16º Domingo Comum
23 de Julho de 2006
RITOS INICIAIS
Cântico
de entrada: Cantemos ao Senhor, F. da Silva,
NRMS 22
Salmo 53, 6.8
Antífona
de entrada: Deus vem em meu
auxílio, o Senhor sustenta a minha vida. De todo o coração Vos oferecerei
sacrifícios, cantando a glória do vosso nome.
Introdução ao
espírito da Celebração
O tema deste Domingo
é-nos oferecido pelo Salmo responsorial: Jesus o Bom
Pastor cuida com solicitude do seu rebanho, defende-o dos perigos, alimenta-o
na mesa abundante da sua Palavra: faz-nos descansar na sua presença, enche-nos
de todos os bens!
Oração
colecta: Sede propício, Senhor,
aos vossos servos e multiplicai neles os dons da vossa graça, para que,
fervorosos na fé, esperança e caridade, perseverem na fiel observância dos
vossos mandamentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus
convosco na unidade do Espírito Santo.
Liturgia da
Palavra
Primeira Leitura
Monição: Deus, pela voz do profeta Jeremias,
repreende o comportamento dos maus pastores de Israel e promete um «rebento
justo», o Messias, que reunirá as ovelhas dispersas, oferecendo-lhes segurança,
paz e bem estar.
Jeremias 23, 1-6
Diz o Senhor: 1«Ai
dos pastores que perdem e dispersam as ovelhas do meu
rebanho!» 2Por isso, assim fala o Senhor,
Deus de Israel, aos pastores que apascentam o meu povo: «Dispersastes as minhas
ovelhas e as escorraçastes, sem terdes cuidado delas. Vou ocupar-Me
de vós e castigar-vos, pedir-vos contas das vossas más acções – oráculo do
Senhor. 3Eu mesmo reunirei o resto das minhas ovelhas de todas as
terras onde se dispersaram e as farei voltar às suas pastagens, para que
cresçam e se multipliquem. 4Dar-lhes-ei pastores que as apascentem e
não mais terão medo nem sobressalto; nem se perderá nenhuma delas – oráculo do
Senhor. 5Dias virão, diz o Senhor, em que farei surgir para David um
rebento justo. Será um verdadeiro rei e governará com sabedoria; há-de exercer
no país o direito e a justiça. 6Nos seus dias, Judá
será salvo e Israel viverá em segurança. Este será o seu nome: ‘O Senhor é a
nossa justiça’».
Jeremias, depois de ter anunciado o desterro (cap. 21 e 22), devido às infidelidades do povo e aos maus pastores, anuncia uma nova era, em que o próprio Deus tomará a seu cargo as suas ovelhas (vv. 2-3). «Dar-lhes-ei pastores» (v. 4) é a palavra de esperança de João Paulo II, a propósito das vocações sacerdotais, na célebre exortação apostólica com este mesmo título. O texto da leitura foi escolhido, tendo em conta as palavras de Jesus no Evangelho de hoje (Mc 6, 34): Jesus é realmente Yahwéh a conduzir as suas ovelhas, isto é, o seu Povo; Ele é o rebento de David (v. 5) assim também anunciado em Isaías 11, 1.
Salmo Responsorial Sl 22 (23),
1-3a.3b-4.5.6 (R. 1)
Monição: O salmo de hoje exprime alegria dos crentes,
cantando a bondade de Deus. Confiamos em Jesus, o Bom Pastor, que nos oferece
todos os bens. Cantemos: «O Senhor é meu Pastor, nada me faltará».
Refrão: O
Senhor é meu pastor:
nada me faltará.
O Senhor é meu pastor:
nada me falta.
Leva-me a descansar em
verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma.
Ele me guia por sendas
direitas por amor do seu nome.
Ainda que tenha de
andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais
comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de
confiança.
Para mim preparais a
mesa
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça,
e o meu cálice transborda.
A bondade e a graça
hão-de acompanhar-me
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.
Segunda Leitura
Monição: S. Paulo apresenta a salvação universal
realizada por Jesus, atraindo a si os pagãos. Com a morte de Cristo, todos os
homens se podem aproximar do Pai. Um só Pastor, um só Pai, um só rebanho.
Efésios 2, 13-18
Irmãos: 13Foi
em Cristo Jesus que vós, outrora longe de Deus, vos aproximastes d’Ele, graças
ao sangue de Cristo. 14Cristo é, de facto, a nossa paz. Foi Ele que
fez de judeus e gregos um só povo e derrubou o muro da inimizade que os
separava, 15anulando, pela imolação do seu corpo, a Lei de Moisés
com as suas prescrições e decretos. E assim, de uns e outros, Ele fez em Si
próprio um só homem novo, estabelecendo a paz. 16Pela cruz
reconciliou com Deus uns e outros, reunidos num só Corpo, levando em Si próprio
a morte à inimizade. 17Cristo veio anunciar a boa nova da paz, paz
para vós, que estáveis longe, e paz para aqueles que estavam perto. 18Por
Ele, uns e outros podemos aproximar-nos do Pai, num só
Espírito.
Nesta leitura expõe-se um dos aspectos do plano salvífico (tema central da epístola): judeus e gentios, até agora separados, ficam unidos, ao participarem da mesma salvação trazida por Cristo, autor da paz: Cristo é de facto «a nossa paz» (v. 14).
14-16 Jesus, ao fazer de judeus e gentios um só povo, acabou com a inimizade e barreira que os separava. Cristo tornou nula a Lei de Moisés. Com efeito, por um lado, satisfez as exigências punitivas dessa Lei ao morrer pelos pecados; e, por outro lado, pela imolação do seu Corpo, alcançou o perdão dos pecados, tornando inútil uma lei punitiva, como era a de Moisés (cf. Rom 8, 3; Gal 2, 14). A Lei de Moisés era de facto uma grande barreira para a união entre judeus e não judeus. Se é verdade que ela tinha, até Cristo, contribuído para defender os israelitas do paganismo, agora já não faz sentido, uma vez que também os gentios são igualmente chamados à mesma salvação em Cristo.
Aclamação ao
Evangelho Jo 10, 27
Monição: O Evangelho mostra-nos em primeiro lugar a
solicitude de Jesus para com os seus discípulos, regressados da sua primeira
missão. Revela-nos ainda o seu zelo infatigável para com as ovelhas sem pastor:
cheio de compaixão, entrega-se totalmente ao cuidado do rebanho que o Pai lhe
confiou.
Aleluia
Cântico: Aclamação- 2, F da Silva, NRMS 50-51
As minhas ovelhas
escutam a minha voz, diz o Senhor;
Eu conheço as minhas
ovelhas e elas seguem-Me.
Evangelho
São Marcos 6, 30-34
Naquele tempo, 30os
Apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-Lhe
tudo o que tinham feito e ensinado. 31Então Jesus disse-lhes: «Vinde
comigo para um lugar isolado e descansai um pouco». De facto, havia sempre
tanta gente a chegar e a partir que eles nem tinham tempo de comer. 32Partiram,
então, de barco para um lugar isolado, sem mais ninguém. 33Vendo-os
afastar-se, muitos perceberam para onde iam; e, de todas as cidades, acorreram
a pé para aquele lugar e chegaram lá primeiro que eles. 34Ao
desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-Se
de toda aquela gente, que eram como ovelhas sem pastor. E começou a
ensinar-lhes muitas coisas.
O Evangelho de hoje está na continuação da leitura do Domingo anterior, contando o regresso dos Apóstolos enviados a pregar (a Liturgia omite o relato intermédio da martírio do Baptista). Eles contaram a Jesus «tudo o que tinham feito e ensinado» (v. 30), um pormenor diríamos paradigmático, pois o apóstolo de todos os tempos não pode limitar-se à acção esquecendo o diálogo com o Senhor.
Também este episódio nos mostra como
Jesus e os Apóstolos se entregavam inteiramente ao ministério, sem lhes sobrar
tempo, faltando-lhes até tempo de comer. Assim ficou para sempre registado um
exemplo de zelo apostólico. Por outro lado, fica patente o senso comum de Jesus
ao não fazer nem exigir esforços absolutamente superiores à natureza: daqui o
imperativo do descanso. Esta leitura presta-se a fazer uma homilia sobre o
sentido cristão do descanso e do aproveitamento das férias.
Sugestões para a
homilia
«Vinde
comigo e descansai»
No passado Domingo
escutávamos os conselhos que Jesus dava aos discípulos. Pela primeira vez, S.
Marcos, utilizou a palavra Apóstolos, que significa
enviados. Foram enviados dois a dois. Fizeram a experiência da força do
Evangelho: «pregaram o arrependimento, expulsaram os demónios, curaram muitos
enfermos», mas certamente sentiram também a resistência, a recusa, a
indiferença das pessoas, pois o texto diz-nos que regressaram cansados e por
isso Jesus os convidou: «Vinde e descansai um pouco!»
É impossível fazer
apostolado fecundo sem estes momentos aos pés do divino Mestre. Há tempo para
trabalhar e um tempo para descansar. Os Apóstolos vieram reunir-se com Jesus e
contaram-lhe o que tinham feito e ensinado. Todos os Domingos nos reunimos em nome
de Jesus. Aqui estamos hoje também nós. Contemos ao Senhor quanto fizemos
durante a semana! Fizemos muitas obras de misericórdia? Ensinámos os irmãos no
meio dos quais vivemos e trabalhamos? Também estamos cansados? Experimentámos a
recusa e a indiferença face aos valores e ideais cristãos que transmitimos?
Na Eucaristia
recuperamos novas forças não só físicas, mas também espirituais. Na Eucaristia
encontramo-nos com Jesus. A vida profunda exige recolhimento. A vida cristã
oscila entre um tempo de actividade no exterior e um tempo de reflexão
interior. Aproveitemos estes momentos para dialogarmos com Jesus, escutarmos
Jesus, descansarmos com Jesus.
Oração Universal
Irmãos, oremos a Deus
Pai,
e imploremos a sua misericórdia para toda a
humanidade:
Abençoai, Senhor o
vosso povo
1. Pela Santa Igreja de Deus: pelo Papa Bento
XVI, bispos, presbíteros e diáconos
para que, ensinem com paciência e amor a doutrina do Evangelho,
oremos, irmãos.
2. Pelos governantes das nações:
para que nos governem com sabedoria
oremos.
3. Por todos nós aqui reunidos,
pelos nossos doentes e velhinhos
e
por todos os que estão em férias, oremos.
Senhor nosso Deus e
nosso Pai, escutai os anseios do nosso coração
E as súplicas que Vos
apresentamos com toda a confiança
Por Nosso Senhor
Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Liturgia
Eucarística
Cântico
do ofertório: As minhas ovelhas ouvirão a minha voz,
A. Cartageno, NRMS 59
Oração
sobre as oblatas: Senhor, que
levastes à plenitude os sacrifícios da Antiga Lei no único sacrifício de
Cristo, aceitai e santificai esta oblação dos vossos fiéis, como outrora
abençoastes a oblação de Abel; e fazei que os dons oferecidos em vossa honra
por cada um de nós sirvam para a salvação de todos. Por Nosso Senhor.
Santo: F. da Silva, NRMS 14
Monição da Comunhão
Com o salmista
agradeçamos ao Senhor, que para nós preparou a mesa.
O Bom Pastor
alimenta-nos com o seu Corpo.
O Senhor reconforta a
nossa alma!
Cântico
da Comunhão: Quem beber da água, Az. Oliveira,
NRMS 61
cf. Salmo
110, 4-5
Antífona
da comunhão: O Senhor
misericordioso e compassivo instituiu o memorial das suas maravilhas, deu
sustento àqueles que O temem.
Ou
Ap 3, 20
Eu estou à porta e
chamo, diz o Senhor. Se alguém ouvir a minha voz e Me abrir a porta, entrarei
em sua casa, cearei com ele e ele comigo.
Cântico
de acção de graças: Senhor, Vós sois grande, M. Simões,
NRMS 48
Oração
depois da comunhão: Protegei,
Senhor, o vosso povo que saciastes nestes divinos mistérios e fazei-nos passar
da antiga condição do pecado à vida nova da graça. Por Nosso Senhor.
Ritos Finais
Monição final
Somos convidados a
testemunhar a nossa fé em Jesus Cristo. Nele encontramos a nossa paz. Nele
todos os homens podem aproximar-se de Deus Pai. (2ª leitura)
Cântico
final: Aleluia! Glória a Deus, F. da
Silva, NRMS 92
Homilias Feriais
16ª SEMANA
2ª feira, 24-VII: S. Sarbélio Makhluf: Sacrifício agradável a Deus.
Miq. 6, 1-4.
6-8 / Mt. 12, 38-42
Agradarão
ao Senhor milhões de cabritos, dezenas de milhares de torrentes de azeite?
Pergunta o profeta
qual o sacrifício que mais pode agradar a
Deus (cf. Leit.) «Todas actividades (dos leigos),
orações, iniciativas apostólicas, a sua vida conjugal e familiar, o seu
trabalho de cada dia, os seus lazeres do corpo e do espírito, se forem vividos
no Espírito de Deus, e até as provações da vida se pacientemente suportadas,
tudo se transforma em sacrifício
espiritual, agradável a Deus, por Jesus Cristo» (CIC; 901).
Jesus recorda a boa
resposta dos habitantes de Nínive (cf. Ev.) ao pedido de conversão. Fizeram penitência e
abandonaram o mal que estavam a praticar.
3ª feira, 25-VII: S. Tiago: estamos preparados para a renúncia?
2 Cor. 4,
7-15 / Mt. 20, 20-28
Não
sabeis o que estais a pedir. Podeis beber o cálice que eu estou para beber? Ele
respondeu-lhe: podemos!
Recebemos do Senhor
uma vida nova, através dos
sacramentos: «Por toda a parte trazemos
sempre no corpo a morte de Jesus» (Leit.). Mas,
apesar de tudo, Ele vai-nos perguntando se podemos beber o cálice da sua morte
(cf. Ev.).
«O Senhor sabia que
poderiam imitar a sua paixão e, no entanto, pergunta-lhes, porque as coisas de
muito valor não se conseguem a não ser por um preço muito elevado» (S. João
Crisóstomo). S. Tiago respondeu
afirmativamente e, de facto, foi o primeiro dos Apóstolos a dar a vida pelo Evangelho (cf. Oração).
4ª feira, 26-VII: S. Joaquim e S. Ana: A herança que deles
nasceu.
Sir. 44, 1. 10-15 / Mt. 13, 16-17 (aprop.)
Celebremos
os louvores dos homens ilustres, dos nossos antepassados, através das gerações.
Hoje é dia para louvarmos as ilustres pessoas (cf. Leit.) dos pais de
Nossa Senhora: Joaquim e Ana. Foram eles que trouxeram ao mundo a Mãe de
Deus (cf. Oração)
De algum modo,
chegaram aos mistérios do reino de Deus, através do que viram e ouviram da sua filha Maria: «Felizes os olhos porque vêem,
e os ouvidos porque ouvem» (Ev.). Peçamos-lhes que
nos ensinem a ‘ver’ Nossa Senhora
como eles a viram, e a ‘ouvi-la’ como
eles a ouviram, para a podermos imitar melhor, porque Ela ouviu a palavra de
Deus e a pôs em prática.
5ª feira, 27-VII: Como entrar no reino de Deus.
Jer. 2, 1-3.
7-8. 12-13 / Mt. 13, 10-17
Endureceram os ouvidos e fecharam os olhos,
não fossem ver com os olhos e ouvir com os ouvidos, entender com o espírito e
converter-se, para que Ele os curasse.
Jesus convida a entrar no seu reino por meio das
parábolas (cf. Ev), um elemento muito característico
dos seus ensinamentos. Para isso, precisamos abrir bem os olhos da fé: «felizes os olhos porque vêem» (Ev.); e também os ouvidos,
para acolhermos bem a palavra de Deus.
Queixa-se Deus que o
seu povo cometeu dois pecados:
abandonou-o, a Ele que é a fonte de água viva, e foi abrir cisternas, com
fendas, que não conservam a água (cf. Leit.). Não
procuremos outros caminhos para entrar no seu reino, que não sejam os caminhos
de Deus. Caso, contrário, perdemos o tempo.
6ª feira, 28-VII: Obter bom rendimento da Palavra de Deus.
Jer. 3, 14-17
/ Mt. 13, 18-23
E o
que recebeu a semente em boa terra é aquele que ouve a palavra e a entende.
O terreno onde cai a semente divina (cf. Ev.) é o mundo
inteiro, é cada homem. A sementeira é generosa, feita com amor, mas o fruto
depende em boa parte de cada um de nós. Devemos pedir ao Senhor que sejamos
muito constantes nos nossos
propósitos, para não desistirmos facilmente perante as dificuldades.
A semente – a palavra
de Deus – é a que recebemos directamente do Evangelho. Devemos estar sempre muito atentos ao que lemos e ouvimos;
aos avisos do Bom Pastor, para não cairmos em tentação: «dar-vos-ei pastores
segundo o meu coração, e eles vos hão-de apascentar com inteligência» (Leit.).
Sábado, 29-VII: S.
Marta: Bom acolhimento do Senhor.
1 Jo. 4, 7-16 / Jo.
11, 19-27
Marta
disse então a Jesus: Se estivesses estado aqui, Senhor, meu irmão não teria
morrido.
Os irmãos de Betânia mantinham uma grande amizade com o Senhor, que ali
procurava descansar e se sentia bem acompanhado. Marta oferecia-lhe a hospitalidade (cf. Oração); pediu-lhe a
ressurreição do irmão Lázaro (cf. Ev.) e conseguiu-o.
Imitemos a hospitalidade de Marta, acolhendo bem o
Senhor e as pessoas amigas; imitemos a sua oração, pedindo pela solução dos
problemas de amigos e conhecidos. O Senhor não deixará de nos ouvir, porque
«foi Ele que no amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados» (Leit.).
Celebração e Homilia: José
Roque
Nota Exegética: Geraldo Morujão
Homilias Feriais: Nuno Romão
Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha