15º Domingo Comum

16 de Julho de 2006

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Adorai o Senhor no seu templo, M. Carneiro, NRMS 98

cf. Salmo 16, 15

Antífona de entrada: Eu venho, Senhor, à vossa presença: ficarei saciado ao contemplar a vossa glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Encontramo-nos com Jesus cada Domingo, na Eucaristia. Junto d’Ele carregamos baterias, enchemo-nos da Sua graça e retomamos o entusiasmo para realizarmos a tarefa maravilhosa que Deus nos confiou: a de sermos santos.

Olhando para as nossas faltas não desanimamos. Pedimos perdão. Vamos fazê-lo mais uma vez, ao começar este encontro com o Senhor.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que mostrais aos errantes a luz da vossa verdade para poderem voltar ao bom caminho, concedei a quantos se declaram cristãos que, rejeitando tudo o que é indigno deste nome, sigam fielmente as exigências da sua fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Amós tem de profetizar no reino de Israel. Não o querem escutar, sobretudo os grandes do povo. E nós? Como ouvimos os mensageiros de Deus?

 

Amós 7, 12-15

Naqueles dias, 12Amasias, sacerdote de Betel, disse a Amós: «Vai-te daqui, vidente. Foge para a terra de Judá. Aí ganharás o pão com as tuas profecias. 13Mas não continues a profetizar aqui em Betel, que é o santuário real, o templo do reino». 14Amós respondeu a Amasias: «Eu não era profeta, nem filho de profeta. Era pastor de gado e cultivava sicómoros. 15Foi o Senhor que me tirou da guarda do rebanho e me disse: ‘Vai profetizar ao meu povo de Israel’».

 

A leitura é tirada da 3ª parte do livro de Amós, «o ciclo das visões proféticas» (7, 1 – 9, 10). A visão do fio-de-prumo (7, 6-9) tinha denunciado a falta de rectidão e corrupção que grassava no Reino do Norte, que se encontrava como uma parede desaprumada, a ameaçar ruína iminente. O sacerdote Amasias, apaniguado do rei Joroboão II, vê no profeta uma ameaça para a sua privilegiada situação e por isso previne o rei contra o profeta que anunciava a sua morte e a destruição do Reino do Norte (vv. 10-11) e dá ordens a Amós para que se retire para o Reino de Judá (vv. 12-13), chamando-lhe «vidente», um outro nome dado aos profetas. Amós confessa que era um simples trabalhador, mas que Deus inesperadamente o chamou e enviou a profetizar (vv. 14-15): «Eu não era profeta nem filho de profeta». Temos aqui a única alusão à sua vocação. Este texto deixa ver a genuinidade do carisma profético de Amós, que não era um mero elemento dum grupo profético, ou um profeta profissional ou cortesão, ao serviço dos homens.

 

Salmo Responsorial      Sl 84 (85), 9ab-10.11-12.13-14 (R. 8)

 

Monição: O salmo fala da salvação e da paz para aqueles que se convertem ao Senhor. Só Ele pode trazer a paz ao coração dos homens.

 

Refrão:         Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor

                      e dai-nos a vossa salvação.

 

Ou:                Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis

e a quantos de coração a Ele se convertem.

A sua salvação está perto dos que O temem

e a sua glória habitará na nossa terra.

 

Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,

abraçaram-se a paz e a justiça.

A fidelidade vai germinar da terra

e a justiça descerá do Céu.

 

O Senhor dará ainda o que é bom,

e a nossa terra produzirá os seus frutos.

A justiça caminhará à sua frente

e a paz seguirá os seus passos.

 

Segunda Leitura *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Monição: É uma página muito bela esta da Carta aos Efésios. Fala do plano maravilhoso de Deus para cada um de nós. Ouçamos com atenção.

 

Forma longa: Efésios 1, 3-14                               Forma breve: Efésios 1, 3-10

3Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. 4N’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença. 5Ele nos predestinou, de sua livre vontade, para sermos seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo, 6para que fosse enaltecida a glória da sua graça, com a qual nos favoreceu em seu amado Filho. 7N’Ele, pelo seu sangue, temos a redenção, a remissão dos pecados. Segundo a riqueza da sua graça, 8que Ele nos concedeu em abundância, com plena sabedoria e inteligência, 9deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade: segundo o beneplácito que n’Ele de antemão estabelecera, 10para se realizar na plenitude dos tempos: instaurar todas as coisas em Cristo, tudo o que há nos Céus e na terra.

[11Em Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios d’Aquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade, 12para servir à celebração da sua glória, nós que desde o começo esperámos em Cristo. 13Foi n’Ele que vós também, depois de ouvirdes a palavra da verdade, o Evangelho da vossa salvação, abraçastes a fé e fostes marcados pelo Espírito Santo prometido, 14que é o penhor da nossa herança, para a redenção do povo que Deus adquiriu para louvor da sua glória.]

 

Este início da epístola aos Efésios de que é extraída a leitura tem o aspecto de um hino litúrgico e é uma das mais ricas sínteses doutrinais paulinas. A primeira parte (vv. 3-10), exalta as bênçãos que encerra o projecto divino de salvação em Cristo, por isso é chamada o benedictus paulino. Assim se exprime Bento XVI: «Cada semana, a Liturgia das Vésperas apresenta à oração da Igreja o solene hino de abertura da Carta aos Efésios… Pertence ao género das berakot’, ou seja, as ‘bênçãos’, que já aparecem no A. T. e que terão uma ulterior difusão na tradição judaica. Trata-se, portanto, de uma constante cadeia de louvor elevada a Deus, que na fé cristã é celebrado como ‘Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo’» (Audiência geral de 23-XI-2005).

3 «Em Cristo». Toda a graça – «bênçãos espirituais» – que Deus concede ao homem, após o pecado, é concedida pela mediação de Cristo e através da união com Ele.

4-5 «Santos». «Filhos». O objectivo desta eleição eterna de Deus é «sermos santos», isto é, destacados do profano e pecaminoso para servir ao culto e glória divina: «diante d’Ele», isto é, na presença de Deus. Estamos chamados a estar sempre diante de Deus para O glorificar a partir de tudo o que fazemos, dizemos ou pensamos, como ensina o Concílio Vaticano II: «Todos os cristãos são, pois, chamados e devem tender à santidade e perfeição do próprio estado» (LG 42). A santidade está em sermos «participantes da natureza divina» (2 Pe 1, 4; Rom 12, 1), sendo filhos de Deus e vivendo como tais, imitando a Cristo, o Filho de Deus por natureza (cf. Rom 8, 15-29; Gal 4, 5-7; 1 Jo 3, 1-3). A expressão «santos e irrepreensíveis» faz pensar nas vítimas oferecidas a Deus no Antigo Testamento (cf. Lv 20, 20-22), insinuando-se assim o carácter oblativo e sacrificial de toda a vida do cristão (cf. 1 Pe 2, 5), bem como a perfeição que devemos pôr em tudo o que fazemos, e não se trata duma pureza meramente exterior e ritual, mas de um culto em espírito e verdade (cf. Jo 4, 23), «na sua presença» (de Deus) «que examina os rins e o coração» (Salm 7, 10), isto é, que perscruta o que há de mais íntimo no homem, a sua consciência, afectos e intenções.

7 «Pelo seu Sangue temos a Redenção». A salvação que Cristo nos traz não é uma mera libertação; é apresentada como um resgate, uma remissão dos pecados (cf. Col 1, 14), que custou o Sangue de Cristo, a sua vida oferecida em sacrifício pelos pecados (cf. Ef 1, 14; 1 Tes 5, 9; 1 Cor 6, 2; 7, 23; GaI 3, 13; 4, 5. 1 Pe 2, 9; 2 Pe 2, 1; Act 20, 28; Apoc 5, 9; 14, 3).

9 «O mistério da sua vontade» é o plano redentor que Deus tem guardado para salvar todos os homens: tendo permanecido oculto durante muito tempo, foi-nos revelado agora em Cristo (cf. Col 1, 26).

10 «Instaurar todas as coisas em Cristo», ou «Reunir sob a chefia de Cristo todas as coisas». O verbo grego «anakêfalaiôsasthai», é de significação bastante discutida. Assim a Vulgata, preferiu o sentido de «instaurare omnia in Christo», (tradução mantida na actual tradução litúrgica), decidindo-se pela ideia de restaurar todas as coisas, fazendo voltar ao princípio, à santidade original toda a Criação transtornada pelo pecado (assim, à partícula aná que entra na composição do verbo grego é dado um sentido iterativo). Porém outros, apoiando-se no elemento central da palavra, «kêfaláion» – «resumo», «ponto principal» –, traduzem por «concentrar ou reunir todas as coisas em Cristo», enquanto que Ele é o centro de convergência, o principio de unidade, ou o cume de toda a Criação. Finalmente, outros, atendendo ao contexto (v. 22; 4, 15; 5, 23; Col 1, 18; 2, 10.19), onde Cristo é apresentado como «Cabeça», em grego, «kêfalê», preferem traduzir por: «reunir sob a chefia de Cristo». Nesta linha parece estar a Neovulgata ao traduzir «recapitulare». Entretanto, parece-nos que o sentido literal não se fica somente no aspecto de fazer com que tudo tenha a Cristo por Cabeça, mas que visa também o aspecto de reunir. Também a tradução por «reunir sob a chefia de Cristo» não parece suficientemente expressiva. Com efeito, todos os seres criados estão desconjuntados e desunidos tanto entre si, como relativamente a Deus; pela Redenção de Cristo voltam a unir-se entre si e com Deus, em Cristo, ao unirem-se a Cristo e ao serem vivificados por Ele, constituído como cabeça de toda a Criação. A verdade é que este primado e capitalidade de Cristo por enquanto só é universal «de direito»; para que o seja «de facto» são os homens chamados a uma missão corredentora, esforçando-se por «pôr Cristo no cume de todas as actividades humanas, dando forma a tudo segundo o espírito de Jesus, colocando Cristo no âmago de todas as coisas» (S. Josemaria, Cristo que passa, n.º 105).

 

Aclamação ao Evangelho          cf. Ef 1, 17-18

 

Monição: Jesus envia os apóstolos a pregar o arrependimento. É através deles que continua a falar-nos. Vamos aclamar o Senhor, com desejo de ouvirmos com atenção o que nos diz.

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, ilumine os olhos do nosso coração,

para sabermos a que esperança fomos chamados.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 6, 7-13

Naquele tempo, 7Jesus chamou os doze Apóstolos e começou a enviá-los dois a dois. Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros 8e ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão: nem pão, nem alforge, nem dinheiro; 9que fossem calçados com sandálias, e não levassem duas túnicas. 10Disse-lhes também: «Quando entrardes em alguma casa, ficai nela até partirdes dali. 11E se não fordes recebidos em alguma localidade, se os habitantes não vos ouvirem, ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés como testemunho contra eles». 12Os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento, 13expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos.

 

Esta missão dos 12 é restrita aos judeus e vai ser uma espécie de estágio ou treino para a missão universal, após a Ressurreição (cf. Mc 16, 15). Entre as recomendações de Jesus sobressai a do desprendimento; com efeito, o pregador há-de pregar sobretudo com o exemplo da sua vida.

11 «Sacudi o pó... » Gesto habitual dos judeus ao entrarem na Terra Santa, para não a contaminarem com a terra dos gentios, que se tenha colado às sandálias. Com tal gesto mostrava-se aos que os não recebessem que os consideravam como gentios.

13 «Ungiam com óleo numerosos doentes». Aqui aparece insinuado o Sacramento da Unção dos Enfermos, que o Senhor terá instituído talvez mais adiante e que mais tarde foi recomendado e promulgado aos fiéis. na epístola de S. Tiago 5, 14 ss. 

 

Sugestões para a homilia

 

Escolheu-nos para ser santos

Pregaram o arrependimento

Instaurar todas as coisas em Cristo

Escolheu-nos para ser santos

Deus tem um plano maravilhoso para cada homem. Escolheu-nos desde toda a eternidade não só para existirmos, mas para sermos santos. Em Cristo «nos escolhe, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis na caridade, na Sua presença» (2.ª leit.)

A santidade não é para uns selectos. Não é apenas para os frades e freiras. É para todos os cristãos. O Concílio Vaticano II veio afirmá-lo claramente, para que ninguém tivesse dúvidas. «Todos os fiéis, seja qual for a sua condição ou estado, são chamados pelo Senhor à perfeição do Pai, cada um por seu caminho» (LG II).

S. Josemaria vinha lembrando esta verdade do Evangelho, trinta anos antes, desde 1928. Foi incompreendido e até rotulado de herege. Tinha instalado a mentalidade de que ser santo era privilégio daqueles que abandonavam o mundo para seguirem a vida de entrega total a Deus no convento. «Para amar a Deus e servi-Lo, não é preciso fazer coisas extravagantes – diz-nos ele. A todos os homens sem excepção, Cristo pede que sejam perfeitos como o Seu Pai Celeste é perfeito (Mt 5, 48). Na sua grande maioria, os homens, para serem santos, devem santificar o seu trabalho, santificar-se no seu trabalho e santificar os outros com o seu trabalho, encontrando assim Deus no caminho das suas vidas. (S. JOSEMARIA, Temas Actuais do Cristianismo, 55).

Têm de ser santos os religiosos, têm de ser santos os sacerdotes. E têm de ser santos os operários, as mães de família, os jovens e os idosos. Cada um no seu lugar, cumprindo fielmente a vontade de Deus. Nas várias ocupações e nas pequenas coisas de dia a dia. O trabalho não só não é obstáculo mas é a matéria da santidade.

É fundamental procurar as ajudas que Jesus nos oferece. Ele é fonte e o modelo da santidade. Temos de parecer-nos com Ele em toda a nossa vida. Deixou-nos o Espírito Santo que trabalha em nossa alma reproduzindo nela a imagem viva de Cristo.

João Paulo II beatificou e canonizou muitos santos, alguns deles já do nosso tempo. Ele próprio lutou deveras por ser santo. Por isso tantos cristãos pediram logo no dia do seu funeral que fosse canonizado sem demora.

Ao começar o terceiro milénio apontava ele o programa para toda a Igreja, lembrando que a meta para todos era a santidade.

Vale a pena que leiamos e meditemos esta página da Carta aos Efésios da segunda leitura de hoje.

Avivemos este desejo de ser santos, de não ficarmos nas meias tintas, de não nos contentarmos com ser cristãos medíocres e tíbios. O Apocalipse refere as palavras muito duras que o Senhor dirige aos que estão nesse estado: «Porque és morno e não és nem frio nem quente, vou vomitar-te da minha boca» (Ap 3, 16)

Conta-se de S. Tomás de Aquino que uma das sua Irmãs lhe perguntava o que era preciso para ser santa. E ele respondeu: – São precisa três coisas: – primeiro, querer; segundo, querer; terceiro, querer.

Deus quer. «Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação» (1 Tess 4, 3). Só falta do nosso lado a decisão séria de o conseguir, sem que nada nos faça desanimar.

Pregaram o arrependimento

Qual é o segredo para ser santos? Começar e recomeçar todos os dias, neste desejo de amar a Deus e de Lhe agradar em tudo o que fazemos.

Conta-se dum célebre conquistador mongol, Tamerlão, que estava na sua tenda desanimado depois de ter perdido uma batalha. Estava decidido a ir-se embora. Enquanto reflectia ia olhando para uma pequena formiga que subia pela parede da tenda. A cera altura por causa da gordura, escorregava e caía. Mas voltava a subir outra vez e voltava a cair. Até que conseguiu superar o obstáculo e chegar ao cimo. Tamerlão disse para consigo: Se a formiga conseguiu, eu também. E retomou os combates e venceu.

Falhamos muitas vezes cada dia. Teremos de recomeçar, fazendo o acto de contrição e confessando-nos com frequência. Para pedir perdão e receber a graça para lutar.

O Evangelho diz-nos que Jesus enviou os Seus Apóstolos a pregar. E eles proclamaram o arrependimento. Também as primeiras palavras da pregação de Jesus tinham sido essas: «arrependei-vos e acreditai no Evangelho» ( Mc 1, 15)

A vida do cristão tem de ser uma conversão contínua. Os santos foram santos não por terem defeitos, mas porque lutaram contra eles a vida toda. Foi assim que atingiram a meta da santidade.

Na primeira leitura vemos que Deus enviou o profeta Amós ao povo de Israel e que não quiseram ouvir os seus convites ao arrependimento. Por isso vieram as desgraças sobre aquele povo, que seria vencido pelos assírios e levado prisioneiro para Ninive.

Em determinadas épocas da História, quando os homens se desorientam e o mundo se cobre de pecado, Deus faz ouvir especiais convites à penitência. Para que os homens mudem de vida e envitem os castigos que pendem sobre a humanidade e que os próprios homens se encarregam de promover. Assim aconteceu com as aparições de Fátima e em especial a de treze de Julho.

Temos de estar atentos aos apelos de Nossa Senhora. Foram e continuam a ser avisos para o mundo tantas vezes afastado de Deus. São convites à emenda de vida, à oração, à confiança no Coração materno de Maria, que é sempre para os homens caminho seguro para Jesus e nos anima a uma luta perseverante pela santidade. Com Ela não desanimaremos.

Com Ela aprenderemos s empregar os meios: a oração, a confissão frequente, a comunhão bem preparada. Foi isso que veio lembrar quando pediu a devoção dos primeiros sábados.

Instaurar todas as coisas em Cristo

«Um segredo. – Um segredo em voz alta: estas crises mundiais são crises de santos.

– Deus quer um punhado de homens ‘seus’ em cada actividade humana.

Depois...pax Christi in regno Christi – a paz de Cristo no reino de Cristo» (S. JOSEMARIA, Caminho, 301).

Deus quer que sejamos santos e renovemos o mundo, «segundo o beneplácito que n’Ele de antemão estabelecera, para se realizar na plenitude dos tempos: instaurar todas as coisas em Cristo. (2.ªleit.). É essa a missão de todos os cristãos. Santidade e apostolado andam juntos.

A preocupação de aproximar de Cristo as almas é um sinal de que amamos a Deus, de que estamos convencidos que o único que vale a pena e nos torna felizes é seguir a Jesus e amá-Lo de verdade. É que o bem que temos de desejar aos outros e procurar comunicar-lhes é o amor a Cristo, único Caminho, verdade e vida (Jo 14, 6).

NA Sua Igreja continua a oferecer os meios de santidade. Todos os homens são chamados a fazer parte desta família de Deus, onde podem encontrar os recursos da graça para se identificarem com Cristo e transformarem o mundo segundo o plano de Deus.

A Igreja é santa porque Jesus, o Seu fundador e Cabeça é santo. Porque tem o Espírito Santo que lhes dá vida e a anima. Que santifica cada alma e renova constantemente a face da terra. Porque tem ao seu dispor os meios de santificação: a doutrina de Jesus, os sacramentos, os cuidados dos pastores que Jesus pôs à frente do Seu rebanho, para o guiar para as pastagens verdejantes, para as águas cristalinas.

Formada por pecadores Ela vai-os transformando em maravilhas da graça de Deus. Não só tem a multidão de santos que triunfam já no Céu e as almas que, no Purgatório, sofrem os últimos retoques de beleza. Continua a ser fábrica de santos cá na terra.

Que a Virgem ajude todos os cristãos e cada um de nós a desejar deveras corresponder ao plano maravilhoso de Deus, que nos escolheu antes de criar o mundo para algo de grande, ao alcance de todos em Cristo. Que não defraudemos o Seu amor.

 

 

Oração Universal

 

A Igreja é Família de Deus reunida à volta de Jesus.

Unidos a Ele, apresentemos ao Pai as nossas súplicas confiantes.

 

1.  Pela Santa Igreja de Deus, para que se renove,

pela graça, na esperança e no amor, em todos os seus filhos,

para serem no mundo fermento de renovação e santidade,

oremos ao Senhor.

 

2.  Pelo Santo Padre, para que o Senhor o encha de alegrias,

de fortaleza e sabedoria e todos escutem os seus ensinamentos,

oremos ao Senhor.

 

3.  Pelos bispos e sacerdotes,

para que se entreguem generosamente no serviço de Deus

e de todas as almas e sejam modelo de santidade para todos,

oremos ao Senhor.

 

4.  Pelos cristãos do mundo inteiro, para que lutem mais a sério pela santidade,

empregando com diligência os meios abundantes ao seu dispor,

oremos ao Senhor.

 

5.  Para que todos escutemos e vivamos os apelos da Nossa Senhora em Fátima,

convertendo-nos cada dia, lutando por amar a Jesus sempre mais

e rezando pela conversão de todos os homens,

oremos ao Senhor.

 

6.  Por todos os que andam afastados de Deus,

para que o Senhor lhes conceda a felicidade do Céu,

oremos ao Senhor.

 

Senhor, que nos chamastes à santidade em Cristo, Vosso Filho, aumentai em nós a fé e o amor,

para instaurar todas as coisas em Cristo e chegarmos todos à glória do Céu.

Por N.S.J.C. Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Trazemos ao Teu altar, F. da Silva, NRMS 55

 

Oração sobre as oblatas: Olhai, Senhor, para os dons da vossa Igreja em oração e concedei aos fiéis que os vão receber a graça de crescerem na santidade. Por Nosso Senhor.

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Jesus vem até nós na Eucaristia para nos encher da Sua graça e nos fazer santos, como Deus quer. Comungando bem transformamo-nos em Jesus.

 

Cântico da Comunhão: Se não comerdes a minha carne, F. da Silva, NRMS 48

Salmo 83, 4-5

Antífona da comunhão: As aves do céu encontram abrigo e as andorinhas um ninho para os seus filhos, junto dos vossos altares, Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus. Felizes os que moram em vossa casa e a toda a hora cantam os vossos louvores.

 

Ou

Jo 6, 57

Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim e Eu nele, diz o Senhor.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais à vossa mesa santa, humildemente Vos suplicamos: sempre que celebramos estes mistérios, aumentai em nós os frutos da salvação. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Jesus animou-nos nesta Missa na luta pela santidade, a que somos chamados. Disso depende a renovação do mundo à nossa volta.

 

Cântico final: Somos testemunhas, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

Homilias Feriais

 

15ª SEMANA

 

feira, 17-VII: S. Inácio de Azevedo e Companheiros: O seguimento de Cristo e a Cruz.

Is. 1, 10-17 / Mt. 10, 34- 11, 1

Quem não toma a sua cruz para me seguir, não é digno de mim.

Como o próprio Jesus afirma, devemos convencer-nos de que o mais importante da vida de um cristão é o seguimento de Cristo. Este seguimento exige uma conversão interior, pois não basta oferecer qualquer sacrifício: «de que me servem os vossos inúmeros sacrifícios?» (Leit.).

A conversão interior, realiza-se por uma revisão de vida, e pelo exame de consciência, que nos permite atalhar o mal e a aprender a fazer o bem (cf. Leit.). S. Inácio de Azevedo e seus Companheiros mártires iam para as missões no Brasil quando receberam a cruz do martírio.

 

feira, 18-VII: S. Bartolomeu dos Mártires: Graça de Deus e conversão.

Is. 7, 1-9 / Mt. 11, 20-24

Começou Jesus a censurar duramente as cidades em que se tinha realizado a maioria dos seus milagres, por não terem feito penitência.

Os habitantes destas cidades – Corazim, Betsaida e Cafarnaumnão corresponderam às graças recebidas de Deus. Embora Jesus não tenha vindo para julgar, mas para salvar, é possível, no entanto, recusar as suas graças nesta vida, o que provoca o endurecimento do coração humano. No entanto, Deus protege a cidade de Jerusalém dos ataques dos reis de Judá e da Síria (cf. Leit.).

Precisamos pedir ao Senhor um coração novo: convertei-nos, Senhor, e seremos convertidos. Deus é quem nos dá a graça de começarmos de novo (cf. CIC, 1432). Deste modo os nossos corações voltar-se-ão para Ele.

 

feira, 19-VII: Humildade e Revelação.

Is. 10, 5-7. 13-16 / Mt. 11, 25-27

Eu te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelastes aos pequeninos.

É aos humildes que Deus se revela (cf. Ev.). Os sábios e inteligentes, entregues a si próprios, não conseguem entender todos os caminhos da vida. Só Jesus pode dissipar-lhes as trevas e indicar-lhes o caminho. Para recebermos tudo o que Jesus nos revela precisamos ser muito humildes, porque nos apresenta novas dimensões (vida da graça, fé…) por nós desconhecidas.

Pelo contrário, o «Senhor do universo fará definhar os mais robustos da Assíria» (Leit.), isto é, os soberbos e orgulhosos, que não conseguiram entender os planos de Deus: «Mas a Assíria não pensava deste modo» (Leit.).

 

feira: 20-VII: S. Apolinário: A humilhação de Cristo na Cruz.

Is. 26, 7-9. 12. 16-19 / Mt. 11, 28-30

Tomai o meu jugo sobre vós e aprendei de mim, que eu sou manso e humilde de coração.

Jesus encarnou para ser o nosso modelo de santidade: «Aprendei de mim» (Ev.). De modo especial chama a atenção para a mansidão e a humildade, que estão incluídas nas bem-aventuranças, que são promessas que mantêm a esperança no meio das dificuldades.

Deus Pai revelou-nos a sua omnipotência na humilhação do seu Filho. Por isso, Cristo crucificado é ‘força de Deus e sabedoria de Deus’. Quando sofremos recorramos rapidamente a Deus: «como a mulher que está para ser mãe se contorce e grita com dores, assim estávamos diante de vós, Senhor» (Leit.).

 

feira, 21-VII: S. Lourenço de Brindes: Senhor do Sábado, da vida e da morte.

Is. 38, 1-6. 21-22. 7-8 / Mt. 12, 1-8

Olha que os teus discípulos estão a fazer o que não é permitido ao sábado… (Jesus): É que o Filho do Homem é senhor do sábado.

Jesus é o Senhor do Sábado (cf. Ev.) Mais tarde, seria este dia substituído pelo Domingo, dia da sua Ressurreição. Ele quis que reservássemos um dia da semana para louvor e serviço de Deus. O Domingo é um bom dia para pedirmos perdão a Deus pelas culpas cometidas na semana que passou e pedir graças e forças para os dias da semana que começa.

Também é Senhor da vida e da morte. Ezequias tinha os dias da vida contados mas chorou e recordou a Deus que se tinha portado bem. Deus resolveu acrescentar-lhe mais quinze anos de vida. S. Lourenço de Brindes consumiu a sua vida ao serviço de Deus e da Igreja, em vários países da Europa.

 

Sábado, 22-VII: S. Maria Madalena: Amor e perseverança na procura de Jesus.

Cant. 3, 1-4 / Jo. 20, 1. 11-18 (pp)

No primeiro dia da semana, Maria de Magdala foi de manhãzinha, ainda escuro, ao túmulo do Senhor.

Maria Madalena foi das primeiras pessoas a encontrar-se com o Ressuscitado e tornou-se numa das primeiras mensageiras da Ressurreição de Cristo (cf. Ev.).

Procuremos igualmente ir ao encontro do Senhor durante o nosso dia. Haverá momentos em que será mais difícil, mas Ele está sempre à nossa espera. Imitemos Maria Madalena no amor com que o procura: «Vistes aquele que o meu coração ama? Assim que os deixei para trás, encontrei aquele que o meu coração ama» (Leit.). Desejar encontrá-lo é sempre o princípio do amor.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino Correia R. Ferreira

Nota Exegética:             Geraldo Morujão

Homilias Feriais:            Nuno Romão

Sugestão Musical:                  Duarte Nuno Rocha

 


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