Qual é o limite entre a sátira e a
ofensa, entre a ironia e a blasfémia?».
O diário do Vaticano cita Bento XVI para
recordar que usar a liberdade contra Deus não eleva o homem, mas prejudica-o e
humilha-o. Segundo o jornal, a tão apregoada laicidade
da sociedade moderna deveria ter como raiz a compreensão e o respeito pelas
convicções dos outros.
«Que tipo de progresso social pode haver quando
se desrespeitam os símbolos da Fé, qualquer que seja a religião a que se
pertence?», pergunta L´Osservatore Romano.
Comentando o apregoado «direito de fazer
caricaturas de Deus», o jornal lembra que «o direito de manifestar o pensamento
e o direito de professar livremente uma religião entram, a título pleno, no
núcleo dos direitos humanos fundamentais».
«Qualquer manifestação genuína do primeiro
direito (liberdade de pensamento) encontra na plena e integral realização do
segundo (liberdade religiosa) um limite, por assim dizer, natural», assinala o
texto.
O jornal reconhece que nenhuma Igreja ou
Confissão religiosa está imune à crítica, mas defende que «podem exigir o
respeito, quando estão em jogo a verdade e a dignidade de uma experiência como
a religiosa, que pertence à dimensão mais íntima e fundante
da pessoa humana».
Comunicado
da Santa Sé
«Para responder a vários pedidos de esclarecimentos sobre a
posição da Santa Sé perante recentes representações ofensivas dos sentimentos
religiosos de pessoas e comunidades inteiras, a Sala de Imprensa da Santa Sé
pode declarar:
1. O direito à liberdade de pensamento e de expressão,
sancionado pela Declaração dos Direitos
do Homem, não pode implicar o direito de ofender o sentimento religioso dos
crentes. Este princípio vale obviamente para qualquer religião.
3. Contudo, deve-se dizer imediatamente que as ofensas
causadas por um indivíduo ou por um órgão de imprensa não podem ser imputadas
às instituições públicas do país correspondente, cujas autoridades poderão e
deverão, eventualmente, intervir segundo os princípios da legislação nacional.
Portanto, são igualmente deploráveis as acções violentas de protesto. Com
efeito, para reagir a uma ofensa, não se pode faltar ao verdadeiro espírito de
toda religião. A intolerância real ou verbal, venha de onde vier, como acção ou
como reacção, constitui sempre uma séria ameaça à paz».
FILME DE
ANIMAÇÃO SOBRE
JOÃO PAULO
II
A produtora
catalã Cavin Cooper Productions está a preparar um filme de animação, com cerca
de meia hora, sobre os momentos mais desconhecidos e significativos da vida de Karol Wojtyla, sobretudo durante
a sua infância e juventude. O lançamento mundial em DVD está marcado para 2 de
Abril, dia do primeiro aniversário da morte do Papa polaco.
A intenção dos autores é mostrar uma visão mais
próxima deste Papa, o mais carismático do último século, a crianças e adultos.
Intitulado «O amigo de toda a humanidade», o
filme conta com a supervisão explícita do Centro Televisivo Vaticano (CTV). O
DVD, cujo orçamento ultrapassou os dois milhões de euros, foi realizado com as
últimas técnicas de produção de filmes de animação.
Os desenhos animados irão iniciar-se com a visão
de um Karol Wojtyla ainda
criança, na sua Polónia natal, prosseguindo com o seu trabalho durante a
guerra, os seus estudos clandestinos durante o comunismo e a entrada no
Conclave de que saiu Papa, mostrando ainda inclinações pessoais, como o
futebol, o esqui e, sobretudo, o teatro.
Em entrevista à Agência Zenit, o produtor deste filme de
desenhos animados, José Luis López-Guardia, explica
que o objectivo é chegar a toda a família.
«Nós mostramos a faceta mais humana do Papa,
revelando ao mundo aspectos da sua vida desconhecidos para a grande maioria,
incluindo também os grandes meios de comunicação», assegura.
Este responsável assinala ainda que a
colaboração com o CTV foi decisiva, cordial e excelente.
A língua original da produção será o inglês. A
produção aparecerá em sete idiomas de base: inglês, italiano, espanhol,
francês, alemão, português e polaco.
CONFIRMADA
A DATA DA
VIAGEM DO
PAPA À POLÓNIA
Bento XVI fará
uma viagem pastoral à Polónia de
A viagem passará pelo Santuário mariano de Czestochowa, o Santuário franciscano de Kalwaria
Zebrzydowska e as cidades de Cracóvia e Wadowice, ligadas à vida de João Paulo II.
O Primaz da Polónia, Cardeal Jozef
Glemp, realçou o carácter particular desta visita,
descrevendo-a como «uma peregrinação aos lugares ligados ao seu predecessor».
O lema desta peregrinação de Bento XVI será
«Sede fortes na fé».
Enquanto Cardeal, Joseph
Ratzinger visitou por diversas vezes a Polónia, fruto
da sua proximidade com João Paulo II.
Outras viagens
do Papa
O Núncio Apostólico na Espanha, D. Manuel
Monteiro de Castro, também confirmou a viagem de Bento XVI a Valência, por
ocasião do V Encontro Mundial das Famílias. Segundo o costume da Santa Sé, a
notícia oficial será publicada em momento oportuno, quando tenha sido
estabelecido com segurança o programa exacto da visita.
O Papa deverá presidir aos actos principais do V
Encontro Mundial das Famílias, que será celebrado de
Em Setembro, espera-se que Bento XVI se desloque
à Alemanha, visitando a sua Baviera natal. A data para a viagem à Turquia
parece ter sido já fixada com o acordo do governo, apontando para o dia 30 de
Novembro, dia da Festa de Santo André, padroeiro do Patriarcado de
Constantinopla.