S. João Baptista
Missa da Vigília
23 de Junho de 2006
Esta Missa diz-se na
tarde do dia 23 de Junho, antes ou depois das Vésperas I da solenidade.
RITOS INICIAIS
Cântico
de entrada: Subirei alegre, M. Carneiro, NRMS
87
Lc 1, 15.14
Antífona
de entrada: Será grande aos
olhos do Senhor e cheio do Espírito Santo desde o seio materno. Muitos se
hão-de alegrar pelo seu nascimento.
Diz-se o Glória.
Introdução ao
espírito da Celebração
Nesta noite haverá
muitos arraiais, divertimentos vários,
festejos sem fim. É noite de S. João...
Nós queremos viver de
um modo diferente esta vigília. S. João Baptista vai-nos ajudar a escutarmos o
Senhor para também, como ele, sermos santos.
Oração
colecta: Conduzi, Senhor, a
vossa família pelo caminho da salvação, para que, fiel aos ensinamentos do
Precursor, São João Baptista, possa ir confiadamente ao encontro de Cristo, por
ele anunciado. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco
na unidade do Espírito Santo.
Liturgia da
Palavra
Primeira Leitura
Monição: Como o Profeta Jeremias, S. João Baptista
foi igualmente escolhido pelo Senhor ainda antes de nascer. Sejamos também nós
fiéis ao chamamento do Senhor.
Jeremias 1, 4-10
4No tempo de Josias,
rei de Judá, o Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: 5«Antes
de te formar no ventre materno, Eu te escolhi antes que saísses do seio de tua
mãe, Eu te consagrei e te constituí profeta entre as
nações». 6Então eu disse: «Ah, Senhor Deus,
mas eu não sei falar, porque sou uma criança». 7O Senhor
respondeu-me: «Não digas: ‘Sou uma criança’, porque irás ao encontro daqueles a
quem Eu te enviar e dirás tudo quanto Eu te mandar dizer. 8Não
tenhas receio diante deles, porque Eu estou contigo,
para te salvar – diz o Senhor». 9Depois o Senhor estendeu a mão,
tocou-me na boca e disse-me: «Eu ponho as minhas palavras na tua boca. 10Hoje
dou-te poder sobre os povos e os reinos, para arrancar e destruir, para
arruinar e demolir, para edificar e plantar».
Não é casual a escolha desta leitura que relata a vocação do Profeta Jeremias. Foi escolhida pela alusão que se quer ver à santificação de João no ventre materno: «antes que saísses do seio da tua mãe, Eu te consagrei» (cf. Lc 1, 44).
6 «Mas eu não sei falar». É a reacção habitual do homem, quando se enfrenta com a vocação divina, a chamada a uma missão que exige a entrega de toda a vida a Deus para O servir numa missão que transcende a nossa limitação e franqueza. Mas a uma primeira reacção de medo segue-se uma certeza, segurança e serenidade que Deus infunde: «Eu estarei contigo! » (v. 8).
Salmo Responsorial Sl 70 (71),
1-2.3-4a.5-6ab.15ab e 17 (R. cf. 6b)
Monição: Durante toda a vida permaneçamos unidos ao
Senhor pois só com Ele nos sentiremos sempre felizes.
Refrão: Desde
o meu nascimento, sois a minha esperança.
Em Vós, Senhor, me
refugio,
jamais serei confundido.
Pela vossa justiça,
defendei-me e salvai-me,
prestai ouvidos e libertai-me.
Sede para mim um
refúgio seguro,
a fortaleza da minha salvação.
Vós sois a minha
defesa e o meu refúgio,
meu Deus, salvai-me do pecador.
Sois Vós, Senhor, a
minha esperança,
a minha confiança desde a juventude.
Desde o nascimento Vós
me sustentais,
desde o seio materno sois o meu protector.
A minha boca
proclamará a vossa justiça,
dia após dia a vossa infinita salvação.
Desde a juventude Vós
me ensinais
e até hoje anunciei sempre os vossos
prodígios.
Segunda Leitura
Monição: S. João Baptista teve a sorte de ver a Jesus
Salvador. Nós não O vemos mas continuamos a tê-l’O presente na Sua Palavra.
1 São Pedro 1, 8-12
Caríssimos: 8Vós
amais Cristo Jesus sem O terdes visto, acreditais n’Ele sem O verdes ainda.
Isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa, 9porque conseguis o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas. 10Esta
salvação foi objecto das investigações e meditações dos Profetas que
predisseram a graça a vós destinada. 11Procuraram descobrir a que
tempos e circunstâncias se referia o Espírito de
Cristo que estava neles, quando predizia os sofrimentos de Cristo e as glórias
que se lhes haviam de seguir. 12Foi-lhes revelado que não era para
eles, mas para vós, que no seu ministério transmitiam essa mensagem. É essa
mensagem que agora vos anunciam aqueles que, movidos pelo Espírito Santo
enviado do Céu, vos pregam o Evangelho, a qual os
próprios Anjos desejam contemplar.
8-9 «Vós amais Cristo Jesus... acreditais nele... » Estes cristãos da Ásia Menor a quem S. Pedro se dirige, como também nós, já não conheceram Jesus na sua vida mortal, mas exactamente como nós hoje e os cristãos de todos os tempos acreditavam em Jesus Cristo e amavam apaixonadamente a sua pessoa adorável como alguém que está vivo e actuante, enchendo-nos daquela alegria inefável que procede de sabermos que a nossa fé vai desembocar na visão da glória, o fim da nossa fé, a salvação das nossas almas.
10 «Os profetas», mais provavelmente os do Antigo Testamento.
12 Os Anjos, ao tomarem conhecimento do plano de salvação da humanidade, extasiam-se a contemplá-lo com atenção na vida da igreja (cf. Ef 3, 10).
Aclamação ao
Evangelho cf.
Jo 1, 7 / Lc 1, 17
Monição: Que os pais não se cansem de pedir ao Senhor
bênçãos para os seus filhos como Zacarias e Isabel!
Aleluia
Cântico: S. Marques, NRMS 73-74
Ele veio para dar
testemunho da luz
e preparar o povo para a vinda do Senhor.
Evangelho
São Lucas 1, 5-17
5Nos dias de Herodes,
rei da Judeia, vivia um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias, cuja esposa era descendente de Aarão
e se chamava Isabel. 6Eram ambos justos aos olhos de Deus e cumpriam
irrepreensivelmente todos os mandamentos e leis do Senhor. 7Não
tinham filhos, porque Isabel era estéril e os dois eram de idade avançada. 8Quando
Zacarias exercia as funções sacerdotais diante de Deus, no turno da sua classe,
9coube-lhe em sorte, segundo o costume sacerdotal, entrar no
Santuário do Senhor para oferecer o incenso. 10Toda a assembleia do
povo, durante a oblação do incenso, estava cá fora em oração. 11Apareceu-lhe
então o Anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. 12Ao
vê-lo, Zacarias ficou perturbado e encheu-se de temor. 13Mas o Anjo
disse-lhe: «Não temas, Zacarias, porque a tua súplica foi atendida. Isabel, tua
esposa, dar-te-á um filho, ao qual porás o nome de João. 14Será para
ti motivo de grande alegria e muitos hão-de alegrar-se
com o seu nascimento, 15porque será grande aos olhos do Senhor. Não
beberá vinho nem bebida alcoólica será cheio do
Espírito Santo desde o seio materno 16e reconduzirá muitos dos
filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. 17Irá à frente do Senhor, com
o espírito e o poder de Elias, para fazer voltar os corações dos pais a seus
filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, a fim de preparar um povo para o
Senhor».
A leitura corresponde ao início do chamado Evangelho da Infância de Lucas. O teólogo genial que é S. Lucas, não prescinde do seu génio de historiador e começa por situar na História o acontecimento: «Nos dias de Herodes, rei da Judeia» (v. 5). «Zacarias», era um nome corrente entre judeus, que significa «Yahwéh recordou-se «. Isabel, Elixabet, era o nome da mulher de Aarão (Êx 6, 23) e significa «Deus é a plenitude», ou «Deus jurou». Zacarias pertencia à turma de Abias, isto é, ao oitavo turno semanal ao serviço do Templo (cf. 1 Par 24, 10). Segundo conta o historiador Flávio José, os 24 turnos semanais estavam em pleno funcionamento nesta data.
6 «Ambos justos aos olhos de Deus». A sua santidade não era meramente externa e legal. Justo equivale a fiel cumpridor de toda a vontade de Deus, pessoa que ajusta todo o seu pensar e actuar à lei do Senhor. Então, como hoje, é de pais justos e santos que procedem os grandes homens, os grandes santos.
9-10 «Para oferecer o incenso». Um sacrifício que se repetia duas vezes ao dia e às 3 horas da tarde. O sacerdote eleito desta vez foi Zacarias, talvez a única vez na vida que lhe coube tamanha honra, segundo as instruções de Mixná. Então pôde penetrar no Santuário, na primeira câmara chamada «o Santo», onde se encontravam os 12 pães da proposição que representavam as 12 tribos de Israel na presença do Senhor, bem como o candelabro de 7 braços, a menoráh. Zacarias, totalmente só e no máximo recolhimento, ao sinal da trombeta, tinha de deitar incenso sobre as brasas que estavam sobre o pequeno altar de oiro, enquanto o povo espalhado pelos átrios, o dos israelitas e o das mulheres, fazia subir as suas preces até Deus: a nuvem do fumo do incenso que se erguia do altar dos perfumes era a imagem bem expressiva da oração, segundo as palavras do Salmo 141(140), 2. A afluência dos fiéis costumava ser grande, a fim de rezar neste preciso momento, sobretudo na oferenda da tarde.
14-17 «Terás alegria…» Logo a seguir são apontados os motivos de tamanha alegria: a grandeza e santidade excepcionais do filho (v. 15), cheio de Espírito Santo (santificado no ventre materno, segundo a exegese habitual, ou dotado do carisma profético): será instrumento para a salvação de muitos (v. 16): preparará a vinda do Messias (v. 17). É interessante notar como o Evangelista, apesar de saber que João preparou a vinda de Jesus, o Messias, não instrumentaliza um relato que se move num ambiente e perspectiva «pré-cristã» e numa linguagem vétero-testamentária; é mais um indício da fidelidade de Lucas às suas fontes (aqui talvez um relato de família, conservado em círculos afectos ao Baptista). É por isso que não diz: «irá à frente do Messias» (como seria de esperar), mas «irá à frente de Yahwéh».
Sugestões para a
homilia
( ver Missa do Dia)
Oração Universal
(
ver Missa do Dia)
Liturgia
Eucarística
Cântico
do ofertório: Em redor do teu altar, M. Carneiro,
NRMS 42
Oração
sobre as oblatas: Olhai com
bondade, Senhor, para as ofertas que o vosso povo Vos apresenta na solenidade
de São João Baptista e fazei que a nossa vida dê testemunho dos santos
mistérios que celebramos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é
Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Prefácio próprio, como
na Missa seguinte: p. 873
Santo: F. da Silva, NRMS 38
Monição da Comunhão
«Eis o Cordeiro de
Deus...» (Jo 1,29) – palavras proferidas por
S. João Baptista e que o Celebrante repete sempre antes da Sagrada Comunhão.
Embora não sejamos dignos, o Senhor quer vir até nós para nos salvar. Façamos
tudo o que estiver ao nosso alcance para merecer a Salvação.
Cântico
da Comunhão: Bendito seja Deus que nos escolheu,
Az. Oliveira, NRMS 63
Lc 1, 16
Antífona
da comunhão: Bendito seja o
Senhor, Deus de Israel, que visitou e redimiu o seu povo.
Oração
depois da comunhão: Senhor, que
nos alimentastes neste banquete sagrado, fazei que a poderosa intercessão de
São João Baptista, que anunciou o Cordeiro que vinha tirar o pecado do mundo,
nos alcance do vosso Filho o perdão e a paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo,
vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Ritos Finais
Monição final
Talvez
lá fora o barulho contraste com o silêncio que aqui se fez sentir, celebrando
S. João Baptista. É normal. As pessoas querem esquecer as preocupações da vida
com a diversão. Mas não esqueçamos que a verdadeira alegria só se encontra no
Senhor Jesus.
Cântico
final: Exultai de alegria no Senhor, F. da
Silva, NRMS 87
Celebração e Homilia: Aurélio Araújo Ribeiro
Nota Exegética: Geraldo Morujão
Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha