Santíssimo Corpo e Sangue e Cristo

15 de Junho de 2006

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Cordeiro de Deus é o nosso Pastor, Az. Oliveira, NRMS 90-91

Salmo 80,17

Antífona de entrada: O Senhor alimentou o seu povo com a flor da farinha e saciou-o com o mel do rochedo.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Eu sou o pão da vida, disse Jesus. Se alguém comer deste pão viverá eternamente. É este mistério de amor e vida contemplado na solenidade de hoje e motivo de fervorosa adoração – uma festa instituída a partir do séc. XIII em que se recorda a instituição da Eucaristia em Quinta-Feira santa e se alarga a memória deste acontecimento de salvação.

Contemplar Jesus presente na Eucaristia, adorar e agradecer, eis a grande proposta que a Igreja nos faz.

 

Oração colecta: Senhor Jesus Cristo, que neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa paixão, concedei-nos a graça de venerar de tal modo os mistérios do vosso Corpo e Sangue que sintamos continuamente os frutos da vossa redenção. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A Aliança do Sinai manifesta a bondade infinita de Deus, uma promessa que supera todas as dificuldades e o compromisso do povo muitas vezes quebrado pela infidelidade. Deus, porém, é sempre fiel. Na nossas fraquezas e infidelidades n’Ele pomos a nossa confiança.

 

 

Êxodo 24, 3-8

Naqueles dias, 3Moisés veio comunicar ao povo todas as palavras do Senhor e todas as suas leis. O povo inteiro respondeu numa só voz: «Faremos tudo o que o Senhor ordenou». 4Moisés escreveu todas as palavras do Senhor. No dia seguinte, levantou-se muito cedo, construiu um altar no sopé do monte e ergueu doze pedras pelas doze tribos de Israel. 5Depois mandou que alguns jovens israelitas oferecessem holocaustos e imolassem novilhos, como sacrifícios pacíficos ao Senhor. 6Moisés recolheu metade do sangue, deitou-o em vasilhas e derramou a outra metade sobre o altar. 7Depois, tomou o Livro da Aliança e leu-o em voz alta ao povo, que respondeu: «Faremos quanto o Senhor disse e em tudo obedeceremos». 8Então, Moisés tomou o sangue e aspergiu com ele o povo, dizendo: «Este é o sangue da aliança que o Senhor firmou convosco, mediante todas estas palavras».

 

Este texto refere a ratificação da antiga Aliança, por mediação de Moisés, entre dois protagonistas, Deus e o povo de Israel. O rito é descrito com dois elementos, a saber: um (vv. 3a. e 7), a leitura das cláusulas postas por Deus – «as palavras do Senhor» (debarim: ou Decálogo, cf. Ex 20)  e «as leis (mixpatim: ou Código da Aliança, cf. Ex 21 – 22) –, com a correspondente aceitação pela parte do povo – «nós o poremos em prática» (vv. 3b e 7). O outro elemento é o sacrifício para selar a Aliança (vv. 4b-6). É interessante notar como a descrição deste sacrifício conserva uns traços muito primitivos, pois quem imola os animais não são sacerdotes, mas «alguns jovens» (v. 5), num altar construído ad hoc e tendo à volta doze estelas (v.4). Os ritos de sangue eram correntes entre os povos nómadas daqueles tempos, mas, para o povo de Israel, este rito encerra um significado particular. Com efeito, o sangue é a vida (cf. Gn 9, 4) e a vida é pertença só de Deus, por isso ele só deve ser derramado sobre o altar, ou ser usado para ungir pessoas consagradas a Deus (cf. Ex 29, 19-21); ao dizer-se que Moisés «aspergiu com ele o povo» todo (v. 8), deixa-se ver que esta aliança não apenas vincula o povo às cláusulas, para obedecer às leis de Deus, mas sobretudo que este povo fica a pertencer a Deus, como um povo santo, que Lhe é consagrado, um povo sacerdotal (cf. Ex 19, 3-6). O sangue derramado em partes iguais – «metade sobre o altar» (v. 6), que representa a Deus, e a outra «metade» sobre o povo (v. 8) – mostra os laços estreitos da comunhão de vida que a aliança cria entre Deus e o povo, num impressionante simbolismo. Uma tal união e aliança é a prefiguração da nova, universal e definitiva aliança, aquela que unirá para sempre, de modo sobrenatural, o homem com Deus, através do sangue de Cristo (cf. Mt 26, 28; Heb 9, 11.28: 2.ª leitura de hoje)

 

Salmo Responsorial      Sl 115 (116), 12-13.15.16bc.17-18 (R. 13)

 

Monição: O cálice da salvação é dom eucarístico e força para o nosso caminhar.

 

Refrão:         Tomarei o cálice da salvação

                      e invocarei o nome do Senhor.

 

Ou:                Elevarei o cálice da salvação,

                      invocando o nome do Senhor.

 

Como agradecerei ao Senhor

tudo quanto Ele me deu?

Elevarei o cálice da salvação,

invocando o nome do Senhor.

 

É preciosa aos olhos do Senhor

a morte dos seus fiéis.

Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva:

quebrastes as minhas cadeias.

 

Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor,

invocando, Senhor, o vosso nome.

Cumprirei as minhas promessas ao Senhor,

na presença de todo o povo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A razão da nossa alegria é que Jesus «entrou de uma vez para sempre no Santuário».

 

Hebreus 9, 11-15

Irmãos: 11Cristo veio como sumo sacerdote dos bens futuros. Atravessou o tabernáculo maior e mais perfeito, que não foi feito por mãos humanas, nem pertence a este mundo, 12e entrou de uma vez para sempre no Santuário. Não derramou sangue de cabritos e novilhos, mas o seu próprio Sangue, e alcançou-nos uma redenção eterna. 13Na verdade, se o sangue de cabritos e de toiros e a cinza de vitela, aspergidos sobre os que estão impuros, os santificam em ordem à pureza legal, 14quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno Se ofereceu a Deus como vítima sem mancha, purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo! 15Por isso, Ele é mediador de uma nova aliança, para que, intervindo a sua morte para remissão das transgressões cometidas durante a primeira aliança, os que são chamados recebam a herança eterna prometida.

 

11 Cristo é apresentado como Sumo Sacerdote, numa alusão aos ritos judaicos do Dia da Expiação (Yom Kipur),em só o sumo sacerdote entrava na parte mais sagrada do santuário, o Santo dos Santos. Ele «atravessou o tabernáculo maior e mais perfeito», isto é, segundo a interpretação feita pela tradução, o Santuário do Céu, aonde subiu e onde continua a exercer a sua mediação salvífica.

12-15 O sacrifício de Cristo, com a oferta do seu próprio sangue, isto é, da sua vida imolada, tem uma eficácia infinitamente superior à dos sacrifícios antigos que não obtinham mais do que uma pureza legal e exterior.

14 «Quanto mais o sangue de Cristo… pelo espírito eterno». É em virtude da sua natureza divina que o seu sacrifício tem um valor infinito, que não apenas supera os sacrifícios oferecidos no templo de Jerusalém, mas os torna obsoletos.

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 6, 51

 

Monição: O Pai enviou o Seu Filho ao mundo, para salvar. Ele dá-nos o seu Corpo e Sangue em alimento.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS10 (II)

 

Eu sou o pão vivo descido do Céu, diz o Senhor.

Quem comer deste pão viverá eternamente.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 14, 12-16.22-26

12No primeiro dia dos Ázimos, em que se imolava o cordeiro pascal, os discípulos perguntaram a Jesus: «Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?» 13Jesus enviou dois discípulos e disse-lhes: «Ide à cidade. Virá ao vosso encontro um homem com uma bilha de água. 14Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: «O Mestre pergunta: Onde está a sala, em que hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos?» 15Ele vos mostrará uma grande sala no andar superior, alcatifada e pronta. Preparai-nos lá o que é preciso». 16Os discípulos partiram e foram à cidade. Encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito e prepararam a Páscoa. 22Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, recitou a bênção e partiu-o, deu-o aos discípulos e disse: «Tomai: isto é o meu Corpo». 23Depois tomou um cálice, deu graças e entregou-lho. E todos beberam dele. 24Disse Jesus: «Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança, derramado pela multidão dos homens. 25Em verdade vos digo: Não voltarei a beber do fruto da videira, até ao dia em que beberei do vinho novo no reino de Deus». 26Cantaram os salmos e saíram para o Monte das Oliveiras.

 

Estamos no relato evangélico da última Ceia de Jesus, segundo Marcos. Tratando-se duma Ceia Pascal, é deveras impressionante que nenhum evangelista relate a comida do cordeiro, o elemento central da ceia judaica. É que todo o interesse se centra nas palavras e nos gestos de Jesus. Aqui tudo é diferente, porque o cordeiro é Ele próprio.

13-14 O pormenor aqui relatado mostra como Jesus tinha tudo previsto cuidadosamente e parece até indiciar que Jesus quereria ocultar a Judas o local da Ceia para evitar a consumação da traição neste momento.

15 «Uma grande sala grande no andar superior, alcatifada e pronta». Estes pormenores, que não aparecem nos outros evangelistas podem denunciar, de acordo com a tradição, que o Cenáculo era propriedade de Maria de Jerusalém, a mãe de Marcos, o próprio evangelista que no-los relata.

22 «Isto é o meu Corpo». A expressão de Jesus é categórica e terminante, com exactamente as mesmas palavras nos quatro relatos paralelos; não deixa lugar a mal entendidos. Não diz: aqui está o meu Corpo, nem isto é o símbolo do meu Corpo, mas sim: isto é o Meu Corpo, como se dissesse: «este pão já não é pão, mas é o Meu Corpo», isto é, «sou Eu mesmo». Todas as tentativas de entender estas palavras num sentido simbólico fazem violência ao texto; com efeito, «ser» no sentido de «ser como», «significar», só se verifica quando do contexto se possa depreender que se trata duma comparação, o que não se dá aqui, pois não se vê facilmente como o pão seja como o Corpo de Jesus, ou como o signifique. Por outro lado, Jesus, com a palavra «isto» não se refere à acção de partir o pão, pois não pronuncia estas palavras enquanto parte o pão, mas depois de o ter partido; por isso, não tem sentido dizer que com a fracção do pão o Senhor queria representar o despedaçar do seu Corpo por uma morte violenta; e Jesus não podia querer dizer uma tal coisa: se o quisesse dizer, teria de o explicitar, uma vez que o gesto de partir o pão era, afinal, um gesto usual do chefe da mesa, em todas as refeições, e ninguém lhe podia descobrir outro sentido; por outro lado, o gesto de beber o cálice muito menos condizia com esse tal suposto sentido. Os Apóstolos entenderam as palavras no seu verdadeiro realismo (cf. Jo 6, 51-58). Assim as entende e prega S. Paulo (1 Cor 11) e a Igreja Católica assistida indefectivelmente por Cristo e pelo Espírito Santo. O mistério eucarístico é tão transcendente que não podia passar pela cabeça humana sequer sonhá-lo (cf. a recente Encíclica Ecclesia de Eucharistia).

 

Sugestões para a homilia

 

Um alimento de vida

O cântico da nossa adoração

Acolher para agradecer

 

A primeira leitura apresenta palavras que vão ter nova expressão no evangelho: aliança, sacrifício e sangue.

O sangue da aliança que refere Moisés é sacrifício que exige o cumprimento da palavra-mandamento que o Senhor propõe. E de facto a resposta é afirmativa: faremos  quanto o Senhor disse. O povo que fazia a caminhada do êxodo é afinal o mesmo que hoje percorre os caminhos da vida. E não se compreende que o povo da Igreja esteja menos disposto a decidir e fazer como aquele povo prometia: nós poremos em prática tudo quanto o Senhor disse. A Eucaristia é alimento de vida é compromisso que deve ser universal, a respeito das pessoas e dos mandamentos divinos. Todos os presentes nesta celebração têm ocasião de contemplar e agir.

O sacrifício a que se refere a 1.ª leitura será, afinal, a transformação a realizar na nossa vida para que ela se torne algo de  sagrado. Sacrificar egoísmos e comodismos, por Deus que se dá inteiramente. Sacrificar o terreno e o profano pelo divino. O livro da Aliança foi lido ao povo para que decidisse. Se no Sinai Deus estabelece uma Aliança com o povo, no Cenáculo a Eucaristia torna-se o sacrifício da Nova e eterna Aliança, alimento de vida, compromisso de conversão.

Um cântico de adoração

A eucaristia, fonte e vértice da vida cristã, dá vida à comunidade, assembleia sagrada, e contribui para a santificação e salvação do mundo. Na presente celebração cada um de nós avive a sua fé, escute o Senhor, adore o Santíssimo Sacramento. Afinal todas as decorações desta igreja exprimem a fé de quantos se encontram reunidos e acreditam em algo mais do que meras aparências, mas num realidade espiritual, viva e actuante que é Jesus aqui presente e, cada um á sua maneira, exprime essa mesma fé que há-de transformar a sua vida. É o momento da  adoração do cântico de adoração a Jesus presente na Eucaristia.

Depois a adoração prolonga-se nas visitas ao sacrário, nas procissões e cânticos, na contemplação silenciosa, na atitude de vida que cada baptizado toma para exprimir, na humildade, o sentimento profundo que lhe vai na alma. De facto, o sagrado também se exprime desde a participação na Comunhão, verdadeiramente preparada, até ao silêncio de adoração e acção de graças. A Eucaristia é memória da Paixão e a garantia da vida gloriosa: fazei isto em memória de mim. Na Santa Missa Ele se oferece continuamente pela humanidade e o santo sacrifício actualiza essa oferta eterna em que se realiza o cumprimento, até à perfeição, da relação de Jesus com o Pai e com os homens.

Acolher para agradecer

É momento de contemplar a presença real para adorar e dar graças por este dom maravilhoso de Nosso Senhor Jesus Cristo. Faz-nos bem recordar de novo o primeiro grande acontecimento do tríduo pascal – a Última Ceia.

Orientando o nosso pensamento para a Eucaristia comunhão não se pode esquecer a atitude de vida que ela comporta. E mais ainda, a exigência de adoração e acção de graças.

No texto do Evangelho recordam-se os preparativos ordenados por Cristo para celebrar este memorial sagrado e se descreve a nobreza do local em que ele iria acontecer. Eis a dignidade e perfeição que merecem todas as celebrações repetidas em tantas igrejas da cristandade ao longo dos tempos e como em todas é ocasião de exprimir a gratidão por este divino dom da nova aliança expressamente referida no evangelho. Os preparativos do Cenáculo são uma expressão e desafio aos preparativos dos cristãos de hoje para este rito de acção de graças.

Sim. A Eucaristia é acção de graças e nós devemos deixar-nos mergulhar nesta atitude universal de acção de graças que a todos envolve. Diante dos discípulos Jesus anuncia a sua morte. Três dias depois o mesmo Jesus aparecerá ressuscitado diante dos discípulos, no mesmo lugar para lhes dar a paz. Obrigado Jesus. Aqui e sempre diante do Santíssimo Sacramento continuaremos a nossa acção de graças.

 

Fala o Santo Padre

 

«Comer este pão, é realmente um encontro entre duas pessoas,

é deixar-se penetrar pela vida d'Aquele que é o Senhor.»

 

Na festa de Corpus Christi, a Igreja revive o mistério da Quinta-Feira Santa à luz da Ressurreição. Também a Quinta-Feira Santa conhece uma sua procissão eucarística, com a qual a Igreja repete o êxodo de Jesus do Cenáculo para o monte das Oliveiras. Em Israel, celebrava-se a noite de Páscoa em casa, na intimidade da família. Fazia-se assim memória da primeira Páscoa, no Egipto da noite em que o sangue do cordeiro pascal, aspergido na arquitrave e nos portais das casas, protegia contra o exterminador. Jesus, naquela noite, sai e entrega-se ao traidor, ao exterminador e, precisamente assim, vence a noite, vence as trevas do mal. Só desta forma, o dom da Eucaristia, instituída no Cenáculo, encontra o seu cumprimento: Jesus entrega realmente o seu corpo e o seu sangue. Atravessando o limiar da morte, torna-se pão vivo, verdadeiro maná, alimento inexaurível para todos os séculos. A carne torna-se pão de vida.

Na procissão da Quinta-Feira Santa, a Igreja acompanha Jesus ao monte das Oliveiras: a Igreja orante sente um desejo profundo de vigiar com Jesus, de não o deixar sozinho na noite do mundo, na noite da traição, na noite da indiferença de muitos. Na festa de Corpus Christi, retomamos esta procissão, mas na alegria da Ressurreição. O Senhor ressuscitou e precedeu-nos. Nas narrações da Ressurreição há uma característica comum e fundamental; os anjos dizem: o Senhor «vai à vossa frente para a Galileia. Lá o vereis» (Mt 28, 7). Considerando isto mais de perto, podemos dizer que este «preceder» de Jesus exige uma dupla direcção. A primeira é como ouvimos a Galileia. Em Israel, a Galileia era considerada como a porta que se abre para o mundo dos pagãos.

E na realidade precisamente na Galileia, no monte, os discípulos vêem Jesus, o Senhor, que lhes diz: «Ide... fazei discípulos de todos os povos» (Mt 28, 19). A outra direcção do preceder, por parte do Ressuscitado, aparece no Evangelho de São João, nas palavras de Jesus a Madalena: «Não me detenhas, pois ainda não subi para o Pai...» (Jo 20, 17). Jesus precede-nos junto do Pai, eleva-se à altura de Deus e convida-nos a segui-lo. Estas duas direcções do caminho do Ressuscitado não se contradizem, mas indicam ao mesmo tempo o caminho do seguimento de Cristo. A verdadeira meta do nosso caminho é a comunhão com Deus o próprio Deus é a casa com muitas moradas (cf. Jo 14, 2s.). Mas só podemos subir a esta morada indo «em direcção à Galileia» indo pelos caminhos do mundo, levando o Evangelho a todas as nações, levando o dom do seu amor aos homens de todos os tempos. Por isso o caminho dos apóstolos prolongou-se até aos «confins da terra» (cf. Act 1, 6s.); assim São Pedro e São Paulo foram até Roma, cidade que na época era o centro do mundo conhecido, verdadeira «caput mundi».

A procissão da Quinta-Feira Santa acompanhou Jesus na sua solidão, rumo à «via crucis». A procissão de Corpus Christi, ao contrário, responde de maneira simbólica ao mandamento do Ressuscitado: precedo-vos na Galileia. Ide até aos confins do mundo, levai o Evangelho a todas as nações. Sem dúvida, para a fé, a Eucaristia é um mistério de intimidade. O Senhor instituiu o Sacramento no Cenáculo, circundado pela sua nova família, pelos doze apóstolos, prefiguração e antecipação da Igreja de todos os tempos. Por isso, na liturgia da Igreja antiga, a distribuição da sagrada comunhão era introduzida com as palavras: Sancta sanctis o dom sagrado destina-se aos que são tornados santos. Deste modo, respondia-se à admoestação dirigida por São Paulo aos Coríntios: «Portanto, examine-se cada um a si próprio e só então coma deste pão e beba deste vinho...» (1 Cor 11, 28). Contudo, desta intimidade, que é dom muito pessoal do Senhor, a força do sacramento da Eucaristia vai além das paredes das nossas Igrejas. Neste Sacramento, o Senhor está sempre a caminho no mundo. Este aspecto universal da presença eucarística sobressai na procissão da nossa festa. Nós levamos Cristo, presente na figura do pão, pelas estradas da nossa cidade. Nós confiamos estas estradas, estas casas a nossa vida quotidiana à sua bondade. Que as nossas estradas sejam de Jesus! Que as nossas casas sejam para Ele e com Ele! A nossa vida de todos os dias esteja penetrada da sua presença. Com este gesto, colocamos sob o seu olhar os sofrimentos dos doentes, a solidão dos jovens e dos idosos, as tentações, os receios toda a nossa vida. A procissão pretende ser uma bênção grande e pública para a nossa cidade: Cristo é, em pessoa, a bênção divina para o mundo, o raio da sua bênção abranja todos nós!

Na procissão de Corpus Christi, acompanhamos o Ressuscitado no seu caminho pelo mundo inteiro como dissemos. E, precisamente fazendo isto, respondemos também ao seu mandamento: «Tomai e comei... Bebei todos» (Mt 26, 26s.). Não se pode «comer» o Ressuscitado, presente na figura do pão, como um simples bocado de pão. Comer este pão é comunicar, é entrar em comunhão com a pessoa do Senhor vivo. Esta comunhão, este acto de «comer», é realmente um encontro entre duas pessoas, é deixar-se penetrar pela vida d'Aquele que é o Senhor, d'Aquele que é o meu Criador e Redentor. A finalidade desta comunhão, deste comer, é a assimilação da minha vida à sua, a minha transformação e conformação com Aquele que é Amor vivo. Por isso, esta comunhão exige a adoração, requer a vontade de seguir Cristo, de seguir Aquele que nos precede. Por isso, a adoração e a procissão fazem parte de um único gesto de comunhão; respondem ao seu mandamento: «Tomai e comei». […]

 

Bento XVI, Basílica de S. João de Latrão, 26 de Maio de 2005

 

Oração Universal

 

Oremos, irmãos a Deus omnipotente e misericordioso

que nos dê seu perdão e sua bênção.

 

1.  Por este mundo e pela sua Igreja

que Deus ama para que encontre na Eucaristia

um permanente alimento de vida e estímulo de santidade,

oremos irmãos.

 

2.  Para que sejam eliminadas pela graça do Senhor

e pela conversão dos homens todas as tentações e indiferenças

diante do Senhor Sacramentado,

oremos, irmãos.

 

3.  Para que os homens em busca de luz e de verdade

saibam procurar a felicidade junto do sacrário e na missa dominical,

oremos, irmãos.

 

4.  Para que os movimentos de espiritualidade e apostolado,

pelo testemunho de fé dos seus membros

se tornem exemplo para o nosso mundo, oremos, irmãos.

 

5.  Para que a Sagrada Eucaristia se torne apelo permanente

de caridade aos fiéis a favor das pessoas mais desfavorecidas,

oremos, irmãos.

 

6.  Por todos os fiéis defuntos,

que tendo recebido sempre a comunhão com verdadeira fé

partilhem na bem aventurança a comunhão dos santos,

oremos, irmãos.

 

Deus de bondade, atendei as nossas orações, tornai-nos dóceis à vossa palavra

para gozarmos sempre das bênçãos que nos concedeis. Por Nosso Senhor…

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Ao teu sacrário venho, Senhor, B. salgado, NRMS 12 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, à vossa Igreja o dom da unidade e da paz, que estas oferendas misticamente simbolizam. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio da Eucaristia: p. 1254 [658-770]

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

A graça da comunhão é um dom que nunca saberemos apreciar convenientemente. Não esqueçamos este favor divino instituído na Última Ceia para a salvação do mundo.

 

Cântico da Comunhão: Eucaristia, celeste alimento, M. Carneiro, NRMS 77-79

Jo 6, 57

Antífona da comunhão: Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim e Eu nele, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Memorial da morte do senhor, M. Carvalho, NRMS 77-79

 

Oração depois da comunhão: Concedei-nos, Senhor Jesus Cristo, a participação eterna da vossa divindade, que é prefigurada nesta comunhão do vosso precioso Corpo e Sangue. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Acabamos de cumprir o mandato de Jesus no Cenáculo. Que a graça do Senhor ajude a todos a vir aqui cada domingo com renovada devoção.

 

Cântico final: Povos da terra exaltai, M. Faria, NRMS 11 (I)

 

 

Homilias Feriais

 

feira, 16-VI: Manter o coração limpo.

1 Reis 19, 9. 11-16 / Mt. 5, 27-32

Todo aquele que tiver olhado uma mulher, para a desejar, já com ela cometeu adultério no seu coração.

Jesus pede-nos que vivamos bem o nono mandamento (cf. Ev.). Para isso teremos que lutar contra as tentações internas contra a castidade: a guarda dos sentidos, as imaginações, as recordações, etc. Só assim manteremos o coração limpo, para podermos amar a Deus e ao próximo, como Ele deseja. Uma boa ajuda é dada pela intimidade, proximidade, com Deus.

O profeta Elias sentiu-se só e perseguido por ter sido fiel à Aliança com Deus (cf. Leit.). Também muitos se meterão connosco pelo facto de sermos fiéis ao amor de Deus e ao próximo.

 

Sábado, 17-VI: Verdade e fidelidade.

1 Reis 19, 19-21 / Mt. 5, 33-37

A vossa linguagem deve ser: sim, sim; não, não. O que for além disto vem do Maligno.

Como Jesus é a Verdade pode pedir aos seus discípulos um amor incondicional à verdade (cf. Ev.). A verdade consiste em mostrar-se verdadeiro nos actos e dizer a verdade nas palavras, evitando a duplicidade, a simulação e a hipocrisia (cf. CIC, 2468).

A verdade aplica-se igualmente à fidelidade aos chamamentos de Deus. O profeta Eliseu, quando foi chamado, deixou imediatamente tudo para poder cumprir a vontade de Deus (cf. Leit.). Como cristãos, seremos verdadeiros na nossa conduta se procurarmos adequá-la aos preceitos do Senhor.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         José Valentim Pereira Vilar

Nota Exegética:             Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                        Nuno Romão

Sugestão Musical:                  Duarte Nuno Rocha

 


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