Anjo da Guarda de Portugal

10 de Junho de 2006

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Como promessa de cada hora, M. Faria, NRMS 30

Dan 3, 95

Antífona de entrada: Bendito seja o Senhor, que enviou o seu Anjo e libertou os seus servos, que n'Ele confiaram.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Desde tempos muito recuados que em nosso país se conservou e fomentou a devoção ao Anjo da Guarda de Portugal.

Esta devoção ganhou especial incremento depois que se divulgou a tríplice aparição do Anjo da Guarda de Portugal aos Três Pastorinhos de Fátima.

Talvez por isso, Pio XII mandou inserir esta memória no nosso calendário litúrgico.

 

Passamos muitas vezes pela vida como se nada mais existisse, além do mundo material. Talvez por isso, o nosso viver é tão cheio de materialismo, e não nos recordamos dos Anjos que nos protegem e ajudam.

Peçamos humildemente perdão ao Senhor desta indelicadeza de não aproveitarmos as preciosas ajudas que Ele nos oferece para a salvação.

E prometamos andar mais despertos, de hoje em diante.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que destinastes a cada nação o seu Anjo da Guarda, concedei que, pela intercessão e patrocínio do Anjo de Portugal, sejamos livres de todas as adversidades. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Numa visão, Daniel, depois de ter pedido com perseverança o auxílio de Deus para o Povo de Israel, exilado em Babilónia, contempla o Arcanjo S. Miguel que lhe promete auxílio.

Contemos com os nossos Anjos, à hora da dificuldade.

 

Daniel 10, 2a, 5-6.12-14ab

2aNaqueles dias, 5ergui os olhos e vi um homem vestido de linho, com um cinturão de ouro puro. 6O seu corpo era semelhante ao topázio e o rosto tinha o fulgor do relâmpago; os olhos eram como fachos ardentes, os braços e as pernas eram brilhantes como o bronze polido e o som das suas palavras era como o rumor duma multidão. 12Ele disse-me: «Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração para compreender e te humilhaste diante do teu Deus, as tuas palavras foram ouvidas. É por causa das tuas palavras que eu venho. 13O chefe do reino da Pérsia resistiu-me durante vinte e um dias. Então Miguel, um dos chefes principais, veio em meu auxílio. Eu estive lá, a fazer frente ao chefe dos reis da Pérsia, 14abe vim para te explicar o que vai suceder ao teu povo, no fim dos tempos».

 

A leitura está respigada dos sonhos e visões de Daniel (2ª parte do livro: 7, 1 – 12, 13), onde, na última visão, uma figura excelsa explica o que irá suceder nas guerras do séc. II a. C. entre os selêucidas e os lágidas, e como uma personalidade abominável (Antíoco IV da Síria) virá trazer grandes desgraças ao povo, mas acabará por ser derrotado, graças à intervenção libertadora de Miguel (este nome hebraico – mi-ka-el – significa: quem como Deus?). A leitura foi escolhida para a festa de hoje certamente pela descrição da figura angélica da aparição nos vv. 5-6, que evoca a visão dos Pastorinhos de Fátima.

 

Salmo Responsorial    Salmo 90 (91),1 e 3.5b-6.10.11.14-15

 

Monição: O salmo 90, escolhido para salmo de meditação, é um salmo que nos fala especialmente da confiança em Deus, quando a noite se aproxima e sentimos mais a solidão.

Foi com palavras deste salmo que o demónio tentou Cristo no deserto, depois de um longo jejum.

Sobre ele, diz Santo Agostinho: «Ninguém confie em si mesmo, mas ponha a esperança n'Aquele em quem residem as forças e por cujo apoio vencemos. Protege-nos o Deus do céu se dissermos: 'Sois o meu refúgio, e a minha cidadela; meu Deus, em Vós confio'».

 

Refrão:         O Senhor mandará aos seus anjos

Que te guardem em todos os teus caminhos.

 

Tu, que habitas sob a protecção do Altíssimo,

moras à sombra do Omnipotente.

Ele te livrará do laço do caçador

e do flagelo maligno.

 

Não temerás o pavor da noite,

nem a seta que voa de dia;

nem a epidemia que se propaga nas trevas,

nem a peste que alastra em pleno dia.

 

Nenhum mal te acontecerá,

nem a desgraça se aproximará da tua morada.

Porque o Senhor mandará aos seus Anjos

que te guardem em todos os teus caminhos.

 

«Porque confiou em Mim, hei-de salvá-lo;

hei-de protegê-lo, pois conheceu o meu nome.

Quando Me invocar, hei-de atendê-lo,

estarei com ele na tribulação,

hei-de libertá-lo e dar-lhe glória».

 

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 2, 10b

 

Monição: Os Pastores de Belém rejubilam com a grande notícia do nascimento do Salvador e correm a visitá-l'O.

Manifestemos esta disponibilidade em seguir os Seus ensinamentos e a alegria, que nos causa, cantando a aclamação ao Evangelho.

O Anjo do Senhor aproximou-se deles, e a glória do Senhor cercou-os de luz.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Disse o Anjo do Senhor:

«Anuncio-vos uma grande alegria para todo o povo.»

 

 

Evangelho

 

São Lucas 2, 8-14

Naquele tempo, 8havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos. 9O Anjo do Senhor aproximou-se deles e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles tiveram grande medo. 10Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: 11nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. 12Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura». 13Imediatamente juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo: 14«Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».

 

Também o texto escolhido nos fala dos Anjos do Natal. A glória de Deus que em Israel se manifestava no templo, manifesta-se agora no campo dos pastores. Deus manifesta-se aos simples e humildes e no meio dos seus afazeres mais correntes.

(Ver notas para o dia de Natal).

 

Sugestões para a homilia

 

Cada nação tem um Anjo da Guarda

Os Anjos, mensageiros alegria

Cada nação tem um Anjo da Guarda

Uma das manifestações do carinho paternal do Senhor por cada um de nós é a existência dos Anjos, muitos dos quais estão ao nosso serviço. Deus ama-nos infinitamente e valemos tanto a Seus olhos, que nos confiou a estes magníficos e valiosos companheiros. Acreditamos que também cada nação (cfr. Oração Colecta), a semelhança de cada membro da Igreja, tem o seu Anjo.

 

Os Anjos manifestam o carinho de Deus por nós. Nem era de esperar outra coisa, porque, pelo modo como são conduzidas as nações, as pessoas que a elas pertencem podem ter maior ou menor facilidade em se salvarem, já pela legislação, já pela administração da justiça, pela orientação do ensino, da Comunicação Social, ou pela simples abdicação de toda a autoridade, para já não falar da perseguição aberta aos princípios da moral cristã.

Cada nação é como uma família solidária, e a experiência prova que há uma entreajuda para o bem ou para o mal.

 

O Anjo da Guarda de Portugal defende-nos das armadilhas de Satanás. A Liturgia da Palavra fala-nos do Arcanjo S. Miguel defendendo o Povo de Deus de perigos garantindo, deste modo, a sua subsistência.

É uma verdade de fé a existência de espíritos maus – os demónios – que tentam arrastar-nos à desobediência a Deus.

Como anjos que continuam a ser, embora revoltados perpetuamente contra Deus, possuem uma inteligência muito superior à nossa; a dos homens é discursiva, lenta, racionando, a partir das causas, até aos efeitos e, além disso, muitas verdades permanecem ocultas para ela; a do Anjo é intuitiva, como que penetra dentro da mesma essência das coisas, captando imediatamente a realidade.

 

Sem a sua ajuda, facilmente seríamos enganados. Supostas estas verdades, é certo e sabido que, abandonados a nós próprios, seriamos facilmente enganados por estes espíritos do mal, se não contássemos com a ajuda dos Anjos fiéis a Deus, para desmantelar e denunciar estas armadilhas.

A existência de um Anjo ao qual a nossa Pátria está confiada recebeu especial incremento com as aparições do Anjo da Guarda de Portugal aos três Pastorinhos de Fátima, em 1916, preparando a visita de Nossa Senhora.

Trata-se de revelações particulares nas quais ninguém está obrigado a acreditar, mesmo depois da aprovação oficial da mesma Igreja. Mas seria uma imprudência orgulhosa recusar o testemunho de tantas pessoas sensatas.

O Anjo da Guarda de Portugal tem por missão livrar-nos de todas as adversidades (Oração colecta) e guardar-nos em todos os nossos caminhos (Salmo de meditação).

Os Anjos, mensageiros da alegria

A presença dos Anjos, na Sagrada Escritura, inspira sempre confiança e alegria, embora num primeiro momento o encontro com o desconhecido possa causar um certo receio, como aconteceu aos pastores de Belém na noite do nascimento do Salvador.

 

Não tenhais medo! Por isso, a primeira frase com que os saúdam é a mesma de Jesus em diversas vezes da vida pública (quando, de noite, foi ao encontro dos Apóstolos, caminhando sobre as águas; ou às santas mulheres junto do sepulcro; ou ainda no Cenáculo).

Também Gabriel começou por dizer a Maria, depois de A ter saudado: «Não temas»! Os Anjos são sempre mensageiros da Graça e da Alegria. Estão ao serviço da missão salvadora de Jesus: «nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é o Messias Senhor».

Actuam com humildade. Tão discretos se conduzem na sua acção, que nem damos pela sua ajuda.

 

Gratidão para com o Anjo de Portugal. Vivemos em Portugal histórias recentes de incertezas, medo e insegurança. Só no Céu tomaremos conhecimento de quanto ficámos a dever ao Anjo da Guarda de Portugal.

Quando se estudarem serenamente e com isenção as últimas décadas da nossa história, talvez possamos compreender com mais clareza como a mão de Deus nos sustentou amorosamente, servindo-se da missão do Anjo da Guarda de Portugal.

 

Invoquemo-lo contra novos perigos. Hoje volta a estar em perigo a nossa fé e, consequentemente, a nossa salvação. Meios poderosos da técnica espalham a corrupção nos corações.

Além disso, são muitos os que se deixam tentar pelo suborno, e pela desonestidade nos negócios.

Estruturas poderosas espalham a droga, corrompendo e destruindo a nossa juventude que é a promessa do nosso futuro. As famílias sofrem duramente, sem encontrar solução para este doloroso problema.

Neste dia, uma embaixada de crianças de todas as Dioceses do país dirigem-se a Fátima, para recordar e reviver o que se passou ali, em 1916.

O Anjo da Guarda de Portugal tem por missão livrar-nos de todas as adversidades (Oração colecta) e guardar-nos em todos os nossos caminhos (Salmo de meditação).

Procuremos também, com alma de criança, marcar presença na Loca do Cabeço, e no Poço do Arneiro, para renovarmos a nossa devoção ao Anjo da Guarda de Portugal.

 

Oração Universal

 

O Senhor manifesta-nos, de muitos modos,

o Seu Amor infinito por cada um de nós.

Confiados na Sua bondade inesgotável de Pai,

apresentemos-Lhe as necessidades da Igreja,

e, de modo particular, da Igreja que está em Portugal.

 

1.  Para que o Santo Padre, Bispos, Sacerdotes e Diáconos,

nos estimulem a uma devoção crescente aos santos Anjos,

oremos, irmãos.

 

2.  Para que a nossa comunidade, presente nesta Eucaristia,

encontre a protecção do Anjo da Guarda de Portugal,

oremos, irmãos.

 

3.  Para que as Autoridades da nossa Pátria, nas suas leis,

nos ajudem a viver sempre como bons filhos de Deus,

oremos, irmãos.

 

4.  Para que as crianças da nossa Pátria possam esperar,

um ambiente que as ajude a viver as exigências da fé,

oremos, irmãos.

 

5.  Para que todos nós aqui presentes, a participar na Eucaristia,

saibamos viver a devoção ao Anjo da Guarda de Portugal,

oremos, irmãos.

 

6.  Para que os jovens da nossa Pátria saibam libertar-se,

das armadilhas de morte com que tentam atraí-los,

oremos, irmãos.

 

7.  Para que todos os fiéis defuntos familiares e amigos,

por intercessão de Maria, descansem na luz perpétua,

oremos, irmãos.

 

Senhor, que na Vossa vida mortal, nos protegeis,

dando à nossa Pátria um Anjo para a defender:

ajudai-nos a sabermos aproveitar a sua ajuda amiga,

para Vos podermos contemplar eternamente no Céu.

Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Bendito seja Deus, bendito seja, Az. Oliveira, NRMS 48

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, estas ofertas que apresentamos ao vosso altar e fazei que, por intercessão do nosso Anjo da Guarda, sejamos defendidos de toda a adversidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio dos Anjos: p. 491

 

Santo: J. Santos, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Com a fé, humildade e devoção com que os santos Anjos adoram dia e noite Jesus Cristo presente em nossos Sacrários, aproximemo-nos para comungar, se estamos devidamente preparados.

E uma vez presente Cristo dentro de nós sacramentalmente, peçamos ao Anjo da Guarda de Portugal, que na Loca do Cabeço convidou os Pastorinhos à adoração e desagravo, nos ajude a revestirmo-nos destes mesmos sentimentos.

 

Cântico da Comunhão: Deus connosco, Deus em nós, F. da Silva, NRMS 49

Judite 13, 20.21

Antífona da comunhão: Bendito seja o Senhor, que me protegeu por meio do seu Anjo. Dai graças ao Senhor, porque é eterna a sua misericórdia.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear, F. da Silva, NRMS 17

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais neste admirável sacramento de vida eterna, dirigi os nossos passos, por meio do vosso Anjo, no caminho da salvação e da paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Com profundo reconhecimento, agradeçamos ao Senhor a protecção que nos dispensa pelos santos Anjos, hoje, de um modo particular, pelo Anjo da Guarda de Portugal.

Por um dever de gratidão, lembremo-nos mais deste bom Amigo e peçamos-lhe alcance para a nossa Pátria as melhores bênçãos de Deus.

 

Cântico final: Cantai alegremente, M. Luís, NRMS 38

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:    Fernando Silva

Nota Exegética:             Geraldo Morujão

Sugestão Musical:         Duarte Nuno Rocha

 


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