Transfiguração do Senhor

6 de Agosto de 2006

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Exultai de alegria, F. da Silva, NRMS 106

cf. Mt 17, 5

Antífona de entrada: O Espírito Santo apareceu numa nuvem luminosa e ouviu-se a voz do Pai: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências. Escutai-O.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a Transfiguração do Senhor no alto do monte Tabor: o Espírito Santo apareceu numa nuvem luminosa e ouviu-se a voz do Pai: «Este é o Meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências: Escutai-O». Procuremos, pois, escutar o Senhor: Ele é a Palavra do Pai dirigida aos homens.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que na gloriosa transfiguração do vosso Filho Unigénito confirmastes os mistérios da fé com o testemunho da Lei e dos Profetas e de modo admirável anunciastes a adopção filial perfeita, fazei que, escutando a palavra do vosso amado Filho, mereçamos participar na sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Daniel fala-nos, nesta leitura, do Filho do Homem que ele vê entre as nuvens do Céu; é uma alusão clara a Jesus Cristo, que a Si mesmo se dá este título de Filho do Homem: o seu domínio é um domínio eterno.

 

Daniel 7, 9-10.13-14

9Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo. 10Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares o serviam e miríades de miríades o assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos. 13Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. 14Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, que nunca passará, e o seu reino jamais será destruído.

 

A leitura é tirada da 2ª parte do livro de Daniel, a parte profética (7 – 12). Temos aqui a descrição, em estilo apocalíptico, do julgamento divino, com três quadros: a apresentação do Juiz, Deus, (vv. 9-10); a destruição do reino inimigo (vv. 11-12, omitidos nesta leitura); e o estabelecimento do reino de Deus (vv. 13-14).

9-10 «Um Ancião» (à letra, «o antigo em dias»): é uma forma antropomórfica de falar de Deus eterno (cf. 36, 26; Salm 101 [102], 25-26; Is 41, 4). A alvura dos cabelos não significa velhice, mas glória e luminosidade. As torrentes de fogo que saem do trono podem simbolizar o poder divino para destruir os seus inimigos (v. 11; cf. Is 26, 11). Dado o estilo apocalíptico desta passagem, não se pode partir deste texto para fazer um cálculo, ainda que meramente aproximado, do número dos Anjos: «miríades de miríades» é um superlativo hebraico para indicar um número incontável (nós diríamos, «aos milhões», mas este numeral não existe em hebraico nem em grego).

13 Alguém semelhante a um filho de homem. Os exegetas, partindo da análise do contexto (vv. 18.22-27), dizem que o sentido literal directo desta expressão visa não um indivíduo singular, mas o povo dos «santos do Altíssimo» (v. 18). Contudo, como sucede frequentemente, o que é dito em geral acerca de todo o povo entende-se, de um modo eminente (sentido eminente), como referido a uma personagem singular, nomeadamente o chefe do povo, neste caso o próprio Messias. O judaísmo assim o entendeu, e o próprio Jesus (cf. Mt 24, 30; 26, 64); discute-se, porém, se «Filho do Homem» é um verdadeiro título cristológico (assim parece em Lc 1, 32-33; Mt 8, 20; 24, 30; 26, 64; Apoc 1, 7; 14, 14) ou uma maneira discreta de Jesus se referir a si mesmo (uma figura chamada asteísmo: o filho do homem equivalendo a este homem); uma coisa, porém, é certa: este não era um título com que Jesus fosse tratado nem pelo povo da Palestina, nem pela Igreja primitiva. Os que o entendem como um título cristológico sublinham o seu carácter simultaneamente humilde e glorioso, humano e divino.

 

Salmo Responsorial      Sl 96 (97),1-2.5-6.9 e 12

 

Monição: O Salmo 96 que vamos meditar fala-nos da realeza de Cristo, a quem servem todos os povos, nações e línguas.

 

Refrão:         O Senhor é rei,

                      o Altíssimo sobre toda a terra.

 

O Senhor é rei: exulte a terra,

rejubile a multidão das ilhas.

Ao seu redor, nuvens e trevas;

a justiça e o direito são a base do seu trono.

 

Derretem-se os montes como cera

diante do senhor de toda a terra.

Os céus proclamam a sua justiça

e todos os povos contemplam a sua glória.

 

Vós, Senhor, sois o Altíssimo sobre toda a terra,

estais acima de todos os deuses.

Alegrai-vos, ó justos, no Senhor

e louvai o seu nome santo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Pedro apresenta-se como testemunha da glória e grandeza do Senhor, quando O viu com os próprios olhos transfigurado no Monte Tabor.

 

2 São Pedro 1, 16-19

Caríssimos: 16Não foi seguindo fábulas ilusórias que vos fizemos conhecer o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por termos sido testemunhas oculares da sua majestade. 17Porque Ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da sublime glória de Deus veio esta voz: «Este é o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha complacência». 18Nós ouvimos esta voz vinda do céu, quando estávamos com Ele no monte santo. 19Assim temos bem confirmada a palavra dos Profetas, à qual fazeis bem em prestar atenção, como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que desponte o dia e nasça em vossos corações a estrela da manhã.

 

Neste trecho é aduzido como argumento de credibilidade a favor do anúncio da «vinda» gloriosa (parusia) de Jesus o facto de Pedro ter sido testemunha (com outros dois Apóstolos: cf. Mt 17, 1-18 par) da sua glória divina, que brilhou sobrenaturalmente quando os três estavam com Ele «no monte santo». A parusia era negada pelos trocistas visados na carta, mais adiante (cf. 3, 3-4). O texto não perde a sua força, mesmo que ele tenha sido redigido, depois da morte do Príncipe dos Apóstolos, por algum seu discípulo e continuador, como hoje pensam muitos estudiosos.

Com a Transfiguração, «ficou bem confirmada a palavra dos Profetas», que anunciaram a vinda gloriosa do Messias no fim dos tempos: a Transfiguração foi uma visão antecipada da glória da parusia. Essa palavra da Sagrada Escritura, a que devemos prestar atenção, funciona como uma luz que «brilha como uma lâmpada em lugar escuro» (v. 19), «para aqueles que esperam a luz final, a ‘estrela da manhã’ (cf. Apoc 2, 28) a surgir com a parusia de Cristo (cf. 1 Tes 5, 4)» (The New Jerome Biblical Commentary, p. 1019). Em Apoc 22, 16, Jesus é «a brilhante estrela da manhã», pela qual a comunidade orante dos fiéis clama com insistência: «vem!» (Apoc 22, 17.20).

 

Aclamação ao Evangelho          Mt 17, 5c

 

Monição: Aclamemos o Senhor: Ele é verdadeiramente o Filho amado do Pai a quem devemos escutar e seguir fielmente, se quisermos um dia entrar na glória de Deus.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS10 (II)

 

Este é o meu Filho muito amado,

no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 9, 2-10

Naquele tempo, 2Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles. 3As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear. 4Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. 5Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias». 6Não sabia o que dizia, pois estavam atemorizados. 7Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O». 8De repente, olhando em redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus, sozinho com eles. 9Ao descerem do monte, Jesus ordenou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, enquanto o Filho do homem não ressuscitasse dos mortos. 10Eles guardaram a recomendação, mas perguntavam entre si o que seria ressuscitar dos mortos.

 

A cena da Transfiguração situa-se nos inícios da segunda parte do Evangelho de Marcos. A primeira parte (Mc 1, 1 – 8, 29) parece querer ser a resposta à incompreensão das pessoas que se interrogam – «quem é este homem?» – sem atinarem com a resposta certa, culminando com a confissão de Pedro: «Tu és o Cristo!» (8, 29). Mas perante a revelação da natureza da obra messiânica de Jesus, que passa pela aparente derrota da Paixão e da Cruz, surge a incompreensão dos próprios discípulos, a começar pelo próprio Pedro (8, 31-33). A visão antecipada da glória do Messias na Transfiguração serve de correctivo para aqueles que ficaram confundidos com o primeiro anúncio da Cruz como meio de salvação (8, 31 – 9, 1). Para nós, é também uma visão antecipada da vinda gloriosa de Cristo, a encher-nos de esperança (cf. Filp 3, 21). A Transfiguração do Senhor nada tem a ver com os mitos gregos das metamorfoses. O próprio S. Lucas, melhor conhecedor da cultura grega, teve o escrupuloso cuidado de evitar o verbo grego usado por S. Marcos – metamorfôthê, transfigurou-Se – substituindo-o por um circunlóquio: «ao rezar, ficou outro o aspecto do seu rosto». Nos mistérios gregos, chega-se progressivamente à transformação da natureza – a metamorfose –, através duma iniciação mistagógica, ao passo que esta transfiguração de Jesus foi repentina e passageira, uma manifestação do que Jesus já era antes.

2 Pedro, Tiago e João, são os três predilectos de Jesus, destinados a ser «colunas da Igreja» (Gal 2, 9) particularmente firmes, também testemunhas da ressurreição da filha de Jairo (Mc 5, 37) e da agonia de Jesus no horto (Mt 26, 37), diríamos, uma espécie de núcleo duro dos Doze. «A um alto monte»: Os Evangelhos não dizem o nome do monte que habitualmente se julga ser o Tabor, um monte situado a 10 km a Leste de Nazaré, segundo uma antiga tradição já referida por Orígenes. Como este monte não é muito alto (apenas 560 m), há exegetas que falam antes do Monte Hermon (2.759 m), junto a Cesareia de Filipe, região onde Jesus tinha estado, segundo os três sinópticos, uma semana antes. «E transfigurou-Se diante deles»: o acontecimento é descrito, não como uma visão, mas como uma epifania, pois foi Ele mesmo a «manifestar» a sua própria glória divina, enquanto estava com eles. O facto deveras notável não foi tanto a visão de Moisés e Elias, mas a da glória de Jesus.

3 «As vestes… resplandecentes…» S. Marcos não faz referência ao rosto de Jesus que ficou brilhante como o Sol (Mt 17, 2). O Evangelista não precisava de pormenorizar mais, pois a referência da brancura sobrenatural das vestes era o suficiente para que o leitor tomasse consciência da personalidade celestial de Jesus (cf. Dan 7, 9; Act 1, 10; Apoc 3, 4-5; 4, 4; 7, 9).

4 «Moisés e Elias». A sua presença à volta de Jesus deixa ver como a Lei e os Profetas convergem para Ele, uma vez que tinham preparado e anunciado a sua vinda. A própria tradição rabínica falava de Moisés como precursor do Messias e Malaquias anunciara a vinda de Elias nos tempos messiânicos (Mal 3, 23).

5-7 «Três tendas». Assim se prestava Pedro a facilitar que se prolongasse aquele êxtase paradisíaco. Fala de três e não de um único refúgio, tendo em conta a desigual dignidade de cada uma das pessoas. «Não sabia o que dizia»: Pedro, tomado de assombro, pensa em categorias de um messianismo glorioso e pretende que aquela situação extraordinária se prolongue e mantenha, totalmente alheado da realidade do dia a dia. «Veio então uma nuvem»: mas esta não era uma resposta à sugestão de Pedro para construir um abrigo; a nuvem – a tenda de Deus (cf. 2 Sam 22, 12; Salm 18(17), 12), que cobriu e envolveu Jesus «com a sua sombra» –, aparece sobretudo como um sinal bíblico da presença de Deus, que simultaneamente O revelava e O ocultava (cf. Ex 13, 22; 19, 9; 24, 15-16; 33, 9; Lv 16, 2; Nm 9, 15-23; 11, 25). De acordo com Lc 9, 32, este prodígio deve-se ter verificado de noite, enquanto o Senhor fazia oração (Lc 9, 29). Mas não consta que Jesus se tenha elevado, levitando no ar, como O pintou Rafael. «Este é o meu Filho». Com estas palavras a cena atinge o apogeu: a voz vinda do Céu (a bat-qol, como garantia divina) é mais uma confirmação divina da anterior confissão da fé de Pedro (Mc 8, 29). S. Tomás comenta: «Apareceu toda a Trindade, o Pai na voz, o Filho no homem, o Espírito na nuvem luminosa».

9 «Ordenou-lhes que não contassem…» Esta ordem pertence à chamada disciplina do segredo messiânico – a que Marcos dá especial ênfase pela preocupação teológica de fazer ressaltar a incompreensão perante Jesus, a ser superada pelos seus só após a glória da Ressurreição –, visa evitar possíveis agitações populares, que só contribuiriam, para perturbar e dificultar a missão de Jesus.

 

Sugestões para a homilia

 

1. O Filho do Homem.

2. Humilhado e glorioso...

3. Pela cruz à glória...

1. O Filho do Homem.

Para falar de Si, Jesus prefere usar o nome de «Filho do Homem»: a prova está em que nos Evangelhos se encontra esta expressão oitenta e duas vezes e sempre dita por Ele, como autodesignação de Si mesmo, numa clara alusão ao personagem celeste da visão do profeta Daniel e que aparece sobre as nuvens do céu, como ouvimos na 1ª leitura da Missa de hoje.

«O Filho de Deus fez-se Filho do Homem, para que o homem, entrando em comunhão com Ele e recebendo a filiação divina, se tornasse filho de Deus» (S. Ireneu).

2. Humilhado e glorioso...

Denominando-se Filho do Homem, Jesus apresenta-se como Juiz e Salvador que há-de vir, no futuro, cheio de glória, mas que, agora, no presente, passará pela humilhação, perseguição e morte.

Para tirar do coração dos discípulos o escândalo da cruz e mostrar que devia realizar-se no corpo da Igreja o que de modo admirável resplandecia na sua Cabeça, Ele fez brilhar por breves momentos a luz da sua divindade na presença dos três discípulos predilectos que, no Horto da Oliveiras, seriam também testemunhas da sua humilhação.

Depois da morte e ressurreição de Cristo e com a vinda do Espírito Santo, os discípulos entenderam melhor e puderam constatar a verdade das suas palavras sobre a necessidade da cruz e do sofrimento, como caminho para a glória.

3. Pela cruz à glória...

Moisés e Elias aparecem e falam com Jesus da sua morte que ia consumar-se em Jerusalém. Eles tinham visto a glória de Deus sobre a montanha. A Lei – simbolizada em Moisés – e os Profetas – representados por Elias – tinham anunciado os sofrimentos do Messias. A Paixão de Jesus é da vontade do Pai. O Filho age na qualidade de Servo de Deus. É necessário passar pela cruz para entrar na sua glória.

Também nós, seus discípulos, para podermos participar da sua ressurreição e entrar na sua glória, temos de escutar a sua voz que nos exorta a segui-Lo pelo caminho da Cruz. S. Pedro, que no princípio se escandalizou com os sofrimentos de Cristo e com a sua Paixão, a ponto de ser repreendido duramente pelo próprio Senhor, escreverá mais tarde estas palavras, exortando os cristãos de todas as épocas: «Alegrai-vos em ser participantes nos sofrimentos de Cristo, para que vos possais alegrar e exultar no dia em que se manifestar a sua glória» (1 Ped 4, 13).

 

 

Oração Universal

 

Na festa da Transfiguração de Jesus,

que manifesta a sua divindade ao mundo,

oremos, irmãos, a Deus Pai todo-poderoso

pelo bem de todos os homens, dizendo:

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

1.  Pelo Papa, pelos Bispos e Sacerdotes:

para que confirmem os cristãos na fé

e atraiam para Cristo todos os homens,

oremos, irmãos.

 

2.  Pela paz e prosperidade de todo o mundo:

para que a fome, as calamidades e as guerras

se afastem de todos os povos,

oremos, irmãos.

 

3.  Pelos pecadores, descrentes e ateus:

para que descubram que só Cristo é a Vida

e alegria dos corações,

oremos ao Senhor.

 

4.  Pelos doentes:

para que recuperam a saúde

e vivam alegres na esperança da vinda gloriosa do Senhor,

que transformará o nosso corpo corruptível

à imagem do seu corpo glorioso,

oremos, irmãos.

 

5.  Por todos nós aqui reunidos,

pelos membros das nossas famílias e comunidades:

para que Deus nos dê a graça de O servir neste mundo

e de contemplar a sua glória na eternidade,

oremos, irmãos.

 

6.  Pelos defuntos da nossa comunidade e do mundo inteiro:

para que, purificados das sua faltas,

possam contemplar na eternidade o rosto de Cristo glorioso,

oremos, irmãos.

 

Ó Deus, que nos enchestes de graças e dons cá na terra:

conduzi os nossos passos hesitantes

de modo que, pelos caminhos do mundo,

saibamos encontrar-Vos e seguir-Vos

e entrar um dia na glória que não tem fim.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: bom Senhor, estar ao pé de Ti, M. Carneiro, NRMS 36

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, estes dons pelo mistério da transfiguração do vosso Filho e com o esplendor da sua glória purificai-nos das manchas do pecado. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

O mistério da Transfiguração

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

v. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

v. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Na presença de testemunhas escolhidas, Ele manifestou a sua glória e na sua humanidade, em tudo semelhante à nossa, fez resplandecer a luz da sua divindade para tirar do coração dos discípulos o escândalo da cruz e mostrar que devia realizar-se no corpo da Igreja o que de modo admirável resplandecia na sua cabeça.

Por isso exulta a Igreja em toda a terra e com os Anjos e os Santos proclama a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

«Quando Cristo se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória». A comunhão do seu Corpo e Sangue irá, pouco a pouco, transformando-nos interiormente e será penhor dessa vida eterna, na glória do Pai, como Ele mesmo nos prometeu.

 

Cântico da Comunhão: escutais a Cristo Rei, M. Carneiro, NRMS 92

 

Antífona da comunhão: Quando Cristo Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Quanta alegria é para mim, H. Faria, NRMS 18

 

Oração depois da comunhão: O alimento celeste que recebemos, Senhor, nos transforme em imagem de Cristo, que no mistério da transfiguração manifestastes cheio de esplendor e de glória. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Alimentados com o pão celestial e com a Palavra de Deus, sejamos em toda a parte imagem viva de Cristo. Que todos possam sentir junto de nós esse bem-estar e essa felicidade que levou S. Pedro a dizer, no cimo do monte Tabor: «Que bom é estarmos aqui».

 

Cântico final: Aleluia! Glória a Deus, F. da Silva, NRMS 92

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

18ª SEMANA

 

feira, 7-VIII: S. Sisto: Contar sempre com Deus.

Jer. 28, 1-17 / Mt. 14, 13-21

Pegou nos cinco pães e nos dois peixes, ergueu os olhos ao céu e pronunciou a bênção.

Este milagre é uma manifestação da misericórdia de Jesus para com aqueles que O seguiam, é uma figura da superabundância do pão eucarístico (cf. CIC, 1335).

Ensina-nos a contar sempre com Deus. Nós pomos da nossa parte aquilo que podemos (cinco pães e dois peixes) e o resto é com Ele. Além disso, precisamos contar com a Eucaristia. Ela alimenta-nos durante a peregrinação terrena. S. Sisto II foi executado pelos soldados do Imperador Valeriano, quando celebrava precisamente a Eucaristia, que lhe deu forças para suportar o seu martírio.

 

feira, 8-VIII: S. Domingos: A fé mantém-nos firmes.

Jer. 30, 1-2. 12-15. 18-22 / Mt. 14, 22-36

Mas (Pedro), ao notar a ventania, teve medo e, começando a afundar-se, lançou um grito: Salva-me, Senhor.

Pedro começou a afundar-se porque, em vez de olhar para Jesus, olhou para a ventania, com medo. Jesus serviu-se deste episódio para chamar a atenção de Pedro para a necessidade de ter uma fé mais forte (cf. Ev.).

Do mesmo modo, Deus permitiu uma série de males ao povo de Israel para que se acolhessem ao seu Deus (cf. Leit.). Na Idade Média apareceram muitas heresias e Deus suscitou S. Domingos que, com a sua pregação, ajudou a combatê-los. Assim nasceu a Ordem dos Pregadores, destinada a ajudar o Papa na defesa da fé.

 

feira, 9-VIII: S. Teresa Benedita da Cruz: O heroísmo de cada dia.

Os. 2, 16. 21-22 / Mt. 25, 1-13

À meia-noite ouviu-se um brado: Aí vem o esposo, sai-lhe ao encontro.

Celebramos hoje a festa de S. Teresa Benedita da Cruz, uma das três Padroeiras da Europa, nomeada por João Paulo II. Ao longo da sua vida foi preparando o encontro com o Senhor, enchendo de azeite (graça de Deus) a lâmpada da sua vida (cf. Ev.), que culminou no martírio.

A Europa precisa actualmente do testemunho de cada um dos seus filhos. Há uma maneira desleixada, aburguesada de percorrer os caminhos de Deus (a das virgens insensatas) e uma maneira heróica (a das virgens prudentes), que consiste em viver com fidelidade as coisas pequenas de cada dia, realizadas com muito amor de Deus e do próximo.

 

feira, 10-VIII: S. Lourenço: Sangue dos mártires, semente dos cristãos.

2 Cor. 9, 6-10 / Jo. 12, 24-26

Se o grão de trigo cair na terra e não morrer, fica só ele; mas, se morrer, dá muito fruto.

S. Lourenço, diácono do Papa Sisto II, sofreu o martírio poucos dias depois do deste Papa, durante a perseguição de Valeriano.

Graças ao seu martírio e ao de tantos outros, nos primeiros séculos, a Igreja foi-se expandindo pelo mundo inteiro: «o sangue dos mártires é semente dos cristãos» ou «quem semeia com largueza também colherá com largueza» (Leit.). Participemos também nesta sementeira, oferecendo as contrariedades de cada dia, os sacrifícios para superar os obstáculos. São coisas pequenas mas é o nosso grão de trigo (Ev.), que dará muito fruto.

 

feira, 11-VIII: S. Clara: Rejeitar o que afasta de Deus.

Naum 2, 1. 3; 3, 1-3. 6-7 / Mt. 16, 24-28

Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se arruinar a própria vida?

«A fé no Deus único leva-nos a usar de tudo quanto não for d’Ele, na medida em que nos aproximar d’Ele; e a desprender-nos de tudo, na medida em que d’Ele nos afastar (cf. Ev.)» (CIC, 226)

Dizia S. Josemaria: «afasta de mim, Senhor, aquilo que me afasta de ti». É este pensamento que devemos ter relativamente a todos os bens materiais que usamos. S. Clara, fundadora da Ordem das Clarissas, viveu com grande amor a pobreza evangélica: pegou nessa Cruz e seguiu os passos do Senhor (cf. Ev.). Procuremos viver sempre com austeridade.

 

Sábado, 12-VIII: S. Joana F. de Chantal: Faz o que podes e pede o que não podes.

Hab. 1, 12- 2, 4 / Mt. 17, 14-20

Se tiverdes fé comparável a um grão de mostarda, direis a esse monte: muda-te daqui para acolá… E nada vos será impossível.

Se a nossa fé for grande, poderemos levar a cabo muitas tarefas, consideradas impossíveis (cf. Ev.), porque Deus nos faz participantes do seu poder.

Se alguma vez encontramos dificuldades, se reparamos nas nossas debilidades, etc., é altura de nos lembrarmos «que Deus não pede coisas impossíveis mas, ao mandar, avisa que faças o que podes e que peças o que não podes e ajuda para que possas» (S. Agostinho). S. Joana Francisca de Chantal, apesar das dificuldades, fundou a Ordem da Visitação e teve um grande amor pelos pobres e enfermos.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Alfredo Melo

Nota Exegética:    Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical:              Duarte Nuno Rocha


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