aCONTECIMENTOS eclesiais
DO PAÍS
COIMBRA
No primeiro aniversário da morte de João Paulo II, o Centro
Académico de Democracia Cristã (CADC) e a Sociedade Científica da UCP levam à
estampa o livro «O Legado do Pensamento de João Paulo II». Uma obra que «é o
resultado das Jornadas com o mesmo tema (realizadas em Outubro)» e ao fazerem a
recolha dos textos dos diversos oradores «é uma maneira de homenagear a figura
de João Paulo II» – disse o Cón. João Lavrador,
assistente espiritual do CADC.
As cidades de Coimbra, Lisboa, Porto e Braga receberam, em
Outubro passado, os dez conferencistas que compõem o livro para ajudarem os
participantes a reflectirem sobre as diversas facetas do legado de João Paulo
II. «Seja na linha da Nova Evangelização, da Filosofia, História e do
Ecumenismo» – realçou o Cón. Lavrador. Apesar de ter
falecido a 2 de Abril de 2005, João Paulo II «não foi esquecido pelos
cristãos». E acrescenta: «foi uma das figuras impares da história». As suas
intervenções mudaram a história – «foi considerado um dos grandes pensadores» –
que teve uma «grande influência prática na cultura» – sublinhou este sacerdote
da diocese de Coimbra. Passado um ano, o mundo «não pode ficar indiferente ao
pensamento deste Papa».
O Cón. João Lavrador comentou que
João Paulo II e Bento XVI «são figuras complementares». Nas Jornadas, «tentámos
fazer a ponte entre os dois Papas». E avança: «o cardeal Ratzinger
teve uma relação muito directa com o Papa polaco». Portanto, o pensamento deste
«não é tão diferente», mas «sim interligado». João Paulo II abriu o caminho e
Bento XVI «está a percorrer o caminho».
LISBOA
«COMO SE FAZ UM SANTO»
O Cardeal português D. José Saraiva Martins esteve ontem na
UCP, para explicar «Como se faz um Santo», título duma obra recentemente
publicada em Itália, e cuja edição em português foi apresentada agora.
«Com se faz um Santo» é o resultado de uma entrevista do
jornalista Saverio Gaeta,
chefe de redacção da revista italiana Famiglia Cristiana,
onde em cerca de 100 páginas, são descritos os aspectos mais desconhecidos dos
processos de canonização, mostrando por que é que, nas causas, se presta sempre
grande atenção aos aspectos «obscuros» dos candidatos, e por que motivo até
agora poucos leigos foram declarados santos.
D. José Saraiva Martins explica que «a Igreja limita-se,
unicamente, a verificar se a pessoa candidata à honra dos altares praticou ou
não, sendo fiel ao Evangelho, vivendo continuamente na sua vida de cada dia a
conversão».
O Cardeal português considera o seu trabalho na Cúria Romana
como «uma imensa responsabilidade», frisando que «uma canonização, por exemplo,
envolve o magistério infalível do Papa: é um facto dogmático». Por isso, alguns
processos não chegam ao fim: «se se chega à conclusão
de que não se pode falar em santidade de uma pessoa depois do estudo
aprofundado por parte dos teólogos, dos historiadores, etc., é evidente que a
seriedade científica da Congregação exige que aquela causa não continue».
Sobre a sua obra, o Cardeal Saraiva Martins adianta que este
livro «nasceu da curiosidade de muita gente, de muitos jornalistas». Para esta
curiosidade, há uma explicação simples: «o homem de hoje tem uma sede do
sobrenatural».
O Cardeal nega a «inflação» de santos e beatos durante o
pontificado de João Paulo II. «O Papa não faz senão aplicar o pensamento do
Vaticano II. Se o Concílio diz que a vocação à santidade é universal, a Igreja
tem obrigação de propor modelos de santidade ao povo de Deus, aos homens de
hoje», afirma o Prefeito da Congregação para as
Causas dos Santos.
Em relação ao processo de Canonização dos Pastorinhos de
Fátima, beatificados por João Paulo II, D. José Saraiva Martins diz que os
médicos estão a examinar a cura de uma criança atribuída aos Pastorinhos. Este
processo, contudo, nada tem a ver com um eventual processo relativo à Irmã
Lúcia, porque «a santidade da Lúcia não tem nada que ver com a santidade do
Jacinta e Francisco e vice-versa».
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LEIRIA
ARTE SACRA
A Comissão de Arte e Património da diocese de Leiria-Fátima publicou «Alma e Imagem», uma obra literária
da autoria do Cón. Américo Ferreira, que compila o
vasto espólio albergado no Seminário Diocesano, e é um legado documental do
museu constituído, sobretudo, por imagens que são «alma» histórica de séculos
da presença da Igreja Católica em Leiria.
Neste trabalho, é possível verificar a riqueza da génese e
da evolução da diocese, desde as gentes que viveram nos tempos mais recuados e
que deixaram os seus testemunhos, até alguns séculos mais recentes.
«Alma e Imagem» tem ilustração
fotográfica de Paulo Adriano e divide-se em capítulos de arte-sacra,
acervo diverso, azulejaria, pré-história e romanização.
Em nota de apresentação deste catálogo, é explicado que o
título «Alma e Imagem» resume a ideia-chave, como
«imagens de tempos idos, desde a pré-história até quase aos nossos dias, mas
tanto o peso de tear romano, a fíbula, o epitáfio de alguém cuja memória se
quis perpetuar há dois mil anos atrás, como as imagens dos santos ou as alfaias
litúrgicas: detêm, na verdade, uma alma».
O Museu da diocese de Leiria-Fátima
foi inaugurado oficialmente a 20 de Maio de 1983, depois do grande impulso dado
em 1968, pelo bispo D. Domingos de Pinho Brandão. Em 1973, o Pe. Américo Ferreira assumiu a tarefa de investigação do
património do museu, quando foi nomeado professor no Seminário Menor de Leiria.
Em 9 de Junho de 1994, D. Serafim Ferreira e Silva nomeou
uma Comissão do Museu da Diocese, destacando como principal responsável o Cón. Américo Ferreira, que foi o rosto da recolha e
preservação de todas as peças integrantes do museu.
LEIRIA
NOVO BISPO,
D. ANTÓNIO MARTO
O Santo Padre aceitou a renúncia do governo pastoral da
diocese de Leiria-Fátima, apresentada por D. Serafim
Ferreira e Silva, por limite de idade, e nomeou, como seu sucessor, D. António
Augusto dos Santos Marto, até agora bispo de Viseu.
A notícia foi dada a conhecer pela Santa Sé no passado dia
22 de Abril, precisamente dois anos depois de D. António Marto
ter sido nomeado, por João Paulo II, bispo da diocese de Viseu.
O novo Bispo de Leiria-Fátima
nasceu em 1947, no concelho de Chaves. No Seminário da Diocese, Vila Real, fez
os estudos humanístico-teológicos, que prosseguiu no
Seminário Maior do Porto.
Já em Roma, foi ordenado presbítero em 1971. Aí prosseguiu
estudos de especialização em Teologia Sistemática na Pontifícia Universidade
Gregoriana (de 1970 a 1977), onde fez a licenciatura e o doutoramento, que
concluiu com a tese sobre «Esperança cristã e futuro do homem. Doutrina
escatológica do Concílio Vaticano II».
Quando regressou a Portugal, dedicou-se à formação no
Seminário da Diocese do Porto e ao ensino superior, sobretudo na Faculdade de
Teologia da Universidade Católica (Centro Regional do Porto).
Nomeado para Bispo Auxiliar de Braga, em 2000, dois anos
depois foi nomeado Bispo de Viseu; agora continua como Administrador Apostólico
dela, até à nomeação do seu sucessor. A tomada de posse da Diocese de Leiria
está marcada para 25 de Junho próximo. «Foi-me dito directamente pelo Vaticano
que o Santo Padre queria um bispo teólogo para Fátima, e o meu nome teria sido
o mais sugerido pelos meus colegas de episcopado», revelou D. António Marto à Agência Ecclesia.
Reiterando a sua grande devoção a Nossa Senhora, D. António Marto confiou a Diocese de Leiria-Fátima
e o seu trabalho pastoral à protecção da Virgem.
O Santuário de Fátima, na pessoa do Reitor, Mons. Luciano Guerra, saudou o
novo bispo da Diocese. «O Santuário de Fátima está muito satisfeito com esta
nomeação. D. António Marto tem mostrado, quer antes
de ser Bispo quer como Bispo, que é um homem de doutrina, de espiritualidade e
de pastoral», afirmou Mons. Luciano Guerra em
declarações à Sala de Imprensa do Santuário de Fátima.
«Tanto a Diocese como o Santuário de Fátima esperam na
realidade que D. António Marto os ajude a enfrentar
os desafios actuais e do futuro, já que a Igreja está num momento que podemos
chamar de rejuvenescimento incipiente», acrescentou o Reitor do Santuário de
Fátima.
D. Serafim, Bispo emérito
D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva, Bispo Emérito e
Administrador Apostólico da Diocese de Leiria-Fátima,
sublinha as qualidades humanas e intelectuais do seu sucessor.
«D. António é sincero, inteligente, devoto de Nossa Senhora,
dialogante e com muita cultura, teológica e geral», acrescentando que esta
nomeação «é motivo para que a Diocese de Leiria-Fátima
fique contente».
D. Serafim mostra-se feliz com a nomeação de D. António Marto, que surge em resposta ao seu pedido de renúncia, em
2005, por ter atingido 75 anos de idade. Tendo escolhido como lema episcopal «Verba et Opera»
– Palavra e acção –, pretende continuar a trabalhar.
Com mais tempo disponível e com residência no Santuário de
Fátima, D. Serafim pretende vir a ocupá-lo no atendimento aos peregrinos no
Santuário, nas confissões, «a escrever algumas coisas», «talvez a dedicar-me à
pintura».
D. Serafim mantém o desejo de residir um ano no Sumbe, em Angola, a fazer trabalho como missionário, «a
ensinar o Catecismo», «a ensinar e a aprender com as pessoas», «a ser irmão com
os irmãos».
Dele, o Reitor do Santuário de Fátima, Mons.
Luciano Guerra, sublinha sobretudo as suas qualidades
de grande comunicador: «D. Serafim é um bispo que sobretudo tem consciência de
que estamos numa era mediática em que a Igreja é convidada, pelo próprio
Concílio Vaticano II, a abrir-se aos meios de comunicação social, no sentido
de, por um lado, captar as energias positivas do mundo actual e, por outro
lado, de o ajudar a aproveitar as energias do Evangelho».
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FÁTIMA
NOVOS
ESTATUTOS
DO
SANTUÁRIO
O Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge
Ortiga, negou qualquer polémica em torno dos novos Estatutos do Santuário de
Fátima, aprovados pela Assembleia plenária da CEP.
«Desde o princípio, quando se pensou que seria necessário
que o Santuário actualizasse os seus Estatutos, foi declarado de forma
inequívoca que não estamos na presença de nenhuma censura», explicou aos
jornalistas, no final dos trabalhos.
O comunicado final da Assembleia refere que «o relevo
religioso e a dimensão eclesial do Santuário exigiam
um enquadramento pastoral e jurídico que espelhasse a realidade actual». Os
Estatutos definem a missão do Santuário no acolhimento aos peregrinos e na
proposta de vivência da mensagem de Fátima, devendo agora, ser homologados pela
Congregação para o Clero e, posteriormente, serão tornados públicos.
O Presidente da CEP aludiu à crescente importância dos
Santuários e à «transformação da realidade de Fátima», hoje com uma dimensão
nacional e mundial. «O próprio Bispo de Leiria, como se sublinha, necessita não
de ser substituído nem controlado, mas da ajuda desse Conselho Nacional, em
termos pastorais – e sublinhamos essencialmente a parte pastoral – para que
Fátima seja também modelo para as outras Dioceses», precisou.
O modo como a corresponsabilidade
da Conferência Episcopal Portuguesa se articula com a jurisdição ordinária do
Bispo de Leiria-Fátima é estabelecido nos Estatutos
através do «Conselho Nacional do Santuário de Fátima», criado por Pio XII em
1958, o qual passa a ser constituído pelo Presidente da CEP, pelos três metropolitas portugueses (Patriarca de Lisboa, Arcebispo
Primaz de Braga e Arcebispo de Évora) e pelo Bispo de Leiria-Fátima,
tendo como assessor permanente o Reitor do Santuário.
Este Conselho colabora com o Bispo diocesano e o Reitor «em
tudo o que possa contribuir para o bom funcionamento pastoral e administrativo
do Santuário». A CEP terá ainda um representante no Conselho de Pastoral e na
Comissão de Gestão Económico-Financeira do Santuário.
D. Jorge Ortiga manifestou a convicção de que «a gestão do
Santuário praticamente continuará na mesma». Deu como exemplo a nomeação do
Reitor, que será sempre da responsabilidade do Bispo de Leiria, com homologação
da CEP.
«O Reitor do Santuário poderá, porventura, ser doutra
diocese, mas não é aquilo que nós desejamos», apontou.
O Conselho Nacional deverá reunir-se 2/3 vezes por ano, sem
intenção de «substituir» seja quem for. «O Conselho vai reflectir sobre uma
pastoral de conjunto, vai fazer propostas, vai enriquecer o trabalho que aqui
se faz», disse D. Jorge Ortiga.
Segundo o Presidente da CEP, o compromisso dos Bispos ao dar
ao Santuário de Fátima o carácter de Santuário
Nacional é «corresponsabilizarmo-nos para que
este possa ser aquilo que se dizia antigamente, o altar do mundo».
A suposta crise entre a Santa Sé, o Santuário de Fátima e a
CEP por causa de uma série de acções de carácter inter-confessional
que teriam, alegadamente, desagradado ao Vaticano, foi comentada por D. Carlos
Azevedo, Secretário da CEP. O episódio com a comunidade hindu foi
desvalorizado, explicando que «não houve nenhuma celebração» e lamentando que
muitas reacções tenham partido «dum equívoco».
FÁTIMA
EDUCAÇÃO MORAL E
RELIGIOSA CATÓLICA
A Conferência Episcopal Portuguesa aprovou, na sua última
assembleia plenária, em 27 de Abril passado, o documento «Educação Moral e
Religiosa Católica: um valioso contributo para a formação da personalidade».
Nele se estabelecem as bases para a renovação de programas, de metodologias e
manuais, considerando as rápidas mudanças no sistema educativo.
Os Bispos sublinham o «alcance cultural» e o «claro valor
educativo» da Disciplina que «interessa à escola e, designadamente, à escola
estatal». O ensino religioso está legalmente garantido no nosso país desde
1940. O texto da Concordata entre a Santa Sé e a República Portuguesa, de 18 de
Maio de 2004, que entrou em vigor em 18 de Dezembro desse ano, garante «no âmbito
da liberdade religiosa e do dever de o Estado cooperar com os pais na educação
dos filhos, as condições necessárias para assegurar, nos termos do direito
português, o ensino da religião e moral católicas nos estabelecimentos de
ensino público não superior, sem qualquer forma de discriminação». Actualmente,
a disciplina de EMRC tem um carácter facultativo e abrange os
ensinos básico e secundário (do 1º ao 12º ano de escolaridade).
A Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) «é lugar
privilegiado de desenvolvimento harmonioso do aluno, considerado como pessoa,
na integridade das dimensões corporal e espiritual, e da abertura à
transcendência, aos outros e ao mundo que é chamado a construir», considera a
CEP.
O mesmo documento define o lugar desta disciplina escolar na
informação e formação cultural do ensino e como serviço à «formação global dos
alunos». Numa altura em que «há na sociedade e na escola uma crescente
necessidade de valores hierarquizados, que pautem a vida, e uma procura de
transcendência e de religiosidade, sem os quais a vida perde horizontes», a
EMRC «desenvolve um trabalho importante e está significativamente implantada em
todos os tipos de escolas», salientam os bispos.
A CEP critica algumas «resistências do sistema de ensino à
leccionação» da disciplina, como o «indiferentismo ou hostilidade, dificuldades
na definição de horários e tentativas de diluição da natureza curricular desta
disciplina».
O documento caracteriza o professor de EMRC e as finalidades
a alcançar por esta matéria curricular, advogando uma «pedagogia cooperativa»,
de participação e pesquisa, de metodologia de projecto e de inter-disciplinaridade
com o rigor científico das outras disciplinas.
Para os Bispos, há uma série de «grandes finalidades» que os
alunos de EMRC devem alcançar, como «apreender a dimensão cultural do fenómeno
religioso e do cristianismo, em particular» e «conhecer o conteúdo da mensagem
cristã e identificar os valores evangélicos», entre outras.
A CEP lembra que a EMRC tem uma natureza diferente da
Catequese, quanto às finalidades, aos destinatários e aos conteúdos.
SANTA
MARIA DA FEIRA
HOMENAGEM A
D. SEBASTIÃO SOARES RESENDE
Realizou-se no passado dia 29 de Abril, na sua terra natal,
a homenagem ao que foi primeiro Bispo da Beira, D. Sebastião Soares de Resende.
Natural da freguesia de Milheirós
de Poiares, pertencente ao concelho de Santa Maria da Feira, nasceu a 14 de
Junho de 1906, sendo baptizado «aos oito dias do mês de Julho de 1906»,
conforme reza o seu assento de Baptismo. D. Sebastião foi figura distinta do
clero da diocese do Porto. Tendo sido em 1943 nomeado Bispo da Beira, uma das
dioceses criadas em Moçambique a partir do Acordo Missionário de 1940 (as
outras foram Lourenço Marques e Nampula), logo iniciou uma actividade que se revelaria
cheia de dinamismo de futuro.
Escreve D. Eurico Dias: «Impulsionou o ensino de base –
especialmente para os autóctones – e abriu escolas para o secundário, quase
inexistente na região. Criou paróquias e missões e fundou o Diário de Moçambique, logo caracterizado
pela independência política e capacidade de intervenção. Publicou duas dezenas
de Cartas Pastorais, de índole social, sempre de grande actualidade e não pouca
audácia. Por isso, passou a ser olhado com desconfiança e vigiado pelo poder
constituído, que lhe fez uma guerra sem quartel. Consta que este impediu a sua
promoção a Arcebispo metropolita – quando faleceu o
Cardeal Arcebispo D. Teodósio de Gouveia (1962), como parecia ser desejo da
Santa Sé - e procurou mesmo afastá-lo
de Moçambique».
D. Sebastião participou no II Concílio do Vaticano (1962 a
1965), onde teve participação activa. Tendo-se declarado uma enfermidade
cancerosa, que se revelou ao longo do ano de 1966, após tratamentos na Europa,
D. Sebastião quis regressar à sua Diocese da Beira, onde faleceu em 25 de
Janeiro de 1967, aos 61 anos de idade.
Testemunha D. Eurico Nogueira: «O impressionante cortejo
[fúnebre] demorou uma hora até ao cemitério. Nunca supus que atingisse tal
grandiosidade e emoção: talvez mais de 30 mil pessoas».
«Sobre a sua humilde campa rasa, apenas se vê uma singela
legenda, que ele mesmo escolheu ao redigir o seu testamento, que é, com o
emocionante diário íntimo, o espelho fiel da sua alma cristalina: Sebastião,
primeiro Bispo da Beira» – escreve D. Eurico na memória publicada pela «Liga
dos Amigos da Feira Dom Sebastião Soares de Resende, 1.º Bispo da Beira».
No dia 17 de Junho prepara-se uma homenagem mais completa a
D. Sebastião Soares de Resende, com uma celebração presidida pelo Bispo do
Porto, uma sessão solene e a inauguração de uma estátua de D. Sebastião, que
ficará no adro da Igreja Paroquial de Milheirós de
Poiares. A estátua é da autoria da escultora Irene Vilar.
Do programa previsto constam: Apresentação do colóquio, por
Carlos Azevedo; Ser o primeiro Bispo de uma Diocese missionária, por D. Augusto
César Ferreira da Silva, Bispo emérito de Portalegre e Castelo Branco; O
carácter inovador da doutrinação missionária do primeiro Bispo da Beira, por
Adriano Moreira, da Universidade Católica; D. Sebastião como investigador, por
David Simões Rodrigues, investigador; A permanência viva da acção de D.
Sebastião, por D. Jaime Gonçalves, Bispo da Beira.
LISBOA
SEMANA DA VIDA
De 14 a 21 de Maio, celebra-se a «Semana da Vida». Na
mensagem da Comissão Episcopal do Laicado e Família,
lembra-se que «a Igreja não pode deixar de proclamar que a vida, desde a sua
concepção, é o primeiro e fundamental direito da pessoa humana».
«O direito à vida não é uma questão meramente religiosa ou
confessional. É o primeiro e fundamental direito da pessoa humana que não pode
estar sujeito à vontade do mais forte, nem ser sacrificado por regras
democráticas que pretendem dar a aparência de legalidade à destruição dos mais
frágeis».
O documento manifesta a preocupação perante «alguns aspectos
da cultura ambiente que são abertamente contrários à cultura da vida tal como a
tradição da Igreja a entende», bem como «certos comportamentos que se
vulgarizam e questões que apontam para nova legislação, sem salvaguardar a
prioridade do serviço à vida e o respeito pela dignidade humana».
Neste sentido, lamenta-se «toda a problemática relacionada
com a Procriação Medicamente Assistida, sobre a qual o Parlamento se prepara
para legislar, sem ter prestado uma informação conveniente e sem promover o
debate público que se impõe».
Para a Comissão Episcopal, é preocupante perceber que está
em perspectiva «uma campanha a favor do aborto a pretexto de um novo referendo,
para alargar ainda mais os prazos legais em que o mesmo se possa realizar».
Os Bispos criticam ainda a pretensão de alguns grupos de que
se reconheça como «casamento» a união de facto de pessoas do mesmo sexo; a
tendência para uma maior facilitação do divórcio; o aumento da violência
doméstica e o tráfico de pessoas e órgãos; o número de suicídios e homicídios e
a proliferação de armas ligeiras; o consumo crescente da pílula do dia
seguinte, reconhecidamente abortiva, e as condições em que a mesma é
facilitada.
Neste ano a «Semana da Vida» está centrada no tema «Família
– Amor e Vida». A Família, explica a mensagem, «reclama o acolhimento alegre e
responsável da vida que nasce, o respeito e a defesa de cada existência humana,
o cuidado por quem sofre ou passa necessidade, a solidariedade com os idosos e
os doentes, a qualidade de vida, a responsabilidade com a segurança na estrada
e no trabalho».