14º Domingo Comum
9 de Julho de 2006
RITOS INICIAIS
Cântico
de entrada: Recordamos, Senhor, a vossa misericórdia,
J. Santos, NRMS 88
Salmo 47, 10-11
Antífona
de entrada: Recordamos, Senhor,
a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Toda a terra proclama o louvor do
vosso nome, porque sois justo e santo, Senhor nosso Deus.
Introdução ao
espírito da Celebração
Deus usa a fraqueza
dos humildes para manifestar a Sua força. Jesus assume a condição dos fracos,
dos pobres, dos que não contam na sociedade e aceita os resultados: ser
desprezado e humilhado na Sua própria Terra.
Oração
colecta: Deus de bondade
infinita, que, pela humilhação do vosso Filho, levantastes o mundo decaído, dai
aos vossos fiéis uma santa alegria, para que, livres da escravidão do pecado,
possam chegar à felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,
que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Liturgia da
Palavra
Primeira Leitura
Monição: Na palavra de Deus há Verdade e eficácia que
exigem humildade para os que a anunciam e acolhem.
Ezequiel 2, 2-5
Naqueles dias, 2o
Espírito entrou em mim e fez-me levantar. Ouvi então Alguém que me dizia: 3«Filho
do homem, Eu te envio aos filhos de Israel, a um povo rebelde que se revoltou
contra Mim. Eles e seus pais ofenderam-Me até ao dia
de hoje. 4É a esses filhos de cabeça dura e coração obstinado que te
envio, para lhes dizeres: ‘Eis o que diz o Senhor’. 5Podem escutar-te
ou não – porque são uma casa de rebeldes –, mas saberão que há um profeta no
meio deles».
A leitura refere a vocação e a missão do profeta Ezequiel, no exílio de Babilónia. É impressionante o contraste entre grandeza da glória do Senhor antes descrita gongoricamente no capítulo 1º e a debilidade do seu profeta; é Deus que lhe dá força e o anima a dirigir-se a «um povo de cabeça dura».
3 «Filho de homem». Esta expressão, com que repetidamente é designado o profeta, põe em contraste a pouquidão humana com a grandeza divina. Quase só em Ezequiel aparece este título. Jesus assumirá este título para designar a aparência humilde com que se revela; a expressão era uma forma discreta de se referir a si (um asteísmo), equivalente a este homem; mas, em parte, a expressão era também um título glorioso (cf. Dan 7, 13). De qualquer modo, é um título exclusivamente usado pelo próprio Jesus, pois mais ninguém assim O chama.
Salmo Responsorial Sl 122 (123),
1-2a.2bcd.3-4 (R. 2cd)
Refrão: Os
nossos olhos estão postos no Senhor,
até que Se compadeça de
nós.
Levanto os meus olhos
para Vós,
para Vós que habitais no Céu,
como os olhos do servo
se fixam nas mãos do seu senhor.
Como os olhos da serva
se fixam nas mãos da sua senhora,
assim os nossos olhos se voltam para o Senhor
nosso Deus,
até que tenha piedade de nós.
Piedade, Senhor, tende
piedade de nós,
porque estamos saturados de desprezo.
A nossa alma está
saturada do sarcasmo dos arrogantes
e do desprezo dos soberbos.
Segunda Leitura
Monição: Conhecemos a existência da soberba que se
combate com a humildade; perdoar as injúrias, sofrer com paciência as fraquezas
do nosso próximo são misericórdias que nos atraem misericórdia.
2 Coríntios 12,
7-10
Irmãos: 7Para
que a grandeza das revelações não me ensoberbeça, foi-me deixado um espinho na
carne, – um anjo de Satanás que me esbofeteia – para que não me orgulhe. 8Por
três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim. 9Mas
Ele disse-me: «Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se manifesta
todo o meu poder». Por isso, de boa vontade me gloriarei das minhas fraquezas,
para que habite em mim o poder de Cristo. 10Alegro-me nas minhas
fraquezas, nas afrontas, nas adversidades, nas perseguições e nas angústias
sofridas por amor de Cristo, porque, quando sou fraco, então é que sou forte.
A leitura é tirada da 3.ª parte de 2 Cor, em que S. Paulo entra em polémica com os que pretendiam desautorizá-lo. Não receia mesmo apelar para «revelações» extraordinárias (12, 1-6). O texto é rico de ensinamentos para a vida cristã: a humildade, a confiança no poder da graça de Deus e a necessidade da oração. «Um espinho na carne»: a natureza deste espinho é muito discutida. Parece menos provável que se trate de tentações violentas ou de angustiantes preocupações pastorais. É mais provável que se trate de alguma doença que o afligia (paludismo, doença nervosa, doença nos olhos, sendo esta última explicação a mais seguida, a partir dos elementos deduzidos de Act 9, 8-9.18; 23, 5; Gal 4, 15; 6, 11.
Aclamação ao
Evangelho cf.
Lc 4, 18
Monição: Acompanhar Jesus, ouvi-Lo
e admirá-Lo é amor e acto de fé na Sua palavra.
Aleluia
Cântico: M. Faria, NRMS 16
O Espírito do Senhor
está sobre mim:
Ele me enviou a
anunciar o Evangelho aos pobres.
Evangelho
São Marcos 6, 1-6
Naquele tempo, 1Jesus
dirigiu-Se à sua terra e os discípulos acompanharam-n’O. 2Quando chegou o sábado,
começou a ensinar na sinagoga. Os numerosos ouvintes estavam admirados e
diziam: «De onde Lhe vem tudo isto? Que sabedoria é esta que Lhe foi dada e os
prodigiosos milagres feitos por suas mãos? 3Não é Ele o carpinteiro,
Filho de Maria, e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E não estão as
suas irmãs aqui entre nós?» E ficavam perplexos a seu respeito. 4Jesus
disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus parentes e
em sua casa». 5E não podia ali fazer qualquer milagre; apenas curou
alguns doentes, impondo-lhes as mãos. 6Estava admirado com a falta
de fé daquela gente. E percorria as aldeias dos arredores, ensinando.
Por este episódio fica claro que Jesus, embora socialmente aparecesse como um mestre entre tantos, Ele não o era como os restantes, pois não tinha o curriculum de mestre, por isso não vêem nele mais do que um simples carpinteiro, alguém que vivera em tudo uma vida igual à dos seus conterrâneos. «Tiago e José» eram primos de Jesus, filhos duma outra Maria, como se diz em Mt 27, 57 (cf. Mc 15, 47); irmão era uma forma de designar todos os familiares.
3 «O filho de Maria». Alguns deduzem daqui que S. José já tinha morrido, o que é mais do que provável; com efeito, em todas as passagens onde se fala de parentes de Jesus, nunca se nomeia S. José. Há porém aqui um pormenor curioso: nos lugares paralelos de Mateus e Lucas, Jesus é chamado «filho do carpinteiro» (Mt 13, 55) e «filho de José» (Lc 4, 22). No entanto, não são os Evangelistas a designá-lo assim, mas os ouvintes do Senhor. Mateus e Lucas, que já tinham deixado clara a virgindade de Maria, nos episódios da infância de Jesus, não têm receio de recolher a designação corrente de «filho de José». S. Marcos, que não tinha referido ainda a virgindade da Mãe de Jesus, evita cuidadosamente a designação de «filho de José», para que os seus leitores não venham a confundir as coisas. É pois destituído de fundamento afirmar que S. Marcos ignorava a virgindade de Maria.
Sugestões para a
homilia
1.
– Sempre houve
pessoas deslocadas por convicção, por imposição; necessidades familiares,
económicas, liberdade, cativeiro, arrastam à humilhação, à lembrança de outros
tempos, fazem memorizar ilusões. Assim o povo de Deus recorda a esperança viva
da glória de Jerusalém com sua soberania e saudades do Templo.
– Israel no exílio
lembra os velhos pecados contra a Aliança e Ezequiel chama-os à conversão.
A fidelidade ao
Espírito exige conversão e reforma pessoal. Há apego, por vezes, a tradições e
a instalações na vida. Importa pensar nos obstáculos que pomos aos caminhos de
Deus.
2.
– Deus oferece-Se, não se afirma, é sempre um Dom, não se
confunde. Nós somos uns, Ele é outro, diferente de nós. Diferenças entre o
Santo e os pecadores. Cabe-nos a prática da docilidade, observarmos o
antagonismo entre a graça e o pecado.
– S. Paulo, pensando
na comunidade de Corinto e nas teimosias que observa, resolve encará-la com
sentimentos de Deus, apresentando-se débil nas suas: fraquezas, afrontas, adversidades, perseguições e angústias.
Com esta situação
damos lugar à graça e quando nos sentimos fracos caminhamos para a fortaleza,
com base na humildade.
3.
– A bondade e o poder
de Deus revelam planos, pensamentos e sentimentos diferentes dos dos homens. Os povos aspiram a uma vida, à sua medida, que
satisfaça os seus desejos e esquecem os planos da fé. Um messias
humilde e conterrâneo, reconhecido pela família e pelo trabalho, suja Sabedoria
não compreendem, indispõe-nos.
– Façamos reflexão
sobre as nossas incredulidades; continua a admiração com a falta de fé de muita
gente; a fé num Deus que vem como Dom não pode ser trocada por esquemas,
instalações, prestígios, gostos pessoais e apegos a lugares adquiridos.
É necessário: saber
pregar e anunciar a verdade, saber ouvir o Evangelho e os instrumentos da
mensagem de Deus. Amar Deus é ser especialista do bem.
Oração Universal
Irmãos:
Deus volta-se,
sempre, para o homem pobre e pecador;
Invoquemo-lo com fé,
Por Jesus Cristo, que
aceitou a fraqueza humana.
1. Pela Igreja, para que não tema as humilhações
exigidas pelo anúncio de Evangelho.
2. Pelo Papa, Bispos e demais servidores do Reino
de Deus,
para que, À maneira de Cristo,
a
quem chamaram «o Filho do Carpinteiro»,
não procurem prestígios humanos.
3. Pelos governos das nações, para que,
gerados pela sabedoria divina,
saibam estar com os humildes, no
exercício da sua castidade.
4. Por todos nós, aqui reunidos,
para que à imitação de Jesus Cristo,
aceitemos os incómodos exigidos pela nossa fé.
5. Pela nossa comunidade,
para que não cometa o pecado de rejeitar a condição humilde
dos que transmitem a sabedoria da Palavra de Deus.
Ouvi Senhor, as
nossas súplicas, para que nos libertemos de todas as escravidões do orgulho.
Por Nosso Senhor
Jesus Cristo, Vosso Filho na Unidade do Espírito Santo.
Liturgia
Eucarística
Cântico
do ofertório: Senhor, nós vos oferecemos, B.
Salgado, NRMS 5 (II)
Oração
sobre as oblatas: Fazei, Senhor,
que a oblação consagrada ao vosso nome nos purifique e nos conduza, dia após
dia, a viver mais intensamente a vida da graça. Por Nosso Senhor Jesus Cristo,
vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Santo: A. Cartageno,
Suplemento ao CT
Monição da Comunhão
Fomos baptizados para
vivermos como filhos de Deus; a Eucaristia, comunhão com Ele, ajuda-nos a viver
em pleno essa filiação.
Cântico
da Comunhão: O Espírito de Deus repousou, Az.
Oliveira, NRMS 58
Salmo 33, 9
Antífona
da comunhão: Saboreai e vede
como o Senhor é bom, feliz o homem que n'Ele se
refugia.
ou
Mt 11, 28
Vinde a Mim, todos vós
que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei, diz o Senhor.
Cântico
de acção de graças: Pelo pão do Teu amor, H. Faria,
NRMS 2 (II)
Oração
depois da comunhão: Senhor, que
nos saciastes com estes dons tão excelentes, fazei que alcancemos os benefícios
da salvação e nunca cessemos de cantar os vossos louvores. Por Nosso Senhor
Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Ritos Finais
Monição final
Partamos com o desejo
de seguir o caminho de Cristo, humilhado e sem ambições de prestígio.
Cântico
final: Vamos caminhando alegremente, F. da
Silva, NRMS 1 (II)
Homilias Feriais
14ª SEMANA
2ª feira, 10-VII: O amor de Deus pelo seu povo.
Os. 2, 26-28. 21-22 / Mt.
9, 18-26
Farei
de ti minha esposa para sempre, desposar-te-ei segundo a justiça e o direito,
por amor e misericórdia.
«Deus ama o seu povo, mais que um esposo a sua
bem amada; este amor vencerá mesmo as piores infidelidades; e chegará ao mais
precioso dos seus dons: ‘Deus amou de tal modo o mundo, que lhe entregou o seu
Filho único’» (CIC, 219).
O amor de Deus leva também à cura de doenças. Estas mesmas curas são
um sinal de que Deus visitou o seu povo. Ele veio curar o homem na sua
totalidade, alma e corpo; é o Médico de que todos os doentes precisam. A quem
d’Ele com fé se aproximar recebe um dom (cf. Ev.).
3ª feira, 11-VII: S. Bento: A reconstrução das raízes cristãs
da Europa.
Prov. 2, 1-9 /
Mt. 19, 27-29
E todo
aquele que tiver deixado casa, irmãos… por causa do meu nome, receberá cem
vezes mais e terá como herança a vida eterna.
S. Bento contribuiu enormemente para a implantação das raízes cristãs nos países que hoje constituem a Europa. Por isso
foi nomeado padroeiro da Europa por Paulo VI em 1964.
Ouviu o chamamento do
Senhor e deixou tudo por causa d’Ele
(cf. Ev.) e nós recebemos uma esplêndida herança. Recebeu do Senhor a sabedoria,
o saber e a razão (cf. Leit.). Para reconstruirmos as
raízes cristãs no nosso país recorramos à protecção de Deus e sejamos fiéis à
nossa vocação: «Ele guarda os caminhos dos que lhe são fiéis» (Leit.).
4ª feira, 12-VII: Vocação e missão dos leigos.
Os. 10, 1-3. 7-8. 12 / Mt.
10, 1-7
(Jesus)
deu-lhes autoridade sobre os espíritos impuros, com poder de os expulsarem e de
curarem todas as doenças…
Jesus chamou os Doze,
conferiu-lhes alguns poderes e enviou-os
em missão (cf. Ev.).
Os leigos têm como vocação própria ocupar-se das realidades
temporais e ordená-las segundo Deus (cf. CIC, 898). Compete-lhes semear segundo
a justiça, arrotear novas terras e procurar o Senhor (cf. Leit.).
Compete-lhes ter iniciativas para a
transformação das realidades terrenas: «A iniciativa dos fiéis leigos é
particularmente necessária quando se trata de descobrir, de inventar meios para
impregnar, com as exigências da doutrina e da vida cristã, as realidades
sociais, políticas e económicas» (CIC, 899).
5ª feira, 13-VII: S. Henrique: Manifestações de amor do Pai.
Os. 11, 1-4. 8-9 / Mt.
10, 7-15
Ainda
Israel estava na infância e já eu o amava, e a ele, meu filho, chamei-o para
que saísse do Egipto.
«O amor de Deus para com Israel é comparado
ao amor de um pai para com o seu filho. Este amor é mais forte que o de uma mãe
para com os seus filhos» (CIC, 219).
É este amor que leva
Deus a perdoar as nossas ofensas: «È
que eu sou Deus, e não homem. O Santo que está no meio de vós» (Leit.). E também a ter
compaixão por todos os enfermos: «Curai os enfermos, ressuscitai os mortos,
sarai os leprosos, expulsai os demónios» (Ev.). S. Henrique, levado pelo seu amor a
Deus, contribuiu muito para a reforma da Igreja na Baviera.
6ª feira, 14-VII: S. Camilo de Lélis:
confiança nas promessas de Deus.
Os. 14, 2-10 / Mt.
10, 16-23
Quando
vos entregarem, não vos inquieteis com a maneira de falar… O Espírito do vosso
Pai é que falará em vós.
Deus é fiel e nunca nos abandonará. Devemos, portanto, ter toda a confiança nas suas promessas. Só com fé
poderemos agradar a Deus e, para alcançarmos a vida eterna, devemos perseverar
até ao fim: «quem permanecer firme até ao fim é que há-de salvar-se» ( Ev.).
Se alguma vez
falhamos, podemos sempre voltar de novo com
arrependimento: «hei-de curar-lhes a rebeldia, amá-los-ei generosamente,
pois a minha indignação vai desviar-se deles» (Leit.).
Quem serve os irmãos, como fez S. Camilo
de Lélis, ao dedicar-se à atenção dos doentes,
recebe igualmente a vida eterna (cf. Oração).
Sábado, 15-VII: S.
Boaventura: Como conseguir o abandono filial.
Is. 6, 1-8 / Mt. 10, 24-33
Até os
cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, portanto: valeis mais
do que muitos passarinhos.
Jesus pede-nos um abandono filial à Providência do Pai
celeste, que cuida das mais pequenas necessidades dos seus filhos (cf. Ev.).
Este abandono
adquire-se através do diálogo com
Deus, como aconteceu com o profeta Isaías (cf. Leit.).
Estava inquieto, foi purificado, manifestou disponibilidade plena para o
serviço do Senhor. S. Boaventura
aprendeu todas as lições para a sua vida pela simples contemplação do crucifixo. Nele encontrava luz e força para todas
as missões que o Senhor lhe confiou.
Celebração e Homilia: Ferreira
de Sousa
Nota Exegética: Geraldo Morujão
Homilias Feriais: Nuno Romão
Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha